Mostrando postagens com marcador Querido diário. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Querido diário. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, abril 24, 2008

Rejunta no dos outros é refresco!


Os peritos em hidráulica da região se reuniram em volta do meu banheiro para chegar a brilhante conclusão que é um “pobrema de rejunta dos azulejos do box” (rejunta tudo e joga fora! Dããã). Vão descer, comprar cimento branco e colocar entre os azulejos (escutei o som das gargalhadas da CRIMAMEB pelo encanamento, mas só eu consigo ouvi-las!!!). Eu e meu amigo da portaria achamos que isso vai dar merda, que o problema não é esse, mas...quem somos nós diante de mestres na arte de investigar canos, não é verdade?

Já tive minha discussãozinha básica com o Seu Manoel de hoje – quase rotina, agora. Ele chegou aqui com a amante/empregada Maria e com a simpaticíssima proprietária do apartamento debaixo ao dele – só não consegui estabelecer se o semblante risonho dela era sarcasmo, perplexidade frente ao caos que se estabeleceu no apartamento dela (que ameaça pôr seu Manoel na justiça) ou efeito colateral do botox.

Eu caí na besteira de dar o telefone da minha proprietária pro seu Manoel, ao invés de dar o da imobiliária. Ele ligou pra ela pra combinar de vir aqui. Ela, evidentemente como pessoa minimamente sensata, disse: “combina com a Carrie”. Combinar de vir aqui. Né? Uma vez que eu moro aqui, tem que combinar comigo. Pela razão óbvia de que sou eu que abro a porta. Aí ele tá achando que sou eu que vou pagar pelo serviço – caso o vazamento venha daqui. Não só pagar a obra aqui como a dele, no andar debaixo. E não adianta tentar explicar isso pra ele. O portuga é burro. Não sei porque cargas d’água ele achou que a proprietária fosse minha mãe! – diz ele que os porteiros disseram. O apartamento está no nome da minha mãe, que é a inquilina, assim como eu – que sou a inquilina-formiga. Qualquer despesa, quem vai pagar é a proprietária. Eu sou apenas uma moradora. Se eu quiser amanhã eu saio para comprar cigarros e nunca mais volto. O apartamento não só não é meu como sequer está em meu nome.

A simpaticíssima figura do andar a baixo do seu Manoel está ameaçando colocá-lo na justiça, pois ele não resolve o problema do vazamento dela (entenderam a complexa trama de encanamentos vazando? De algum lugar que eles ainda não sabem está vazando pro apartamento em baixo ao meu, de propriedade do seu Manoel, que está vazando pro apartamento em baixo ao dele). A rigor, eu não tenho nada a ver com isso – a não ser que se descubra, de fato, que o vazamento é daqui.

Detalhe é que ninguém suporta mais o seu Manoel. Depois de ouvir o síndico falando mal dele, o bombeiro chegou aqui, pela segunda vez, conversando com o outro “...e ele não pára de me encher o saco!”. Aí perguntei: “seu Manoel não veio, não?”. O bombeiro: “não, eu falei pra ele ficar lá embaixo”. Não agüentei: “ah, graças a Deus!”. O bombeiro: “Ah, é...ele fala demais, pelamordedeus”.

Laços de solidariedade entre mim e o bombeiro foram estabelecidos contra o tirano Seu Manoel. Gosto disso. De me entender com quem realmente faz o trabalho sujo. Como diria meu orientador: trate os mais simples com excessivo respeito e educação e os mais poderosos com um leve desdém.


Cinco minutos depois...


- Pééémmm (barulho da minha campainha)


Eu e o bombeiro nos entreolhamos. Pânico.

- Oi, é o seu Manoel! – brandiu a voz do outro lado da porta (jura?! E eu que pensei que pudesse ser o gnomo do esgoto!).


Abri a porta com uma cara de poucos amigos.


- Prometo que eu não falo nada – disse seu Manoel. Tive que segurar o riso. Ele parecia um menino de 5 anos querendo ver o pai arrumar o carro. Detalhe: um pouco antes, quando ele veio da primeira vez, ele me perguntou: “porque a proprietária do seu apartamento não vêm ver o vazamento?”. “Porque ela tem mais o que fazer” – não resisti. Ele quase não se emputeceu. Sim, eu não sou fácil.


Ficou em pé no banheiro – eu que não vou oferecer uma cadeira, né? É perigoso ele se mudar pra cá se eu disser pra ele ficar à vontade. Enquanto isso, fiquei estudando na sala. Não deu nem dez minutos, vem o Seu Manoel:

- Tão quase descobrindo...

Olhei bem séria pra ele – e quem me conhece sabe o quão assustadora pode ser a minha cara nesses momentos – e tornei a baixar os olhos pros livros. Ele pronunciou mais umas duas palavras que foram morrendo e desaguaram num “desculpe” amuado. Voltou lá pra dentro. Um rápido lampejo de simancol.

Agora estou eu aqui, acreditando que o “pobrema é de rejunta”, o bombeiro foi pegar cimento e as ferramentas dele, mas disse que eu não vou poder usar o box hoje. Aproveitei e tomei um banho nesse meio tempo, porque, como diz o outro bombeiro: “já tá chovendo, deixa chover”.

Meu dia todo transtornado, não vou poder correr porque não posso tomar banho, tive que remarcar compromissos para outros horários pra ter a quase certeza de que não vai adiantar nada. E ainda por cima eu tenho que lidar com um português semi-esclerosado e sua amante-golpista-semi-analfabeta-que-se-acha.

E é imbuída desse espírito zen que eu me despeço. Que se fodam todos. Quer quebrar, quebra. Quer cortar a água, corta. Fudida por um, fudida por mil.
Só posso, a qualquer momento, sair para comprar cigarros e nunca mais voltar. Aí eu quero ver arrumarem o vazamento.

quarta-feira, abril 23, 2008

Bléééé


Querido diário,

Estou na seca. Literalmente. Não posso usar a água do meu apartamento. Faz parte de um dos fantásticos testes que o bombeiro está fazendo pra ver de onde vem o vazamento. Mas, independente do que seja, ele disse que precisa sair quebrando tudo. Que, evidentemente, pode não ser daqui. Pode ser da coluna do prédio. Pode ser no andar de cima. Do lado (sim, águas vêm de direções estranhas às vezes). Mas, melhor quebrar tudo primeiro, né? Eu também queria sair quebrando tudo, independente de onde é o problema. Fácil a vida assim, né?

Ontem eu briguei com o seu Manoel. Como se não bastasse seu sotaque português insuportável (perdão amiguinhos d’além mar) e incompreensível, sua arrogância, prepotência, seu Rexona Mega Power Ultra Sensation às oito da matina, a sua constante presença junto ao bombeiro (só pra ficar na minha casa enchendo o saco), sua “secretária” (mil dedinhos de aspas), Maria (tão mala quanto ele) ele queria fechar minha água por 48 horas. E eu que me virasse. Que pedisse ajuda pra um vizinho – eu sequer sei o nome dos meus vizinhos de andar.

Se ele aparecer asfixiado e jogado por uma janela com a tela cortada eu serei a principal suspeita. Meus vizinhos todos ouviram a discussão.

Eu odeio o seu Manoel, Diário. Diz ele que paga tudo caso não seja daqui. Você acredita, Diário?

Odeio prédios. Odeio vida em comunidade. Odeio pessoas em geral.


Society, you’re crazy breed.


***


Só faltava
essa para o nosso maravilhoso estado. Antes a gente ainda podia contar aquela piadinha que Deus falou que ia privilegiar o Brasil com uma vegetação, solo, clima, mas “o povinho...hum...”. Agora nem isso.


***


O diálogo não resolve tudo. Aliás, resolve pouquíssima coisa. Ou melhor: não resolve nada. Por isso eu evito pessoas. Pessoas não mudam mediante argumentação. Pessoas só mudam mediante suas próprias dores e a constatação de que essas dores provêm de um jeito “equivocado” de ser (ou não ser) e que a mudança não garante nada – mas é o primeiro e talvez único passo. Eu não estou na vida pra doutrinar ninguém e fazer com que as pessoas enxerguem ou vejam o que quer que seja.

As pessoas são burras e estúpidas e idiotas e mesquinhas. Em geral é isso. Não é nada pessoal. E isso não é problema meu.

Dito isso, devo acrescentar que estou de saco cheio. Dizem que a idade nos deixa mais tolerantes. Esperarei ansiosamente por tal mudança.


