Mostrando postagens com marcador Pensamentos na calada da noite. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pensamentos na calada da noite. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, novembro 10, 2008

Desejos incofessáveis

Vontade comer carne moída, arroz branco, feijão marrom, tudo gelado, misturado e com azeite - que nem o Jô Soares. Amassar grandes grãos de feijão e jogar um caldinho (aí pode ser quente). Caldinho de feijão. Humm, que vontade de comer/tomar feijão com mito caldo! Aqui eu até como feijão, mas é como salada - e tem menos variedade.
***
Sonhei com o Obama esse dias. E ele queria ficar comigo e eu dizia: "mas e a Michele, Obama? Isso não vai ser bom pro seu momento de vida. Vocês acabaram de chegar na Casa Branca, as meninas têm que se adaptar". Ai, ai. Até em sonho eu sou ajuizada. Qualquer uma se aproveitaria do momento pra se autopromover, mas eu não. E ele também estava no Rio e eu cuidava da segurança dele. E ele estava, ao mesmo tempo, em Andrelândia, e na Rocinha, e era criança e mulher (nesse momento ele não queria ficar comigo) e eu pensava "ah, se o Bin Laden sabe disso, hein, Obama?"

sexta-feira, novembro 07, 2008

Ficar muito tempo só com você mesmo faz entrar em contato com o melhor e o pior de você. Faz você pensar no que realmente importa e bla bla bla. E às vezes você não quer saber o que realmente importa. Não, não quer. Porque o que importa não está ao alcance. E ninguém entende. E se entendem também não faz a menor diferença.

Tinha escrito um longo e pessoal post, mas...tscah! Pra quê?

domingo, outubro 05, 2008

Putz! Pra arrematar filminho com Tom Hanks e Meg Ryan - aquele em que ele é viúvo e os dois marcam encontro no topo do Empire State (que nem naquele outro filme antigo). Aí fudeu de vez.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Why?

Eu perco meu tempo vendo comunidades de pessoas que eu nem conheço.

terça-feira, setembro 30, 2008

Fui deitar as 10 da noite, hoje (acho lindo quem deita as 10 da noite!). Meia noite e pouca, uma hora eu começo a rolar na cama (também despertada pelo cheiro da gororoba que Zorba está comendo). Pronto. Agora tô aqui, feito “que isso” como diria vovô João da Cruz – que morreu em 1964 e mal chegou a ver televisão.

Não adianta lutar contra certas coisas da sua natureza. Não adianta eu querer dormir muito cedo. A não ser que eu tenha ficado sem dormir na noite anterior fatalmente eu vou acordar.

Baseado nessa lógica pode parecer que eu preciso de poucas horas de sono, né? Ledo engano. Se eu durmo às 3 da madrugada, lá pelas oito quero matar quem quiser me acordar.

* * *

E hoje foi aniversário de Zorbitcha, nossa amiga El Greca. Comprei uma caixinha de Godiva, um cartão com aquele papo de vinhos que melhoram com o tempo e mulheres mais velhas (essas conversas fiadas que a gente fala por aí, assim como “homem não gosta de mulher magra” e “homem não vê celulite” e outras falácias paliativas contra a dura realidade da decrepitude feminina e mortalidade humana). Deixei na nossa Tábua da Comunicação. Ela chegou seis da manhã de domingo – ela realmente anda trabalhando demais, ela chegou às quatro da madrugada na sexta e saiu às oito no sábado, ficou vários dias fora essa semana e fim de semana foi esse mesmo ritmo. Sim, era realmente trabalho – seja lá o que exatamente isso seja.

Depois só fui encontrar com ela à noite. Ela veio me agradecer, disse que chegou tão cansada e viu aquele chocolatinho ali e o cartão (ah, também estava o aluguel do mês) e “oh, it was so cute”.

É, essa sou eu. Cute. Fofa. Nem todo mundo consegue ver. Afinal, meu cute (ôpa, sem trocadilhos, por favor) é pra poucos.

E ela deixou o Godiva na Tábua da Comunicação – que é também a tábua do compartilhamento: tudo que ela deixa ali eu sei que é pra mim e vice versa – e veio dizer pra eu comer também. Expliquei pra ela que eu tenho problemas com chocolate e quando eu como um eu como 1.000.000 e que eu estava passando por uma fase de rehab. Ela riu e disse que eu podia comer todo o resto, mas eu disse que não. Afinal o presente é dela, são poucos os chocolates e muito caros e muito gostosos (os melhores do mundo).

