Noite passada acordei Formiga Irmã com um chute. Olha que jóia? Já pensou, leitor amigo?! Ser acordado por um chute? Explico: é que nossas camas estavam coladas uma na outra. Daí, de manhã, eu estava em um animado sonho em que eu tentava expulsar um povo chato da minha casa e eles não queriam sair (mas a minha casa era a casa que minhas amigas Dani e Gi moravam na adolescência em Andrelcity). Daí eu punha todo mundo pra fora e trancava – tinha um conhecido me ajudando. Mas eles, os intrusos malas (dentre elas estava a atual mulher de um ex-meu, de perucas, que eu não vejo há tempos, e eu puxava a peruca dela, além de expulsá-la), ficavam forçando a porta e eu tive que botar o pé pra segurar. O problema é que no meio do caminho havia uma Formiga Irmã.
Acordei suando – e nem tava frio.
Detalhe: a pessoa havia ingerido substâncias legais à venda na farmácia para relaxar. Que relaxada, hein?
(Pior foi um ex-namorado meu que, certa vez, me acordou com tapas).
Antes de ontem eu acordei dizendo: “pelo amor de Deus, pelo amor de Deus!” – e novamente acordei Formiga Irmã. Também estava tentando impedir que intrusos adentrassem a minha casa. Queria que alguém me desse a chave para eu fechar o portão que dá pra rua de cima. Mas ninguém me ouvia. Por isso eu tive que gritar pelo amor de Deus.
(Na infância eu sempre tentava gritar ou correr e a voz não saía, nem os movimentos. Na adolescência a voz saía fraca e os movimentos lentos. Agora eles estão indo pro mundo real. Será que quando for velha vou acordar a vizinhança inteira com meus berros e ser resgatada na rua, de camisolão?).
Quase todas as noites – inclusive nos referidos sonhos – meu falecido pai deixou de estar morto (não vivo, mas o que eu sempre falo aqui: ele está não-morto, o que é diferente de estar vivo ou de ter ressuscitado, ele simplesmente deixou-de-estar-morto, entendem? No sonho eu sei que ele já morreu) e eu descubro que tenho cachorros. Meu pai tenta convencer minha mãe de que podemos ter um cachorro – da mesma forma que ele fez com a única cachorra que eu tive na vida, a Tutti. (Papai gostava de animais. Ao contrário de mamãe, que detesta todo o qualquer tipo de animal).
Elementar, meu caro Sigmund (daquelas que confunde as tiradas, né?): eu, em um momento em que volto a morar na casa onde vivi até os 18 anos começo a sonhar com casas e portas a serem fechadas a força, tentando deixar intrusos do lado de fora.
Acordei suando – e nem tava frio.
Detalhe: a pessoa havia ingerido substâncias legais à venda na farmácia para relaxar. Que relaxada, hein?
(Pior foi um ex-namorado meu que, certa vez, me acordou com tapas).
Antes de ontem eu acordei dizendo: “pelo amor de Deus, pelo amor de Deus!” – e novamente acordei Formiga Irmã. Também estava tentando impedir que intrusos adentrassem a minha casa. Queria que alguém me desse a chave para eu fechar o portão que dá pra rua de cima. Mas ninguém me ouvia. Por isso eu tive que gritar pelo amor de Deus.
(Na infância eu sempre tentava gritar ou correr e a voz não saía, nem os movimentos. Na adolescência a voz saía fraca e os movimentos lentos. Agora eles estão indo pro mundo real. Será que quando for velha vou acordar a vizinhança inteira com meus berros e ser resgatada na rua, de camisolão?).
Quase todas as noites – inclusive nos referidos sonhos – meu falecido pai deixou de estar morto (não vivo, mas o que eu sempre falo aqui: ele está não-morto, o que é diferente de estar vivo ou de ter ressuscitado, ele simplesmente deixou-de-estar-morto, entendem? No sonho eu sei que ele já morreu) e eu descubro que tenho cachorros. Meu pai tenta convencer minha mãe de que podemos ter um cachorro – da mesma forma que ele fez com a única cachorra que eu tive na vida, a Tutti. (Papai gostava de animais. Ao contrário de mamãe, que detesta todo o qualquer tipo de animal).
Elementar, meu caro Sigmund (daquelas que confunde as tiradas, né?): eu, em um momento em que volto a morar na casa onde vivi até os 18 anos começo a sonhar com casas e portas a serem fechadas a força, tentando deixar intrusos do lado de fora.
Hãn, hãn? Pegaram?
Nos dois sonhos existem informações que vêem à tona – eu tenho um cachorro e não sabia ou meu pai deixou-de-estar-morto.
Nos dois sonhos eu conto com a ajuda (inútil) de terceiros, mas quem me salva sou eu, contra todas as previsões.
Nos dois dias eu acordo no momento em que eu consigo agir.
Nos dois sonhos sou eu contra um bando de gente.
Eu poderia terminar meio paulocoelhamente, dizendo que “não fique esperando ajuda de terceiros, quando a verdadeira força vem de você mesmo” ou. “só quando você agir conseguirá deixar os fantasmas e intrusos do lado de fora da sua vida”, mas creio que a psiquê é mais complexa do que isso (ainda que um charuto possa ser apenas um charuto).
Em todo caso, acho que tenho futuro no ramo dos manuais de sonho – estilo “sonhou com dente caindo: falsos amigos”.
Ou ainda a melhor interpretação vem de Formiga Irmã, também na mesma profissão que Titio Sig: “joga no cachorro, vai que você ganha, compra uma casa e aí pode ter um cachorro”.
Creio que terei que ir a Capital ver meus médicos de cabeça com urgência.
(Uma das boas coisas de ter mudado para Gotham City é dizer "vou a Capital". Adoro. "Vou a Capital". Tão poético...)