***


Emagreci 10 quilos desde o dia primeiro de janeiro. Faltam 10. A estrada é longa, não é em linha reta, há alguns obstáculos pelo caminho, mas estamos confiantes. Se lembram quando eu disse que quando emagrecesse 10 quilos eu falaria quanto eu estava pesando? Pois é. Eu menti.

Estou correndo 4 km. Corro 2, ando um pouco, depois mais 2. Hoje corri 3/1. Nunca consegui correr assim em toda a minha vida. Nem com 15 anos. São Silvestre ano que vem?


***

Adoro. Tô gostando, mas acho que vai degringolar. Cada vez melhor. Vendo e amando (quando não reprisam pela milésima vez). Odiando. É esse tipo de pensamento que fode com a catigoria. Na boa: não é toda mulher que é mala que nem a Marin, não. Sei lá. De saco cheio dessa temática sexandthecitiana. Tudo a mulher tem que pensar 300 mil vezes se deve ou não fazer! Ah, não!
***



Boa noite, Diário. Vou dormir. Tô chata demais pra me agüentar por mais tempo.

segunda-feira, março 17, 2008

Eu e o balconista


Nesses tempos sem internet em casa eu tenho ido a uma Lan House bem baratinha, perto da minha casa. O dono parece um personagem do Nick Hornby ou do Kevin Smith. Pra quem não está familiarizado com o autor de livros que viraram filmes como Alta Fidelidade e o diretor de O balconista e Procura-se Amy, explico. Trata-se de jovens – ou não tão jovens assim – que possuem interesse em música ou áreas afins e que tem um subemprego que, de certa forma, os colocam em contato com a área pretendida, sem contudo, representar algo concreto em suas vidas. Esse Fulano: cabeludo, toca em uma banda e puxa papo com todas as pessoas. Se você pergunta que dia é hoje ele te responde com “hoje é dia do show da banda [nome estranho de uma banda obscura que eu nunca ouvi falar]. Eles vão tocar durante duas horas e meia!!”. Se mete nas conversas das pessoas...uma coisa.

Dia desses foi uma garota gravar umas músicas, ao que parece, em um CD. Aí ele manda:

- Essas músicas são inéditas?

- São.

- De quem são? - insiste.

- Eu tenho uma banda – diz a menina, meio de má vontade.

- Sério?!!! - responde o cara - Tocam o quê?

- Ah...responde a menina, mais de má vontade ainda, porém com um certo orgulho...rock. Ao que ele completa:

- Alternativo? Sixties? Urbano? – e mais meia dúzia de denominações que eu não me lembro e que pra mim são todas sinônimos. E a menina:

- É, é...

- E vocês estão fazendo shows? - quanta empolgação...

- Temos um show marcado em São Paulo.

- Que legal!!! Vibra o cara, como se fosse um show dele.



Daqui a pouco chega um Sicrano querendo passar uma mensagem pra um celular de uma garota por algum site de empresa de celular. Parece que era alguma oportunidade de emprego, que o cara precisava avisar a garota urgente, mas estava sem crédito no celular. O mesmo atendente, que parecia já conhecer o cara, dispara:

- Passa do meu celular! Depois quando você for um ator famoso eu posso dizer que você já passou uma mensagem do meu celular!

(E...?? Pensava eu, do meu posto de observação).

Aí eles acharam por bem mandar um torpedo mandado a garota checar seus e-mails.

- Vê se tá bom assim – dizia o atendente empolgado. “Oi, linda. Olhe o seu e-mail. Estou passando uma mensagem do celular do meu amigo Fulano. Bjs. Sicrano”.

- Tá, tá ótimo – disse o sicrano.
.

E eu lá, checando meus e-mails enquanto o resto da lan inteira olhava o orkut.

De repente eu olho pro desktop do computador onde eu estava e acho um arquivo com o nome de uma amiga minha. Um nome não muito comum. E essa minha amiga mora exatamente em frente a essa Lan. Abro o documento. Trata-se, simplesmente, de um acordo de trabalho entre ela e uma famosa produtora de filmes (sim, ela é atriz), com todos os dados pessoais dela, como CPF, RG...Sabedora da lerdeza e atolamento dessa minha amiga, apenas arrastei o referido documento para a lixeira e esvaziei-a. Se ela deixa os documentos abertos, imagina as senhas. Limpei todo o histórico de visitas e informações pessoais do computador.

Pedi pro Fulano escanear uma coisa pra mim. Quando ele termina, me pede o meu e-mail, pra me mandar a imagem. Chega o e-mail do cara, com o celular e o msn, o qual era composto de fulanodepressivebluesguy. (Nisso a Lan inteira tinha ouvido o meu e-mail).

Ou seja: a Lan é um antro de aspiras. Aspirantes a atores, músicos e escritores. Só espero que ele não descubra o meu blog...

terça-feira, dezembro 11, 2007

Notícias da província II


“— Você sabe o que que eu quero ser? — perguntei a ela. — Sabe o que eu queria ser? Se pudesse fazer a merda da escolha?
— O quê? Pára de dizer nome feio.
— Você conhece aquela cantiga: ‘‘Se alguém agarra alguém atravessando o campo de centeio’’? Eu queria...
— A cantiga é ‘‘Se alguém encontra alguém atravessando o campo de centeio’’! — ela disse. — É dum poema do Robert Burns. (...)
— Seja lá como for, fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa num baita campo de centeio e tudo. Milhares de garotinhos, e ninguém por perto — quer dizer, ninguém grande — a não ser eu. E eu fico na beirada de um precipício maluco. Sabe o que que eu tenho de fazer? Tenho de agarrar todo mundo que vai cair no abismo. Quer dizer, se um deles começar a correr sem olhar onde está indo, eu tenho que aparecer de algum canto e agarrar o garoto. Só isso que eu ia fazer o dia todo. Ia ser só o apanhador no campo de centeio e tudo”.



("O apanhador no campo de centeio", J.D. Salinger)






Eu ainda estou no Condado de Gotham - também conhecido como Triângulo das Bermudas - porque aqui eu ascendo na escala social. Aqui eu tenho ar condicionado, carro, comida na mesa e gasto zero. Passo de proletariado à pequena burguesia, sem ter enfrentado a luta de classes.


***


Mas o calor queniano é forte. Tão forte quanto o Rio. As pessoas acham que aqui é muito mais ou muito menos quente que o Rio, mas no fundo é igual. Pois, apesar de ser, teoricamente (pela altitude) mais fresco, tem a CS que faz aumentar o calor. Então dá na mesma. A única diferença é que aqui minha casa é grande, no alto, e tem ar condicionado.


***


Hoje fui com Formiga Mãe comprar Papais Noéis que dançam, cantam e fazem gracinhas, numa espécie de Casa & Vídeo local. Formiga Mãe encontra conhecidos de 5 em 5 metros e eu me sinto como quando era criança e saía com ela e tinha que ficar cutucando-a: mããããe, vãobooooora!


***


Mas é impressionante como as coisas são baratas no Condado de Gotham. Tudo, tudo, tudo, tudo é quase a metade do preço – e com a mesma qualidade e às vezes até melhor. Essa é a grande vantagem das cidades de médio porte. Todos os serviços são mais baratos e você gasta, no máximo 30 minutos do ponto mais distante da cidade até outro ponto distante. Formiga Irmã gasta 10 minutos de carro até o trabalho. Há trânsito, mas bem menor. Tudo é mais fácil.

Há as redes de influência, como em qualquer cidade do interior.

Mas, há menos opções, claro. Tipo: existem as grandes lojas. Mas se você quer alguma coisa mais personalizada, se você quer uma feira de moda alternativa, um brechó, uma coisa diferente, não acha. Só grandes marcas ou locais – que copiam as grandes. Basicamente, há menos lugar para as diferenças – e os diferentes. Há menos opções de vida.


