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terça-feira, janeiro 06, 2009

Noite passada acordei Formiga Irmã com um chute. Olha que jóia? Já pensou, leitor amigo?! Ser acordado por um chute? Explico: é que nossas camas estavam coladas uma na outra. Daí, de manhã, eu estava em um animado sonho em que eu tentava expulsar um povo chato da minha casa e eles não queriam sair (mas a minha casa era a casa que minhas amigas Dani e Gi moravam na adolescência em Andrelcity). Daí eu punha todo mundo pra fora e trancava – tinha um conhecido me ajudando. Mas eles, os intrusos malas (dentre elas estava a atual mulher de um ex-meu, de perucas, que eu não vejo há tempos, e eu puxava a peruca dela, além de expulsá-la), ficavam forçando a porta e eu tive que botar o pé pra segurar. O problema é que no meio do caminho havia uma Formiga Irmã.

Acordei suando – e nem tava frio.

Detalhe: a pessoa havia ingerido substâncias legais à venda na farmácia para relaxar. Que relaxada, hein?


(Pior foi um ex-namorado meu que, certa vez, me acordou com tapas).


Antes de ontem eu acordei dizendo: “pelo amor de Deus, pelo amor de Deus!” – e novamente acordei Formiga Irmã. Também estava tentando impedir que intrusos adentrassem a minha casa. Queria que alguém me desse a chave para eu fechar o portão que dá pra rua de cima. Mas ninguém me ouvia. Por isso eu tive que gritar pelo amor de Deus.


(Na infância eu sempre tentava gritar ou correr e a voz não saía, nem os movimentos. Na adolescência a voz saía fraca e os movimentos lentos. Agora eles estão indo pro mundo real. Será que quando for velha vou acordar a vizinhança inteira com meus berros e ser resgatada na rua, de camisolão?).


Quase todas as noites – inclusive nos referidos sonhos – meu falecido pai deixou de estar morto (não vivo, mas o que eu sempre falo aqui: ele está não-morto, o que é diferente de estar vivo ou de ter ressuscitado, ele simplesmente deixou-de-estar-morto, entendem? No sonho eu sei que ele já morreu) e eu descubro que tenho cachorros. Meu pai tenta convencer minha mãe de que podemos ter um cachorro – da mesma forma que ele fez com a única cachorra que eu tive na vida, a Tutti. (Papai gostava de animais. Ao contrário de mamãe, que detesta todo o qualquer tipo de animal).


Elementar, meu caro Sigmund (daquelas que confunde as tiradas, né?): eu, em um momento em que volto a morar na casa onde vivi até os 18 anos começo a sonhar com casas e portas a serem fechadas a força, tentando deixar intrusos do lado de fora.

Hãn, hãn? Pegaram?


Nos dois sonhos existem informações que vêem à tona – eu tenho um cachorro e não sabia ou meu pai deixou-de-estar-morto.


Nos dois sonhos eu conto com a ajuda (inútil) de terceiros, mas quem me salva sou eu, contra todas as previsões.


Nos dois dias eu acordo no momento em que eu consigo agir.

Nos dois sonhos sou eu contra um bando de gente.


Eu poderia terminar meio paulocoelhamente, dizendo que “não fique esperando ajuda de terceiros, quando a verdadeira força vem de você mesmo” ou. “só quando você agir conseguirá deixar os fantasmas e intrusos do lado de fora da sua vida”, mas creio que a psiquê é mais complexa do que isso (ainda que um charuto possa ser apenas um charuto).


Em todo caso, acho que tenho futuro no ramo dos manuais de sonho – estilo “sonhou com dente caindo: falsos amigos”.


Ou ainda a melhor interpretação vem de Formiga Irmã, também na mesma profissão que Titio Sig: “joga no cachorro, vai que você ganha, compra uma casa e aí pode ter um cachorro”.


Creio que terei que ir a Capital ver meus médicos de cabeça com urgência.
(Uma das boas coisas de ter mudado para Gotham City é dizer "vou a Capital". Adoro. "Vou a Capital". Tão poético...)

domingo, fevereiro 17, 2008

The job that ate my brain


“Ain't enough hours in the day
There's go to be a better way

I can't take this crazy pace
I've become a mental case
Yeah, this is the job that ate my brain”

(Ramones)





Eu não faço a menor idéia pra onde eu estou indo. E, sei lá. Talvez isso não seja necessariamente uma boa.

