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quinta-feira, abril 10, 2008

A dois graus de Rodrigo Santoro


Era uma vez um amigo meu chamado X. Esse amigo morava em Patópolis, tinha parentes em Pasárgada (onde eu também tenho) e em Gotham City (que eu morei até os 18 anos). Eu e o X sempre fomos muito amigos.


(Corta).


Encontro com a Tíccia, de Porto Alegre, aqui no Rio, final do ano passado. Conheço uma menina cujo nick era Senhorita Rosa com o Candelabro na Biblioteca (sim, do jogo Detetive da Estrela).


(Corta).


Dois anos antes dou aula para Canimo (que, evidentemente, tem outro nome) em Patópolis. Eu a (des)orientei na monografia final. Depois a Canimo passou a ter um blog. Aí eu conheci, virtualmente, a Raquel, prima da Canimo (dãã! Agora que eu entendi o nick!).

Volta pra cena do encontro com a Tíccia. A então Senhorita Rosa diz “ah, você é quem deu aula pra Canimo?”. Sim, sou eu.


(Corta).


Estou eu, flanando pelo blog da Canimo, e vejo uma Senhorita Rosa com o Candelabro na Biblioteca. Pensei comigo: “oh!” e fui lá ver. Afinal, não poderiam existir duas Senhoritas Rosas com o Candelabro na Biblioteca. Vejo um link para o blog da Lenissa e do Gigio, que também estavam no encontro da Tíccia. Sim, só pode ser a mesma pessoa. Aí deixo um recado todo animadinho: “a-há! Senhorita Rosa! Te achei! Está com um blog e nem fala nada?”. A Senhorita Rosa número 2, diz: “acho que você está me confundindo”. Pensei comigo: “noooossammm! Ela nem lembrou de mim! Que pessoa estranha! Será que eu sou tão insignificante assim? Tudo bem que o encontro era da Ticcia, pra Ticcia e com a Ticcia, mas...custava lembrar de mim? Eu sou a amiga da Canimo! Aloooou! Lembra de mim, please????”. Ela me responde dizendo: “olha só, eu não sou quem você está pensando” – bom, ela foi mais educada que isso e eu menos pentelha que isso (só um pouco menos).


Nesse meio tempo combinei de almoçar com a Lenissa na Travessa – que, no encontro da Ticcia eu não havia conversado nada, já que ela ficou numa ponta da mesa e eu em outra, depois só nos falamos pela internet – e Senhorita Rosa Número 2, a morena, foi também.


(Sim, internet também serve pra fazer amigas e não apenas "pegar" pessoas ou ser protagonista de histórias do Linha Direta).


Aí resolvo convidar a Senhorita Rosa Número 1, que eu descobri que era Miss F agora, e ela me esclareceu tudo: elas se conhecem, estudaram no mesmo colégio e tudo não passou de uma enorme coincidência. Ninguém roubou o nick de ninguém – já que todo mundo jogava Detetive da Estrela (todo mundo menos eu, que sempre fui A Estranha e preferia War, que saía porrada ou Banco Imobiliário, que também dava uma certa sede de vingança).


Aí percebo que o sobrenome da Senhorita Rosa número 1, agora Miss F, amiga da Canimo, que eu dei aula em Patópolis, que estava no encontro da Tíccia e que é loura de olho azul (tá parecendo aquela musiquinha do Cocoricó: Estava o Julio em seu lugar/Veio o cachorro lhe cutucar/O cachorro no Julio/ O Julio no Alípio/ O Alípio na vaca/ A vaca no avô/ O avô na galinha/ A galinha no galho/ O galho no gato/O gato no rato/O rato na aranha/A aranha na mosca/A mosca na avó/A avó a bordar...) é o mesmo de um amigo de X, que ia bastante em Pasárgada. Dado que: 1) Os dois são de Patópolis; 2) Os dois são muito louros com o olho muito azul, 3) Os dois têm o memso sobrenome e 4) O mundo é um ovo de codorna, resolvi perguntar: "ei, você é irmã do XW?". E não é que era!



(Corta. Sim! Mais revelações bombásticas por vir! VOCÊS ESTÃO ACOMPANHANDO A HISTÓRIA DIREITINHO???)

A Senhorita Rosa Número 2, agora Única, era a amiga da Raquel que ia de Kombi com quem? Não!! Não é com X, nem com XW, nem... é com o Rodrigo Santoro!!!!!! E, melhor ainda, ela me contou que o apelido dele era Chorão. Porque ele era o último a ser entregue na Kombi! Aí ele começava a chorar!

(Pausa. Corinho: ôôôô!!! Que coijinha maisi foooofa da titia Carrie!)


Gente, quanto mais eu escuto essas histórias bizarras do Santoro (e eu já ouvi várias, de diferentes fontes) mais eu me apaixono por ele! Eu me apaixono pela pessoa-Rodrigo. O selumano-Rodrigo. Tudo bem que os olhinhos de menino desprotegido, aliado aos braços torneados na medida exata (nem mais, nem menos), as coxas exuberantes, o abdômen e o sorriso simpático também contribuem muito. Mas sempre que eu escuto essas histórias, sobre como ele era esquisito e frágil e sensível até demais para um menino, eu penso: almas-gêmea, carne e unha, bate coraçããão! Eu sempre via ele falando isso nas entrevistas e achava que era papo dele. Do tipo que faz marketing negativo só pra ouvir elogios, sabe? Eu também era estranha e frágil e sensível, Rodrigoooo! Com a pequena diferença dele estar hoje em dia em Hollywood, ganhando em dólar e eu continuar Estranha, escrevendo pra 17 leitores e meio com bolsa de doutorado (tá, mas meus 17 leitores e meio valem pela platéia toda do Santoro. Que aliás, foi eleito o pior ator de Hollywood por sua atuação como Xerxes. Pô, mas ainda assim é o pior ator...de Hollywood. Sim, eu me impressiono com esse tipo de coisa. Sim, no fundo eu sou uma “pseudo intelectual arrogante de merda” - como já me xingaram nesse estabelecimento - que queria ser uma BBB. Sim, no fundo eu sou uma pessoa bem superficial).

O problema é que eu estou sempre conhecendo pessoas amigonas de um amigão do Santoro. Pessoas que estudaram com a irmã do Santoro (minha cunhadinha, Flávia). Pessoas que eram vizinhas da prima do Santoro. EU QUERO CONHECER ALGUÉM QUE SEJA MUITO AMIGO DO SANTORO ATÉ HOJE!!!

Aliás, eu vou te contar que esse irmão da outrora Senhorita Rosa, atual Miss F, era (deve continuar, assim eu espero) tudo de bom. Muito melhor que o Santoro, diga-se de passagem. Sim, a maioria dos amigos do X, incluindo o próprio, eram/são do naipe do Santoro. Sim, caras amigas. Provavelmente a mulherada de Patópolis que está me lendo vai torcer o nariz e dizer “que exagero”. Hereges! Infiéis! Tolinhas! Vocês não sabem o que estão dizendo. Patópolis é a cidade dos homens bonitos. Nenhum nunca me deu bola, é verdade, mas isso é outro detalhe. Sempre com seus olhinhos e/ou peles claras, suas bochechinhas rosadas, suas pintas de descendente-da-família-real. Eu sempre fui a amiga super gente boa, legal, bacana, inteligente pra caralho...que apresentava a outra amiga bonitinha e burrinha que ficava com eles. Sem contar o fato de eu sempre ficar mais bêbada que todos eles juntos. Enfim. É a vida. Com o tempo também passei a preferir os caras feios/inteligentes/engraçados. Não só porque eles NÃO me rejeitavam - como diria o Diogo Mainardi - mas também porque com o tempo eu passei a achá-los de fato mais interessantes. Além do fato de ter sempre menos mulher em volta deles. E quem é que agüenta acordar com um cara que é mais bonito que você mesma? Um sujeito que tem a pele melhor que a sua? O cabelo mais sedoso?

