Mostrando postagens com marcador Resmungos e Rabugices. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Resmungos e Rabugices. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, outubro 24, 2008

Argh!

Uma revelação bombástica a fazer. Eu odeio esquilos. Bicho nojento. Aquilo nada mais é do que um rato de rabo felpudo. Até raiva aquele bicho transmite. E ele se acha, né? O rato pelo menos é humilde. Se esconde. Sabe que não é um bicho agradável. Vive pelos bueiros e buracos do metrô (aliás, esses dias eu peguei o primeiro vagão de um metrô que é aqueles que param bem pra frente da estação – claro, pois é o primeiro. Então eu pude ver, de dentro do vagão, uma carreira de ratazanas passando ao meu lado, do lado de fora. Eles estavam passando por um buraco. Sem sacanagem, passaram uns 15 ratos enooormes, gordos, perto de mim. Eu tava dentro do vagão, mas a porta tava aberta. Eu e mais a meia dúzia de pessoas no vagão ficamos estáticos, olhando hipnotizados aquele espetáculo grotesco e atraente ao mesmo tempo – como quase tudo que é grotesco. Se um bicho daqueles erra a rota e resolve entrar no vagão...Ah, se eu tivesse um flauta ali – entenderam a piada? Pegaram? Hãn, hãn?). Mas então. Voltando aos malditos esquilos. Eles se acham. Porque fica todo mundo: “ah, que bonitinho”. E dá amendoim. E tira foto. E não sei mais o quê. E os bichos ficam correndo pelas praças, subindo em árvores, te encarando com aqueles olhos de rato, aquelas patas de rato...argh!

Eu sou pela extinção dos esquilos e dos pombos. Foda-se o ecossistema. Já destruímos tanta coisa nesse planeta, tantas espécies, porque não destruir mais essas duas?

Aliás, eu sou impressionada com a quantidade de ratos no metrô. Não nas estações, em si. Mas o metrô daqui tem até uns quatro andares, dependendo da estação. Então é muito fundo e muito sujo – não quando você vai pro Queens, aí o metrô é na superfície. E uns quatro trilhos. Então você pode observar ratos de longe. E você vê famílias e mais famílias. E brigas de ratos...Será que não dá pra chamar o Giuliani e tentar uma tolerância zero nos ratos?

Esses dias eu vi um mouse, o ratinho pequeno que inspirou o Walt Disney a criar o Mickey. Gente, eu nunca pensei que fosse dizer isso de um rato, mas ele é fofo! Pequenininho, do tamanho de uma barata, marronzinho, de orelhas grandes. Quase que eu abaixei e disse: “oooooi, Mickeeeeey!”. Fofo. O vi em uma calçada e depois outro saindo de um restaurante indiano. Mas espero não encontrá-lo na minha casa.


* * *


Aqui tem um canal de notícias da cidade chamado NY1. Notícias 24 horas por dia, só de NY. Previsão do tempo de 10 em 10 minutos. E notícias dos bairros específicos. Hoje tinha uma notícia de um tarado que atacou uma mulher perto da minha casa. E, pelo que entendi, ele entrou na casa dela. Ai, meu Deus. Meu bairro – Astoria, Queens – é bem tranqüilo. O problema é que aqui tem muito esses malucos. Logo quando eu cheguei tinha um que atacava velhinhas. Até que o cara atacou uma delas no elevador e foi preso. Ou seja, além de fugir do proprietário agora eu tenho que fugir dos malucos.

Não que aqui tenha mais malucos do que no Brasil. Apenas aqui a violência é esporádica e de outro tipo – não de cunho social, como é no Brasil. Então, quando acontece um caso desses se noticia muito.

Ok, talvez tenha mais malucos. Mas em compensação não tem assalto.

Mas eu sou Carrie Black Balboa. Tenho contatos imediatos com o Plano Superior – Toninho e rapeize. Segundo mamãe, tenho proteção especial. É, eu não deveria comentar esse tipo de notícia com a minha mãe, afinal quem tá de longe sempre fica mais preocupado, mas ela é mais calma que eu.

E, se um tempo atrás ele atacou em Corona (outro subbairro do Queens), essa semana em Astoria, é bem provável que ele agora vá atacar em outros cantos.
Eu sei, não vai acontecer nada, tô só desabafando. Mas podem rezar e bater seus tambores para mim.


* * *


Eu tô de mau humor. Caso não tenha dado pra notar. Só avisando.


* * *


E a gênia aqui dá o telefone pro Esloveno e descobre que não tem créditos no celular. E aqui não existe o celular pai de santo (aquele que só recebe). Como você paga pra receber ligações, quando acaba o crédito, ninguém pode mais te ligar (Estamos – Brasil, sil, sil - muito mais evoluídos do que eles em matéria de telefonia celular). Isso, Carrie. A primeira vez que você toma uma iniciativa decente dá uma dessas que é pro cara não conseguir te ligar. Ah, mas ele tinha o e-mail. Se realmente quisesse falar teria passado um.


* * *


Tem dias – como hoje – em que eu penso: ainda bem que eu só pedi quatro meses de bolsa.


* * *

O menino na minha frente ta com A Divina Comédia, em italiano. E o velhinho resmungador – que solta “ahs”, “humns” e “ohs” hoje está na minha frente. Nenhum tropeção até agora.

* * *


Por que as pessoas aqui pedem desculpas antes de esbarrar em você? Tipo, se elas entram no banheiro e você está saindo elas pedem desculpa. Se elas vêm vindo na mesma direção que você, pedem desculpa. Acho que é a paranóia de não se tocar. Medo de sexual harassment. Até no metrô tem avisos pras pessoas não tirarem um sarrinho do amigo ao lado (não nesses termos), porque isso também é sexual harassment. Se alguém te esbarra, então. Nossa Senhora. É um Deus nos acuda.

