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sábado, novembro 22, 2008

You have no idea what I'm talking about. But, believe me: you will. Someday.
Estou vendo - pela enésima vez - pedaços de Beleza Americana, o filme do Sam Mendes, com o Kevin Space, que concorreu ao Oscar e bla bla bla. Esse filme é um dos que mais me marcou na vida (ao lado de A Vila, do Shayamalan-cara-do-Sexto-Sentido-que-eu-nunca-sei-falar-o-nome; de O show de Truman; Clube da Luta; Pequena Miss Sunshine e Matrix. Mas depois eu falo mais sobre isso).
Para além da crítica a sociedade americana, que pra mim é uma das camadas mais superficiais, é um filme lindo, triste, engraçado, sensível, tocante, comovente...enfim. Acho que eu já devo ter falado nesse filme umas duzentas mil vezes aqui, assim como do desenho da bruxa do pica-pau e o Alexandre Frota (aliás, eu queria aproveitar...). Mas eu estava pensando aqui enquanto assistia ao final: o personagem do menino, o traficante que namora a filha do Kevin Space, que pra mim é a pessoa mais sã do filme inteiro, vai se fuder de verde e amarelo (só lembrando: quem mata é o pai dele, porque é um viado enrustido e acha que o Kevin Space é gay e tá comendo o filho dele. Depois de dar um beijo na boca do Kevin Space e ele dizer que não é bem isso ele fica louco ante a possibilidade de ter beijado o vizinho e resolve matá-lo). Ele vai ser preso, o garoto. Todas as provas estão contra ele: a gravação da menina pedindo pra matar o pai (e quando ela diz que está brincando ele já não está mais gravando); as cenas em que ele filma o Kevin Space pelado, no começo do filme; todas as filmagens da menina, o fato dele ter sido internando num hospital psiquiátrico (porque o pai acha ele fumando maconha); o fato dele ter saído de casa com todo o dinheiro (porque o pai expulsa-o achando que ele era gay); o fato dele ter acesso ao quarto cheio de armas do pai, um militar aposentado. Em suma: a acusação vai deitar e rolar e mostrar como o menino desajustado e problemático aliado a garota negligenciada pelos pais e com baixa auto-estima se mostraram um coquetel Molotov prestes a explodir. Dessa forma, matar o pai dela seria lucrativo para ambos. A defesa até poderia alegar que a mãe dela também é suspeita, por ter chegado em casa na hora, por ele ter descoberto o caso dela com o corretor imobiliário fodão e por ela estar carregando uma arma. Mas, após alguns exames balísticos descobiriam que não se trata da mesma arma. O filme é todo muito bem bolado para que a culpa recaia sobre o menino, ainda que ele seja o que menos tem motivos de o fazer.
É, essa sou eu: precupada com o destino de personagens de ficção de um filme que eu já vi 789.326 vezes.
Mas então, voltando àquela listinha lá de cima. Todos esses filmes são emblemáticos pra mim (vejam bem: há outros filmes que eu gostei tanto quanto esses, ou até mais, mas estes me marcaram profundamente). Examinando cada um deles, vejo o quanto em comum eles têm. Questionamento da realidade como nos é dada com roupagem holywoodiana. Eu preferia dizer que os filmes que mais me marcaram foram do Fellini, Kurosawa, Godard ou algum indiano obscuro. Mas não seria verdade.
Outra coisa que me impressiona em Beleza Americana - e talvez esteja presente nesses outros filmes em maior ou menor escala - é que são pequenas mudanças de atitude do(s) personagen(s) principai(s) que os fazem mudar de vida. É uma mudança de olhar diante do mundo. Um novo ângulo que se adquire mediante uma pequena alteração. Porque na vida real as mudanças acontecem, na maior parte dos casos, essa forma. Tanto que, no final, o personagem do Kevin Space desiste de comer a amiguinha da filha. Depois que ela diz ser virgem ele vê o que ele está prestes a fazer e - especulações minhas - talvez se dê conta de que a vida dele já mudou. O que inicialmente fora a mola propulsora de sua mudança - comer a menina - quando se apresenta como real possibilidade perde o sentido, pois a mudança maior já foi operada na vida dele. Ainda que ele continuasse casado com aquela mulher e ela tendo caso com o corretor imobiliário fodão, isso não importava. Ainda que ele estivesse trabalhando na lanchonete vendendo hamburgueres, it doesn't matter. Ele morre feliz. Ainda que essa felicidade tivesse durado tão pouco - o que também não importa já que, no final, tudo o que conta são esses momentos, segundo a "mensagem" final do filme.
Enfim. Eu sou uma pessoa que tem problemas com a realidade.

quinta-feira, junho 26, 2008




Mulheres: há 500 anos - ou melhor: desde que o mundo é mundo? - achando que o golpe da barriga funciona. E funciona!, me dirá o leitor ali da esquerda, lembrando de Luciana Gimenez e tantas outras que vivem de pensão paternidade. Well, se você não se incomoda com prostituição de luxo...mas achar que prende um homem no sentido de carinho, amor e atenção...aí já são outros quinhentos.

Não, não se trata de golpe da barriga o que a Ana Bolena fez, mas...sei lá. Me veio essa associação – pois se ela tivesse dado um varão ao rei quem sabe não teria perdido a cabeça - literalmente.

Mas querem saber? Bem feito. Quem mandou sacanear a irmã? Bom, sei que essa versão do filme é uma das muitas sobre a história. E bem maniqueísta. E eu não conheço nada sobre o período, mas...dito isso, bem feito.

Cara, devia ser o bicho ser rei na Idade Média. “Quero o divórcio. Ih, mas ainda não inventaram! Foda-se, eu crio outra Igreja!”. “Quero aquele país ali. Vamo lá, galera. Invade!”. “Quero aquela mulher. Vou instituir uma lei pra toda noite de núpcias a mulher ser minha antes do marido”. “Não fui com a sua cara. Vou queimar sua casa”. “Você é feio. Morra”.

Bons tempos...

Aí veio essa merda de Igualité, Fraternité, Liberté...tsc tsc tsc...


domingo, março 30, 2008

Into my wild

Eu quero viver de um jeito novo, só isso. Se não dá para mudar o mundo, é preciso que eu tente ao menos mudar a mim mesmo. Só que não quero fazer isso sozinho. Já me sinto suficientemente sozinho, não sei se por culpa minha ou não" (Paul Auster, em "Desvarios no Brooklyn).


Ando em um momento meio Paulo Coelho. Achando que o Universo está conspirando – ainda não tenho certeza pelo quê ele está conspirando. Talvez a melhor palavra seja convergência. Quando passo um tempo pensando em uma questão, parece que todas as coisas à minha volta me gritam a resposta. Na verdade não se tratam de respostas, mas do fato de sempre enxergarmos aquilo que nos toca mais.

Hoje fui ver o novo filme do Sean Pean (amo, amo, amo...em todos os sentidos. Nos mais luxuriantes, inclusive. Adoro o nariz torto e a capacidade dele se fazer horroroso em certos ângulos. Como se não bastasse, o cara pegou a Madonna. Period. Ele não precisava fazer mais nada da vida porque ele foi o grande amor da Madonna. Pára. Mas ele faz. E deu pra fazer além de papéis muito, muito fodas, filmes muito, muito fodas). Voltando à razão, o filme é “Na natureza selvagem” (Into the wild). Dirigido e roteirizado por ele, baseado na história real de Christopher McCandless, recém graduado, com perspectivas de cursar direito em Harvard,que simplesmente resolve doar suas economias (U$ 24.000,00) pra caridade e sair com uma mochila nas costas rumo ao Alasca, em 1992. A história dele foi transformada em livro pelo jornalista Jon Krakauer. A velha narrativa do herói que parte em uma viagem que se revela uma experiência espiritual radical. Até aí nada demais. Diversas outras histórias falam disso. Se você quiser saber mais da história (e não se importa em saber o final do filme) clique aqui. O filme é ingênuo e romântico. Mas de um jeito bom.

