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sábado, novembro 22, 2008

You have no idea what I'm talking about. But, believe me: you will. Someday.
Estou vendo - pela enésima vez - pedaços de Beleza Americana, o filme do Sam Mendes, com o Kevin Space, que concorreu ao Oscar e bla bla bla. Esse filme é um dos que mais me marcou na vida (ao lado de A Vila, do Shayamalan-cara-do-Sexto-Sentido-que-eu-nunca-sei-falar-o-nome; de O show de Truman; Clube da Luta; Pequena Miss Sunshine e Matrix. Mas depois eu falo mais sobre isso).
Para além da crítica a sociedade americana, que pra mim é uma das camadas mais superficiais, é um filme lindo, triste, engraçado, sensível, tocante, comovente...enfim. Acho que eu já devo ter falado nesse filme umas duzentas mil vezes aqui, assim como do desenho da bruxa do pica-pau e o Alexandre Frota (aliás, eu queria aproveitar...). Mas eu estava pensando aqui enquanto assistia ao final: o personagem do menino, o traficante que namora a filha do Kevin Space, que pra mim é a pessoa mais sã do filme inteiro, vai se fuder de verde e amarelo (só lembrando: quem mata é o pai dele, porque é um viado enrustido e acha que o Kevin Space é gay e tá comendo o filho dele. Depois de dar um beijo na boca do Kevin Space e ele dizer que não é bem isso ele fica louco ante a possibilidade de ter beijado o vizinho e resolve matá-lo). Ele vai ser preso, o garoto. Todas as provas estão contra ele: a gravação da menina pedindo pra matar o pai (e quando ela diz que está brincando ele já não está mais gravando); as cenas em que ele filma o Kevin Space pelado, no começo do filme; todas as filmagens da menina, o fato dele ter sido internando num hospital psiquiátrico (porque o pai acha ele fumando maconha); o fato dele ter saído de casa com todo o dinheiro (porque o pai expulsa-o achando que ele era gay); o fato dele ter acesso ao quarto cheio de armas do pai, um militar aposentado. Em suma: a acusação vai deitar e rolar e mostrar como o menino desajustado e problemático aliado a garota negligenciada pelos pais e com baixa auto-estima se mostraram um coquetel Molotov prestes a explodir. Dessa forma, matar o pai dela seria lucrativo para ambos. A defesa até poderia alegar que a mãe dela também é suspeita, por ter chegado em casa na hora, por ele ter descoberto o caso dela com o corretor imobiliário fodão e por ela estar carregando uma arma. Mas, após alguns exames balísticos descobiriam que não se trata da mesma arma. O filme é todo muito bem bolado para que a culpa recaia sobre o menino, ainda que ele seja o que menos tem motivos de o fazer.
É, essa sou eu: precupada com o destino de personagens de ficção de um filme que eu já vi 789.326 vezes.
Mas então, voltando àquela listinha lá de cima. Todos esses filmes são emblemáticos pra mim (vejam bem: há outros filmes que eu gostei tanto quanto esses, ou até mais, mas estes me marcaram profundamente). Examinando cada um deles, vejo o quanto em comum eles têm. Questionamento da realidade como nos é dada com roupagem holywoodiana. Eu preferia dizer que os filmes que mais me marcaram foram do Fellini, Kurosawa, Godard ou algum indiano obscuro. Mas não seria verdade.
Outra coisa que me impressiona em Beleza Americana - e talvez esteja presente nesses outros filmes em maior ou menor escala - é que são pequenas mudanças de atitude do(s) personagen(s) principai(s) que os fazem mudar de vida. É uma mudança de olhar diante do mundo. Um novo ângulo que se adquire mediante uma pequena alteração. Porque na vida real as mudanças acontecem, na maior parte dos casos, essa forma. Tanto que, no final, o personagem do Kevin Space desiste de comer a amiguinha da filha. Depois que ela diz ser virgem ele vê o que ele está prestes a fazer e - especulações minhas - talvez se dê conta de que a vida dele já mudou. O que inicialmente fora a mola propulsora de sua mudança - comer a menina - quando se apresenta como real possibilidade perde o sentido, pois a mudança maior já foi operada na vida dele. Ainda que ele continuasse casado com aquela mulher e ela tendo caso com o corretor imobiliário fodão, isso não importava. Ainda que ele estivesse trabalhando na lanchonete vendendo hamburgueres, it doesn't matter. Ele morre feliz. Ainda que essa felicidade tivesse durado tão pouco - o que também não importa já que, no final, tudo o que conta são esses momentos, segundo a "mensagem" final do filme.
Enfim. Eu sou uma pessoa que tem problemas com a realidade.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Metáforas

Vocês, crianças dos anos 80 como eu, se lembram daquele desenho do pica-pau e a bruxa? Ok, eu já devo ter falado aqui umas 500 mil vezes sobre esse desenho – dois anos de blog, a pessoa vai ficando meio repetitiva. Mas é que ele é emblemático pra mim por uma série de motivos.

Eu nunca gostei muito do pica-pau, devo confessar. Além de extremamente irritante eu sempre morria de pena dos inimigos dele – assim como do Coiote ,do Papa-léguas, do Tom, do Jerry. Sempre tive uma queda pelos oprimidos. O pica-pau era um sádico, vamos ser sinceros. Mas, ainda assim, numa época sem videocassete e onde TV a cabo parecia coisa de ficção científica, nós, pobres crianças, esperávamos pacientemente a chegada do nosso desenho favorito em meio a uma pilha de desenhos ruins e repetidos (eu sempre digo que se na minha época de criança existissem esses canais de desenho 24 horas por dia e internet eu estaria até hoje na terceira série primária. Aliás, mudando totalmente de assunto, hoje eu li no jornal que dentre as regras que a Madonna impõe para o ex marido ver os filhos está não deixar que eles vejam televisão ou leiam revistas ou jornais. Tsc, tsc, tsc...o que ela espera com isso? Criar meninos-bolha?).

Pois bem. Voltando a esse desenho especificamente. Ele tá lá de encrenca com a bruxa. A bruxa quer pegá-lo, sabe-se lá por que. Ele tenta enganá-la. Não me lembro dos meandros da história, mas eu sei que tudo acaba numa fábrica de vassouras. Pica-Pau-Sade taca a vassoura da bruxa no meio das outras vassouras. Que, evidentemente, não são mágicas e não voam como a da bruxa. A coitada não tem como se locomover. Ta a pé. Daí é obrigada a testar todas as vassouras pra ver qual é a sua. Ela testa cada uma montando nela e dizendo “e lá vamos nós!”. Mas não é a vassoura dela. Mas ela não desiste. E tenta, mais uma vez, dessa vez com mais empolgação: “e lá vamos nós!!!!”. Em outras, apenas com o tom burocrático dos que sabem que é preciso acreditar, embora não mais o consiga fazer realmente. O desenho termina com ela tentando e tentando. E o pica-pau dando sua sádica risada.

(Eu queria ter a persistência da bruxa, mas em geral, prefiro sentar e chorar ou descer puta da fábrica e andar 20 quilômetros a pé. Não enfrento 100 vassouras ruins pra achar a minha boa, má nem fudendo! Mesmo porque se ela é mágica ela tem que me encontrar, vocês não acham?).

Pior do que esse só aquele que o Tom sonha que morreu e foi pro inferno por causa das maldades que faz com o Jerry. (Gente, como eu amava esse desenho! Pena que ele passava pouco). Daí ele chega no inferno e faz um acordo com o Capeta (que é aquele Cachorrão Mau): ele tem a chance de voltar a Terra e, caso consiga uma assinatura do Jerry, perdoando-o de todas as maldades, sua alma estaria a salvo e ele iria pro Céu. Ele tem 24h pra fazer isso. Ele desce, tenta tratar o Jerry bem, pede a ele de todas as formas, mas o ratinho é inflexível. No último minuto Jerry resolve, finalmente, assinar. Mas a caneta não pega. Nisso, as doze badaladas soam. As portas do inferno se abrem e Tom começa a ser tragado pelas labaredas do Coisa Ruim. Nisso Tom acorda. Na verdade as labaredas que ele estava sentindo eram brasas da lareira. Daí ele vai até o Jerry e o cobre de beijos – ante a surpresa e incredulidade do rato.

Agora, reflitam comigo, crianças: por que o Tom deveria ser condenado ao inferno por tentar comer o Jerry – no bom sentido, é claro? Ele é um gato! Gatos caçam ratos! O Jerry sim era um sádico. O que o Tom apanhava, meu Deus! Era panelada na cara, bigorna...isso quando não aparecia o Cachorrão Mau que defendia o Jerry.

Não vou nem entrar nos personagens perturbados tipo Gaguinho e Patolino. Adorava quando ele perdia o bico dele – e quando achava punha ao contrário, ou punha nas costas.

Mas do Donald eu preciso falar. Não, não vou entrar no já tão explorado fato do Donald não andar de calças, mas apenas de camisa e bla bla bla. Quero destacar um desenho específico. Um em que o Donald tem insônia por causa de uma torneira na cozinha que não pára de pingar. Ele faz de tudo pra torneira parar de pingar. E a torneira vazando. E as horas passando e ele ficando com os olhos vermelhos e tenso, pois afinal ele é um pato responsável! Precisava acordar cedo no dia seguinte, NÃO vestir as suas calças e ir trabalhar! Pensar no seu futuro com a Margarida. No sobrinhos Huguinho, Luizinho e Zezinho que, como a gente presume, deveriam ter pais ausentes porque eles viviam na casa do tio. E a torneira vazando...ploc, ploc, ploc...