No fundo, no fundo, acho que parte da minha fixação pelo Santoro é uma forma de finalmente pegar algum amigo do X. Freud dizia que estamos sempre repetindo as relações de nossa infância e que nos apaixonamos pela mesma pessoa a vida toda. Minha vida sentimental é pautada por alguns mitos fundadores: a Síndrome do Itamar e os Amigos de Patópolis do X.


***


Mudando de assunto, mas nem tanto, tenho encontrado uma série de pessoas que tem colocado “anúncios” de si mesma em sites de relacionamento do tipo Par Perfeito. Pessoas bonitas, inteligentes, que saem de casa, que tem tudo pra namorar quem elas quiserem. Muitas. Não é uma nem duas. Muitas mesmo. Mulheres e homens. E aí volta e meia alguma delas me diz: “por que você não coloca, também?”.

Eu não coloco não é por vergonha, por orgulho (??!!), nem nada disso. Eu não coloco pela total inabilidade em me descrever, bem como escrever o que eu quero/espero de uma pessoa. O que eu vou dizer? “Oi, meu nome é Carrie, tenho 31 anos, pobrema de neuvro, muitas manias estranhas, não curto “baladas”, micaretas, nem bar com música ao vivo, sou doutoranda em história, durmo tarde, falo sozinha, assisto a programas evangélicos da Record, tenho um blog e planos de dominar o mundo. Procuro homens de qualquer idade, qualquer tipo físico, que não babem (em público), com curso superior, que saibam que Nelson Rodrigues morreu e Rubem Fonseca é um escritor, que me arrastem pra “balada”, de preferência com nariz grande e torto, que assistam ao Big Brother e leiam Tolstoi nas horas vagas. Ou, na ausência disso tudo, que seja o Santoro”? Too much specific? Mamãe diz que sim. (Cris ou Andréa, acho que eu procuro vocês!! Ou a mim mesma numa versão melhorada. Ou piorada. Whatever).

Além disso, vi que tem que por um apelidinho (sim, eu me dei ao trabalho de ir lá ver qual é a da parada). Quem é que se interessaria por um nick de Carrie, a Estranha? Alguém estranho? Mas e se for estranho realmente estranho e não estranho-legal (daquelas que se acha legal)? E, na boa, não me imagino com nenhum outro nick como gatinhamanhosa31, sexyhot76, balzacaenxuta, solitariazonasul ou intelectualegostosa. Algum nome de escritor/personagem que eu goste? virgíniawoolfdostropicos (uau! Super apropriado! A mulher entrou num rio com um monte de pedra no bolso e morreu!). Enfim, não dá. E eles cruzam os dados e unem pessoas em comum. Meda.

Diz meu horóscopo que eu ia ter um encontro amoroso emocionante! (desse jeito, com exclamação) no final de semana. Emocionante pode ser um monte de coisa. Meda.

Como diz uma amiga minha, a gente atrai pessoas na mesma vibração. O problema é que eu estou vibrando na do Dalai Lama. Só pode – e até o Tibete se libertar ele tá com muita função.
PS: Já antevejo a cara de mamãe ao ler esse post...minha filha... (Já contei que mamãe foi Miss? Miss, plebe!! Mas eu me pareço com o meu pai - que também era lindo, mas nunca foi Miss. O que de certa forma é bom, pois seria um pouco estranho). Antes que riam de você - e, em algum momento, as pessoas vão rir, isso é fato seja você quem for - ria com os outros de você. Como diria o Bozo, sempre rir, sempre rir...

terça-feira, abril 08, 2008

Royale with cheese's philosophy


Eu sempre preferi Toddy a Nescau. Meu pai também preferia Toddy. Ele dizia que quando era criança, lá pelos idos de 30, achava que era Todoy – o segundo D ele achava que era um O. E eu nem sabia que o Toddy era tão antigo assim.

Antigamente o Toddy não dissolvia totalmente. Ficavam bolinhas na superfície. Eu comia as bolinhas com a colher e depois bebia o leite. Já o Nescau dissolvia.

Hoje em dia o Toddy dissolve totalmente. Já o Nescau deu pra fazer bolinhas.

Como é vida, não é mesmo?

Mas o gosto de Toddy continua sendo melhor que o Nescau.

Aliás, o mundo pode ser dividido em alguns princípios básicos: Toddy ou Nescau; Coca ou Pepsi; Bob’s ou McDonald’s; pipoca de sal ou doce; Beatles ou Stones; praia ou montanha; feijão em cima ou do lado do arroz.

Eu: Toddy, Coca (Zero), McDonald’s, mista, Beatles, montanha e varia.


quinta-feira, abril 03, 2008

Diga-me como dormes e eu te direi quem és


A pissoua agora só dorme de lado. De lado, abraçada num travesseiro. O que me faz acordar com o pescoço duro. Já passei por várias fases. Já gostei de dormir de bruços, mas comecei a acordar com dor na lombar. Depois descobri que a melhor forma era dormir de barriga pra cima. Ótimo.

Não tenho a menor paciência para o tal “dormir de conchinha”. Eu sempre demoro a dormir e fica a pessoa roncando e pesando em cima de mim. Ah, não. No way. Faço que nem o Ross com a Rachel: espero dormir e empurro pra longe de mim (se lembram desse episódio? O Chandler diz que não consegue dormir abraçado na Mônica e a Rachel tira mó onda dizendo que ela e o Ross dormem abraçadinhos. Quando ela sai o Ross conta a “técnica” pro Chandler. Ou é o contrário – o Chandler conta pro Ross).

Aliás, detesto dormir acompanhada. Quando tenho que dormir com qualquer pessoa, por qualquer motivo que seja – por exemplo, quando a casa está cheia e eu tenho que dormir com Formiga Irmã ou Formiga Mãe – acho um saco. Eu não caibo. Eu já sou grande pra uma cama de casal. Quer dizer, eu não sou tão grande. Sou espaçosa. Pra dividir, então...não dá. Além disso eu sou uma pessoa idosa, cheia de manias.

Uma das melhores coisas é tomar banho, colocar aquela camisola/pijama velhinho e deitar numa cama com lençol cheiroso, meus travesseiros de pena de ganso, meu colchão duro, muito duro e dormir uma boa noite de sono – eu e Dona Henriqueta. Outra mania que eu desenvolvi foi aquela máscara de avião, pra vedar luz. Na rede de lojas natureba-McDonalds-Mundo-Verde existem aquelas máscaras com essências de ervas, cada qual para cada problema. Quase que eu tive que trazer todas, porque eu tenho todos os problemas, como vocês sabem – e os que eu não tenho eu passo a ter só de ler as indicações. Acabei me decidindo pela de camomila (Lembrei daquele filme, “O amor não tira férias”, onde o quarto da Cameron Diaz tem um sistema de persianas que descem e escurecem o quarto todo à qualquer hora do dia. Magavilha! Detalhe: o meu quarto pode ser escuro. Quando estou em locais “estranhos” não gosto de tudo muito escuro, não.)

Música eu vareio – como diz o outro. Às vezes durmo com, outras não. Às vezes durmo com o som, outro com o I-pod. E agora meu dentista inventou de eu dormir com uma placa contra bruxismo. Depois de eu quebrar uma obturação de amálgama e tirar uma lasca de um dente ele achou mais aconselhável eu fazer uma plaquinha, ainda mais porque eu mudei a obturação pra resina – e antes que eu ficasse sem língua, quem sabe, na melhor das hipóteses.

