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terça-feira, junho 30, 2009

Terra das sombras

Daqui


Gotham City (Camisa de Vênus)



Aos 15 anos eu nasci em Gotham City
E era um céu alaranjado em Gotham City
Caçavam bruxas nos telhados em Gotham City
No dia da Independência Nacional



Cuidado! há um morcego na porta principal
Cuidado! há um abismo na porta principal



Eu fiz um quarto bem vermelho aqui em Gotham City
Sobre os muros altos da tradição em Gotham City
No cinto de utilidades as verdades
Deus ajuda a quem cedo madruga em Gotham City.



Cuidado! há um morcego na porta principal
Cuidado! há um abismo na porta principal


No céu de Gotham City há um sinal
Sistema elétrico e nervoso contra o mal
Tem "rock and roll", tem futebol e tem carnaval
Todos estão dormindo em Gotham City


Cuidado! há um morcego na porta principal
Cuidado! há um abismo na porta principal


Os mortos vivos perambulam aqui em Gotham City
Agora eu vivo porque vivo aqui em Gotham City


Chegou a hora da verdade em Gotham City
E a saída é a porta principal


Cuidado! há um morcego na porta principal
Cuidado! há um abismo na porta principal




Hoje Deus não ajudou quem cedo madrugou aqui em Gotham City. Uma nuvem negra de fuligem foi vomitada, cagada, cuspida e escarrada pela CSN na cara dos moradores. Eu não vi, pois estava fora da cidade em um concurso, mas Formiga Mãe e Formiga Irmã contaram sobre o barulho terrível saído dos autofornos da CSN e a nuvem de fuligem preta que se abateu sobre a cidade, como asas de morcego ou mais uma maldade cometida pelo Curinga. Depois sairam matérias no RJ TV e no Jornal Hoje (não sei se vai sair no Jornal Nacional).

Entrevistas com o secretário do meio ambiente, imagens de donas de casas limpando suas casas com mangueiras, carros com uma nem tão fina camada de pó preto. A CSN é multada em 1,5 milhão, mas o que é 1,5 milhão para o Coringa, quer dizer, para Benjamin Steinbruch, presidente do grupo Vicunha, responsável pelas grandes privatizações dos anos 90 – grupo que também fez parte da privatização da Vale do Rio Doce?

Eu não tenho uma opinião definida sobre as privatizações. Ou melhor, acho que algumas empresas melhoraram e outras não. Aqui em Gotham City aumentou a pobreza, o desemprego (papai foi forçado a se aposentar do hospital da CSN e depois contratado como prestador de serviços, mas e os peões, quem pega no pesado? Simplesmente dançaram), mas ao mesmo tempo também aumentou a riqueza e o desenvolvimento da cidade em outras frentes – não sei se necessariamente devido à privatização, pode-se argumentar – mas não para a população em geral. Mas acho que os tempos de estatização se foram e não quero dar uma de companheiro Chaves e Morales. Enfim. Só estou dizendo isso porque me lembro dos anos 90 e desse papo de Iso 9000, Qualidade Total e bla bla bla. Diziam que a poluição tinha melhorado muito porque eles foram obrigados entrar em normas ambientais mundiais e colocar filtros nas chaminés. Hãn hãn. Bullshit, né?

Esses dias mesmo eu estava olhando da varanda do meu quarto e pensando exatamente em como a poluição parecia estar maior. Ou teria sido eu que, após quase 13 anos de Rio, me desacostumei? As chaminés da CSN eram minha companheiras em tardes modorrentas e solitárias da minha adolescência, onde eu sentava na varanda e pensava onde estaria dali a 15 anos (no mesmo lugar, Carrie!, parecem sorrir as línguas flamejantes coloridas que saem das chaminés). Eu moro relativamente perto da CSN – porque quase tudo aqui é perto, a não ser os bairros mais novos. Quero dizer, moro em um morro que tem uma vista da cidade toda, então durmo com barulhos longínquos de trens transportando carga pesada e tenho uma vista digna de
Mordor.


É nítida a diferença. Se você olha para o lado direito, o céu é de uma cor. Pro esquerdo, é de outra. E os fogos que saem das chaminés? Abóboras, laranjas, púrpuras, azuis...e eles aproveitam os dias de chuva pra despejar detritos pestilentos na população indefesa. Quem dorme aqui em casa pela primeira vez às vezes estranha os barulhos. Pra mim é velha canção de ninar.

Quando a minha fúria por fatos como este, bem como
o desastre que aconteceu no rio Paraíba do Sul ano passado (quem quiser veja também esse artigo do Minc) - que foi causado não pela CSN, mas por uma empresa em Resende, eu sei) - comprometendo o consumo de água de milhões de habitantes na região sudeste, eu só consigo pensar na minha idéia para um livro de ficção científica ou história em quadrinhos. Num futuro distante, habitantes de uma cidade oprimida por um Grande Vilão desenvolvem mutações genéticas em função da poluição de sua Grande Fábrica e única fonte de sustento para toda a população. O que nosso arqui-inimigo não contava é que o feitiço se viraria contra o feiticeiro. Alguns habitantes parecem ter se transformado em espécie de super heróis, seres mutantes, muito mais fortes e resistentes a doenças. Dentre eles, um grupo de adolescentes entediados que passam os dias se drogando e bebendo no clube da cidade. Ao descobrirem seus superpoderes, depois de uma fase inicial em que eles só fazem merda, descobrem que o verdadeiro lugar deles é ali, combatendo o mal – claro que vai ter aquele que vai se aliar ao Steinb, quero dizer, ao Grande Vilão e vai se perder... Assim como o soro antiofídico é produzido do veneno da própria cobra, o mal será combatido com o mal. Claro que haverá uma heróina cujas mutações a deixaram próxima a uma...Formiga, com antenas e uma capacidade de ouvir e enxergar além do alcance. Ah é. Ela também terá que ingerir quantidades absurdas de açúcar para manter seus superpoderes. E seus inimigos usarão isso como arma.

Ou talvez seja uma ficção científica mais filosófica, ao estilo de
Neuromancer ou Do the androids dream electric sheeps?