Refletindo hoje em dia sobre o porquê desses desenhos terem ficado na minha cabeça com detalhes tão vívidos acho que é porque todos guardam uma dose de sadismo e repetição que seriam um aperitivo da vida adulta. Tomar na cabeça e não aprender. Continuar repetindo o mesmo erro. Um tentar e tentar pateticamente, enquanto um sádico aproveitador sempre vai rir de você.

Eu sou extremamente grata a esses desenhos, bem como as tirinhas do Calvin, um pouco mais tarde, e as porradas que a Xuxa dava nos baixinhos. Juntos, eles moldaram minha personalidade. Sou contra a idéia de que histórias pra crianças devem ter finais felizes e “moral da história”. Vocês sabem que a história da Chapeuzinho Vermelho na verdade é uma terrível história de sangue e morte, que o Lobo como a vovó e fica com a Chapéuzinho, né? Era assim na Idade Média. Aí veio o século XVIII e pasteurizou as coisas. Maldito Iluminismo.

sábado, maio 17, 2008

Gothanianas


É muito engraçada a vida em Gotham City. Se a cidade carece de entretenimento e cultura, ela transborda em elementos cômicos – além de outros, mas hoje o que eu quero destacar é isso. Pra mim, pelo menos. Pra quem tem olhos pra ver. É um humor meio negro, mas é um humor.

Todos os dias eu acordo e dou de cara com o jornal O Globo e o jornal da região. O que eu mais gosto de ler neste último é a coluna social. Imaginem vocês. Coluna social já é um troço bizarro. Coluna social em Gotham City é duas vezes bizarro. E aí você acha antigos colegas de escola fica sabendo que Fulaninha de Tal acaba de volta de Nova Yorque ou de Cabo Frio (?!!). Que Beltrano acordou de idade nova e recebia os cumprimentos da esposa e dos filhos e se pergunta como você viveu até aquele dia sem aquelas informações todas.

E os erros de português do colunista em questão são o melhor de tudo. O pior de tudo (pode ter pior?) é quando ele resolve ser sério e quer falar de algum assunto de relevância, tipo queda do dólar ou a economia asiática. Aí ele diz o que há de mais óbvio, crente que tá dando um furo de reportagem. Sei lá, acho que ele se acha o Anselmo Góes de Voltaço.

Toda segunda feira ele começa com a mesma frase: “segunda feira, dia mundial da ressaca, tempo de muitos bocejos nas salas de aula e locais de trabalho”. Ele acha legal começar sempre assim. Acho que na cabeça dele ele está criando um estilo próprio, um bordão, uma coisa meio “sorry, periferia”, do Ibrahim Sued.

Tem os dias em que ele não está com o menor saco e taca meia dúzia de foto e fim de papo.

Algo inexplicável. Só lendo.


***


Tenho por hábito andar/correr pelas ruas do meu bairro. O engraçado é que todas as pessoas – TODAS – te dão bom dia. Independente se te conhecem ou não (no Aterro do Flamengo, no Rio, Onde eu corro, se você encarar alguém por mais de 5 segundos apanha). Acho tão bonitinho! Coisas de cidade do interior. Um troço meio Wisteria Lane (sim, as ruas são arborizadas, com casas grandes, com grandes jardins na frente, com cerquinhas brancas...qualquer dia eu coloco fotos aqui).

O pior é que a pessoa passa por você umas três vezes, já que o caminho completo inclui umas três voltas. Aí na segunda vez eu não sei o que faço, se cumprimento de novo, se ignoro. Formiga Irmã me orientando: “não, aí você dá só uma olhadinha e um risinho. E seja simpática, porque as pessoas podem achar que sou eu!”. E tem aquelas senhorinhas todas meio parecidas, né? Cheinhas, baixinhas, louras e de meia idade. Às vezes acho que é a mesma e já é outra, deixo de cumprimentar...elas vem em geral em grupo, como andorinhas ou maritacas.

Engraçado é que as pessoas nunca cumprimentam quem está indo pro trabalho. Porque é um bairro burguês, logo, todo mundo anda de carro. Logo, quem está a pé e não está de roupa de exercício não é morador (há inclusive uma difernciação de quem caminha no bairro e é do bairro e de quem vem de outros bairros caminhar aqui) são as empregadas domésticas, garis, vigias e diaristas que estão chegando. Que, supostamente na cabeça podre da burguesia gothaniana, não merecem bom dia. Ou são seres invisíveis - o que dá na mesma.

(Na verdade Gotham City não é uma cidade pra se andar a pé ou de ônibus. Somos muito mal servidos em transporte coletivos. Acho que é mal de cidades projetadas).

De vez em quando passamos por velhinhos caquéticos, que mal andam e Fu Sis vai me informando: "Esse aí era o todo poderoso da cidade". Penso comigo: pela aparência devem ter acendido o primeiro auto-forno da CSN.

Tinha um bem velhinho que sempre passava e dizia pra minha irmã que ela era a moça mais bonita que ele já tinha visto. Quando eu passei ele me disse a mesma coisa (os homens são todos iguais, não importa a idade. Ou então ele me confundiu com a minha irmã).

Aliás, esse negócio de me confundirem com a minha irmã ta muuuito chato. De vez em quando perguntam quem é a mais velha. Ela só é DEZ anos mais velha que eu. Ela tem 40 anos. QUARENTA. E vai fazer 41. E UM. Eu tô começando a ficar sem graça, porque ninguém acredita que ela tem 41 anos e me olham como se eu fosse louca. Eu podia confessar que ela mora em um sarcófago de formol, que na verdade há um retrato dela envelhencendo dentro do armário, mas nããão. Eu não falo! Eu fico na minha e apenas aviso que ela é DEZ anos mais velha que eu. Esses dias um cara disse que eu devia ter uns 23 e ela uns 28. Tudo bem que era o Will – peça raríssima - mas mesmo assim...).

segunda-feira, abril 28, 2008

Constatando

Mais um amigo meu se casa esse final de semana. É o quinto amigo homem meu que se casa. É incrível como meus amigos se casam – ao contrário das minhas amigas. Posso dizer que em uma turma de adolescentes que andavam juntos - alguns das quais eu ainda tenho contato – composta de oito meninas e oito meninos; cinco dos homens se casaram (e casaram meeesmo, nada de morar junto, não; alguns só no civil, outros civil, religioso, festa...o pacote completo) e estão juntos com suas respectivas. Das meninas, apenas quatro se casaram, mesmo assim duas porque ficaram grávidas aos 16 anos (se separaram logo em seguida, casando com outras pessoas com as quais ainda estão. Acho); uma se casou sem estar grávida, depois teve um filho e se separou (numa história mega bizarra) e a outra engravidou um pouco depois da adolescência, de um cara que não era exatamente um namorado, só contou pra ele quando o filho nasceu, depois namoraram, casaram e tiveram outro filho. Parecem ser felizes.

Os homens casaram em condições normais – não pressionados por gravidezes – um deles teve filho um tempo depois e os outros ainda não. Esperaram ter um emprego, um pouco mais de segurança e se casaram. Ao contrário das minhas amigas.

Dentre um grupo de quatro amigas da escola, as mais próximas, apenas uma se casou (e não convidou a gente porque parou de falar com todo mundo não se sabe porque; talvez a medicina lhe tenha subido a cabeça. Ou vai ver ela sempre foi mala e a gente não percebia).

As minhas melhores amigas, as muito, muito próximas, com as quais ainda mantenho contato, nunca se casaram. As amigas que eu fiz depois de adulta também nunca se casaram. Com exceção de uma amiga que eu fiz no doutorado e se casou, com toda a pompa e circunstância, pra se separar em quatro meses.

Detalhe que os homens nunca foram exatamente certinhos – e, no entanto, seguiram modelos muito mais “caretas” (no sentido tradicional, sem juízo de valor) de relacionamentos. É como se eles tivessem tido uma vida pregressa que foi sumariamente esquecida quando viraram “adultos”. Outro detalhe: ninguém nunca se casou entre si – o que seria normal, dado que todo mundo ficou com todo mundo, alguns tendo namorado durante algum tempo.

Enfim. O que eu quero dizer com tudo isso? Nada. Apenas constatações.

Curioso, não acham?

terça-feira, abril 08, 2008

Royale with cheese's philosophy


Eu sempre preferi Toddy a Nescau. Meu pai também preferia Toddy. Ele dizia que quando era criança, lá pelos idos de 30, achava que era Todoy – o segundo D ele achava que era um O. E eu nem sabia que o Toddy era tão antigo assim.

Antigamente o Toddy não dissolvia totalmente. Ficavam bolinhas na superfície. Eu comia as bolinhas com a colher e depois bebia o leite. Já o Nescau dissolvia.

Hoje em dia o Toddy dissolve totalmente. Já o Nescau deu pra fazer bolinhas.

Como é vida, não é mesmo?

Mas o gosto de Toddy continua sendo melhor que o Nescau.

Aliás, o mundo pode ser dividido em alguns princípios básicos: Toddy ou Nescau; Coca ou Pepsi; Bob’s ou McDonald’s; pipoca de sal ou doce; Beatles ou Stones; praia ou montanha; feijão em cima ou do lado do arroz.

Eu: Toddy, Coca (Zero), McDonald’s, mista, Beatles, montanha e varia.


quinta-feira, abril 03, 2008

Diga-me como dormes e eu te direi quem és


A pissoua agora só dorme de lado. De lado, abraçada num travesseiro. O que me faz acordar com o pescoço duro. Já passei por várias fases. Já gostei de dormir de bruços, mas comecei a acordar com dor na lombar. Depois descobri que a melhor forma era dormir de barriga pra cima. Ótimo.