Vocês já dormiram com alguém que range dentes? Eu já. É um barulho sinistro. Algo que você nunca associa a dentes. Parece uma porta fechando, uma manivela...troço horroroso! Mas eu ainda não cheguei nesse estágio. Mas...eu chego lá. Vocês já acordaram com um tapa? Eu já. A pessoa meio que teve um pesadelo e meteu a porrada em quem tava do lado – no caso esta que vos fala. Vou te contar. Situação...eu sei o que vocês estão pensando. Não foi por querer. Mesmo. A pessoa tinha uns pobreminha de neuvro.

Pois bem, agora a pissoua aqui só consegue dormir de lado, encolhida e abraçada num travesseiro. Posição fetal total, facilmente interpretável por estudante de psicologia de primeiro período - ou não, pois às vezes um charuto é só um charuto e uma posição fetal é só uma posição fetal, cal pobrema? Ainda por cima, com todos esses acessórios supracitados: placa nos dentes, tapa-olho, fone no ouvido. Visualizem a cena. Não dá nem duas horas depois e o tapa-olho tá no chão, eu cheia de marquinha de dente no braço, porque eu tirei a placa sem sentir e dormi em cima dela, e o I-pod, coitado, jaz pendurado pelo fio, gritando socorro e pedindo asilo político no compartimento do som. Também gosto de dormir com o pé pra fora do lençol e/ou cobertor, não importa o frio. Também só levanto da cama pisando com o pé direito. E sempre levanto no meio da noite pra fazer xixi. E tenho meio que um xixi nervoso: se eu fico sem sono toda hora eu acho que eu quero fazer xixi.

Ai, ai...Muito trabalhoso ser eu. Algo me diz que eu não deveria confessar essas idiossincrasias em público, mas meu lado exibicionista é masoquista.

segunda-feira, março 17, 2008

Eu e o balconista


Nesses tempos sem internet em casa eu tenho ido a uma Lan House bem baratinha, perto da minha casa. O dono parece um personagem do Nick Hornby ou do Kevin Smith. Pra quem não está familiarizado com o autor de livros que viraram filmes como Alta Fidelidade e o diretor de O balconista e Procura-se Amy, explico. Trata-se de jovens – ou não tão jovens assim – que possuem interesse em música ou áreas afins e que tem um subemprego que, de certa forma, os colocam em contato com a área pretendida, sem contudo, representar algo concreto em suas vidas. Esse Fulano: cabeludo, toca em uma banda e puxa papo com todas as pessoas. Se você pergunta que dia é hoje ele te responde com “hoje é dia do show da banda [nome estranho de uma banda obscura que eu nunca ouvi falar]. Eles vão tocar durante duas horas e meia!!”. Se mete nas conversas das pessoas...uma coisa.

Dia desses foi uma garota gravar umas músicas, ao que parece, em um CD. Aí ele manda:

- Essas músicas são inéditas?

- São.

- De quem são? - insiste.

- Eu tenho uma banda – diz a menina, meio de má vontade.

- Sério?!!! - responde o cara - Tocam o quê?

- Ah...responde a menina, mais de má vontade ainda, porém com um certo orgulho...rock. Ao que ele completa:

- Alternativo? Sixties? Urbano? – e mais meia dúzia de denominações que eu não me lembro e que pra mim são todas sinônimos. E a menina:

- É, é...

- E vocês estão fazendo shows? - quanta empolgação...

- Temos um show marcado em São Paulo.

- Que legal!!! Vibra o cara, como se fosse um show dele.



Daqui a pouco chega um Sicrano querendo passar uma mensagem pra um celular de uma garota por algum site de empresa de celular. Parece que era alguma oportunidade de emprego, que o cara precisava avisar a garota urgente, mas estava sem crédito no celular. O mesmo atendente, que parecia já conhecer o cara, dispara:

- Passa do meu celular! Depois quando você for um ator famoso eu posso dizer que você já passou uma mensagem do meu celular!

(E...?? Pensava eu, do meu posto de observação).

Aí eles acharam por bem mandar um torpedo mandado a garota checar seus e-mails.

- Vê se tá bom assim – dizia o atendente empolgado. “Oi, linda. Olhe o seu e-mail. Estou passando uma mensagem do celular do meu amigo Fulano. Bjs. Sicrano”.

- Tá, tá ótimo – disse o sicrano.
.

E eu lá, checando meus e-mails enquanto o resto da lan inteira olhava o orkut.

De repente eu olho pro desktop do computador onde eu estava e acho um arquivo com o nome de uma amiga minha. Um nome não muito comum. E essa minha amiga mora exatamente em frente a essa Lan. Abro o documento. Trata-se, simplesmente, de um acordo de trabalho entre ela e uma famosa produtora de filmes (sim, ela é atriz), com todos os dados pessoais dela, como CPF, RG...Sabedora da lerdeza e atolamento dessa minha amiga, apenas arrastei o referido documento para a lixeira e esvaziei-a. Se ela deixa os documentos abertos, imagina as senhas. Limpei todo o histórico de visitas e informações pessoais do computador.

Pedi pro Fulano escanear uma coisa pra mim. Quando ele termina, me pede o meu e-mail, pra me mandar a imagem. Chega o e-mail do cara, com o celular e o msn, o qual era composto de fulanodepressivebluesguy. (Nisso a Lan inteira tinha ouvido o meu e-mail).

Ou seja: a Lan é um antro de aspiras. Aspirantes a atores, músicos e escritores. Só espero que ele não descubra o meu blog...

domingo, março 16, 2008

Voltei

De muito saco cheio: com os 200 anos da vinda da família real (não deveria dizer isso como historiadora, mas família real my ass!) e dos 50 anos da bossa nova.
***




Olha só que bonitinho! A Ela, que eu nem conhecia, me deu esse selinho aqui. Puxa. Meu primeiro selinho (pegou mal a frase, mas vocês entenderam). Muito obrigada.


Eu acredito em uma certa etiqueta dos blogs. Acho que se a pessoa se deu ao trabalho de colocar um comentário no seu blog, o mínimo que você pode fazer é responder (se não estou respondendo é porque ando sem internet). E, se possível, retribuir a visita. E se vejo que a pessoa me linkou eu também a linko. A não ser que o blog seja muito ruim. Mas isso nunca aconteceu. Lógico. Pra pessoa gostar de mim ela tem que ser inteligente! (e modesta, assim como eu). Só que tem gente que me linka e nem avisa! Aí, de vez em quando, eu faço um egosurfe pelo google e descubro vários blogs que me linkam. Avisem, que é pra eu poder retribuir. Como vocês sabem eu sou do século XIX. Mas com corpinho de XXI!




***

E por falar em corpinho (eu me prometi que eu não falaria mais desse assunto, mas lá vamos nós), a matéria da revista de domingo do Globo de hoje traz cinco gordas na capa, dentre elas a Preta Gil, falando sobre seus roliços corpinhos e sobre um movimento surgido nos EUA chamado Fat Proud (orgulho gordo). Sim, caros amigos pós-modernos! Depois da política de gênero, da política de raça, a mais nova política das identidades é a política do gordo. Tudo ótimo, se eles não estivessem considerando gordo...uma pessoa que veste 42. Tipo...eu me daria por satisfeita se estivesse vestindo 42. Minha meta é 40, mas 42 já tava ótimo. Eu quero emagrecer 20 quilos (11 agora) não pra ficar que nem a Gisele Bündchen. Não porque eu não me aceito como eu sou. Eu só quero entrar em uma calça 40. Se isso é ser gordo, ok, tenho orgulho de minha gordura. Mas não me venha Preta Gil – que eu até gosto, simpatizo, acho uma pessoa bacana, mesmo a despeito das merdas que ela fala – me dizer que tem orgulho de ser gorda com 3 lipos no currículo. Não me venha uma outra lá dizer que tem orgulho em ser gorda e sequer revela o peso. Não me venha uma delas, mais magra que eu, dizer que tem orgulho de ser gorda. Me poupem. Quando você afirma que uma pessoa que veste 42 deve se achar linda do jeito que é, você só reforça o preconceito. Afinal, quem disse que 42 é gordo? É que nem gente que diz, “imagina eu não tenho preconceito contra gay. Eu até tenho amigos gays!”. Que coisa! Que liberal, você!

