Mostrando postagens com marcador Na Sala de Justiça.... Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Na Sala de Justiça.... Mostrar todas as postagens

sexta-feira, abril 11, 2008

É pessoal?

Enquanto isso, na caixa de spams: "stop feeling like a loser".

"Choose your desired length easily now with (nome do produto)"

Why me, Jesus? Why?

Why not you, Carrie? - Jesus answer.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

(Equanto o seu lobo não vem...)


Odeio bancos. Odeio bancos que nem parecem bancos, odeio bancos que são a minha cara, odeio bancos que acreditam no futuro do planeta, odeio bancos que sabem quais são as minhas necessidades. Odeio bancos estatais e mais ainda bancos privados. Odeio bancos. Muito. Vocês não fazem idéia.

Odeio ir a bancos. Odeio portas giratórias. Elas sempre, sempre, sempre, travam comigo. Eu coloco todos os objetos na caixinha. Ela continua travando. Tenho vontade de dizer que é um pino de metal que eu tenho no cérebro - solto. Ou de tirar a roupa toda e passar. Ou de gritar “isso não é um assalto, isso é uma expropriação revolucionária”. Ou de dizer, "desculpe, esqueci de tirar minha Uzi".

Odeio gente que trabalha em banco. Acho os dois piores trabalhos do mundo (depois dos insalubres): ascensorista e bancário. Eu tenho pena de bancário. Em termos. Porque também sempre há a escolha – muito maior do que no caso do ascensorista. Não me venham com o papo de que eu-preciso-viver. Não. Há escolhas. Sempre. A não ser que a pessoa goste. Mas aí eu odeio mais ainda.

Eu amo ver notícia de assalto a banco. Amei aquela história do assalto ao Banco Central de Fortaleza. Não, infelizmente eu não tive nada a ver com isso. Aliás, sou muito cagona pra participar de qualquer atividade que possa dar cadeia. Amo Caçadores de Emoção e Plano Perfeito, do Spike Lee, que falam sobre assaltos a banco. E Clube da Luta, cujo final é a implosão de prédios de cartões de créditos.

Quando eu era criança eu perguntava pra minha mãe porque pobre não dava cheque, já que eles não tinham dinheiro (uma coisa meio Maria Antonieta, sabe?). Ou porque o banco central não fazia mais notas pra dar pra todo mundo. Me explicaram, hoje em dia eu entendo, mas...eu não entendo. No fundo acho que essa história de lastro é balela.

Gosto de bancos de praça. E de piano. E de colégio. E Banco Imobiliário, também.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Alô criançada!!

Estou em Versailles, meu palacete de verão, também conhecido como Bat Caverna. Vim pra cá findo as libações momísticas.


E o Carnaval de vocês, como foi? O meu foi ótimo. E nem bebi, mantendo minha forma sílfide invejável.


E o Marcelo do BBB, hein gente? A única justificativa é, como diz Battle, ele quer dar pauta. Falou que era gay, ninguém nem tchuns, aí loprou geral. Não que Thalita não merecesse sair e Fernando não seja um mala com aquele puritanismo (= machismo) e marrentice dele. Mas daí achar que as pessoas têm que confessar seus votos e como-assim-votam-em-mim-depois-dizem-que-são-meus-amigos? Ninguém avisaram pra ele que é preciso votar em alguém? E desde quando é preciso confessar em quem se vota? Ah, pára. Aliás, como diria Nelson Rodrigues: parei contigo, Peixoto!


Agora, se Sandyana pegar o Rafinha...eu não respondo por mim.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Enquanto isso, na caixa de comentários...

“De neurótica pra neurótica, cara, às vezes eu fico com vontade de te mandar um envelope cheio de silêncio. Mas desses silêncios que vc tivesse que parar e levar um tempo pra ouvir E esse tempo ia te fazer tomar consciência da minha existência. E vc ia sentir sem entenderque tem uma pessoa no mundo que de vez em quando te lê e treme. Ou sorri. Ou - que clichê recorrente - se identifica. Seja porque eu formei em jornalismo, porque faço regimes, porque tô escrevendo uma tese de doutorado no momento ou porque acho o Suzanão de reitora da novela o ó.
Eu te gosto muito, Carrie. Um dia - profético - eu ainda vou sair do subsolo e a gente vai ser amiga, mesmo que de longe. Uma amizade epistolar, bem preto e branco.
Bjo.


Ana"




O que dizer diante de um comentário desses? Essa é uma, dentre as milhares, de coisas boas da internet. Quando eu receberia um comentário desses? Talvez quando eu publicasse um livro – o que poderia nunca acontecer.