* * *
Todo mundo estudando, menos eu.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Essa temporada em NY está me fazendo repensar seriamente minha moradia no Rio. A gente vive mal demais no Rio. O custo de vida é alto pra cacete, como aqui, mas você não tem a qualidade de vida daqui. Aliás, acho que é igual em quase todas as grandes idades brasileiras, mas só posso falar da que eu mais conheço. Faz toda a diferença você poder andar na rua sem estar ligada o tempo todo. Poder sair e pensar que pode voltar a qualquer horário e ir em qualquer lugar - tá, ir ao Bronx as duas da manhã não é uma boa idéia, mas é diferente. Poder andar com as coisas e não ser assaltada.
E outra grande diferença cultural. Exemplo: marquei a conversação de inglês com o Jimmy, meu amiguinho. Marquei pra 9:30 da manhã. O interesse era meu, porque ele disse que podíamos falar em inglês o tempo todo, já que ele mora com um brasileiro. Ele tava sendo super gente boa de me encontrar. Ele trabalha e faz mestrado. Pensei comigo: claro que ele não vai estar lá na hora. Cheguei dez minutos atrasada - juro, só 10 - porque em geral sou uma pessoa pontual e, no Brasil, 10 minutos atrasada para um encontro entre amigos é ser suuuper pontual. Ele já estava lá. Morri de vergonha, pedi desculpas e ele disse: "não, tudo bem! Sei que você é carioca então já sabia que você ia chegar 10 minutos atrasada" (lembrando que ele já morou no Rio).
Morri de raiva e vergonha. 1) Não sou carioca, sou fluminense, papa-goiaba ou gothamcitiana, se preferirem e me orgulho de minhas raízes interioranas (tá, não orgulho, não, mas também não escondo); 2) Me identifico pouquíssimo com a cultural carioca; 3) Quando isso é sinônimo de bagunça, detesto.
Esse mesmo menino disse que adorou o Rio, que tem tudo a ver com ele porque as pessoas passam o dia na praia, não são estressadas e não vivem pra trabalhar.
(Pausa)
Eu sei, amigos cariocas. Eu sei que a gente trabalha muito no Rio. Mas a cultura é da vagabundagem. Desde o malandro da Lapa dos anos 30. É bonito e bacana você ser vagabundo. Você viver na praia. Até quando se trabalha muito, isso não é visto como uma coisa boa, como o paulista. Exemplo: quando eu perco um fim de semana de sol enfurnada dentro de casa, no Rio, estudando, as pessoas acham que eu sou um alien. Aliás, meus amigos se dividem em dois grandes grupos: os que acham que eu não faço porra nenhuma da vida e os que acham que eu sou uma nerd/maluca/velha que passa o dia lendo. (Os dois estão certos e errados em alguma medida).
E, pontualidade...bom, isso vocês todos têm que concordar que nenhum carioca é pontual. Cara, isso me irrita muuuuito. Vocês não tem noção. A pessoa fica de te ligar as 5 da tarde e te liga as 7:45, dizendo que ficou enrolada. Fica de te encontrar e não vai, sequer dá satisfação, depois liga no dia seguinte e sequer se dá ao trabalho de dar uma desculpa elaborada. "Ah, mas eu tava ocupada!". Eu eu não, né amigo?! Eu não faço porra nenhuma da vida! Em qualquer encontro entre amigos no Rio se você não chega com pelo menos 15 minutos de atraso fica até feio. Parece que você tá ansioso pra ver a pessoa. Mesmo em reuniões de trabalho um atraso de quinze minutos é mais do que aceitável. Em aula, nem se fala. Aula que não começa com 30 minutos de atraso em federal e pelo menos 15 em particular não é aula. E festa? Se a pessoa marca pra 9, 9:30, isso quer dizer que você pode chegar a partir das 10, 10:30.
Alguns dos meus amigos aqui são um casal brasileiro de São Paulo (ele) e ela do Sul e ambos moram no Sul hoje em dia. Conversando sobre as diferenças que a gente vê entre a cultura daqui e a do Brasil - inúmeras - sempre quando chegamos no quesito horário, responsabilidade eles dizem "ah, não. Isso é porque você mora no Rio. Em SP e no Sul tb é assim".
Esse mesmo amigo estava procurando um livro chamado "O trabalhador carioca". Daí ele chegou numa livraria em SP e perguntou. O vendedor olhou pra ele, com a cara mais séria do mundo e disse: "é um livro de ficção científica, né? Só pode".
E isso é visto como qualidade. Os cariocas são descontraídos. São leves. São festeiros. O paulista é mala. Estressado. Trabalha muito. Cara...foda-se. Caguei. Não sou assim, não quero ser assim e vou parar de tentar ser. Morei 12 anos numa porra de uma cidade que não tem absolutamente nada a ver comigo, tenho alguns amigos lá, alguns cariocas, mas...tem uma hora que chega, né? Você fica se perguntando se vai passar a vida num lugar que não tem nada a ver com você, tentando se adaptar, gostando das coisas que não são exatamente a marca regristrada da cidade - museus, teatros, cinemas, livrarias, cafés, Centro do Rio...- e detestando as que todo mundo gosta - praia, samba e futebol. E pensando que há alguma coisa de errada com você, por querer trabalhar, por querer chegar no horário das coisas...se você é mala. É, talvez você seja mala. Assuma. Eu sou uma mala. Não quero ficar que nem uma tia minha, carioca, que morou grande parte da vida no interior de SP sempre reclamando e querendo voltar pro Rio - agora ela finalmente vai voltar.
Quando eu mudei pro Rio eu odiava a cidade. Depois de um tempo eu me acostumei, passei a gostar, em função de certas coisas que eu fazia (como o teatro). Cheguei a gostar até muito, baseado no tanto que eu detestava. Cheguei a achar que passaria a minha vida ali. Mas agora eu vejo que não. Outro mundo é possível. E Nova York é o anti-Rio. É mais parecida com Andrelândia do que com o Rio (ambas têm segurança, ambas têm bons programas de graça, ambas são muito frias e muito quentes, ambas não têm praia, ambas têm pessoas gentis e não mal educadas como no Rio...). Por isso esse sentimento anti-Rio tem crescido dentro de mim.
Esse meu amigo paulista diz que NY se parece muito com SP. Não sei se me adpataria em SP. Mega-engarrafamentos...mas quem sabe, se eu tivesse um bom emprego e morasse perto? Quem sabe...
Sei lá. Chega uma hora que chega, né? Não falam que todo mundo que vem pra NY sai de dentro do armário? Pois é. Saí do armário. Sou uma pessoa urbana, cinzenta, ranzinza, rabugenta e anti-Rio. Me estressei em Salvador! Vocês conhecem alguém que se estressa em Salvador? Eu! Tudo muuuuito lerdo. Muito demorado. Sim, os estrereótipos são verdadeiros, a princípio. Eu disse a princípio.
E as pessoas ainda dizem: "ah, mas a beleza do Rio o redime de qualquer problema". Redime só se for pra você, cara pálida. Pra mim não redime porra nenhuma. "Ah, mas não tem cidade mais bonita que o Rio". Bom, eu conheço pouca coisa, mas conheço algumas capitais e cidades da Europa e da América Latina e discordo veementemente.
Engraçado é que antes de eu vir pra cá eu já estava voltando pra Gotham - que também é uma cidade que eu não sei se quero morar pra sempre. E as pessoas me olhavam espanatadas, como se fosse uma derrota, um retrocesso, como se eu tivesse pondo tudo a perder - como se não fossem só duas horas entre as duas cidades e como se não fosse uma decisão que pudesse ser desfeita a qualquer momento (também porque eu estava "voltando pra casa dos pais" e, enfim...minha família é mala e as pessoas se metem nas vidas umas das outras o tempo todo e quando você é a caçula, mais ainda). Aí quando saiu essa bolsa as mesmas pessoas disseram "ufa, que alívio! Essa viagem vai te abrir os horizontes!". Com certeza me abriu. Me abriu pra pensar: Rio, se Deus quiser, nunca mais.
Mas meu destino depende dos concursos pra faculdades públicas. Onde tiver, eu tô indo. E aposto que agora só porque eu não quero vai ter um no Rio.
***
Como diria algum escritor que não me recordo agora: "nada mais provinciano do que querer morar na Capital". Tenho longas considerações sobre esse embate Capital x Interior. Mas deixa pra depois. Porque no final das contas isso não faz a menor diferença. Mas você só sabe disso depois de morar nas duas.
***
Essa outra garota com quem eu troco conversações tem um percurso profissional/acadêmico super curioso. Ela fez graduação em Literatura Hispânica e o objetivo dela é trabalhar com ONGs, terceiro setor na América Latina. Então, ela procurou um mestrado em Administração Pública e Literatura/Cultura Latina. Não achou - talvez porque não exista, né? - e resolveu fazer um mestrado só em administração. Aí eu perguntei pra ela de onde vem esse interesse pela cultural hispano-latina. E ela disse que fez uma viagem com 13 anos pra Espanha e isso abriu a cabeça dela. Que ela começou a achar a cultura dela extremamente chata e as festas na casa dos amigos sempre mais legais, a família mais legal, a cultura mais legal.
Em compensação ela chegou falando português bem melhor. Eu disse pra ela: "você andou estudando?" e ela: "sim". Ela é super ocupada, tem dois empregos + mestrado, tem a possibilidade de ir pro Brasil daqui um ano e mesmo assim encontra tempo de estudar um pouco todo dia. Eu estudo inglês desde os 13 anos de idade, sempre sem muito afinco, parando e voltando, e, mesmo antes de vir pra cá não estudei muito porque jurava que não ia conseguir a bolsa.
Engraçado demais esse olhar estrangeiro sobre a "nossa" cultura - latinos em geral. É, se for pensar sob o ponto de vista da minha família e amigos eu não trocaria a minha cultura por nada desse mundo. Mas eu gostaria de falar três línguas, como ela. Aí as pessoas vem com esse papo de "um meio termo entre as duas". Não dá, amiguinho. Não existe meio termo. Meio termo seria descaracterizar qualquer uma das duas culturas. O que ambas tem de bom são também seus defeitos. Aliás, cada vez mais acho que o que as pessoas têm de melhor são os seus defeitos.
Mas que eu fico chocada com o profissionalismo e o quanto eles são focados, isso eu fico. É algo que no Brasil seria visto como piada.
***
É, tá foda. Tô repensando profundamente meus rumos aqui. Porque também não sei se eu viveria aqui pelo resto da vida. Complicado demais. NY é o máximo, mas assim como o resto dos EUA, é muito legal se você se insere no seu nicho. Se você é afro americano, aja como afro americano, lute pelos seus direitos, contra o racismo e tal. Se você é gay, se assuma, saia do armário e lute pelos seus direitos. As diferenças são super toleradas desde de que você esteja, de fato, em um grupo (ou vários). A mistura não é tolerada. "Gosto de hispânicos, mas meu filho não estudaria num colégio de hispânicos". "Não sou racista, mas os indianos fedem". Aqui há grupos de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros; Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros Judeus; Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros Afro Descendentes; Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros Católicos e por aí vai.
Esses dias eu vi uns pré-adolescentes no metrô, todos eles latinos. Os meninos provocando as meninas e vice-versa (naquela idade em que você fica provocando, porque não sabe dizer que gosta. Bom, alguns permanecem nessa idade pra sempre). E eles se xingavam dizendo: "Você é da Bolívia?". E a menina fazia uma cara de "claro que não". Confesso que na hora do Brasil não entendi muito bem, porque o menino disse: "ah, nem vou perguntar se vc é do Brasil..." mas eu não ouvi o resto. Bom, fica pra pensar. Aqui ser latino é um xingamento. A não ser que você se assuma enquanto latino e fique no seu nicho. Nada de tentar entrar no círculo WASP.
***
Vocês querem saber qual é o meu sonho, tipo o meu graaaaande sonho, mesmo? Posso falar só pra vocês? Vocês não contam pra ninguém? Fica só entre nós? Então cheguem aqui pertinho: meu sonho é ser uma graaaaaaaaande escritora, tipo o Rubem Fonseca, morar no meio do mato - em Santana do Garambéu, quem sabe - numa puta casa, com tuuuudo, com muitos cachorros e gatos, com muitos quartos pra receber pessoas, ter uma super rede wireless, uma super antena parabólica, e passar metade do ano entre Europa e EUA, dando conferências em universidades, cursinhos rápidos, e o resto do ano no Brasil, enfurnada na minha casa, sem ter que conviver com muita gente a não ser meus amigos, alguma família, sem precisar dar aula, sem aguentar alunos chatos, mal educados e burros de universidade particulares, nem folgados e arrogantes das federais, nem esse climinha de cadimia (não de ginástica). Não eu não quero melhorar meu país. Eu não quero contribuir. Eu não quero ser empreendedora - aliás, odeio essa palavra.