Não tenho a menor paciência para o tal “dormir de conchinha”. Eu sempre demoro a dormir e fica a pessoa roncando e pesando em cima de mim. Ah, não. No way. Faço que nem o Ross com a Rachel: espero dormir e empurro pra longe de mim (se lembram desse episódio? O Chandler diz que não consegue dormir abraçado na Mônica e a Rachel tira mó onda dizendo que ela e o Ross dormem abraçadinhos. Quando ela sai o Ross conta a “técnica” pro Chandler. Ou é o contrário – o Chandler conta pro Ross).

Aliás, detesto dormir acompanhada. Quando tenho que dormir com qualquer pessoa, por qualquer motivo que seja – por exemplo, quando a casa está cheia e eu tenho que dormir com Formiga Irmã ou Formiga Mãe – acho um saco. Eu não caibo. Eu já sou grande pra uma cama de casal. Quer dizer, eu não sou tão grande. Sou espaçosa. Pra dividir, então...não dá. Além disso eu sou uma pessoa idosa, cheia de manias.

Uma das melhores coisas é tomar banho, colocar aquela camisola/pijama velhinho e deitar numa cama com lençol cheiroso, meus travesseiros de pena de ganso, meu colchão duro, muito duro e dormir uma boa noite de sono – eu e Dona Henriqueta. Outra mania que eu desenvolvi foi aquela máscara de avião, pra vedar luz. Na rede de lojas natureba-McDonalds-Mundo-Verde existem aquelas máscaras com essências de ervas, cada qual para cada problema. Quase que eu tive que trazer todas, porque eu tenho todos os problemas, como vocês sabem – e os que eu não tenho eu passo a ter só de ler as indicações. Acabei me decidindo pela de camomila (Lembrei daquele filme, “O amor não tira férias”, onde o quarto da Cameron Diaz tem um sistema de persianas que descem e escurecem o quarto todo à qualquer hora do dia. Magavilha! Detalhe: o meu quarto pode ser escuro. Quando estou em locais “estranhos” não gosto de tudo muito escuro, não.)

Música eu vareio – como diz o outro. Às vezes durmo com, outras não. Às vezes durmo com o som, outro com o I-pod. E agora meu dentista inventou de eu dormir com uma placa contra bruxismo. Depois de eu quebrar uma obturação de amálgama e tirar uma lasca de um dente ele achou mais aconselhável eu fazer uma plaquinha, ainda mais porque eu mudei a obturação pra resina – e antes que eu ficasse sem língua, quem sabe, na melhor das hipóteses.

Vocês já dormiram com alguém que range dentes? Eu já. É um barulho sinistro. Algo que você nunca associa a dentes. Parece uma porta fechando, uma manivela...troço horroroso! Mas eu ainda não cheguei nesse estágio. Mas...eu chego lá. Vocês já acordaram com um tapa? Eu já. A pessoa meio que teve um pesadelo e meteu a porrada em quem tava do lado – no caso esta que vos fala. Vou te contar. Situação...eu sei o que vocês estão pensando. Não foi por querer. Mesmo. A pessoa tinha uns pobreminha de neuvro.

Pois bem, agora a pissoua aqui só consegue dormir de lado, encolhida e abraçada num travesseiro. Posição fetal total, facilmente interpretável por estudante de psicologia de primeiro período - ou não, pois às vezes um charuto é só um charuto e uma posição fetal é só uma posição fetal, cal pobrema? Ainda por cima, com todos esses acessórios supracitados: placa nos dentes, tapa-olho, fone no ouvido. Visualizem a cena. Não dá nem duas horas depois e o tapa-olho tá no chão, eu cheia de marquinha de dente no braço, porque eu tirei a placa sem sentir e dormi em cima dela, e o I-pod, coitado, jaz pendurado pelo fio, gritando socorro e pedindo asilo político no compartimento do som. Também gosto de dormir com o pé pra fora do lençol e/ou cobertor, não importa o frio. Também só levanto da cama pisando com o pé direito. E sempre levanto no meio da noite pra fazer xixi. E tenho meio que um xixi nervoso: se eu fico sem sono toda hora eu acho que eu quero fazer xixi.

Ai, ai...Muito trabalhoso ser eu. Algo me diz que eu não deveria confessar essas idiossincrasias em público, mas meu lado exibicionista é masoquista.

domingo, março 16, 2008

Voltei

De muito saco cheio: com os 200 anos da vinda da família real (não deveria dizer isso como historiadora, mas família real my ass!) e dos 50 anos da bossa nova.
***




Olha só que bonitinho! A Ela, que eu nem conhecia, me deu esse selinho aqui. Puxa. Meu primeiro selinho (pegou mal a frase, mas vocês entenderam). Muito obrigada.


Eu acredito em uma certa etiqueta dos blogs. Acho que se a pessoa se deu ao trabalho de colocar um comentário no seu blog, o mínimo que você pode fazer é responder (se não estou respondendo é porque ando sem internet). E, se possível, retribuir a visita. E se vejo que a pessoa me linkou eu também a linko. A não ser que o blog seja muito ruim. Mas isso nunca aconteceu. Lógico. Pra pessoa gostar de mim ela tem que ser inteligente! (e modesta, assim como eu). Só que tem gente que me linka e nem avisa! Aí, de vez em quando, eu faço um egosurfe pelo google e descubro vários blogs que me linkam. Avisem, que é pra eu poder retribuir. Como vocês sabem eu sou do século XIX. Mas com corpinho de XXI!




***

E por falar em corpinho (eu me prometi que eu não falaria mais desse assunto, mas lá vamos nós), a matéria da revista de domingo do Globo de hoje traz cinco gordas na capa, dentre elas a Preta Gil, falando sobre seus roliços corpinhos e sobre um movimento surgido nos EUA chamado Fat Proud (orgulho gordo). Sim, caros amigos pós-modernos! Depois da política de gênero, da política de raça, a mais nova política das identidades é a política do gordo. Tudo ótimo, se eles não estivessem considerando gordo...uma pessoa que veste 42. Tipo...eu me daria por satisfeita se estivesse vestindo 42. Minha meta é 40, mas 42 já tava ótimo. Eu quero emagrecer 20 quilos (11 agora) não pra ficar que nem a Gisele Bündchen. Não porque eu não me aceito como eu sou. Eu só quero entrar em uma calça 40. Se isso é ser gordo, ok, tenho orgulho de minha gordura. Mas não me venha Preta Gil – que eu até gosto, simpatizo, acho uma pessoa bacana, mesmo a despeito das merdas que ela fala – me dizer que tem orgulho de ser gorda com 3 lipos no currículo. Não me venha uma outra lá dizer que tem orgulho em ser gorda e sequer revela o peso. Não me venha uma delas, mais magra que eu, dizer que tem orgulho de ser gorda. Me poupem. Quando você afirma que uma pessoa que veste 42 deve se achar linda do jeito que é, você só reforça o preconceito. Afinal, quem disse que 42 é gordo? É que nem gente que diz, “imagina eu não tenho preconceito contra gay. Eu até tenho amigos gays!”. Que coisa! Que liberal, você!

Aliás, na matéria eles consideram gordo qualquer pessoa, não importando a altura, que pese mais de 60 quilos. Eu nunca vou pesar menos de 60 quilos, people! Eu tenho 1,70 (1,69, na verdade, mas eu minto, mesmo porque, dependendo do dia, eu fico mais alta). A última vez que eu pesei menos de 60 eu devia estar na quarta série primária.

Uma das gordas da matéria é de Voltaço – mas se mudou daqui há bastante tempo. Estudava no mesmo colégio que eu. É o que eu digo: quando 5 ou mais pessoas se reunirem, uma delas será voltaredondense.

O gordo é, antes de tudo, um fudido na vida. Eu posso falar. Eu atravessei a fronteira. Eu vi as trevas e a luz.

***

Aliás, quanta merda no jornal. Só gente escrevendo bobagem. Bobagem, bobagem bobagem. Não me entendam mal, eu sou super a favor da bobagem. O problema é acharem que estão escrevendo a sério. Colunistas. Só merda.

Por falar em bobagem e jornalismo, a editora Abril está me mandando seis números de Veja, na intenção de que eu assine. Tolinhos. Já assino Boa Forma e caso assine uma segunda revista dessa editora seria a Elle ou a Estilo. Muito mais útil pros meus objetivos.

Porque vocês sabem, né? A minha meta desse ano é ser só um corpinho bonito. Não agüento mais ser julgada apenas pelo cérebro avantajado. Não agüento mais ser gente boa. Saco. No fundo, no fundo eu sou bem superficial. E má. Não sou legal.

Acho tão engraçado as pessoas dizerem que devem gostar da gente pelo que a gente é e não pelo corpo. Como se o corpo não fosse a gente! Como se houvesse “dentro” e “fora”, interior e exterior. Como se não fosse tudo a mesma coisa. E essas mesmas pessoas serão as primeiras a te julgarem pela aparência.