É que, para pessoas como eu, que acreditam em pouca coisa (para dizer quase nada), que não votam, que não acreditam em mobilizações coletivas, que não querem instituir um debate público junto a população local, que não querem pensar coletivamente junto a comunidade, que não querem retribuir à sociedade tudo que foi investido em mim, poucas coisas restam a não ser a Arte (mas acho super válido que outras pessoas façam isso. Acho mesmo. Só não me chamem. Chego a ter quase uma invejinha de quem acredita). A única coisa que eu consigo pensar, para quase todas as grandes respostas da minha vida é em escrever. Mesmo que ninguém nunca leia. Mesmo que seja um lixo, é a Minha Arte. Pra mim a arte é a única coisa que pode mudar o mundo. E o amor. Ou torná-lo suportável – o que já é quase tudo.

E para que não há dúvidas, caso alguém procure no google nuvem de fuligem + Volta Redonda + Steinbruck filho da puta + poluição + CSN, é de Volta Redonda e da Companhia Siderúrgica Nacional e do senhor Benjamin Steinbruck que eu estou falando. Que, evidentemente não mora aqui.

Se bem que eu duvido que aqui seja muito diferente de São Paulo ou mesmo do Rio em termos de poluição. A diferença é que aqui a gente vê muito claramente - no caso, não vê. Sem contar que, pelo tamanho da cidade, a poluição não deveria ser muito grande.

sexta-feira, julho 25, 2008


A incrível companhia de transportes rodoviários Cidade do Aço adquiriu recentemente uma frota de novos veículos automotores para a linha Rio-BM, serviço Executivo Non Stop (não pára! não pára! não pára!). Agora além dos já conhecidos serviços a bordo, o coletivo conta com um conjunto de mesas e bancos na parte traseira. Para que os executivos façam reunião. No executivo.

Hãn hãn? Pegaram?

O que eles acham? Que o
Steinbruch anda de Cidade do Aço?

Dessa vez eu estava sem meu laptop, mas da próxima eu vou sentar e ficar brincando que eu sou alguém grande.

E o blog pergunta: onde está
meu colunista preferido local que não noticia isso?

Sim, porque ele, o colunista local, coloca notícias incríveis. Quando as pessoas viajam pra fora elas mandam notícias do “estrangeiro”.

Eu também quero mandar notícias do “estrangeiro” pra ele.

Aliás, ele tem por hábito escrever as notícias em tópico, sempre dando parágrafo.

O assunto é o mesmo e ele faz um parágrafo.

E outro.

E outro.

Incrível.

Acho que ele acha que parágrafo é uma escolha. “Ah, cansei. Quero um parágrafo novinho”.

Só pode.


sexta-feira, julho 18, 2008

Breve História de uma jovem senhora


Ontem, dia 17 de julho, Gotham City fez 54 anos. Uma jovem senhora enxuta. Há exatos 54 anos atrás – quer dizer, um pouco mais, durante a Segunda Guerra Mundial – nosso então presidente Getúlio Vargas, que nunca foi muito chegado numa democraciazinha, nutria profunda admiração pela galera do Eixo (Hitler, Mussolini e a rapeize deste naipe). Aí os EUA, do time dos Aliados, chegam e falam: “GV, a parada é o seguinte: tu entra do nosso lado que a gente te dá uma siderúrgica, cumpadi”. GV, que tinha convicções políticas sólidas até não interferirem no bolso dele (como todo político, seja de direita ou esquerda), disse: “ih, demorô! Já é! Onde é que eu assino?”. Pronto. Na escolha de onde colocarem a CS optaram por um vilarejo que pertencia à Barra Mansa (é, ainda temo que agüentar ter pertencido à Suineland - como diz minha amiga Karine - um dia), em função de sua localização estratégica entre Rio, SP e Minas – e seus habitantes padeceriam eternamente da ausência de uma identidade própria; ou talvez a identidade seja exatamente o hibridismo, a falta de sotaque; uma espécie de Brasília.

Final dos anos 50, Betinho, médico recém formado na hoje UERJ (na ocasião uma série de faculdades isoladas), o segundo (ou terceiro?) mais velho dos 13 filhos do pintor (de telas), mágico, inventor e comerciante português Arnaldo Pereira (pai desconhecido, possivelmente um marinheiro dinamarquês, viking; padrasto extremamente cruel e mãe Carolina, de profundos olhos azuis que viveu até os 100 anos) e de Anunciação Lopes Pereira (o pai nunca se acostumou ao Brasil, retornou à Portugal onde morreu em uma caçada em sua Quinta), dona de casa, lavadeira e cozinheira, moradores do bairro de São Cristóvão, no Rio (zona norte), mais especificamente do morro do Tuiuti, segue para a pacata cidade de Bom Jardim de Minas, na Serra da Mantiqueira, em busca de trabalho. Lá chegando, começa a visitar a vizinha Andrelândia e conhece a jovem Malu, 11 anos mais nova que ele, então namorada de um moço que trabalhava no Rio, filha de João da Cruz de Andrade, Coletor Federal (que entregara o posto debaixo de uma carabina durante a “Revolução” de 30), e Enedina Cunha de Andrade, professora, de Ribeirão Vermelho, cujo pai era português. Betinho também era noivo. Ambos se apaixonam, terminam com seus respectivos e se casam. Novamente em busca de emprego, Betinho e Malu seguem pra Coronel Fabriciano, em Minas Gerais, onde a então siderúrgica Acesita oferecia boas condições de trabalho para médicos e trabalhadores em geral. Lá nasce a primeira filha do casal.

Betinho com seu Ford Bigode enfrentava a Zona da mata mineira para fazer atendimentos nos locais mais inóspitos. E médico de interior faz de tudo que aparece: parto, cuida de menino, de velho, de quem precisar ser cuidado. Malu, enquanto o marido passa as madrugadas às vezes atendendo pacientes, espera pacientemente em casa, já grávida da primeira filha, sozinha e longe da família.

Pouco tempo depois, novamente atraídos por boas possibilidades de emprego, os dois rumam para Volta Redonda, onde um presidente que era tido como pai dos pobres montou uma fábrica que era conhecida como a mãe, tamanha as facilidades para os seus empregados. Em Voltaço eles constroem a vida: têm mais quatro filhos, Betinho trabalha durante quase 40 anos no hospital da CSN, é dos primeiros professores da faculdade de medicina da cidade e chega a fazer parte de uma clínica no final da vida, quando os ventos da privatização tornaram órfãos milhares de trabalhadores.

E quase meio século depois a pequena caçula do casal pede a metade do espírito aventureiro e desbravador deles para ir morar em Nova York – também em busca de melhores condições de emprego, fazendo a migração contrária de seus antepassados, da colônia para a metrópole.

