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domingo, agosto 10, 2008

sábado, agosto 09, 2008

Erguendo-me sobre mim mesma


“Poucos segundos na vida são mais libertadores do que aqueles em que um avião levanta vôo para o céu (...) Há nessa decolagem também um prazer psicológico, pois a velocidade da ascensão da aeronave é um símbolo exemplar de transformação. A exibição de força pode nos inspirar a imaginar mudanças análogas, decisivas em nossa própria vida; imaginar que um dia nós também nos possamos erguer acima de grande parte do que agora se encontra ameaçador sobre nós”


(BOTTON, Alain de. "Partida. Dos locais dedicados aos viajantes". In: A arte de viajar. Rio de Janeiro: Rocco, 2003).



Mala: 26 kg e 600g. Foi o máximo que deu pra fazer, Raquel – ou melhor, o mínimo. Levando em conta que o limite são 32 – ou 35, não sei, tá de bom tamanho (literalmente). Essa é a terceira viagem internacional que eu vou fazer. A primeira para um longo período. Vou ficar 4 meses. Menos do que isso, só se eu fizer que nem o Ronaldinho que só vai com o cartão de crédito (mas eu chego lá).

Alguns itens: guia de NY, dicionário bilíngüe pequeno (consegui deixar o grande e a gramática! Yuppie!), “Guia de conversação para viagens”, um caderno grande para eu fazer um diário (e 4 bloquinhos), um estojo de canetas; I-pod (recheados de músicas para meditação, Sons da Natureza, barulhinhos de grilinhos, de água caindo, vento, fogo, New Age, Enya, Mestre de Rose...sim, eu sou dada a essas viadagens). Pequenos amuletos da sorte - ou fé, como preferirem.

Documentos xerocados, autenticados, conferidos e reconferidos. Técnicas ninja, do Clã das Formigas Judias Voadoras do Vale do Paraíba e Serra da Mantiqueira ativadas. Deixei uma pasta para Formiga Irmã e outra para Formiga Mãe, conferindo amplos poderes formigais para questões de cunho formiguístico. Espero que elas não se aproveitem para vender Versailles.

Estranhamente estou calma. Afinal, gastei toda a minha cota de nervosismo. Fiquei nervosa à vontade. Fui ao fundo do nervosismo e da paranóia. Agora, acabou.
Passô, passô como diria Didi Mocó.

Curto cada minuto. Afinal, o melhor da festa é esperar por ela.

Estou indo rumo a maior aventura de toda a minha vida. Até hoje. Elas serão muitas e muitas, ainda.

A primeira escova inteligente a gente nunca esquece


Agradeço as molieres do meu Brasil varonillll que comentaram em massa no post abaixo. Fiz e ficou ótimo! A mocinha realmente conseguiu deixar o cabelo exatamente na dose que eu queria. Ela deixou uns quatro dedos nas pontas sem o produto. Ficou beeeem natural. Com um brilho e balanço de comercial de xampu. Sou praticamente uma das Panteras. Karine disse que eu deveria colocar uma foto aqui, mas também não é pra tanto. Quando eu colocar as fotos de NY vocês verão.

Mas confesso que eu tive um certo medo quando comecei a sentir aquele cheiro de formol bizarro (sim, tinha formol, apesar de ser de cana de açúcar, mas pouco. Se não tem, não é inteligente), meu olho começou a arder e eu vi a mocinha vindo com uma máscara cirúrgica e ligando um ventilador na minha direção (num frio danado)...ai, ai, ai..comecei a me ver no Jornal Nacional: “Mulher de 31 anos vai parar no hospital por conta de tratamento capilar”. Daí o William Bonner anunciaria Carrie White, que se preparava para ir para Nova York, teve sua viagem prejudicada ao se submeter a uma popular tratamento para os cabelos”. Imaginei meu orientador me dando um tremendo esporro: “Prezada, acho que você perdeu o juízo de vez”. Graças a Deus nada de mal aconteceu.