Quando as pessoas dizem – e há muitas – que eu me exponho demais no blog eu penso: quem me dera que eu conseguisse. Porque o que realmente importa é indizível. Tudo que eu consigo é arranhar a superfície. Tirar o verniz – e não, isso não acontecesse quando eu falo sobre meus hábitos alimentares e sobre qualquer outra coisa do meu cotidiano. Talvez estejamos todos encerrados em caixões, tentando ver a luz do dia. Eu percebo que eu consegui quando eu vejo um comentário desses - e muitos outros de várias pessoas aqui. Por alguns instantes, para algumas pessoas, eu consegui. Consegui fazer com que entre as distâncias intransponíveis e abissais entre os seres humanos – que existem e são intransponíveis e abissais – foi possível uma pequena ponte. Temporária. Com os jacarés no fosso, dando saltos e tentando pegar nossos calcanhares. Uma ponte feita de silêncios e reticências, vazios, de hesitações, suspensões e engasgos. Uma ponte de indizíveis coisas que se tornam um pouco mais comunicáveis e diminuem a dor, o espanto, porque é como se outras pessoas pegassem um pedacinho dela também e me ajudassem a carregar. “Dor de quê?”, “espanto!?”, devem estar se perguntando os leitores mais normais. Se você não sente isso, que bom pra você (ou não, pois pra mim é isso que me faz viva). Não estou aqui fazendo uma apologia do sofrimento, longe de mim. Credo. Estou dizendo dele, do vazio, dos buracos, do que não se diz e que às vezes é lindo em outras apenas triste, que nos acompanha. Eu não sei porque as pessoas escrevem, mas eu escrevo por isso (além uma incrível comichão nos dedos que me faz sair pegando em canetas, lápis, teclados...). Talvez o que chamam de exposição seja o ônus de toda arte.


Sem querer ser piegas já sendo: já somos amigas, Ana. Muito obrigada.

terça-feira, novembro 06, 2007

Enquanto isso, no anúncio do google...


“Trago amor igual chiclete grudado pedindo perdão. Pagamento em três vezes”.

Hahahahahahaha...

Aposto que ninguém viu, só eu.

Aliás, alguém já conseguiu ganhar dinheiro com essa joça? Até agora nenhum din din apareceu.

domingo, outubro 21, 2007

A iluminada


Domingo de sol. Nem muito quente, nem muito frio. Carrie olha pela janela. Sente ventinho. Sente cheiro de churrasco. Sente leve cheiro de mar. Escuta risadas de crianças. Vê pessoas de bicicleta. Vê árvores balançando meio bêbadas, que nem João-bobo, como se as folhas estivessem rindo e dizendo vem brincar com a gente, Carrie, vem brincar! Se perde nas pinturas do apartamento em frente a ela. São reproduções de Malevitch, o pintor russo que inaugura o suprematismo. Se lembra da sua amiga P., cuja dissertação foi sobre Malevitch. Se lembra que ontem saiu um Prosa e Verso sobre os 90 anos da revolução russa. Será que P. viu? Será que eu ligo pra ela? Não. Carrie volta a olhar pro computador. Carrie tem que trabalhar. Carrie se distrai entrando em blogs alheios. Afonso, o nerd que habita Carrie, chama-a ao trabalho. Pri, a adolescente mal humorada cutuca Carrie dizendo “não, não! Só mais um”. Dona Henriquetta intervém dizendo que sim, Carrie precisa trabalhar. Carrie negocia, dizendo que o blog está abandonado e é preciso escrever alguma coisa. Todos concordam. Pri vai ouvir música no seu I-pod, Afonso fica sentado lendo o jornal impacientemente e Dona Henriquetta pega o tricô. Estão todos vigiando Carrie. Disseram que não pode ser um daqueles posts loooongos. Carrie diz que sim, meio contrariada.



Só tenho medo de quando eu entregar a minha tese pra banca eles se depararem com 400 páginas de escrito: “Muito trabalho e pouca diversão fizeram de Carrie um bobão” (do contrário não rima).

segunda-feira, julho 23, 2007

Enquanto isso, num laboratório em Washington...


Jack - Hey, Bill! Take a look at this!


Bill – Come on, Jack! I have so much to do…What??!! Damned! What the hell’s that?


Jack – Can you believe it?


Bill – It isn´t the black box! Is it a damned tape recorder?


Jack – It seems* like one.