(Parênteses: acabo de descobrir que o ator principal, Emile Hirsch – isso lá é nome de homem? – é o mesmo de "Alpha Dog". O protagonista. Quase não o reconheci).

Começando o post novamente: ando inquieta com a capacidade de respondermos de forma convencional (leia-se: de acordo com o que a sociedade pensa e espera) e de forma não-convencional à nossa própria vida. E o quanto o convencional pode se mostrar não convencional e vice versa. Complicou? Explico. Falo das singularidades que construímos para lidarmos com nossas vidas e de como elas obedecem a padrões – até mesmo quando estão supostamente fora dos padrões. “Não cabe ao homem colocar-se em oposição à sociedade, mas manter-se em atitude compatível com as leis do seu ser”.

Não-corresponder-às-regras-da-sociedade (e quando eu digo isso acho que dá pra entender do que eu falo), se tornou também corresponder. O fato é que num mundo onde não há mais modelos o modelo virou o anti-modelo. O que dá na mesma. O caminho continua bifurcado em direção à construção de uma singularidade – e não múltiplo, como de fato ele é. Existem tantas quanto indivíduos nessa Terra. “Não gostaria que alguém adotasse meu modo de vida por motivo nenhum; pode ocorrer que antes que o aprenda, eu já tenha descoberto outro pra mim, e além disso desejo que haja no mundo tanto quanto possível pessoas diferentes. Gostaria, sim, que cada um se empenhasse em descobrir e seguir seu próprio caminho, em vez do trilhado por seu pai, sua mãe ou seu vizinho”.


II


Tem uma propaganda absolutamente cretina passando. Da Fiat. A moça entra e diz algo como: “ai, depois de um dia de trabalho exaustivo, entrar no carro e sentir esse cheirinho de novo compensa qualquer coisa!”. Se a única recompensa de uma vida desgraçadamente exaustiva é um cheirinho de um carro novo...sinceramente, eu prefiro não ter carro. Ou não ter nariz. “E oh, que trabalheira dá a casa. Polir o diabo das maçanetas e esfregar as banheiras num dia de sol desses! Melhor não ter casa para cuidar”.

E pensar que 99% das pessoas do mundo vão viver esperando a hora de bater o ponto, o final de semana, as férias, e achando que isso é normal...me inquieta. Não é possível que tanta gente goste da mesma coisa. Ou eu sou a única pessoa lúcida do Universo ou, assim como Simão Bacamarte, talvez deva me trancafiar num hospício – pois quando você acha que só você está certo, o errado é você (“se o homem não acerta o passo com os seus companheiros é porque talvez ouça um tambor diferente”).

Aliás, propagandas de carro são um prato cheio na construção de singularidades-padrão. Compre aqui a sua singularidade, motorista! Num financiamento em seis anos! Num país onde a identidade em geral (e masculina em particular) se afirma pela posse de um veículo automotor, você é instigado a ser diferente o tempo todo – desde que compre a marca X.

Tinha uma em que a menina dizia que faz parte de um grupo de pessoas que não segue moda. Por isso o carro dela era Y. Tem uma outra cretina sobre desodorizante de carro. Diz que todo mundo usa aqueles do tipo folhinha pendurada no retrovisor, mas você pra ser diferente, deve usar o Gleid carro não sei o quê. “O gosto, infantil e bárbaro de certos homens e mulheres, pela última moda leva muitos à constante roda vida e a queimarem pestanas no caleidoscópio de formas e cores para descobrir qual é a crista da onda na geração atual. Os fabricantes, por sua vez, já sabem que esse gosto é puro capricho”.

E o mais bizarro é que isso funciona. As pessoas acham graça e nem percebem que elas fazem parte. E que a resposta pode ser andar de bicicleta, mas também pode não ser, porque se isso passa a ser um padrão, exclui a capacidade de ser singular. A resposta é a sua resposta. Mas a resposta dói. Dá trabalho. Leva tempo. E quem tem tempo?


III


O Filme do Sean Pean me lembrou muito “Juno”, outro excelente filme em cartaz. Nada ver as histórias – vai ver sou eu, enxergando semelhanças, porque minhas perguntas é que se parecem. “Juno” fala sobre uma adolescente que engravida de um cara que ela nem tá namorando. Mas Juno é estranhamente anti-convencional na sua convencionalidade – assim como “Na natureza selvagem”. Quando você acha que o filme vai dar uma reviravolta surpreendente ele pega o caminho mais óbvio – que logo se revela nem um pouco óbvio.

O que eu estou querendo dizer é que respostas convencionais ou não-convencionais não existem a priori no mundo. Não são conceitos absolutos. Existem em contextos.

E vendo esse filme do Sean Pean eu pensei em quantos de nós já saímos em busca do sonho da viagem de mochila nas costas como o padrão do jovem-rebelde-que­-se-auto-conhece. Mesmo que ele vá de avião e fique em um hotel cinco estrelas com tudo pago pelo pai. É o modelo on-the-road pasteurizado. Jack Kerouac em 90 minutos – ou em 15 dias, uma capital por dia, todo fotografado e com pilhas de turistas japoneses ao seu lado. Viva. Acumule experiências. Faça a fila andar.

O filme é o oposto disso tudo. O moleque é um aspirante a escritor e leitor voraz e as referências à Thoureau são constantes, além de Tolstoi e Jack London...O cara simplesmente resolve viver. Ele não faz nada, pois ele vive. Zen-budismo, sem uma referência sequer. Ele não precisa de dinheiro – e, sério, na boa, isso não é hipocrisia, a gente não precisa de dinheiro mesmo. "Um homem é rico em proporção ao número de coisas que pode prescindir”.



IV

Poderia ficar aqui ad eternum dando exemplos. Do cara que se acha doidão e contra o sistema porque cheira aos 35 anos de idade – com o dinheiro do pai – do hippie da Cantão (loja), do Punk de boutique, da pessoa que se acha alternativa porque vai à Lapa (sábado à noite, junto com a torcida do Flamengo)...há singularidades para todos os gostos. Até o show do Ozzy Osbourne pode ser pago em 3 vezes no cartão. O cara come morcego no palco, mas você parcela no cartão. Alguma coisa está fora da ordem. Ou dentro demais.

Casal de atores cabeeeeuça, inteligentes e mudernos, faz propaganda de banco particular. Bancos são instituições mancomunadas com o demo, como todo mundo sabe. Mas tudo bem, porque eles podem. Ai, se fosse a coitada da Grazzi ou qualquer ex-BBB! Aí era ferro em cima. Mas grandes atores podem fazer propaganda de bancos. Porque eles patrocinam as peças, então tudo bem. É uma causa nobre.