***

Me libertei da Virtua. No momento, estou sem internet, estudando opções, mas me libertei. O bom foi que eu descobri o que aconteceu, graças a uma atendente gente boa – e que também esqueceu de colocar o telefone mudo enquanto conversava com o supervisor dela. Foi o seguinte: eu tenho um serviço, o Vírtua 300, que não é mais comercializado pela Net. Eles têm o vírtua 200 e depois passa pra 1 giga. Resultado: os operadores de telemarketing não conseguem mudar pro 300 porque não há essa opção. Aí a mocinha me explicou que, caso eu ficasse os três meses que eu tinha planejado ficar suspensa, eles não retornariam com o serviço. Só que, como voltei antes, eles são obrigados a manter o serviço. Então percebi que eles vão ficar me enrolando até dar os 3 meses e eles não precisaram me dar o plano de volta.

Detalhe: ninguém me avisaram disso! – como diria meu amigo Betão, vulgo Netinho, vulgo Roberto, vulgo Roberval e que na verdade não se chama nada parecido com isso Quando eu liguei pra lá, disseram que eu podia cancelar a suspensão a hora que eu quisesse.

Mas o bom mesmo foi ver a operadora falando pro supervisor: “a mulé tá sem virtua desde 25/02, o que eu faço? Mando ela sentar no pudim?”. “Mas esse setor XY também não faz porra nenhuma, hein?”. Adorei. Vi humanidade. Vi que a atendente realmente se compadeceu de minha dor. Porque a coisa mais irritante é você pensar que está falando com um robô. Você dar berros do outro lado – porque, mesmo sabendo que a culpa não é dos atendentes, eles podem, sim, fazer alguma coisa, como essa de fato fez - e eles responderem: “algo mais em que posso ajudar, senhora?”.

Aí quando fui cancelar foi aquela novela:


- Qual o motivo, senhora?.

- Eu sou obrigada a falar o motivo?

- É que, dependendo do problema, nós podemos solucionar.

- Não, vocês não vão solucionar.

- A senhora não quer falar?



Falei durante meia hora e ela tentando me convencer de que havia um motivo racional para todo o problema que não a pilantragem, safadeza e picaretagem da Net.

- Eu não quero saber, minha filha. Eu só sei que a Net me enganou e eu não fico um segundo com ela mais!

- Mas a senhora não me deixa nem falar.


Tum tum tum tum...a piranha desligou na minha cara. Ligo de novo, porque sou um ser calmo e evoluído espiritualmente. Todo o processo de novo:


- Qual o motivo do cancelamente, senhora?

Bla bla bla bla.

Quando disso que a Tim ta oferecendo um serviço de 1 giga por 49,90 a mulé pirou:

- Senhora, eu posso estar oferecendo a senhora um serviço de 2 gigas pelo mesmo preço que a senhora paga, mas pra isso a senhora terá que assinar o net fone, senhora. Estando sujeito à disponibilidade da sua região, senhora.

- Nem morta! Sei de um monte de gente que tentou ter o net fone e achou um lixo.

- Senhora, nós somos a empresa líder na América Latina, senhora!

- Ah, é??? Segundo quem?

-Segundo as revistas, senhora!

- Que revistas?

- As revistas...a senhora não está bem informada, senhora!

- Vocês são líder é no procon!

- Mas a senhora não está interessada nesta oferta, então?

- Eu quero ficar livre de vocês. Nem de graça eu manteria a net.


(mentira, de graça eu manteria sim, porque sou uma pessoa altamente corruptível, como vocês sabem).


- Mas a senhora tem um sólido relacionamento de fidelidade há 11 anos com a net, senhora.


- Pois é. Mas a net me botou um chifre.
E eu quero a separação.

Meu mais longo relacionamento terminado. Enganada de forma vil. Por isso eu não acredito em casamento.

***


E tem post novo no blog do Clubinho de Livros. Dessa vez de Formiga Irmã.

sábado, fevereiro 16, 2008

Só agora eu vi o comentário da Tati Tatuada! Olha que fofo!


“Carrie, eis me aqui:)Foi um prazer falar com você e não fosse o Alváro isso jamais aconteceria.Eu quis falar com a Andrea também(muito, muito, muito - porque eu sou fã há tempos), mas Carla San não tinha o telefone e a loira aqui esqueceu de anotar.Beijos.Tati”


Viu, Andréa! Bobona...


E se você tivesse me pedido, Tati, eu TENHO o telefone da Andréa!


Pois é. Estou eu cá, em Gotham City, no meio de uma parada pedreira, pensando (como eu penso 259.476 vezes ao longo di dia): porque eu fui inventar de fazer doutorado, eu não levo jeito, eu sou muito indisciplinada; ei! eu vou tentar o concurso pra diplomata!; eu vou me inscrever em algum programa de apoio da Petrobrás pra eu ficar em casa escrevendo um livro e eles me pagando um salário e eu não precise ver ninguém, nem sair de casa (ôpa, mas não é isso que eu estou fazendo no doutorado?); eu odeio o Rubem Fonseca, porque esse velhinho não morre logo?; será que algum dia eu vou escrever como ele?; será que algum dia eu vou escrever?; eu amo o Rubem Fonseca; preciso tirar esse esmalte; acho que estou com fome – ou enjôo, não sei ao certo; ai, uma formiga na minha perna!; vou fazer xixi; tomar um copo d’água; comer uma banana; porque eu não fiz filosofia?; quero ir pra Nova Iorque; por que eu não fiz letras?; ai, tá calor; não, não quero ir pra Nova Iorque, quero só mudar do Rio; e se eu morasse aqui?; será que eu posso dizer que há um traço de continuidade na obra dos estóicos com a de Pascal, Schopenhauer e Nietzsche?, Estou confusa sobre a Razão...; aliás, a Razão sempre me confunde...maldito Descartes! Mas a culpa não é dele, é daqueles malditos gregos; ai, esse autor viaja, não sei porque gostam tanto!; minha caneta azul acabou; caralho, o windows fechou de repente!; ah, foda-se, não vou atender o telefone nem fudendo; ainda bem que eu tinha salvado tudo; acho que quero outro xixi - ou quem sabe cocô; por que eu não fiz Direito?, quando de repente, não mais que de repente, me liga Dr Álvaro, o homem das mil sugestões, aquele que sempre tem uma idéia e sempre lembra de todo mundo:


- Álvaro: Estou com uma fã sua aqui.


- Eu: hã??? Quem?? Como assim? Por quê???


- Álvaro: Fala com ela.


Aí vem a doce Tati Tatuada, cuja alcunha eu já havia visto por aí, em diversos outros blogs e nunca imaginei que lesse o meu. Aí ela me diz que nunca comentou porque é tímida. Meu deus! Tímida sou eu! Eu nunca pensei que uma pessoa com um nick de Tati Tatuada pudesse ser tímida! Eu imaginava uma pessoa tatuada (dã), muito tatuada, completamente desbocada, desinibida, que arrota em público e pega geral, fuma e bebe, praticamente a Rê Bordosa. Aí descubro que ela tem uma voz doce e meiga, um sotaque de paulista da capital, e ela ainda por cima diz as palavras mais doces! Que me adora, que lê meu blog todos os dias, que não comenta porque morre de vergonha (como assim, gente? Não é pra falar em público, é só botar umas letrinhas!), mas no da Andréa ela comenta (why???), que está torcendo muito pela minha dieta e pelo meu doutorado.

Caramba! Nem sabia o que dizer! Só agradeci, agradeci e agradeci muito sem graça, afinal, agradecer por quê? Eu apenas...vivo...e escrevo – não necessariamente nessa ordem. Eu sou o meu próprio personagem! Cujo final eu ainda não sei - graças a deus.


Obrigada, Tati. Mesmo. Do fundo do meu coração.


***

Aliás, aviso aos navegantes: tenho recebido alguns e-mails de pessoas que não conseguem comentar. É o seguinte: eu proibi os comentários anônimos. É que volta e meia vem gente chata falar merda no meu ouvido. Daí eu proibi que é para, pelo menos, eles terem um pouquinho mais de trabalho (porque eu sei que pra evitar completamente isso, só se eu proibisse de vez os comentários. E, visto que eu sou: A) Carente; B) Anônima e C) Nem tenho tantos comentários ofensivos assim, não penso em fazer isso). Veja bem: não falo de comentários contrários ao que eu escrevo. Falo de gente sem selvíssio que entra só pra ofender a mim ou a outros leitores que comentam. De modos que, parô a palhaçada. Logo, como comentar? Simples. Elaborei FAQs sobre os comentários.


Não consigo comentar. Como faço?

Você deve selecionar a opção que se encaixa com você (Open ID, Word Express, Google...).


E se eu não tenho um blog, mesmo assim eu posso comentar?

Claro! O google, o orkut, o blogger e o gmai são tudo do Grande e Onipotente Google, Aquele que Tudo Vê e Tudo Ouve. O Verdadeiro e Único Grande Irmão. Logo, qualquer senha que você tenha no orkut ou gmail também serve aqui.


Eu não tenho orkut nem gmail nem blog...ainda assim eu posso comentar?

Você ta meio desatualizado, hein leitor(a)? Mas tudo bem. Ainda assim você pode comentar. Basta criar uma senha e um login no sistema blogger (a própria caixa de comentários te diz como fazer). É como criar um e-mail. E você pode criar uma identidade falsa!


Ah, mas aí dá muito trabalho...

Um pouquinho, mas quase todo site que você entra hoje em dia você precisa se identificar.


Mas aí os anônimos também vão poder criar IDs falsas...

Vão. Mas pelo menos dá mais trabalho!


Mas o que adianta?

Cara, você é mala, hein?


Pô, só to perguntando qual o sentido da parada...

O sentido é ter um pouco mais de controle, só isso.


Que na prática não acontece.



(Silêncio)



Oi, onde você foi?