Betinho, nas difíceis fases da vida, tinha que lutar contra os poucos recursos financeiros, estradas de terra que acabavam no meio, cobras, solidão. Sua caçula não terá nenhum desses problemas – talvez a solidão. Outros perigos: de um avião se chocar contra o prédio em que ela está, de um atentado no metrô, de um atirador enlouquecido adentrar a sala de aula onde ela estiver (atirador, este, cujo peso de uma civilização que busca a excelência a qualquer preço - que vira uma potência depois daquela mesma guerra que deu uma siderúrgica pra cidade do pai da menina - que não admite a falha, o tropeço, a dúvida; fruto de um país que produz tanta riqueza que não sabe o que fazer com ela, a não ser gerar filhos doentes e neuróticos). A menina pede a Deus ou quem estiver ouvindo pra sair da rota desses malucos.

A história, meus caros, é dialética. Já dizia o velho barbudo: nenhuma classe produziu tanta riqueza e beleza quanto a burguesia. Nenhuma classe produziu tantos meios de causar sua própria derrocada. Toda época tem seu lado bom e seu lado ruim.

História é isso. História é o que acontece comigo e com você, caro leitor. Faz História tanto o Getúlio que cria uma cidade do nada e no nada, quanto o meu pai e a minha mãe, que vêm morar nela (e a minha avó que vem pra um país estranho durante a Primeira Guerra e eu que vou pra outro, cujas ações o transformaram em alvo fácil). História é você brigar com o seu namorado no dia 16 de setembro de 2001 porque ele não consegue achar um absurdo os atentados ao World Trade Center, alegando que várias pessoas morrem todo dia no Oriente Médio e ninguém liga (e não conseguir entender que as duas coisas são horríveis da mesma forma e uma não justifica a outra e aí você se pergunta o que eu estou fazendo com um sujeito desses ao meu lado?). História são presidentes inventando cidades, países e religiões, mas são também as pessoas que vão morar nessas cidades, inventando sonhos e objetivos, acreditando ou não nos deuses criados pelos homens. História é o que te une ao restante da humanidade. História é saber que cada pequeno ato de cada um influencia o mundo todo. A História é feita pelos pequenos. Por homens e mulheres que decidem largar o conhecido e mergulhar no abismo. Ou por homens que fazem o que podem. Ou não fazem. A História também é feita, também, pelos que não fazem.

Parabéns, Gotham City. Minha Volta Redonda que me fez ser o que eu sou hoje. Que me soldou com o aço da CSN e me fez ver a beleza em seus fogos azuis, rosas, laranjas, vermelhos...

segunda-feira, junho 30, 2008

Bonde sinistro, bonde do terror


Quando eu digo que Volta Redonda (vulgo Gotham City onde o céu é rosa, como diria meu amigo Denis) é um lugar estranho, mas Barra Mansa é muito, muito, muito pior, as pessoas não acreditam – Karine e Marcele, não façam essas caras que eu sei que vocês concordam comigo; aliás, vocês são a exceção que confirma a regra (de que todo barramansuíno é escroto). Quer dizer, aí é a maçã falando que o tomate é vermelhinho. Ou o roto falando do esfarrapado. Mas o fato é que Volta Redonda é um tiquinho assim melhor que BM. Tá bom, um tiquinho maiorzinho. Ok, é bem melhor. Mas nem é pra falar especificamente de BM esse post. É pra falar do ônibus bizarro que eu peguei pro Rio semana passada. Ônibus da gloriosa empresa Cidade do Aço que vem de Barra Mansa, já com os barramansuínos instaladinhos do lado direito de quem entra no ônibus.

Aí vai um parênteses pra falar dos meus anos de convivência com a viação Cidade do Aço. Como vocês sabem, Volta Redonda é uma grande Tijuca – ou uma Niterói sem praia. Aquele lugar que “se acha” baseado em não sei em que – e Barra Mansa se acha mais ainda baseado em menos ainda (sem contar que a Tijuca pode ser a Tijuca, mas é Rio. Niterói pode ser Niterói mais tem praia, enfim....pegaram?). Então Volta Redonda se acha chique. Daí que a viação Cidade do Aço tem o serviço de ônibus Executivo Non-Stop (claro, pra ser tijucano total só colocando um título em inglês, né? Afinal, escrever “parador” ou “direto” é coisa de pobre) que te leva de Rodoviária a Rodoviária. Hein? Mas não era pra ser assim? Não, tolinho leitor da Zona Sul. O ônibus Convencional (vulgo Comum ou Normal – como se o executivo fosse Anormal) pára onde o passageiro quer. Em Seropédica, na Baixada, na Dutra... bobeou o ônibus pára, quer seja pra descer ou subir gente. Não chega a ser um cata-jeca como o VAB (Viação Alô Brasil ou Viação Andrelândia-Barra Mansa ou Viado a Bordo, escolha), mas é mais parador que o Non-Stop (pois o Non-Stop Não pára, não pára, não pára!).

Outro diferencial é que o serviço Não pára, não pára, não pára! tem água gelada e cafezinho a bordo (muito no início eles davam revistas tipo a Quem Acontece! Ou a Caras. A Glória das Glórias! Hosana nas Alturas! Mas há tempos eles só dão café e água). E...tcharãn! Um tapete vermelho na porta. É sério. Não é piada. Eles colocam um tapete vermelho pros passageiros entrarem. Tá, não é um mega tapetão estilo Red Carpet do Oscar, mas é um capacho vermelho que é colocado estrategicamente na entrada do busão pra você se sentir membro da elite. Cidadão de bem, pagador de seus impostos, cumpridor dos seus deveres.

Outro diferencial do serviço Não pára, não pára, não pára! é que o motorista entra, pega o microfonezinho e diz: boa tarde, senhores passageiros. Eu sou o motorista Wanderley – ou qual seja o nome do motorista – e vou conduzi-los até a cidade do Rio de Janeiro. A bordo nós temos água gelada, cafezinho e aqui na frente bala (ah é! Já ia me esquecendo das balinhas). Lembramos que não é permitido fumar no veículo e que esse é um serviço Non-Stop (Não pára, não pára, não pára!) só parando nas rodoviárias. Tenham todos uma boa viagem. Às vezes não tem microfone e o cara vai no gogó mesmo.

Cara, a primeira vez em que eu ouvi isso eu tava sem ninguém pra compartilhar esse momento Tosco Tijuca Country Club. Depois que ele largou o microfone minha vontade era ir lá, pegar e começar a cantar: “stangers in the night, two lonely people. We were strangers and the night...é com vocês agora! Everybody! Lararirara!".


