Mostrando postagens com marcador Seu Manoel. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Seu Manoel. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, maio 07, 2008


Tá, ninguém perguntou, mas eu vou falar. A situação explodiu no meu lar, doce lar. Deu uma piorada de cunho hediondo, como diria a Fal. Resumo da ópera: obra de 15 a 20 dias úteis, sem água, com tudo coberto. Quer dizer, contando com os dias inúteis dá um mês. Isso se a proprietária aceitar o orçamento do bombeiro da imobiliária; caso ela queira chamar outro é mais tempo. Fui resgatada por mamãe e fiz uma semi-mudança pra Gotham City, onde permanecerei até que tudo esteja resolvido. A inquilina do apartamento do seu Manoel deu linha, eu entreguei a chave pra imobiliária e fim de papo. “Deixa abóbora lastrar”, como diria mamãe. A única coisa que tem pra se roubar no meu apartamento é livro. Se um pedreiro se interessar em roubar livros...bom, ele merece tê-los. Mesmo assim pus meus badulaques no meu quarto, tranquei e trouxe a chave. Desliguei geladeira, guardei tudo da cozinha...até a televisão eu tive que cobrir. Não quero nem ver o mofo que vai juntar, aliado à poeira fininha...sim, meu apartamento é um poço de criaturas do lodo.

Ai, ai.

Mas ainda tenho que ir ao Rio/Niterói pelo menos de 15 em 15 dias. Semana que vem mesmo eu preciso ir.

Qual era o problema? Continuo sem saber. Foram quatro bombeiros ao todo – três deles se chamavam Carlos; acho que Carlos é o genérico pra bombeiro. Eles disseram que vão quebrar, mas que pode haver surpresas – quem sabe as CRIMAMEBs sairão em peso, pulando na jugular do seu Manoel e o levando novamente para as profundezas do quinto dos infernos, de onde ele nunca deveria ter sido libertado. Portuga do caraio. E nem me interessa. O apartamento não é meu, quero mais é que se foda. Agora é briga de cachorro grande. Só entre os proprietários.

Pelo menos agora eu tenho paz e sossego pra trabalhar.

terça-feira, abril 29, 2008

Capítulo 2.753

A comissão hidráulica veio até aqui. Num segundo o Bombeiro Fodão constatou que o vazamento vem de cima, pois o meu teto tá úmido. Em menos de cinco minutos. A diferença entre o profissional e o tarefeiro. Ele é realmente Fodão.
A-há! Toma seu Manoel!
Meu prédio tem 45 anos, Raquel. (é nessas horas - e só nessas horas - que eu tenho vontade de morar na Barra). Disseram que não voltam mais aqui. Será? É bom demais pra ser verdade.
E o azulejo arrebentado no meu banheiro de empregada? Quem é que arruma? Seu Manoel?
E ele não parou de repetir que gostou na mulher do apartamento acima do meu, porque ela "resolve as coisas" (indireta pra mim? Caguei) e ela a dizer: "eu não sou fácil, não! Quando eu fecho a cara, sai de baixo!". A mulher veio até de máquina fotográfica em punho.

segunda-feira, abril 28, 2008

Capítulo 594

Continuando a nossa saga hidráulica, mais um personagem entra na trama essa semana: a mulher do apartamento acima de mim. Diz ela que tem um bombeiro excelente que constrói casas e entende de obras e é responsável por um condomínio em Niterói (oh! Em Niterói! Aquele lugar que não deixa a gente escovar dente em banheiro de shopping!!). Marcamos dele vir ver os apartamentos e a coluna na terça e cancelamos a vinda do bombeiro do prédio - cujas suspeitas aumentam cada vez mais.
A grande expectativa é que a coluna seja a culpada. A coluna é o mordomo.
***
Vinda relâmpago à Gotham City, pra ver minha sobrinha que passou aqui (ela mora em Piracicaba, por isso, quando vem ao estado do Rio, eu tenho que aproveitar para vê-la). Fotos daqui a pouco.
***
Atualizei a minha leitura de Quem Acontece.
***
Tô tensa. Mas vai passar.

sexta-feira, abril 25, 2008

Rejunta de cu é rola

Era a rejunta? Nãããão. Segunda feira começa a quebradeira. E eu continuo duvidando que eles vão achar qualquer coisa, mas...

quinta-feira, abril 24, 2008

Rejunta no dos outros é refresco!


Os peritos em hidráulica da região se reuniram em volta do meu banheiro para chegar a brilhante conclusão que é um “pobrema de rejunta dos azulejos do box” (rejunta tudo e joga fora! Dããã). Vão descer, comprar cimento branco e colocar entre os azulejos (escutei o som das gargalhadas da CRIMAMEB pelo encanamento, mas só eu consigo ouvi-las!!!). Eu e meu amigo da portaria achamos que isso vai dar merda, que o problema não é esse, mas...quem somos nós diante de mestres na arte de investigar canos, não é verdade?