E Pitty-Poser canta na final do BBB: “seja você, mesmo que seja bizarro” – e caiba na tela do BBB. Canta contra o sistema. Faz biquinho, entra de preto e de coturno – que ela deve ter comprado a uns 700 reais. Faz carinha de não assisto-a-esse-programa-chato-mas-estou-aqui-apenas-cumprindo-meu-papel. É preferível a Cláudia Milk (copyright by Battle). Entre a Sandy e a Pitty eu sou mil vezes a Sandy. Ainda que ela represente um conjunto de valores com os quais eu não compactuo. Mas eu tenho a impressão de que ela é ela (e pode ser apenas uma impressão, ou pode ser que o assistente de imagem dela seja mais eficiente que o da Pitty).


V


Todo mundo tem seu preço. O problema é que tem gente que se vende barato demais a troco de coisas muito caras.


VI



Tenham um bom domingo, crianças.

(Todas as partes em negrito e entre aspas referem-se ao livro “Walden ou A vida nos bosques” de Henry David Thoureau. Que, estranhamente, foram se encaixando no texto, e não o contrário. I Ching, Bel).

sábado, novembro 03, 2007

Rapidinhas do feriado


Hoje - ontem, sexta - fui para Água Escondida, a terra do Araribóia, almoçar com amigas blogueiras (Cris e Bella - vocês se lembram da Fofolete, uma bonequinha pequenininha que existia nos anos 80? Toda menina tinha. Você colecionava, eram várias cores! Pois é a Bella! Uma fofoletisinha! Fofa de "cute", não de gorda, que fique claro!) e novos amigos blogueiros que eu não lia, mas vou passar a ler.

Conheci Andréa. Pândega. Combinamos de ir ao anivérsário do OMEE da única, inigualável e blogstar Roberta Carvalho. Aliás, todos muito divertidos.


*


Assisti “O passado” do Babenco. Com o Gael.

(Suspiro)

Parafraseando Nini: “eu só acreditaria em um Deus que me desse o Gael”.


*


Só não concordo que o filme seja sobre uma história de amor. Deus me livre e guarde de um amor daqueles. Vade retrum, disconjuro. É igual “Travessuras de uma menina má”. Aquilo pra mim e um câncer são a mesma coisa.


*


Na volta do cinema, vim construindo um longo post sobre o amor (o pior de ter um blog é que a sua vida se transforma em posts. Você vê as frases sendo construídas e encadeadas à medida que as coisas vão acontecendo, e você muda até vírgulas de lugar. Muito estranho. Quando eu sento pra escrever o post já ta pronto). Mas aí cansei.

Sabe quando a ficha cai? Pois é. Com esse filme a ficha caiu. E qual foi a ficha? Essa idéia de amor romântico é chata e anacrônica. Antes eu dizia isso com um tom de rancor, amargura e pessimismo: “o amor acabou”, subtexto: “alguém me desminta pelamordedeus”. Mas hoje eu tive uma revelação vendo esse filme. Sério. Hoje pela primeira vez eu me senti feliz com a possibilidade do amor romântico ser um conceito datado. Helooou? A pessoa aqui é historiadora. Ela não deveria levar tanto tempo assim pra ter descoberto que o amor é histórico.

Quando digo amor me refiro sempre ao amor romântico, nascido na Idade Média e reatualizado pelos alemães do século XIX. É impressionante que tenhamos nos livrado de várias pragas do século XIX, como o positivismo, o evolucionismo, a idéia de progresso, a morte por tuberculose e bla bla bla e não tenhamos nos livrado do vírus do romantismo. Nada contra o amor, mas há que se relativizar mais o papel do amor nas nossas vidas. Há que se repensar esse conceito de fidelidade (e quem me conhece deve estar levantando as sobrancelhas agora). E de casamento. Não dá mais pra sustentar. Não no atual momento. É o mesmo que continuar acreditando em Adão e Eva e que a Terra é quadrada.

Enfim, não sei qual a solução. Nem faço idéia. “Relacionamento aberto” não é solução porque pressupõe que o modelo é fechado. Então não sei o que é. Só sei o que não é. E não é o que está aí.

E, pela primeira vez, eu pude ficar realmente feliz em pensar que o amor acaba. Que bom que o amor acaba. Isso não é uma coisa ruim. Pela primeira vez eu pensei que os tais “amores líquidos” que o Bauman fala não são ruins. Porque antes as pessoas ficavam juntas por outros motivos.

Quando Nietzsche ataca a moral cristã, derruba os falsos ídolos, colocando a idéia da transvaloração de todos os valores, eu penso que ele esqueceu do amor. Não que o amor vá parar de existir. Mas essa idéia de amor. Já matamos Deus, mas de novo ainda colocamos outros deuses no lugar. O amor é um deus legitimado por toda uma cultura.


*


Eu sei o que vocês estão pensando. Eu sei. Que eu falo isso porque eu não amo ninguém e quando eu voltar a amar eu esqueço tudo isso.

Claro que eu vou voltar a amar muitas e muitas vezes. Mas a idéia do amor romântico não me seduz mais tanto quando antigamente. Chega. Deu, né?


*

Aliás, talvez matar o amor romântico seja a única forma de eu recuperar a minha capacidade de amar.


*


Como diria meu amigo JJ: “só vale a pena enquanto der frio na espinha. Quando acaba, não vale a pena continuar”. Nem sei se eu iria tão longe (não preciso ter frio na espinha), mas é por aí.

Sim, é com você JJ e o nosso papo do fim de semana passado. Você mesmo.

JJ sempre abre um sorriso de orelha a orelha quando sabe que algum casal de separou. Isso comprova a teoria dele.


*


Vai passar um programa sobre o Gonzaguinha. Quando eu era bem criança eu era muito fã do Gonzaguinha e do Fagner. Não satisfeita, eu era apaixonada pelo Gonzaguinha. Achava ele lindo. Acho que depois do Batman foi minha segunda fantasia sexual infantil.

Viram? Eu melhorei muito. Eu era bem mais estranha.


*


Tô com óooodea do meu cabelo. Muita ódea. Vou meter a tesoura. Aliás, todo dia eu corto um pouco eu mesma. Antes que uma grande merda ocorra, vou cortar com um cabeleireiro novo que peguei o telefone. Vou cortar uns quatro dedos.

Eu sei que essas informações capilares são super importante para vocês.

E já desbotou conpletamente! Acho que vou ter que apelar pra tinta, já que o tonalizante não dá no couro com esse vermelhão por baixo. Mas acho que vou esperar a qualificação.

domingo, maio 20, 2007

I love Justin Timberlake!!!


Eu ando relapsa. People, I know that t I walk relapsa. Mas não me abandonem. Please. Eu ando trabalhando arduamente nos meus planos de dominação do mundo, daí a falta de tempo. Mas eu darei ministérios para todos os meus leitores, vocês sabem disso.

Hoje vi Alpha Dog, filme. Muito bom. Vejam. Atuações perfeitas de Sharon Stone, Bruce Willis e Justin Timberlake. Sim eu nunca pensei que fosse dizer isso algum dia em minha vida, mas eu amo Justin Timberlake. Um ex `N Sync. Mas com o talento para cantar de um Michael Jackson nos bons tempos (incluindo o rebolado) – o que já virou até um lugar comum – e uma atuação digna de um grande ator.

Tenho sempre a impressão de que um bom filme tem a capacidade de nos fazer lembrá-lo o restante do dia. Saí do cinema achando todo mundo meio Alpha Dog. Eu tenho vários amigos Alpha Dogs. Ah, tenho. Triste, mas tenho. Pessoas que vão se deixando levar e quando vêem fizeram uma grande merda. Sei que a temática jovem-sem-perspectiva-que-se-droga-com-família-problemática pode parecer batida, mas vale à pena. Muito foda. E virei fã de carteirinha de Justin.