***

Eu adoro FAQs! E sempre imagino umas perguntas nada a ver. Mas, deu pra entender? Se ainda assim não conseguirem comentar, me avisem por e-mail.

***

Sobre a festa de hoje no BBB:

O que é a Juliana dançando no pau (eu sei que tem um nomezinho próprio, mas não lembro e tô com preguiça de procurar, saiu até na Boa Forma depois que Flávia Alessandra passou a fazer na novela das oito) ? Pro-fis-sa! E isso é difícil! Você tem que ter força e prática. Eu sabia que o mode Sandy on uma hora ia pra casa do caralho. Só fico imaginando o Alexandre vendo. E hoje ela pega o Rafinha. Ah pega.

E ela falando que gostaria que o ensaio dela pra revista fosse de patinadora californiana, com maria chiquinha?!! Meu deus!!! A mulher já devia ter isso na cabeça antes de ir pro BBB! E é tão burra que, ao invés de valorizar o passe, já dá logo o serviço completo.

Quer dizer, burra sou eu, né? Que tô aqui fazendo doutorado e não sei fazer dancinha sensual no poste.

A festa é fetiche? Só explica pra eles o que é fetiche. E o Felipe tá de quê? Encanador? Pedreiro? Diretor de novela das oito?

Marcelo-Village People. The best. E ontem a Gyselle sacaneando ele com o roupão? Tava todo machão, de repente tirou a faixa e começou a rodar. De Rock Balboa passou a Priscila rainha do deserto. Num segundo!

Não, não vou comentar sobre a visita da namoradinha da Tati. Ainda há alguma dúvida?

Acho muito triste a gente ainda viver num mundo em que as pessoas precisam esconder suas opções sexuais. E até nisso a mulher se fode. Homem assume mais facilmente. Já é o segundo no BBB. Já mulher, nunca nenhuma se assumiu.

Agora, eu acho que a Natália, assim como o Sergei, é Pan.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Novas expressões para velhos sentidos


Tenho ouvido com freqüência a expressão “vamos nos falando”. Funciona assim: você liga pra um(a) amigo(a) pra perguntar o que ele vai fazer à noite ou se quer ir ao cinema ou qualquer outra atividade. Aí ele diz que até tá afim, ou diz que não vai fazer nada, mas está esperando Beltrano ligar avisando sobre um possível programa, mas que deve ser cedo (ou tarde), logo ele ou ela podem encontrar com você antes (ou depois). E ela (ou ele) finalizam com um “a gente vai se falando”. Ou seja: tudo combinado e nada resolvido; se chover você molha a grama. Enfim. A nível de non sense, enquanto explicação não elucidativa sobre o nada, funciona como um anestésico semântico com fins de prorrogação da atividade proposta, sem entretanto anular a possibilidade da mesma. Ou, em bom português: nem caga, nem desocupa a moita. Nem trepa nem sai de cima.

O que, aliás, é uma característica folclórica do carioca. Como sabemos, os estereótipos sobre as pessoas e os lugares são apenas estereótipos, contudo não menos verdadeiros. O carioca é o boa praça que não quer deixar ninguém na mão, quer agradar a todos, quer reunir todo mundo, quer ter todas as opções em aberto. É o caso do “passa lá em casa”. Não é pra você passar na casa dele(a). É apenas um outro sentido pra “a gente se ver por aí”. Outros correlatos são o “vamos combinar” ou “vamos tomar um chopp qualquer dia desses”. Nenhum equivale a seus reais significados. E o celular é o meio de comunicação por excelência pra gente ir se falando.


Hoje (na verdade é ontem, mas como eu ainda não dormi é hoje) é aniversário de uma amiga. Ficamos de ir nos falando pra ver o que ela ia fazer. Eu ia ao cinema. Outra amiga ligou, da canícula de Água Escondida, querendo farra. Falei que tava na dependência da outra amiga que ficou de dar uma resposta. Ficamos de ir nos falando. Nenhuma das duas ligou, eu não fui ao cinema e dormi – o que, aliás, com a chuva que tem dado aqui no Rio tem sido o melhor programa. Além de ir se falando, é claro.



terça-feira, janeiro 29, 2008

Eu habito o Overlock


Eu já deveria saber que muito trabalho e pouca diversão fizeram de Jack um bobão. Quer dizer, em tese eu já sei, mas saber em tese é o mesmo que não saber; ou é como o saber psicanalítico: você acha que sabe, mas quando roda o espiral, e você vai pra outro anel e consegue ver o ponto onde estava, aí é que você percebe que não sabia nada e agora sim é que sabe. Pessoas confinadas em locais são capazes de atos tresloucados. Pessoas tipo eu, o Stephen King, o Jack Nicholson, o Conde de Montecristo e a Bel Seslaf não podemos ficar em casa o tempo todo, nem muito menos sozinhos num hotelzinho no meio da neve, por mais tentador que isso seja. Porque se deixar a gente fica. Ah, fica. Porque não há lugar melhor pra esse tipo de gente. O lugar funciona como um imã. De preferência entre livros, computadores, DVDs ou simplesmente olhando o teto. Ah, como eu amo olhar o teto. Uma das minhas maiores distrações é olhar o teto. Aliás, é justamente por ser o nosso habitat natural que a gente deve sair. Nem que seja pra ter saudades de casa. E, no meu caso, é particularmente pior porque eu moro sozinha. Eu, que já não sou muito chegada à convivência com o gênero humano, preciso me forçar um pouquinho todo dia. Sob risco de me tornar uma misantropa, na melhor das hipóteses ou uma sociopata, na pior. Mas é que eu tenho preguiça de gente. Não é nada pessoal, eu tenho os melhores amigos do mundo, a melhor família, eu gosto da minha vida, mas eu tenho preguiça. Tenho preguiça da realidade. Por isso o ambiente virtual calçou como uma luva para mim. É um contato íntimo, mas distante.

Eu estou conseguindo me conscientizar que o exercício é fundamental – pra esse tipo de gente tipo eu. Saber só é saber se é na prática, se ainda não funciona, você não sabe de verdade. E eu acho que agora eu realmente sei disso. Até o prezado momento fiquei só 4 dias sem malhar esse mês. O problema – ou a solução – é que eu tenho um minitrampolim em casa. Que era pra ser usado só em dias de chuva ou de muita animação. Como anda chovendo muito aqui no Rio, eu acabo fazendo até o exercício em casa. Tem dias em que nem o som da minha voz eu ouço. Assim não pode. Assim não dá.

Na rua eu sinto saudade dos meus objetos. Penso: “ahhhh, minha cama deve estar tão triste...”. É sério. Eu penso. Meu olhos chegam a encher d’água se eu estiver na TPM. E viajar, então? Viajar é um parto. Não porque eu não goste ou tenha medo do avião ou da estrada. Mas é uma dificuldade que eu tenho de sair de casa...mas aí quando eu vou é ótimo. Eu adoro, curto, mas quando eu chego em casa eu faço que nem o Chico Bento, depois de passear na cidade: “lá é bão, mas aqui é mió”. Eu me apego às situações. Eu funciono por inércia. Depois é difícil parar.

Quando eu era criança eu tinha pavor quando as minhas duas vizinhas, gêmeas, vinham me chamar pra brincar. Eu pedia pra minha mãe falar que eu não estava, não ia, porque...eu queria ficar em casa. Na minha. Quietinha. Com meus seres e brincadeiras imaginárias. Com meus jogos de tabuleiro. E elas queriam brincar de queimada, ficar na rua, andar de bicicleta. Mas aí tinha dias em que eu mesma me forçava a ir, afinal eu tinha que ser minimamente normal se não meus pais podiam mudar de idéia e me dar pra adoção. E aí eu adorava. Mas depois o sentimento voltava (já contei aqui sobre a vez que a empregada delas teve que me trazer no meio da noite pra casa, porque eu simplesmente não agüentava de saudades dos meus pais).

Então, eu preciso sair pra que a minha tese ande. Eu preciso ir à esquina comprar pão e jornal, eu preciso caminhar, eu preciso ir ao cinema que é a única coisa que minhas posses permitem, eu preciso visitar amigos, eu preciso me organizar para passar uma parte do dia fora de casa. Eu não vou pra uma biblioteca estudar, porque como eu estou na fase da escrita eu tenho medo de levar laptop e ser assaltada – e pra ficar indo e voltando de táxi, não rola.

Uma vez eu vi a mulher do Harry Potter dizendo que ela só escreve em cafés. Cafés não muito cheios a ponto dela se desviar da história pra ouvir o que a mulher da mesa ao lado está falando, mas também não muito vazios a ponto dela só ouvir o próprio pensamento. É foda você ficar só com o seu pensamento. Aí as idéias começam a ir embora...Cabeça vazia, oficina do capeta. Quando ela está sem inspiração deixa o laptop carregando a bateria e sai pra dar uma volta. Oquei, Londres não é o lugar mais seguro do mundo, mas fazer isso aqui no Brasil não dá.

E aí eu descobri o 34.769o motivo pra eu gostar do BBB: ele é igual a minha vida. Um monte de gente confinada num lugar que nada acontece com todo mundo olhando. Não é à toa que o cara que o Rafinha entrou no lugar não agüentou o confinamento do hotel, onde a pessoa fica 10 dias sem sair do quarto. Teve uma edição que um cara, um que era motoqueiro, pediu pra sair. Literalmente. Mas voltando ao meu cérebro, é a mesma coisa. Quando eu fico confinada em casa, eu sei que vai dar merda. Só que no meu caso a merda é dentro de mim, porque todas as pessoas estão dentro de mim. O que é um problema, porque eu acabo botando duas ou até três no paredão toda semana. Mas ao contrário da casa, elas não saem. Voltam e voltam mais fortes, prontas pra revidar em quem as emparedou. Às vezes até se multiplicam.

domingo, dezembro 09, 2007

Notícias da província


Como eu disse a vocês estou aqui em Gotham City, né? De vez em quando tenho que vir aqui combater o crime, senão o Curinga fica se achando.