Eu quero ter uma banda de rock que nem o Stephen King: só por curtição. Minha banda seríamos eu,
Cósnis, Kadu, Cássio e mais quem quisesse.Tocaríamos Ramones, Nirvana, Pixies, Red Hot, Cachorro Grande, Mutantes... Eu ia cantar. E a gente ia se apresentar no Campestre Clube de Andrelância e na San Remo e em São Vicente e em Arantina e Bom Jardim, tb. Tomando cachaça. E eu faria performances teatrais.E leríamos poesias do Cósnis. E as pessoas viriam me ver, que nem elas vão ver o Woody Allen tocar clarineta. E as revistas me citariam como uma pessoa "estranha" e "excêntrica" avessa a badalações do meio literário, misantropa e esquisitona. E me achariam maluquinha. E eu seria muito cool. Sem precisar ir a grandes cidades. Com minha obra sendo adaptada para a TV e o cinema - ah é: poderia escrever alguns roteiros pro cinema e peças de teatro para minha amiga Ju Torres - ganhando muito dinheiro (igualzinho ao Rubem). Eu só iria as grandes cidades para as minhas estréias.


Eu criaria meu "paraíso artificial". Sem ópio. Com cachaça, amigos, literatura, rock and roll, antepassados (vivos e mortos) convivendo pacificamente entre bebês, muitas crianças pra eu conversar - ah é, eu também teria filhos nesse meu sonho - muitos livros. Mais ou menos a idéia do Paul Auster em "Desvarios no Brooklyn", quando ele compara Edgar Allan Poe e Henry David Thoureau e fala em juntar todas as pessoas que ele ama em uma só casa e viver isolados, já que o Bush acabou de ganhar as eleições.



Enfim, mas é só um sonho. Só um delírio. Mas já que é pra delirar, que seja completo o delírio.

segunda-feira, setembro 08, 2008





Às vezes eu queria ter a metade (só a metade já tava bom) da sorte – ou competência, chamem do que quiserem - que eu tenho na minha “vida profissional” (cof, cof...) na minha “vida amorosa” (cof, cof, cof, cof...).

Não que eu seja muito boa profissionalmente – mesmo porque minha “carreira” mal começou. Mas só que, se comparado a minha “vida amorosa” (cof, cof, cof, cof...) eu sou incomensuravelmente melhor. Eu consigo fazer escolhas e não ser atropelada por elas. Mas tudo são escolhas. Até na vida amorosa a gente só se apaixona por quem quer. A diferença é que eu não me sinto em posição de escolha. Eu nunca escolho. Eu sou escolhida. E ultimamente ninguém me escolhe. Ultimamente há muito tempo. Tempo demais. Digamos que se eu estou no doutorado na vida profissional, na “vida amorosa” (cof, cof) eu acabei o prezinho. Aprendi a ler agora – mas ainda tropeço nos dígrafos, confundo as letras...

Ah, mas não é fácil pra ninguém, Carrie – dirá o leitor ali da direita. Eu sei, caro leitor. As pessoas casam, separam, brigam, tem namoros, terminam... é tudo muito difícil nessa pós modernidade volátil, gelatinosa e molenga. Mas é justamente isso tudo: elas casam, separam, brigam, tem namoros, terminam. Elas têm uma vida amorosa onde acontecem várias coisas boas e ruins – às vezes mais ruins que boas. Mas elas têm uma vida amorosa. Sem aspas.

É melhor do que ter um grande vazio. Um enorme e retumbante vazio. Assombrado de vez em quando por fantasmas que não descansam em paz. Ou mortos vivos. Que nem o Jason que você mata, mata, tem certeza absoluta que morreu, não tem como estar vivo, mas a criatura sempre renasce dos infernos e vem para mais uma parte XXVI.

E, sim, é claro que a responsabilidade é toda minha. Eu assumo. Algo que eu (não) faço me faz ficar sozinha. Muitas vezes é consciente. Porque, sinceramente...eu vejo minhas amigas com certos namorados que eu penso putaqueopariu, nem que a sobrevivência da raça humana dependesse de nós eu ficaria com esse sujeito (aliás, aí é que eu não ficava mesmo). Outras vezes – sem sei quantas, talvez mais do que eu suponho – não.

Exigente, eu? Meu amigo, se eu te mostrar a minha lista de ex (ficantes, pretendentes, qualquer coisa parecida com isso) você vai achar que está diante dos mais procurados da América.

Na maior parte do tempo é só preguiça.

Assim é a vida. Umas pessoas têm sorte em algumas áreas, outras em outras (e algumas dão muito azar em tudo). Não se pode ter tudo. Eu sei. Em geral eu sou conformada.

Mas às vezes dói. Se não eu não estaria aqui escrevendo sobre isso. Às vezes dá vontade de ter tudo.

Dá licença que vou ali ouvir meu Vicente Celestino.

terça-feira, maio 20, 2008


Eu tô dão alérgica, dão, dão, dão que tenho vontade de virar binha cabeça do avesso pra coçar olhos, garganta, ouvido e dariz.

Bons anti-alérgicos? Sugestões? Eu tomava o Allegra, mas depois meu médico passou um outro que eu esqueci.

Sim, eu já fiz aquele tratamento completo de vacinas, encapei colchão, bla bla bla. Mas aqui em Gotham City o colchão não é encapado, há livros por todos os lados, há livros em tudo que eu vejo e descobri um outro colchão-do-mal embaixo da minha cama. Berçário de ácaros.

(Enquanto perdia o sono, completamente entupida, pensava que isso daria um bom nome de banda punk: Berçário de Ácaros, Incubadora de Ácaros, Receptáculo de Ácaros. Quem sabe meu próximo livro - próximo por que? Teve o primeiro? - tenha esse título. Sim, eu tenho idéias geniais no meio da noite. Mas que se revelam pouco geniais com a alvorada).

Ah é. Meus quadris doem desde que comecei a correr 40 minutos. Aí tive que parar de correr. Ontem tentei caminhar e doeu mais ainda. Porque eu só sei fazer as coisas de forma obsessiva até que elas me causem mais dando que prazer.

Minha bolota no pulso esquerdo está cada vez maior e doendo.

Ninguém me ama.

E eu queria um pônei.

Bom dia pra vocês também.

sexta-feira, abril 25, 2008

Maldita Racionalidade (?) Burocrática


A fantástica rede de laboratórios Sérgio Franco
tem um sistema que você pode pegar seu exame pela internet. Eles te dão uma senha e você entra. Pensei: “uau! Que modernidade” (eu, como sempre, uma crente!).

Hoje peguei meu cartão com a senha e notei que tinham botado um “Pinto” no final do meu nome. Pensei que fosse apenas um errinho básico, enfiar um pinto onde ele não devia estar, mas ao entrar no site e senha não conferia. Liguei pra lá e descobri que tinham trocado meu exame com uma pessoa que tem quatro anos a menos que eu, o mesmo nome, só que um Pinto no final.

Puta que o pariu. A mulher do serviço me disse que fizeram o meu exame no cadastro dessa outra pessoa de nome idêntico. Era uma contagem de hormônio. Agora imaginem se fosse um exame de AIDS ou uma doença grave e mandassem pra pessoa errada e a pessoa morresse de susto ou se matasse? Errinho bobo, né?

quarta-feira, abril 23, 2008

Bléééé


Querido diário,

Estou na seca. Literalmente. Não posso usar a água do meu apartamento. Faz parte de um dos fantásticos testes que o bombeiro está fazendo pra ver de onde vem o vazamento. Mas, independente do que seja, ele disse que precisa sair quebrando tudo. Que, evidentemente, pode não ser daqui. Pode ser da coluna do prédio. Pode ser no andar de cima. Do lado (sim, águas vêm de direções estranhas às vezes). Mas, melhor quebrar tudo primeiro, né? Eu também queria sair quebrando tudo, independente de onde é o problema. Fácil a vida assim, né?

Ontem eu briguei com o seu Manoel. Como se não bastasse seu sotaque português insuportável (perdão amiguinhos d’além mar) e incompreensível, sua arrogância, prepotência, seu Rexona Mega Power Ultra Sensation às oito da matina, a sua constante presença junto ao bombeiro (só pra ficar na minha casa enchendo o saco), sua “secretária” (mil dedinhos de aspas), Maria (tão mala quanto ele) ele queria fechar minha água por 48 horas. E eu que me virasse. Que pedisse ajuda pra um vizinho – eu sequer sei o nome dos meus vizinhos de andar.

Se ele aparecer asfixiado e jogado por uma janela com a tela cortada eu serei a principal suspeita. Meus vizinhos todos ouviram a discussão.

Eu odeio o seu Manoel, Diário. Diz ele que paga tudo caso não seja daqui. Você acredita, Diário?

Odeio prédios. Odeio vida em comunidade. Odeio pessoas em geral.


Society, you’re crazy breed.