***


Aliás, eu acho esse o pior ponto nas cidades de interior – e aí falo das cidades relamente pequenas, tipo Pasárgada, que tem 15 mil habitantes (Gotham tem 300 mil). Os papéis sociais são mais delimitados – e isso aumenta conforme a cidade diminui. Ou você é uma coisa ou outra: ou você é “a bicha”, ou “o sapatão”, ou “o doutor”, ou “a solteirona” (notem que o “ona” é que traz prejuízo), ou “o maconheiro”, ou “a alcoólatra”, ou “a piranha”...quer dizer: você não pode ser bicha e médico, se não as pessoas não vão entender, vão ficar confusas, não vão decodificar o que você é de fato e provavelmente não vão se consultar com você. Não dá pra ser simplesmente solteira; você será sempre solteirona e isso traz toda uma carga. Você não pode ser solteirona e piranha. Não pode. Não pode ser maconheiro e professor. As pessoas têm papéis rígidos e estabelecidos. Se você dá a “sorte” de fazer parte de identidades que estão dentro do parâmetro do considerado “normalidade” e permanecer assim durante toda a sua vida, ótimo pra você. Mas se, de alguma forma, você quebra isso - ou a vida se encarrega de quebrar - você receberá um rótulo e terá que agir conforme.

Nas cidades grandes ninguém sabe da sua vida. Você pode desempenhar múltiplos papéis. Além disso, justamente pelo trânsito de pessoas de vários lugares, é mais fácil aceitar o outro, o diferente. Claro que só isso não é sinônimo de felicidade. Se fosse, as metrópolis só teriam pessoas felizes. A vida é mais complexa que isso.

Como diria minha sábia avó materna, que a vida toda morou em cidade do interior: “em cidade pequena tudo é pequeno, até a cabeça das pessoas”. Isso é o pior da cidade pequena. Claro que não são todas as pessoas assim. Estou generalizando um comportamento. Há exceções, lógico, mas que só comprovam a regra.

Por isso eu acho meio estranho quem vai pro interior pra “fugir da violência”. Quem diz isso, nunca morou no interior. Morreremos todos “de susto, bala ou vício”. No interior se morre de tédio. Ou de opressão. De não conseguir ser o que se é.


***


Sim, há cinemas em Gotham. Três – sendo um deste no shopping, portanto abriga várias salas. Há teatros que passam peças locais e às vezes peças e shows que fazem sucesso no Rio – mas só coisas muito mainstream, nada que não seja com o ator da novela das oito.

Fora isso há bares e restaurantes. Se você passou dos 25 anos essa é a melhor opção – mas saiba que só vai encontrar casais, a maioria composto de pais dos seus amigos ou amigos casados. Quem é solteiro, tem mais de 25 anos e mora em Gotham ou não sai de casa ou viaja final de semana – ou vai pra bares e restaurantes onde só existem casais. Não há vida noturna interessante para um adulto solteiro. Há boates para os mais jovens.

Há uma boa livraria.

Quando venho final de semana pra cá costumo sair com amigos de Formiga Mãe, na faixa de 70 anos. Um agito só. Estamos organizando um sarau pro ano que vem, com música, poesia e canto. Cada um vai ficar responsável por uma atividade. Eu vou ler textos meus.

Ah, tem também o Clube dos Funcionários, um clube bem legal com piscinas (onde o Tiago treinava), quadras e uma extensa área verde. Eu ia muito na minha adolescência. Jogava basquete, vôlei...

Aliás, Gotham é uma cidade muito bonitinha. Arborizada. As pessoas acham que é só aço o que existe por aqui. Não é não.

Gotham é uma ótima cidade. E se você não mora nela, é ainda melhor.

Respondi sua pergunta, Clara? ;)


***


Me declarei de férias até dia 7 de janeiro. Consegui adiar a qualificação pra março, que na verdade era meu prazo mesmo. Tava fazendo antes pra aproveitar o Coach aqui e também porque eu ia viajar. Minha viagem não rolou, a tese atrasou e conseguimos uma substituta que irá representá-lo na banca. Ainda preciso ir ao Rio conhecê-la ao vivo (apesar dela ser famosa), na quinta, resolver algumas pendências, ir numa comemoração, também na quinta, de algumas pessoas da uff, ir na festa da Fló num barco pela baía da Guanabara no sábado e pronto. Volto a Gotham City para os festejos natalinos.

Sim, meu Natal é muito legal! Vêm primos e tios queridos e festejamos. E esse ano serão quatro dias de festa, já que o Natal cai de segunda pra terça.


***

Minha mentalidade paranóica diz que o barco vai afundar, que não haverá coletes salva-vidas pra todos e que as pessoas estarão bêbadas e vão morrer afogadas mais rápido. Mas minha mentalidade megalomaníaca-delirante diz que eu sempre sobreviveria em desastres. É bom ser o Pink e o Cérebro ao mesmo tempo. Eu sou a Rose e não o Jack.


***


Ano Novo: chaaaato. Fico péssima de branco. Ainda mais gorda do jeito que eu tô. Fico que nem uma mãe de santo. Que nem a Clara Nunes. Muita função: cores, regras, comidas...aboli isso da minha vida. E a pressão é tanta, “pra onde você vai, pra onde você vai?”. Não fode, vai...

Pra onde eu vou? Ainda não sei. Acho que fico no Rio. Aceito convites que não despendam muita energia (porque energia gera calor e tudo que eu não quero é calor).


***


Algum dia eu sei que eu terei que trabalhar como as pessoas normais. Eu já trabalhei como as pessoas normais. Mas enquanto eu puder adiar isso, eu vou adiar. Eu só queria ser o apanhador no campo de centeio. Ficar a beira do abismo, segurando as crianças quando elas estivessem pra cair. Ainda que, por vezes, eu também seja uma delas.

domingo, dezembro 09, 2007

Notícias da província


Como eu disse a vocês estou aqui em Gotham City, né? De vez em quando tenho que vir aqui combater o crime, senão o Curinga fica se achando.

Interior é uma merda (mas só eu posso falar isso das minhas cidades: Gotham City e Pasárgada, quem falar mal na minha frente toma porrada. Eu também falo mal do Rio, mas dele podem falar mal, porque tem muita gente pra defender).

A Vanessa Giácomo, atriz da novela das oito (amiga da Marjorie Estiano e filha da Toitia Meireles) assim como o Tiago Pereira campeão de natação, também é de Gotham City. Eis que, estou eu, adentrando domínios gothanianos, e me deparo com outdoors e mais outdoors com ela, fazendo propaganda para a prefeitura, junto a enormes Papais Noéis infláveis (quando perguntei à Formiga Irmã se ninguém estourava o saco do papai noel – literalmente – ela me respondeu “não, nós somos educados aqui”).

Ligo a TV e lá está ela fazendo propaganda para uma ótica local.

Fiquei pensando nela, em uma plena quarta feira, falando: “Daniel [de Oliveira, também ator, marido e pai do filho que ela espera], vamo lá em casa almoçar com o meu pessoal e aí eu aproveito e faturo um troco que vai dar pra gente montar o quarto do bebê”. Daniel de Oliveira bota seu tênis, abastece o carro e pega a Dutra rumo ao Condado de Gotham. Param no Belvedere pra comer um pastel napolitano e um caldo de cana, pois ela teve desejos.


*


O que esse artistas não fazem por um din-din, não é minha gente? Tudo bem, a Vanessa é daqui, nem acho tão estranho – apenas engraçado. Mas me choquei ao ler uma bobagem de uma matéria no caderno Ela de semana passada falando sobre ser cool e que a Fernanda Torres seria “cool, formadora de opinião, uma alfa”. Peraê. Deixa eu me situar. A Fernanda Torres? Aquela que faz propaganda do Banco Santander e é assim ó com a Fernanda Young? Hãn hãn.

Por isso eu admiro a Letícia Sabatella. Ela, além de bonita e boa atriz, não faz propagandas. Seja de sabonete, banco ou shopping. Por... como é que chama mesmo? Ah! Por princípios. Ela diz que não acha certo associar a imagem dela a qualquer tipo de produto. As únicas aparições dela são em campanhas sociais, de informação à população. Mas ela não é cool. Não aparece na Caras, na Quem Acontece, na Flash e na Contigo, revelando que tem síndrome do pânico ou que fulano é o amor da sua vida. Ela não pertence às panelinhas cools.

E o problema de ser cool(zão) é que no momento em que você passa a ser, já não é, porque cool implica em ser low profile. É o mesmo paradoxo das vanguardas artísticas de todo o século XX – e de todos os subestilos de comportamento como o punk, o hippie, o muderno: no momento em que você é, o sistema te absorve e você já não mais é.

Por isso minha filosofia de vida punk inclui usar roupa da Leader e fazer eu mesma minha unha de vermelho e cortar meu cabelo (antes da desgraça de quinta). Porque punk de Cavalera e Alexandre Herchcovitch é fácil.