Bill – Man…this fucking brazilians are really crazy! Let´s call Paul. Paaaaaul…




(* Look or seems? Tô realmente ruim. Mas já arrumei uma tchiiitcher. Começo em agosto. Ah é. Obrigada pelas pessoas que se manifestaram aqui)

quinta-feira, maio 10, 2007

Boas lembranças


Tem certas pessoas que me fazem ter orgulho de ter dado aula pra elas. Como essa moça aqui. Se bem que eu não tenho nada a ver com o fato dela escrever bem. Eu a (des)orientei na monografia final.

Aliás, ela fazia parte da turma de Petrópolis. Houve um tempo na minha vida – curto, é verdade – em que eu ia toda terça à noite – sim, eu disse à noite – pra Petrópolis. Ia de carro, com colegas e a gente rachava a gasolina pra poder compensar, pois a Privada, quero dizer, a Instituição Privada na qual eu trabalhava não dava nem ajuda de custo. Eu voltava 11 da noite de Petrópolis. Chegava meia noite e meia, uma hora no Rio. Podre de cansaço. Só ia dormir duas ou três.

Essa instituição tem um esquema cruel de orientação de monografias. Em primeiro lugar o aluno não escolhe o orientador. É o professor da disciplina quem vai orientar. O máximo que eles fazem é dividir a turma entre dois professores. Daí você fica com 15 alunos pra orientar em menos de duas horas por semana. Você tem duas opções: ou deixa seus alunos pirados ou trabalha além do tempo. Eu seguia a segunda opção. Chegava mais cedo e ia embora um pouco mais tarde pra poder atender nem que fossem 15 minutos cada aluno. E tinha que ser rigorosamente no horário, não passar nem um minuto. Dava meus telefones de casa, e-mail, msn, tudo. Já teve aluna que despencou de Petrópolis e veio até a minha casa em pleno sábado pra ter orientação.

Mas sabem de uma coisa? Eu ia com muito mais boa vontade pra lá do que pra Barra, no outro campus que eu dava aula e era muito mais perto. Num diazinho frio como hoje eu subia a Serra, parava naquela casa do Alemão, comia um croquete e um chocolate quente, ia pra faculdade e encontrava pessoas incríveis, como essa moça. Dava aula em uma outra turma também, mas de pré-projeto. Adorava os alunos, também. O clima era bom. O aluno não tinha aquela marra da Barra de que o professor é seu inimigo e ele vai te sacanear porque você quer sacaneá-lo. As pessoas eram mais educadas – será influência da Família Real, que por tanto tempo habitou Petrópolis?

Eu tentei fazer o que eu acho que os bons orientadores devem fazer: não atrapalhar. Ser um ponto de apoio nesse momento em que as pessoas estão super estressadas, terminando uma faculdade e com uma série de dúvidas. E tentava explicar como é difícil o trabalho acadêmico, que as pessoas ralam até no doutorado e que tudo que eles estão passando é perfeitamente normal. Nem sempre consegui.

Dessa turma tenho contato ainda com essa moça e mais duas. Gosto muito delas, torço, gosto de ter notícias e ajudar no que eu posso. Já se tornaram amigas.

Dar aula tem isso: quando é bom, é bom demais. O problema é que é difícil ser bom.

terça-feira, maio 01, 2007

Cachorrinho Samba no Rio



Viajei com Cachorrinho Samba, Namorada-Que-Lê-Um-Livro-Por-Semana e Irmã da Namorada-Que-Lê-Um-Livro-Por-Semana.
Samba está trabalhando no Galeão. Mêda. Não me diga que meus vôos estão na sua mão, Samba? Ah, não. É na parte terrestre. Ufa. Menas Mêda.

Samba é irmão de Ninguém Me Avisaram, outro pândego.


(Se você não acompanhou as aventuras do Cachorrinho Samba e Bruna Surfistinha
clique aqui).

terça-feira, abril 17, 2007



A moça do jornal de agora fala sobre o porquê da tragédia na Universidade de Virgínia, nos EUA. Ela olha séria pra câmera e diz: “Por que os Estados Unidos, o país que produz mais riqueza, tecnologia e conhecimento no mundo sofre com esses ataques?”. Porque eles são o país que mais produz riqueza, tecnologia e conhecimento no mundo! Em parte. Porque explicação total não há. A melhor tentativa de explicação pra mim sobre esses fatos foi o filme do Michel Moore, Tiros em Columbine. Ele vai pegando vários desses “motivos” como cultura da violência, facilidade de armas e vai cruzando com outros dados e comparando com outros países. A conclusão é devastadora: não tem resposta. Há indícios. Ao contrário do que deveria dizer uma historiadora, cada vez mais acredito que coisas como essas não tem explicação. Isso não quer dizer que a gente não deva tentar. Tentar explicar, tentar entender, tentar.