***


Só faltava
essa para o nosso maravilhoso estado. Antes a gente ainda podia contar aquela piadinha que Deus falou que ia privilegiar o Brasil com uma vegetação, solo, clima, mas “o povinho...hum...”. Agora nem isso.


***


O diálogo não resolve tudo. Aliás, resolve pouquíssima coisa. Ou melhor: não resolve nada. Por isso eu evito pessoas. Pessoas não mudam mediante argumentação. Pessoas só mudam mediante suas próprias dores e a constatação de que essas dores provêm de um jeito “equivocado” de ser (ou não ser) e que a mudança não garante nada – mas é o primeiro e talvez único passo. Eu não estou na vida pra doutrinar ninguém e fazer com que as pessoas enxerguem ou vejam o que quer que seja.

As pessoas são burras e estúpidas e idiotas e mesquinhas. Em geral é isso. Não é nada pessoal. E isso não é problema meu.

Dito isso, devo acrescentar que estou de saco cheio. Dizem que a idade nos deixa mais tolerantes. Esperarei ansiosamente por tal mudança.


***


Emagreci 10 quilos desde o dia primeiro de janeiro. Faltam 10. A estrada é longa, não é em linha reta, há alguns obstáculos pelo caminho, mas estamos confiantes. Se lembram quando eu disse que quando emagrecesse 10 quilos eu falaria quanto eu estava pesando? Pois é. Eu menti.

Estou correndo 4 km. Corro 2, ando um pouco, depois mais 2. Hoje corri 3/1. Nunca consegui correr assim em toda a minha vida. Nem com 15 anos. São Silvestre ano que vem?


***

Adoro. Tô gostando, mas acho que vai degringolar. Cada vez melhor. Vendo e amando (quando não reprisam pela milésima vez). Odiando. É esse tipo de pensamento que fode com a catigoria. Na boa: não é toda mulher que é mala que nem a Marin, não. Sei lá. De saco cheio dessa temática sexandthecitiana. Tudo a mulher tem que pensar 300 mil vezes se deve ou não fazer! Ah, não!
***



Boa noite, Diário. Vou dormir. Tô chata demais pra me agüentar por mais tempo.

terça-feira, abril 08, 2008

Perguntas que não querem calar no caso-Isabela...

...como um cara feio - feio, não: horroroso - brega, barango, que usa bigodinho ralo (bigodinho ralo é o último grau de degradação masculina, um acima do "uso de pochete" e "corrente"), cafona, totalmente desprovido de charme, violento, agressivo e ainda por cima pobre, consegue casar com duas mulheres bonitas e mais novas que ele? Não, não me venha com teorias de que ah, mas ele deve ter alguma coisa a mais. Não. Não tem. Eu tô vendo que não tem. Isso é um mistério muito maior do que descobrir quem matou a menina. Isso só confirma a minha tese de que mulher é o bicho mais idiota que existe. Apanha dum prego desse e ainda por cima retira a queixa. Tenho dó, não.
...como a pessoa se casa com duas mulheres de nomes iguais, da mesma idade??!!
...como os advogados de defesa se prestam a ir a programas femininos da TV aberta? Se fosse meu advogado eu demitia.
...se eles tinham jantado na casa dos pais/sogros, por que passaram na lanchonete? Tomar sundae de sobremesa? Eles nem fizeram um docinho pras crianças? As crianças não gostaram da comida servida?
Outras questões que me espantam é o linchamento moral que a impresa tem feito. Sim, eu acho que o casal matou a menininha - na verdade, acho que ele se descontrolou, enfiou a porrada e quando viu que ela estava morta resolveu simular um acidente - sim, eu acho isso um dos crimes mais chocantes, mas...quem julga é a Justiça. E todo mundo é inocente até provar o contrário. E impresa não tem nada que ficar julgando ninguém - a história está repleta de erros de julgamento impetrados pela Dona Nídia que resultaram em catástrofes pessoais.
Que mundo é esse, que sociedade é essa? Ora, amigo leitor. O mesmo de Medéia, Herodes, Cinderela, Joãozinho e Maria...Madrastas invejosas, mães que matam filhos, filhos que matam pais, adultos que fazem mal a criancinhas não são privilégios do nosso tempo. Sem contar as mães/pais que matam os filhos de outras formas, aos pouquinhos, silenciosamente. Mania que as pessoas têm de achar que as coisas deveriam ser melhores do que são. Iluministas!!

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

(Equanto o seu lobo não vem...)


Odeio bancos. Odeio bancos que nem parecem bancos, odeio bancos que são a minha cara, odeio bancos que acreditam no futuro do planeta, odeio bancos que sabem quais são as minhas necessidades. Odeio bancos estatais e mais ainda bancos privados. Odeio bancos. Muito. Vocês não fazem idéia.

Odeio ir a bancos. Odeio portas giratórias. Elas sempre, sempre, sempre, travam comigo. Eu coloco todos os objetos na caixinha. Ela continua travando. Tenho vontade de dizer que é um pino de metal que eu tenho no cérebro - solto. Ou de tirar a roupa toda e passar. Ou de gritar “isso não é um assalto, isso é uma expropriação revolucionária”. Ou de dizer, "desculpe, esqueci de tirar minha Uzi".

Odeio gente que trabalha em banco. Acho os dois piores trabalhos do mundo (depois dos insalubres): ascensorista e bancário. Eu tenho pena de bancário. Em termos. Porque também sempre há a escolha – muito maior do que no caso do ascensorista. Não me venham com o papo de que eu-preciso-viver. Não. Há escolhas. Sempre. A não ser que a pessoa goste. Mas aí eu odeio mais ainda.

Eu amo ver notícia de assalto a banco. Amei aquela história do assalto ao Banco Central de Fortaleza. Não, infelizmente eu não tive nada a ver com isso. Aliás, sou muito cagona pra participar de qualquer atividade que possa dar cadeia. Amo Caçadores de Emoção e Plano Perfeito, do Spike Lee, que falam sobre assaltos a banco. E Clube da Luta, cujo final é a implosão de prédios de cartões de créditos.

Quando eu era criança eu perguntava pra minha mãe porque pobre não dava cheque, já que eles não tinham dinheiro (uma coisa meio Maria Antonieta, sabe?). Ou porque o banco central não fazia mais notas pra dar pra todo mundo. Me explicaram, hoje em dia eu entendo, mas...eu não entendo. No fundo acho que essa história de lastro é balela.

Gosto de bancos de praça. E de piano. E de colégio. E Banco Imobiliário, também.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Sabrina

Nasceu minha afilhada! Filha do meu primo-irmão (e agora cumpadre) Juninho. Irmão do Júlio. Hoje, ao meio dia. Quase quatro quilos. Grande. Forte. Mama. Muito. Mamou oito vezes em oito horas. Chupa chupeta. Abre o olho. Acho que mês que vem ela já ta tentando o vestibular, de tão desenvolvida que é (não, eu não vi, me contaram)

Cabeluda, bochechuda e beiçuda – também, tendo os pais que tem, se não o fosse, seria filha do leiteiro.

Mãe e bebê passam bem.


***


Enquanto isso, na minissérie da Grobo:


Hoje foi aula-sobre-os-anos-80. Overnight, inflação, especulação, governo Reagan, abertura política...e a-década-mais-individualista-ever. Meu Deus. Meu Deus. Se os anos 60 e 70 foram tão maravilhosos assim, por que eles acabaram? Se era tudo tão coletivo e pessoas pensando tudo de forma conjunta, como é que pode ao virar uma década e pfff! Acabou tudo??!!! E isso era livro?

O melhor personagem da minissérie é o Benny, o gay. Um Oscar Wilde. O único qeu mudou.
E a namorada dele, Traveca. E os gêmeos, Gil e Caetano, ruivos. Ruivos. Gêmeos.

Frase da personagem da Denise Fraga: “por que não lemos mais poesia?” (vou ali bater a minha cabeça num volume do Fernando Pessoa. Vai fazer o mapa astral, minha filha. Vai ver onde está o teu Saturno, vai.


***

Por isso é que eu gosto de Big Brother. Gosto mesmo. Pelo menos não engana ninguém. É lixo, Todo mundo sabe. É apenas entertainment.


***

A parte histórica do seriado me irrita muito. Talvez porque seja o período que eu estudo – e não, não é que eu ache que está tudo errado...Ah, deixa pra lá. Coisa de gente chata que estuda um assunto e acha que é dona dele. Fico muito irritada com essa idéia de que a ditadura caiu por pressão popular. Que os revolucionários fizeram-na cair. Que tudo que nós somos nós devemos a eles. Sei lá. Culpa do meu orientador. Que é - ou pelo menos foi - um deles. Não, tô falando sozinha. Me ignorem, por favor.


***
E o Fidel, hein?

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Ê, ê...


Eu tinha esquecido da influência do Famoso Exu Tranca-Tese, entidade que assombra orientandos em vésperas de qualificação e defesa. Ele existe. E quando ele baixa, você precisa ascender uma vela pra São Marx, São Weber e São Nitzsche para que sua tese tenha os caminhos abertos novamente. Vamos lá. Ê, ê, misifio.