À noite fui ao show da banda Black Rio, no Estrela da Lapa. Ótimo show - como sempre é, aliás.

Tá chovendo pra caralho aqui no Rio e eu pude, finalmente, estrear minhas botas que eu comprei em Heildelberg, Alemanha (really sorry, periferia). A única vez em que eu coloquei foi no verão de Innsbruck, Áustria. Hoje estreei em solo brasileiro. E eu e minhas botas de Heildelberg adoramos. Logo eu e minhas botas de Heildelberg tornamo-nos um ser Uno, em total comunhão como o Cosmo. Minhas botas de Heildelberg pensavam numa coisa e eu também. Elas guiavam meus passos. Literalmente. Via alguém com outras botas e pensava: humm, acho que ela também comprou em Heildelberg. Via um casaco e pensava: será que ele é de Heildelberg? Vi uma moça de short branco bufante e pensei: será que ela comprou em Heildelberg?

Heildelberg, Heildelberg, Heildelberg.

Agora, uma verdade insofismável: se algum dia eu usar uma calça fusô, tipo legging, com bata/vestidinho por cima, por favor, me internem que eu não tô legal. Fui abduzida por criaturas do espaço.

quinta-feira, maio 10, 2007

A vida é dura


Fui ver o cheiro do ralo. O filme. Não. Apaga. Não é isso. Queria conseguir escrever o filme. Não descrever o filme. Nem escrever sobre o filme. Assim mesmo, do jeito que está. Se esse filme fosse um texto.

A “Veja” deu três estrelas. O Jabor chamou de obra prima. Ainda bem que eu não trabalho na Veja. Nem sou o Jabor. Ainda bem que eu não leio jornal. Nem revista. Só sabia que era com o Selton Melo. Era o necessário.

Deveria contar a história do filme. Ou a atuação dos personagens. E também quem sabe usar adjetivos. Falar algo sobre a minha percepção. Mesclar dados objetivos e subjetivos.

O Jabor disse um monte de coisa. Que o filme é um retrato do país. Bobagem. E que é o início de um novo cinema. Odeio quando eu concordo com o Jabor. Ele descreve lá umas sensações que ele teve depois do filme. Acho que eu deveria fazer isso. Acho que eu estou fazendo isso.

O cheiro do ralo é ruim. Não o filme. O cheiro em si. Mas ele pode ser o que há de melhor. Não adianta tentar tapar o cheiro. A merda estoura pelos canos.

O filme não quer nada. Não se propõe a nada. Por isso cumpre. É justo. Em tudo. Cada coisa tem o seu exato porquê de estar ali. Cada figurino, cada gesto, cada ator, cada pequeno detalhe ou música. Nada sobra, nada falta.

Há também uma bunda. Que não tem a ver com o ralo. Quer dizer, até tem. Mas não da forma como vocês estão pensando.

Ah é. Também comprei uns livros. No sebo do Estação. O Estação não dá mais desconto pra correntista do Unibanco. Mas a mulher me deu. Deve ter visto minha cara de decepção. Ou de pobre. Minha carteirinha de estudante tá pronta. Mas eu não fui pegar. A pós fica no quinto andar. Tenho preguiça. E medo do elevador parar comigo e nunca mais ninguém me ver. O elevador do bloco O é louco. E os funcionários são públicos. Já vi uma garota ficando presa e eles se locomovendo tal qual uma centopéia para libertar a garota. Já pensaram? Tenho boas pernas.

Ah é. Os livros. Comprei mitologias do Barthes e contos da katherine mansfield. Aquela coleção bonita, parecida com a da Virginia Woolf. Elas eram amigas. Bloosmbury. Sebo. Sebo caro, mas sebo. E eu sempre choro um desconto.

Na saída fui na livraria ao lado. Achei o livro da moça que saiu no prosa e verso de sábado. Carol Saavedra. Eu gostei porque ela falou em várias coisas que eu acredito em literatura. Que é você ter conhecimento da tradição com a qual você está dialogando. Ela tem mestrado em comunicação. Escreveu o livro durante um ano na Alemanha, onde ela escrevia das 6:30 às 14h. Ano monástico, diz ela. Que também acha que o escritor abdica de coisas. Eu também acho. Mas acho que o jornalista que escreveu a matéria não acha. “Muito cerebral?” - ele diz – de jeito algum. Maldito século XIX e seus românticos.

Depois eu não tenho dinheiro pra nada e não sei porquê. Por alguma analogia estúpida eu acho que comprar livros é o mais importante. Todo o resto pode esperar. Posso andar com as mesmas roupas. Posso pular algumas refeições – o que seria bom, pois eu emagreceria – mas isso é uma grande bobagem. Preconceito intelectual. Bom, mas temos que fazer escolhas, não é? Pagar preços. O filme também é sobre isso.

O Jabor também compara o filme a Kafka e Bukowski. Eu tenho uma certa preguiça de Bukowiski desde que eu larguei a adolescência.

Então. Acho que o filme dialoga com a linguagem cinematográfica.

Lá pelas tantas o personagem do Selton diz: “Mulher é tudo igual. Bobeou elas mandam o convite pra gráfica”. Essa frase foi para mim o que “O mineiro só é solidário do câncer” foi para Edgar, personagem de Bonitinha, mas ordinária, de Nelson Rodrigues. É de uma verdade acachapante. O óbvio ululante.

O Raymond Williams, teórico da literatura e membro da New Left inglesa, usa um conceito chamado “estrutura de sentimento” para trabalhar com obras de arte. Seria mais ou menos dizer que toda a obra abraça a estrutura de sentimento de sua época. O quê de subjetivo de cada época. Bem mais ou menos dizendo. Isso não quer dizer que seja um retrato realista. Ela apreende o sentimento de uma dada época. Sentimento expressando não apenas emoção, mas sobretudo sensação. O filme não é muito localizado temporalmente nem geograficamente. As personagens têm sotaque de Minas, do Sul. Às vezes você acha que está nos anos 70 em outras 80. A moeda é o Real. Há computadores. Mas o figurino é quase dos Chips. Não é um filme realista, sem dúvida. Se lembram do Blecaute, livro do Marcelo Rubens Paiva? É meio que naquele clima. Mas é outra coisa.

Só vendo. Mas não esperem nada. É sempre o melhor ponto de partida.

sexta-feira, maio 04, 2007

Dia de grandes emoções


I – Primeiras emoções


Estou eu, lépida e faceira andando pela livraria do Unibanco Artplex (cinema), niki eu olho e...tcharãn! Wagner Moura do meu lado. Não! Não é possível! O que ele está fazendo aqui? De mochilinha, oclinhos, bermudinha, olhando os livrinhos como se fosse uma pessoinha comunzinha, de carninha e ossinho?? Sozinho!! E ninguém grita? Ninguém pula no pescoço dele e diz liiiiindo, eu te amooooo? Você é o melhor personagem da novela, você tem que tomar a empresa do Antenor e matar o mala do Daniel!? Ah é. Esqueci que eu tô no Rio. Como diz a Adriana Calcanhoto cariocas não param em sinais vermelhos. E nem fazem festa pra artista da Grobo. Afinal, eles estão em toda parte.