Já tive minha discussãozinha básica com o Seu Manoel de hoje – quase rotina, agora. Ele chegou aqui com a amante/empregada Maria e com a simpaticíssima proprietária do apartamento debaixo ao dele – só não consegui estabelecer se o semblante risonho dela era sarcasmo, perplexidade frente ao caos que se estabeleceu no apartamento dela (que ameaça pôr seu Manoel na justiça) ou efeito colateral do botox.

Eu caí na besteira de dar o telefone da minha proprietária pro seu Manoel, ao invés de dar o da imobiliária. Ele ligou pra ela pra combinar de vir aqui. Ela, evidentemente como pessoa minimamente sensata, disse: “combina com a Carrie”. Combinar de vir aqui. Né? Uma vez que eu moro aqui, tem que combinar comigo. Pela razão óbvia de que sou eu que abro a porta. Aí ele tá achando que sou eu que vou pagar pelo serviço – caso o vazamento venha daqui. Não só pagar a obra aqui como a dele, no andar debaixo. E não adianta tentar explicar isso pra ele. O portuga é burro. Não sei porque cargas d’água ele achou que a proprietária fosse minha mãe! – diz ele que os porteiros disseram. O apartamento está no nome da minha mãe, que é a inquilina, assim como eu – que sou a inquilina-formiga. Qualquer despesa, quem vai pagar é a proprietária. Eu sou apenas uma moradora. Se eu quiser amanhã eu saio para comprar cigarros e nunca mais volto. O apartamento não só não é meu como sequer está em meu nome.

A simpaticíssima figura do andar a baixo do seu Manoel está ameaçando colocá-lo na justiça, pois ele não resolve o problema do vazamento dela (entenderam a complexa trama de encanamentos vazando? De algum lugar que eles ainda não sabem está vazando pro apartamento em baixo ao meu, de propriedade do seu Manoel, que está vazando pro apartamento em baixo ao dele). A rigor, eu não tenho nada a ver com isso – a não ser que se descubra, de fato, que o vazamento é daqui.

Detalhe é que ninguém suporta mais o seu Manoel. Depois de ouvir o síndico falando mal dele, o bombeiro chegou aqui, pela segunda vez, conversando com o outro “...e ele não pára de me encher o saco!”. Aí perguntei: “seu Manoel não veio, não?”. O bombeiro: “não, eu falei pra ele ficar lá embaixo”. Não agüentei: “ah, graças a Deus!”. O bombeiro: “Ah, é...ele fala demais, pelamordedeus”.

Laços de solidariedade entre mim e o bombeiro foram estabelecidos contra o tirano Seu Manoel. Gosto disso. De me entender com quem realmente faz o trabalho sujo. Como diria meu orientador: trate os mais simples com excessivo respeito e educação e os mais poderosos com um leve desdém.


Cinco minutos depois...


- Pééémmm (barulho da minha campainha)


Eu e o bombeiro nos entreolhamos. Pânico.

- Oi, é o seu Manoel! – brandiu a voz do outro lado da porta (jura?! E eu que pensei que pudesse ser o gnomo do esgoto!).


Abri a porta com uma cara de poucos amigos.


- Prometo que eu não falo nada – disse seu Manoel. Tive que segurar o riso. Ele parecia um menino de 5 anos querendo ver o pai arrumar o carro. Detalhe: um pouco antes, quando ele veio da primeira vez, ele me perguntou: “porque a proprietária do seu apartamento não vêm ver o vazamento?”. “Porque ela tem mais o que fazer” – não resisti. Ele quase não se emputeceu. Sim, eu não sou fácil.


Ficou em pé no banheiro – eu que não vou oferecer uma cadeira, né? É perigoso ele se mudar pra cá se eu disser pra ele ficar à vontade. Enquanto isso, fiquei estudando na sala. Não deu nem dez minutos, vem o Seu Manoel:

- Tão quase descobrindo...

Olhei bem séria pra ele – e quem me conhece sabe o quão assustadora pode ser a minha cara nesses momentos – e tornei a baixar os olhos pros livros. Ele pronunciou mais umas duas palavras que foram morrendo e desaguaram num “desculpe” amuado. Voltou lá pra dentro. Um rápido lampejo de simancol.

Agora estou eu aqui, acreditando que o “pobrema é de rejunta”, o bombeiro foi pegar cimento e as ferramentas dele, mas disse que eu não vou poder usar o box hoje. Aproveitei e tomei um banho nesse meio tempo, porque, como diz o outro bombeiro: “já tá chovendo, deixa chover”.

Meu dia todo transtornado, não vou poder correr porque não posso tomar banho, tive que remarcar compromissos para outros horários pra ter a quase certeza de que não vai adiantar nada. E ainda por cima eu tenho que lidar com um português semi-esclerosado e sua amante-golpista-semi-analfabeta-que-se-acha.

E é imbuída desse espírito zen que eu me despeço. Que se fodam todos. Quer quebrar, quebra. Quer cortar a água, corta. Fudida por um, fudida por mil.
Só posso, a qualquer momento, sair para comprar cigarros e nunca mais voltar. Aí eu quero ver arrumarem o vazamento.