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segunda-feira, agosto 11, 2008

Notícias do aeroporto de SP

Aê, galera! Obrigada pelos comentários abaixo. Não vou responder um por um pois estou no aeroporto de S.P. Meu vôo faz uma escala aqui de uma hora. Depois disso, vou direto pra NY - às 21:30.
Metade já foi (daquelas louuuuucas, né?). Agora é só jantar e chapar um Alprazolan. Já achei que ia ficar presa no banheiro do avião, comecei a bater e aí percebi que não tinha girado a maçaneta; entrei e disse "Oba, mas como é bom a American Airlines! Poltronas grandes!" depois é que me deiu conta de que estava entrando pela primeira classe, comi mini pretzels, suco de maçã e até agora está tuuuuudo bem! O vôo está no horário e acho que vai chegar no horário previsto mesmo.
Dentre 10 minutos estão chamando a primeira classe. Acho que vou lá.
É isso. Continuem torcendo.

Start spreading the news, I'm leaving today


Chegou o dia, minha gente! Nem acredito! Hoje, às 13h eu parto, de carro, pro aeroporto, devo chegar umas 15h lá. Meu vôo é só 18:25 – mas tenho que contar com possíveis imprevistos, afinal há uma serra no meio do caminho.

Portanto, amigos, essa noite elevem seus pensamentos para essa vossa amiga estranha, mandem energias, emitam vibrações, rezem, batam seus tambores ou o que a crença de vocês permitir. Ou simplesmente pensem que, nesse horário, haverá uma pessoa realizando um sonho. E se eu posso - como diria Caral Perez num anúncio da AOL - você também pode!

Depois de uma leve paranóia ontem – tocada pela Vanor que não vai levar seu laptop em função da recente lei de apreensão de laptopsI-pods, pen drives de turistas, cidadãos americanos e quaisquer pessoas que estejam em solo estadunidense – tudo bem. Se quiserem apreender meu lapinho, coitado, com os adesivinhos das Meninas Superpoderosas e do Piu-piu, eu vou ficar muito triste. Mas tenho tudo salvo, então vou arriscar. Não posso é deixar meu instrumento de trabalho longe de mim. Além disso, meu santo é forte.

Eu queria agradecer muito todos vocês. Esse blog foi parte importantíssima na minha viagem. Sem ele eu não teria conhecido a Raquel, que não só meu deu todas as dicas de NY, como adiantou dois meses de aluguel sem nem me conhecer ao vivo (e ainda ouvi pessoas dizendo pra eu tomar cuidado com ela, quando na verdade ela é que tem que tomar cuidado comigo, afinal e se eu sumo em NY e dou o cano nela? Tudo bem, ela pode fazer parte de uma rede de tráfico de rins ou escravas brancas e quando eu for visitá-la ela me deixar desacordada numa banheira de gelo com um só rim, mas aí eu já tenho todos os dados da família dela aqui no Brasil). Ela é a prova daquele filme “A corrente do bem”. Fazer o bem, não importa a quem. Pass it foward. Não custa nada. Independente da sua crença (ou falta dela) acredite que tudo volta. De um jeito ou de outro. De formas que a gente não se dá conta a princípio. E, por mais que as coisas estejam uma merda, seja fiel a você mesmo. Não aceite paliativos. Mais ou menos, só pra ficar um pouco mais confortável. Vá até o fundo de tudo. Um dia a resposta vem (ihhh, virei o Paulo Coelho, né? Tive “a revelação” e vou sair pregando, de barba e camisolão). É que essa viagem anda me ensinando muito mais do que eu sonhava. Em diversas áreas.

A Raquel é um ser humano iluminado – não consigo achar outra definição. Alguém que enxerga além dos pixels e fios do telefone. Ou talvez ela seja a prova do que todos os teóricos da comunicação (os mais otimistas) têm dito sobre as novas tecnologias: são apenas outro ambiente, novo, de interação. Ninguém se conhece menos pela internet. Se conhece diferente. Só isso. Mas também quantas vezes nos decepcionamos, ao vivo, com pessoas que conhecemos há anos?

Agradeço a todas as pessoas, anônimas ou não, que se manifestaram desejando coisas boas, torcendo por mim, dando dicas, dividindo medos, paranóias e angústias. Sentindo saudades de mim sem nem me conhecer. Vocês são muito mais importantes pra mim do que eu sou para vocês. Cada um de vocês.

Agora, é realmente sério. Mando notícias assim que for possível, já que minha casa terá internet (espero que seja simples configurar as paradinhas no meu computador). Tenho que correr!


It's up to you, New York, New York.


PS: Mudei o fundo preto para o branco, de novo, porque acho que é meio cansativo pra muita gente, não é mesmo.

sábado, agosto 09, 2008

Erguendo-me sobre mim mesma


“Poucos segundos na vida são mais libertadores do que aqueles em que um avião levanta vôo para o céu (...) Há nessa decolagem também um prazer psicológico, pois a velocidade da ascensão da aeronave é um símbolo exemplar de transformação. A exibição de força pode nos inspirar a imaginar mudanças análogas, decisivas em nossa própria vida; imaginar que um dia nós também nos possamos erguer acima de grande parte do que agora se encontra ameaçador sobre nós”


(BOTTON, Alain de. "Partida. Dos locais dedicados aos viajantes". In: A arte de viajar. Rio de Janeiro: Rocco, 2003).



Mala: 26 kg e 600g. Foi o máximo que deu pra fazer, Raquel – ou melhor, o mínimo. Levando em conta que o limite são 32 – ou 35, não sei, tá de bom tamanho (literalmente). Essa é a terceira viagem internacional que eu vou fazer. A primeira para um longo período. Vou ficar 4 meses. Menos do que isso, só se eu fizer que nem o Ronaldinho que só vai com o cartão de crédito (mas eu chego lá).

Alguns itens: guia de NY, dicionário bilíngüe pequeno (consegui deixar o grande e a gramática! Yuppie!), “Guia de conversação para viagens”, um caderno grande para eu fazer um diário (e 4 bloquinhos), um estojo de canetas; I-pod (recheados de músicas para meditação, Sons da Natureza, barulhinhos de grilinhos, de água caindo, vento, fogo, New Age, Enya, Mestre de Rose...sim, eu sou dada a essas viadagens). Pequenos amuletos da sorte - ou fé, como preferirem.

Documentos xerocados, autenticados, conferidos e reconferidos. Técnicas ninja, do Clã das Formigas Judias Voadoras do Vale do Paraíba e Serra da Mantiqueira ativadas. Deixei uma pasta para Formiga Irmã e outra para Formiga Mãe, conferindo amplos poderes formigais para questões de cunho formiguístico. Espero que elas não se aproveitem para vender Versailles.

Estranhamente estou calma. Afinal, gastei toda a minha cota de nervosismo. Fiquei nervosa à vontade. Fui ao fundo do nervosismo e da paranóia. Agora, acabou.
Passô, passô como diria Didi Mocó.

Curto cada minuto. Afinal, o melhor da festa é esperar por ela.

Estou indo rumo a maior aventura de toda a minha vida. Até hoje. Elas serão muitas e muitas, ainda.

A primeira escova inteligente a gente nunca esquece


Agradeço as molieres do meu Brasil varonillll que comentaram em massa no post abaixo. Fiz e ficou ótimo! A mocinha realmente conseguiu deixar o cabelo exatamente na dose que eu queria. Ela deixou uns quatro dedos nas pontas sem o produto. Ficou beeeem natural. Com um brilho e balanço de comercial de xampu. Sou praticamente uma das Panteras. Karine disse que eu deveria colocar uma foto aqui, mas também não é pra tanto. Quando eu colocar as fotos de NY vocês verão.

Mas confesso que eu tive um certo medo quando comecei a sentir aquele cheiro de formol bizarro (sim, tinha formol, apesar de ser de cana de açúcar, mas pouco. Se não tem, não é inteligente), meu olho começou a arder e eu vi a mocinha vindo com uma máscara cirúrgica e ligando um ventilador na minha direção (num frio danado)...ai, ai, ai..comecei a me ver no Jornal Nacional: “Mulher de 31 anos vai parar no hospital por conta de tratamento capilar”. Daí o William Bonner anunciaria Carrie White, que se preparava para ir para Nova York, teve sua viagem prejudicada ao se submeter a uma popular tratamento para os cabelos”. Imaginei meu orientador me dando um tremendo esporro: “Prezada, acho que você perdeu o juízo de vez”. Graças a Deus nada de mal aconteceu.

Descobri também uma tal de escova Marroquina – mesmo efeito da inteligente, menos tempo, mas muito mais cara – e uma Egípcia. A Italiana eu também conheço. Volta ao mundo em 80 escovas.

E..tipo...bizarro você passar o produto, escovar, piastrar (passar piastra, prancha...) – nesse momento seu cabelo tá uma palha de aço e você acha que nunca mais ele será como antes – e depois lavar o cabelo. Parece que você pôs tudo a perder. Aí o cabelo surge – uou – renascido das trevas. Macio e brilhante. Como eu não sei. Ah, os mistérios insondáveis da modernidade.

***


Vendo parte da abertura dos jogos olímpicos eu pensei: 1) Eu tenho muito medo da China. Mais do que eu tinha da URSS quando eu era criança (sim, eu fui uma criança atormentada pela Guerra Fria, que vivia com medo de alguém apertar o botão vermelho sem querer, quem sabe confundindo com o interruptor, e ir tudo pelos ares. Pra vocês verem como foi dura minha infância. Ameaça de bomba atômica, caneta Replay que matava aos 9 anos...); 2) Eu tenho medo do Pedro Bial com suas crônicas pro Jornal Nacional. Manera, Bial. Manera. Nelson Rodrigues foi um. Concentra no BBB, cujas crônicas são sempre acertadas – apesar de nenhum participante entender nada.