Só que isso é completamente angustiante pro americano, né? Que quer respostas e soluções pra tudo. Só que a vida não é assim. A história se faz com acasos, também. E o mais duro é constatar que a tentativa de resposta pode estar na cultura deles. Eu não sou anti-americanófila como é moda por aí. Acho a cultura norte-americana fascinante e muito mais do que Bushs-texanos-republicanos. Mas infelizmente também é Bushs-texanos-republicanos. Uma cultura que te obriga a ser o melhor em tudo. Mas isso não é privilégio dos EUA. O mundo tá ficando assim. Aí vem psiquiatras especializados em “mentes criminosas” dizerem que pessoas que cometem esse tipo de crime têm fortes tendências à depressão, problemas mentais e se sentem extremamente frustrados e angustiados. Sério? Nossa, eu achava que eram pessoas super felizes que de repente acordasse pensando: “hum... o que eu faço hoje? Ah, já que tá chovendo eu vou matar umas pessoas”.

O buraco é bem mais embaixo.

Finalizo com uma frase pregada no mural de meu orientador: “Sometimes I think I understand everything. Then I regain consciousness” (Às vezes eu acho que eu entendo tudo. Então eu recobro a consciência). Quanto mais eu estudo, mais eu descubro que eu não sei nada e que o estudo não vai me dar resposta nenhuma. Aí vocês perguntarão porque eu estudo. Eu estudo pra saber disso. E sofrer menos (já teve épocas em que o estudo me deu sofrimento, não mais hoje). Cada vez eu vejo menos sentido em sofrer pelas coisas.

ERRATA: consciousness é falta de consciência, como qualquer palavra com sufixo "ess". Viajei. Mas acho que prefiro desse jeito que eu escrevi.

quarta-feira, abril 04, 2007

Odeio muito tudo isso

No salão, funcionária e perua conversam:


- Nossa, tá magrinha!

- É minha filha, acho que é o verão. No verão eu tomo muito líquido, como pouco.


Odeio gente assim.

sábado, março 24, 2007

Zzzzzz

Oi, moscas? Tudo bem com vocês? Estão se divertindo muito aqui no blog? Ah, que bom. Pelo visto vocês são as únicas habitantes. Fiquem à vontade, viu? Vou ver se eu arrumo um sonho ou algo tão açucarado quanto pra servir pra vocês.

quarta-feira, março 07, 2007

No hortifrutigranjeiro...

- Moça do caixa: Isso tudo não é suor não, né?

- Eu: É. Pior que é.

- Moça: Vixe! Coitada!


Quando eu digo que eu não fui programada geneticamente para viver nos trópicos as pessoas acham que eu exagero. Eu, derretendo, e a moça fresquinha, fresquinha...

quinta-feira, março 01, 2007


Caralho. Tem cinco pessoas online. Às duas da manhã?

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Deixando a Bat Caverna


Trânsito parado na Serra.

Trânsito parado no Túnel Santa Bárbara.

Sorria! Você chegou ao Rio. Aliás, sorria mesmo. Você chegou VIVO ao Rio.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Enquanto isso, no Vale do Paraíba, onde tudo é mais estranho...


Gotham City é um lugar estranho. Claro, do contrário eu não seria daqui. Pra quem não está ligando o nome à cidade, Gotham é a gloriosa Cidade do Aço (sim, porque aqui o céu é rosa, a chuva é ácida e blá blá blá). Volta Redonda. Tenho pra mim que nós, os nativos desse estranho município no Vale do Paraíba, fomos alterados desde criancinha com metais poluentes conferindo a cada um qualidades especiais. Alguns foram agraciados com o dom de estar em todos os lugares ao mesmo tempo – pois a cada quatro habitantes do mundo um será, necessariamente, voltaredondense (ou terá um tio ou primo aqui) -, outros possuem o poder de agüentar níveis de poluição que o resto dos humanos normais não agüentaria e há ainda aqueles que são agraciados com o dom da tijuquice. Sim, pois Voltaço na verdade é uma grande Tijuca, bairro na Zona Norte do Rio e que confere aos seus habitantes todo um habitus particular. Eu, inclusive, me pego em atitudes tijucanas inacreditáveis.