Tudo isso é pra ambientar vocês no Cidade do Aço. Cidade do Aço não é só um ônibus, é todo um conceito (ou um pré-conceito). Tijucano.


O serviço Convencional é basicamente a mesma coisa, sem essas frescurinhas e dois reau mar barato (e ambos são mais caros do Rio pra VR). Mas o ônibus Convencional tem ar condicionado também – só não tem quando é feriado e eles colocam carro extra, isto é: ressuscitam todas as velharias da empresa.

A Cidade do Aço tem o monopólio da linha BM/VR-Rio, portanto como em toda organização comercial desse tipo, eles impõem o preço que querem. E o serviço que querem.

Em geral eu pego o ônibus do próximo horário, não me interessando se é Convencional ou Não pára, Não pára, Não pára! Essa semana, indo de VR pro Rio peguei um Convençazinho básico de 11:50. Horário tranqüilo, dia tranqüilo (terça), na semana anterior tinha ido pouquíssima gente. Pois é. Nessa semana resolveu ir todo mundo. O ônibus tava lotado.

Chegando na minha poltrona já fiquei de má vontade ao ver que minha vizinha de poltrona era gorda. Gordos: 1) ocupam muito espaço; 2) não raro comem durante a viagem. Sim, eu sou gorda e reproduzo o padrão de preconceito para com os da minha classe e etnia (porque o gordo é antes de tudo um safado). Mas tudo bem. Sentei-me no corredor, peguei meu livrinho e vamos embora.

Aí começaram as aventuras.

Na minha frente eu descubro que a moça tava indo visitar o marido (namorado, noivo, sei lá) preso. Ele tava na condicional, aí comprou um carro que ele não sabia que era roubado e foi preso. Claro, vocês conhecem alguém que está preso e é culpado? Todo mundo é inocente.

Atrás de mim uma senhora, também de idade indefinida (essa tipo 49 ou 57) que não parava de atender o celular.



- Marcela, vai pra faculdade, Marcela. Marcela, eu tô mandando, Marcela. Vai pra faculdade, Marcela. Anda, Marcela. Troca de roupa, Marcela. Chama seu pai, Marcela. Marcela, você me obedece, Marcela.

E a Marcela voltava a ligar e recomeçava tudo:

- Marcela, eu já falei pra você ir pra faculdade, Marcela. Marcela, só essa semana Marcela, Marcela...por favor, Marcela...

Já comecei a imaginar tudo: a Marcela não tava gostando do curso – o que ela fazia? Aposto que devia ser Comunicação – e queria parar de estudar.

De novo toca o cel:

- Marcela, eu já falei pra você ir pro curso, Marcela! Você sabe o duro que eu dou pra você estudar, Marcela!


Porra, Marcela! Eu tava quase ficando solidária a você, mas agora tô perdendo a paciência! Tipo: quer matar aula, mata. Mas pra que ficar ligando toda hora pra mãe? E o negócio não parava! (Não pára, não pára, não pára!). Sem sacanagem, a Marcela ligou umas 6 vezes pra mãe (só a partir do momento em que eu comecei a prestar atenção) pra dizer que não ia a aula e a mãe falava as mesmas coisas. Aí a mãe pediu pra chamar o pai, que também não saía de casa porque a Marcela não queria ir pra faculdade. Aí eu comecei a entender melhor a problemática: a menina devia estar com alguma doença de não conseguir sair de casa do tipo Síndrome do Pânico, Depressão ou qualquer outro pobrema de neuvro. Em dado momento eu vi a mãe dizendo para o pai que voltava hoje mesmo pra levar a Marcela no médico. Tava quase virando pra trás e trocando figurinhas a nível-de-maluquete, mas achei que a viagem já tava estranha demais.

Tolinha. Sempre pode ficar mais estranha.

Ao meu lado, na fileira de barramansuínos, um homem dos seus 40 anos de luvas de lã, tomando uma coca cola gelada e uma senhora de idade indefinida (essas idades tipo 47, 53...). Não entendi o grau de relacionamento entre os dois, mas comecei a achar estranho quando o cara começou a dizer que ia de Angra (dos Reis) até Belford Roxo de bicicleta. Achei que era figura de linguagem quando ele disse “quase fui de bicicleta hoje”, mas vi que era sério quando ele começou a narrar seus prodígios ciclísticos.

Antes a mulher só que falava. E contava que queria comprar um computador novo pro filho porque a casa dela não tinha quintal (hein?), que ela até tinha um computador lá, mas achava que tava escangalhado porque tinha uns fios soltos (?) e que o colégio do menino era muito bom, tinha inglês, espanhol e computação (e a tabuada nada né, minha senhora?).

E o cara só ouvia. E ela dizia: você vai ver lá em casa como é. Parece que o cara ia ficar na casa dela.

De repente o cara começa a contar da morte do filho, em Barra Mansa. O menino - devia ter uns 16, 17 anos – foi fuzilado. Aí seguiu-se mais ou menos o seguinte diálogo (não guardei a seqüência da conversa):

Mulher: Pagou quanto no enterro?

Cara: 600 conto.

Mulher: Enterrou em gaveta?

Cara: Não, não tenho gaveta, não. Enterrei num buraco, lá. Um lugar bom. Vista pra cidade. Uma beleza! Tranqüilo. Eu mesmo ajudei a fazer a cova. E eu jurei no caixão do meu filho que eu vou vingar a morte dele. Eu sei quem foi!

Mulher: Ah é?

Cara: Amigo dele. Meu filho era muito bom. Coração bom. Não tinha maldade. Andava com sete, oito mil no bolso, mostrando pra todo mundo, pagando bebida, chamando mulher, crianças...

Mulher: Ah é...

Cara: Eu quando tô com oito mil na mão só quem sabe é eu e minha mulher! Não fico mostrando por aí!

Cara: E pior que eu comecei a ter uns sonhos com ele. Via ele todo coberto de bala. Aí liguei pra ele e falei: “filho, vem cá ficar com o pai, o pai ta sentindo uma coisa ruim no peito” e ele “não, eu sei me cuidar, pára de me ligar!”. Quando foi no terceiro dia vem a notícia. Fui pra BM – por isso que eu não gosto de BM – e cheguei lá meu filho tava que parecia dormindo, precisa vê só. Parecia que tava rindo.

- Mas eles acham que eu não sei quem foi. Que eu não tenho mais gente que me conta as coisa lá. To sabendo que agora anda tendo estrupo direto, lá. Na minha época não tinha estrupo. Agora que eu não to lá e mataram meu filho, eles é que cuide das filhas dele. Mas eu já sei quem são e sei que eles vão pro Carnaval sempre pra uma praia lá de Angra. Vai ser nesse Carnaval. Quando eles menos esperarem uns camarada meu vão lá e vão fazer a limpa!