Segundo o Coach, é muito comum os surtos. No último Althusser estrangulou a mulher. E Coach ainda completa: mas o que ela tinha que estar casada com ele, não é verdade?


***

Sonho dessa noite: o Osama Bin Laden é um bebê lourinho de olhos azuis que na verdade tem 22 anos, está no meu colo e eu estou apaixonada por ele e pensando que se alguém descobrir eu vou ser presa pelo FBI. E estamos em Andrelândia, MG, na casa das tias, mas que na verdade fica no Rio e eu também saía de carro pela Avenida das Américas, na Barra da Tijuca (no sonho eu também dirigia e batia em vários carros; eu tenho muitos sonhos em que eu dirijo. Na vida real eu não dirijo. Comecei a dirigir, bati e fiquei com medo. Como diz uma mulé lá de Andrel, fiquei com drauma).

Interna? Choque elétrico? Manda benzê? Vou a Sessão de Descarrego da Universal? Aceito sugestões.


***

Nossa. Morreu o homi do Brokeback Montain. O louro. Que tinha sido casado com a Michelle Williams, do Dawson’s Creek, com quem tinha uma filhinha. Que coisa. Foi achado pílulas pra dormir em volta da cama dele.

Overdose acidental ou suicídio? A família insiste em morte acidental. É sempre muito difícil pra família encarar um suicídio. Ainda mais de um jovem de 28 anos, lindo, rico e bem sucedido.

E a Dora Bria também morreu. De acidente de carro.

Coisa estranha, né? Gente que nunca morreu antes deu pra morrer.

***

Como diz a Tíccia, eu to com as costuras apertadas e precisando pegar ritmo no pedal.

***


Hoje e ontem eu senti vontade de comer chocolate. Mas não comerei. Pelo menos por enquanto. Depois, quem sabe, um pedacinho. Mas ainda não é o momento. Ontem fique o dia todo sem comer, desde depois do almoço até a noite, e não deu certo. Fiquei enjoada quando fui jantar. Isso nunca dá certo, mas não foi proposital. Foi indo, foi indo e acabou fondo.

Tô ficando paranóica. Fiquei dois dias sem malhar e estou me sentindo culpada. Eu não posso me sentir culpada. Eu preciso entender que pessoas magras, normais e saudáveis ficam às vezes sem malhar. Isso não quer dizer que as coisas vão se perder. Isso faz parte. Tem dias que não dá. Paciência.

***

Festa do BBB. DJ Malboro e umas periguetes dançando. Só funk. (não passou na grobo, só no Multishow).A Nathália e a Thalita tão se esbaldando com as coxas das mulheres. Não param de comentar. BBB também é diversidade sexual. Só falta avisar pra elas. Como diria Roberta, elas já receberam o telegrama avisando. Podem até não ter lido, mas que receberam, isso receberam.

A Juliana definitivamente não é o meu tipo. Ela é o estereótipo de tudo que eu não gosto em uma mulher e não quero ser. Se olha no espelho o tempo todo, se acha a mais linda do universo, tem vozinha de santa, jeitinho de santa. Definitivamente é a que eu mais detesto na casa. Não por acaso, dois caras (um dos mais gatos) ficaram a fim dela na casa. Homi gosta disso, né? Ainda bem que eu não sou mulher nem branca, como diz Caetano.

Andréa, volta logo de Buenos Aires! Só você me entende...

domingo, dezembro 09, 2007

Ingrid Betancourt


Não, não é que meu cabelo esteja tão ruim. Só parece que eu fui seqüestrada pelas FARC e meus algozes trataram dele durante uns cinco anos, aparando-o com faca (só queria estar magra como uma refém). E essa cor castanho avermelhado-burro-quando-foge-meio-louro não está ajudando nada, nada. Como diz Formiga Mãe, “se pelo menos ele estivesse vermelho...”.

sábado, dezembro 08, 2007

UP DATE: a pantera que eu estou parecendo é essa do meio



Cortei meu cabelo. Pela primeira vez na vida fiquei puta com um corte de cabelo. Sabe quando você chega com uma idéia, mas vai cedendo aos apelos do cabeleireiro? E ele era novo, fui pra experimentar. Meu cabelo tava muito ressecado. Eu, tolinha, pedi pra ele cortar 4 dedos. Ele cortou 4 dedos. Abertos. Pedi pra ele repicar por cima. Ele desbastou o meu cabelo como se fosse um matagal virgem, com uma navalha. Resultado: Formiga Irmã disse que estou um misto de Pigmaleão 70 (novela), Chitãozinho e Xororó e uma das panteras (a versão antiga) - além de alguns parentes obscuros nossos. Formiga Mãe lembrou-se do Rei Roberto. Ou seja: sou a própria reencarnação dos anos 70. Acho que vou reatualizar o turbante por uns 2 meses.

Quer dizer: a única coisa que eu realmente gosto em mim, meu cabelo, eu consigui fuder. Palmas para mim.

Mas, como sou pessoa otimista, penso que poderia ser pior. Eu poderia estar com câncer e ter perdido todo o cabelo. Meu cabelo poderia não me obedecer. Ele poderia estar nas drogas. Poderia estar matando, roubando. Vamos lá, cabelinho. Mamãe te apóia nesse momento difícil. A gente vai sair dessa juntos! (A sorte é que cabelo cresce e o meu mais rápido ainda).

E eu resolvi que vou entrar numa filosofia punk de vida. Punk no sentido clássico do termo. Do it yourself. Já faço minhas unhas eu mesma, vou passar a cortar meu próprio cabelo. Porque, na boa, isso que o cara fez eu faço - e melhor. Esses cabeleireiros gostam de passar a idéia de que esse cortes desestruturados tem alguma técnica. Reloooou?!! Não tem! É só meter a tesoura em sentido diagonal. Ou então juntar o cabelo todo na frente e cortar.

Porque, na boa de novo, meu dinheiro está escasso. Tão escasso que eu acho que eu vou abrir mão de comer. Afinal, eu tenho um bom estoque pra gastar. Não tenho de onde cortar gastos. Pronto. Não como mais. Vou me alimentar de luz. Até eu cair de inanição ainda vai demorar alguns meses.

E pra priorar Bella ficou chateada comigo. Com razão. Ela entendeu uma coisa e eu outra. Não fiz por mal, mas mesmo assim fico triste quando alguém se chateia por algo que eu faço, ainda que indiretamente.

Vim pra Gotham City ver minha sobrinha que vinha de Piracicaba e eu não vejo nunca, mas os pais dela (meu irmão e cunhada) desistiram de vir.

Ninguém me ama.

Saco. Tô um docinho de jiló, como diz Formiga Irmã.

(Veja aqui em baixo o post sobre o nosso grupo de leitura)

quinta-feira, novembro 29, 2007

Um dia na vida de Melvin Udall


Ser classe merrrdia é: não ter dinheiro pra nada e gastar tudo o que (não) tem em bobagenzinhas. Sim, já que você não tem dinheiro, só vai comprar um negocinho baratinho, né? Ih! Outro negocinho! Olha, outro! Uia, mais um! Pronto. Foi o preço de um negoção.

Alguém precisa me impedir de entrar na Casa & Vídeo. Eu simplesmente entro em surto na Casa & Vídeo. Aquilo ali é um universo paralelo. Sou abduzida para outras dimensões por forças de prástico. Criaturas de acrílico. E, já dizia a Barbie: life in plastic is fantastic!Já escrevi aqui, aqui sobre as belezas da Casa & Vídeo e o poder de conferir a uma pseudo dona de casa como eu a segurança de encontrar tudo para o seu lar. Eu tava vendo a hora em que o segurança ia me retirar de lá (também tenho problemas com papelarias e farmácias).

Desde que comecei a reciclar o lixo, descobri que preciso de mais lixeiras. Quando eu fui comer bolo na casa da Cris, em Nikiti City, fiquei boba com a lixeira dela, que abre tómaticamente, é só vc chegar perto, uma belezura, cês tem que ver! Aí diz ela que ia me dar uma de aniversário, mas ficou com vergonha. Gente, bobagem! Eu amo lixeiras! Tive que me segurar hoje pra não comprar umas três. Lixeira nunca é demais.

Aliás – parênteses – algumas amigas disseram que iam me dar uma caixa de lápis de cor de aniversário, só porque eu revelei meu desejo secreto de ser professora de jardim de infância. Elas disseram que eu não tenho paciência com criança. Injustiça! Eu só utilizo o método Xuxa Meneguel de educação: deu, levou. Criança é um adulto como outro qualquer. Mas elas acham que eu causaria mal às pobres criancinhas e, para aplacarem minha fúria para com produtos infantis, ficaram de me dar uma caixa de lápis de cor. Aí eu disse que eu não tinha onde usar. Elas falaram que me dariam aquelas revistinhas de colorir. Vocês ganharam alguma coisa? Nem eu. Esses dias tive que disputar no tapa a revista com uma menininha de 3 anos que me olhava de rabo de olho, tipo vai-brincar-com-as-suas-coisas, mala! Ah! Eu quero de 36 cores e da Faber Castel, porque utiliza árvores (eu já ia falar “árvores recicláveis!”)...sei lá o quê. Alguma coisa que é bom por meio ambiente (por que non te calas, Carrie!). Nada de pão duragem de 12 cores hein, plebe? Vou colorir todos os meus livrinhos do Rubem Fonseca.