Eu tenho a sensação de que alguém roubou a minha vida e está com ela por aí. Quem achar, favor deixar na portaria.

Alguma dona de casa com marido, filhos, cachorro, vazinho de flor na janela, lençol estendido no quintal e papagaio talvez queira ir pro ridijanero continuar os estudos, morar sozinha...sei lá. Faço permutas. É só contatar o gerente da seção e podemos fazer negócio. Vendo itens em separado, também.

A Madonna uma vez, já no auge da fama (tipo próximo ao lançamento de Na cama com Madonna, depois da turnê Blond Ambition) disse: “tudo que eu queria agora era estar em casa lavando as cuecas do meu marido” (o que, estranhamente me lembrou aquela música do Guilherme Arantes: eu queria muito estar/ no escuro do meu quarto/ à meia noite/ à meia luz/ Sonhando/daria tudo por/meu mundo e nada mais). Ninguém no mundo entendeu essa frase dela, só eu. Não é machismo, não é jogada de marketing, não é nada disso. Eu vou explicar pro resto do mundo. É apenas o sentimento de que ela queria realmente ser uma pessoa normal, mas não dá. Ela queria querer, o que é bem diferente de apenas querer. Algumas pessoas passam a vida tentando ser normais, tentando ter apreço pela normalidade, e nunca vão conseguir – e, bom...depois de algum tempo ela até conseguiu “lavar as cuecas”, de alguma forma. Ah, eu e minhas questões acerca da suposta "normalidade" - eu sei que "de perto ninguém é normal" e coisas do tipo, mas...há níveis. Há graus.

Tédio. Tédio. Tédio.

Zzzzzzz.

Esses dias eu escrevi "exelente". Minha irmã viu e teve que me corrigir. Mas eu fiquei olhando alguns minutos pensando o que havia de errado na palavra. Eu também nunca sei escrever "administrar". Psicóligos de prantão podem arriscar explicações óbvias.

Meu cérebro virou um mingau, essa é a verdade. Tenho vontade de ficar sentada no sofá vendo Friends e Bob Esponja, tomando Toddy morno com biscoito molhado no leite.

As pessoas dizem que para você ter cachorros (sim, de novo eles. Que, no caso, não passam de uma metáfora) e filhos, você deve abdicar de uma série de coisas, se prender, não ter liberdade de sair, de viajar, de passar noitadas fora de casa...

A dúvida é: cadê as noitadas, as viagens, os filhos, os cachorros, a série de coisas? Roubaram! Eu não tenho nada! Nem uma coisa, nem outra! Nem os prós e nem os contras.

Eu não sei pra onde estou indo. Só sei que a passagem tá muito cara e o motorista dirige muito mal. E tá sem paisagem, o caminho. Eu acho que eu tô enjoando e vou vomitar dentro de alguns minutos.

O pior (ou melhor) é que eu sei pra onde eu deveria ir. Mas não tá dando. No momento, não.

Minha vida não é igual a de ninguém. Sim, há uma presunção muito grande nessa frase. Nenhuma vida é igual a de ninguém. Mas eu sempre tive a sensação, desde muito criança, que a minha era menos igual, mesmo sabendo que a de todo mundo é diferente.

Eu vou ser Doutora com 32 anos. Phd – philosofical doctor. Pra quem, há dez anos atrás, queria fazer tudo, menos seguir a carreira acadêmica – pra quem, sequer, queria ter feito faculdade e trancou duas vezes – acho que é uma grande surpresa.

Pra quem não fez Letras só porque não queria, em hipótese alguma, ser professora, também é um fato, no mínimo, curioso.

Pra quem sempre odiou o Rio também é um tanto quanto notável atingir a marca de 13 anos morando lá. Passei a gostar, depois de uns 5 anos. Do meu jeito, mas gosto. Pelos motivos que não são os mais óbvios.

Não, eu também não quero ser atriz (pra quem não sabe: eu tenho um registro de “Artista – atriz”. Mas não espalha. Pior do que esse só o de jornalista, mas eu sequer me dei ao trabalho de tirar o registro profissional, que é pra não correr o risco de ninguém me dar um trabalho nessa área).