Descobri também uma tal de escova Marroquina – mesmo efeito da inteligente, menos tempo, mas muito mais cara – e uma Egípcia. A Italiana eu também conheço. Volta ao mundo em 80 escovas.

E..tipo...bizarro você passar o produto, escovar, piastrar (passar piastra, prancha...) – nesse momento seu cabelo tá uma palha de aço e você acha que nunca mais ele será como antes – e depois lavar o cabelo. Parece que você pôs tudo a perder. Aí o cabelo surge – uou – renascido das trevas. Macio e brilhante. Como eu não sei. Ah, os mistérios insondáveis da modernidade.

***


Vendo parte da abertura dos jogos olímpicos eu pensei: 1) Eu tenho muito medo da China. Mais do que eu tinha da URSS quando eu era criança (sim, eu fui uma criança atormentada pela Guerra Fria, que vivia com medo de alguém apertar o botão vermelho sem querer, quem sabe confundindo com o interruptor, e ir tudo pelos ares. Pra vocês verem como foi dura minha infância. Ameaça de bomba atômica, caneta Replay que matava aos 9 anos...); 2) Eu tenho medo do Pedro Bial com suas crônicas pro Jornal Nacional. Manera, Bial. Manera. Nelson Rodrigues foi um. Concentra no BBB, cujas crônicas são sempre acertadas – apesar de nenhum participante entender nada.

Amanhã Tiagão nada! U-hu! Tomara que ele derrote o Phelps. Eu vou estar lá dos States e vou gritar: “he is from my city!!! My Sister Ant was his teacher! He used to swam at the same club that I drunk!”.

Vai lá, garouuuto. Se ele ganhar medalhas eu coloco a foto dele aqui em casa, moleque, num aniversário de Fu Sis.

***

E a Rússia, hein? Invadiu a Geogia. Que coisa.

***

Dois dias. Eu durmo hoje, aí durmo amanhã, durmo depois de amanhã e chegou. Aí não durmo no avião e não sei qual será o próximo dia em que vou conseguir dormir. Dezembro, quem sabe?

quinta-feira, agosto 07, 2008

Carrie no país das vacinas - quatro dias.

Ah, como eu amo a medicina moderna e sua capacidade de conferir a aparente ilusão de controle sobre o universo! Como diria Roberta Carvalho, não é que eu seja hipocondríaca. Eu apenas gosto de ter minha saúde atestada por laudos técnicos minuciosos que são repetidos anualmente. Sim, resolvi me render às vacinas, afinal, aqui é di grátis, e, como diz o ditado, de graça até injeção na testa.

Em primeiro lugar resolvi me informar com um médico. Achei uma clínica de pediatras e imunologistas (onde, por acaso, atende um dos médicos que carimbou minha cartela de vacinação da infância). Tentei marcar uma consulta, mas a atendente disse que não podia incluir meu nome no sistema em função da minha idade (pensei em fazer como Lacan e cochichar no ouvido dela que na verdade eu só tinha 5 anos – o que minha Peposa podia confirmar -, mas ela não ia acreditar). Graças às vantagens de se morar em uma cidade pequena (sim, porque no final das contas, Gotham City é uma província. Tudo se resume a conhecer o Batman, o Curinga e o Prefeito), uma das pediatras da clínica é mulher do ex-sócio do meu pai na clínica que ele tinha. Lá vou eu tentar falar com a mulher.

Pra variar, ela estava atrasada (vocês conhecem algum médico que chegue no horário? E ainda dão desculpa que é porque o paciente atrasa...). Mas tinha uma enfermeira dando bobeira e a atendente achou melhor que a gente falasse com ela. A enfermeira tinha trabalhado 300 anos no hospital onde meu pai trabalhou, conhecia ele e tale cousa.

