Carrie tem um guarda roupa onde 50% das roupas não lhe servem. As gradações do “não servir” são múltiplas: 25% não passa nem no joelho; 25% sobe, mas não fecha; 25% fecha, mas ela não respira; 25% não serve nem fudendo (de uma maneira ampla, geral e irrestrista).
Dos 50% que lhe servem, 50% ela usa e 50% não, por diversos motivos: 25% porque está feio e/ou velho; 25% porque ela não gosta mais; 25% porque ela não sabe porque comprou; 25% porque ela estava bêbada quando comprou ou sob efeito de drogas pesadas.
Dos 50% que Carrie usa, 50% ela usa porque realmente gosta (não entrarei nos méritos do porquê) e 50% ela usa apenas porque: 25% não está tão velho e/ou tão feio; 25% ela ainda gosta minimamente; 25% ela sabe vagamente porque comprou e 25% ela devia estar apenas parcialmente bêbada quando comprou ou sob o efeito de drogas leves.
Pergunta: O que Carrie deve fazer?
a) Dar tudo que ela não usa (o que pode se tornar um tanto quanto complicado, mas quem sabe seja também a solução – if you know what I mean) seja por qual razão for.
b) Emagrecer e usar o que lhe serve – mas aí os outros 50% não vão mais servir, sendo que o problema apenas mudaria de ângulo.
c) Estabilizar o peso – e o guarda roupa.
d) Converter-se ao islamismo e passar a andar de burka para ter um guarda roupa uniforme.
e) Converter-se ao judaísmo ortodoxo e andar com aquelas roupinhas. Aquelas.
f) Abrir mão dos bens terrenos e usar uma calça jeans, uma camiseta e um conga rosa.
g) Comprar tudo novo e grande, mega grande, ultra grande.
h) Nada. Se ela sobreviveu até hoje, não vai morrer por causa disso.
Eu tenho calças de quatro números diferentes. Quatro. Eu vi três dezenas diferentes de peso em cerca de 5 anos. Plim, mudou a dezena! Plim, mudou a dezena! Plim, mudou a dezena!
Eu separei sete calças que não me servem. SETE. Fora saias, blusas, bermudas, etc...Enchi duas malas enormes de roupas que não me servem. E o mais impressionante: o guarda roupa parece que nem mexeu.
Decidi que não vou guarda-las como troféus empoeirados de um prêmio que nunca chega. Glórias de priscas eras. Carcaças apodrecendo dentro do armário. Um retrato de Dorian Gray ao contrário – êpa, mas aí seria o que já é: podridão física enquanto algo no fundo do armário se conserva. Cheennnnnga.
Bosta.