A nova tarefa da gincana rumo a NYU é "ache sua cartela de vacinação de 30 anos atrás". Que divertido.
Sim, meus caros. Pra vocês se matricularem em certas universidades de certos estados estadunidenses vocês precisam ter recebido aquela MMR (Caxumba, Sarampo e Rubeola). Claro, tem que haver comprovação. Caso você não tenha há 3 opções: fazer um teste sanguíneo provando que você está imune, tomar de novo, tomar de novo lá (não onde vocês estão pensando, mas nos EUA). Que, claro, não é de graça: U$ 50,00.
E se eu for contra vacinas? E se eu for adepta de uma medicina natural, ayurvédica, homeopata ou holística e for contra vacinas? O que eu faço? (Vai pra Índia! Quem mandou escolher os EUA?).
Achei minha cartelinha, Raquel! Veinha, com o nome do meu pediatra, o Zé Geraldo. Ela e nada é a mesma coisa - não tem uma assinatura decente, um carimbo...mas vai essa mesma. Nessa altura do campeonato não tenho como baixar em posto de saúde pra vacinar. Rubéola eu vacinei ano passado, mas não estou achando a cartela. Posso vacinar pra cada uma em separado ou é o pacotão junto? Amigo(as) médicos e da área de saúde podem me dar um help nisso?
Só sei que foda-se. Se não aceitarem eu mando me picarem, me vacinarem, cortarem, aproveitarem meu corpo pra ciência, qualquer coisa. EU REALMENTE NÃO ESTOU MAIS AGUENTANDO TANTA ENCHEÇÃO DE SACO. Hoje o mínimo que eu ouvi de Formigas Mother e Sister foi: "ai, meu Deus do céu! Por que não chega logo o dia dessa viagem pra essa menina ir embora!". Isso porque F. Mother deu ordens expressas a criadagem de Versailles para realizarem todos os meus gostos (leia-se: gastronômicos) pois era minha última semana. Tipo A Última Ceia.
Além disso, achei que o consulado tinha ficado com o meu DS 2019 só pra me sacanear e eu deveria ter tirado uma cópia. Mas aí eu escrevi para O Oráculo - que também responde pelo nome de Raquel - e ela me tranquilizou dizendo que ele chegaria pelo correio, junto com o visto. A Raquel é uma espécie de Senhor Miagui. Qualquer dúvida que eu tenho eu escrevo pra ela: "Raquel, quantas calcinhas eu devo levar?" e ela me responde. "Raquel, como será o meu almoço?". Ela responde. "Raquel, qual o barulho da palma de uma só mão?". Ela responde. "Raquel, qual a cura da Aids?". Ela responde. "Raquel, como solucionar o conflito no Oriente Médio?". Ela responde. Eu sei o que vocês estão achando. Que ela não faz nada da vida. Tolinhos. Ela trabalha mais do que eu e você juntos. Sério. Ela é foda bagarai. Povidenciarei camisetas "I coração Raquel", plagiando a de NY. Eu tenho pena de quem não tem uma Raquel pra ajudar. Eu vou lançar a idéia pro Obama de, além de um tanque pra cada família, cada estrangeiro tenha a sua Personal Raquel Tabajara. Aliás, a Raquel tem um blog, gente. Mas ela não libera o blog pra ninguém (ôpa! Sem duplo sentido). Nem pra mim. Vamos fazer uma campanha: "Ô, Raquel! Libera o blog!" (sem duplo sentido, por favor, mentes imundas). Mas acho que é em inglês, não sei se servirá a todos. E agora sim é que ela vai morrer de vergonha e não deixar eu ler nunca. Isso porque ela escreve suuuuuper bem. Mas ela acha que ainda não está bom. Como diz Formiga Mãe, "A Raquel deve estar pensando: maldita hora em que eu conheci essa louca". Pensando bem ela vai sair correndo de mim quando eu chegar nos EUA (não eu não a conheço ao vivo, só por telefone e e-mail).
E já tenho meu primeiro compromisso estudantil agendado: um workshop de chegada, obrigatório, antes do semestre começar (setembro). Para alunos estrangeiros. Nele, dicas serão dadas. Fora isso, tem um tutorial multimídia com uma locutora que fala tu-do beeeem ex-pli-caaaa-do - eu sou brasileira, não surda, nem débilóide, minha senhora! - além do texto escrito do lado. No mês todo de agosto teremos workshops para socializar os alunos estrangeiros. Eu vou em todos, claro. Nos não pagos, pelo menos. Formiga Irmã diz que eu sou muito sociável. A primeira vez em que eu ouvi isso eu quase engasguei de tanto rir, mas é possível que isso seja verdade. Eu sou sociável com estranhos. Tenho dificuldades é com proximidade excessiva. Principalmente com parentes malas.
Aí tem as fotos dos encontros dos anos anteriores. Só minoria étnica - aliás, o vídeo todo é narrado por paquistaneses, tibetanos, chineses...como diria a Taty Quebra Barraco, eu sou feia, mas tô na moda! Nóis é terceiro mundo, mas tá na moda. Eles precisam mais da gente do que nós deles. Afinal, eles precisam provar que valorizam a diversidade cultural, bla bla bla, que são um ambiente multicultural, bla bla bla...mas enfim. Aí rola uma recepção no final.
Sim, eu sei o que vocês pensaram. É melhor eu não beber, né? Se não vou começar a querer puxar a burka da Afegã (ôpa! Sem duplo sentido), experimentar, xingar o chinês de comunista de araque empregador de mão de obra escrava, dar tapa na careca do Hare Krishna...melhor me manter sóbria. Eu, bêbada, viro o Bóris Yeltsin.
Então oremos, irmãos, para que as surpresas de hoje sejam todas boas (quem sabe meu visto chegue).
Vou dormir.