Me lembrei daquela propaganda no Disque-Denúncia (não sei se passa em outros estados ou só aqui no Rio) em que o cara ta na fila da padaria e vai falando no celular, pra todo mundo ouvir: “10 fuzis, 5 pistolas, isso”. Aí vem a voz do locutor: “quem é traficante não sai anunciando por aí, Denuncie”. A vida real é mais improvável do que a gente pensa.

Na minha diagonal, uma mulher levava a filha surda e muda pra uma consulta. E dava altos esporros na menina – que devia ter uns 6 ou 7 anos -, mandando ela ficar quieta. Humor negro é isso aí.

Eis que de repente, não mais que de repente, começa um estranho cheiro de cigarro dentro do ônibus. O motorista pára o carro e vem dar esporro. Me senti na sétima série levando bronca da professora. Que não podia fumar ali, que era um recinto fechado, nem no banheiro era permitido fumar, que a viagem era apenas de duas horas e não havia necessidade pra isso. Retornou ao seu posto de comando e ligou um sistema bizarro de troca de ar. Daqui a pouco ouço ele reclamando que “esse ônibus não é equipado com sistema de troca de ar...”. Fiquei pensando o que é um sistema de troca de ar? Não é o ar condicionado?.

Agora eu entendo o quão 2 reais podem fazer total diferença na sua vida. No serviço Não pára! Não pára! Não pára! esse tipo de coisa não acontece. O máximo que você vai ver é uma loura brigando com um pitboy pelo celular, outro abaixando a cadeira até quase deitar no seu colo, mas combinação de assassinato acho que não.

E eu com preconceito em relação a obesinha do meu lado.

sábado, maio 17, 2008

E por falar em Wisteria Lane...


Vocês se lembram daquele episódio de Sex and the City em que elas vão a um chá de bebê e são expulsas? Hoje eu quase vivi uma situação parecida, mas numa festa de criança.

Eu acho que as pessoas que tem filhos deveriam compreender que nós, os não-pais, não estamos interessados em todas as gracinhas de seus filhinhos. Eu até gosto de crianças, não me entendam mal – em geral; odeio esse papo de “adoro criança”, pois parte do pressuposto de que todas as crianças são iguais. Crianças são seres humanos. Algumas são legais, outras chatas, outras falsas e mesquinhas, outras mais generosas. Enfim. Quando mães se reúnem, especialmente mães cuja vida foi pautada em cuidar dos filhos e da casa, elas acham que o único assunto é esse. Sinceramente, eu não ligo a mínima, minha senhora, se a sua netinha fala inglês com 4 anos ou o que disse beltraninho. Foda-se o beltraninho. Aliás, se o beltraninho me encostar com essa mão gordurenta de coxinha eu afogo ele na privada.

A mediocridade é das coisas que mais me irrita. Eu tenho simpatia pelos fracassados, acho graça nos arrogantes, suporto os deprimidos, tenho uma certa preguiça dos eufóricos, mas eu não tenho a menor tolerância com a média. Não mesmo. É um defeito grave meu, eu sei. Eu chego a ter inveja quem consegue se manter na média. Eu queria querer. Eu não consigo.

“Média” me lembra música do Gonzaguinha (aquela “viveeeer e não ter a vergonha de ser feliiiiiz”), gente que dança com os dedinhos pra cima e diz “vamu animá, gente!”. Mas, quase sempre a gente teme/repudia o que mais se parece com nós mesmos. Isso é o que mais me assusta.

***

Eu quero fazer uma camiseta escrita: “eu tenho medo de espetáculos interativos”. Esses dias recebi um e-mail me convidando pra um “jogo coreográfico”. Mêda. Muita. Agradeci, mas declinei explicando esse traço da minha personalidade. Sem contar que eu sempre sou “a escolhida”. Sabe aquele maluco que tá babando e atirando cocô na platéia e de repente chama um “voluntário” no palco? Pois é. Eu sempre, sempre, sempre sou esse pobre coitado. Tenho medo de que a minha calcinha apareça que nem a da Angélica quando foi chamada no Circo de Solei (e minhas calcinhas andam meio velhas).

Aliás, essa minha amiga que me mandou o e-mail foi a mesma que, tempos atrás, estava comigo num eveiiiinto de música, arte, show, teatro, milhares-de-coisas-tudo-ao-mesmo-tempo-agora-mas-na-minha-bunda-não-violão, com várias coisinhas interativas. Lá pelas tantas, um bebum tentou entrar sem pagar e foi rebocado pelo segurança. Só que ele impunha uma certa resistência à expulsão. Essa minha amiga olha e diz: “puxa! Achei que fosse uma cena de dança contemporânea!”. Eu me escangalhei de tanto rir. Porque no conjunto geral do eveiiiinto poderia perfeitamente ser. E eu me lembrei de que eu já fiz várias improvisações no teatro com essa temática.

A que ponto a arte moderna chegou. É que nem a famosa piadinhas dos dois críticos de arte no MOMA apreciando um balde e um esfregão, tecendo mil comentários sobre o que o artista quis dizer, até que um faxineiro chega e leva a suposta "obra". Se tudo tem que ser contextualizado e se pagamos mais pelas assinaturas do que pelas obras em si, qual o sentido da arte? Como diria Woody Allen, eu não sei, só sei que eu paguei muito caro por aqueles carpetes.

***


Outra camiseta que eu quero mandar fazer é: “odeio camisetas com frases”. E também: “preguiça de gente”.

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Eu sou uma pessoa tão, tão agradável.

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Ninguém merece: cantada de pseudo-enólogo-anão em Gotham City em plena seção de vinhos da Sendas. Ainda bem que não foi comigo, mas com Formiga Irmã. Eu não recebo cantadas desde o século passado.

Gothanianas


É muito engraçada a vida em Gotham City. Se a cidade carece de entretenimento e cultura, ela transborda em elementos cômicos – além de outros, mas hoje o que eu quero destacar é isso. Pra mim, pelo menos. Pra quem tem olhos pra ver. É um humor meio negro, mas é um humor.