Amanhã Tiagão nada! U-hu! Tomara que ele derrote o Phelps. Eu vou estar lá dos States e vou gritar: “he is from my city!!! My Sister Ant was his teacher! He used to swam at the same club that I drunk!”.

Vai lá, garouuuto. Se ele ganhar medalhas eu coloco a foto dele aqui em casa, moleque, num aniversário de Fu Sis.

***

E a Rússia, hein? Invadiu a Geogia. Que coisa.

***

Dois dias. Eu durmo hoje, aí durmo amanhã, durmo depois de amanhã e chegou. Aí não durmo no avião e não sei qual será o próximo dia em que vou conseguir dormir. Dezembro, quem sabe?

quinta-feira, agosto 07, 2008

Carrie no país das vacinas - quatro dias.

Ah, como eu amo a medicina moderna e sua capacidade de conferir a aparente ilusão de controle sobre o universo! Como diria Roberta Carvalho, não é que eu seja hipocondríaca. Eu apenas gosto de ter minha saúde atestada por laudos técnicos minuciosos que são repetidos anualmente. Sim, resolvi me render às vacinas, afinal, aqui é di grátis, e, como diz o ditado, de graça até injeção na testa.

Em primeiro lugar resolvi me informar com um médico. Achei uma clínica de pediatras e imunologistas (onde, por acaso, atende um dos médicos que carimbou minha cartela de vacinação da infância). Tentei marcar uma consulta, mas a atendente disse que não podia incluir meu nome no sistema em função da minha idade (pensei em fazer como Lacan e cochichar no ouvido dela que na verdade eu só tinha 5 anos – o que minha Peposa podia confirmar -, mas ela não ia acreditar). Graças às vantagens de se morar em uma cidade pequena (sim, porque no final das contas, Gotham City é uma província. Tudo se resume a conhecer o Batman, o Curinga e o Prefeito), uma das pediatras da clínica é mulher do ex-sócio do meu pai na clínica que ele tinha. Lá vou eu tentar falar com a mulher.

Pra variar, ela estava atrasada (vocês conhecem algum médico que chegue no horário? E ainda dão desculpa que é porque o paciente atrasa...). Mas tinha uma enfermeira dando bobeira e a atendente achou melhor que a gente falasse com ela. A enfermeira tinha trabalhado 300 anos no hospital onde meu pai trabalhou, conhecia ele e tale cousa.

Eis que um novo mundo se abriu para mim. Um mundo mágico, repleto de siglas, letrinhas, numerozinhos e, o que é mais importante, a certeza de que por trás deles eu estaria protegida de todo mal para todo o sempre, me transformando no Highlander, o guerreiro imortal.

Pra começar, a enfermeira me botou o terror dizendo que eu precisava de um up-grade urgente nas vacinas. Realmente eu teria que tomar a segunda dose da MMR (também conhecida como SCR – Sarampo, Caxumba e Rubéola, que também possui a simpática alcunha de Tríplice Viral). Fora isso a mulher ainda disse que eu precisaria tomar a Tríplice Bacteriana DTP (adulto). Mas que em postos de saúde eles só dão a “acelular”, que dá muito efeito colateral (a pessoa fica prostrada), e ali na clínica eles tinham a sem ser “acelular” (celular?), ou ao contrário, mas tinha acabado. Além disso, as da clínica são pagas e Salim não gasta dinheirinha podendo fazer de graça, então falei que ia no postinho e tomava.

Não contente a mulher continua: “Você não tomou Hepatite A e B, não? Tem que tomar, hein? Pros Estados Unidos eles pedem! Esses dias eu vacinei um casal que tava indo. Quando você vai? Iiiihhhh, não dá tempo! Menina! E Anti-tetânica? Meu Deus. Meningite também era bom, no posto eles não dão e aqui ta 150”.

Humm...

Minha hipocondria tem limites. Financeiros, particularmente. Num rompante – raro – de lucidez, disse: “Não, dona, eles só pediram a MMR e vai ser só essa que eu vou tomar”. Agradeci e rumei para o postinho (não com o desejo de que, na volta, eu tome tooooodas as vacinas e aí serei uma pessoa imunizada, forte, invencível, gostosa, caber num biquíni branco P...).

Chegando ao postinho tinha um rapaz na minha frente. Rapazote, como diria papai. Eis que o rapazote entra e eu falo com a enfermeira que queria receber a MMR porque estava indo pra uma universidade no exterior que me exigia. Daí ela se vira: “você tá com esse rapaz que entrou?”. Eu: “não!”. “Ah, porque ele também tá indo pra uma universidade nos EUA e precisa tomar vacinas”.

Heeeein? Como assim, Bial? O CNPq indicou um postinho em Gotham City pras pessoas se vacinarem? Quando o moleque saiu lá de dentro eu não resisti e puxei papo:

- É você que está indo pros Estados Unidos?

- Sou, sou eu sim – dizia o garoto, enquanto apertava o algodão no braço. Vou pra Califórnia.

- Que legal! Eu to indo pra NY!, responde Carrie, a Sociável. O que você estuda?

- Engenharia da Computação.

- Ah! Eu faço doutorado em história e ganhei uma bolsa...

- Sanduíche? – me interrompe o rapazola.

- É! Bolsa sanduíche pra História. E você, é o quê? (pela aparência ele não devia estar nem no segundo grau).

- Sou da graduação. Vou fazer uma bolsa tipo a sanduíche, mas pra terminar a graduação.

- E a Califórnia é o melhor lugar pra sua área, né?

- Ah é. Eu vou pro Vale do Silício. Vou fechar com chave de ouro!

- E você estuda onde?

- Itajubá, respondeu ele.


Nos despedimos e desejamos boa sorte um ao outro. Nem o nome dele eu fiquei sabendo.

Caralho. Vale do Silício. Vocês têm noção do que é o Vale do Silício, plebe? É simplesmente onde estudam/estudaram (ou não terminaram os cursos porque foram contratados por grandes empresas antes ou ficaram milionários ou as duas anteriores) a maioria dos grandes caras da computação. Os inventores dos grandes softwares e computadores que a gente mexe hoje em dia. O Bill Gates, o cara da Apple, da IBM...simplesmente é onde nasceu a indústria computacional e onde surgiu a internet, basicamente.

Já pensaram? Eu posso ter me vacinado com o inventor do teletransporte! Ou do próximo meio de comunicação que vai mudar o mundo!

Na saída, pra Formiga Irmã: “aí meu Deus, nem vi se era uma agulha descartável ou se ela usou a mesma do garoto!”. Ela: “ah, não tem problema. Aquele garoto é limpinho. Nunca deve ter transado na vida”.

Pior é que é. Por pouco tempo. Quando ele for um milionário não faltaram filas de mulheres pra transar com ele. Ainda mais porque nerds tendem a ser mais atenciosos, legais e gentis do que o resto dos homens. Palavra de quem tem grande experiência com nerds – mas pouca com homens. Nerds se esforçam mais porque eles têm complexo de inferioridade com as mulheres.

A funcionária do postinho: “e você deu sorte! A gente não costuma abrir essa vacina, pois tem uma validade muito curta. Só seis horas. Só abrimos por causa desse rapaz”.

É o Universo conspirando!

Enquanto conversava com o garoto ele disse algo do tipo: “é a primeira vez que eu saio...”. Pude notar a ansiedade no tom da sua voz. Esse sentimento tão parecido com o que eu sinto (apesar de já ter saído, é minha primeira vez nos Estados Unidos).

E eu achando que eu sou a pessoa mais medrosa e paranóica que existe no mundo. Que arrogância a minha, não é verdade? Milhares de outros estudantes estão passando por essa mesma situação nesse momento. Experimentar o novo. E tantas outras pessoas estão experimentando o novo em diversas outras situações.

Ah! Além disso, chegou meu visto. Agora é só relaxar. Como diz Formiga Irmã que saiu e me viu dormindo depois do almoço: “tá com a vida ganha, hein Formiga”.

Tô. Pior é que tô.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Cinco (mas tem dias que parece um ano)