Mas, eu, como sou do interiorrrrr – e vocês sabem, né? Você até pode tirar a garota do interior, mas nunca vai tirar o interior da garota –, fiquei dando mais um tempinho na livraria, só pra ver aquela gostosura toda em movimento. Fiquei que nem uma mocoronga do Congonhal (sorry, inner joke!), rodeando um bolinho de livro só pra vê-lo melhor. Sabe aquele dia em que você sai com uma camiseta hering preta velha e uma saia jeans batiiiida e mal olha no espelho? Não? Sorte sua. Aí comecei a pensar: merda, não passei nem um batonzinho. Nem de brinco eu estou. Aí parei e me reorientei: relooou, Carrie! O cara se esfrega na boazuda da Pitanga toda noite! Nem se você estivesse cravejada de brilhantes ele ia te olhar. Além de tudo ele é casado. E acabou de ter filho. Te orienta, Carrie! Acorda pra cuspir, garota!

Ai, ai. Fui pagar meus dois livrinhos que eu tinha comprado e deu 25 reais. Eu dou uma nota de 20 e fico olhando pro vendedor. Ele olhando pra mim. São 25 reais. Eu olhando pra ele. Ele olhando pra mim. Um livro foi 13 e outro 12. Ops! Desculpa, moço. Eu já sou lerda normalmente pra conta, ainda por cima sob o Efeito Wagner Moura Tudo De Bão.... Ai, ai. Deus conserve. De preferência lá em casa.

Mas se mamãe tivesse lá ela falava com ele. Tem horas em que mamãe faz falta. Eu morreria de vergonha, mas ficaria do lado dela.


II – Fortíssimas emoções


Fui ver “Batismo de Sangue”, que conta a história do Frei Tito, Frei Beto e demais freis dominicanos que lutaram contra a ditadura brasileira ajudando os guerrilheiros.

Puta que o pariôô. Se você não resiste à violência e sangue, não vá ver. Eu, que sou praticamente um misto de caminhoneiro, boxeador e pedreiro, quase levantei e fui embora nas cenas mais punks. Mas como isso seria dá uma de mulézinha fiquei até o fim.

Mas o filme é o máximo. A cena da missa no presídio, quando eles ganham um copo de Kissuco e biscoito maisena pra consagrar é de soluçar. Da mesma forma quando os presos políticos deixam o presídio e os que ficam cantam o hino da liberdade...foda.

Se eu fosse torturada eu seria a primeira a delatar todo mundo. Aliás, eu delatava antes de me torturarem. Aliás, eu nunca me envolveria em causa nenhuma que pusesse a minha vida em risco. Porque a minha vida é maior do que tudo. Nenhuma causa é maior do que viver. Ainda mais por uma birosca de país que nem esse. Fala sério.


III – O Darth é pop


E por falar no assunto, vi o trailler do filme que aparece o meu querido, idolatrado, salve salve orientador. É o documentário “Hércules 56” que conta a história dos presos políticos que foram trocados pelo embaixador suíço (ou americano, pois foram dois os embaixadores seqüestrados. Ele foi trocado por um e o irmão pelo outro. Imagina a mãe deles?). Dentre esses presos, além do meu orientador estão o José Dirceu, Vladimir Palmeira e Franklin Martins – o que nos leva a especular se não seria melhor deixar matar o embaixador...enfim. Abafa. Nesse documentário eles conversam com os caras hoje em dia. Tô eu lá, novamente lépida e faceira no café do Unibanco Artplex, e dou de cara com a imagem do meu orientador no trailler que passa ali do lado de fora. Pensei: ó, Orientador! Onipotente, onipresente e onisciente? Até no cinema me persegues? Ou será um delírio dos meus combalidos neurônios?

Tadinho, ele não me persegue, não, e só me ajuda. Cada dia eu fico mais espantada com a história de vida, com o brilhantismo e a humildade do cara. E o bom humor. Contei pra ele que a galera chama ele de Darth Vader e ele morreu de rir. Fizeram uma página falsa dele no orkut dizendo “sou um intelectual de esquerda, mas adoro roupas de grifes” e ele conta isso rindo. Um dia ele tá na Rússia, no outro dando entrevista pra Globo News; um dia está nos EUA, no outro falando na CBN; num dia dando fora na Revista Veja no outro de galã de documentário; um dia discutindo com o Diogo Mainardi no Manhatam Conection, no outro discutindo com os meninos do DA. O cara é foda. Como eu sempre digo pra ele: eu quero ser que nem você quando eu crescer. Foda, foda...

Pensa bem: o cara fez escola de guerrilha em Cuba, foi preso, trocado por embaixador...acho que ou pira e se mata - que nem o frei Tito - ou adquire outro olhar sobre isso tudo, né? Mas os idiotas do patrulhamento ideológico querem que ele continue a mesma coisa de 40 anos atrás? Falou, então.


IV – Nietzsche era um pândego e ninguém entendeu


Ah é. Sobre os livros que eu comprei. O primeiro Que loucura!, do Woody–Deus-Allen. A faceta escritor de Woody Allen é pouco conhecida, mas ele tem ótimos livros: Cuca Fundida, esse e Sem plumas. O primeiro eu tenho.

O humor do Woody Allen é o meu ideal de vida. O cara consegue conjugar ironia fina com pastelão; filosofia e banalidades. É tipo um Monty Python. Muito foda. E toda vez que o leio desconfio que minha família deve ser judia e ninguém sabe. Ou então sou adotada. Aliás, judeus e mineiros: tudo a ver.

O outro livro foi Ecce Homo. De como a gente se torna o que a gente é de Nietzsche. Resolvi começar minha leitura de Nietzsche – viu, Cláudio? - pelo fim. É tipo uma autobiografia onde ele explica a obra toda dele – é o último livro do cara. Dizem que ele já tava meio lelé da cuca (ele morreu doido de pedra). Os títulos dos capítulos são óóótemos: “Por que sou tão sábio”; “Por que sou tão inteligente” e “Por que eu escrevo livros tão bons”. Genial. Pândego.

Acho que também vou começar a escrever minha autobiografia e vou usar os mesmos títulos. Porque, vocês sabem, né? Eu, assim como a Alessandra Negrini, além de não me encaixar nos padrões, só leio três autores: Nietzsche, Borges e Proust (sim, ela disse isso na mesma entrevista da Marie Claire).

Deus salve os pocket books, os bons orientadores e o Wagner Moura.

domingo, abril 01, 2007

Além, muito além do Photoshop...


Maratona cinematográfica hoje. “300” às duas da tarde. Sessão lotada. Ô povo nerd! Vai pra praia! Vai tomar chopp!

Sem palavras pra descrever o filme. Cara...sem palavras. Tá bom, vou tentar achar as palavras.

É um épico. Um épico sobre homens de verdade. E eu tô numa fase em que eu não tô podendo ver essas coisas com homem de verdade, sabe? Eu deprimo muito fácil. Tipo...os caras são guerreiros espartanos, saca? O filme foi todo feito em estúdio...cromaqui (aquele fundo azul) e cenário inserido depois. Até o sangue foi inserido depois. Talvez por isso o filme todo tenha um tom de “irrealidade”. Ou talvez seja um excesso de realidade. A parada é quase expressionista. E é absolutamente idêntico aos quadrinhos. Até os diálogos.