A começar pelo ônibus que faz a linha entre Rio-VR. A grande diferença entre o ônibus executivo e o convencional é que o primeiro, além de ser cinco reais mais caro, possui café (horroroso) e água gelada, coloca um tapete vermelho na entrada do ônibus (!) e tem um motorista sem loção que pega um microfone (!!) e diz: “Boa tarde, aqui é o motorista Fulano de tal e eu vou conduzi-los até o município de Barra Mansa [sim, tem gente que tem mais azar e nasce em Barra Mansa], via Volta Redonda. Agradecemos a preeferência [como se tivéssemos escolha!] e desejamos a todos uma boa viagem”. Eu sempre tenho vontade de gritar de tanto rir, mas me controlo. De resto os ônibus são iguais. Tem ar condicionado e banheiro. Só o tapete vermelho, o microfone e um chafé muito dos sem-vergonha diferenciam os dois veículos.

Hoje, folheando o jornal local, pego a coluna do Mário Sérgio, um projeto de Amaury Jr da região. Coluna social é um troço podre em qualquer lugar do mundo, mas vamo combiná que em Voltaço é quase ridículo. Não, é ridículo. mas a graça é essa, o troço é tão patético - pessoas in num lugar totalmente out-of-order - que se torna totalmente hilário. Igual a programa evangélico da Record. É tão ruim que fica bom, pois ultrapassa os limites da ruindade; (adoro usar ponto e vírgula!) atinge patamares nunca vistos dantes. Tudo bem, meus pais já saíram nessa joça, alguns amigos já saíram, mas que é podre é. E às vezes o sujeito que adentra as páginas da sociedade voltaredondense nem tem culpa, coitado. É posto à revelia. Como um amigo meu, que é de Petrópolis e que volta e meia aparece porque a avó é daqui. Mico total. Claro que eu sou obrigada a zoá-lo toda vez que o encontro.

Mas é hilário ver conhecidos pagando mico em eventos im-per-dí-veis como o Dancing Days, produzido pelo colunista com clássicos dos anos 70, 80 e 90 (hein? Anos 90 já são clássicos?). Aí você vê aquelas figuras por quem você foi apaixonada no colégio com 10, 15, 20 quilos a mais e 10, 15, 20 mil fios a menos na cabeça, além de filhos e mulheres plastificadas, siliconizadas, botoxizadas e idênticas umas às outras. Pessoas que “deram certo” na região.

Como se tudo isso já não fizesse a minha completa diversão, ainda sou saudada com erros de português. Hoje o cara conseguiu usar o gerundismo no passado!! Esteve acontecendo na última quinta feira...”. Cristo Redentor! Onde é que nós vamos parar! Que tal o bom e velho pretérito perfeito "aconteceu"? Jesus Amabilíssimo, piedade! Eu vou morrer de tanto rir!

Não é errado ser cafona. É errado ser cafona e achar que é chique. Só isso.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Contos de aniversário - parte 2 e final.



Lucrecia mal podia acreditar no que seus olhos viam. Cestas enormes cheias de linhas e uma agulha mágica! Logo começou a fazer mais crochê que de costume. Passou a dormir mais tarde e a acordar mais cedo apenas para ter mais tempo. Salustiana passava em sua casa:

- Vamos à Assembléia da Floresta, Lu?

- Não posso, Sa. Tô trabalhando numa colcha.

- Pra que isso, menina! – retrucava Joaquina – isso não vai te trazer nada!

Lucrecia apenas sorria e dizia: mas eu gosto.

Em outra ocasião:

- Lu, tem uma festa hoje em que eu quero te apresentar um primo meu gatéésimo! Aliás, ele é realmente um gato que acabou de se separar de uma cachorra...

- Ah, Jô, desculpa! Hoje não dá. Tenho que bordar a barra inteira desta saia.

As duas vizinhas e amigas começaram a ficar preocupadas com a amiga que não fazia mais nada exceto costurar, bordar, bordar, costurar...

O volume de bordados foi crescendo cada vez mais. Eram colchas, vestidos, blusas, fitas de cabelo - quero dizer, de pelo - bolsas, sapatilhas e tudo o que lhe vinha à cabeça. Às vezes eram peças inteiras de crochê. Em outras apenas alguns detalhes.

Outro belo dia, um Lobo que se encontrava com a carruagem enguiçada no meio da floresta veio pedir abrigo a Lucrecia. A esquila, sempre muito solícita, deixou que o forasteiro entrasse sem nem saber quem era. Ele fez uma lauta refeição, composta de nozes, sementes e outras frutas secas. Conversou muito com Lucrecia e ficou absolutamente fascinado pelas peças em crochê da esquila. Após a refeição, ele foi convidado a passar a noite na casa de Lucrecia - o que aceitou prontamente, já que o eixo central da carruagem tinha quebrado e seu cocheiro havia ido procurar ajuda em outro condado.