A nova tarefa da gincana rumo a NYU é "ache sua cartela de vacinação de 30 anos atrás". Que divertido.
Sim, meus caros. Pra vocês se matricularem em certas universidades de certos estados estadunidenses vocês precisam ter recebido aquela MMR (Caxumba, Sarampo e Rubeola). Claro, tem que haver comprovação. Caso você não tenha há 3 opções: fazer um teste sanguíneo provando que você está imune, tomar de novo, tomar de novo lá (não onde vocês estão pensando, mas nos EUA). Que, claro, não é de graça: U$ 50,00.
E se eu for contra vacinas? E se eu for adepta de uma medicina natural, ayurvédica, homeopata ou holística e for contra vacinas? O que eu faço? (Vai pra Índia! Quem mandou escolher os EUA?).
Achei minha cartelinha, Raquel! Veinha, com o nome do meu pediatra, o Zé Geraldo. Ela e nada é a mesma coisa - não tem uma assinatura decente, um carimbo...mas vai essa mesma. Nessa altura do campeonato não tenho como baixar em posto de saúde pra vacinar. Rubéola eu vacinei ano passado, mas não estou achando a cartela. Posso vacinar pra cada uma em separado ou é o pacotão junto? Amigo(as) médicos e da área de saúde podem me dar um help nisso?
Só sei que foda-se. Se não aceitarem eu mando me picarem, me vacinarem, cortarem, aproveitarem meu corpo pra ciência, qualquer coisa. EU REALMENTE NÃO ESTOU MAIS AGUENTANDO TANTA ENCHEÇÃO DE SACO. Hoje o mínimo que eu ouvi de Formigas Mother e Sister foi: "ai, meu Deus do céu! Por que não chega logo o dia dessa viagem pra essa menina ir embora!". Isso porque F. Mother deu ordens expressas a criadagem de Versailles para realizarem todos os meus gostos (leia-se: gastronômicos) pois era minha última semana. Tipo A Última Ceia.
Além disso, achei que o consulado tinha ficado com o meu DS 2019 só pra me sacanear e eu deveria ter tirado uma cópia. Mas aí eu escrevi para O Oráculo - que também responde pelo nome de Raquel - e ela me tranquilizou dizendo que ele chegaria pelo correio, junto com o visto. A Raquel é uma espécie de Senhor Miagui. Qualquer dúvida que eu tenho eu escrevo pra ela: "Raquel, quantas calcinhas eu devo levar?" e ela me responde. "Raquel, como será o meu almoço?". Ela responde. "Raquel, qual o barulho da palma de uma só mão?". Ela responde. "Raquel, qual a cura da Aids?". Ela responde. "Raquel, como solucionar o conflito no Oriente Médio?". Ela responde. Eu sei o que vocês estão achando. Que ela não faz nada da vida. Tolinhos. Ela trabalha mais do que eu e você juntos. Sério. Ela é foda bagarai. Povidenciarei camisetas "I coração Raquel", plagiando a de NY. Eu tenho pena de quem não tem uma Raquel pra ajudar. Eu vou lançar a idéia pro Obama de, além de um tanque pra cada família, cada estrangeiro tenha a sua Personal Raquel Tabajara. Aliás, a Raquel tem um blog, gente. Mas ela não libera o blog pra ninguém (ôpa! Sem duplo sentido). Nem pra mim. Vamos fazer uma campanha: "Ô, Raquel! Libera o blog!" (sem duplo sentido, por favor, mentes imundas). Mas acho que é em inglês, não sei se servirá a todos. E agora sim é que ela vai morrer de vergonha e não deixar eu ler nunca. Isso porque ela escreve suuuuuper bem. Mas ela acha que ainda não está bom. Como diz Formiga Mãe, "A Raquel deve estar pensando: maldita hora em que eu conheci essa louca". Pensando bem ela vai sair correndo de mim quando eu chegar nos EUA (não eu não a conheço ao vivo, só por telefone e e-mail).
E já tenho meu primeiro compromisso estudantil agendado: um workshop de chegada, obrigatório, antes do semestre começar (setembro). Para alunos estrangeiros. Nele, dicas serão dadas. Fora isso, tem um tutorial multimídia com uma locutora que fala tu-do beeeem ex-pli-caaaa-do - eu sou brasileira, não surda, nem débilóide, minha senhora! - além do texto escrito do lado. No mês todo de agosto teremos workshops para socializar os alunos estrangeiros. Eu vou em todos, claro. Nos não pagos, pelo menos. Formiga Irmã diz que eu sou muito sociável. A primeira vez em que eu ouvi isso eu quase engasguei de tanto rir, mas é possível que isso seja verdade. Eu sou sociável com estranhos. Tenho dificuldades é com proximidade excessiva. Principalmente com parentes malas.
Aí tem as fotos dos encontros dos anos anteriores. Só minoria étnica - aliás, o vídeo todo é narrado por paquistaneses, tibetanos, chineses...como diria a Taty Quebra Barraco, eu sou feia, mas tô na moda! Nóis é terceiro mundo, mas tá na moda. Eles precisam mais da gente do que nós deles. Afinal, eles precisam provar que valorizam a diversidade cultural, bla bla bla, que são um ambiente multicultural, bla bla bla...mas enfim. Aí rola uma recepção no final.
Sim, eu sei o que vocês pensaram. É melhor eu não beber, né? Se não vou começar a querer puxar a burka da Afegã (ôpa! Sem duplo sentido), experimentar, xingar o chinês de comunista de araque empregador de mão de obra escrava, dar tapa na careca do Hare Krishna...melhor me manter sóbria. Eu, bêbada, viro o Bóris Yeltsin.
Então oremos, irmãos, para que as surpresas de hoje sejam todas boas (quem sabe meu visto chegue).
Vou dormir.

domingo, agosto 03, 2008

Oito dias

Espelho, espelho meu: existe alguém mais feliz do que eu?

sábado, agosto 02, 2008

Counting down: 9 days.


Meu colunista social local preferido hoje recheou a coluna de fotos de viagem de uma casal que terá filhos em breve. Foto dos casal em Curitiba, em Bananal, em vários lugares. Nem é foto de casamento, nem de lua de mel (acho). Ele “de tradicional família de Vassouras”. Eu não canso de me surpreender de como o mundo é estranho. E Gotham City, então, muito mais.

Acho que vou mandar umas fotos minhas de NY. Aí ele vai publicar e dizer: “a leitora Carrie White, que nos acessa de NY, onde complementa os estudos da sua tese de doutorado”. Claro que eu vou lê-lo de lá.
Ai, ai. Tanta merda para aprender em tão pouco tempo...

***

Minha mala está pronta há quase um mês em cima da outra cama do meu quarto em Gotham City. Claro que todo dia eu mexo nela. Boto coisas, tiro coisas. Hoje vou desfazê-la todinha e refaze-la. Formiga Mãe fica me tentando. Dizendo: “mas você não vai levar essa saia?”. Pô, minha sainha fifties total, rodada, faz mó volumão...tá, posso até por, mas vai ter que sair três.

Coisas que preciiiiiiso levar: secador de cabelo. Não que eu me importe em fazer escova todos os dias (que eu sei fazer muito bem, modéstia à parte), mas já imaginaram aquele friozinho novaiorquino de outubro/novembro e eu saindo com cabelo molhado? Pneumonia galopante na certa.

Outra dúvida é sobre dicionários. Eu sei que na universidade terão zilhões de dicionários para consulta, sei que existem dicionários online, mas...eu preciso de um dicionário comigo (junto com meu kit anti-terrorismo). Aí estou em dúvida: tenho um pequeno, português-inglês; um médio, Longmam, inglês-inglês e dois grandôes, um português-inglês e o outro inglês-português. Acho que vou levar o português-inglês e o inglês-inglês. No caso de escrita, principalmente, eu sempre faço o seguinte: olho a palavra que eu quero dizer no português-inglês (calma, tradutoras. Não tenham um ataque) e olho no inglês-inglês pra ver se o sentido é o mesmo. Tem dado certo.

***


Farmacinha completa. Naldecoms Dia e Noite, Antialérgicos, analgésico, Sal de Fruta Eno em embalagenzinhas individuais (pra não acharem que é cocaína). Sim, eu sei que eu estou indo pro país dos remédios, mas até eu tentar me entender na farmácia... E mais outras drogas legais, todas com suas devidas receitas. E quase tudo na mala grande. Só um aprazolamzinho básico no bolso, pra modi evitar um André Gonçalves Mood.

Minha amiga Dani, farmacêutica, fica apavorada. Mas metade dos remédios é só por garantia. São quase como amuletos. Eu sei que eles estão ali caso eu precise, logo acabo não precisando. Entenderam?

Meu vôo é direto Rio-NY, apenas com escala em SP. Que bom. Outra paranóia recorrente é que eu me confunda nas conexões, pegue um avião errado e vá parar em Pequim. O que não seria de todo mal, já que eu aproveito e assisto aos Jogos Olímpicos.

Outra aflição que eu tenho é da sala de embarque. A sala de embarque parece o limbo – que, como a gente sabe, foi abolido, juntamente a Plutão, pelo Bento XVI. Você ainda não saiu, mas também ainda não entrou. Foi numa sala de embarque pra Porto Alegre que eu fiquei sabendo do acidente da TAM em Congonhas. Com passageiros que iam pra Porto Alegre. E um pouco depois no vôo, recebo a agradável notícia, pelo comandante, de que estávamos sobrevoando POA, mas não tínhamos sido autorizados a descer, sendo necessário retornar à SP (que não tinha nada a ver com a história). Pensei: pane na aviação brasileira, tá tendo chuva de avião e eu vou morrer nesse momento.

Nada agradável.

Já sei: vou ficar postando no blog na sala de embarque pra relaxar.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Yesss, nós temos o visto.


Fiz minha entrevista ontem no consulado e consegui o visto. Mesmo estando com 99% de chance de conseguir eu confesso que rolou um nervosismo. Quanta pressão.

Pra começar eu, tolinha, achei que agora que as entrevistas são agendadas previamente não haveria filas. Rá rá. Mega fila na entrada. Rápida, mas fiquei uns 20 minutos a meia hora ali – isso porque eles mandaram chegar com meia hora de antecedência e eu cheguei com 40 minutos, porque eu sou louca.

A diversão já começou logo na fila, quando uma famosa atriz da novela das oito, cujo papel é de primeira dama de Triunfo, chegou ao local. Eu sou acostumada a ver pessoas famosas ao vivo (eu, não. Aqui no Rio isso acontece com freqüência) e sei que TV engana. Mas também sei que têm atrizes que são maravilhosas de qualquer jeito – como a Alinne Moraes que eu vi em um shopping da Barra, a Carolina Ferraz e tantas outras. Mas a primeira dama de Triunfo é exatamente o oposto. Nunca vi tamanho caso de propaganda enganosa. Tudo bem que às 8 da manhã ninguém é muito bonito, mas...até eu sou melhor às 8 da manhã. Pra começar houve uma conferência na fila entre várias pessoas: umas dizendo que era ela, sim, outras que não podia ser de jeito nenhum, que tava muito diferente e ainda outras que diziam que devia ser uma irmã. Eu, como reconheço até o primeiro elenco de figurantes da Malhação, disse com certeza que era ela. Magra eu já imaginava que ela fosse, afinal todas essas atrizes são mais magras ao vivo. Só que a mulher é um cadáver. Calça 36 deve ficar larga nela. E o rosto dela – que na TV parece ser largo – é fino. E o cabelo... Fiquei lembrando da propaganda que ela faz de um xampu anti-caspa, “vivo exposta a todos os olhares”. Realmente, caspa ela não tem.