Voltando ao assunto: comprei copos a 1,99 (que mamãe certamente baterá e dirá: humm...meio grosseiro este vidro; Fraülein Bertha, minha governanta, também reclamou mas eu expliquei-lhe que os cristais da Baviera estão restritos às recepções oficiais pois não tenho como ficar repondo constantemente. Resignada, ela saiu a praguejando seus habituais saumensch e outras coisas que eu finjo não escutar); joguinho americano de menininha; caneca de carneirinho; vários porta-não-sei-o-quê; um escorredor verde (fiquei pensando qual seria a cor da minha lixeira, pra comprar combinando, mas resolvi que serei ousada nas combinações – sim, só se vive uma vez!Que se dane as convenções!) e mais uns trequinhos.

Agora estou precisando de xícaras. Minha amiga Dani (que não gosta mais de mim, não gosta, não me ama, não me ama) me deu várias ano passado (esse ano ela nem ligou no dia do meu aniversário. Respondeu um e-mail meu, muito mais ou menos e acha que eu posso considerar isso felicitações condizentes com a nossa amizade leal e duradoura. Humpf). Mas são xícaras para se tomar um chá ou café, individuais. Eu quero agora um conjunto com pires e pratinho. Porque a minha mãe vem aqui e insiste em botar pires de outros jogos com as xícaras da Dani. E meu TOC com xícara desencontrada aumenta. Me dá neuvoso usar coisa desconjuntada (não pise nas listas pretas se não o mundo explode, Carrie! Explode! Dizem as vozes na minha cabeça). Então fica aí a dica pro meu amigo-oculto da família (que eu sei que tem vários me lendo): um jogo de xícaras de chá (grande) e pires. Branco ou estampas alegrinhas. Amiguinhas. O que são estampas amiguinhas? Margaridinhas, abelhinhas, peixinhos...estampas que dizem: olááááá!!!!

Tem um abajour na Papel Objeto (papelaria) do Flamengo que é um cubo todo em pop arte, tipo quandrinhos, que eu também tô querendo. Sessenta reau. Ou jogos de lençóis. Mas aí não pode ser da Casa & Vídeo, porque dá bolinha e solta o elástico em seis meses – e eu tenho gastura com elástico que solta – então só conversamos de 180 fios pra cima, viiiiu?

Também quero bules para o chá das cinco, já que William, meu mordomo, se nega a lustrar a prataria diariamente e tem medo de quebrar as porcelanas Ming. (Ah, a criadagem anda tão insolente!). Então pode ser bule de louça.

Eu vou me acabar esse fim de semana na Primavera do Livros que acontece no Museu da República. U-hu. Loucura total. Descontos de 20% a 40 %. Não quero nem saber se o pato é macho eu quero é o ovo! Vou gastar o que não tenho. Loucura, loucura, loucura. Como se não houvesse amanhã. Orgias literárias. Eu sempre penso: podia ser pior. Eu podia estar no vermelho por causa de tóchico, mas tô aqui, tia, humildemente, na educação, no respeito, na dignidade, tentando terminar meu doutorado e me endividando por conta de potinhos de plástico, lápis de cor e livros.


*

Minha professora de inglês é muito fofa! Ela vai me usar como cobaia. É que ela faz tipo uma pós e ela precisa de um case study, daí ela me escolheu. Eu só tenho que preencher um questionário pra ela sobre as minhas necessidades (necessidades na língua inglesa, claro) e ela quer recolher umas redações minhas. Ela me escolheu porque eu sou foda bá garái (foi mal aê); sacanagem, ela me escolheu porque diz ela que eu sou a aluna que atendeu a uma série de requisitos: levo a sério as aulas, quase nunca cancelo, tenho um goal to achieve. Então tá bão. Aí hoje ela trouxe um pedação de bolo prestígio pra comemorar meu aniversário (não tive aula semana passada). A gente ficou comendo, tomando café e falando mal do Brasil (eu), em inglês e ela me explicando uns detalhes da survey. E não cobrou a aula, claro.

Ela também me escolheu porque eu moro perto dela – e a altura combina. (Entenderam? Namoro na TV, do Sílvio Santos, “mora perto, altura combina”...hãn? hãn? Pegaram? Piadinha...).

*


Ah, Brasil, este mulato inzoneiro...

Ela vai de férias pra Nova Zelândia em janeiro. Ela estava contando que talvez volte de vez pra lá em julho, pois não tá dando pra ficar aqui, por mais que ela goste. Vocês acreditam que ela trabalha aqui, em um curso bem conceituado de inglês, e o Brasil-il-il “não deixa” ela regularizar a situação? Ela tem que trabalhar com visto de turista e renová-lo de 3 em 3 meses, pagando uma taxa absurda. Não dão o visto de trabalhador pra ela – claro que se ela viesse trazendo cocaína da Nova Zelândia a estada dela aqui estaria totalmente assegurada, né? Quer dizer: uma pessoa ultra qualificada (ela já era professora de inglês lá na Nova Zelândia, pra estrangeiros), tentando trabalhar honestamente no Brasil e o país a força a ficar de forma ilegal. Não é inacreditável? Eu falei com ela: “menina, volta correndo! Aliás, eu nem sei o que vocês, gringos, têm na cabeça pra virem morar aqui. Passear, vá lá. Mas morar?”. Speaks serious! Ah, é o “jeitinho” são as pessoas, o povo...ppppffff. Bullshit. Só um caso de paixão cega justifica.

O Brasil é uma piada. De português. De péssimo gosto.

(A minha irmã disse que tem medo de que eu vá morar fora do Brasil e volte que nem a Odete Roitman. Hahahaha...não, acho que não é pra tanto. Uma coisa é você ir morar fora por um tempo. Outra, bem diferente, é morar pra sempre. Outra, completamente diferente é ter nascido num país muito mais rico, com oportunidade e bla bla bla, querer morar fora e escolher o Brasil! Vai pra Argentina, pelo menos. Pra Portugal. Sei lá. Qualquer coisa é melhor que Brasil. Quer dizer, qualquer coisa, não. Tem Serra Leoa, Tanzânia, Zâmbia, Haiti, Guiné Bissau, Bolívia, Venezuela, Myanmar, Nigéria, Senegal, Benin, Burkina Fasso, Etiópia, Gana, Guiana, Madagáscar, Mali, Mauritânia, Moçambique, Nigéria, Ruanda, Uganda, Zâmbia, Honduras, e Nicarágua...olha que beleza! Nós estamos melhores do que esses países, uia. Deixa eu calar a minha boca, antes que me acusem de colonizada, imperialista...deixa o Tcháááábez me ouvir...). É que nem aquele meu ex-ficante me disse certa vez: tá reclamando do quê? Tu não tá com essa bola toda, não...se contente de não estar passando fome e birgando com o vizinho por conta de farinha e com todos os membros da sua cidade infectados pelo vírus da AIDS. Recrama, não fia! Pode piorar.

Essa semana ela presenciou o seu primeiro tiroteio, olha que meigo. No Rio Comprido. Ela tava de ônibus e se jogou no chão. Vocês acreditam que eu nunca vi um tiroteio? Já passei por locais que tinham acabado de ser alvos, já fui assaltada a mão armada e com arma branca, mas essa modalidade de crime não consta em meu currículo - e eu digo que eu dispenso. Já ouvi tiros longínquos, mas nunca estive em um ambiente de tiros. Já vi gente correndo de tiroteio, também. Acho que já conta, né?

Acho que não conheço ninguém que não tenha sido assaltado. E nem por isso eu quero “chamar a Tropa de Elite” porque roubaram o meu rolex. Acreditem, já roubaram "meu rolex". Eu acho “muito” chamar um esquadrão da morte como o BOPE só por conta de um relógio (eu tava há tempos pra falar isso). Aliás, nada justifica chamar o BOPE. Mas infelizmente esse país está se resumindo a isso. Se você defende os Direitos Humanos dizem que você está passando a mão na cabeça de bandido (eu não defendo Direitos Humanos porque eu sou boazinha e legal, eu só defendo porque, do jeito que a coisa anda, um dia sou eu que vou presa e me jogam numa cela masculina. Hein? Cela especial? Curso superior? Meu amigo, até você explicar que berimbau não é gaita, que focinho de porco não é tomada o estrago já foi feito. Atira primeiro e depois pergunta, lembra? Foram nós que legitimamos isso (ih, fudeu...entrou na fase panfletária...dizem as Vozes). Depois, quando atingir seu filho, aí é tarde demais, não adianta chorar, pois “estamos em guerra”). Se você fala mal do país é acomodada. Eu só queria morar em um país onde eu pudesse ir e vir. Eu sei que o mundo tem cada vez mais menos locais assim. Mas ainda tem.
Tem gente que fala que se estuda história para "não cometer os mesmos erros do passado", pois segundo o Barbudo, a História se repete, primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. Daí você tem que estudar pra não deixar a tragédia se repetir. mas aí você ver a tragédia se repetir over and over and over ad eternum... Você se pergunta: pra que estudar história? Pra que estudar? De certa forma, ainda que intuitivamente, eu sempre soube o que eu sei. E quem não sabe, não quer saber e não vai mudar de idéia. Então: pra quê?
Eu tenho me policiado fortemente pra não escrever mais posts sérios. Não vale à pena, eu não sou nenhuma autoridade em porra nenhuma, de modos que eu tô cada vez mais abrindo mão. Tem blog de tudo, não tem? Pois é. Esse aqui não será sério. Esse blog é que nem o Seinfield. Sobre nada. O vazio. Mas às vezes eu não aguento e escorrego. Mas ainda vai chegar o dia em que eu só escreverei sobre seriados e lápis de cor e dilemas existenciais como a diferenciação entre banheiro feminio e masculino. Terei alcançado, enfim, o nirvana.