Eis que um novo mundo se abriu para mim. Um mundo mágico, repleto de siglas, letrinhas, numerozinhos e, o que é mais importante, a certeza de que por trás deles eu estaria protegida de todo mal para todo o sempre, me transformando no Highlander, o guerreiro imortal.

Pra começar, a enfermeira me botou o terror dizendo que eu precisava de um up-grade urgente nas vacinas. Realmente eu teria que tomar a segunda dose da MMR (também conhecida como SCR – Sarampo, Caxumba e Rubéola, que também possui a simpática alcunha de Tríplice Viral). Fora isso a mulher ainda disse que eu precisaria tomar a Tríplice Bacteriana DTP (adulto). Mas que em postos de saúde eles só dão a “acelular”, que dá muito efeito colateral (a pessoa fica prostrada), e ali na clínica eles tinham a sem ser “acelular” (celular?), ou ao contrário, mas tinha acabado. Além disso, as da clínica são pagas e Salim não gasta dinheirinha podendo fazer de graça, então falei que ia no postinho e tomava.

Não contente a mulher continua: “Você não tomou Hepatite A e B, não? Tem que tomar, hein? Pros Estados Unidos eles pedem! Esses dias eu vacinei um casal que tava indo. Quando você vai? Iiiihhhh, não dá tempo! Menina! E Anti-tetânica? Meu Deus. Meningite também era bom, no posto eles não dão e aqui ta 150”.

Humm...

Minha hipocondria tem limites. Financeiros, particularmente. Num rompante – raro – de lucidez, disse: “Não, dona, eles só pediram a MMR e vai ser só essa que eu vou tomar”. Agradeci e rumei para o postinho (não com o desejo de que, na volta, eu tome tooooodas as vacinas e aí serei uma pessoa imunizada, forte, invencível, gostosa, caber num biquíni branco P...).

Chegando ao postinho tinha um rapaz na minha frente. Rapazote, como diria papai. Eis que o rapazote entra e eu falo com a enfermeira que queria receber a MMR porque estava indo pra uma universidade no exterior que me exigia. Daí ela se vira: “você tá com esse rapaz que entrou?”. Eu: “não!”. “Ah, porque ele também tá indo pra uma universidade nos EUA e precisa tomar vacinas”.

Heeeein? Como assim, Bial? O CNPq indicou um postinho em Gotham City pras pessoas se vacinarem? Quando o moleque saiu lá de dentro eu não resisti e puxei papo:

- É você que está indo pros Estados Unidos?

- Sou, sou eu sim – dizia o garoto, enquanto apertava o algodão no braço. Vou pra Califórnia.

- Que legal! Eu to indo pra NY!, responde Carrie, a Sociável. O que você estuda?

- Engenharia da Computação.

- Ah! Eu faço doutorado em história e ganhei uma bolsa...

- Sanduíche? – me interrompe o rapazola.

- É! Bolsa sanduíche pra História. E você, é o quê? (pela aparência ele não devia estar nem no segundo grau).

- Sou da graduação. Vou fazer uma bolsa tipo a sanduíche, mas pra terminar a graduação.

- E a Califórnia é o melhor lugar pra sua área, né?

- Ah é. Eu vou pro Vale do Silício. Vou fechar com chave de ouro!

- E você estuda onde?

- Itajubá, respondeu ele.


Nos despedimos e desejamos boa sorte um ao outro. Nem o nome dele eu fiquei sabendo.

Caralho. Vale do Silício. Vocês têm noção do que é o Vale do Silício, plebe? É simplesmente onde estudam/estudaram (ou não terminaram os cursos porque foram contratados por grandes empresas antes ou ficaram milionários ou as duas anteriores) a maioria dos grandes caras da computação. Os inventores dos grandes softwares e computadores que a gente mexe hoje em dia. O Bill Gates, o cara da Apple, da IBM...simplesmente é onde nasceu a indústria computacional e onde surgiu a internet, basicamente.

Já pensaram? Eu posso ter me vacinado com o inventor do teletransporte! Ou do próximo meio de comunicação que vai mudar o mundo!