*

E por falar no Tiago, soube que ele foi a uma chopada da faculdade de medicina de Gotham. Todo mundo achou ele um chato, porque ele não bebeu nada e ficou na dele o tempo todo. Claro, né? Ele é um campeão de natação. Vai encher a cara, acordar do lado de uma baranga que ele nem conhece e ficar de ressaca e não treinar no dia seguinte? Não, né? Certas opções na vida são radicais. Formiga Irmã, que deu aula pra ele, conta que ele não tomava nem refrigerante quando era pequeno porque já competia e sabia que isso não fazia bem. Certas pessoas sabem muito cedo na vida o que querem. O resto de nós fica por aí, enchendo a cara e acordando com estranhos.

E vocês sabem por que ele começou a fazer natação? Porque ele caiu numa piscina, quando ainda era muito pequeno, e quase se afogou. No dia seguinte a mãe dele o matriculou na natação.

Sucesso ou fracasso é a sua atitude diante dos fatos. Ih, tô parecendo propaganda do Santander.

Aliás, ele bateu o recorde há pouco tempo, mas foi de piscina de 25m. A de 50m continua sendo do Phelps. Aliás, todo o problema continua sendo o Phelps. Há sempre uns Michaels Phelps na vida. Ai, ai.


*


Mas que Gotham City é um lugar estranho, isso é.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Esqueceram de mim


Minha teacher sempre esquece coisas aqui em casa. Já esqueceu o celular, o material dela...é o autêntico caso de só-não-esquece-a-cabeça-porque-está-grudada-no-corpo. Hoje esqueceu da aula. Fantastic! Tudo bem que era aula extra, mas ela anotou na agenda. Eu vi. E o celular tá fora de área.


*


Mandei um e-mail para Orientador. Assunto: “Senhor, por que me abandonaste?” e dentro perguntei: “Você não me ama mais?:o” (ele já captou meu senso de humor pândego e entende as minhas piadas). Ele liga em seguida, o pobrezinho, todo esbaforido, falando que mandou domingo meu capítulo e também mandou o convite pro livro – que não recebi. Isso que dá ter e-mail próprio – ele tem um provedor ou domínio, sei lá, próprio. Falou que ia mandar de novo.


*


Ou seja: todo mundo deu pra me esquecer hoje. Tudo bem.


*


Jacaré chegou? Não. Nem o e-mail dele. Vou ter que ligar de novo.


*

Meu orientador é um super popstar do mundo acadêmico. Tava indo pra uma gravação hoje de manhã. Volta e meia aparece na Globonews, no Arquivo N sobre a Rússia, na execução do Sadam... Mas a melhor de todas foi a resposta que eu ouvi ele dando a um jornalista da Veja que ligou pro celular dele, querendo entrevistá-lo: “eu não falo com a imprensa marrom. Se vocês quiserem me pagar pra eu escrever um artigo, tudo bem, desde que ele saia assinado”.


*


Quando eu crescer quero ser que nem ele.


*

Sem contar que os e-mails dele são absolutamente hilários. As “observações interessantíssimas” aos meus escritos também. O problema é que ele é tão sarcástico que às vezes ele me sacaneia sem que eu perceba – a não ser um tempo depois. E eu também aprendo sempre palavrinhas novas com os e-mails dele. Preciso de um dicionário pra ler as suas observações. Isso sem contar os termos em inglês, francês, italiano e russo. Quando é em russo eu peço pra sair.


*


E o cara ainda seqüestrou embaixador americano – seqüestro, não; “captura com fins revolucionários”, como diz ele – na época da ditadura e ainda fez treinamento de guerrilha em Cuba, nos anos 70. E ainda jogam pedra nele, acusando-o de ter “traído a causa”. Bom, depois de ter sido torturado barbaramente e exilado de seu país por anos “em nome da revolução socialista” que, até hoje, nunca foi bem sucedida em nenhum lugar do mundo (não me venham com historinhas de Cuba) as pessoas tendem a mudar um pouquinho, vocês não acham? Começam a ver que não é por aí. Triste é quem nem viveu aqueles tempos e ainda acredita piamente em Marx. Aí é fácil. Aí vira um Hugo Tchábez (como diz a Cam Seslaf).


Me impressiona muito que ele, meu orientador, mantenha a lucidez e o bom humor depois de tudo que ele já passou na vida por causa dessa bosta chamada Brasil. Eu teria dado um tiro na cabeça – aliás, muitos ex-militantes se mataram – se eu tivesse passado por tudo que ele passou por causa dessa birosca de país.


Esses dias tive uma discussão com pessoas sobre o conceito de democracia. Tudo bem, não acho que vivamos num estado democrático no capitalismo. Tem direito quem tem dinheiro. Ponto. Mas daí dizer que Cuba ou Venezuela são democracias...


Ninguém vai me convencer que um lugar onde todo mundo tenta fugir seja bom. Ponto.


Ah, os comunistas também são perseguidos nos EUA. Tá. Ninguém tá negando isso. Mas pega a lista de perseguidos – e o grau de perseguição – da China socialista e compara com os EUA (até porque existe menos comunistas do que opositores ao governo Chinês). Pega o número de vítimas de Stálin e Mao. Tá, tem Guantánamo, tem perseguição aos muçulmanos depois do 11 de setembro. Mas ninguém aqui tá dizendo que os EUA sejam a oitava maravilha do mundo nem modelo de democracia. Só não venham em dizer que Cuba e Benessuêla (de novo Cam) sejam democráticas, né? Poupem-me.


Leiam “Trilogia suja de havana”, do Juan Pedro Gutierrez.


*

Fecho com Churchil: “A Democracia é a pior forma de governo, fora todos os outros”.


*


Eu acredito demais na maldade humana pra crer que algum governo será algum dia justo. O fato é: se tem humano incluído logo alguém vai querer lucrar e vai restringir esse lucro a uma minoria. Pelo menos assim tem sido há uns 2.000 anos, mais ou menos. Claro que as coisas podem mudar. Sempre podem. Mas daí dar o meu corpinho em nome de uma causa...

Enfim, Bial.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Indo à Lapa


Após alguns chopps, decidimos rumar para a Lapa para o aniversário do OMEE. Gisele passou pelo Odorico e fomos: eu, Patrícia-do-Rio e ela. Ao chegar liguei pra Andréa que chegava ao local também.

Lá chegando conheci vários personagens do OMEE: elenco de apoio, protagonistas e os que ainda estão na oficina de atores. Isabelouca; Mendonça, seu chefe de repartição; a irmã de Kelly Cachorra e alguns leitores, como Eugênia. Papos muito animados.

Ao me ver Andréa fez o comentário: “tá ficando muito sociável hein, Carrie?”. Falei: “pois é, mas não espalha. Se essa moda pega daqui a pouco vai ter gente até me achando gente boa. Eu tenho uma reputação a zelar”. Realmente só a Roberta pra me fazer ir a um samba. Ou então são minhas novas drogas.

Ficamos lá até os caras pararem de tocar e nos expulsarem. Quando estávamos quase saindo o Álvaro, que estava no encontro com a Tíccia, liga dizendo que está indo. Chega, pede cerveja...eu já parada com as atividades etílicas. Aí queria que eu explicasse minha tese pra ele. Ah, não. Sem chance.

Demos carona pra ele, que é quase meu vizinho, mas fez questão de vir até na porta do meu prédio só pra aproveitar o papo e depois foi pra casa dele. Uma figura. Sabem essas vacas que tem na cidade toda? Gisele comentava que na Barra não tinha. Diz o Álvaro que é porque as pessoas podem atacar com um extintor de incêndio, achando que era uma prostituta.

Hã? Hãn? Pegaram? Pittboys, domésticas...entenderam? Ah, foi boa, fala a verdade!



Hoje chega um torpedo de Andréa pra mim: “Partiu Mangueira amanhã?”. Respondi: “Há há há há...Pândega, vc!”. Ao que ela me responde: “É sério, D. Henriquetta”.

Calma, Andréa. Ainda não tenho o nível de despreendimento e elevação espiritual necessários para a coisa.

“Partiu Mangueira” na minha terra é derrubar o pé de manga. Ou estraçalhar o canal por onde passa a água. Enfim, Bial.

Não vejo a mangueira há tempos (com trocadilho). Ou ela entrou e eu nem vi – dããã...piadinhas joselíticas que os malas de sempre nunca se cansam de fazer em todos os carnavais.