Não, isso não é despeito. Eu amo gente magra. Se pudesse, se meu biótipo permitisse, queria pesar menos 20 quilos do que estou agora – mas como sei que isso é muuuuito esforço pra pessoinha gulosa que sou, me contento com 10 a menos (uma vez que já se foram 10). Então, não é que eu ache bacana mulheres cheinhas. Eu acho lindo mulheres esqueléticas, tábuas. Mas ela é além de qualquer padrão de magreza. Ela parece subnutrida. Moradora da Etiópia ou Biafra. O rosto dela é encovado. Os olhos saltam de tão fundos que estão. Que isso, cara. Sem condições.

Formiga Mãe ameaçou ir cumprimentá-la e eu ameacei sair da fila e desistir da bolsa caso ela cumprisse a promessa. Há limites, meus caros. Há limites.

Beleza. Lá fomos todos nós – eu, a Primeira Dama de Triunfo, o casal de Viçosa na minha frente – entrar no consulado. Entra, deixa documentos e passaporte, pega senha e senta que lá vem a história. Rola uma cantinazinha com café, salgados etc. Fui rapidamente tomar um café – a primeira dama de Triunfo claro que não, afinal café pra ela deve ser banquete pra três dias; nem água ela deve tomar. O painel de senhas não funcionava e vinha um funcionário do consulado chamar os números. Chama, te entrega os documentos novamente. Entra em outra fila pra impressão digital. Um cara falando com porrrtuguêxx de Porrrrtugal manda eu botar uma mão, depois outra, depois oxxx polegarexxx. Reclamou que meuxx polegarexxx exxxtavam suando. Claro, amigo. Agora só vai parar de suar em dezembro. Sequei-os na roupa. Pus de novo. Funcionou. Vai pra fila da entrevista.

Eu achava que minha entrevista ia ser em inglês pois assim tinha me avisado a mocinha do consulado, mas um dia antes um amigo que fez essa mesma bolsa que eu e pediu o mesmo visto me disse que era em português. Na fila mesmo comecei a ouvir entrevistas em inglês e saquei meu repertório debuquis on de teibou que eu precisava falar.

E nisso você vai ouvindo as entrevistas, né? Pra turista é em português, mesmo. E são várias cabines, mas as portas ficam abertas e o cara fala por um microfone. Daí eu ia ouvindo: “mas seu marido tem uma loja de material esportivo? Que tipo de material esportivo?” e pensava: "fudeu".

Chega minha vez. Um funcionário jovem, naquela idade indefinida entre os 28 e 43, simpático e até bonito me atendeu. Ele era careca, aquelas carecas raspadas no talo, e a cabeça dele brilhava, mas brilhava de tal forma que eu quase me desconcentrei. Se não tivesse um vidro entre nós eu acho que eu não ia agüentar e ia querer dar um tapinha na careca dele – eu tenho aquela síndrome que faz as pessoas terem gestos involuntários; no meu caso é dar tapas em carecas muito luzidias. Sério, parecia que o cara tinha passado um lustra móveis antes de sair de casa. Ou um óleo de peroba. Mas ele era bonito, apesar disso – ou por causa disso, sei lá.

Aí ele pegou meu formulário DS 2019 (se você está pleiteando um visto de estudante vai precisar desse formulário ou do I-20 que a escola ou universidade te manda. Caso não tenha ou não tenha uma previsão certa de quando ele vai chegar, nem tente marcar o visto, porque eles não deixam. Em compensação se você tiver todas as portas do paraíso se abrirão e 100 virgens com manjares lhe esperarão ao lado de Alá. Eles marcam a entrevista em menos de uma semana) e perguntou se eu ia estudar na NYU. Quase que eu respondi: “se vocês deixarem!”, mas não achei prudente fazer piadinhas numa hora dessas. Disse “yeah”, no meu sotaque de seriado da Warner. "Congratulations” ele respondeu. Disse também que era aluna de doutorado em história e tinha ganhado uma bolsa do governo brasileiro pra complementar meus estudos. Aí ele perguntou que tipo de história eu estudava. Ai, meu Santo Padroeiro das Carecas Reluzentes! Nunca pergunte a um doutorando o que ele estuda. É impossível responder em duas palavras e você corre o risco de ficar uns dois dias tendo que ouvir sobre a tese do sujeito. Mas eu consegui responder em duas palavras. Disse que estudava história contemporânea, particularmente história e literatura.

Pronto. O cara abriu um sorriso maior ainda. História tem esse poder de fazer as pessoas simpatizarem com você, como o médico que eu fui – ou achar que você é maluco, como a mulher do STB. Mas graças a Deus ele parou por ali. Não me pediu nenhum documento e disse que meu visto tinha sido aprovado, que era pra eu me dirigir ao balcão de taxas e voltar na janelinha dele.

De novo: se você está pedindo visto pra estudante precisa pagar uma taxa extra de 40 dólares (fora a taxa SEVIS, de 100, fora a taxa que todo mundo paga, de 131, no Citbank, fora a taxa da empresa que entrega o passaporte em casa: vinte e poucos reais, dependendo da localidade). Vou eu pra fila.

É claro que, como Murphy é meu amigo, na hora em que eu fui a mulher na frente do carinha na minha frente estava pagando em cartão (você pode pagar em cartão ou dinheiro, dólar ou real) e O Sistema travou. E no que travou, fudeu tudo. Não aceitava mais dinheiro, não podia atender outras pessoas, ficava tudo empacado até que ela conseguisse entrar de novo n’O Sistema. Uns 20 minutos depois, com O Sistema reestabelecido, uma outra moça com um bebê entrou na nossa frente – já que ela tinha um bebê (as pessoas deveriam ser punidas por terem bebês e não presenteadas). E a moça tentou pagar em cartão, claro (Murphy fazia dancinhas ao lado, enquanto mostrava a língua pra mim). E claro que O Sistema travou de novo. Porque a anta da funcionária passou a caralha do cartão de novo sem tentar saber se O Sistema estava bem. Como diz ela: “eu não sei se é um problema aqui ou a nível de mundo”. Ficamos nós lá, a nível de azarados, esperando a porra d’O Sistema resolver levantar. Mais 20 minutos, fila crescendo, embolando com a da impressão digital, com a da entrevista...e eu pensando se o dinheiro ia dar, já que eu só tinha 100 reais, pra pagar 40 dólares (não sabia qual a cotação eles usavam) e mais a taxa da TNT (não o canal de TV, a empresa que faz a entrega do passaporte) que era maior do que eu previa. Deu 66,00. Ah é: não tem jeito de você pegar o passaporte lá. É só por correio.

Volto eu pro carequinha-gostosinho. Daí ele me pergunta se a fila está muito grande e eu digo que sim. Daí ele começa a fazer diversas piadinhas sobre filas, que filas são sempre ruins, mas aí eu já entendo pouca coisa. Imagina você ter que ouvir um sujeito falar em outra língua, numa cabine, por um microfone, ele sentado e você em pé – tendo que abaixar pra escutar... (aliás, só a cabine que eu fui é que o entrevistador ficava tão baixo assim. Nas outras a pessoa fica em pé, mas mais ou menos no mesmo nível. Será que é tão difícil assim conseguir uma cadeira? Cortem os gastos no Iraque e mandem mais cadeiras pros consulados. Aliás, isso deve ser proposital pra pessoa não relaxar. As mesmas técnicas ultizadas em Guantánamo) Apenas balanço a cabeça e digo: “oh, yeah! Oh, yeah”. Podia xingar a minha mãe ali que eu não estava dando notícia de nada.

A Taxa da TNT era 27. Tinha 24. Putaqueopariu. Se eu ainda que tiver sair e pegar dinheiro em banco...mas graças a Jisus-minino eles aceitavam cheque (se for Rio é 17, mas como eu queria que entregassem em Gotham, interiorrrrr, era 27).

Resultado: o passaporte chega entre 5 dias a uma semana pelo correio (só dão em mãos em caso de morte). Acabo de comprar minha passagem pro dia 11, segunda feira, às 18:25. Ai, meu Deus. Agora que me dei conta que 11 de agosto é um mês antes de 11 de setembro. E se rolar uma comemoraçãozinha básica do pessoal da Al Qaeda? Tipo, uma rota alternativa, que saia da América Latina...U-hu! Fala Osama! Me mira, mas me erra, hein rapaz!

É isso. Agora acho que é realmente sério – claro, como dizem no consulado, o fato de você ter o visto não garante que você vai conseguir entrar no país, já que você ainda precisa passar pela imigração e pode ser deportado.

Ai, ai. Que maravilha. Acho que finalmente eu encontrei um país onde as minhas paranóias têm respaldo. Não vejo a hora de me informar sobre os kit anti-terrorismo e comprar o meu, com lanterna, pilha, comida enlatada...Acho que minha próxima viagem será para a Faixa de Gaza. Aí eu vou poder ficar nervosa tranqüilamente, sem ninguém pra me dizer que eu não tenho com o que me preocupar, que é tudo muito seguro. Já pensou que beleza? Quem sabe um pós-doc em Israel...

quarta-feira, julho 30, 2008




Dia desses no Banco do Brasil de Gotham City, eu ia ao caixa rápido enquanto Formiga Mãe perambulava atrás de um(a) mocinho(a) “posso ajudar”. Achou um cara com uma camiseta amarela, escrito “Ourocard Banco do Brasil”. Dirigiu-se a ele: “por favor, se eu fizer um Doc...”, no que ele responde: “não, eu não trabalho aqui, não”. Nisso um verdadeiro mocinho “pode ajudar” vem: “nãããoooo!!! Esse aqui é jogador da seleção”. Formiga Mãe deu uma boa olhada. Hein? Jogador da seleção? Era o Maurício, do voley. Fazendo um jabazinho básico (jabásico) no BB de Gotham City.