Desculpem as mudanças de assunto bruscas. É que uma coisa leva a outra e a outra e a outra...(ninguém me pára? Rei da Espanha?).

sábado, novembro 24, 2007


Sábado à noite. Nada pra fazer, exceto ver bobagens, ler boabgens e escrever bobagens. A vida é boa.


*

Andréa tentou um “Partiu Mangueira”, mas acho que não vai rolar. Muita função. Sair, beber, sambar (há há) tudo isso só pra ver a Mangueira entrar (e fazer essa piadinha infame e detestável).

Mas insiste, Andréa. Eu adoro gente que não desiste em me chamar pra sair e cisma de me achar legal. Quem sabe um dia cola?


*


Eu ando acompanhando Heroes, mas confesso que estou quase perdendo a paciência. É o mesmo problema que eu tive com Lost. Se você perde um episódio de Lost você fica perdido (desculpem o inevitável trocadilho). Não entende nada. Não tive saco. Agora, Heroes ainda tá dando pra pegar, mas ainda não entendi coisas básicas:


1) Eles são mutantes porque-o-mundo-quis-assim ou foi algum acidente? Aquele cientista, pai da menina loura foi quem “os inventou”? Ou eles nasceram-assim-cresceram-assim, Gabrieeeeeela?


2) E aquela mega corporação capitalista podre com interesses escusos para com a humanidade, o que tem a ver com os mutantes?


3) Rola uma má distribuição dos poderes, né? Porque, na boa, ler a mente é super legal, mas muito mais legal é tomar um tiro e regenerar, né não? Ainda mais aqui no Rio, eu ia preferir ter esse poder. E fazer fogo num piscar de olhos fica meio bobo depois da invenção do isqueiro.


4) Qual é exatamente o problema em ser mutante? Por que eles são tão angustiados? Não é legal? Os caras não deveriam estar felizes com seus superpoderes? Eu ia adorar. Da mesma forma eu nunca entendi porque eu deveria ter medo de vampiros. Porra, eles lhe conferem o dom da eternidade? Alooou? Isso é ruim?


*


Caras, hoje eu to aqui escrevendo e ouvindo essa novela das oito. Vocês sabem, eu preciso. São os ossos do ofício. Eu realmente fico em dúvida do troféu Mondo Bizarro: o cabelo da Suzana Vieira, a atuação da Marília Gabriela (eu vou morrer me perguntando: o que é Marília Gabriela?); o casal Dalton-Aline-Moares (eles estão quase conseguindo o impossível: deixar a menina feia)...é realmente um festival de aberrações.


E essa temática acadêmica é de rolar de rir. A Suzana Vieira querendo transformar a universidade (um nome duplo desses qualquer tipo Souza Marques, Gama Filho, Esculacho de Sá...) na melhor universidade do país. Aí pergunta para a empregada: “qual foi o último livro que você leu”. Ai, vou ali bater a cabeça na minha coleção do Paulo Coelho.


E ela falando de cinco em cinco minutos pra filha: “mas você estudou na Sorbonne, minha filha!”. Ela só esqueceu que a Sorbonne mudou de nome. Agora é Paris I, II e assim até chegar ao XIII. Mas aí não dá o mesmo efeito dramático, né? Imagina: “mas você estudou Denis Diderot (Paris VII!), minha filha!”. Enfim. Se bem que pra Dona Maria no interior de Deus me Livre tanto faz Diderot, Sorbonne ou Estácio de Sá.


*


Não vejo a hora de começar o Big Brother.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Só dói quando eu respiro


Hoje recomeçou o período letivo. Quando saía da 497a matéria que estou fazendo como ouvinte, vi os calouros bebendo cerveja. Eu juro que por um triz – um triz muito pequeno – eu quase me sentei e pedi uma cerveja. A boca chegou a salivar. Mas tomar cerveja em plena segunda feira e sozinha é fim de carreira. Se ainda fosse terça. A não ser que houvesse um bom motivo. E o fato de ter me dado uma vontade insuportável de sair correndo do mundo - Run, Forrest, Run! - não é um motivo forte o bastante. Optei por uma droga paliativa – chocolate – e parti em direção a minha casa, pois tinha muito o que fazer. Mais precisamente parir um capítulo até o final de setembro – a cabeça já aponta, mas ainda terei que fazer força pro menino sair inteiro. Minha qualificação foi marcada pro dia 20 de dezembro. Segundo meu orientador agora é vencer ou vencer.

Como diria Formiga Sister: é matar ou morrer.

Como diria um falecido de uma amiga, agora é pau dentro.

Como digo eu: fudeu!

Eu queria que as coisas acontecessem rápido. Algumas coisas. Outras eu tenho medo. Queria que demorassem um tempão.

Também queria ter um pônei, como a Susie, amiguinha do Calvin.

Vou lá. Se doer eu volto.

sábado, julho 14, 2007

Últimas do Pan! Pan! Pan! Pan!



A gente reclama quando os gringos perguntam se no Rio a gente anda de cipó, desviando dos jacarés e das cobras. Aí vem uma carnavalesca e tem a brilhante idéia de colocar um super jacaré entrando nos jogos do Pan! Pan! Pan! Pan!

Nossa fauna e flora são tão ricas, porque não colocar tucanos, pássaros, coloridos, borboletas e outras coisas? Eu sei, também colocaram, mas enfiaram o jacaré gigante lá. Porque não colocar um beija flor gigante, qualquer outro animal, menos aquele jacaré enooorme e assustador?


E o que foi Elza Soares cantando o Hino com aquela voz cheia de catarro e nó nas cordas vocais? Ah, é. Nego acha que ela é a nossa Ella Fitzgerald, a Billie Holiday...se eu disser que no Brasil não existe cantora nem nunca existiu (com exceção da Marisa Monte, Maysa e Dolores Duran) vocês vão me matar? Vão, né? Então esquece.

Ai, agora no jornal da noite eu vi a reportagem completa sobre a vaia do Lula! Hahahahah...foi melhor que eu pensava! Foram duas vezes de vaia! Hahahaha...e ele com o olhinho cheio d’água, igual criança! Ai, pára, pára que eu não me agüento! Isso presidente! Em BrasIlha não dá pra ver, né? Vamos ver se o senhor continua com essa palhaçada de “nunca na história desse país...”. Só se for: nunca na história desse país se levou uma vaia tão grande.

Eu sou chata, ranzinza e implicante? Sério? Nem notei.

segunda-feira, julho 09, 2007

*%&)@


Tá foda de engrenar. Não consigo passar a segunda de jeito nenhum. Tá doendo. Num quelo, num quelo...

Pra quê, por quê...

Eu quero apertar botões de nove às seis e depois chegar em casa, ver televisão, jantar e dormir o sono dos justos.

Só Jesus.

domingo, junho 24, 2007


Vocês nunca mais vão comentar nesse blog, é isso? Estão numa espécie de Operação Padrão (é incrível a ironia desses termos) onde se negam a comentar? Só pra eu saber...

Tem um moço gritando loucamente no Aterro. Aliás, a semana inteira estandes e outras parafernálias estão sendo erguidas para o que eu finalmente descubro ser uma maratona de pessoinhas que saíram do Recreio até o Aterro (se você não faz idéia do que seja essa distância, tradução: longe pra caráááááááááleo!!). Um dia serei uma pessoinha atleta. Não hoje.

Fui comprar o jornal – depois de horas de negociação comigo mesma – e vi uma verdadeira balbúrdia no Aterro.

Agora estou tentando criar forças para comer alguma coisa parecida com um almoço na cozinha. Ou mais uma banana e uma barrinha de cereais, não sei.

Elvira, a Soraia está sentada na poltrona fazendo palavras cruzadas. Soraia não lê jornal.

Ai, ai. Que vida dura.

terça-feira, maio 01, 2007

Desabafo - ou: vida de gordo, milésima parte


Alessandra Negrini, na capa da Marie Claire diz que ela se esforça o tempo todo para não ceder aos padrões. Oi? Hein? Como é que é? Deixa eu ver se eu entendi: moça linda, magra, cabelo liso, branca, fez plástica no nariz (embora na entrevista ela diga que não, mas na Revista de Domingo do JB de semana passada diz que ela fez e diz até o preço e quem foi o médico) e PROTAGONISTA DA NOVELA DAS OITO DA REDE GLOBO não cede aos padrões? É. Eu é que cedo, né? Shame on me!