E os homens, cara...os homens...com certeza rolou um photoshop ali, porque não é possível existirem 300 homens daqueles. Santo Photoshop, rogai por nós! Cara...é simplesmente a visão do paraíso! Os caras são a própria personificação da força e da coragem. Eu sei o que vocês estão pensando. Que os caras tomaram anabolizantes e basta pegar meia dúzia de “bombado” e você consegue esse resultado. Tolinhos...

Os caras não são enormes de fortes. Eles são...guerreiros. Espartanos. Só vendo cara. Só vendo. Eles não são enormes de forte (já falei isso, porra). Eles são... Guerreiros. Espartanos. Nobres. Leais. Corajosos. Honrados. Destemidos. Bravos. Gloriosos. Só vendo. Anabolizante nenhum consegue aquele efeito. Já o Photoshop pode ser. Mas é algo além do Photoshop.

E o Santoro?

E o Santoro...

(Ela suspira. Pensa se vale à pena tentar falar alguma coisa. Resolve arriscar)

Santoro simplesmente É o Deus-Rei Xerxes. Aviadado, é verdade. Mas é. Um gigante. Com voz de trovão. O mundo se curva literalmente a ele. Só vendo, só vendo.

Tinha um maluco no cinema que tinha um ataque de riso toda hora em que o Santoro entrava em cena (e eu ria do maluco). Em parte porque realmente ele tá aviadado. Em parte porque eu acho que o cara ficava meio nervoso, sabe? Porque...tipo...é o RODRIGO SANTORO, minha gente! BRASILEIRO! O cara JÁ CHEGOU onde nenhuma Sônia Braga, nenhuma Carmem Miranda juntas chegaram! E o cara é da minha idade! Rola uma síndrome tupiniquim do tipo: “é nóis na fita!”. Sabe? “É nóis de Eco”, moçada! É emocionante ver Rodrigo como um gigante – literalmente – num filme hollywoodiano e os gringos – mais uma vez – literalmente se ajoelhando aos seus pés (ai, já falei isso também. Estou me repetindo. Em parte porque não encontro as palavras certas. Em parte porque tomei alguns chops. Hic!). O cara é simplesmente o rei dos Persas! SÓ contra quem os 300 vão lutar. Só isso. Cabô.

É uma experiência sinestésica. Mas vou logo avisando: não é pra fracos de estômago ou mocinhas sensíveis à sangue. É cabeça decepada, empalamento e outras cositas más do início ao fim. É pra macho. Que nem eu.


*

Depois vi Maria Antonieta. Muito bom. Direção da Sofia Copolla. Eu gosto muito dela. Seu primeiro filme, “As virgens suicidas”, estão entre os meus prediletos. Também gosto muito de “Encontros e Desencontros”. Acho que ela realmente imprime uma visão autoral nas obras que assina.

O filme é a visão dela sobre a Maria Antonieta. Então você não vê quase nada da revolução francesa. A trilha sonora é rock and roll do início ao fim. Muito bom.

*

Eu geralmente prefiro ir ao cinema em dia de semana pois, além de mais barato é mais civilizado. Sábado vai a turba inquieta que não consegue sentar a bunda na cadeira. E precisa comentar todas as cenas. E tem que comer de um tudo e ruidosamente. E te chuta sem querer o tempo todo. E não desliga a caralha do celular. Tem sempre um tio, avô ou filho que tem que ligar no meio da sessão. Nessas horas eu agradeço não ter dois metros de altura e nem ser homem. Porque se não eu sentava a porrada.

*

No final encontro duas tias e uma prima. Agradável surpresa. Vamos tomar alguns chopssss. Fomos ao Manuel e Juaquim do Largo do Machado e...eu vi um rato – ou melhor, uma ratazana – correndo no teto! Uau! Que emoção! Pouca gente viu. Conjeturamos sobre a possibilidade de cancelarmos os pastéis fritos e o bolinho de bacalhau, mas como era fritura por imersão, acreditamos que não teria maiores problemas. Se eu morrer nas próximas horas processem aqueles portugueses safados.

*

Aí a pessoa (essa) chega em casa e tem quatro recados na secretária! Dois da minha irmã que pouco me liga, um da minha mãe e outro da minha outra irmã. Tipo...só porque a pessoa é nerd e anti-social ela não pode ter lazer? Some por algumas horas e todo mundo liga? Relou!! A gente é bicho, beibe! E se eu tivesse encontrado o Santoro por aí e ele tivesse me feito uma proposta irrecusável? I got a life, muchachos!

*

Ai, ai...

Vou dormir...e sonhar com os 300 de Esparta. Um só já tava bom pra mim. Meu número certim...

Antes que alguém diga que meu problema é falta de homem...SIIIIM (se lembram do programa do Sílvio Santos?), meu problema é falta de HOMEM. Porque homem eu conheço vários. Agora Homem de Verdade eu nunca conheci nenhum.

Como diz a rainha, mulher do Leônidas: “nós, mulheres espartanas, somos as únicas a dar a luz a verdadeiros homens”.

Vou dormir e sonhar com meu guerreiro espartano.

Lembrei daquele meu amigo do MSN que disse que “eu quero um Apolo com miolos”. Quero não. Quero um Hércules com miolos. Guerreiro. Forte. Em toda acepção da palavra.

Ou um filósofo pederasta ateniense que me dissesse sofismas e silogismos ao pé do ouvido também tava de bom tamanho. Agora: burro e feio, não, né gente? Chega. Separa que é briga. Larguei mão dessa fase.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007


Eu gostei do resultado do Oscar. Não vi “Os infiltrados”, mas me pareceu minimamente justo, uma vez que Scorsese nunca ganhou um Oscar. Bom, se bem que isso não deveria ser critério, mas a gente sabe que é. E Oscar é Oscar. Não dá pra exigir muito.

“Pequena Miss Sunshine” pelo menos ganhou o Melhor Roteiro Original.

Melhor pra mim é o Woody Allen que, na única vez em que foi indicado – não me lembro por qual filme – mandou dizer que não podia ir porque tinha que tocar com a banda de jazz dele. Dá-lhe Woody! É o Veríssimo deles.

E por falar em Woody, estréia filme novo dele, dia 03. Filme novo do Woody Allen é, para mim, um motivo de orgulho de viver no mundo atual – e só Deus e vocês sabem como eu tenho poucos motivos para me regozijar de viver no mundo atual. Gosto de pensar que, em algum lugar do mundo, vive uma pessoa como o Woody Allen. Pra mim tudo que ele faz é, no mínimo, na pior das hipóteses, muito legal. E na melhor, me faz ter orgulho de pertencer à raça humana.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007


Quarta feira de cinzas e eu não estou de ressaca! Isso é muito, muito bom!

Dia de mega faxinão. To poooodre. Só parei agora há pouco. Aí tenho que sentar e escrever uma tese. Assim não dá. Essa jornada dupla de dona de casa e pseudo-intelectual-arrogante-pra-caralho não é mole!

*

Cris, achei óoootimo a Siri ter ficado. Mas já sabia. Dessa vez nem votei. Agora o próximo TEM QUE SER o Cowboy.

Não tenho muito o que comentar sobre o BBB. A única coisa é: onde aquelas meninas compram aquelas roupas tem pra gente grande? Fala sério...

E que profissões são essas? Promotora de marketing de salão de beleza (Fani) e Promotora de Eventos (Flávia)?! Desculpem-me, posso estar sendo preconceituosa, mas eu posso imaginar qual o evento que a Flávia deve promover. Hãn hãn. (Nada contra essas profissões em si, mas vendo as criaturas você acha um pouco difícil que elas realmente sejam isso).