Na saída, pra Formiga Irmã: “aí meu Deus, nem vi se era uma agulha descartável ou se ela usou a mesma do garoto!”. Ela: “ah, não tem problema. Aquele garoto é limpinho. Nunca deve ter transado na vida”.

Pior é que é. Por pouco tempo. Quando ele for um milionário não faltaram filas de mulheres pra transar com ele. Ainda mais porque nerds tendem a ser mais atenciosos, legais e gentis do que o resto dos homens. Palavra de quem tem grande experiência com nerds – mas pouca com homens. Nerds se esforçam mais porque eles têm complexo de inferioridade com as mulheres.

A funcionária do postinho: “e você deu sorte! A gente não costuma abrir essa vacina, pois tem uma validade muito curta. Só seis horas. Só abrimos por causa desse rapaz”.

É o Universo conspirando!

Enquanto conversava com o garoto ele disse algo do tipo: “é a primeira vez que eu saio...”. Pude notar a ansiedade no tom da sua voz. Esse sentimento tão parecido com o que eu sinto (apesar de já ter saído, é minha primeira vez nos Estados Unidos).

E eu achando que eu sou a pessoa mais medrosa e paranóica que existe no mundo. Que arrogância a minha, não é verdade? Milhares de outros estudantes estão passando por essa mesma situação nesse momento. Experimentar o novo. E tantas outras pessoas estão experimentando o novo em diversas outras situações.

Ah! Além disso, chegou meu visto. Agora é só relaxar. Como diz Formiga Irmã que saiu e me viu dormindo depois do almoço: “tá com a vida ganha, hein Formiga”.

Tô. Pior é que tô.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Cinco (mas tem dias que parece um ano)