Mas isso é só pra vocês terem uma noção da generosidade de Zorba. Não toma banho, é verdade. Dividir um Godiva, para um chocólatra, é algo como os judeus e palestinos se sentarem e resolverem dividir Jerusalém ao meio. Se alguém me dá uma caixa de Godiva eu não divido nem o farelo.

Espero que ela seja generosa assim na hora de cobrar a estada de Formigas Mãe e Sister. A princípio ela tinha dito pra Raquel que cobra 85 dólares por dia por pessoa, mas acho que isso é pra dar uma assustada e não deixar a pessoa muito folgada – é sempre bom frear as pessoas folgadas; se há uma coisa que eu detesto, odeio, é incomodar os outros. E a segunda coisa que eu mais detesto é gente folgada. Depois quando falei com ela (expliquei que elas viriam e eu gostaria muito que elas ficassem comigo, mesmo porque minha mãe não fala inglês e minha irmã fala pouco), perguntando se ela não sabia de ninguém que quisesse alugar um quarto por aqui, ela disse que achava que poderia acomoda-las aqui, mas pediu um tempo pra pensar. Depois veio me dizer que pode, sim, recebe-las e que, inclusive, pode sair do apartamento para nos deixar mais à vontade. Quando perguntei sobre o preço ela disse que ainda não havia pensando e depois a gente via isso.

Os 15 dias restantes do meu aluguel ela também disse que “depois a gente vê”. Vou embora dia 15 de dezembro, mas tratei com ela desde o dia 1 de agosto. Porém, só cheguei dia 12 de agosto – azar o meu, né? Eu não esperava que ela não fosse cobrar esses 12 dias de agosto. Ao que tudo indica – eu posso até me enganar – ela não vai cobrar esse dias de dezembro baseado no fato de que eu cheguei dia 12. O envelope que eu deixo o pagamento já ta marcado que a partir de novembro ta tudo pago (eu paguei o primeiro e o último mês adiantados) e quando eu toco no assunto com ela, ela diz que “depois a gente vê, não se preocupe com isso...”.

Pode ser tudo um problema de semântica e eu estou entendendo tudo errado e ela vai me dar uma facada ao final.

Assim como meu amiguinho de conversação que me ligou sexta meia noite dizendo que estava pensando em mim e resolveu ligar, me chamando pra comer bagel as sete da manhã e dizendo que eu poderia ir ver um filme e jantar na casa dele qualquer dia desses. Apesar de eu ter certeza de que essa Coca era Fanta, essas informações me deixaram um pouco confusas, pois na minha terra isso tem outro nome. Mas atribuí ‘as diferencãs lingüísticas (apesar de que ele fala português). Mas, no dia seguinte, eu tive a confirmação da primeira impressão: realmente tratou-se de um equívoco lingüístico, um erro de interpretação da minha parte. O mancebo e eu gostamos da mesma coisa.

E fui jantar com outro amiguinho dele de orientação sexual similar a dele e uma menina, ao que tudo indica, hétero. Me senti em um episódio de Will and Grace.

E eu desconfio que eu seja a Karen. Ou o Jack.

* * *

O povo aqui tem mania de salada de espinafre crua. No Brasil, pelo menos no Rio e em Minas, é mais comum a gente fazer refogado – até uma clara de ovo misturada. Gostei muito. Até no supermercado, na sessão de verduras, onde você encontra tudo lavado e pronto pra comer, tem sacos e mais sacos de espinafre. E são mais baratos do que a alaface.

* * *

E o governo aqui tá tentando aprovar um orçamento de 700 milhões de dólares pra ajudar na crise financeira - como vocês devem ter visto melhor do que eu, que só assisto aos seriados. Hoje a TV do refeitório da faculdade tava ligada na votação (coberta pela CNN) e todo mundo que passava soltava um palavrão ou resmungo qualquer – sem contar os sem loção, essa tribo nômade que está no mundo todo, que paravam na frente da TV até alguém pedir pra eles saírem da frente.

Ajudar na crise financeira é sempre ajudar os ricos. O que é triste, mas se você pensar que caso eles não sejam ajudados quem toma no cu é sempre a classe média...fica-se num mato sem cachorro.

* * *

É muito dinheiro.

* * *

Aliás, esse dias tavam me dizendo que o orçamento de Harvard (acho que é Harvard ou uma dessas) é o mesmo da Argentina. Muito dinheiro que rola nesse país.