O “posso ajudar” não só não pôde ajudar, como ainda por cima foi tirar foto com o Maurício.

Reconhecer jogador de voley dando pinta em horário de ixpidiente em plena Gotham City é um pouco demais, né não? Porque tudo é o contexto. Se o Santoro aparecesse pra mim em plena Gotham City, por exemplo, no máximo eu ia pensar “caramba, que cara parecido com o Santoro” e não que era ele de fato. Afinal, o que ele estaria fazendo aqui? A não ser que uma legião de fãs enlouquecidas o perseguisse. Ainda mais o Maurício do voley. De camisa amarela no Banco do Brasil. Ele tem mó carinha de mocinho “posso ajudar”.

Uma vez um aluno ficou indignado de eu não saber quem era Adriano, o imperador (jogador de futebol, um pouco antes dele ser convocado pra seleção). Ele achou que eu tava zoando com a cara dele. Eu também achava que eles estavam zoando com a minha cara quando me perguntavam se a Idade Média era antes ou depois de Cristo. O máximo que eu reconheço são os Ronaldos. E ainda corro o risco do Fenômeno me cantar, já que eu tenho uma certa pinta de traveco.


***

Fui ao meu dentista dar uma geral antes de viajar. Meu dentista é o mais sólido e duradouro relacionamento que eu já tive em toda a minha vida. Ele foi o único a botar a broca no meu dente.

De uns tempos pra cá ele pôs uma TV com canal a cabo. Hoje tava no National Geographic. Naquelas séries em que o leopardo corre atrás do antílope (ou o contrário, sei lá...) e dá aquele sensacional bote e aparece a carcaça ensangüentada e detalhes de carne e sangue escorrendo...

Tipo...achei pouco prudente pra um consultório de dentista. Eu não me importo, afinal adoro dentista e sangue, mas pra quem tem medo... Ou vai ver ele coloca justamente pra entrar no clima.

Troquei uma obturação e vou fazer limpeza de tártaro segunda.

Adoro quando ele abre a agenda e diz: “essa obturação nós fizemos em 87”. Quase pego na mão dele e digo: “mas pra mim é como se fosse ontem, Doutor”, enquanto o rádio toca “Emoções”, do Rei.


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Estava em uma loja de fotos para fazer as minhas fotos com as orelhas expostas para o visto quando entra meu professor de biologia do colégio. Ele me deu aula na sétima série e no último ano. Era hilário. Dava pulinhos. Desenhava aquelas coisas todas que a gente tem dentro da gente (Ossos? Tecidos? Células? Órgãos? Vácuo?). Ensinava a moçada a fazer tabelinha e nos dias em que “podia” ele gritava “é festa!! É festa!!” (deve ser por isso que eu tive tantas amigas grávidas). Era um ótimo professor. Assim que ele adentrou o recinto me reconheceu. Perguntou o que eu estava fazendo e eu pude, orgulhosamente dizer: “terminando o doutorado e indo pra Nova York” (quer dizer, o contrário). Ele gostou de saber e eu gostei de poder dizer.

Bom, eu sempre fui uma boa aluna em biologia. Nada “oh, que gênio”, mas boa. Não era o vexame que eu era em química e física nem a maravilha de história, geografia, português e literatura (não sei se “maravilha” porque minha preguiça aumentou ao longo do segundo grau, mas dava pro gasto). Matemática a gente pula, já que eu tenho pesadelo com provas de matemática até hoje (é um verdadeiro milagre que eu nunca tenha pegado uma recuperação em matemática. Acho que eu era aquele caso que ia muito bem nas outras matérias e os professores tinham dó de me por em recuperação em matemática. Ou às vezes acho que eu estudava apenas pra prova e depois esquecia. Vai saber).

Aliás, eu tive excelentes professores de biologia. Muito melhores dos que os de história. É um milagre que eu tenha ido para última ao invés da primeira. Aliás, a filha desse meu professor, que na época em que ele me deu aula era recém nascida, está cursando História. Casa de ferreiro...

O problema é que eu passava mal nas aulas de biologia. Ficava imaginando aquela quantidade de coisa dentro de mim (ôooopa!)...mitocôndrias...células...uma galera fazendo fagocitose, mitose, neurose.... E as doenças? Coisa horrorosa. Praticamente um universo à parte absolutamente fora do meu controle. Deus me livre. Começava imediatamente a suar frio e pensar em todas as doenças que eu poderia ter. Melhor não saber de nada. Santa ignorância.

Mas, estranhamente, adoro sangue. Acho que meu problema são as internas.


***


Amigo meu que morou anos em NY e hoje mora em Roma: “você vai tirar NY de letra! Quem mora no Rio, mora em qualquer lugar. Você vai achar NY que nem Andrelândia”. Bom, a ausência de grades em minha casa e vizinhança já me deram essa impressão.

Já diria o Tom Jobim: “o Rio não é pra principiantes”.

E também: “Os EUA são uma maravilha, mas morar lá é uma merda. O Brasil é uma merda, mas morar aqui é uma maravilha”.

E também “é pau, é pedra”.


***


Aliás, esse meu amigo, que sempre foi gay (apesar de pegar geral, inclusive eu) só "saiu do armário" quando foi pra NY. Um pouco antes dele ir pra NY o irmão disse que todo mundo que vai pra NY voltava viado ou drogado. No caso dele, os dois. Ah, é. Um pouco depois ele foi deportado – mas aí foi pra Roma e tá se formando em moda.

E é tanta gente botando pressão, dizendo que eu vou “amaaaaaar” que eu “não vou querer voltar”, que eu vou 1) Voltar casada; 2) Voltar grávida (vááááarias pessoas); 3) Não voltar...

E se eu voltar viada e drogada?

Tipo...não dá só pra ser legal e bacana, não?

Mêda. Odeio pressão.


***

E eu fico checando as estatísticas de crimes em NY e na região em que eu vou morar – registros por delegacia. Formiga Mãe: “por que você não checa as do Rio?”. Parei na hora. Santa ignorância.


***


Ah sim. As fotos com as orelhas expostas. Fiz a moça da loja tirar três vezes. A primeira eu fiquei a cara do Piu Piu – cabelo lambido e só um carão gordo e amarelo aparecendo. A segunda um sorriso meio irônico, meio Monalisa, tomou conta do semblante e eu achei pouco prudente, já que americano é povo paranóico e podia achar que eu estava mandando uma mensagem subliminar do tipo “vou explodir prédios, vou entrar atirando em McDonald’s, vou tocar o terror”. A terceira meu cabelo ficou cinza, mas eu achei melhor.

Um dos formulários que eu preciso preencher – sim, porque visto pra estudante é três vezes mais chato, demorado, caro e complicado – pergunta qual o meu clã ou tribo (se aplicável). Tanta vontade de responder: “Clã das Formigas Voadoras”, ou “Clã das Formigas Judias do Vale do Paraíba”, ou ainda “Clã das Formigas Voadoras Judias do Vale do Paraíba e da Serra da Mantiqueira e Adjacências”... Mas não achei prudente.

Também adoro o item que me manda escrever no meu alfabeto de origem. Droga de alfabeto monótono, o meu. Seria tão legal colocar meu nome em alfabeto cirílico ou ideograma japonês...


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E a minha roomie que me manda links de confecções ecologicamente corretas de SP ou me diz que tem amigos brasileiros que quer me apresentar (nãããão!!)?? Acho que ela anda estudando a cultura da aborígine com quem ela dividirá sua casa.

Ela é grega. Quer dizer, é descendente. Mas agora só consigo chamá-la de “A grega”. Zorba, a Grega. Daí eu vou poder fazer várias piadinhas de duplo sentido do tipo: “mas parece que ela está falando grego”.

Dã.

Ela é kindov “terapeuta holística”. Presta consultas energéticas a pessoas e ambientes. Trabalha com organizações internacionais que prestam ajuda humanitária. A casa dela é completamente lotada de móveis e entidades hindus, indianas e não sei mais o quê. Ela também é mais velha. Aquela idade indefinida entre 47 e 53. Já fez “de um tudo”. Ainda não vi nem fotos dela, mas (a minha mulher viu, não eu não me canso dessa piada!!) a minha amiga Raquel conheceu-a pessoalmente.

O meu quarto, inclusive, tem uma escultura de um anjo da guarda em metal dourado enorme, cujas as asas ficam sob a janela. Gostei. Apesar de bizarro, gostei. Achei um bom presságio. Tipo o anjo guardando minhas janelas. Hãn hãn? Pegaram?

Mas se ela tentar limpar minha aura, abrir meu chacra à força...nananinanão. Sou moça de família. Pra pegar no meu chacra só casando. Pra abrir, então, só com comunhão total de bens e aprovação do Papa.

Tem outros casos dela que aos poucos eu irei revelando. Mas parece ser uma boa pessoa. E o mais importante de tudo: meu quarto tem TV a cabo e internet. Sim, ou vocês acharam que eu vou perder a oportunidade de ouro de assistir a todo o lixo da televisão aberta estadunidense?