No dia seguinte eles se despediram alegremente e o Lobo prometeu voltar na próxima semana.

Joaquina e Salustiana, ao saberem do ocorrido, repreenderam severamente a amiga:

Um Lobo, Lucrecia? Francamente...Ralhava (ralhava é ótimo, hein, Leitor? Há quanto tempo não usava esse verbo!) Salustiana.

Qual o problema? - respondia Lucrécia, bordando calmamente uma barra de uma toalha de mesa.

Salustiana: Lu...a gente acha que você deveria largar essas linhas e sair mais de casa...conhecer pessoas...ver gente...mudar de ares...o que você acha?

Lucrecia: Eu acho que eu estou bem assim. E faço crochê porque gosto.

O tempo passou e na semana seguinte o Lobo não passou por lá. Lucrecia nem ligou, afinal achou que havia sido força de expressão ele ter dito: “depois eu apareço”. Duas semanas e meia depois, ele chega com três carruagens lotadas de todo tipo de animais.

Lobo: Oi, Lucrecia! Me desculpe ter vindo assim, depois do prometido, mas é que eu não pude deixar de trazer todas essas pessoas que estavam loucas pra ver sua coleção.

Lucrecia: Co-Coleção?

Lobo: Siiim! Eu trouxe algumas pessoas que são antenadérrimas no mundo fashion, pra ver a sua coleção de crochê.

Nisso todos o séqüito de animais já havia entrado na sua casa e segurava suas roupas de crochê, todos absolutamente fascinados. Uma hiena dava urros:

Geeente! Isso é báárbaro! Isso vai arrasar na Floresta Negra Fashion Week!!

Ao que uma girafa pescoçuda retrucava:

Suuuper tendência! Essa coisa meio primitiva, meio selvagem...

A bicharada fez a festa. Adoraram todas as peças e o Lobo revelou-se um personal stilist de um famoso desenho da Disney, cujo nome ele preferiu ocultar. A proposta do Lobo era levar as peças de Lucrecia para um desfile na Floresta Grande do Lado de Lá, que ficava, evidentemente, do Lado de Lá.


Lucrecia ficou meio assustada com toda a confusão, mas aceitou a proposta e eles acertaram os últimos detalhes. O desfile seria em uma semana, tempo dela se organizar, confeccionar mais umas peças e partir rumo a Lado de Lá. Também teria que contar com a boa vontade das amigas para cuidar da casa na sua ausência. Mal podia esperar para lhes relatar! Por sorte, elas estavam vindo justamente na direção da sua casa, atraídas pela grande comitiva que partia.


- Meninas, vocês não vão acreditar no que aconteceu! - disse Lucrecia, contando toda a história para as duas amigas, que ouviram muito silenciosamente. No final, Salustiana manda:

Olha, Lucrecia, eu acho que você deve refletir bastante se é esse o rumo que você quer dar para sua vida, pois esse mundo fashion é muito fútil.

Ah, é verdade – retrucou Joaquina – eu sei porque eu convivo com muita gente desse meio.

Ao contrário do que Lucrecia imaginara, as duas amigas foram um verdadeiro banho de água fria e não ficaram nem um pouco entusiasmadas ante a perspectiva de verem sua amiga se tornar uma pessoa bem sucedida.

Veja bem, Lu – dizia Sa – essa publicidade toda que você vai trazer para o nosso condado não será boa idéia pra campanha de reflorestamento que eu estou querendo lançar...

Pois é – contra-argumentava Jô – minha festa de semana que vem vai ficar totalmente out depois dessa sua celebridade instantânea.

Lucrecia ficou muito chateada com a atitude das duas amigas. Não só não ficaram satisfeitas com a boa notícia, como também acharam péssima idéia. Justamente elas! Que sempre viviam incentivando Lucrecia a respirar novos ares!

Mas nada disso desanimou Lucrecia que foi, toda lépida e faceira, participar da Semana Floresta Grande do Lado de Lá de Moda.

O sucesso, como não poderia deixar de ser, foi estrondoso. Todos queriam conhecer a esquila de gosto primitivo. Sabem como é, né? Essas coisas meio ripongas estavam voltando a moda mais uma vez.


Ao retornar para a casa, era visível a antipatia das duas amigas:


- Prejudicou muito a região, aqui, Lu...precisa ver o bando de jornalistas que apareceu por aqui! E a gente sempre tendo que falar sobre moda e essas futilidades...nem quiseram ouvir meu plano de reflorestamento!