Todos os dias eu acordo e dou de cara com o jornal O Globo e o jornal da região. O que eu mais gosto de ler neste último é a coluna social. Imaginem vocês. Coluna social já é um troço bizarro. Coluna social em Gotham City é duas vezes bizarro. E aí você acha antigos colegas de escola fica sabendo que Fulaninha de Tal acaba de volta de Nova Yorque ou de Cabo Frio (?!!). Que Beltrano acordou de idade nova e recebia os cumprimentos da esposa e dos filhos e se pergunta como você viveu até aquele dia sem aquelas informações todas.

E os erros de português do colunista em questão são o melhor de tudo. O pior de tudo (pode ter pior?) é quando ele resolve ser sério e quer falar de algum assunto de relevância, tipo queda do dólar ou a economia asiática. Aí ele diz o que há de mais óbvio, crente que tá dando um furo de reportagem. Sei lá, acho que ele se acha o Anselmo Góes de Voltaço.

Toda segunda feira ele começa com a mesma frase: “segunda feira, dia mundial da ressaca, tempo de muitos bocejos nas salas de aula e locais de trabalho”. Ele acha legal começar sempre assim. Acho que na cabeça dele ele está criando um estilo próprio, um bordão, uma coisa meio “sorry, periferia”, do Ibrahim Sued.

Tem os dias em que ele não está com o menor saco e taca meia dúzia de foto e fim de papo.

Algo inexplicável. Só lendo.


***


Tenho por hábito andar/correr pelas ruas do meu bairro. O engraçado é que todas as pessoas – TODAS – te dão bom dia. Independente se te conhecem ou não (no Aterro do Flamengo, no Rio, Onde eu corro, se você encarar alguém por mais de 5 segundos apanha). Acho tão bonitinho! Coisas de cidade do interior. Um troço meio Wisteria Lane (sim, as ruas são arborizadas, com casas grandes, com grandes jardins na frente, com cerquinhas brancas...qualquer dia eu coloco fotos aqui).

O pior é que a pessoa passa por você umas três vezes, já que o caminho completo inclui umas três voltas. Aí na segunda vez eu não sei o que faço, se cumprimento de novo, se ignoro. Formiga Irmã me orientando: “não, aí você dá só uma olhadinha e um risinho. E seja simpática, porque as pessoas podem achar que sou eu!”. E tem aquelas senhorinhas todas meio parecidas, né? Cheinhas, baixinhas, louras e de meia idade. Às vezes acho que é a mesma e já é outra, deixo de cumprimentar...elas vem em geral em grupo, como andorinhas ou maritacas.

Engraçado é que as pessoas nunca cumprimentam quem está indo pro trabalho. Porque é um bairro burguês, logo, todo mundo anda de carro. Logo, quem está a pé e não está de roupa de exercício não é morador (há inclusive uma difernciação de quem caminha no bairro e é do bairro e de quem vem de outros bairros caminhar aqui) são as empregadas domésticas, garis, vigias e diaristas que estão chegando. Que, supostamente na cabeça podre da burguesia gothaniana, não merecem bom dia. Ou são seres invisíveis - o que dá na mesma.

(Na verdade Gotham City não é uma cidade pra se andar a pé ou de ônibus. Somos muito mal servidos em transporte coletivos. Acho que é mal de cidades projetadas).

De vez em quando passamos por velhinhos caquéticos, que mal andam e Fu Sis vai me informando: "Esse aí era o todo poderoso da cidade". Penso comigo: pela aparência devem ter acendido o primeiro auto-forno da CSN.

Tinha um bem velhinho que sempre passava e dizia pra minha irmã que ela era a moça mais bonita que ele já tinha visto. Quando eu passei ele me disse a mesma coisa (os homens são todos iguais, não importa a idade. Ou então ele me confundiu com a minha irmã).

Aliás, esse negócio de me confundirem com a minha irmã ta muuuito chato. De vez em quando perguntam quem é a mais velha. Ela só é DEZ anos mais velha que eu. Ela tem 40 anos. QUARENTA. E vai fazer 41. E UM. Eu tô começando a ficar sem graça, porque ninguém acredita que ela tem 41 anos e me olham como se eu fosse louca. Eu podia confessar que ela mora em um sarcófago de formol, que na verdade há um retrato dela envelhencendo dentro do armário, mas nããão. Eu não falo! Eu fico na minha e apenas aviso que ela é DEZ anos mais velha que eu. Esses dias um cara disse que eu devia ter uns 23 e ela uns 28. Tudo bem que era o Will – peça raríssima - mas mesmo assim...).

sexta-feira, maio 09, 2008

Estilo cantora da MPB


Aproveitando a estada em Gotham City, fui ao banco resolver pendências, já que a minha agência é daqui.

Papo vai, papo vem, enquanto eu tentava entender as milhares de tarifas que o banco me cobrava e negociar taxas do cartão de crédito, a gerente manda:


- Nossa! Você tem a voz idêntica (ô-ou. Já sei o que costuma vir depois) a da Ana Carolina, a cantora!

- É, já me disseram isso.


(Aproximadamente umas 286.542 pessoas. Quando eu dava aula sempre, sempre, sempre tinha um aluno em cada turma, todo semestre, que vinha logo nas primeiras aulas, me dizer que eu me parecia com ela. Alguns diziam que era só a voz, outros a voz e o físico, outros a voz e o jeito [!!]. Uns queriam que eu cantasse em sala de aula...phoda. Pior que eu nem sei as músicas dela! Tá, a voz dela é bonita, mas eu detesto as músicas - tirando as que não são dela, como as do Chico Buarque, por exemplo).


- Ah, mas você tinha que ir ao programa do Faustão, naquele quadro dos Covers.

- Hein?

- Menina, você ia ganhar um dinheirão!


- Rá rá.

E, não satisfeita, a mulher emendou num papo sobre o programa, sobre o cover do Elton John e bla bla bla.

Lá pelas tantas ela vai me dar um papel:

- Assina aí, Ana Carolina Cover!

- Rá.


No final:


- Tchau, Ana Carolina!