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Meu orientador não me deixa falar “americano” ou mesmo “norte-americano”. Só posso falar “estadunidense” – já que americano somos todos nós e norte-americanos também são nossos irmãos do Canadá. Ele também não me deixa dizer que ele seqüestrou o embaixador, e sim “capturou” o embaixador. Aliás, não sei como os EUA deixam ele entrar lá, já tendo seqüestrado (quero dizer, capturado) um embaixador deles. Se fosse meu país eu negava visto até a morte. E, pra completar, ele ainda me fala que eu finalmente vou aprender o que é ser uma cidadã livre das Américas livres ao morar lá. Esse é meu orientador. Incoerente para alguns, vendido pra outros tantos, simplesmente um pândego para mim.

Ele também me diz que “quem pede é mendigo” e que eu “solicito”. E que orientando(a) dele não pede desculpa e nem agradece demais. Sim, ele também é um pouco louco.


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E por falar em gente doida, descobri porque tem tanto maluco nos EUA – principalmente esses que entram atirando. Não são os videogames, não é a indústria armamentista, não são as drogas. Não. É a falta de tanque de lavar roupa. O tanque tem uma função catártica fundamental. Além disso, a quantidade de eletrodomésticos automatizando tarefas simples do dia a dia impede que o ser humano vivencie o esforço braçal fundamental para o bom funcionamento da psique. Onde já se viu, uma cidade obrigar os apartamentos a terem além de aquecimento (que eu acho justo) microondas, geladeira, fogão e (em Manhattam) lava-louças?

Esses dias vi um episódio de Sex and the City em que a Carrie, a Bradshw lavava os soutiens na pia da cozinha. Bleargh! Que nojo!

Vou lançar essa idéia pro Obama. Projeto “Um tanque para cada família”. Diminuiriam os índices de obesidade, o consumo de anti-depressivo, a criminalidade...

Chamem o Michael Moore!


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Alguém tem dicas de bons seguros de saúde internacional que cubram não apenas emergências, mas também internações, doenças mentais (ôpa! É pessoal?), exames laboratoriais e radiológicos? Acho que vou ter que comprar o da unversidade mesmo...que é mais caro do que aquele que a Agência de Fome(nto) está me dando. Alguém tem alguma sugestão?

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Seis páginas de Word de post. Só volto com 15 comentários, no mínimo.

terça-feira, julho 22, 2008

Detonando a minha paciência


Não desistam de mim. Eu estou aqui.


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Relatório mandado. Bati todos os recordes de velocidade de feitura de relatório esse semestre. Espero que a pós não resolva bater todos os recordes de cancelamento de bolsa – ainda que eu só vá recebe-la na volta (você não entendeu nada? Esquece...)

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Eu fui a um show dos Detonautas. Depois dessa informação há alguma justificativa que atenue o feito? Não. Nada justifica o comparecimento a um show do Detonautas. Mas se seve de consolo, já foi pior: já fui a um show do Rio Negro e Solimões e a justificativa era a mesma: estava em Pasárgada e lá todos fazem coisas incompreensíveis que não fariam em seus logradouros costumeiros.

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A melhor coisa da noite foi ver o vocalista esculachando o público porque ninguém tava nem aí pro show. Meu amigo, você não ta enteindeiiiindo. Eu vi Herbert Vianna, um dos maiores músicos desse país, voltar para o bis numa cadeira de rodas e dizer: “vocês não pediram, não, mas eu vou tocar mais uma mesmo assim”.
Não vi - mas minha mulher viu - Los Hermanos ser esculachado em Pasárgada.
Acho que até o Chico Buarque periga ser esculachado lá. Os shows - como tudo o resto que acontece em Pasárgada - são mero pretextos para se beber pinga. A vida é o que acontece entre uma pinga e outra. Filhos, casamentos, empregos, tudo isso são acidentes de percurso em direção ao objetivo maior que é encher o rabo de cachaça. Não é nada pessoal. É cultural.
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E ainda ficaram zoando, cantando trechinhos de músicas sertanejas – “há uma nuvem de lágrimas sob os meus olhos...” e funk – “ado, ado, cada um no seu quadrado” e “creu, creu” e dizendo: “não é isso o que vocês gostam? Isso é cultura popular”.

Ôpa! Peraí! Deixa eu ver que eu entendi: funk e sertanejo são lixo e Detonautas é legal porque é rock? Olha que eu prefiro rock aos ritmos citados, mas prefiro qualquer funk aos Detonautas. Qualquer.

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Creeeeeeu.

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Ai, que saudades dos Mamonas. Nada pior para uma banda de rock do que se levar a sério e vim pagar pau no meu sábado. Perto de zero grau e eu ouvindo o sujeito bradar sobre música popular brasileira na beira do rio...ah, meu amigo. Num fode. Subi sozinha pra casa - e a cidade é tão grande que da minha cama eu continuava a escutar as bandas subsequentes e um animado locutor que perguntava: "cadê a torcida do Vasco???".

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Na ida, enquanto tentava a incrível façanha de entrar com uma garrafa de Rum Motila no sobretudo - afinal, vocês não imaginaram que eu faria essa incrível façanha de ir a um show dos Detonautas no pleno gozo de minhas faculdades racionais, sem nenhum tipo de auxílio entorpecedor e anestesiador, né? - sem que as guardinhas me pegassem na revista, tentávamos identificar os Detonautas. Eu sempre confundo com o TPM 22 ou Tianastácia ou qualquer outra banda teen que conjugue letras e/ou personagens de HQs ou desenhos animados. Formiga Irmã manda: “não é aquela banda que o cara fez uma lipo e ficou prejudicado”. “Nããão” – bradamos em uníssono. Essa é a LSJack. Uma banda quase tão ruim quanto essas outras duas, cujo cara é primo do Jota Quest – outra bosta (ah, eu sei que vocês gostam, mas eu detesto, sorry).

Gente. Não é querer rir da desgraça alheia, nem querer ser machista, mas...esse cara ter feito lipo e ficado bobado depois, foi das piadas mais negras da música brasileira. Tipo: lipo é coisa de viado. Pronto. Falei. Homem que é homem não faz lipo. Não faz mesmo.

(Aliás, acho que mulheres que são mulheres também não fazem lipo. Mulheres que fazem lipo em geral precisam lipoaspirar outras partes da sua anatomia – como o cérebro, por exemplo – já que eu nunca vi uma lipo bem sucedida nem um trevo de quatro folhas. Lipo é satanismo e o Brasil é um país católico).

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Encomendas de memórias de viagem de Primo Poeta e demais amigos fãs de Ramones: ir ao finado CBGB, onde os Ramones tocavam; na casa de alguém dos Ramones (que eu esqueci) no Queens; e na esquina onde alguém dos Ramones (que eu também esqueci) fazia programa e em outra esquina de uma outra música dos Ramones (que eu também não sei qual é e estava muito bêbada para me lembrar). Tirarei fotos, comprarei uma cerveja, gritarei Hey, ho! Let’s go! tomarei, darei um arroto e quebrarei a garrafa na calçada.


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E também preciso ir a um ashram fazer um retiro espiritual. Afinal, antes de ir pra Índia eu preciso ir treinando em terra firme. Se lembram das minhas “oito coisas para fazer antes de morrer”? Pois é. Tô ficando com medo, porque estou conseguindo realizar quase todas (menos o biquíni P branco). E se eu realizar tudo e morrer? (é verdade que eu sou modesta em minhas metas...)

É, eu sei a resposta, são apenas elucubrações retórico-paranóicas. Mesmo porque eu acho que pra eu ser fluente em todas as línguas que eu quero será um projeto pra vida toda.

E tipo: o antes de morrer é apenas uma hipérbole, né?

Me lembrei de quando eu tinha 8 anos e existia a caneta Replay e uma amiga me disse que se eu passasse aquela borracha azul na boca eu morria com 9 anos. Sérias crises de pânico depois disso.

Não riam. É muito sério isso. E verdade.

Criança é bicho ruim e sem coração.


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Aliás, minha roommate é budista. E tem uma escultura gigante de um anjo no meu quarto de NY. Tipo: é o Universo conspirando para a minha conversão? Fazendo piada? E se eu virar mala? Será que meu destino é ser mala? Sempre desconfiei que Deus tem um senso de humor meio estranho – afinal, pra ter criado este planeta...

E também to lendo um livro que a mulher é uma jornalista de NY, mas vai pra Índia. Mas depois eu conto sobre isso.



terça-feira, julho 15, 2008

Gramur eu tenho, só me falta dinheiro


Já tenho casa em Nova Iorqueeeeee. Lararirara...

É no Queeeeeeens. Lararirara...

Especificamente m Astoriaaaaa. Larariraraaaaaa...

Onde a Ugly Betty moraaaaa. Larariraaaa…

Quinze minutos de Manhattaaaaam. Larariraraaaa...

Nem vou precisar ficar na casa da minha amiga – que aliás, é muito perto. Também é perto da casa do meu amigo Leozinho, que é DJ de musga letronga.

Eu sou uma pessoa de muita sorte. Já tenho até devogada lá, ói pcêvê! E das boa! Já cuidou de todo o negócio pra mim, já paguei dois meses de aluguel, incrusive.

Nós é chique demaisssss. Só falta agora ter dinheiro.

Agora o último passo é esperar a bendita documentação da universidade chegar – que, segundo minha supervisor, ela está pressionando cordialmente pra que ande logo.

Também consegui terminar o capítulo. Agora “só” falta o relatório de semestre – que depois desse capítulo virou fichinha.

Como diria Bellinha: Yuppppiiiiiiiie!!! Parece que é sério, né? Acho que vou mesmo.

sábado, junho 21, 2008

Relaxa Carrie!!!