Andréa é garota-carioca-suingue-sangue-bão. Com direito a bundão e tudo. Trabalha na Mangueira, mora em Caxiaxxxxx. Ontem foi de carro da Lapa pra Caxias sozinha de madrugada. Eu sou apenas uma nerd-caipira do interiorrrrrr de Volta Redonda, Andréa.

Aliás, Andréa (bom, acho que posso contar já que ela contou no blog dela, so...) é minha heroína. Ela pegou um cara na fila do ingresso pro show do Police, no Maracanã, em plena segunda feira chuvosa. É ou não é poderosa? E a Roberta ainda me sacaneia por eu paquerar os caras no hortifruti.

Ah! Viram a nova propaganda? “Berinjela Indiscreta”. Hãn hãn? Entenderam? Janela-Berinjela? Hã? Bom, vou ali então...

domingo, agosto 26, 2007

Show: crítica


Fui ao show do Alceu Valença sexta feira, na Fundição Progresso, na Lapa (para os amigos além mar: a Lapa é um antiga zona boêmia do Rio, revitalizada há alguns anos e point. Supostamente mais alternativa anda mais lotada que os mais lotados points. O bom é que como tem muitas opções dá pra espalhar um pouco mais o movimento). A Lapa estava tão lotada, tão lotada como eu nunca vi. O engarrafamento chegava na Glória. Por fim desisti, desci do táxi e fui andando até onde tinha combinado de encontrar o povo.

Nem sou fã do Alceu Valença, mas também não é alguém que eu não goste. Toda música que eu lembrava dele, as pessoas diziam: “não, essa é do Geraldo Avezedo” ou “não, essa é do Zé Ramalho”. Enfim. Mas eu passei perto. É tudo Grande Encontro.

Lá chegando, fiquei procurando todo mundo, sem encontrar ninguém. Depois passa uma amiga de carro: “cara, tá muito cheio! Onde eu vou parar?”. Fiquei na minha tomando uma cerveja enquanto minha amiga estacionava. De repente vejo uma turma de desconhecidos gritando meu nome e acenando do outro lado da rua. Como assim? Já estou famosa? Eram os amigos da minha outra amiga que eu estava tentando encontrar.

O show estava muito cheio. Muuuito. Mas conseguimos ficar num lugar tranqüilo, sem as pessoas nos esmagando – na verdade vendo o Alceu do tamanho de uma formiga, mas tudo bem.

Ele fez um longo show, bem legal, tocando várias músicas que nem eram dele – enquanto eu bradava: eu falei que ele cantava essa música! E as pessoas diziam: não, Carrie! Essa é do Fulano! Além disso a abertura foi do Casuarina – que nós perdemos – e o encerramento seria do Raiz de Sana, grupo de forró. Eu não sou muito chegada a ritmos étnicos em geral, mas tudo bem. O problema é que o show começou e de repente parou. Um refletor tava ameaçando cair na galera e eles resolveram transferir o show por palco principal, onde havia sido o show do Alceu.

Dona Henriquetta já começava a dar os primeiros sinais de dores nas juntas e achei melhor evadir-me do recinto. Já eram quatro horas da madrugada. Meus amigos ainda ficariam um pouco mais. Saí pensando em pegar um táxi, mas a rua estava tão cheia, tão cheia que parecia nove da noite. Resolvi andar um pouco mais pra pegar um táxi na Riachuelo e de repente passa um simpático 572 (ônibus), com ar condicionado e vazio. Demorô. Entrei. O ônibus foi enchendo, enchendo...e engarrafando. Quatro da manhã e você engarrafada num ônibus lotado. Ainda bem que tinha ar condicionado e eu tava sentada. E em ônibus lotado não tem assalto, porque a pessoa não tem nem como sacar a arma.

Cheguei no recanto de meu lar e dormi. Dormi ontem o dia todo. E depois de meia noite às onze de hoje. Terceira idade é assim: quando sai, precisa de um dia pra se recuperar. E olha que nem bebi muito.

sexta-feira, agosto 17, 2007

Misadventuries in my english classes


Arrumei uma professora de inglês neo-zelandesa (acho que já falei aqui) e que mora em Santa Tereza. Mais alternativa, impossível. Ela cobra dez reais a mais pra vir em casa. Dado a minha pindaíba, caí na besteira de perguntar: Você mora muito lá pra cima? Nããão! – respondeu ela - cinco minutos dos Arcos (da Lapa)! Eu, mocinha ingênua, acreditei.

Após umas duas ladeiras, praguejando contra todos os santos, pensando que era a primeira e última vez que eu marcava na casa dela, eu comecei a achar que os dez reais a mais não eram nada (ainda mais levando em conta que eu ia gastar 4 de ônibus, então na verdade seriam 6). Além disso, ia ter o dia fatídico que eu ia me atrasar e, com aquela ladeira, só um táxi me salvaria. No final das contas ainda ia economizar mesmo pagando 10 conto a mais. Cinco minutos! Cinco minutos só se você for um praticante do Pentatlon Moderno! – o que está longe de ser o meu caso. Cacete.

Quando eu olhei o número, estava a léguas de chegar no dela. Putz. Olhei pros lados e vi uma moça subindo, com cara de professora de inglês neo-zelandesa que mora em Santa Tereza. Oi, você é a Fulana? Sou! E você é a Carrie? Isso. Menos mal. Não vou ficar vagando em Santa Tereza. Fomos conversando até a casa dela – que ainda levou uns 10 minutos.

Caras, na boa: eu não sei o que esses gringos vêem em Santa Tereza. Tudo bem, é um bairro bonitinho, gosto de ir lá à noite, de almoçar domingo, de ir no Santa de Portas Abertas (evento em que os artistas plásticos abrem seus ateliês para visitação do público), mas...morar lá? Nem fudendo. Santa Tereza é, hoje em dia, um dos bairros mais violentos do Rio. Há uns cinco anos atrás houve um crime bárbaro (não sei se vocês se lembram) em que o mínimo que os assaltantes fizeram foram escalpelar a dona da casa. Isso. Que nem índio. O mínimo - fora esquartejamento, estupro... O que existe de caso de assalto e estupro naquelas ruas desertas não está no gibi. Eles assaltam e espancam as pessoas. Ah, mas o Rio todo tá assim. No Framengo não tá não, neguinho! Não é à toa que deu no Globo esse domingo que o Flamengo tá virando o bairro mais caro do Rio. Claro. É o único da Zona Sul que não tem favela). E as chances de você ser assaltado morando em um prédio com porteiro no auge da muvuca são bem menores do que morando em uma casa. Sem contar que Santa Tereza tá passando por um processo feroz de favelização. Mas os gringos acham tudo lindo. Very exotic. Hãn hãn. Se eu quisesse bucolismo morava em Andrelândia. Se moro no Rio eu quero civilização, meios de transportes e serviços 24 horas. Nada de bairros que qualquer chuvinha acaba a luz. Don't fuck my patience.

No caminho ela foi me mostrando: aqui mora Fulano, meu amigo. Aqui, Sicrano. Chegamos à casa dela. Enoooorme. Com um rotweiller na porta. Como assim? Não, ela é mansa. Tá bom. Entrei. Realmente a casa é muito maneira. Esses típicos casarões em Santa Tereza, cheio de móveis vintage comprados em brechó provavelmente ali mesmo, algumas peças de arte, quintal...tudo muito lindo, mas eu só conseguia pensar se eu fosse um ladrão, por onde era mais fácil entrar (não adianta, eu tenho um cérebro doentio). Começamos a conversação – ela disse que a primeira aula seria uma conversação pra me avaliar.


Comecei a suar tentando explicar minha tese de doutorado em inglês. Já me embolo pra explicar em português, que dirá em outra língua. Me senti que nem a propaganda do CCAA, com as palavras correndo de mim, porta a fora. Parecia que tinham botado ferrugem no meu cérebro.

E o sotaque da mulher? Gente, é quase um inglês britânico de tão fechado. Como se ela tivesse engolido um ovo. Ela foi dizer “a quarter pass eleven” e eu entendi “a quota pass eleven”. Fiquei pensando: que porra de palavra é essa? Quota? Quota? Ah!!! Quarter! Putz. (Bom, depois que eu confundi “coins” com “condoms” em Londres vocês imaginem só). E ela fala rápido. Muito rápido. E praticamente não existem “Rs” pra ela. Bââââthrom.