*

Ah, é. Como não podia deixar de ser só interrompi os trabalhos ontem pra ver o filme “A procura da felicidade”. Bem legal. Depois comento.

*

Fui. Porque meu nome é silvisso. E ainda têm umas roupas pra tirar do molho (Lê rê, lê rê...vida de nêgo é difícil...)

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Bomdiaamiguinhosjaestouaqui!!!


A pessoa aqui acordou oito da manhã, caminhou, tomou banho, meditou, secou o cabelo, comeu uma banana, ligou pra telemar pra reclamar que o telefone não funciona – descobriu que a conta não foi paga mesmo estando em débito automático (confusões de Banco do Brasil), pegou um café e sentou aqui.

Terça feira de Carnaval. Tá boa, santa?

*

Ontem vi um filme óoooootemo, O Perfume, mas depois comento aqui. Im-per-dí-vel.

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Luana e Dado brigam no Carnaval e ator sai carregado. Sério?!! Nossa, mas os dois são tão tranqüilos...

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Concentra, Carrie. Concentra, garota!

segunda-feira, fevereiro 19, 2007


Estou em casa, no Rio. Acabo de ver a Mangueira entrar (sem trocadilhos. Infelizmente) pela TV. Gostei. Muito simpático convidarem a Preta Gil pra madrinha de bateria. Muito simpático fazerem enredo sobre a língua portuguesa. Achei tudo muito legal e simpático.

Mas só de ver já me dá um cansaaaço! Dona Henriquetta se espreguiça dentro de mim!

Estou trabalhando. Na tese, craro. Num trabalho, especificamente. Alguém precisa trabalhar neste país, né?

Tipo assim, não é que eu não goste de Carnaval. Mas eu gostava mais quando eu ficava completamente embriagada os quatro dias – não raro fazendo uso de substâncias entorpecentes de natureza inalante e procedência assaz duvidosa – e depois me recuperava pelos 40 dias seguintes da Quaresma, como boa católica que sou (ou fui). O entorpecimento me privava de atestar a realidade: não gosto de samba, sou ruim da cabeça e doente do pé. Mentira (a parte do “doente do pé”, porque ruim da cabeça...). Até que eu sambo direitinho (aprendi com minha amiga Fló). Também não tenho mais saco de beijar 5 numa noite sem nem saber o nome da criatura. Bom, e precisa ser assim? Você deve estar pensando, caro(a) leitor(a)? Precisar, precisar...não. Mas...meio termo não é muito a especialidade da casa.

Hoje não tenho mais fígado pra isso. Bebo um dia e quero morrer nos três subseqüentes.

Enfim. Whatever. Só tô dizendo isso pra justificar o porquê de eu estar trabalhando um domingo à noite de Carnaval. Sei lá, é que sempre fico meio assim, assado. Me sentindo como eu me sinto na Copa: uma estranha no ninho, habitante de outro país que caiu de pára-quedas nessa terra de mulata, futebol e samba.


*

Assisti ao ótimo “A Rainha” ontem. Filme que está concorrendo em não me lembro quais categorias ao Oscar. Atuações realmente impecáveis. O cara que faz o Tony Blair e a própria Rainha dão um show. Cenas de Lady Di. Além do mais, fui com a maior especialista em Família Real e cerimoniais que eu conheço: mamãe.

Muito doida essa parada de monarquia no mundo de hoje. Muito doida. Mas até que eu fiquei com uma certa simpatia da Elizabeth. Só não conseguia conter o riso cada vez que o marido dela (que não é Rei, outra coisa que eu descobri), entrava de saia escocesa.


*

Meu irmão quer me apresentar uma figura. Amigo dele. As credenciais são as melhores possíveis. Levemente gordinho, levemente careca e parecido com outro amigo dele completamente mala. Mas ele jura que o cara é gente boa e tem tudo a ver comigo.

É bom saber a consideração que o próprio irmão da gente tem em relação a nossa pessoa.


*

Aí eu me pesei né, meu povo? Até que o negócio não está tão ruim. Estou com o mesmo peso de novembro. Ou seja, continuo com 6 quilos a menos do que eu tava quando fui freqüentar a Igreja Adventista dos Vigilantes do Peso. Engordei 2 quilos no Natal/Reveillon, mas emagreci em janeiro. Em março eu volto a freqüentar os cultos, mas até lá já estou caminhando, controlando a comida e bla bla bla.

Parei de beber por um tempo também, o que sempre ajuda. Tô praticamente um membro do AA. Já reconheci que não tenho poder sobre várias coisas na minha vida.

Comecei a meditar. Não é que o negócio é bom?

Estou preocupadíssima com meu joelho. Ele anda fazendo sons incríveis – além da dorzinha básica. E o outro resolveu doer, também. Engraçado que esse que dói mais é na perna cujo pé eu piso torto (com a borda levemente pra dentro). Será que tem alguma relação?

Quando for ao ortopedista queixar do meu pescoço já tenho mais uma coisa na lista: o joelho. Temo que o inevitável se apresente diante dos meus olhos como única perspectiva de cura: a musculação. Mas não pensemos nisso por hora.

De qualquer forma falei que esse seria o ano do pescoço e será. E também o do joelho. Não tem condição uma pessoa de 30 anos, saudável, ficar sentindo dor nos ossos. Há limites.

Ah, só um adendo: gostaria de deixar claro que eu não sou o Corcunda de Notre Dame. Só ando muito preocupada com a minha velhice. Dona Henriqueta sempre me diz que é melhor prevenir que remediar.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Pequenos nós


Fui ver Pequena Miss Sunshine. Confesso que não tinha dado muita pelota pro filme até ver uma observação de Mestre Delih, no blog das damas. Histórias de perdedores? Ôpa. Comigo mesmo.

Fui. O filme é muito, muito, muito melhor do que eu esperava. É lindo. É comovente. Sensível. Engraçado, muito engraçado. E verdadeiro. Porque, convenhamos, é a história da maioria de nós.

O filme conta a história de uma família indo para um concurso de beleza de criança. Além da menininha temos um pai que tenta vender um livro de auto-ajuda sobre as nove ferramentas do sucesso; um filho leitor de Nietzche que fez voto de silêncio até conseguir ser piloto de avião; um avô cheirador de cocaína expulso do asilo; um tio gay, o maior especialista em Proust dos EUA, que tenta se matar após ver o seu namorado se apaixonar pelo segundo maior especialista em Proust do país e a mãe da menina, relativamente normal. Quer dizer, uma família como outra qualquer.

A jornada/narrativa é basicamente o suceder de frustrações que cada um vai se deparando e o que cada um deles faz com isso. O auge é o concurso de beleza que é um verdadeiro show de horrores – criancinhas barbies, com cabelos armados, meda! O filme é tão bem construído, com um roteiro tão amarrado, tão enxuto que o final é absolutamente perfeito.

O filme todo é marcado pela filosofia nietzchiana de que só a partir do caos é possível emergir a vida e de que apesar de toda a dor e tragédia inerente a qualquer existência é essa dor que nos fortalece e move. Impressionante como o sujeito tem mais de 100 anos e ainda é tão difícil assimilar seus ensinamentos.