Lucrecia tentou acalmar as duas e dizer que tudo isso era passageiro. Logo tudo voltaria ao normal. E que ela estava programando para a Floresta Negra Fashion Week uma coleção inspirada na amizade e, dentro deste tema, seriam mostrados os projetos de reflorestamento de Salustiana e as festas alegres de Joaquina. Foi como se ela tivesse dito as piores ofensas às duas amigas! Elas se puseram a gritar e dizer que isso não, isso não! Que era muita exposição e que elas não queriam aquilo, etc e etc.


Lucrecia pediu desculpas às duas e pediu que elas se retirassem. Ficou muito tempo pensando – nem dormiu naquela noite – e no dia seguinte resolveu: mudar-se-ia dali imediatamente e a sua próxima coleção seria inspirada nas lendas sobre os humanos. Os animais da floresta eram acostumados a contar muitas fábulas sobre os maus sentimentos humanos. Nesta coleção a Esquila tentou aproximar os humanos dos animais, mostrando como aqueles sentimentos estavam presentes em todos, humanos ou animais.


Nem precisa dizer que a coleção foi o acontecimento do ano no mundo fashion! Ela saiu na capa das revistas Bichos, Esquila Moderna e Animal Fashion. Ganhou rios de dinheiro. E, como isto é um conto de fadas, encontrou um belo esquilão e viveram felizes para sempre.

Ah é! Já ia me esquecendo! Mandou buscar as amigas Salustiana e Joaquina pra morarem com ela e apóia integralmente todos os seus projetos. Joaquina, inclusive, é sua Assessora de Imprensa. As duas amigas fazem sempre questão de dizer o quanto elas incentivara Lucrecia desde os primeiros bordados e crochês. Hã han.


FIM


Moral da história (em tópicos, porque são vários):

1) A inveja é uma merda.
2) A inveja muitas vezes vem das pessoas mais próximas.
3) O que pra você é uma homenagem, pro outro soará como ofensa - e você não pode adivinhar.
4) Você não pode controlar o que o outro pensa sobre você - e eles sempre vão pensar um monte de coisa.
5) Há amigos que agüentam tudo junto com você. Menos o seu sucesso.
6) Há amigos que só suportam te ver bem se forem eles os causadores desse bem.
7) Há amigos que acham eternamente que sabem o que é melhor pra você – e fazem isso, claro, a partir das suas próprias experiências.
8) Faça o que você gosta. De coração. Mesmo que isso não faça muito sentido no presente. Um dia você colherá os frutos.
9) Nem todo lobo é mau. Nem todo esquilo é bonzinho. As aparências enganam.
10) Saiba perdoar. Nada mais irritante do que isso.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Contos de aniversário - parte 1


Sobre como Lucrecia encontrou a Fada.



Era uma vez, uma esquila – ou seria esquilo-fêmea? - chamada Lucrecia (credo! Isso é nome de heroína de conto de fadas? Ué, mas quem disse que isso é um conto de fadas?). Lucrecia morava numa casinha no meio da floresta. Tinha como vizinhas Joaquina e Salustiana, também esquilas.


Joaquina era a mais bela e a mais divertida. Tinha uma plumagem castanho-acobreada que ela realçava sempre no salão Pelo Baixo. Tinha muitos e muitos amigos, ia sempre a todas as festas e era amiga de todos os animais da floresta. Saía sempre na coluna social do Wood's News, o jornalzinho da região. Era sua vizinha da direita.


Salustiana, por sua vez, era a mais inteligente e sábia. Era convocada para tomar decisões sobre disputas de território e outros conflitos. Tinha vários inventos utilizados na floresta. Patenteou um sistema de reflorestamento que estava sendo cobiçado pelas maiores madeireiras e sofreu até mesmo ameaça de alguns grileiros. Sua candidatura para sub-prefeita da floresta já havia sido pleiteada diversas vezes, mas ela preferia não se envolver em política diretamente. Era sua vizinha da esquerda.


E tinha Lucrecia. Que não tinha nenhum atrativo ou talento especial a não ser a amizade das duas vizinhas importantes. Mas tudo bem. Ela estava bem assim. Apesar dos apelos constantes das vizinhas pra que ela comparecesse às reuniões e festas de Joaquina, ou que participasse dos atos cívicos de Salustiana, ela preferia ficar em casa, fazendo crochê. As amigas estavam sempre muito preocupadas com ela e tentando ajudar. Ela só não entendia porque, se ela era feliz assim. Chamavam-na de acomodada etc.