Interior é uma merda (mas só eu posso falar isso das minhas cidades: Gotham City e Pasárgada, quem falar mal na minha frente toma porrada. Eu também falo mal do Rio, mas dele podem falar mal, porque tem muita gente pra defender).

A Vanessa Giácomo, atriz da novela das oito (amiga da Marjorie Estiano e filha da Toitia Meireles) assim como o Tiago Pereira campeão de natação, também é de Gotham City. Eis que, estou eu, adentrando domínios gothanianos, e me deparo com outdoors e mais outdoors com ela, fazendo propaganda para a prefeitura, junto a enormes Papais Noéis infláveis (quando perguntei à Formiga Irmã se ninguém estourava o saco do papai noel – literalmente – ela me respondeu “não, nós somos educados aqui”).

Ligo a TV e lá está ela fazendo propaganda para uma ótica local.

Fiquei pensando nela, em uma plena quarta feira, falando: “Daniel [de Oliveira, também ator, marido e pai do filho que ela espera], vamo lá em casa almoçar com o meu pessoal e aí eu aproveito e faturo um troco que vai dar pra gente montar o quarto do bebê”. Daniel de Oliveira bota seu tênis, abastece o carro e pega a Dutra rumo ao Condado de Gotham. Param no Belvedere pra comer um pastel napolitano e um caldo de cana, pois ela teve desejos.


*


O que esse artistas não fazem por um din-din, não é minha gente? Tudo bem, a Vanessa é daqui, nem acho tão estranho – apenas engraçado. Mas me choquei ao ler uma bobagem de uma matéria no caderno Ela de semana passada falando sobre ser cool e que a Fernanda Torres seria “cool, formadora de opinião, uma alfa”. Peraê. Deixa eu me situar. A Fernanda Torres? Aquela que faz propaganda do Banco Santander e é assim ó com a Fernanda Young? Hãn hãn.

Por isso eu admiro a Letícia Sabatella. Ela, além de bonita e boa atriz, não faz propagandas. Seja de sabonete, banco ou shopping. Por... como é que chama mesmo? Ah! Por princípios. Ela diz que não acha certo associar a imagem dela a qualquer tipo de produto. As únicas aparições dela são em campanhas sociais, de informação à população. Mas ela não é cool. Não aparece na Caras, na Quem Acontece, na Flash e na Contigo, revelando que tem síndrome do pânico ou que fulano é o amor da sua vida. Ela não pertence às panelinhas cools.

E o problema de ser cool(zão) é que no momento em que você passa a ser, já não é, porque cool implica em ser low profile. É o mesmo paradoxo das vanguardas artísticas de todo o século XX – e de todos os subestilos de comportamento como o punk, o hippie, o muderno: no momento em que você é, o sistema te absorve e você já não mais é.

Por isso minha filosofia de vida punk inclui usar roupa da Leader e fazer eu mesma minha unha de vermelho e cortar meu cabelo (antes da desgraça de quinta). Porque punk de Cavalera e Alexandre Herchcovitch é fácil.


*

E por falar no Tiago, soube que ele foi a uma chopada da faculdade de medicina de Gotham. Todo mundo achou ele um chato, porque ele não bebeu nada e ficou na dele o tempo todo. Claro, né? Ele é um campeão de natação. Vai encher a cara, acordar do lado de uma baranga que ele nem conhece e ficar de ressaca e não treinar no dia seguinte? Não, né? Certas opções na vida são radicais. Formiga Irmã, que deu aula pra ele, conta que ele não tomava nem refrigerante quando era pequeno porque já competia e sabia que isso não fazia bem. Certas pessoas sabem muito cedo na vida o que querem. O resto de nós fica por aí, enchendo a cara e acordando com estranhos.

E vocês sabem por que ele começou a fazer natação? Porque ele caiu numa piscina, quando ainda era muito pequeno, e quase se afogou. No dia seguinte a mãe dele o matriculou na natação.

Sucesso ou fracasso é a sua atitude diante dos fatos. Ih, tô parecendo propaganda do Santander.

Aliás, ele bateu o recorde há pouco tempo, mas foi de piscina de 25m. A de 50m continua sendo do Phelps. Aliás, todo o problema continua sendo o Phelps. Há sempre uns Michaels Phelps na vida. Ai, ai.


*


Mas que Gotham City é um lugar estranho, isso é.

segunda-feira, dezembro 03, 2007


Tem um marceneiro aqui em casa fazendo uns silvicinhos (sim, o ano novo pra mim já começou). Todos os meus basculantes – eu disse todos – estão quebrados e/ou emperrados. Duas portas do armário do quarto de hóspedes caiu e a terceira tá por pouco; uma porta do armarinho do banheiro caiu e a outra tá por pouco; a janela da área de serviço não abre; o basculante da área de serviço não abre e os armários da cozinha estão com probleminhas pequenos diversos. Se viesse um especialista em feng shui - ou da ONU - aqui ia dar alerta vermelho. Nada tá fluindo. Tudo emperrado e parado. Excrusive a dona. Vamu circulando, energia! Circulando!

O marceneiro se chama Seu Duda. Seu Duda não é nome de marceneiro. Nome de marceneiro é Seu Romualdo, Seu Estáquio, Adamastor, Reginaldo... No máximo – estourando – um Seu Carlos ou Seu Paulo. Ou Seu Pires.

Mas seu Duda parece ser de confiança. Quem me indicou foi Seu Amaurilho (aí sim, um nome de confiança), eletricista do prédio, que fez os sistema de cendimento tomático dos andares, uma belezura, você abre a porta e tcharãn! Fiat Lux! (Detalhe, Seu Amaurilho veio aqui pregar uns quadros da parede e quando viu meu mural de fotos antigas – Marylin, Brando, Sophia Loren, Liz Taylor, começou: “isso é que eram atores”. Amei!). Mas, voltemos. Seu Amaurilho trabalha numa pequena empresa familiar. Me deu o telefone do Seu Duda, mas atrás eu vi que tinha um tal Seu Paulo. Achando que Seu Duda era um nome suspeito, resolvo perguntar sobre o seu Paulo. "Ah, ele é bom também" – responde Seu Amaurilho. "É meu irmão. O Duda é meu primo".

Opa! Peraê, conflitos familiares. Adoro conflitos familiares! Na boa, se você tem uma firma com seu irmão e seu primo, quem você indica? Ou eu diria que os dois são muitos bons ou eu indicaria meu irmão primeiro. Afinal, irmão é irmão. A não ser que você tenha problemas com seu irmão.

Não deu outra.

Hoje, quando seu Duda chegou - mulato-claro de sotaque nordestino (em dado momento ele fez uma brincadeira com algo do tipo "quer se livrar de mim?" e eu entendi "quer vladimir?". Quase respondi: "savuska! O senhor apóia o Putchikin?"), 57 anos, morador de Mesquista, boa praça – eu tive que perguntar sobre o relacionamento do Seu Amaurilho com o Seu Paulo, o irmão. "É, eles não se dão muito bem, não" – manda Seu Duda dando um risinho. "O Paulo é meio sistemático".

Adoooooro esse adjetivo! Sistemático. O que é uma pessoa sistemática se não uma mala sem alça ou um maluco de pedra pelo qual temos um carinho e usamos eufemismos para classificá-lo? Aí já fiquei na dúvida. Às vezes o que é um defeito na vida pessoal pode ser uma qualidade no local de trabalho. Se o “sistemático” for sinônimo de “perfeccionista”, ótimo. Mas agora já tratei com o Seu Duda – que certamente não deve se chamar Eduardo e sim Durvalino, Duramarte, Aduracil, Dercival ou algo do tipo. Amanhã eu ainda pergunto.

Por acaso ontem tava vendo o espetáculo (nos dois sentidos) do Sting (quer dizer, do Police) na Argentina e vi que ele tem 57 anos. Igual ao Seu Duda. Seu Duda parece avô do Sting. Claro, Seu Duda não tem tempo nem dinheiro pra praticar yôôôôga, comer produtos naturais, integrais e orgânicos (sempre mais caros), nem colocar botox.

Muito triste a desigualdade social.

domingo, novembro 25, 2007

Minha meinha é rosa, e a sua?


Há uma questão que há muito tempo me incomoda (qual será a vantagem em se ter uma ou duas corcovas? Dããã...). É sério. Vou dividi-la com vocês, assim como muitas questões complexas que atormentam esse corpinho-delícia e essa mente suja e bobagenta: porque os donos de estabelecimentos comerciais não sinalizam de forma clara qual é o banheiro feminino e qual é o masculino? Explico: quanto mais metido a modernete é o estabelecimento, mas confuso são os códigos. Proponho a criação de uma comunidade no orkut: “eu não compreendo as placas de banheiros!” – e a foto seria a Roberta Close.