Que divertido. Sinceramente eu preferia que a minha conta bancária se parecesse com a dela.


segunda-feira, abril 28, 2008

Capítulo 594

Continuando a nossa saga hidráulica, mais um personagem entra na trama essa semana: a mulher do apartamento acima de mim. Diz ela que tem um bombeiro excelente que constrói casas e entende de obras e é responsável por um condomínio em Niterói (oh! Em Niterói! Aquele lugar que não deixa a gente escovar dente em banheiro de shopping!!). Marcamos dele vir ver os apartamentos e a coluna na terça e cancelamos a vinda do bombeiro do prédio - cujas suspeitas aumentam cada vez mais.
A grande expectativa é que a coluna seja a culpada. A coluna é o mordomo.
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Vinda relâmpago à Gotham City, pra ver minha sobrinha que passou aqui (ela mora em Piracicaba, por isso, quando vem ao estado do Rio, eu tenho que aproveitar para vê-la). Fotos daqui a pouco.
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Atualizei a minha leitura de Quem Acontece.
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Tô tensa. Mas vai passar.

segunda-feira, março 10, 2008

Um post reichiano


Ócio. Total e absoluto ócio, apenas entrecortado por um tratamento repentino de dentes. E exercícios. Muito exercício. Estou conseguindo correr alguns minutos! Yeiiii!!! Com isso estou emagrecendo. Nove quilos, já. Em breve vou atingir a metade da minha meta: 10 quilos.

Mas, então. Falando sobre os meus dentes. Meu dentista – que é o meu primeiro e único; um dos relacionamentos mais duradouros de minha vida – diz que se os dentistas dependessem de mim iriam à falência, porque eu quase nunca tenho nada – uma ou outra limpeza de tártaro. Vou ao dentista só quando sinto alguma coisa e isso demora anos. Nunca tratei canal – graças a Deus. Não tenho essa coisas de bloco, apenas poucas obturações. Fazia dois anos que eu não ia ao dentista. E só fui porque comecei a ter uma dor louca ontem e, por sorte, estou em Gotham City. Aí descobri que a minha obturação furou. E um outro dente meu lascou. Aí ele me perguntou se eu ando rangendo os dentes enquanto durmo. Disse que não sabia – afinal estava dormindo. E não durmo com ninguém com regularidade para que possam me avisar. A única que mais dorme comigo é Formiga Irmã, e ela diz que acha que eu não ranjo. Ele disse que eu estou com uma força muito grande na mordida e que pode ser isso. A pessoa exagera na dentada. Por causa disso ele se recusa a colocar resina e insiste no amálgama (metalzinho). Disse que a resina não vai agüentar na minha boca. Ela vai pedir pra sair.

Caralho. Eu acho que eu sou o Incrível Hulk. A maioria dos problemas que eu tenho na minha vida são relacionados, de alguma forma, com a minha dureza, força e agressividade, quer seja de forma literal ou metafórica. Quando eu fazia escola de teatro todos os meus professores de interpretação, de expressão corporal, batiam nessa tecla. Que eu precisava de suavidade, de leveza, porque quando os personagens eram fortes, duros e pesados eu ia bem. Mas quando eu precisava de alguma coisa mais leve, não conseguia. E tem também o fato de que a força, quando mal administrada, ela causa estrago pra quem a emite e quem está à volta. E não necessariamente força é igual a peso. Uma coisa pode ser forte e leve. Ou forte e maleável. O que é complicado, porque também são algumas das minhas qualidades. E quando você acostuma a utilizar suas qualidades como defeitos você começa a pensar que se abrir mão dos defeitos pode perder as qualidades. E, talvez o que nós tenhamos de melhor sejam realmente os nossos defeitos. O que nos particulariza.

Engraçado como a gente introjeta essas características até no próprio corpo. Por exemplo, eu sou extremamente forte, fisicamente. Para uma mulher. Meus músculos, debaixo do monte de banha (talvez uma tentativa de amaciar?), concentrados na região do abdômen (não por acaso o centro da força) são sólidos e desenvolvidos. Se eu começo a malhar, cresce tudo rápido. Eu agüento pesos que meus porteiros ficam espantados. Deveria ter me dedicado ao boxe ou ao jiu jitsu. Seria campeã. Peso pesado. Mas essa dureza – que é ótimo, porque eu tenho menos celulite, menos flacidez – me gera outros problemas, como por exemplo, tensão nos ombros e pescoço, além do encurtamento deste. Acho que daqui uns anos, se não fizer um trabalho de pilates ou RPG, vou parar de ter pescoço. O que será complicado.

O mesmo não se aplica a minha flexibilidade. Sou extremamente flexível. Coloco o pé atrás da minha nuca. E nunca fiz ballet, ioga nem grandes exercícios. E isso não reflete, de maneira nenhuma, minha flexibilidade na vida.

O fato é que todas as características que nós temos são boas e ruins ao mesmo tempo. É o pacote todo. Ninguém muda o outro. E a gente só muda diante de um grande esforço, que quase sempre demanda algum tempo ou diante de grandes impactos. Mesmo assim, me pergunto até que ponto é possível mudar, realmente. Digo, mudar tudo. Porque seja como for leva-se tempo para se tornar o que se é. Só se muda realmente quando a dor de continuar sendo o mesmo é tão insuportável que qualquer outra tentativa antes da morte é melhor. É como diz o Bob Dylan. Quando você não tem nada, não tem nada a perder.


PS: Acho que estou com uma crise de criatividade. Tô achando tudo que eu escrevo chato e repetitivo.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

O pulso ainda pulsa (mas é bom não abusar)

Dez horas de digitação diária tem contribuído para dores lancinantes nos pulsos e adjacências, de modos que tenho que me poupar.
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Diálogos no café-da-manhã em Versailles, enquanto como brioches:
Eu: Maria, nasceu minha afilhada!
Maria: Ah, é? É a primeira?
Eu: é.
(Silêncio)
Eu: Por quê?
Maria: Dizem que o primeiro afilhado tem que ser homem, pra pessoa casar rápido.
(Silêncio)
Maria: Mas, isso é superstição...
Superstição ou não, uma coisa é fato: o Universo conspira para o meu encalhe.
PS: A culpa é de Júlio (vulgo Primo Poeta, vulgo Padrinho e Tio da Sabrina) e da Zelinha. Eles sabem porquê. E a sua irmã já é noiva, Zelinha! (Ou será que ela ficou noiva justamente porque você a chamou pra madrinha? Humm...começo a desconfiar que essa superstição tem um fundo de verdade...).
PS2: Ainda que eu case amanhã já não posso entrar na categoria "rápido".
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Amanhã Dona Cris vem em territórios gothancitianos e visitará Versailles. Foi convidada a passar a noite em um dos quartos da ala norte.

domingo, fevereiro 17, 2008

The job that ate my brain


“Ain't enough hours in the day
There's go to be a better way

I can't take this crazy pace
I've become a mental case
Yeah, this is the job that ate my brain”

(Ramones)





Eu não faço a menor idéia pra onde eu estou indo. E, sei lá. Talvez isso não seja necessariamente uma boa.