Comecei a pensar: putaquepariô. Como é que eu vou passar no Toefl desse jeito?! Tá fueda. A mulher deve tá me achando um cu. E eu ainda caí na besteira de dizer que meu inglês era “nível intermediário”. Há há.

E no meio disso tudo entra o colega de apartamento dela: um músico, rasta, que toca por ali na Lapa. Ela fala em inglês, o cara responde em português. Daqui a pouco outro amigo entra. Esse mora ao lado. Também é músico. O cara entra beija ela, me beija (no rosto) despede e sai. Ela me conta que ele tava indo casar na Austrália. Céus! Eu entrei num portal pra Oceania, só pode ser!

Mas voltando a aula. Depois de pelejar um bom tempo a mulher vira pra mim e diz: você me disse que o seu inglês é intermediário [ô-ou], mas o seu inglês é muito bom. Hein? Acho melhor a gente seguir um livro. Você tem vocabulário de quem lê em inglês. Cuma? Onde você aprendeu inglês? Quase respondi “Warner Channel”, mas disse é, eu assisto muito canais por assinatura, CNN, seriados.... Ela jurou que eu só tô meio enferrujada, por não praticar, mas eu acho que tudo isso não passa de uma estratégia de fidelização; todo professor vem com esse papo. Eles não me enganam. Eu sei que eu sou uma fraude e um dia as pessoas vão descobrir isso. Até lá eu vou enganando.

Acertamos todos os detalhes pra aula que vem – que será aqui em casa, diga-se de passagem – I’m a very lazy person - não só pela distância, mas pra não ter a interrupção de amigos músicos se mudando pra outro continente. Ela não cobrou essa, pois era avaliação (gostei) foi comigo até a saída, pois ia se despedir do tal amigo que ia pra Austrália.

Nossa, que tempo ótimo, hein? – ela diz, enquanto eu torcia a barra da minha blusa completamente encharcada de suor. Eu acho que eu nasci no país errado (Ei, peraí! Essa fala é minha!) Eu adoro sol, praia, samba, futebol...Eu também! Respondi. Nasci no país errado. Detesto tudo isso.

Desci a ladeira pensando em como é estranha a vida.

Mas a mulher parece ser boa. Além disso ela dá aulas no Britannia. As professoras de inglês de plantão podem dizer melhor do que eu, mas tenho uma amiga que diz que classe média estuda na Cultura e no Ibeu; a elite estuda no Brittania. E, conseqüentemente, o ensino é melhor nesta última – infelizmente nesse país, quase tudo que é bão é pra rico. E considerando que a pessoa que me indicou essa professora tem pais em altos cargos na política carioca, acho que é verdade.

Aí, depois – bem depois – eu vou voltar a estudar francês (a sério), e depois espanhol (quero falar bem e direito e não ficar só no portunhol) e aí vou estudar alemão! Depois parto para as línguas mortas... e aí vou dominar o mundo! Eu e meu amigo Pink.


UP DATE: hoje já tive a segunda aula. A teacher disse que como minha casa é no meio do caminho dela e coisa e tal, me cobraria só 5 reais a mais. Formô! Continuo perdendo metade das palavras que ela fala.

quarta-feira, julho 11, 2007

Fim das aulas


Hoje tive que beber meio copo de vinho na hora do almoço. Encerramento do meu curso e o professor – que também é meu orientador – levou uma garrafa de vinho chileno para o almoço depois da aula. Quer dizer: se eu não faço pelo menos nem um brinde isso pode ser visto como uma desfeita. Quem sabe pode até comprometer o parecer dele sobre a minha pessoa. Quem sabe até eu perderia a bolsa. Não pode.

Em compensação não comi os quindins nem o doce de leite, ambos de Viçosa (sim, há pessoas de todos os lugares do Brasil no curso, além de uma argentina e uma espanhola), levados por uma amiga – e reza a lenda que esse quindim foi eleito o mais gostoso do Brasil e o doce de leite é produzido na universidade. Mesmo com todo mundo insistindo. E melhor: não senti a mínima vontade.


*

A vingança é um prato que se come frio. Gelado, eu diria. Já disse isso? Algumas centenas de vezes, né? Mas é que não me canso de me surpreender com isso. São tantos os exemplos e vindos de tantas as partes. A vingança é gelada, mas é doce. E a melhor vingança é viver bem. Nada não. Só pensando alto.

*

Eu tô tão feliz. Tão, tão feliz...

sábado, julho 07, 2007

Resoluções de segundo semestre


U-hu. Sétimo dia de Projeto Impulso. Essa pequena “brincadeira” faz parte do projeto da Larissa. Essa garota emagreceu 43 quilos. Saiu até no Fantástico – quem quiser tem no You Tube, a matéria. Aliás, tem no blog dela. Foi naquele quadro da Fernanda Lima, o último episódio, sobre jovens deprimidos – onde também apareceu a Clara Averbuck. Só com dieta e exercício. Sobrou tanta pele que ela prendia com aquelas piranhas de cabelo. Depois ela fez uma plástica na barriga e no peito pra tirar o excesso de pele.

Como a maioria de nós, gordinhas ou oscilantes, ela já tentou emagrecer diversas vezes. Até que um dia ela conseguiu. Há quatro anos ela vem emagrecendo a agora só faltam quatro quilos. É o que eu sempre digo, pra tudo na vida: um dia a ficha cai e você completa a ligação. Não é porque você tentou 10 vezes e não deu certo que a 11ª não vai dar (eu não dizia isso não, mas agora estou dizendo. Não tô podendo com essa minha fase otimista.).

Ela diz várias coisas que todo mundo que já ficou um pouco acima do peso sabe. Uma delas é que quase todo gordo tem o rosto bonito. Acho que é verdade. Acho que quem é feio demais dá um jeito de não engordar, né? Deve ser...mas, como diz um amigo meu, quem fode com o rosto é espinha e quem fode com cabelo é caspa. Alguém já viu algum homem dizer: “nossa, ela tem um cabelo lindo? Quero ficar com ela”. Se disser, desconfie da virilidade do moço. Já outras partes da anatomia feminina...

Faltam três dias pra terminar o Projeto Impulso. Aí tenho que inventar outra brincadeira pra continuar a emagrecer.

Minhas dicas (se é que estou na posição de dar alguma):

- Comer de três em três horas.

- Seis refeições diárias (entendendo refeição como uma fruta no meio da tarde ou barrinha de cereais).

- Uma hora de exercícios aeróbicos, no mínimo – quem agüentar ou tiver tempo de fazer mais ou fazer peso, beleza.

- Água, água, água. E gelada. O corpo gasta calorias para tentar equiparar a água que tomamos à temperatura do corpo.

- Chá verde.

- NÃO passar fome. NUNCA. O corpo começa a poupar e você pára de emagrecer. É batata! (Batata, não, brócolis).

- NÃO passar vontade. Uma coisa é resistir à gula e à compulsão. Outra é ficar morrendo de vontade comer certas coisas. É preferível comer um pouquinho do que ficar acumulando vontade. Acreditem. Quando você puder comer será o verdadeiro estouro da boiada.

- Quanto mais rápido você emagrecer, mais rápido vai voltar a engordar.

Não estou indo às reuniões dos Vigilantes do Peso por falta de grana. Mas sigo a dieta deles, basicamente. Caminho, faço pesinhos em casa e pulo no meu mini-trampolim quando não dá tempo.

Assinei a Boa Forma numa promoção para universitários lá na UFF. E a mulher queria me empurrar “História Viva” e eu: “nãããão! Inteligente eu já sou. Eu preciso é de ficar gostosa!”. Já tenho História Viva 24 horas por dia, fala sério!

Então vamos ver se eu consigo dar uma acelerada no meu emagrecimento, pois emagreci uns seis quilos e depois fiquei engordando e emagrecendo 3 quilos. Pra lá e pra cá, desde o começo do ano. Vamos ver se eu consigo eliminar meus 17 quilos (que agora são 14).

Quando eu emagrecer tudo – digo, esses 14 – eu prometo falar quanto eu pesava e colocar uma foto antes e depois. Promessa é dívida. Me cobrem.

Até o final do ano – dia 20 de dezembro, quando eu qualifico – eu pretendo estar com 9 quilos a menos.