A nova tarefa da gincana rumo a NYU é "ache sua cartela de vacinação de 30 anos atrás". Que divertido.
Sim, meus caros. Pra vocês se matricularem em certas universidades de certos estados estadunidenses vocês precisam ter recebido aquela MMR (Caxumba, Sarampo e Rubeola). Claro, tem que haver comprovação. Caso você não tenha há 3 opções: fazer um teste sanguíneo provando que você está imune, tomar de novo, tomar de novo lá (não onde vocês estão pensando, mas nos EUA). Que, claro, não é de graça: U$ 50,00.
E se eu for contra vacinas? E se eu for adepta de uma medicina natural, ayurvédica, homeopata ou holística e for contra vacinas? O que eu faço? (Vai pra Índia! Quem mandou escolher os EUA?).
Achei minha cartelinha, Raquel! Veinha, com o nome do meu pediatra, o Zé Geraldo. Ela e nada é a mesma coisa - não tem uma assinatura decente, um carimbo...mas vai essa mesma. Nessa altura do campeonato não tenho como baixar em posto de saúde pra vacinar. Rubéola eu vacinei ano passado, mas não estou achando a cartela. Posso vacinar pra cada uma em separado ou é o pacotão junto? Amigo(as) médicos e da área de saúde podem me dar um help nisso?
Só sei que foda-se. Se não aceitarem eu mando me picarem, me vacinarem, cortarem, aproveitarem meu corpo pra ciência, qualquer coisa. EU REALMENTE NÃO ESTOU MAIS AGUENTANDO TANTA ENCHEÇÃO DE SACO. Hoje o mínimo que eu ouvi de Formigas Mother e Sister foi: "ai, meu Deus do céu! Por que não chega logo o dia dessa viagem pra essa menina ir embora!". Isso porque F. Mother deu ordens expressas a criadagem de Versailles para realizarem todos os meus gostos (leia-se: gastronômicos) pois era minha última semana. Tipo A Última Ceia.
Além disso, achei que o consulado tinha ficado com o meu DS 2019 só pra me sacanear e eu deveria ter tirado uma cópia. Mas aí eu escrevi para O Oráculo - que também responde pelo nome de Raquel - e ela me tranquilizou dizendo que ele chegaria pelo correio, junto com o visto. A Raquel é uma espécie de Senhor Miagui. Qualquer dúvida que eu tenho eu escrevo pra ela: "Raquel, quantas calcinhas eu devo levar?" e ela me responde. "Raquel, como será o meu almoço?". Ela responde. "Raquel, qual o barulho da palma de uma só mão?". Ela responde. "Raquel, qual a cura da Aids?". Ela responde. "Raquel, como solucionar o conflito no Oriente Médio?". Ela responde. Eu sei o que vocês estão achando. Que ela não faz nada da vida. Tolinhos. Ela trabalha mais do que eu e você juntos. Sério. Ela é foda bagarai. Povidenciarei camisetas "I coração Raquel", plagiando a de NY. Eu tenho pena de quem não tem uma Raquel pra ajudar. Eu vou lançar a idéia pro Obama de, além de um tanque pra cada família, cada estrangeiro tenha a sua Personal Raquel Tabajara. Aliás, a Raquel tem um blog, gente. Mas ela não libera o blog pra ninguém (ôpa! Sem duplo sentido). Nem pra mim. Vamos fazer uma campanha: "Ô, Raquel! Libera o blog!" (sem duplo sentido, por favor, mentes imundas). Mas acho que é em inglês, não sei se servirá a todos. E agora sim é que ela vai morrer de vergonha e não deixar eu ler nunca. Isso porque ela escreve suuuuuper bem. Mas ela acha que ainda não está bom. Como diz Formiga Mãe, "A Raquel deve estar pensando: maldita hora em que eu conheci essa louca". Pensando bem ela vai sair correndo de mim quando eu chegar nos EUA (não eu não a conheço ao vivo, só por telefone e e-mail).
E já tenho meu primeiro compromisso estudantil agendado: um workshop de chegada, obrigatório, antes do semestre começar (setembro). Para alunos estrangeiros. Nele, dicas serão dadas. Fora isso, tem um tutorial multimídia com uma locutora que fala tu-do beeeem ex-pli-caaaa-do - eu sou brasileira, não surda, nem débilóide, minha senhora! - além do texto escrito do lado. No mês todo de agosto teremos workshops para socializar os alunos estrangeiros. Eu vou em todos, claro. Nos não pagos, pelo menos. Formiga Irmã diz que eu sou muito sociável. A primeira vez em que eu ouvi isso eu quase engasguei de tanto rir, mas é possível que isso seja verdade. Eu sou sociável com estranhos. Tenho dificuldades é com proximidade excessiva. Principalmente com parentes malas.
Aí tem as fotos dos encontros dos anos anteriores. Só minoria étnica - aliás, o vídeo todo é narrado por paquistaneses, tibetanos, chineses...como diria a Taty Quebra Barraco, eu sou feia, mas tô na moda! Nóis é terceiro mundo, mas tá na moda. Eles precisam mais da gente do que nós deles. Afinal, eles precisam provar que valorizam a diversidade cultural, bla bla bla, que são um ambiente multicultural, bla bla bla...mas enfim. Aí rola uma recepção no final.
Sim, eu sei o que vocês pensaram. É melhor eu não beber, né? Se não vou começar a querer puxar a burka da Afegã (ôpa! Sem duplo sentido), experimentar, xingar o chinês de comunista de araque empregador de mão de obra escrava, dar tapa na careca do Hare Krishna...melhor me manter sóbria. Eu, bêbada, viro o Bóris Yeltsin.
Então oremos, irmãos, para que as surpresas de hoje sejam todas boas (quem sabe meu visto chegue).
Vou dormir.

terça-feira, agosto 05, 2008

segunda-feira, agosto 04, 2008

domingo, agosto 03, 2008

Oito dias

Espelho, espelho meu: existe alguém mais feliz do que eu?

sábado, agosto 02, 2008

Counting down: 9 days.