Eu tenho a sensação de que alguém roubou a minha vida e está com ela por aí. Quem achar, favor deixar na portaria.

Alguma dona de casa com marido, filhos, cachorro, vazinho de flor na janela, lençol estendido no quintal e papagaio talvez queira ir pro ridijanero continuar os estudos, morar sozinha...sei lá. Faço permutas. É só contatar o gerente da seção e podemos fazer negócio. Vendo itens em separado, também.

A Madonna uma vez, já no auge da fama (tipo próximo ao lançamento de Na cama com Madonna, depois da turnê Blond Ambition) disse: “tudo que eu queria agora era estar em casa lavando as cuecas do meu marido” (o que, estranhamente me lembrou aquela música do Guilherme Arantes: eu queria muito estar/ no escuro do meu quarto/ à meia noite/ à meia luz/ Sonhando/daria tudo por/meu mundo e nada mais). Ninguém no mundo entendeu essa frase dela, só eu. Não é machismo, não é jogada de marketing, não é nada disso. Eu vou explicar pro resto do mundo. É apenas o sentimento de que ela queria realmente ser uma pessoa normal, mas não dá. Ela queria querer, o que é bem diferente de apenas querer. Algumas pessoas passam a vida tentando ser normais, tentando ter apreço pela normalidade, e nunca vão conseguir – e, bom...depois de algum tempo ela até conseguiu “lavar as cuecas”, de alguma forma. Ah, eu e minhas questões acerca da suposta "normalidade" - eu sei que "de perto ninguém é normal" e coisas do tipo, mas...há níveis. Há graus.

Tédio. Tédio. Tédio.

Zzzzzzz.

Esses dias eu escrevi "exelente". Minha irmã viu e teve que me corrigir. Mas eu fiquei olhando alguns minutos pensando o que havia de errado na palavra. Eu também nunca sei escrever "administrar". Psicóligos de prantão podem arriscar explicações óbvias.

Meu cérebro virou um mingau, essa é a verdade. Tenho vontade de ficar sentada no sofá vendo Friends e Bob Esponja, tomando Toddy morno com biscoito molhado no leite.

As pessoas dizem que para você ter cachorros (sim, de novo eles. Que, no caso, não passam de uma metáfora) e filhos, você deve abdicar de uma série de coisas, se prender, não ter liberdade de sair, de viajar, de passar noitadas fora de casa...

A dúvida é: cadê as noitadas, as viagens, os filhos, os cachorros, a série de coisas? Roubaram! Eu não tenho nada! Nem uma coisa, nem outra! Nem os prós e nem os contras.

Eu não sei pra onde estou indo. Só sei que a passagem tá muito cara e o motorista dirige muito mal. E tá sem paisagem, o caminho. Eu acho que eu tô enjoando e vou vomitar dentro de alguns minutos.

O pior (ou melhor) é que eu sei pra onde eu deveria ir. Mas não tá dando. No momento, não.

Minha vida não é igual a de ninguém. Sim, há uma presunção muito grande nessa frase. Nenhuma vida é igual a de ninguém. Mas eu sempre tive a sensação, desde muito criança, que a minha era menos igual, mesmo sabendo que a de todo mundo é diferente.

Eu vou ser Doutora com 32 anos. Phd – philosofical doctor. Pra quem, há dez anos atrás, queria fazer tudo, menos seguir a carreira acadêmica – pra quem, sequer, queria ter feito faculdade e trancou duas vezes – acho que é uma grande surpresa.

Pra quem não fez Letras só porque não queria, em hipótese alguma, ser professora, também é um fato, no mínimo, curioso.

Pra quem sempre odiou o Rio também é um tanto quanto notável atingir a marca de 13 anos morando lá. Passei a gostar, depois de uns 5 anos. Do meu jeito, mas gosto. Pelos motivos que não são os mais óbvios.

Não, eu também não quero ser atriz (pra quem não sabe: eu tenho um registro de “Artista – atriz”. Mas não espalha. Pior do que esse só o de jornalista, mas eu sequer me dei ao trabalho de tirar o registro profissional, que é pra não correr o risco de ninguém me dar um trabalho nessa área).

A única coisa que eu gosto de fazer desde pequena é brincar. E contar historinhas. E toda a minha vida profissional tem sido uma busca por essas duas coisas. Só que nem sempre eu consigo articulá-las em um projeto de vida coerente e lucrativo.

Bom, mas pode ser tudo apenas TPQ = tensão pré-qualificação.

sábado, fevereiro 09, 2008

Fim de carreira é...

...até sua mãe sair sábado à noite e você ficar em casa, trabalhando.

Exausta.

(Zzzzzzz, disse a drosófila melanogaster).

sábado, janeiro 26, 2008

O voltarredondense é antes de tudo um sobrevivente!


Recebi isso de um amigo barramansuíno - embora ele vá negar, mas atualmente ele habita BM. Hilário!! Pra quem quer conhecer Gotham City.

Algumas pérolas:

“Cultura: não há. A vida de um voltaredondensse se baseia no que passou ontem na novela e em músicas criativas de funk. E também do que acontece dentro da CSN.

Para aqueles mais alternativos, no Memorial Zumbi (também conhecido como lixão) há um encontro de jovens de preto para beber vinho vagabundo, falar de músicas incrivelmente ruins, usar correntes roubadas do portão lá de casa e ser parados pela polícia”.



Eu já falei aqui sobre esse encontro aqui, lembram?


“todo voltarredondense se muda em grandes caravanas para
Angra dos Reis (ou melhor, num lugar esquecido por Deus chamado Perequê, que é o bairro de Volta Redonda mais próximo do mar), ou então em Cabo Frio”.


Eu ia pra Perequê com a Fló! Hahahaha...Cabo Frio, então...nem se fale! Simplesmente eu encontrava o meu colégio INTEIRO lá (não por acaso Fu Sis e Fu Mãe estão lá agora).


Pior que é tudo a mais pura verdade, galera! Não pode sair um selumano normal daquela cidade...não pode...é muito aço na idéia.

A parte sobre os clubes é a melhor...só quem foi/é adolescente em VR compreende a luta. É verdade que em muita coisa eu estou desatualizada, mas a essência continua – mesmo porque VR não muda.

Só fiquei puta de não terem sacaneado o meu bairro, o Laranjal, reduto máximo de patricinhas e playboys – quer dizer, deram uma sacaneadinha, mas foi bem de leve.

Tenham clemência para comigo. Lembrem-se de onde eu vim! Eu podia ser um selumano muito pior.

Podia?