Então meus planos para o segundo semestre são:

1) Muuuito exercício.
2) Estudar muuuuuuuuuito mais ainda – e escrever metade da tese (tem umas coisas prontas, mas que provavelmente eu vou reescrever).
3) Estudar inglês. A sério. E muito.
4) Emagrecer 9 quilos até o dia 20 de dezembro.
5) Ficar sem beber. Pelo menos até o meu aniversário, em novembro. Essa vai ser a pior...ainda mais porque tem casamentos...ai, a...

Basicamente. Tem outras coisas, também, mas é basicamente isso.

Então é isso.

Estava precisando desse momento “Querido diário”.

Precisava dividir isso com vocês.

Enfim. É isso.

sábado, junho 30, 2007

E lá vamos nós...


Metabolismo esquizofrênico


A pessoa faz uma semana de dieta. Malha horrores. No final da semana vai pesar e...tcharan! Engordou 700 gramas. E não adianta dizer “mas eu vou ficar menstruada e estou mega inchada”. Não! A mulher em TPM fica privada de suas qualidades racionais. Ela só vê o ponteiro pra cima – e, por azar, adentrando uma nova dezena. O horror, o horror.

Aí a doida chuta o balde e come que nem uma porca e não faz um dia de exercício. Afinal, ela tá menstruada, tá tudo tããão difícil, tá mole, tá isso, tá aquilo, quer a mãe, um namorado, a cura do câncer, e um pônei, como diria Susie Derkins.

Pesa de novo ao final da semana e...tcharan! Emagreceu 1kg e 200 gramas.

Aí o caro leitor homem e inexperiente em questões lipídicas pode pensar: “puxa, então tá resolvido! Come sempre!”. Nããão, tolinho! Claro que não. O problema é esse. Não há regras. Não há regras.

A explicação minimamente racional (agora que Elivira, a Soraia, já me abandonou) que eu consigo pensar é: na semana de TPM eu emagreci, mas o inchaço não deixou “aparecer”. Quando eu desinchei, veio o resultado. Aí vocês devem estar pensando: mas por que você comeu e emagreceu? Tenho duas hipóteses: a primeira é que na verdade eu emagreci mais do que consegui engordar; a segunda é que às vezes o que você come numa semana só aparece na seguinte...não, melhor não pensar nessa e sim na primeira.


O aprazível bairro do Flamengo


A mais nova moda no Rio são carros que invadem calçadas (além de pitboys que porram trabalhadores, chacinas, balas perdidas...). Já é quase uma modalidade do Pan. E o Flamengo, em particular, não quer ficar fora dessa! Na esquina da rua Marquês de Abrantes (onde outros eventos emocionantes como a queda de um helicóptero no pátio de uma faculdade também já ocorreu) com Marquês do Paraná, onde tem uma padaria e restaurante cheio de mesinhas, um carro que saía da garagem do prédio da frente entrou com tudo. A padaria fica ao lado do boteco Picote. Um típico sábado carioca. Seis pessoas feridas, segundo minhas fontes. O carro era hidramático e a motorista...hãn, mulher (é isso que fode com a classe!). Agora tá dando até no RJ TV.


Jabás


Comprei dois cremes: loção hidratante morango e chantilly, da Vizcaya e baunilha, cacau e flores do campo, da Ox. Eles tentam imitar os deliciosos cremes da Victoria’s Secrets (os meus estão acabando, aceito presentes de pessoas que moram fora ou se dispõem a desembolsar uma alta quantia) e posso dizer que estão quase à altura. Adoro esses cremes com cheiro de fruta. Me dá vontade de me comer (sem trocadilho). Ou de jogar numa xícara com aveia e mandar ver.

Comprei também um esfoliante da nívea. Vou testar ainda, mas passei na mão e parece ser ótimo.

Aliás, alguém aí já usou aquele creme anti-celulites da Nívea? Adianta? Aliás-de-novo, alguém tem algum creme anti-celulite que adianta para indicar?

Ai, ai. Eu tô tão mulezinha! Deixa Jorjão, o caminhoneiro hooligan que me habita saber. A sorte é que ele tá fazendo um frete lá pros lados de Ponta Porã.

***



E por falar em esquizofrenia, hoje Dona Henriquetta vai sair. Vai ao Primeiro Grande Encontro Mineirocas – mineiros que moram no Rio – na casa da minha amiga Juliana. Mas Dona Henriquetta já me disse que volta até uma da manhã, no máximo, pois amanhã tenho relatório pra terminar e Projeto Impulso. Você não sabe o que é o projeto impulso? Leia aqui.

Tempos modernos


Quarta feira, enquanto guardava meus óculos escuros ao chegar na sala de aula, este pulou da minha mão e caiu no chão. Niqui me abaixei pra pegar, o professor, que estava sentado na cadeira dele, distante, deu um pulo e disse que podia deixar. Pegou os óculos, me deu e disse: "uma dama nunca se deve abaixar pra pegar nada quando houver outro cavalheiro no recinto".

Pois é – disse eu – esse é o problema. Nunca há cavalheiros no recinto.

Algumas moças do meu lado – essa aula só tem mulher e um homem – deram um suspiro de aquiescência.

quinta-feira, junho 28, 2007

Agora Eu Podo



Deus é bom pra mim. E ele ouve Apple. Hoje, o dia em que a minha garantia vencia, a moça da loja me ligou dizendo que o meu aparelho tinha chegado. Fui lá e eles me deram outro Eu podo. E me devolveram os 147 que eu havia pagado. E agora eu tenho mais três meses de garantia.

Eu quase não odeio tanto a Apple. Só um pouquinho. Mas não vamos cantar vitória. Aguardem cenas no próximo capítulo.

segunda-feira, junho 11, 2007

Contabilidade II


Saldo total do feriado:


- Desconforto gastro-intestinal (se é que vocês me entendem...poupá-los-ei dos detalhes).

- Um carro batido (não o meu, que não tenho) enquanto estava parado por um maluco bêbado que fugiu e depois voltou – e tudo que se seguiu em relação a isso: BO, borracheiro e coisas que me levaram a chegar ao Rio as seis da tarde.

- Horas de sono acumuladas.

- Algumas caminhadas.

- Muitas risadas.

- Cem páginas do livro de quarta lido (só faltam 500).

- Saudades matadas.

- Taxa de fofulência por apertamento de crianças completo.

- Taxa de tias completa.

- Taxa de primos completa.

- Coração repleto de amor.


Depois eu volto.

segunda-feira, junho 04, 2007

Facadas


Notícias do meu Eu podo: a moça da autorizada da maçã me ligou e deixou recado no celular, dizendo que realmente era um pobrema de sófituare, e não de rárdiuere, de modos que, nesse caso, a garantia não cobre e eu teria que desembolsar a módica quantia de 147 reau. É maluco, centiquarentesete reau.

Puta da vida, dirijo-me ao referido estabelecimento. Sabem qual era o pobrema da parte macia? Faltava uma atualização. Mas, calma e pacificamente, pergunto à jovem: COMO EU IA ATUALIZAR SE ELE NÃO LIGAVA, NÃO DAVA NOTÍCIA, SINAL DE VIDA, NÃO ESCREVIA UMA CARTA, MANDAVA UM BEIJINHO E NEM UM RECADO????!!!!!!

A moça não soube explicar. Eu perguntei se poderia ser problema no cabo e ela disse que poderia – então por que ela não ficou com o cabo lá pra testar? E se o problema for no cabo - portanto da parte dura - a maçã cobre. So, eles vão me devolver a caralha dos 147 pila?

Chego em casa e testo o cabo. Funcionando.

É comiga, o pobrema, né? Só pode. Só (I) pode – dã.


Ninguém merece pagar 147 reau numa atualização de software. Ainda mais na pindaíba que eu tô. E eu ainda pedi pra dar um cheque pro dia 8 – dia oito! Sexta! Com um feriado no meio! – e ela disse que não, não (I) podia. Quase que eu falei: beleza, então deixa ele aí que segunda que vem eu venho pegar. Mas não quis arriscar. Vai que ela punha macumba no meu Eu podo.

Pra culminar gastei praticamente isso em cremes (ui!) que a minha dermato passou – aquela que diz que minha pele seria perfeita se eu morasse no Iraque e andasse de burka. Ácidos, cremes para a região dos olhos, sabonetes para peles ultra mega maxi sensíveis, traumatizadas e deprimidas. Ah é. E também vou fazer tratamento a laser pra acabar com pequenas cicatrizes de acne, com outra dermato – a “pissoua” aqui tem um séqüito de dermatologistas; a “pissoua” é fresca pra caralho. Laser, plebe. Tô me sentindo o próprio Luke Skywalker. Wom, Wom (barulhinho do sabre de luz). Será que a moça deixa eu brincar um pouco com o equipamento?