Meu colunista social local preferido hoje recheou a coluna de fotos de viagem de uma casal que terá filhos em breve. Foto dos casal em Curitiba, em Bananal, em vários lugares. Nem é foto de casamento, nem de lua de mel (acho). Ele “de tradicional família de Vassouras”. Eu não canso de me surpreender de como o mundo é estranho. E Gotham City, então, muito mais.

Acho que vou mandar umas fotos minhas de NY. Aí ele vai publicar e dizer: “a leitora Carrie White, que nos acessa de NY, onde complementa os estudos da sua tese de doutorado”. Claro que eu vou lê-lo de lá.
Ai, ai. Tanta merda para aprender em tão pouco tempo...

***

Minha mala está pronta há quase um mês em cima da outra cama do meu quarto em Gotham City. Claro que todo dia eu mexo nela. Boto coisas, tiro coisas. Hoje vou desfazê-la todinha e refaze-la. Formiga Mãe fica me tentando. Dizendo: “mas você não vai levar essa saia?”. Pô, minha sainha fifties total, rodada, faz mó volumão...tá, posso até por, mas vai ter que sair três.

Coisas que preciiiiiiso levar: secador de cabelo. Não que eu me importe em fazer escova todos os dias (que eu sei fazer muito bem, modéstia à parte), mas já imaginaram aquele friozinho novaiorquino de outubro/novembro e eu saindo com cabelo molhado? Pneumonia galopante na certa.

Outra dúvida é sobre dicionários. Eu sei que na universidade terão zilhões de dicionários para consulta, sei que existem dicionários online, mas...eu preciso de um dicionário comigo (junto com meu kit anti-terrorismo). Aí estou em dúvida: tenho um pequeno, português-inglês; um médio, Longmam, inglês-inglês e dois grandôes, um português-inglês e o outro inglês-português. Acho que vou levar o português-inglês e o inglês-inglês. No caso de escrita, principalmente, eu sempre faço o seguinte: olho a palavra que eu quero dizer no português-inglês (calma, tradutoras. Não tenham um ataque) e olho no inglês-inglês pra ver se o sentido é o mesmo. Tem dado certo.

***


Farmacinha completa. Naldecoms Dia e Noite, Antialérgicos, analgésico, Sal de Fruta Eno em embalagenzinhas individuais (pra não acharem que é cocaína). Sim, eu sei que eu estou indo pro país dos remédios, mas até eu tentar me entender na farmácia... E mais outras drogas legais, todas com suas devidas receitas. E quase tudo na mala grande. Só um aprazolamzinho básico no bolso, pra modi evitar um André Gonçalves Mood.

Minha amiga Dani, farmacêutica, fica apavorada. Mas metade dos remédios é só por garantia. São quase como amuletos. Eu sei que eles estão ali caso eu precise, logo acabo não precisando. Entenderam?

Meu vôo é direto Rio-NY, apenas com escala em SP. Que bom. Outra paranóia recorrente é que eu me confunda nas conexões, pegue um avião errado e vá parar em Pequim. O que não seria de todo mal, já que eu aproveito e assisto aos Jogos Olímpicos.

Outra aflição que eu tenho é da sala de embarque. A sala de embarque parece o limbo – que, como a gente sabe, foi abolido, juntamente a Plutão, pelo Bento XVI. Você ainda não saiu, mas também ainda não entrou. Foi numa sala de embarque pra Porto Alegre que eu fiquei sabendo do acidente da TAM em Congonhas. Com passageiros que iam pra Porto Alegre. E um pouco depois no vôo, recebo a agradável notícia, pelo comandante, de que estávamos sobrevoando POA, mas não tínhamos sido autorizados a descer, sendo necessário retornar à SP (que não tinha nada a ver com a história). Pensei: pane na aviação brasileira, tá tendo chuva de avião e eu vou morrer nesse momento.

Nada agradável.

Já sei: vou ficar postando no blog na sala de embarque pra relaxar.