* * *

Apesar disso, em tudo quanto é lugar tem plaquinhas de “precisa-se de ajudantes” e hoje na Union Square um cara interpelava algumas pessoas na rua perguntando se tinha emprego e gostaria de trabalhar (inclusive a mim). Não perguntei que atividade era, mas desconfio que não fosse nada ilegal se não o cara não estaria gritando a plenos pulmões. Mas, sem dúvida, devem ser todos empregos sem direitos trabalhistas e pagando uma miséria. Mas, como eu disse, pra muita gente isso é muito. Pra muita gente simplesmente não há empregos em seus países de origem. Nem pagando muito pouco.

Fica a dúvida: o que é melhor, um país rico em crise ou um pobre estável? Mesmo porque, como diria nosso amigo Karl, o Barbudo, o capitalismo precisa das crises pra se reinventar. A crise é inerente ao capitalismo. E ao comunismo. E ao ser humano.

Aliás, acho que o país com mais comunistas são os EUA. Afinal, pergunta se alguém quer ser comunista em Cuba? Na Rússia? Esses dias, vi uma banquinha do partido comunista, recolhendo assinaturas e divulgando o manifesto comunista, dizendo que uma revolução socialista é tudo que os EUA precisam. “Liberal” aqui tem outra conotação.

E ainda vem gente, no Brasil, que nunca esteve nos EUA, dizer que aqui não é um país democrático. É, tem Guantánamo, tem milhares de atos arbitrários deste presidente insano, mas pergunta se em Cuba tem banquinha divulgando as idéias liberais? Não, né? Então tá.

De novo a frase do velho Churchill de que a democracia estava longe de ser ideal, mas ainda assim era o melhor que a gente tem. É, tem homeless pedindo esmolas, ao contrário de Cuba. Mas a miséria aqui é de outro tipo. Aliás, não é miséria. É pobreza, o que é bem diferente. Aliás, aqui tem tanta gente estranha que às vezes você não sabe se a pessoa é mendiga ou ta só descansando sentada na calçada. A única coisa que indica são as plaquinhas “I’m a homeless” – olha que tem cada mendigo com cada casaco que dá vontade de pegar e sair correndo. Sem contar que tem muito homeless que é homeless porque é viciado em droga, porque é maluco, porque ta doente e não tem seguro médico...

Esses dias eu vi uma plaquinha escrita: “preciso de dinheiro para tomar uma cerveja. Pra que mentir?”.

Enfim. Percepções superficiais de uma quase-turista.

* * *
Deu soninho.

quarta-feira, julho 30, 2008




Dia desses no Banco do Brasil de Gotham City, eu ia ao caixa rápido enquanto Formiga Mãe perambulava atrás de um(a) mocinho(a) “posso ajudar”. Achou um cara com uma camiseta amarela, escrito “Ourocard Banco do Brasil”. Dirigiu-se a ele: “por favor, se eu fizer um Doc...”, no que ele responde: “não, eu não trabalho aqui, não”. Nisso um verdadeiro mocinho “pode ajudar” vem: “nãããoooo!!! Esse aqui é jogador da seleção”. Formiga Mãe deu uma boa olhada. Hein? Jogador da seleção? Era o Maurício, do voley. Fazendo um jabazinho básico (jabásico) no BB de Gotham City.

O “posso ajudar” não só não pôde ajudar, como ainda por cima foi tirar foto com o Maurício.

Reconhecer jogador de voley dando pinta em horário de ixpidiente em plena Gotham City é um pouco demais, né não? Porque tudo é o contexto. Se o Santoro aparecesse pra mim em plena Gotham City, por exemplo, no máximo eu ia pensar “caramba, que cara parecido com o Santoro” e não que era ele de fato. Afinal, o que ele estaria fazendo aqui? A não ser que uma legião de fãs enlouquecidas o perseguisse. Ainda mais o Maurício do voley. De camisa amarela no Banco do Brasil. Ele tem mó carinha de mocinho “posso ajudar”.

Uma vez um aluno ficou indignado de eu não saber quem era Adriano, o imperador (jogador de futebol, um pouco antes dele ser convocado pra seleção). Ele achou que eu tava zoando com a cara dele. Eu também achava que eles estavam zoando com a minha cara quando me perguntavam se a Idade Média era antes ou depois de Cristo. O máximo que eu reconheço são os Ronaldos. E ainda corro o risco do Fenômeno me cantar, já que eu tenho uma certa pinta de traveco.