Aliás, na matéria eles consideram gordo qualquer pessoa, não importando a altura, que pese mais de 60 quilos. Eu nunca vou pesar menos de 60 quilos, people! Eu tenho 1,70 (1,69, na verdade, mas eu minto, mesmo porque, dependendo do dia, eu fico mais alta). A última vez que eu pesei menos de 60 eu devia estar na quarta série primária.

Uma das gordas da matéria é de Voltaço – mas se mudou daqui há bastante tempo. Estudava no mesmo colégio que eu. É o que eu digo: quando 5 ou mais pessoas se reunirem, uma delas será voltaredondense.

O gordo é, antes de tudo, um fudido na vida. Eu posso falar. Eu atravessei a fronteira. Eu vi as trevas e a luz.

***

Aliás, quanta merda no jornal. Só gente escrevendo bobagem. Bobagem, bobagem bobagem. Não me entendam mal, eu sou super a favor da bobagem. O problema é acharem que estão escrevendo a sério. Colunistas. Só merda.

Por falar em bobagem e jornalismo, a editora Abril está me mandando seis números de Veja, na intenção de que eu assine. Tolinhos. Já assino Boa Forma e caso assine uma segunda revista dessa editora seria a Elle ou a Estilo. Muito mais útil pros meus objetivos.

Porque vocês sabem, né? A minha meta desse ano é ser só um corpinho bonito. Não agüento mais ser julgada apenas pelo cérebro avantajado. Não agüento mais ser gente boa. Saco. No fundo, no fundo eu sou bem superficial. E má. Não sou legal.

Acho tão engraçado as pessoas dizerem que devem gostar da gente pelo que a gente é e não pelo corpo. Como se o corpo não fosse a gente! Como se houvesse “dentro” e “fora”, interior e exterior. Como se não fosse tudo a mesma coisa. E essas mesmas pessoas serão as primeiras a te julgarem pela aparência.


***

Me libertei da Virtua. No momento, estou sem internet, estudando opções, mas me libertei. O bom foi que eu descobri o que aconteceu, graças a uma atendente gente boa – e que também esqueceu de colocar o telefone mudo enquanto conversava com o supervisor dela. Foi o seguinte: eu tenho um serviço, o Vírtua 300, que não é mais comercializado pela Net. Eles têm o vírtua 200 e depois passa pra 1 giga. Resultado: os operadores de telemarketing não conseguem mudar pro 300 porque não há essa opção. Aí a mocinha me explicou que, caso eu ficasse os três meses que eu tinha planejado ficar suspensa, eles não retornariam com o serviço. Só que, como voltei antes, eles são obrigados a manter o serviço. Então percebi que eles vão ficar me enrolando até dar os 3 meses e eles não precisaram me dar o plano de volta.

Detalhe: ninguém me avisaram disso! – como diria meu amigo Betão, vulgo Netinho, vulgo Roberto, vulgo Roberval e que na verdade não se chama nada parecido com isso Quando eu liguei pra lá, disseram que eu podia cancelar a suspensão a hora que eu quisesse.

Mas o bom mesmo foi ver a operadora falando pro supervisor: “a mulé tá sem virtua desde 25/02, o que eu faço? Mando ela sentar no pudim?”. “Mas esse setor XY também não faz porra nenhuma, hein?”. Adorei. Vi humanidade. Vi que a atendente realmente se compadeceu de minha dor. Porque a coisa mais irritante é você pensar que está falando com um robô. Você dar berros do outro lado – porque, mesmo sabendo que a culpa não é dos atendentes, eles podem, sim, fazer alguma coisa, como essa de fato fez - e eles responderem: “algo mais em que posso ajudar, senhora?”.

Aí quando fui cancelar foi aquela novela:


- Qual o motivo, senhora?.

- Eu sou obrigada a falar o motivo?

- É que, dependendo do problema, nós podemos solucionar.

- Não, vocês não vão solucionar.

- A senhora não quer falar?



Falei durante meia hora e ela tentando me convencer de que havia um motivo racional para todo o problema que não a pilantragem, safadeza e picaretagem da Net.

- Eu não quero saber, minha filha. Eu só sei que a Net me enganou e eu não fico um segundo com ela mais!

- Mas a senhora não me deixa nem falar.


Tum tum tum tum...a piranha desligou na minha cara. Ligo de novo, porque sou um ser calmo e evoluído espiritualmente. Todo o processo de novo:


- Qual o motivo do cancelamente, senhora?

Bla bla bla bla.

Quando disso que a Tim ta oferecendo um serviço de 1 giga por 49,90 a mulé pirou:

- Senhora, eu posso estar oferecendo a senhora um serviço de 2 gigas pelo mesmo preço que a senhora paga, mas pra isso a senhora terá que assinar o net fone, senhora. Estando sujeito à disponibilidade da sua região, senhora.

- Nem morta! Sei de um monte de gente que tentou ter o net fone e achou um lixo.

- Senhora, nós somos a empresa líder na América Latina, senhora!

- Ah, é??? Segundo quem?

-Segundo as revistas, senhora!

- Que revistas?

- As revistas...a senhora não está bem informada, senhora!

- Vocês são líder é no procon!

- Mas a senhora não está interessada nesta oferta, então?

- Eu quero ficar livre de vocês. Nem de graça eu manteria a net.


(mentira, de graça eu manteria sim, porque sou uma pessoa altamente corruptível, como vocês sabem).


- Mas a senhora tem um sólido relacionamento de fidelidade há 11 anos com a net, senhora.


- Pois é. Mas a net me botou um chifre.
E eu quero a separação.

Meu mais longo relacionamento terminado. Enganada de forma vil. Por isso eu não acredito em casamento.

***


E tem post novo no blog do Clubinho de Livros. Dessa vez de Formiga Irmã.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Continuo com preguiça.


Com a acachapante vitória da nossa enquete dizendo que devemos manter a linha das personalidades que comentam no blog, viemos a público dizer que manteremos a linha.


***

A leitora Sarita me mandou algumas fotos do afilhado e da namoradinha dele, uma linda ruivinha de uns 4 ou 5 anos. De quebra ainda tem um gordinho muito simpático e fofo, parecido com o Matheus, filho do meu primo Juninho. Sem contar o próprio afilhado dela que é uma coisinha lourinha de olho azul.

Minha irmã esses dias trouxe a foto de um neto de uma colega de trabalho dela que é ruivo e – pasmen – se chama Artur. Gente, o bebê é uma coisa de fofo. Nem conto pra vocês.

Ou seja: estou cheia de fotos de crianças que nem conheço no meu computador – fora meus priminhos, sobrinha... Eu só tenho medo de que um dia policiais invadam minha casa, confisquem meu laptop e me acusem de manter uma rede de pedofilia. Ainda bem que as crianças estão todas vestidas.


***


Ah! E eu vou ter uma afilhada! Eu contei pra vocês que eu vou ter uma afilhada, né? Ela se chamará Sabrina e é filha do meu primo-irmão e grande amigo Juninho. Vai nascer no carnaval. Também nasce o segundo filho de Primo Poeta, irmão de Juninho, no Natal. Marco Antônio.

Todas as pessoas mais novas do que eu já procriam, já estando inclusive no segundo filho.