E dá-lhe Photoderm Max FPS 100. Sim, porque depois de todo esse trabalho e de toda essa grana se a minha pele manchar eu surto. Agora que eu não tomo sol nunca mais na minha vida. Ah é. Todo o tratamento é feito lá, onde o céu é rosa, a chuva é ácida, mas o preço é doce: Gotham City. Lá é tudo mais barato e mió. Além da gente ter uma mutação genética em função da CSN. Sou praticamente um X-Men. Praticamente a Psylocke. O que me dá muitas vantagens sobre os humanos.

sábado, junho 02, 2007

"Somos feito da mesma matéria de que são feitos os sonhos"*


Vacinei contra a rubéolaaaa. La la la la la la...

Tô me sentindo “a imunizada”.

Ganhei inclusive um cartãozinho de vacinação. Fiquei encantada com as várias vacinas que eu posso tomar. Acho que vou começar pela de hepatite B, que são duas doses e não é punk como a anti-tetânica.


***


Faz dez graus em Gotham City. Semana que vem vou a Pasárgada, que deve estar fazendo uns cinco, seis graus.

E em julho vou à Porto Alegre! Iupi!

E quem sabe em janeiro eu vá à Antártida, se eu ganhar a promoção do Históry Channel! Iupi, iupi!!


***


A CSN entrou em greve. Claro que a greve na CSN não é mais como era nos anos 80, onde a cidade parava – tendo a primeira delas ocorrido em 1984. Hoje em dia - principalmente depois da privatização - embora a CS ainda seja o coração da cidade, há vida em Gotham para além da metalurgia. Mas ainda assim é a maior indústria siderúrgica do Brasil e da América Latina e uma das maiores do mundo. E está parada. Como várias outras coisas neste país, que vai mal das pernas. A não ser para o nosso presidente, claro.

Me lembro dessas greves quando eu era criança: um certo nervosismo na escola, pois vários pais de colegas meus eram funcionários da CSN, “peões”, mesmo – meu pai também trabalhava, mas era médico do hospital da CSN – e uma certa confusão na cabeça de nós, crianças, sem sabermos ao certo se aquilo era bom ou ruim. Os professores diziam que era bom, pois eles estavam lutando pelos seus direitos. Meus colegas, vivendo em um ambiente tenso dentro de casa, não tinham a mesma certeza.

Durante a greve de 1988 os operários ocuparam a usina. A cidade foi Área de Segurança Nacional, um resquício da ditadura militar, até 1989. No dia 09 de novembro de 88 o Exército invadiu a CSN, ferindo 46 trabalhadores e matando três: Carlos Augusto Barroso, de 19 anos; Walmir Freitas Monteiro, 27 anos; e William Fernandes Leite, 22 anos. Dia 22 a população, antendendo ao pedido dos sindicalistas, deu um “abraço” simbólico em volta da usina, em apoio aos operários.

O presidente do sindicato dos trabalhadores na época desta greve, Juarez Antunes, foi eleito prefeito da cidade. Morreu dois meses depois da sua posse num acidente de carro e há quem diga – e muita gente séria – que sua morte não foi acidental. Seu enterro também foi um momento de grande comoção para a cidade. Isso pode soar meio “teoria da conspiração”, mas quando lembramos que em primeiro de maio de 1989 um memorial feito pelo Niemeyer em homenagem aos trabalhadores mortos na greve de 88 foi inaugurado e, na mesma madrugada, destruído por uma explosão, a coisa fica meio estranha.

Sempre me interessou muito mais a dimensão humana e individual dentro desses movimentos. As pessoas que são tragadas pelo torvelinho das mudanças. A vida no varejo que muda e é mudada pela marcha da História. As histórias dentro da História. Aí me veio à cabeça o excelente documentário brasileiro “Nós que aqui estamos, por vós esperamos” de Marcelo Masagão. A frase é de um cemitério e o documentário conta a história do século XX através não só de figuras ilustres, mas principalmente através de pessoas anônimas (algumas fictícias). “Tu és pó e ao pó voltarás”. Claro que isso não é motivo para não lutar, mas fica a dúvida: será que existe causa maior do que a vida? Mas e quando a vida deixa de ser vida?

* Shakespeare. Se não me engano em "Hamlet".

domingo, maio 20, 2007

I love Justin Timberlake!!!


Eu ando relapsa. People, I know that t I walk relapsa. Mas não me abandonem. Please. Eu ando trabalhando arduamente nos meus planos de dominação do mundo, daí a falta de tempo. Mas eu darei ministérios para todos os meus leitores, vocês sabem disso.

Hoje vi Alpha Dog, filme. Muito bom. Vejam. Atuações perfeitas de Sharon Stone, Bruce Willis e Justin Timberlake. Sim eu nunca pensei que fosse dizer isso algum dia em minha vida, mas eu amo Justin Timberlake. Um ex `N Sync. Mas com o talento para cantar de um Michael Jackson nos bons tempos (incluindo o rebolado) – o que já virou até um lugar comum – e uma atuação digna de um grande ator.

Tenho sempre a impressão de que um bom filme tem a capacidade de nos fazer lembrá-lo o restante do dia. Saí do cinema achando todo mundo meio Alpha Dog. Eu tenho vários amigos Alpha Dogs. Ah, tenho. Triste, mas tenho. Pessoas que vão se deixando levar e quando vêem fizeram uma grande merda. Sei que a temática jovem-sem-perspectiva-que-se-droga-com-família-problemática pode parecer batida, mas vale à pena. Muito foda. E virei fã de carteirinha de Justin.

À noite fui ao show da banda Black Rio, no Estrela da Lapa. Ótimo show - como sempre é, aliás.

Tá chovendo pra caralho aqui no Rio e eu pude, finalmente, estrear minhas botas que eu comprei em Heildelberg, Alemanha (really sorry, periferia). A única vez em que eu coloquei foi no verão de Innsbruck, Áustria. Hoje estreei em solo brasileiro. E eu e minhas botas de Heildelberg adoramos. Logo eu e minhas botas de Heildelberg tornamo-nos um ser Uno, em total comunhão como o Cosmo. Minhas botas de Heildelberg pensavam numa coisa e eu também. Elas guiavam meus passos. Literalmente. Via alguém com outras botas e pensava: humm, acho que ela também comprou em Heildelberg. Via um casaco e pensava: será que ele é de Heildelberg? Vi uma moça de short branco bufante e pensei: será que ela comprou em Heildelberg?

Heildelberg, Heildelberg, Heildelberg.

Agora, uma verdade insofismável: se algum dia eu usar uma calça fusô, tipo legging, com bata/vestidinho por cima, por favor, me internem que eu não tô legal. Fui abduzida por criaturas do espaço.

domingo, abril 15, 2007


Formiga Irmã mandou eu escrever. Tá bom.

Ontem eu fui à esquina comprar jornal, voltei, cozinhei, estudei, dormi, estudei, dormi de novo.

Hoje eu acordei estudei, cozinhei, estudei, dormi e devo estudar logo mais (por sinal eu tô fazendo um arroz com feijão que tá um espetáculo!).


Eu adoro a minha vida!

terça-feira, abril 03, 2007


Me acordaram. Às 8:40 da madrugada. Minha gente, eu durmo tarde. Sou uma pessoa idosa. Havia me drogado ontem. Eu, Carrie W, 87 anos, drogada e prostituída...tenham dó.

A faxineira queria falar comigo. Ela já tinha me ligado ontem. E era pra falar a mesma coisa. Será que eu perdi alguma parte? Não, não quero que ela venha em plena Sexta feira Santa, quando eu não vou estar aqui, porque ela não pode vir no dia que ontem à noite ela podia?, tá, que se foda se ela vai ficar mais de um mês sem vir aqui.

Agora tem uns moço aqui na minha televisão falando mal dos controladores de vôo. Fala não, moço. Queria ver se fosse você que tivesse lá num avião que desse pane e caísse.

Previsão do tempo: chuva. Pro Sul e pro Norte.

Hoje vou pintar meu cabelo. Ainda não será de preto. Permanecerei ruiva um pouco mais.

Agora que já to de pé vou ver se faço as patinhas.