Eu fico indignada. Eu fico de saco cheio. E vou desabafar mais uma vez e quem não quiser ler a barra de endereços é a serventia da casa – porque o blog é meu e eu falo do que eu quiser. Eu não agüento as pessoas dizerem que “o-importante-é-você-estar-bem-consigo-mesma” e esse estado de espírito transparece na sua boa forma e beleza – quando na verdade elas gastam os tubos em botox, lifting, preenchimentos e lipos. Eu não agüento esse papo de que “a beleza vêm de dentro”. Eu conheço pessoas tristíssimas, cruéis e lindas. Eu não agüento essas atrizes que tem filhos, já fazem a plástica junto com a cesariana, que levantam o peito depois de nem dar de mamar e vem dizer que “a-maternidade-me-fez-mais-mulher”. Eu não agüento esse papo de que “é pela saúde” e a pessoa fica dez quilos a menos do recomendável. Eu simplesmente não agüento. E não engulo. Basta.

E isso é martelado e jogado goela abaixo na mulher desde a mais tenra idade, de forma sutil ou não; subliminarmente ou aos borbotões. Toda criança gorda sofre com apelidos na escola – graças aos céus eu era magra nessa época. A gente faz apelidinhos pras pessoas e diz que são carinhosos, que você estava brincando, mas quem é que gosta de ser chamada de “gorduchinha”, “fofinha”? Quem? A pessoa pode ser linda, pode ouvir mil vezes que tem um rosto lindo, um cabelo lindo, mas esses elogios quase sempre vêm com um fundo de pena, de “você-é-quase-bonita”.

As pessoas não têm a menor tolerância. Os padrões não estão nem um pouco elásticos. Antes, as modelos vestiam 40. Depois, 38. Hoje em dia 36. E ainda dão a desculpa de que a roupa cai melhor, que fica mais fácil pra ajustar no corpo. Como assim? Façam roupas maiores que será igualmente fácil de ajustar no corpo. Ou não?

Aí vêm as dicas. Ai, meu Deus, as dicas são um saco. Malhe! Se você comer muito, pode malhar umas 5 horas por dia que não vai emagrecer. Sem contar que exercício acalma, relaxa, mas também dá fome. Corte o carboidrato. Corte o glúten. Corte isso. Corte os pulsos. Por isso é que eu gosto do Vigilantes. Não corta nada. O importante é não sofrer. Depende do que você considera sofrer. Algum nível de esforço você vai ter que fazer. Em algum momento aquilo vai ser difícil pois você está abandonando hábitos e nunca é fácil deixar hábitos.

As pessoas condenam reality shows sobre cirurgia plástica, meninas que morrem de anorexia, de bulimia, mas quem realmente aceita o gordo? Quem? A Preta Gil foi chamada pra ser rainha de bateria e foi super criticada. Quando saiu pelada na capa do seu disco foi super criticada. Quando se cogitou a possibilidade dela estar pegando o Gianechinni foi um Deus nos acuda. E aí, quando garotas morrem de anorexia vêm esses médicos de merda dizer “ó, precisamos ser mais tolerantes” quando as suas mulheres passam o dia na academia e quando eles mesmos nunca casariam com alguém 30 quilos acima do peso!! E ainda dizem que é pela saúde?! Gente, não tem cabimento alguém passar três horas por dia fazendo esportes e dizer que é pela saúde! A não ser que você seja um atleta de alto nível. Não tem cabimento alguém fazer lipo e ser pela saúde.

E homens gostam de carne pra pegar, de "sustança"? Até gostam. Até certo ponto. Realmente homem não gosta de mulher esquelética. Homens não reparam em celulite nem em dois quilos a mais. Mas experimente engordar de 5 a dez quilos. Veja que amor resiste a isso. Experimente ficar grávida e não emagrecer após o parto. Ou, como diz um amigo que está me lendo agora, “tábua fina é que agüenta prego. Mulher muito boazuda é boa só pra olhar”.

Então vamos parar com a hipocrisia né, minha gente? Gordo, na nossa sociedade – nossa: ocidental, século XXI – é pária. “Ah, mas tem o Jô Soares...”. E só, né? Quem mais? Ed Motta...Faustão (péssimo exemplo)... todos homens. Quantas apresentadoras/jornalistas mulheres e gordas existem na TV? Zero. Na música? Algumas: Nana Caymmi...não me lembro de mais nenhuma...Quantas atrizes gordas fazem novela, filme, peça ou qualquer outra coisa? Uma ou outra comediante...

O gordo é sempre visto como alguém que não se esforça o bastante. Alguém que não tem força de vontade. Não tem amor próprio. Não raro, grandes mudanças na vida de pessoas são associadas a mudanças corporais muito fortes. Até práticas religiosas são acompanhadas de preceitos alimentares. O gordo é visto como o sem-vergonha, o molenga, o safado. Aquele que tá daquele jeito porque quer. Ou porque “tem problema”, tadinho. Quase um aleijado. As pessoas que resistem, que não comem, que fazem sacrifícios, que malham, em contrapartida, são vistas como merecedoras de seus corpos. Ser gordo é quase uma questão de falta de caráter na nossa sociedade. Ninguém aceita a gordura. Nenhum gordo aceita ser gordo. Nenhum gordo gosta de ser chamado de gordo. E você tem que ser magra e fingir que não faz muito esforço pra ser assim. Tem que mostrar que faz isso pela saúde – sempre saúde, muita saúde – e pela auto-estima, nunca pela estética, que é coisa de gente fútil. Mas que não se mata, que não se violenta, que a-do-ra fazer exercícios que a-do-ra brócolis com cottage, que não tem nem muito tempo de fazer exercícios, mas como você é uma pessoa maravilhosa, de fibra e coragem, você arruma um tempinho nem que seja às 5 da manhã. Percebem como esses pensamentos são contraditórios, quase paradoxais, mas se encaixam e se complementam?

Acho que o maior sinal de não-discriminação seria dizer: “sim, nós não aceitamos o gordo”. Principalmente "A Gorda". Pronto. Esclarecido. Jogo limpo. Faz que nem em Esparta. Taca do alto de um morro e deixa os abutres comerem. Afinal, já não é isso que fazem mesmo?

Não, eu não sou gorda. Sou gordinha. Reclamo de barriga cheia - e gorda. Mas eu já estive 10, 15 e 17 quilos mais magra. Eu sei, ninguém percebe muito porque eu engano, eu sou alta, eu tenho ossos largos e eu disfarço. Só quem me conhece muito nota. Já fui magra, normal, super magra (tá bom, por muito pouco tempo) e rechonchuda. Eu posso falar. Eu já vi todos os olhares e a mudança desses olhares. Eu já vi e senti todo tipo de olhar. Não existe vida pro gordo. Me desculpem, mas não existe. Só que ninguém tem coragem de admitir. Podem até existir as exceções, mas elas apenas confirmam a regra. O gordo, muito gordo. O problema é que quando você engorda alguns quilos você já começa a ser um gordo em potencial. E começa um monte de gente a te encher o saco e a te dar “toques”. Como se você não tivesse espelho em casa, né? E pessoas te perguntando constantemente: “e a dieta?”, como se você nunca mais na vida pudesse comer uma fatia de bolo de chocolate. Ou, ao contrário, gente que vai te encher o saco pra comer porque “é só uma”. Ou gente te dizendo: “nossa, mas você é tão bonita...”.

E as pessoas não estão nem aí realmente. Elas gostam de ver que você engordou. "O mineiro só é solidário no câncer", como diria Nelson Rodrigues. Mas não só o mineiro. Gostam de fazer piada, porque é apenas uma brincadeira e você precisa ser tolerante, precisa ter senso de humor. E se você for mulher tudo piora. Nenhuma mulher gosta de ver que a outra emagreceu. Porque, como diz o ditado, nunca se é magra ou rica o bastante. Tem sempre dois quilos que podem sair. E as pessoas têm inveja. A inveja faz parte do ser humano e é um sentimento como outro qualquer. Não há porque ter vergonha disso. Então quando você emagrece já sabe que vai ter que enfrentar aqueles olhares das pessoas que muitas vezes são as que mais gostam de você. É o marido ciumento que percebe que a mulher tá ficando gostosa, é o filho, a amiga, a irmã...todos nós cometemos atos de inveja. Resta saber se você está disposta agüentar ou não. Vai ver que é isso que as pessoas chamam de olho gordo, né? São olhares que os outros te dão e você agüenta (ou não) receber. E ninguém faz isso necessariamente por mal. É do humano. Resta a cada um ter seus escudos, e não, não estou mandando ninguém se fechar contra tudo e todos. Ai, caralho, entenderam, né?

Eu sei que existem coisas muito piores do que isso na vida. Mas essa é, de longe, a mais chata. Saco cheio. Não me aporrinhem. Não tenho tolerância para papos “moderninhos” de “se aceitar como você é”, de “beleza interior”. My ass! Aceitação de cu é rola. Quem gosta de beleza interior é decorador. Beleza não põe mesa, mas abre o apetite. Dinheiro não compra felicidade, mas manda buscar. E compra beleza, também. Não existe mulher feia, existe mulher pobre. Kiss my silicon ass, Alessandra Negrini! Vai ver se eu tô ali na esquina fazendo um peeling.