Ontem fui a uma festa onde estava a filha de uma amiga minha, que é da minha idade. A menina já tem 13 ou 14 anos e já sai à noite. E eu me vejo repetindo aquelas frases que eu achava insuportável quando tinha 13 ou 14 anos: “não! Não acredito! Gente, como você cresceu! Não é possível!”.

Eu tive uma leva de amigas que engravidaram na adolescência e os seus filhos já estão entrando na adolescência. Se essas adolescentes também engravidarem na adolescência minhas amigas já serão avós com a minha idade! Isso é bizarro!

Eu não me incomodo de ficar mais velha. Não mesmo. O problema é que mulheres têm uma idade limite pra engravidar – o que é apenas mais uma das desvantagens em ser mulher. É só isso que me preocupa. Não quero casar, não tenho medo de ficar sozinha, eu só queria ter um filho. Cada vez mais (ai, que patético isso...).

Se as leis da atração e O Segredo realmente adiantassem eu já estaria com uns 4 filhos, dois ruivos, um pretinho e um bem branquinho. Sim, porque eu adoro extremos. Adoro crianças pretinhas, muito pretinhas, ou branquinhas, muito branquinhas ou ruivas. Ou moreninhas. Enfim, eu adoro crianças. Mas odeio criança mal educada. Dou petelecos em crianças mal educadas.

E por falar em crianças minha sobrinha já chegou em Gotham para o Natal – e eu ainda estou aqui no Rio. Formiga Irmã a botou pra “falar” no telefone. Ela só ficou rindo e quando eu falei pra ela cantar ela disse “lalalalala”. Por que crianças amam música?

Minha sobrinha também grita “gol” quando está passando um jogo. Foi uma das primeiras palavras que ela disse. Será uma zagueira da copa de 2.022? Juíza? Bandeirinha?

Ai, ai.

domingo, dezembro 09, 2007

Notícias da província


Como eu disse a vocês estou aqui em Gotham City, né? De vez em quando tenho que vir aqui combater o crime, senão o Curinga fica se achando.

Interior é uma merda (mas só eu posso falar isso das minhas cidades: Gotham City e Pasárgada, quem falar mal na minha frente toma porrada. Eu também falo mal do Rio, mas dele podem falar mal, porque tem muita gente pra defender).

A Vanessa Giácomo, atriz da novela das oito (amiga da Marjorie Estiano e filha da Toitia Meireles) assim como o Tiago Pereira campeão de natação, também é de Gotham City. Eis que, estou eu, adentrando domínios gothanianos, e me deparo com outdoors e mais outdoors com ela, fazendo propaganda para a prefeitura, junto a enormes Papais Noéis infláveis (quando perguntei à Formiga Irmã se ninguém estourava o saco do papai noel – literalmente – ela me respondeu “não, nós somos educados aqui”).

Ligo a TV e lá está ela fazendo propaganda para uma ótica local.

Fiquei pensando nela, em uma plena quarta feira, falando: “Daniel [de Oliveira, também ator, marido e pai do filho que ela espera], vamo lá em casa almoçar com o meu pessoal e aí eu aproveito e faturo um troco que vai dar pra gente montar o quarto do bebê”. Daniel de Oliveira bota seu tênis, abastece o carro e pega a Dutra rumo ao Condado de Gotham. Param no Belvedere pra comer um pastel napolitano e um caldo de cana, pois ela teve desejos.


*


O que esse artistas não fazem por um din-din, não é minha gente? Tudo bem, a Vanessa é daqui, nem acho tão estranho – apenas engraçado. Mas me choquei ao ler uma bobagem de uma matéria no caderno Ela de semana passada falando sobre ser cool e que a Fernanda Torres seria “cool, formadora de opinião, uma alfa”. Peraê. Deixa eu me situar. A Fernanda Torres? Aquela que faz propaganda do Banco Santander e é assim ó com a Fernanda Young? Hãn hãn.

Por isso eu admiro a Letícia Sabatella. Ela, além de bonita e boa atriz, não faz propagandas. Seja de sabonete, banco ou shopping. Por... como é que chama mesmo? Ah! Por princípios. Ela diz que não acha certo associar a imagem dela a qualquer tipo de produto. As únicas aparições dela são em campanhas sociais, de informação à população. Mas ela não é cool. Não aparece na Caras, na Quem Acontece, na Flash e na Contigo, revelando que tem síndrome do pânico ou que fulano é o amor da sua vida. Ela não pertence às panelinhas cools.

E o problema de ser cool(zão) é que no momento em que você passa a ser, já não é, porque cool implica em ser low profile. É o mesmo paradoxo das vanguardas artísticas de todo o século XX – e de todos os subestilos de comportamento como o punk, o hippie, o muderno: no momento em que você é, o sistema te absorve e você já não mais é.

Por isso minha filosofia de vida punk inclui usar roupa da Leader e fazer eu mesma minha unha de vermelho e cortar meu cabelo (antes da desgraça de quinta). Porque punk de Cavalera e Alexandre Herchcovitch é fácil.


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E por falar no Tiago, soube que ele foi a uma chopada da faculdade de medicina de Gotham. Todo mundo achou ele um chato, porque ele não bebeu nada e ficou na dele o tempo todo. Claro, né? Ele é um campeão de natação. Vai encher a cara, acordar do lado de uma baranga que ele nem conhece e ficar de ressaca e não treinar no dia seguinte? Não, né? Certas opções na vida são radicais. Formiga Irmã, que deu aula pra ele, conta que ele não tomava nem refrigerante quando era pequeno porque já competia e sabia que isso não fazia bem. Certas pessoas sabem muito cedo na vida o que querem. O resto de nós fica por aí, enchendo a cara e acordando com estranhos.

E vocês sabem por que ele começou a fazer natação? Porque ele caiu numa piscina, quando ainda era muito pequeno, e quase se afogou. No dia seguinte a mãe dele o matriculou na natação.

Sucesso ou fracasso é a sua atitude diante dos fatos. Ih, tô parecendo propaganda do Santander.

Aliás, ele bateu o recorde há pouco tempo, mas foi de piscina de 25m. A de 50m continua sendo do Phelps. Aliás, todo o problema continua sendo o Phelps. Há sempre uns Michaels Phelps na vida. Ai, ai.


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Mas que Gotham City é um lugar estranho, isso é.

segunda-feira, dezembro 03, 2007


Tem um marceneiro aqui em casa fazendo uns silvicinhos (sim, o ano novo pra mim já começou). Todos os meus basculantes – eu disse todos – estão quebrados e/ou emperrados. Duas portas do armário do quarto de hóspedes caiu e a terceira tá por pouco; uma porta do armarinho do banheiro caiu e a outra tá por pouco; a janela da área de serviço não abre; o basculante da área de serviço não abre e os armários da cozinha estão com probleminhas pequenos diversos. Se viesse um especialista em feng shui - ou da ONU - aqui ia dar alerta vermelho. Nada tá fluindo. Tudo emperrado e parado. Excrusive a dona. Vamu circulando, energia! Circulando!

O marceneiro se chama Seu Duda. Seu Duda não é nome de marceneiro. Nome de marceneiro é Seu Romualdo, Seu Estáquio, Adamastor, Reginaldo... No máximo – estourando – um Seu Carlos ou Seu Paulo. Ou Seu Pires.

Mas seu Duda parece ser de confiança. Quem me indicou foi Seu Amaurilho (aí sim, um nome de confiança), eletricista do prédio, que fez os sistema de cendimento tomático dos andares, uma belezura, você abre a porta e tcharãn! Fiat Lux! (Detalhe, Seu Amaurilho veio aqui pregar uns quadros da parede e quando viu meu mural de fotos antigas – Marylin, Brando, Sophia Loren, Liz Taylor, começou: “isso é que eram atores”. Amei!). Mas, voltemos. Seu Amaurilho trabalha numa pequena empresa familiar. Me deu o telefone do Seu Duda, mas atrás eu vi que tinha um tal Seu Paulo. Achando que Seu Duda era um nome suspeito, resolvo perguntar sobre o seu Paulo. "Ah, ele é bom também" – responde Seu Amaurilho. "É meu irmão. O Duda é meu primo".