Envolvida com o preenchimento da minha application (formulário pra entrar na universidade), escrevi pra minha orientadora de lá (leia-se: da Universidade pra onde eu vou nos Estados Unidos) perguntando algumas coisas. Ela respondeu. Perguntei outras. Ela respondeu e no final acrescentou algo do tipo: “não se preocupe tanto com tantos detalhes. O importante é você se registrar”.

Comentário de Formiga Mãe: “ih, ela já percebeu com quem ela está lidando!”.

Pobrezinha.

segunda-feira, junho 16, 2008

Good News

Arrumei lugar pra ficar chegando à NYC, totalmente di grátis - só até arrumar um lugarzinho pra mim, né? Mas já é uma graaande economia de hostel.
Ah, o que seria de mim sem os voltaredondenses e andrelandenses espalhados pelo mundo! Judeus do Vale do Paraíba e da Serra da Mantiqueira - vocês realmente estão no mundo todo.
Mas continuem procurando locais pra mim, gente! Se souberem de qualquer conhecido, por favor me avisem. Ainda preciso de um lugar pra ficar! Esse é provisório - porque yo soy latinamericana, pobre, mas tenho simancol.

sexta-feira, junho 13, 2008


No filme Sex and the City Carrie, a Bradshaw diz que muitas garotas de vinte e poucos anos vão a NYC em busca de grifes e amor. Encontrá-lo – o amor – era quase tão difícil quanto um bom apartamento. Eu estou achando que achar um bom apartamento é mais difícil.

Todo mundo me deu a dica da Craiglist e me avisaram sobre a possível estranheza de alguns anúncios – como por exemplo de pessoas que alugam quartos a 200 dólares com a condição de que você faça todo o serviço doméstico de calcinha e soutien. Achei que era exagero. Daí me deparei com um apartamento lindo no Village, em Manhattam, pertinho da NYU, por...1 dólar. Isso mesmo, 1 dólar. O cara era um italiano de 39 anos que ia duas vezes apenas por semana à NY e procurava a Sexy Female roomate para certos arrangements. E pedia fotos.

Lá na minha terra a gente chama isso de Teúda e Manteúda.

Depois achei um anúncio super sério, com fotos ótimas do apartamento. No final: “it’s an alcohol/drug apartment”. Pensei comigo: 1) o apartamento usa drogas e bebe e 2) O apartamento é para pessoas que bebem e usam drogas.

Depois vi um outro em que um casal dizia não aceitar fumantes. Mas usuários de droga tudo bem. Quer dizer: cigarro, não. Crack e heroína tudo bem.



Acho locais no cu do Queens a 600 dólares.

Seguindo os conselhos da minha mais nova amiga de infância e leitora deste blog Raquel, moradora de NY, melhor é o boca a boca. Saí espalhando a notícia para todos os conhecidos e desde então tenho recebido alguns anúncios interessantes. O problema é que, se você tiver que alugar seu quarto, caro leitor, para alguém que acabou de conhecer e foi com a cara ou alguém que você só falou por e-mail, quem você escolheria? Pois é. Pelo visto acho que só quando eu chegar lá vou conseguir alugar alguma coisa. Até lá acho que ficarei em um hostel no Chelsea. 80/dólares o quarto single. Caro, mas ainda assim muito barato comparado a um hotel.
Vocês não podem espalhar para os seus conhecidos que eu estou procurando um quarto?

Às vezes eu me pergunto porque fui escolher a cidade mais cara do mundo. Aí meu orientador diz pra eu “não me intimidar por ter escolhido o céu”. Se eu tivesse indo pro Canadá ou pra qualquer outro lugar dos EUA a minha bolsa daria tranqüilamente.

Bom, mas aí não seria Nova Iorque.

quarta-feira, junho 11, 2008

Mil vezes dããã...

Depois de ter um trabalho do cão para baixar a porra do aplicativo, eu descubro que havia um link para a página da agência financiadora que baixava o aplicativo de forma fácil, e, como se não bastasse, depois de toda essa saga, eu descubro que eles não anexaram a carta! (custavo ter olhado isso em primeiro lugar, Carrie?). Maravilha, Lombardi! E isso já onze da noite! Hoje ligo pra lá e eles dizem que vão me enviar.
Dã.

terça-feira, junho 10, 2008

It's unbelievable!!

Hoje eu recebi o termo de aceitação da bolsa pela minha agência financiadora e assinei-o. Tipo: é sério? Não foi um erro? Eu vou mesmo?

Preciso de mais provas. Só acredito quando estiver lá (e ainda assim acho que vou duvidar).

segunda-feira, junho 09, 2008

Uma boa, uma má, uma boa...

Todo dia tenho tido péssimas notícias e ótimas notícias sobre a viagem. Hoje tive uma ótima sobre moradia e uma não muito agradável sobre a universidade e suas taxas.



Mas pode ser que amanhã tudo mude. Aliás, todo dia alguma coisa no meu planejamento muda. Por enquanto: vou em agosto (acho que isso não vai mudar), vou ficar em Manhatam e é só o que sei.



Pessoas que eu nem imaginava que iriam me ajudar surgem com ótimas idéias - sem contar os anjos que eu nem conheço e surgem do nada, me ajudando - e outras que eu jurava que eu podia contar simplesmente sumiram.



Torçam pra dar tudo certo (isto é: que eu não precise vender um rim para ir pra lá).

sexta-feira, junho 06, 2008

Correndo contra o tempo


A vida acadêmica, assim como o futebol e o meu peso, é sempre uma caixinha de surpresas. Quem acha que a vida acadêmica é um tédio não sabe do que está falando. Quem imagina gabinetes lotados de livros bolorentos e pessoas discutindo em bibliotecas (eu adoraria passar o dia em bibliotecas bolorentas discutindo com nerds) está completamente errado – ainda mais em si tratando de Brasil, sil, sil. A vida acadêmica é muito mais suja, emocionante, pervertida, hilária, angustiante do que sonha a nossa vã filosofia. Você é capaz de ir do riso às lágrimas e vice-versa em um tarde. Sem contar o ranger de dentes.

Ontem quase tive uma síncope ao receber um e-mail da mulher que cuida da minha papelada na NYU dizendo que eu teria que pagar as taxas de matrícula, seguro de saúde e mensalidade. Hein? Dei pulinhos, achei que estava tudo perdido, liguei pra uma amiga que já foi, pensei em rodar bolsinha na Times Square (daquelas que não tem a menor idéia de onde seja o ponto de prostituição em NY. Aliás é bom saber, just in case), passei e-mail pra minha orientadora de lá que me respondeu, quase puta, dizendo que a tal mulher não entendeu picas de porra nenhuma, que ela tem dois alunos de Maryland que estão nessa situação na NYU e não pagam taxas e pra eu ficar tranqüila que ela ira resolver tudo – antes ela vai dar um pulinho em Washington, depois Toronto, depois Washington again, então só pra depois do dia 15 ela poderia resolver tudo – mas ia escrever pra mulher na mesma hora. Isso, tia! Bate nela!

Estava tentando colocar Formiga Irmã como minha dependente (como se faz com cônjuges e filhos), mas é impossível. Na certa a mulher pensou: this fucking latins wants to came and bring the whole family, let me scare them with lots of taxes!.

Minha orientadora de lá é simplesmente presidente da Associação norte-americana de História – ou algo desse tipo, a ANPUH deles. Foda ba garái.

Meu orientador fofo brasileiro – tenho até comunidade em homenagem a ele no orkut! Além de comunidade “eu amo meu orientador”. Ahahaha – deu um pulinho aqui no Brasil, mas voltou pra França, onde ele está fazendo pós-doutorado.

Isso é poder, o resto é merda. Quem sabe um dia eu chegue perto disso...

Não vou conseguir moradia na NYU mesmo (e eu, tolinha, achando que se conseguisse seria totalmente di grátis...). Sendo assim estou vendo quartos no Queens – minha primeira opção – entre 400 e 600 dólares (o que é a metade da minha bolsa, mas zuzu bem). Ou quem sabe algum quarto em Manhatam, que, mesmo sendo mais caro, economizaria no “da passagi”.

Quem precisa de guia quando se tem leitores(as) maravilhosos como vocês? Essa moça me mandou um e-mail que é melhor que o Guia da Folha! Até endereço de supermercado barato eu tenho e já sei que o brócolis e a couve flor são vendidos crus nas salad bars (foda-se, contando que eu não tenha que me entupir de fast food eu como até nabo feliz da vida). Também já tenho um convite para conhecer a casa dela, perto de NY. Já guarda meu peru no Thanksgiving, moçal! (just kidding) – que, pelo visto, vou passar aí, pois vou pedir um adiamento pra agosto e com isso fico até dezembro. Oba! Será que eu, finalmente, vou ver neve?

Também vou passar meu aniversário em NY!!! Será que eu terei amiguinhos? Ou será que passarei chutando latas no Central Park?


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Chegou minha primeira compra na Amazon! Não, eu nunca tinha comprado livros na Amazon. Compro bastante livros na internet, mas sempre por sites brasileiros, que você transfere o dinheiro e não precisa pagar com cartão. Sei que a amazon também tem essa opção de boleto, mas estreei meu cartão de crédito internacional! Chique no úrrrrtimo!

Qual o livo? “Zuckerman Bound”, do Phillip Roth, uma Trilogia + epílogo. Nessa saga ele conta a história do Zuckerman que é um escritor que tem sua vida confundida constantemente com sua literatura. Exatamente uma das questões que eu abordo na minha tese sobre o Rubem Fonseca. Aliás, ele “me deu” a dica nos livros dele. Boa oportunidade pra eu treinar meu ingreis.