***

Fui ao meu dentista dar uma geral antes de viajar. Meu dentista é o mais sólido e duradouro relacionamento que eu já tive em toda a minha vida. Ele foi o único a botar a broca no meu dente.

De uns tempos pra cá ele pôs uma TV com canal a cabo. Hoje tava no National Geographic. Naquelas séries em que o leopardo corre atrás do antílope (ou o contrário, sei lá...) e dá aquele sensacional bote e aparece a carcaça ensangüentada e detalhes de carne e sangue escorrendo...

Tipo...achei pouco prudente pra um consultório de dentista. Eu não me importo, afinal adoro dentista e sangue, mas pra quem tem medo... Ou vai ver ele coloca justamente pra entrar no clima.

Troquei uma obturação e vou fazer limpeza de tártaro segunda.

Adoro quando ele abre a agenda e diz: “essa obturação nós fizemos em 87”. Quase pego na mão dele e digo: “mas pra mim é como se fosse ontem, Doutor”, enquanto o rádio toca “Emoções”, do Rei.


***


Estava em uma loja de fotos para fazer as minhas fotos com as orelhas expostas para o visto quando entra meu professor de biologia do colégio. Ele me deu aula na sétima série e no último ano. Era hilário. Dava pulinhos. Desenhava aquelas coisas todas que a gente tem dentro da gente (Ossos? Tecidos? Células? Órgãos? Vácuo?). Ensinava a moçada a fazer tabelinha e nos dias em que “podia” ele gritava “é festa!! É festa!!” (deve ser por isso que eu tive tantas amigas grávidas). Era um ótimo professor. Assim que ele adentrou o recinto me reconheceu. Perguntou o que eu estava fazendo e eu pude, orgulhosamente dizer: “terminando o doutorado e indo pra Nova York” (quer dizer, o contrário). Ele gostou de saber e eu gostei de poder dizer.

Bom, eu sempre fui uma boa aluna em biologia. Nada “oh, que gênio”, mas boa. Não era o vexame que eu era em química e física nem a maravilha de história, geografia, português e literatura (não sei se “maravilha” porque minha preguiça aumentou ao longo do segundo grau, mas dava pro gasto). Matemática a gente pula, já que eu tenho pesadelo com provas de matemática até hoje (é um verdadeiro milagre que eu nunca tenha pegado uma recuperação em matemática. Acho que eu era aquele caso que ia muito bem nas outras matérias e os professores tinham dó de me por em recuperação em matemática. Ou às vezes acho que eu estudava apenas pra prova e depois esquecia. Vai saber).

Aliás, eu tive excelentes professores de biologia. Muito melhores dos que os de história. É um milagre que eu tenha ido para última ao invés da primeira. Aliás, a filha desse meu professor, que na época em que ele me deu aula era recém nascida, está cursando História. Casa de ferreiro...

O problema é que eu passava mal nas aulas de biologia. Ficava imaginando aquela quantidade de coisa dentro de mim (ôooopa!)...mitocôndrias...células...uma galera fazendo fagocitose, mitose, neurose.... E as doenças? Coisa horrorosa. Praticamente um universo à parte absolutamente fora do meu controle. Deus me livre. Começava imediatamente a suar frio e pensar em todas as doenças que eu poderia ter. Melhor não saber de nada. Santa ignorância.

Mas, estranhamente, adoro sangue. Acho que meu problema são as internas.


***


Amigo meu que morou anos em NY e hoje mora em Roma: “você vai tirar NY de letra! Quem mora no Rio, mora em qualquer lugar. Você vai achar NY que nem Andrelândia”. Bom, a ausência de grades em minha casa e vizinhança já me deram essa impressão.

Já diria o Tom Jobim: “o Rio não é pra principiantes”.

E também: “Os EUA são uma maravilha, mas morar lá é uma merda. O Brasil é uma merda, mas morar aqui é uma maravilha”.

E também “é pau, é pedra”.


***


Aliás, esse meu amigo, que sempre foi gay (apesar de pegar geral, inclusive eu) só "saiu do armário" quando foi pra NY. Um pouco antes dele ir pra NY o irmão disse que todo mundo que vai pra NY voltava viado ou drogado. No caso dele, os dois. Ah, é. Um pouco depois ele foi deportado – mas aí foi pra Roma e tá se formando em moda.