Opa! Peraê, conflitos familiares. Adoro conflitos familiares! Na boa, se você tem uma firma com seu irmão e seu primo, quem você indica? Ou eu diria que os dois são muitos bons ou eu indicaria meu irmão primeiro. Afinal, irmão é irmão. A não ser que você tenha problemas com seu irmão.

Não deu outra.

Hoje, quando seu Duda chegou - mulato-claro de sotaque nordestino (em dado momento ele fez uma brincadeira com algo do tipo "quer se livrar de mim?" e eu entendi "quer vladimir?". Quase respondi: "savuska! O senhor apóia o Putchikin?"), 57 anos, morador de Mesquista, boa praça – eu tive que perguntar sobre o relacionamento do Seu Amaurilho com o Seu Paulo, o irmão. "É, eles não se dão muito bem, não" – manda Seu Duda dando um risinho. "O Paulo é meio sistemático".

Adoooooro esse adjetivo! Sistemático. O que é uma pessoa sistemática se não uma mala sem alça ou um maluco de pedra pelo qual temos um carinho e usamos eufemismos para classificá-lo? Aí já fiquei na dúvida. Às vezes o que é um defeito na vida pessoal pode ser uma qualidade no local de trabalho. Se o “sistemático” for sinônimo de “perfeccionista”, ótimo. Mas agora já tratei com o Seu Duda – que certamente não deve se chamar Eduardo e sim Durvalino, Duramarte, Aduracil, Dercival ou algo do tipo. Amanhã eu ainda pergunto.

Por acaso ontem tava vendo o espetáculo (nos dois sentidos) do Sting (quer dizer, do Police) na Argentina e vi que ele tem 57 anos. Igual ao Seu Duda. Seu Duda parece avô do Sting. Claro, Seu Duda não tem tempo nem dinheiro pra praticar yôôôôga, comer produtos naturais, integrais e orgânicos (sempre mais caros), nem colocar botox.

Muito triste a desigualdade social.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Esqueceram de mim


Minha teacher sempre esquece coisas aqui em casa. Já esqueceu o celular, o material dela...é o autêntico caso de só-não-esquece-a-cabeça-porque-está-grudada-no-corpo. Hoje esqueceu da aula. Fantastic! Tudo bem que era aula extra, mas ela anotou na agenda. Eu vi. E o celular tá fora de área.


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Mandei um e-mail para Orientador. Assunto: “Senhor, por que me abandonaste?” e dentro perguntei: “Você não me ama mais?:o” (ele já captou meu senso de humor pândego e entende as minhas piadas). Ele liga em seguida, o pobrezinho, todo esbaforido, falando que mandou domingo meu capítulo e também mandou o convite pro livro – que não recebi. Isso que dá ter e-mail próprio – ele tem um provedor ou domínio, sei lá, próprio. Falou que ia mandar de novo.


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Ou seja: todo mundo deu pra me esquecer hoje. Tudo bem.


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Jacaré chegou? Não. Nem o e-mail dele. Vou ter que ligar de novo.


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Meu orientador é um super popstar do mundo acadêmico. Tava indo pra uma gravação hoje de manhã. Volta e meia aparece na Globonews, no Arquivo N sobre a Rússia, na execução do Sadam... Mas a melhor de todas foi a resposta que eu ouvi ele dando a um jornalista da Veja que ligou pro celular dele, querendo entrevistá-lo: “eu não falo com a imprensa marrom. Se vocês quiserem me pagar pra eu escrever um artigo, tudo bem, desde que ele saia assinado”.


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Quando eu crescer quero ser que nem ele.


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Sem contar que os e-mails dele são absolutamente hilários. As “observações interessantíssimas” aos meus escritos também. O problema é que ele é tão sarcástico que às vezes ele me sacaneia sem que eu perceba – a não ser um tempo depois. E eu também aprendo sempre palavrinhas novas com os e-mails dele. Preciso de um dicionário pra ler as suas observações. Isso sem contar os termos em inglês, francês, italiano e russo. Quando é em russo eu peço pra sair.


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E o cara ainda seqüestrou embaixador americano – seqüestro, não; “captura com fins revolucionários”, como diz ele – na época da ditadura e ainda fez treinamento de guerrilha em Cuba, nos anos 70. E ainda jogam pedra nele, acusando-o de ter “traído a causa”. Bom, depois de ter sido torturado barbaramente e exilado de seu país por anos “em nome da revolução socialista” que, até hoje, nunca foi bem sucedida em nenhum lugar do mundo (não me venham com historinhas de Cuba) as pessoas tendem a mudar um pouquinho, vocês não acham? Começam a ver que não é por aí. Triste é quem nem viveu aqueles tempos e ainda acredita piamente em Marx. Aí é fácil. Aí vira um Hugo Tchábez (como diz a Cam Seslaf).


Me impressiona muito que ele, meu orientador, mantenha a lucidez e o bom humor depois de tudo que ele já passou na vida por causa dessa bosta chamada Brasil. Eu teria dado um tiro na cabeça – aliás, muitos ex-militantes se mataram – se eu tivesse passado por tudo que ele passou por causa dessa birosca de país.


Esses dias tive uma discussão com pessoas sobre o conceito de democracia. Tudo bem, não acho que vivamos num estado democrático no capitalismo. Tem direito quem tem dinheiro. Ponto. Mas daí dizer que Cuba ou Venezuela são democracias...


Ninguém vai me convencer que um lugar onde todo mundo tenta fugir seja bom. Ponto.


Ah, os comunistas também são perseguidos nos EUA. Tá. Ninguém tá negando isso. Mas pega a lista de perseguidos – e o grau de perseguição – da China socialista e compara com os EUA (até porque existe menos comunistas do que opositores ao governo Chinês). Pega o número de vítimas de Stálin e Mao. Tá, tem Guantánamo, tem perseguição aos muçulmanos depois do 11 de setembro. Mas ninguém aqui tá dizendo que os EUA sejam a oitava maravilha do mundo nem modelo de democracia. Só não venham em dizer que Cuba e Benessuêla (de novo Cam) sejam democráticas, né? Poupem-me.


Leiam “Trilogia suja de havana”, do Juan Pedro Gutierrez.


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Fecho com Churchil: “A Democracia é a pior forma de governo, fora todos os outros”.


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Eu acredito demais na maldade humana pra crer que algum governo será algum dia justo. O fato é: se tem humano incluído logo alguém vai querer lucrar e vai restringir esse lucro a uma minoria. Pelo menos assim tem sido há uns 2.000 anos, mais ou menos. Claro que as coisas podem mudar. Sempre podem. Mas daí dar o meu corpinho em nome de uma causa...

Enfim, Bial.

terça-feira, outubro 09, 2007

Pobre Fló

Aliás, Fló lembra de histórias bizarras da nossa infância/adolescência. E ela tem confessado cada vez mais como eu a oprimi todos esses anos de amizade. Falei pra ela que ia escrever um texto em sua homenagem, me redimindo, e a resposta dela foi “ai, meu Deus...Eu tenho até medo!”. Sim, porque diz ela que eu mordo e assopro. É verdade, eu mordo e assopro. Mais de uma pessoa já me disse isso. Disse que até no depoimento pra ela no orkut eu fiz isso. Eu realmente sou um ser deplorável. E tenho os melhores amigos do mundo. Porque eles me agüentam. Grande parte desde a infância. Não é que eu seja de todo ruim. Eu apenas tenho tantos defeitos quanto qualidades. O problema é que eu possuo muitas qualidades.

