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segunda-feira, outubro 13, 2008

Eu ia dizer que ninguém merece, mas é mentira. É claro que a gente merece. O Lula de braço dado com a estátua de Dom Quixote. Fantástico. Sensacional.

O que, aliás, casa perfeitamente com as declarações de que o Brasil não tem motivos pra temer a crise mundial.

Claro que nããão, Lula.



* * *



Eu sempre soube que eu ia ver o fim do mundo. Só não sabia que ele seria tão rápido. Aliás, antes vamos passar um período trocando cabras e galinhas.

Comentário de Formiga Irmã:

(Eu) Baru, o mundo vai acabar!

Formiga Irmã: Ah, claro. Já não era sem tempo.

Quero mais é que se acabe tudo. Só espero que a aviação mundial não quebre e eu fique presa aqui. Só deixa dar tempo de eu ir me embora pra Pasargada - a minha Pasargada, que não é o Brasil. Quer dizer, é mas não é.

terça-feira, julho 22, 2008

Detonando a minha paciência


Não desistam de mim. Eu estou aqui.


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Relatório mandado. Bati todos os recordes de velocidade de feitura de relatório esse semestre. Espero que a pós não resolva bater todos os recordes de cancelamento de bolsa – ainda que eu só vá recebe-la na volta (você não entendeu nada? Esquece...)

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Eu fui a um show dos Detonautas. Depois dessa informação há alguma justificativa que atenue o feito? Não. Nada justifica o comparecimento a um show do Detonautas. Mas se seve de consolo, já foi pior: já fui a um show do Rio Negro e Solimões e a justificativa era a mesma: estava em Pasárgada e lá todos fazem coisas incompreensíveis que não fariam em seus logradouros costumeiros.

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A melhor coisa da noite foi ver o vocalista esculachando o público porque ninguém tava nem aí pro show. Meu amigo, você não ta enteindeiiiindo. Eu vi Herbert Vianna, um dos maiores músicos desse país, voltar para o bis numa cadeira de rodas e dizer: “vocês não pediram, não, mas eu vou tocar mais uma mesmo assim”.
Não vi - mas minha mulher viu - Los Hermanos ser esculachado em Pasárgada.
Acho que até o Chico Buarque periga ser esculachado lá. Os shows - como tudo o resto que acontece em Pasárgada - são mero pretextos para se beber pinga. A vida é o que acontece entre uma pinga e outra. Filhos, casamentos, empregos, tudo isso são acidentes de percurso em direção ao objetivo maior que é encher o rabo de cachaça. Não é nada pessoal. É cultural.
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E ainda ficaram zoando, cantando trechinhos de músicas sertanejas – “há uma nuvem de lágrimas sob os meus olhos...” e funk – “ado, ado, cada um no seu quadrado” e “creu, creu” e dizendo: “não é isso o que vocês gostam? Isso é cultura popular”.

Ôpa! Peraí! Deixa eu ver que eu entendi: funk e sertanejo são lixo e Detonautas é legal porque é rock? Olha que eu prefiro rock aos ritmos citados, mas prefiro qualquer funk aos Detonautas. Qualquer.

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Creeeeeeu.

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Ai, que saudades dos Mamonas. Nada pior para uma banda de rock do que se levar a sério e vim pagar pau no meu sábado. Perto de zero grau e eu ouvindo o sujeito bradar sobre música popular brasileira na beira do rio...ah, meu amigo. Num fode. Subi sozinha pra casa - e a cidade é tão grande que da minha cama eu continuava a escutar as bandas subsequentes e um animado locutor que perguntava: "cadê a torcida do Vasco???".

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Na ida, enquanto tentava a incrível façanha de entrar com uma garrafa de Rum Motila no sobretudo - afinal, vocês não imaginaram que eu faria essa incrível façanha de ir a um show dos Detonautas no pleno gozo de minhas faculdades racionais, sem nenhum tipo de auxílio entorpecedor e anestesiador, né? - sem que as guardinhas me pegassem na revista, tentávamos identificar os Detonautas. Eu sempre confundo com o TPM 22 ou Tianastácia ou qualquer outra banda teen que conjugue letras e/ou personagens de HQs ou desenhos animados. Formiga Irmã manda: “não é aquela banda que o cara fez uma lipo e ficou prejudicado”. “Nããão” – bradamos em uníssono. Essa é a LSJack. Uma banda quase tão ruim quanto essas outras duas, cujo cara é primo do Jota Quest – outra bosta (ah, eu sei que vocês gostam, mas eu detesto, sorry).

Gente. Não é querer rir da desgraça alheia, nem querer ser machista, mas...esse cara ter feito lipo e ficado bobado depois, foi das piadas mais negras da música brasileira. Tipo: lipo é coisa de viado. Pronto. Falei. Homem que é homem não faz lipo. Não faz mesmo.

(Aliás, acho que mulheres que são mulheres também não fazem lipo. Mulheres que fazem lipo em geral precisam lipoaspirar outras partes da sua anatomia – como o cérebro, por exemplo – já que eu nunca vi uma lipo bem sucedida nem um trevo de quatro folhas. Lipo é satanismo e o Brasil é um país católico).

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Encomendas de memórias de viagem de Primo Poeta e demais amigos fãs de Ramones: ir ao finado CBGB, onde os Ramones tocavam; na casa de alguém dos Ramones (que eu esqueci) no Queens; e na esquina onde alguém dos Ramones (que eu também esqueci) fazia programa e em outra esquina de uma outra música dos Ramones (que eu também não sei qual é e estava muito bêbada para me lembrar). Tirarei fotos, comprarei uma cerveja, gritarei Hey, ho! Let’s go! tomarei, darei um arroto e quebrarei a garrafa na calçada.


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E também preciso ir a um ashram fazer um retiro espiritual. Afinal, antes de ir pra Índia eu preciso ir treinando em terra firme. Se lembram das minhas “oito coisas para fazer antes de morrer”? Pois é. Tô ficando com medo, porque estou conseguindo realizar quase todas (menos o biquíni P branco). E se eu realizar tudo e morrer? (é verdade que eu sou modesta em minhas metas...)

É, eu sei a resposta, são apenas elucubrações retórico-paranóicas. Mesmo porque eu acho que pra eu ser fluente em todas as línguas que eu quero será um projeto pra vida toda.

E tipo: o antes de morrer é apenas uma hipérbole, né?

Me lembrei de quando eu tinha 8 anos e existia a caneta Replay e uma amiga me disse que se eu passasse aquela borracha azul na boca eu morria com 9 anos. Sérias crises de pânico depois disso.

Não riam. É muito sério isso. E verdade.

Criança é bicho ruim e sem coração.


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Aliás, minha roommate é budista. E tem uma escultura gigante de um anjo no meu quarto de NY. Tipo: é o Universo conspirando para a minha conversão? Fazendo piada? E se eu virar mala? Será que meu destino é ser mala? Sempre desconfiei que Deus tem um senso de humor meio estranho – afinal, pra ter criado este planeta...

E também to lendo um livro que a mulher é uma jornalista de NY, mas vai pra Índia. Mas depois eu conto sobre isso.



domingo, maio 04, 2008

Descendo de outras montanhas...

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.
A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.
De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!
(Drummond - Confidência do Itabirano)