Numa das cenas o personagem do tio que é especialista em Proust fala pro sobrinho: “Proust foi o cara mais fudido do mundo. Gay, ficou escrevendo um livro durante 20 anos que ninguém lê, mas no final da vida ele percebeu que os anos de tristeza foram os melhores anos da sua vida. Porque foram os anos que o tornaram o que ele era. Os anos de felicidade de nada adiantaram”. E o garoto, que tava na pior, resolve dar um grande foda-se pra tudo. E viver, mesmo tendo seu sonho abortado.

Porque não é possível haver vida sem dor. Só na Caras. Foda-se se a Veja diz que suas chances de se casar são mínimas antes dos 40. Foda-se se você não pesa 10 quilos a menos que sua altura. Foda-se. Simplesmente não importa. Foda-se que você não ganha muito, se não encontrou o amor da sua vida, se não está na moda, na onda, u-hu. Foda-se. A maioria de nós não vai conseguir ser um monte de coisa. Mas a vida é muito mais do que isso. E é preciso dar espaço pro “isso” de cada vida. E viver com “isso”.

É como diz aquela frase: “se a gente não tentasse ser feliz o tempo todo até que daria pra se divertir bastante”.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Síndrome Glauber Rocha


Não assisto mais a filmes brasileiros de temática “de raiz” - metaforicamente falando, pois se for sobre a produção dos tubérculos num sentido literal, posso até repensar minha opção. Intitulei este fenômeno de Síndrome Glauber Rocha. Trata-se da idéia de que o cinema brasileiro precisa sempre tratar de temas genuinamente brasileiros, “de raiz”, do “povo”, da “cultura brasileira” para se legitimar enquanto cinema de qualidade. Claro que esse critério é altamente preconceituoso, pois a “cultura verdadeira” pra esses diretores é apenas a do pobre-do-interior, de preferência - mas não exclusivamente - do Nordeste. Como se a classe média não fosse Brasil. Como se o Sudeste não fosse Brasil.


A maioria desses filmes é passada no Nordeste, mas há exceções em outras regiões. Entretanto, a temática é eminentemente rural. Logo, somos obrigados a ouvir atores da novela das oito falando com sotaques inacreditáveis e um visual sujinho-arrumado pra parecer retirante ou qualquer outra minoria explorada secularmente pelas elites (elites, estas, das quais esses atores fazem parte). Não seria mais interessante descobrir novos talentos nesses locais ao invés de atrizes da Globo que perdem o sotaque de cinco em cinco minutos?


Outro extremo disso, quando se fazem filmes urbanos, é o estilo que já se consagrou como Comédias Daniel Filho. Trata-se nada mais nada menos do que uma repetição da novela das oito. Também não assisto mais, porque novela a gente vê em casa, né? Muito de vez em quando surge um Jorge Furtado – “O homem que copiava”, pra mim é um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos – pra aliviar a galera com um Lázaro Ramos realmente fazendo um sotaque de gaúcho crível. Ou adaptações de livros do Rubem Fonseca que fazem jus a sua obra, mais uma meia dúzia de filme realmente bom. No mais das vezes o cinema brasileiro encontra-se bipolarizado entre os gêneros Agreste e Novela das Oito (quando não juntam os dois na mesma produção, o que é o horror! O horror!). Quase como nos anos 70: porno-chanchada ou filme-cabeça.



Portanto não me convidem para ver filmes brasileiros que possuam frutas do nome, bem como cores, meses do ano, estações de trem ou excesso de vogais. Nordeste, só se o cenário for as capitais (nada contra o interior, mas contra toda essa idéia quase mítica de um Nordeste miserável, bucólico e pastoril onde o Brasil é realmente Brasil). Enchi completamente o saco.


Depois que descobriram o “Quarteto-A-Máquina” – composto pelos excelentes atores Lázaro Ramos, Wagner Moura e Gustavo Falcão, no elenco original – os diretores mais espertos colocam os pobres em tudo quanto é produção nordestina, afinal já é meio caminho andado com o sotaque, além da garantia de boas atuações, fora o quesito global.


Agora, revoltante foi pra quem, como eu, assistiu “A máquina” no teatro com esse elenco e mais com a Karina Falcão (também sobrinha do João e minha contemporânea de Cal) e ver depois no cinema com a Mariana Ximenes. Nem fui ver. Foi o autêntico caso do não-vi-e-não-gostei. Quero guardar a lembrança de uma das melhores peças que eu vi na vida. E sabem porque a Karina não fez a versão do cinema? Deve ser porque ela não é global – apesar de ser linda. Deve ser porque ela não tem o padrão anoréxico-botox da novela das oito. Porque ela não é White-Shine. Ela é uma menina muito bonita, linda mesmo, mas com carnes voluptuosas e cabelos negros ondulados*. Ou seja, não é a Mariana Ximenes e nem é casada com nenhum diretor.


Pobre Glauber Rocha...deve estar se revirando no túmulo com tantos “Nordestes”, tanta brasilidade pra inglês ver...


(* Karina faz uma participação no filme “Cidade de Deus”. Ela é a mulher que é morta pelo marido com uma enxada na cabeça. A história da banana quente, se lembram? Pois é. Mas ela é muito mais talentosa e bonita que aquilo)

sábado, novembro 25, 2006


Fui ver o filme novo do Almodóvar. Achei chato. A mesma história de abuso sexual, mulheres fortes, bla bla bla. Pra mim deu, já.


Acho que todo artista fala sempre das mesmas coisas. Então o que conta, no final, é se o sintoma bate com o seu ou não. O Woody Allen pode fazer 30 filmes falando das neuroses, paranóias relacionamentos amalucados que eu sempre acho genial e fresco.


Claro que as atuações são ótimas, que tem bons diálogos, personagens bacanas...mas algo ficou faltando.


E sei lá, talvez isso ainda faça sentido pra vocês que são da capital, mas pra gente que é da província - e, no meu caso, ainda conta com uma dupla e pleonástica descendência luso-minerística - é meio bobo essa coisa de aldeia, de gente que lava túmulo, velório em casa... Nada demais. Sei de meia dúzia de casos muito mais engraçados lá do povo de Andrelândia.


Na boa, minha família é muito mais almodovariana do que qualquer filme do Almodóvar.

terça-feira, outubro 31, 2006

King é King



Tá passando “O Iluminado”, baseado na obra de Stephen King, no Universal.

Não me venham com “Haloween”, “Sexta feira 13”, “Pânico”, nem muito menos “A bruxa de Blair”. Pra mim esse filme é um dos mais assustadores de todos os tempos. E a imagem mais assustadora do filme é das garotinhas gêmeas, paradas, olhando (Venha brincar com a gente, Danny!). Nem sei como vou dormir depois disso.

Acho esse filme fantástico – assim como os todos os bons filmes feitos baseados na obra de King, como “Carrie, a Estranha” – porque brinca entre a fronteira da realidade e da loucura/paranormalidade. Então você sempre fica na dúvida. E com o pior dos pesadelos: o cérebro de uma pessoa enlouquecendo.

Tudo bem que a direção de Stanley Kubrick ajuda muito. Tentando achar imagens na internet, vi que esse filme recebeu indicação de troféu Framboesa de Ouro de pior diretor e atriz. Tolos. Não sabiam ainda apreciar uma obra prima.

O que são as imagens do molequinho andando de velocípede e a câmera sempre no ângulo de visão dele? E sem falar do próprio Jack Nicholson. Sem comentários. Nesse filme ele começou com a onda de personagens maluquinhos que lhe consagraria (Muito trabalho e nenhuma diversão fizeram de Jack um bobão!!).

Desculpem o trocadalho do carilho, mas King é King. E ponto final.