Pérolas de Fló

Minha amiga Fló disse que meu problema começou na sétima série quando tivemos que ler Blecaute, do Marcelo Rubens Paiva. Isso. Gostei. A culpa é do Marcelo Rubens Paiva.

terça-feira, outubro 02, 2007


Você acha que sabe inglês. Pelo menos num nível básico. Você acha que sabe sobre a sua tese. Pelo menos num nível básico. Aí você tenta escrever alguma coisa da sua tese em inglês. E todas as palavras que em português tinham um sentido – indicado, apreendido – você descobre que em inglês...bom, elas até tem o mesmo sentido, mas não na frase que você quer usar. As palavras te enganam. So, you’re so screwed.


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E a Britney, hein? Perdeu a guarda dos moleques. Uma parte de mim tem pena da Britney. Outra, a pior, adora ouvir essas notícias. Tipo assim, não dá pra se ter tudo, né? A pessoa já é rica, já é adorada no mundo todo (odiada também), logo é bom vê-la fazendo merda. Adoro celebridades que fazem merda, tipo ela, a Amy Winehouse a Lindsay Lohan, o príncipe Harry, a filha do Bush (gente, quer coisa melhor do que ver a filha do Bush caída de bêbada? Pena que agora parece que ela sossegou, até lançou livro). Agora, deprê é ver a Angelina Jolie. Linda, maravilhosa, gostosa, casada com o Brad Pitt e ainda por cima adota criancinhas aidéticas?!! Ah, pára. Pelo menos mau hálito ela tem que ter – tudo bem que pairam histórias bizarras dela envolvendo sexo com o irmão, auto-mutilação e drogas...espero sinceramente que elas sejam todas verdadeiras.

Enfim, eu sou ruim. Não se enganem comigo. No fundo, no fundo eu sou uma pessoa bem ruim.


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Minha professora de inglês finalmente devolveu meu “Tropa de Elite”. Disse que teve que ver duas vezes pra entender – deve ser meio complicado mesmo entender “senta o dedo nessa porra”.

Diz ela que aprende muito português comigo. Então vou parar de pagar aula.

O que ela mais adora são as expressões. Esses dias ficou uns 5 minutos rindo quando ouviu: “o rei da cocada preta”. Ha ha ha...The king of black cocada. Ha ha.

Que coisa.

Aliás, é cocada preta ou branca? Espero não ter ensinado errado.


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Ai, ai.


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E hoje é aniversário da minha amiga Daniele. Parabéns, Dani! Já liguei pra ela. E escrevi um texto ano passado. Não, esse ano não tem texto.

E sábado vamos comemorar! (daquelas que entrega a amiga em público...). Já comprei até meu pesentinho...é simples, mas de coração. Pobre, mas limpinho.


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Quanto mais as coisas piorarem por aqui, mais vocês vão ouvir informações desnecessárias e aleatórias. O que está piorando? As coisas estão ficando apertadas. Not in a good way. E quanto mais isso acontece, mais necessidade de falar bullshit eu tenho.

E minha professora de inglês, que aliás faz aniversário amanhã – pertinho da minha amiga Dani - perguntou se eu estava bem, pois you seems a little down. Puxa, logo hoje que eu tô com uma carinha melhor?


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Eu acabei de ver a segunda temporada de The Office. Há muito tempo eu não dava gargalhadas tão altas vendo um programa de TV. Cara, é engraçado demais aquele humor negro dos britânicos. Alguém disse num dos comentários que passa em algum canal. Mas eu descobri que é a versão americana. Eu fico até curiosa pra ver. Porque o engraçado é justamente o humor britânico. Aquela coisa tão absurdamente patética e triste que fica hilária.

Chato ficar falando de uma coisa que ninguém viu, né? Eu acho super chato. Mas é engraçado demais! Eu não consigo me controlar. Vocês não estão entendendo. Eu queria muito que vocês vissem pra gente poder debater por aqui. Quem sabe vocês compram pela internet?

Pior é que eu acho que acabou. Porque o David, o chefe, foi demitido e a Dawn vai embora pros States. Aliás o final é bem triste. (daquelas que conta o final da série, né?).


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Ai, ai. Então tá. Tô ficando de saco cheio desses posts em que eu falo, falo e não falo nada. Ou não. Whatever.


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Agora é sério. Não volto – e nem responderei comentários – antes de 15 comentários. Chega.

Duas caras: crítica


A novela que começou ontem fala sobre a comunidade de Rio das Pedras – ou melhor, de Rio daxxxx Pedraxxxx, onde tem o famoso Caixxxxxtelo daixxx Pedraiiixxx, que abriga o igualmente famoso baile funk, em Jacarepaguá.

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Putz. Jacarepaguá já é ruim de ir, ainda ter que assistir na novela? (me desculpe se há moradores de Jacarepaguá me lendo, mas vocês hão de convir que moram mal pá carai, né?).

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E quando passa pra Zelite o bairro é a Barra. Ai que saudades do grupo Cavalcanti! Duvivier, perdão Duvivier!

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Eu acho que tá muito política essa novela. Pregando luta de classes aberta, em horário nobre...agora mesmo o Ipobe baixa e eles enfiam um bebê desaparecido.

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O que mais me choca é que as novelas pioram cada vez mais e eu continuo assistindo.

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O que foi o figurino do Antônio Fagundes? Ele é o Capitão Nascimento?

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Eu juro que eu pensei que o núcleo do Sul era de outra década. Acho que eles confundiram figurino de inverno com figurino de época.

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Essa novela tem, na minha opinião claro, algumas das mais insuportáveis atrizes e atores:

Suzana Vieira

Letícia Spiller

Dalton Sei-lá-o-que

Prestes


Em compensação tem:

Marjorie Estiano

Débora Falabela

Lázaro Ramos

Vanessa Giácomo (que é de Voltaaaaaaaço)

Totia (ou toitia) Meirelles

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O Herson Capri é o reitor de uma universidade que tem uma amante. Será que finalmente a TV brasileira acordou para o fato de que o mundo acadêmico é um enorme potencial de putaria a ser explorado? Mas pra ficar realista ele tinha que comer meia dúzia de aluninhas.

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Se alguém fosse me viver no cinema seria a Guta Stresser
ou a Débora Lamm – mas ela emagreceu muito e agora que eu pintei o cabelo de preto, não dá mais. Mas ninguém, ninguém me interpretaria de maneira mais perfeita do que a Cristina Ricci. ou a Tora Birch, a menina de Beleza Americana. Não porque elas pareçam, mas porque tem o physic du role. Mas talvez eu esteja confundindo os personagens que elas fizeram.


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Por que eu penso – e o que é pior, digo – essas coisas é algo que deveria ser estudado pela ciência.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Mamíferos, uni-vos!


Eu tenho uma amiga cujo marido é maratonista. Quer dizer, ele tem a profissão dele, mas é maratonista nas horas vagas. Mas já ganhou algumas medalhas.

E o cara é meio messiânico, sabe? Ele converte as pessoas pra corrida. Assina várias revistas de corrida. Viaja atrás de maratonas. Aí resolvi falar pra ele que eu quero correr. Pronto. Ele já quer me convencer a assinar uma revista de corredores. E me chamou pra correr na equipe dele. Essa é a melhor parte. Diz a minha amiga: “não sei se você vai querer entrar na nossa equipe. O nome é...Baleias. Equipe Baleias”.

Perfeito! Amei! Era o ponta pé que faltava! Quero camisetas, bottoms, bonés, bandanas! Fantástico!

O problema é que, como eles moram em Beagá e eu aqui, vai ser meio foda de treinar. Mas enfim. Amei o nome.