E é tanta gente botando pressão, dizendo que eu vou “amaaaaaar” que eu “não vou querer voltar”, que eu vou 1) Voltar casada; 2) Voltar grávida (vááááarias pessoas); 3) Não voltar...

E se eu voltar viada e drogada?

Tipo...não dá só pra ser legal e bacana, não?

Mêda. Odeio pressão.


***

E eu fico checando as estatísticas de crimes em NY e na região em que eu vou morar – registros por delegacia. Formiga Mãe: “por que você não checa as do Rio?”. Parei na hora. Santa ignorância.


***


Ah sim. As fotos com as orelhas expostas. Fiz a moça da loja tirar três vezes. A primeira eu fiquei a cara do Piu Piu – cabelo lambido e só um carão gordo e amarelo aparecendo. A segunda um sorriso meio irônico, meio Monalisa, tomou conta do semblante e eu achei pouco prudente, já que americano é povo paranóico e podia achar que eu estava mandando uma mensagem subliminar do tipo “vou explodir prédios, vou entrar atirando em McDonald’s, vou tocar o terror”. A terceira meu cabelo ficou cinza, mas eu achei melhor.

Um dos formulários que eu preciso preencher – sim, porque visto pra estudante é três vezes mais chato, demorado, caro e complicado – pergunta qual o meu clã ou tribo (se aplicável). Tanta vontade de responder: “Clã das Formigas Voadoras”, ou “Clã das Formigas Judias do Vale do Paraíba”, ou ainda “Clã das Formigas Voadoras Judias do Vale do Paraíba e da Serra da Mantiqueira e Adjacências”... Mas não achei prudente.

Também adoro o item que me manda escrever no meu alfabeto de origem. Droga de alfabeto monótono, o meu. Seria tão legal colocar meu nome em alfabeto cirílico ou ideograma japonês...


***



E a minha roomie que me manda links de confecções ecologicamente corretas de SP ou me diz que tem amigos brasileiros que quer me apresentar (nãããão!!)?? Acho que ela anda estudando a cultura da aborígine com quem ela dividirá sua casa.

Ela é grega. Quer dizer, é descendente. Mas agora só consigo chamá-la de “A grega”. Zorba, a Grega. Daí eu vou poder fazer várias piadinhas de duplo sentido do tipo: “mas parece que ela está falando grego”.

Dã.

Ela é kindov “terapeuta holística”. Presta consultas energéticas a pessoas e ambientes. Trabalha com organizações internacionais que prestam ajuda humanitária. A casa dela é completamente lotada de móveis e entidades hindus, indianas e não sei mais o quê. Ela também é mais velha. Aquela idade indefinida entre 47 e 53. Já fez “de um tudo”. Ainda não vi nem fotos dela, mas (a minha mulher viu, não eu não me canso dessa piada!!) a minha amiga Raquel conheceu-a pessoalmente.

O meu quarto, inclusive, tem uma escultura de um anjo da guarda em metal dourado enorme, cujas as asas ficam sob a janela. Gostei. Apesar de bizarro, gostei. Achei um bom presságio. Tipo o anjo guardando minhas janelas. Hãn hãn? Pegaram?

Mas se ela tentar limpar minha aura, abrir meu chacra à força...nananinanão. Sou moça de família. Pra pegar no meu chacra só casando. Pra abrir, então, só com comunhão total de bens e aprovação do Papa.

Tem outros casos dela que aos poucos eu irei revelando. Mas parece ser uma boa pessoa. E o mais importante de tudo: meu quarto tem TV a cabo e internet. Sim, ou vocês acharam que eu vou perder a oportunidade de ouro de assistir a todo o lixo da televisão aberta estadunidense?


***


Meu orientador não me deixa falar “americano” ou mesmo “norte-americano”. Só posso falar “estadunidense” – já que americano somos todos nós e norte-americanos também são nossos irmãos do Canadá. Ele também não me deixa dizer que ele seqüestrou o embaixador, e sim “capturou” o embaixador. Aliás, não sei como os EUA deixam ele entrar lá, já tendo seqüestrado (quero dizer, capturado) um embaixador deles. Se fosse meu país eu negava visto até a morte. E, pra completar, ele ainda me fala que eu finalmente vou aprender o que é ser uma cidadã livre das Américas livres ao morar lá. Esse é meu orientador. Incoerente para alguns, vendido pra outros tantos, simplesmente um pândego para mim.

Ele também me diz que “quem pede é mendigo” e que eu “solicito”. E que orientando(a) dele não pede desculpa e nem agradece demais. Sim, ele também é um pouco louco.