A única coisa que eu gosto de fazer desde pequena é brincar. E contar historinhas. E toda a minha vida profissional tem sido uma busca por essas duas coisas. Só que nem sempre eu consigo articulá-las em um projeto de vida coerente e lucrativo.

Bom, mas pode ser tudo apenas TPQ = tensão pré-qualificação.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Ê, ê...


Eu tinha esquecido da influência do Famoso Exu Tranca-Tese, entidade que assombra orientandos em vésperas de qualificação e defesa. Ele existe. E quando ele baixa, você precisa ascender uma vela pra São Marx, São Weber e São Nitzsche para que sua tese tenha os caminhos abertos novamente. Vamos lá. Ê, ê, misifio.

Segundo o Coach, é muito comum os surtos. No último Althusser estrangulou a mulher. E Coach ainda completa: mas o que ela tinha que estar casada com ele, não é verdade?


***

Sonho dessa noite: o Osama Bin Laden é um bebê lourinho de olhos azuis que na verdade tem 22 anos, está no meu colo e eu estou apaixonada por ele e pensando que se alguém descobrir eu vou ser presa pelo FBI. E estamos em Andrelândia, MG, na casa das tias, mas que na verdade fica no Rio e eu também saía de carro pela Avenida das Américas, na Barra da Tijuca (no sonho eu também dirigia e batia em vários carros; eu tenho muitos sonhos em que eu dirijo. Na vida real eu não dirijo. Comecei a dirigir, bati e fiquei com medo. Como diz uma mulé lá de Andrel, fiquei com drauma).

Interna? Choque elétrico? Manda benzê? Vou a Sessão de Descarrego da Universal? Aceito sugestões.


***

Nossa. Morreu o homi do Brokeback Montain. O louro. Que tinha sido casado com a Michelle Williams, do Dawson’s Creek, com quem tinha uma filhinha. Que coisa. Foi achado pílulas pra dormir em volta da cama dele.

Overdose acidental ou suicídio? A família insiste em morte acidental. É sempre muito difícil pra família encarar um suicídio. Ainda mais de um jovem de 28 anos, lindo, rico e bem sucedido.

E a Dora Bria também morreu. De acidente de carro.

Coisa estranha, né? Gente que nunca morreu antes deu pra morrer.

***

Como diz a Tíccia, eu to com as costuras apertadas e precisando pegar ritmo no pedal.

***


Hoje e ontem eu senti vontade de comer chocolate. Mas não comerei. Pelo menos por enquanto. Depois, quem sabe, um pedacinho. Mas ainda não é o momento. Ontem fique o dia todo sem comer, desde depois do almoço até a noite, e não deu certo. Fiquei enjoada quando fui jantar. Isso nunca dá certo, mas não foi proposital. Foi indo, foi indo e acabou fondo.

Tô ficando paranóica. Fiquei dois dias sem malhar e estou me sentindo culpada. Eu não posso me sentir culpada. Eu preciso entender que pessoas magras, normais e saudáveis ficam às vezes sem malhar. Isso não quer dizer que as coisas vão se perder. Isso faz parte. Tem dias que não dá. Paciência.

***

Festa do BBB. DJ Malboro e umas periguetes dançando. Só funk. (não passou na grobo, só no Multishow).A Nathália e a Thalita tão se esbaldando com as coxas das mulheres. Não param de comentar. BBB também é diversidade sexual. Só falta avisar pra elas. Como diria Roberta, elas já receberam o telegrama avisando. Podem até não ter lido, mas que receberam, isso receberam.

A Juliana definitivamente não é o meu tipo. Ela é o estereótipo de tudo que eu não gosto em uma mulher e não quero ser. Se olha no espelho o tempo todo, se acha a mais linda do universo, tem vozinha de santa, jeitinho de santa. Definitivamente é a que eu mais detesto na casa. Não por acaso, dois caras (um dos mais gatos) ficaram a fim dela na casa. Homi gosta disso, né? Ainda bem que eu não sou mulher nem branca, como diz Caetano.

Andréa, volta logo de Buenos Aires! Só você me entende...