Ele, assim como eu, luta contra o peso (só que no meu caso tá dez a zero pro peso há um tempão).

E por falar nisso, deixa eu ir comer meu macarrão. Sabem como é. Sou uma atleta. Preciso de carboidratos.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Conversa de portaria I


No prédio onde moro, passamos anos submetidos à tirania do déspota seu Zêlho, o porteiro Zé Pentelho, que oprimia a todos nós, moradores indefesos que só queríamos entrar com nossos módicos saquinhos de compra pela entrada social. Eis que finalmente caiu a Bastilha do meu prédio, cabeças rolaram e o síndico foi deposto, junto a dinastia de porteiros tiranos – sim, pois nenhum porteiro mala sobrevive sem a conivência de um síndico cretino.

Seu Zêlho era realmente o terror. Meus parentes, amigos, namorados detestavam-no. Só um exemplo do que eu passava nas mãos do velho Zêlho. Eu tenho direito a uma vaga na garagem. Só que não tenho carro. Logo, a vaga fica vaga (dã). Formiga Mãe tem o controle da garagem. Mas, obviamente, meus amigos não. Então toda vez que alguém chegava de carro eu interfonava pedindo pra que ele abrisse a porta. Nada mais natural, certo? A vaga é minha, eu tenho direito. Mas ele sempre respondia, com seu indefectível porterês: “mar, nu tem o controle? O controle, nu tem? Nu posso abrir se nu tem o controle, todo moradô tem que tê o controle. Controlecontrolecontrole”. Cacete. Se ele tivesse o controle eu não pediria para abrir, não é Seu Zêlho? Tempos negros...

Os novos porteiros são gentis, gente boa e até bonitos – sim, o da noite é um gato, mas já descobri que ele é de Jesus e, sabe como é, concorrer com Jesus não dá. Levaram um susto enorme quando eu pintei o cabelo de preto. Desde que eles assumiram o poder eu já era ruiva. Logo, acho que o impacto foi maior. E eles gostaram, fizeram comentários elogiosos ainda que respeitosos (menos o da noite, claro, que é sério, muito sério, pois é de Jesus).

Um deles, particularmente, sempre que eu chego com as compras vem me ajudar (seu Zêlho se bobear ainda jogavam pedra nas minhas sacolas para que elas ficassem mais pesadas). Sempre comenta como eu sou forte, que as compras estão muito pesadas e tal. Na última semana eu vinha com uma bolsa realmente pesada. Ele vem pra me ajudar... “Dona Carrie, eu não acredito que a senhora conseguiu carregar essa sacola do supermercado até aqui! Mas tá pesada demais!”. Pensei em revelar minha identidade secreta de X-Man, de bebê nascido na clínica do Walmor Chagas em Santos, mulher de Gotham City (daquelas que confundem as histórias todas, né?), cujas articulações são de aço – o que me faz um tanto quanto inflexível, mas me dá força – mas apenas sorri e disse apenas: “que isso. Levinha!”, deixando-o embasbacado e confuso, sem saber se eu falava sério ou brincava.

Isso, aliado a minha falta de horários e de rotina deve contribuir para minha fama de superheroína. Movida a pizzas e entregas de farmácia fora de hora. Houve um tempo que o estado do Rio fez uma propaganda contra seqüestros, dizendo para que você denunciasse caso morasse perto de alguma casa de horários estranhos, com muita entrada de homem e movimento de quentinhas. Juro que eu fiquei seriamente preocupada com o fato de que alguém me denunciasse. Enfim.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Tã nã nã nã (clap, clap). Tã nã nã nã (clap, clap). Tã nã nã nã. Tã nã nã nã. Tã nã nã nã (clap, clap).



Sei que a primavera nem bem entrou, mas já é dia das bruxas na mansão White! Pintei meu cabelo de preto. Negro. Como a asa da graúna. Como a virgem dos lábios de mel. Como a Mortiça Adams (pegou o título? Hãn? Hãn? Pegou?). Ou melhor, como a Wednesday, a garotinha – como bem já me apelidou Único Cunhado em um momento não único de inspiração.

Sei que essa informação é fundamental para a vida de vocês, então vou dar detalhes: não tava dando mais. O vermelho já tinha desbotado muito além da conta e me vi diante de um dilema capilar, uma encruzilhada cabelística, um desses momentos em que você sente que precisa tomar uma decisão, precisa se encher de coragem e fazer o que precisa ser feito (muitos "precisa" hein, leitor?). Ou refazia as mechas, pois só o tonalizante não dava mais no couro, ou voltava a ser morena. Ok, podia ter passado um castanho médio ou escuro que fosse. Ou podia ter comprado uma bicicleta. Ou aberto uma coca cola. Enfim.

Ontem fiquei procurando fotos pra mandar pra coletânea onde vai sair o conto da Lucrécia. De preferência fotos em que eu não assustasse as criancinhas (tarefa difícil, viu?). E todas as fotos eram de períodos onde eu acabara de pintar os cabelos. Então era aquele vermelho muito, muito, muito vermelho. Daí eu pensei: ou volto a ter esse cabelo ou vou pro outro extremo. Como já tava enjoada do vermelho – que dá muito mais trabalho e gasta mais, além de tudo – resolvi ir pro preto. Nada de castanhinho. Preto (suuuuper interessante todos esses detalhes. Acho que vocês nem vão dormir pensando nessa revelação).


Das vantagens de voltar a ser morena:


1) Não manchar mais toalhas de banho e lençóis – o preto mancha menos.

2) Poder usar batom vermeeeelho e unha vermeeeelha tudo ao mesmo tempo, sem medo de ser feliz (juro que não houve conotações petistas, mas quando vi já tinha saído).

3) Poder usar blusa vermelha.

4) Não ter medo do vermelho em geral. Nem de rosa. Aliás, de cores em geral.

5) Poder ficar vermelha e não ouvir o comentário de que você está da cor do seu cabelo.

6) Não ser confundida com uma integrante do grupo Rebeldes.

7) Ter um figurino de Haloween pronto.


Das desvantagens:


1) Não ser mais parada na rua com pessoas perguntando que tinta você passou.

2) O preto é radical. O preto é o último degrau, o ultimate fighting do mundo das tintas. É o céu. O teto. Pra pegar outra cor por cima há poucas opções: deixar crescer ou passar máquina zero. Ou passar por um processo sinistro chamado decapagem.

3) Ter um figurino de Haloween pronto.


E tem aquela história das fases, né? Cabelos são marcos simbólicos de fases. E essa fase vermelha foi muito boa, mas acabou.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Eu tenho o controle


Sim, amigos do Sublime Sucubus. Eu retomei o controle. No caso, do meu DVD. Novamente uma informação essencial para a vida de vocês, que acompanharam a minha saga aqui. Não sem muito trabalho – pra variar, mas vou poupar-lhes dos detalhes.

Agora minha vida funciona. Agora eu posso ir pra frente. E voltar. Fazer pausas. Mudar a legenda. Entender o que as pessoas falam.

sábado, agosto 18, 2007

Vendo o Jô


Gente. A Dionne Warwick tá parecendo funcionária pública. Daquelas que te olha e fala: olha, você vai ter que preencher três vias e requerer um atestado de não sei o que...

Tá ou não tá?

E aqui, não era ela que fazia propaganda dessas linhas de psycofriends – tipo um serviço de vidente por telefone? Pirei? (Ai, por favor, por favor, alguém se lembra disso? Agora vou ficar tentando saber se é ela...vou jogar no google...)

E por falar em psycofriends, que saudades do Walter Mercatto. Eu precisava tanto falar com ele agora...principalmente que não contarei mais com os conselhos espirituais de Bispa Sônia.