Um belo dia (sim, todo conto de fadas que se preze tem que ter um belo dia!), uma fada aparece para Lucrecia. Envolta numa luz amarela e flutuando no ar, ela diz:


- Fada: Oláááá (sim, fadas tem vozes suaaaves e com efeeeito de eeeco) eu sooou sua faaaada madrinhaaa.

- Lucrecia: Aaaaaah éeeeee?

- Fada (sem paciência, apagando as luzes e efeitos que estavam ao seu redor): Pode zoar, mas isso tá no regulamento das fadas, a gente tem que fazer essa voz e ficar flutuando, mas beleza, não tá gostando, eu páro. E então?

- Lucrecia: E então o quê?

- Fada: Qual vai ser?

- Lucrecia: Qual vai ser o quê?

- Fada: O pedido.

- Lucrecia: Que pedido?

- Fada: Ué, toda vez que uma fada madrinha aparece você tem direito a um pedido (procurando uma cadeira pra se sentar e uma tomada pra recarregar sua bateria nas asas)

- Lucrecia: Um só?

- Fada: E ainda reclama?

- Lucrecia: Não, mas...sei lá...não dava pra ser três, não?

- Fada: Eu sou fada, não sou o gênio da lâmpada.

- Lucrecia: Ah tá...

- Fada: E então.

- Lucrecia: E então o quê?

- Fada: Alowww? A galera é lenta aqui, hein? O pedido?

- Lucrecia: Ah é...deixa eu ver...ah, não quero nada.

- Fada: Como assim, nada?

- Lucrecia: Ué, tô bem como estou, não quero nada.

- Fada: Ai, meus São Jesus das Fadas! Criatura, veja bem: eu sou sua fada madrinha. Você pode pedir qualquer coisa. QUALQUER COISA MESMO. O Rodrigo Santoro, uma BMW, qualquer coisa.

- Lucrecia: Humm...

- Fada: Você não quer dar uma repaginada no visual? Fazer umas mechas no pelo? Ficar como a sua vizinha, a Joaquina e ser convidada para todos os eventos? Se transformar na Jéssica Rabbit?

- Lucrecia: Não. Além disso, eu sou esquila, não sou coelha!

- Fada: (Suspira, sem graça). É verdade... Então quem sabe ser dotada de uma inteligência privilegiada? Como a Salustiana?

- Lucrecia: Não. Dá muito trabalho.

- Fada (sentando de saco cheio e pegando uma lixa de unha): ô povinho sem ambição!

- Lucrecia: Ah! Tem uma coisa.

- Fada: Finalmente!

- Lucrecia: Eu faço crochê e é sempre muito difícil encontrar linhas e agulhas de boa qualidade. Queria um estoque de linhas e agulhas que desse pra todo o inverno.

- Fada: Perfeitamente! Deixa só eu achar a minha varinha mágica (abre a bolsa e começa a tirar celular, objetos, chave do carro, folheto da Avon, Natura, De Millus)

- Lucrecia: Olha!! você vende Avon?

- Fada: Claro! Quer dar uma olhada?

A esquila fica olhando enquanto a fada pega seu kit magia.

- Fada: Pronto. Acho que tá tudo aqui. Vamos lá: pir lim pim pim...

- Lucrecia: Nossa, ainda usam o pirlimpimpim?

- Fada: Pois é, menina! Faz parte do regulamento. Sabe como é...querem manter a magia...

- Lucrecia: Sei.

A fada dá umas três sacudidas na varinha e logo aparecem três lindos cestos de vime, com as mais belas cores de linhas. Todas as tonalidades possíveis e imaginadas.

- Fada: Funciona assim: cada vez que você pegar uma linha aqui, a cesta automaticamente repõe com uma linha da mesma cor e igual.

- Lucrecia: Parece mágica!

- Fada: Parece, não, minha filha! É. E não é só isso (imitando voz de locutor de propaganda 0-800), você também vai adquirir, totalmente grátis, a nossa fabulosa – tcharan! – agulha mágica!

- Lucrecia: menos, fada. Menos.

- Fada: Desculpe, me empolguei. Mas deixa eu te explicar. Essa é uma agulha mágica. Ela é capaz de fazer você realizar os mais lindos trabalhos.

- Lucrecia: ah, que ótimo! Minhas agulhas sempre entortam muito rápido.

- Fada: Ótimo não, minha filha. Maravilhoso. Mágica.



(Continua em breve...)