***

E por falar em gente doida, descobri porque tem tanto maluco nos EUA – principalmente esses que entram atirando. Não são os videogames, não é a indústria armamentista, não são as drogas. Não. É a falta de tanque de lavar roupa. O tanque tem uma função catártica fundamental. Além disso, a quantidade de eletrodomésticos automatizando tarefas simples do dia a dia impede que o ser humano vivencie o esforço braçal fundamental para o bom funcionamento da psique. Onde já se viu, uma cidade obrigar os apartamentos a terem além de aquecimento (que eu acho justo) microondas, geladeira, fogão e (em Manhattam) lava-louças?

Esses dias vi um episódio de Sex and the City em que a Carrie, a Bradshw lavava os soutiens na pia da cozinha. Bleargh! Que nojo!

Vou lançar essa idéia pro Obama. Projeto “Um tanque para cada família”. Diminuiriam os índices de obesidade, o consumo de anti-depressivo, a criminalidade...

Chamem o Michael Moore!


***


Alguém tem dicas de bons seguros de saúde internacional que cubram não apenas emergências, mas também internações, doenças mentais (ôpa! É pessoal?), exames laboratoriais e radiológicos? Acho que vou ter que comprar o da unversidade mesmo...que é mais caro do que aquele que a Agência de Fome(nto) está me dando. Alguém tem alguma sugestão?

***

Seis páginas de Word de post. Só volto com 15 comentários, no mínimo.

sexta-feira, junho 20, 2008

Ser ou pede pra sair, aspira???!

Wagner Moura no Programa do Jô.
Posso ver, não. Tenho inveja. Deprimo. Uma das poucas coisas que me faz querer voltar a ser atriz é ver um ator com ele, montando "Hamlet". Não. Vou dormir.
E os pedacinhos q eu vi me fazem crer que a montagem está excelente. Ih, não posso ver de jeito nenhum!
Ainda que toda a montagem de Shakespeare seja infinitamente inferior ao texto.
Daí eu fico numa encruzalihada: quando é horrível, que nem foi a do Diogo Vilela, que botou um Hamlet gay (nada contra homossexuais, mas não creio que Hamlet fosse gay), eu quase infarto de ódio, quando é muito boa, eu tenho muita inveja.
Por isso não vou mais ao teatro. Muito difícil oscilar entre esses dois sentimentos. Prefiro ir ao cinema que é algo mega distante de mim.
Mas um dia eu resolvo isso. Ah resolvo. Tenho minhas idéias para solucionar essa equação. Mas não por agora.

sexta-feira, abril 18, 2008


Ri tanto agora que até melhorei da tristezazinha.

domingo, janeiro 20, 2008

Pensamentos scarletohareanos


Amanhã - que no caso é hoje - será outro dia.



terça-feira, dezembro 18, 2007



Pequeno Dicionário Amoroso na Globo. Esse filme é a mais perfeita tradução do que é o amor. Ele é um filme aparentemente bobo, mas não é não. Não é uma comediazinha romântica. Não, não é. Ele engana.

Nem gosto de ver.

É exatamente aquilo: amor começa, atinge um pico e depois declina, até morrer completamente e deixar um suave gosto de não-sei-o-quê. De repente, assim como no final do filme, você o vê na rua, andando, com outra e você com outro; outros planos concretizados ou abortados. E você pensa onde foi parar todo aquele espaço que era dele. Outra vida. E você se pergunta onde estarão essas outras vidas, essas outras pessoas que vocês foram. Estão em parte ali, mas em parte se perderam pra sempre.

Deve existir outro tipo de amor. Deve. Aliás, existe. Eu sei que existe. Só nunca tive. Esse tipo de amor é exceção. Quase como uma espécie rara de inseto. Um trevo de quatro folhas. Só que é esse amor que os filmes, livros, propagandas de perfume, bebida, carro, plano de saúde e sabonete íntimo vendem. Só que 99,9% de nós não teremos essa chance. Sorry, perifa. O amor – esse amor – é pra poucos. Mas os outros amores também são muito bons.

E a trilha sonora com o Ed Motta? E a cena deles pintando o quarto de azul...
"Devia existir uma licença felicidade. Quando a pessoa se apaixonasse ela devia ficar o dia seguinte todo sem fazer nada".

Ai, vou dormir. Vou parar de ver assim que eles começarem a brigar. Ler minha Ana Karênina que é o melhor que eu faço.