Tudo começou com uma “sainha” e uma “calça” para fugir dos tradicionais “masculino” e “feminino”. Tudo bem. Mas logo a patrulha do politicamente correto deve ter vindo e dito: “mas porque essa diferenciação por peças de roupa? Mulheres também usam calça e homens também podem usar saia". (Principalmente se você for escocês, padre ou Caetano). Acredito que o mesmo também tenha ocorrido com as cores. O rosa, tradicionalmente associado ao feminino, e o azul, ao masculino devem ter sofrido o mesmo tipo de questionamento. Logo, cores também não podem ser sinal de diferenciação. Então, o que fazer? Arquitetos e decoradores mudernos de plantão resolveram criar. E aí ferrou-se tudo.

Hoje em dia o que você vê são formas que em nada lhe ajudam sobre a identificação do toalete adequeado ao seu sexo. O jeito é apelar para sorte ou esperar alguém sair. Exemplifico: o Espaço Unibanco Artplex de Cinema tem um banheiro feminino que eu só identifiquei depois de muita freqüência e de ter entrado algumas vezes no masculino. Trata-se de um homem de calças e uma mulher de calças. Você só descobre qual é qual ao observar o jeito levemente afeminado da mulher, com o pezinho pra frente. Muito sutil. Mas tenho certeza que em breve alguma associação dos direitos dos homossexuais vai dizer que isso é estereótipo: por que qualificar a mulher com o pezinho à frente, levemente afeminada e o homem com uma pose mais machona, se cada vez mais vemos o oposto – e não necessariamente revelando a opção sexual da pessoa? Aliás, eu apóio. Se não pode sainha e calça, também não pode pezinho na frente e machão.


Outro exemplo: o Kotobuki do Botafogo Praia Shopping. Tudo bem que é um restaurante japonês, mas a indumentária nipônica é confusa para nós, ocidentais, e ineficiente a título de código para "masculino" e "feminino". Homens vestem quimono no Japão. Mulheres também. Homens têm cabelos compridos no Japão. Mulheres também. Homens e mulheres usam pauzinhos nos seus cabelos compridos. Eu sei que são quimonos, cabelos e pauzinhos diferentes, mas as formas são estilizadas, não aparecem os contornos nítidos. E repito, pra maioria dos ocidentais é tudo igual. Resultado: quando vou lá entro no que está aberto. Eu sou obrigada a compreender o que se passava pela cabeça do arquiteto no momento em que ele “criou” essa obra de arte?

E aqueles sinaizinhos que são os códigos pra masculino e feminino? Eu nunca acerto! Tudo bem, confesso que isso é um problema (de retardo) mental meu. Eu tenho que fazer associações fálicas que me remetam ao membro masculino em posição positiva e operante, mas na boa: é difícil. Requer muito das minhas já tão fatigadas sinapses. É duro se você não é um ser muito ligado a códigos e imagens.

Tem lugares que gostam de colocar “bolsa” e “guarda chuva”. O que é uma bobagem, pois mulher também usa guarda chuva. E quando são formas geométricas? Meu deus, quem disse que círculo é mulher e triângulo homem – ou vice versa?

E isso é uma coisa complicada. Imagina você apertado(a) tendo que parar e raciocinar o que o decorador quis dizer com aquele símbolo? Complicado, leitor...muito complicado.

Podemos objetar se o fenômeno em questão é fruto da fluidez das identidades sexuais na pós-modernidade, onde as opções se multiplicam gerando variações maleáveis e infinitas, sujeitas a posições (com trocadilho) transitórias que se expressam na sociedade pós-industrial de avantajada aceleração capitalística contemporânea boba, feia e chata de forma mutante, sendo seus signos, portanto, igualmente transitórios e arbitrários – ainda que Rajagopalan e outros tenham se posicionado contra o postulado saussureano da arbitrariedade. Ou, como diria o povo da minha terra isso é safadeza e sem-vergonhice trazida pela Nídia. A Dona Nídia.

Mas já que é pra ser politicamente correto então eu quero banheiro pra gays, transexuais, travestis, bisexuais, zoossexuais, pansexuais, militantes do PSTU e fãs do Ivan Lins. Afinal, todos merecem respeito e têm direitos iguais mesmo tendo feito suas opções de vida de forma totalmente oposta às nossas.

Então, Bial. Aí eu comentava isso com uma amiga e ela confessou sua confusão também, aliviando o peso que me oprimia o peito, mas achou que podia ser um problema da mesma ordem que afeta uma outra amiga nossa que nunca sabe qual é o pé de sapato correspondente a cada pé. Vejam bem: ela sabe o que é direita e esquerda, dirige (e bem) e sabe fazer contas (coisas que eu não consigo fazer e eu acho que devem ter a ver com algum hemisfério do cérebro cujo meu veio vencido). Mas quando entra em uma sapataria ela não sabe qual sapato é o esquerdo e qual é o direito. Louco, né? Mas ela é uma pessoa normal. Aparentemente.

Aí me lembrei de um amigo meu que pedia “misto quente sem presunto” ao invés de pedir simplesmente um queijo quente. E o que todos esses exemplos tem a ver? Bom, eles, assim como a vida, esse post e a Marília Gabriela, não fazem o menor sentido.

Mas fica aí meu apelo aos donos de estabelecimentos comerciais. Vamos optar pelos tradicionais: “mulher” e “homem”, “masculino” e “feminino”, ou ainda “menino” e “menina” - e até “pipiu” e “perereca”; “bráulio” e “xana”; “garotão” e “perseguida”, que seja. Proponho um símbolo universal, que seja compreendido no mundo todo, por deficientes visuais, inclusive. Um símbolo com apelo auditivo, sensorial e visual que evoque rapidamente a idéia de macho e fêmea, mesmo sob fortes cólicas intestinais.

Outra medida simples é abolir esse negócio de banheiro pra homem e mulher, que eu acho uma bobagem. Bota uma porta só pra área do vaso, mas o resto deixa misturar né, gente? A vida já é tão difícil...

quarta-feira, novembro 21, 2007

Esqueceram de mim


Minha teacher sempre esquece coisas aqui em casa. Já esqueceu o celular, o material dela...é o autêntico caso de só-não-esquece-a-cabeça-porque-está-grudada-no-corpo. Hoje esqueceu da aula. Fantastic! Tudo bem que era aula extra, mas ela anotou na agenda. Eu vi. E o celular tá fora de área.


*


Mandei um e-mail para Orientador. Assunto: “Senhor, por que me abandonaste?” e dentro perguntei: “Você não me ama mais?:o” (ele já captou meu senso de humor pândego e entende as minhas piadas). Ele liga em seguida, o pobrezinho, todo esbaforido, falando que mandou domingo meu capítulo e também mandou o convite pro livro – que não recebi. Isso que dá ter e-mail próprio – ele tem um provedor ou domínio, sei lá, próprio. Falou que ia mandar de novo.


*


Ou seja: todo mundo deu pra me esquecer hoje. Tudo bem.


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Jacaré chegou? Não. Nem o e-mail dele. Vou ter que ligar de novo.


*

Meu orientador é um super popstar do mundo acadêmico. Tava indo pra uma gravação hoje de manhã. Volta e meia aparece na Globonews, no Arquivo N sobre a Rússia, na execução do Sadam... Mas a melhor de todas foi a resposta que eu ouvi ele dando a um jornalista da Veja que ligou pro celular dele, querendo entrevistá-lo: “eu não falo com a imprensa marrom. Se vocês quiserem me pagar pra eu escrever um artigo, tudo bem, desde que ele saia assinado”.


*


Quando eu crescer quero ser que nem ele.


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Sem contar que os e-mails dele são absolutamente hilários. As “observações interessantíssimas” aos meus escritos também. O problema é que ele é tão sarcástico que às vezes ele me sacaneia sem que eu perceba – a não ser um tempo depois. E eu também aprendo sempre palavrinhas novas com os e-mails dele. Preciso de um dicionário pra ler as suas observações. Isso sem contar os termos em inglês, francês, italiano e russo. Quando é em russo eu peço pra sair.


*


E o cara ainda seqüestrou embaixador americano – seqüestro, não; “captura com fins revolucionários”, como diz ele – na época da ditadura e ainda fez treinamento de guerrilha em Cuba, nos anos 70. E ainda jogam pedra nele, acusando-o de ter “traído a causa”. Bom, depois de ter sido torturado barbaramente e exilado de seu país por anos “em nome da revolução socialista” que, até hoje, nunca foi bem sucedida em nenhum lugar do mundo (não me venham com historinhas de Cuba) as pessoas tendem a mudar um pouquinho, vocês não acham? Começam a ver que não é por aí. Triste é quem nem viveu aqueles tempos e ainda acredita piamente em Marx. Aí é fácil. Aí vira um Hugo Tchábez (como diz a Cam Seslaf).


Me impressiona muito que ele, meu orientador, mantenha a lucidez e o bom humor depois de tudo que ele já passou na vida por causa dessa bosta chamada Brasil. Eu teria dado um tiro na cabeça – aliás, muitos ex-militantes se mataram – se eu tivesse passado por tudo que ele passou por causa dessa birosca de país.


Esses dias tive uma discussão com pessoas sobre o conceito de democracia. Tudo bem, não acho que vivamos num estado democrático no capitalismo. Tem direito quem tem dinheiro. Ponto. Mas daí dizer que Cuba ou Venezuela são democracias...


Ninguém vai me convencer que um lugar onde todo mundo tenta fugir seja bom. Ponto.