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Eu vou para Nova Iorque! Buda gui bariu, babai! New York! Não, eu não vou me acostumar com a idéia! Eu sou criança pequena lá de Gotham City! Sou da roça! Vou ficar que nem o Crocodilo Dundee, babando em frente aos predião de vidro! Ê, lasqueira! Ê, nóis!

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Por falar em tese, como se não bastasse todas as preocupações de ordem burocrática eu preciso escrever: 1 relatório + 1 capítulo até antes da viagem. Eu tenho passado os dias tomando providências, fazendo coisas, ligando pros lugares, entrando em sites de moradia como o Craiglist e o Easyroom, respondendo e-mails, além de surtando de vez em quando...a que horas eu vou fazer essas coisas? De vez em quando eu desacordo na frente da TV – que agora só fica ligada na CNN, quem sabe dormindo eu improve my english por osmose?

Sério, eu estou quicando de ansiedade! Durante o dia é uma ansiedade boa, do tipo confiante. A noite, antes de dormir é: daqui há dois meses, no máximo, eu estou sozinha em NY. Se minhas malas extraviarem? Se eu não conseguir sair do aeroporto e viver como o personagem do Tom Hanks em "O terminal"? (sim, aquela história é verídica). Se um desconhecido jogar drogas na minha bagagem de mão enquanto eu tomo um café no aeroporto e eu for presa e for pra Guantánamo? Se eu tiver o meu passaporte roubado no vôo, que nem minha ex-cunhada e passar horas numa salinha com policias maus?

Vocês juram que eu vou dormir no vôo, né? Vou ficar trincada, com o passaporte na barriga – naquelas bolsinhas – olhando pro teto e enchendo o saco das aeromoças.

Quando eu penso que até o filho do meu orientador, que tem 10 anos de idade, vai pra NY sozinho – com alguém para pegá-lo no aeroporto, claro – desde os 8, e que os filhos mais velhos dele vinham de Moçambique pro Brasil com escala em Angola (dormindo no hotel, levados por uma aeromoça) com 4 e 6 anos, enquanto ele estava exilado e não podia vir, eu realmente tenho vergonha de mim.

Não é que eu tenha medo do avião. Não é isso. Aliás, eu não tenho medo da maioria das coisas racionais que as pessoas normais teriam medo – tipo ataque terrorista, acidente. Eu tenho medo só de troços absurdos. Mas que são muito mais difíceis de serem explicados, porque as pessoas ficam rindo de mim e achando que eu sou louca. Quero dizer, até sou. Mas não por isso.

Tenho medo de pegar o vôo errado e ir parar em Pequim. É sério, cara. Não riam.

E o que você está fazendo aqui escrevendo, Carrie? Relaxando, meus caros. Desabafando.

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Nem comentei aqui, mas essa bolsa veio na hora certa por uma série de motivos. Eu estou entregando meu apartamento no Rio. A obra ficou uma merda, tá dando um monte de problema, estou sem água quente e esse episódio todo me fez antecipar uma decisão de entregar o apartamento. Afinal, meus compromissos diários com arquivos, aulas e faculdade já terminaram e eu tô só por conta de escrever – coisa que posso fazer em qualquer lugar. Além disso, ano que vem serei uma Doutora, uma PhD e...desempregada. Portanto, preciso me coçar e economizar para os tempos de dureza que virão. Gotham City está me acenando com algumas propostas interessantes, sem contar que eu devo tentar concursos pra universidades em diversos locais, nada garantindo que eu vá ficar no Rio. So, what the hells I am doing in Rio? foi o que pensei. Nada que eu não possa fazer em Gotham. Aí vem essa notícia bomba. De Gotham City para New York City. Só uma pequena diferença.

Mas ainda estou com o apartamento do Rio – ainda que quase inabitável. No momento estou em Gotham e volto pra ter aulas de inglês com minha crazy teacher (não deu tempo de contar do outro assalto que ela sofreu e como ela enfiou a porrada no assaltante, além do maravilhoso bolo de cenoura – cuja receita foi parar nas mãos do Claude Troisgros - que ela levou pra comemorar a conquista da bolsa, junto com uma garrafa de vinho, nem dos professores amigos dela que também foram: um neozelandês, outra inglesa que se conheceram dando aulas no Japão e ficaram tentando me acalmar dizendo que eu vou conseguir me virar com o inglês que eu tenho).

Mas todos eles meeeeentem pra mim e eu tenho medo de surtar e ir viver com mendigos nos metrôs de New York.

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Tô achando o orkut uma merda. Não consigo adicionar ninguém. Tem pessoas que sequer consigo postar recados se não sou amiga – então como dizer: oi, me add aí? Tem comunidades patrocinadas por lojas (?), comunidades iguais multiplicadas, porque as pessoas brigaram…tipo, a facilidade do orkut era falar com as pessoas. Não consigo mais falar com ninguém. Portanto me adicionem e depois coloquem um alô. Se vocês pedirem pra me adicionar muitas vezes eu não consigo nem responder – a não ser na minha própria página.

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Tirando a carteira internacional de estudante, estendo meu comprovante de que sou aluna de doutorado em história. A mulher – uma senhora – olha e cai na gargalhada:

- História? Vai gostar de história lá não sei onde! Fazer pós em História?

(Silêncio)

- História…hahahaha…

(Silêncio)

- História, Geografia, Filosofia…é muita doideira pra minha cabeça!

Como assim, minha senhora? Doideira? A tia Teteca dava história. A tia Teteca não é doideira. E se fosse engenharia elétrica, aí tudo bem? Química? Quer mais “doideira”(u-hu) do que estudar química?! Tipo, qual a lógica?

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Preciso de dicas dos(as) professores(as), tradutore(as) que me lêem de bons dicionários online. Português-inglês, inglês português e inglês-inglês. Também queria uma dica de dicionário – virtual ou não – de phrasal verbs. Meu pesadelo são phrasal verbs. Como uma partícula ridícula pode às vezes mudar o sentido de uma palavra que você sabia???

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Queria falar mais um monte de coisas, mas o tempo RUGE como um leão faminto no meu calcanhar.

Eu já deveria ter aprendido que as coisas acontecem de forma aleatória e inesperada. Claro que você tem que se esforçar. Se eu não tivesse mandado o projeto, se não tivesse feito doutorado, nada disso estaria acontecendo. Mas o que te leva a determinadas coisas é quase sempre o acaso. Tudo pelo qual eu sonhei muito, lutei muito, esperei muito eu não consegui – tá, NY sempre foi um sonho, mas não pensei que fosse vir desse jeito. As coisas nunca acontecem como a gente planeja, mas nem sempre isso é apenas ruim.

Tem horas em que não adianta se debater pelas coisas. O melhor é ficar parado, pois a melhor forma de ser encontrado – por uma coisa, um amigo, um emprego, um amor – é ficar parado. Se você anda, às vezes a coisa também anda e vocês nunca vão se encontrar. Que nem criança quando se perde na multidão. O melhor conselho é: fique parado, porque vão te achar.

O problema é que isso não é regra. Às vezes é preciso andar. Como saber as horas de andar e de ficar parado? Ninguém sabe.

quarta-feira, junho 04, 2008

Tchãn, tchãn, tchãn, tchãn!!!! And the winner is...

Hahahaha...eu nunca tive tantos comentários em tão pouco tempo quanto no post abaixo! Ok, bando de curiosAs. Eu falo. Mesmo porque agora já é oficial: CONSEGUI A BOLSA SANDUÍCHE QUE EU ESTAVA TENTANDO E VOU PARA NOVA IORQUE ESTUDAR NA NYU DE JULHO A OUTUBRO!!!
Bom, ganhar uma bolada de herança deve ser mais legal para alguns de vocês, mas isso pra mim é o que de mais legal poderia acontecer na minha vida agora. Isso é meu sonho. Ir pra NY estudar com uma bolsa. Conhecer a Grande Maçã e ainda por cima enriquecer meu currículo. E finalmente adquir um pouco de fluência no meu inglês macarrônico (aí só fica faltando umas 4 outras línguas). Isso sempre entrou na minha lista de coisas pra fazer antes de morrer e coisas desse tipo.
E foi muito surreal, porque eu tinha certeza absoluta que não ia conseguir (eu sou a prova concreta de que O Segredo não existe). Tomei um susto enorme. Parece que a qualquer momento eu vou acordar. Sei lá. Tenho medo de coisas muito boas.
Tô correndo contra o tempo pra aprontar tudo. Estou pedindo visto de emergência e tenho que ver formulário e mil coisas. Sem contar moradia - caro pra caralho, estou tentando ficar no alojamento da NYU. Além de coisas que eu tenho que deixar prontas aqui no Brasil - relatório, capítulo...
Minha orientadora lá é uma fofa. Fala português perfeitamente - ela é especialista em história brasileira. Uma judia do Brooklyn. Tipo a Barbara Streissand.
Meu orientador, o mega-fofo-dos-fofos, terminou o último e-mail dizendo: "os EUA se curvarão diante de você". Hahahahah (a pessoa já é megalomaníaca e ainda encontra um orientador idem que a estimula, dá nisso).
HETIIIIIIIIE! Você vai me visitar em NY? Sim, porque com a minha bolsa não vai dar pra eu ir até Miami.
E aí, vocês tem amigos, irmãos, conhecidos em NY? De preferência que tenha um mega apartamento no Upper West Side de frente pro Central Park e se pareça com o Mr Big? (Mr Biga não, porque eu nunca gostei dele. Com o Aidan). Tenho leitores em NY? (pelo meu dedo-duro de acessos acho que não). Qualquer dica será bem-vinda.
Pra quem quer dominar o mundo, NY é um bom começo, não acham?
NY, ready or not, here I go!