Ah, os comunistas também são perseguidos nos EUA. Tá. Ninguém tá negando isso. Mas pega a lista de perseguidos – e o grau de perseguição – da China socialista e compara com os EUA (até porque existe menos comunistas do que opositores ao governo Chinês). Pega o número de vítimas de Stálin e Mao. Tá, tem Guantánamo, tem perseguição aos muçulmanos depois do 11 de setembro. Mas ninguém aqui tá dizendo que os EUA sejam a oitava maravilha do mundo nem modelo de democracia. Só não venham em dizer que Cuba e Benessuêla (de novo Cam) sejam democráticas, né? Poupem-me.


Leiam “Trilogia suja de havana”, do Juan Pedro Gutierrez.


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Fecho com Churchil: “A Democracia é a pior forma de governo, fora todos os outros”.


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Eu acredito demais na maldade humana pra crer que algum governo será algum dia justo. O fato é: se tem humano incluído logo alguém vai querer lucrar e vai restringir esse lucro a uma minoria. Pelo menos assim tem sido há uns 2.000 anos, mais ou menos. Claro que as coisas podem mudar. Sempre podem. Mas daí dar o meu corpinho em nome de uma causa...

Enfim, Bial.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Pensamentos de uma segunda feira


Eu só queria um mordomo e uma governanta. Um mordomo inglês e uma governanta alemã. Um mordomo inglês que citasse Shakespeare no original e uma governanta que citasse Goethe no original. Ele se chamaria William McDougal (seu avô era escocês) e ela Bertha von Schlüter. Fräulein Bertha. Ele, magro e alto. Ela, corpulenta, sólida, de profundos olhos azuis e coque branco impecável.

Eles cuidariam de mim e de todos os aspectos da minha vida prática para os quais eu não tenho a menor competência. Saberiam a minha senha do banco, pagariam minhas contas em dia, não deixariam que eu entrasse no cheque especial, me avisariam com antecedência quando a comida está acabando, quando o papel higiênico está acabando, quando o café está acabando, quando o filtro de papel está acabando, quando é o aniversário de Fulano de Tal, para quem eu deveria ligar, comprar presente, etc.

Bertha entraria furtivamente e pontualmente as sete da manhã no meu quarto, abriria as cortinas e colocaria meu café – preto – sobre a mesa de cabeceira, junto a um exemplar do The Times. Sem dar palavra, pois sabe que eu odeio falar de manhã. Mas caso eu passasse de quinze minutos ela entraria no meu quarto e me arrancaria da cama à força, nem que tivesse que puxar os lençois e me derrubar no chão - não espalhem, mas reza a lenda que Bertha teria sido da Juventude Hitlerista.

Eles teriam todas as minhas senhas. Até a do blog. Entrariam em meu e-mail e responderiam. Seriam um misto de babá e secretários particulares. Além de amigos e mais confiáveis até do que eu mesma.

Eles gravariam minhas séries prediletas na TV. William torceria um pouco o nariz para esses produtos da cultura de massa, mas Bertha talvez simpatizasse com Desperate Housewives e, embora negasse veementemente, chorasse com Sex and the City.

Eles organizariam meus livros, meus textos, meus armários.

Betha teria algumas inclinações pelo idealismo alemão enquanto William seria um herdeiro da tradição empirista inglesa. Os dois travariam animados embates filosóficos enquanto eu apenas observaria e sorveria suas aulas.


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Enquanto isso, Herbie, meu amiguinho que me chama pra brincar com freqüência quando o trabalho está demais, vê desenho animado molhando o pão com manteiga e açúcar no Toddy quente. Já falei que se ele entornar não come batata frita no almoço.


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Chuva, enfim.

terça-feira, outubro 30, 2007

O pior cego é aquele que não quer ver


No aniversário do Lula, dia 27, sábado, alguns militantes apareceram mostrando os três dedos. Era uma referência a um suposto terceiro mandado.

Eu juro – isso não é ironia – que eu achei que era um gesto de solidariedade para com o defeito da mão do presidente, que falta um dedo. Por que eu penso essas coisas?

Sei lá, tô pra falar isso desde sábado.

quarta-feira, outubro 24, 2007


Notaram que a pessoa hoje ta um pouco dispersa, né? Escrevendo sobre a chuva, vendo vídeos de bandas argentinas...

Mas vamos lá. A tarde será muito melhor.

terça-feira, outubro 09, 2007

Meus amigos

E eu só tenho amigos gente grande. Desses que tem empregos, salários, carros, imóveis e coisas estáveis de gente grande. Daí eles ficaram chocados de saber que eu não sabia o que significava uma sigla lá – sei lá, já até esqueci – de segurança de trabalho. E outra de equipamentos de segurança de trabalho. Aí Fló disse que meu equipamento de segurança de trabalho é uma havaiana e uma xícara de café. Gostei. Uma havaiana e uma xícara de café.

O mais perto que eu tive de um emprego normal foi quando eu dei aulas na Esculacho de Sá. Lá se fosse pra eu usar um equipamento de segurança seria um colete a prova de balas e uma AR-15, pra me defender dos pitboys.

Quando eu crescer e terminar o doutorado e não tiver passado pra concurso nenhum eu vou morar na casa dos meus amigos. Podem ir se organizando pra rolar um rodízio. Posso pagar em textos?

sexta-feira, outubro 05, 2007

Perdeu, preiboi


Não sou pessoa das mais supersticiosas, mas às vezes, tem coisas que não são pra ser mesmo. Quando você faz tudo certo, tudo que estava ao seu alcance e mesmo assim os anjos, os demônios, o Destino, o Acaso ou sei lá o que mais diz “não” só cabe pensar que talvez não fosse mesmo o momento pra ser.

Paciência. Outras chances virão.

terça-feira, outubro 02, 2007


Você acha que sabe inglês. Pelo menos num nível básico. Você acha que sabe sobre a sua tese. Pelo menos num nível básico. Aí você tenta escrever alguma coisa da sua tese em inglês. E todas as palavras que em português tinham um sentido – indicado, apreendido – você descobre que em inglês...bom, elas até tem o mesmo sentido, mas não na frase que você quer usar. As palavras te enganam. So, you’re so screwed.


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E a Britney, hein? Perdeu a guarda dos moleques. Uma parte de mim tem pena da Britney. Outra, a pior, adora ouvir essas notícias. Tipo assim, não dá pra se ter tudo, né? A pessoa já é rica, já é adorada no mundo todo (odiada também), logo é bom vê-la fazendo merda. Adoro celebridades que fazem merda, tipo ela, a Amy Winehouse a Lindsay Lohan, o príncipe Harry, a filha do Bush (gente, quer coisa melhor do que ver a filha do Bush caída de bêbada? Pena que agora parece que ela sossegou, até lançou livro). Agora, deprê é ver a Angelina Jolie. Linda, maravilhosa, gostosa, casada com o Brad Pitt e ainda por cima adota criancinhas aidéticas?!! Ah, pára. Pelo menos mau hálito ela tem que ter – tudo bem que pairam histórias bizarras dela envolvendo sexo com o irmão, auto-mutilação e drogas...espero sinceramente que elas sejam todas verdadeiras.

Enfim, eu sou ruim. Não se enganem comigo. No fundo, no fundo eu sou uma pessoa bem ruim.


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Minha professora de inglês finalmente devolveu meu “Tropa de Elite”. Disse que teve que ver duas vezes pra entender – deve ser meio complicado mesmo entender “senta o dedo nessa porra”.

Diz ela que aprende muito português comigo. Então vou parar de pagar aula.

O que ela mais adora são as expressões. Esses dias ficou uns 5 minutos rindo quando ouviu: “o rei da cocada preta”. Ha ha ha...The king of black cocada. Ha ha.

Que coisa.

Aliás, é cocada preta ou branca? Espero não ter ensinado errado.


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Ai, ai.


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E hoje é aniversário da minha amiga Daniele. Parabéns, Dani! Já liguei pra ela. E escrevi um texto ano passado. Não, esse ano não tem texto.

E sábado vamos comemorar! (daquelas que entrega a amiga em público...). Já comprei até meu pesentinho...é simples, mas de coração. Pobre, mas limpinho.


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Quanto mais as coisas piorarem por aqui, mais vocês vão ouvir informações desnecessárias e aleatórias. O que está piorando? As coisas estão ficando apertadas. Not in a good way. E quanto mais isso acontece, mais necessidade de falar bullshit eu tenho.

E minha professora de inglês, que aliás faz aniversário amanhã – pertinho da minha amiga Dani - perguntou se eu estava bem, pois you seems a little down. Puxa, logo hoje que eu tô com uma carinha melhor?


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Eu acabei de ver a segunda temporada de The Office. Há muito tempo eu não dava gargalhadas tão altas vendo um programa de TV. Cara, é engraçado demais aquele humor negro dos britânicos. Alguém disse num dos comentários que passa em algum canal. Mas eu descobri que é a versão americana. Eu fico até curiosa pra ver. Porque o engraçado é justamente o humor britânico. Aquela coisa tão absurdamente patética e triste que fica hilária.

Chato ficar falando de uma coisa que ninguém viu, né? Eu acho super chato. Mas é engraçado demais! Eu não consigo me controlar. Vocês não estão entendendo. Eu queria muito que vocês vissem pra gente poder debater por aqui. Quem sabe vocês compram pela internet?

Pior é que eu acho que acabou. Porque o David, o chefe, foi demitido e a Dawn vai embora pros States. Aliás o final é bem triste. (daquelas que conta o final da série, né?).


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Ai, ai. Então tá. Tô ficando de saco cheio desses posts em que eu falo, falo e não falo nada. Ou não. Whatever.


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Agora é sério. Não volto – e nem responderei comentários – antes de 15 comentários. Chega.