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quinta-feira, novembro 29, 2007

Probleminha


Carrie tem um guarda roupa onde 50% das roupas não lhe servem. As gradações do “não servir” são múltiplas: 25% não passa nem no joelho; 25% sobe, mas não fecha; 25% fecha, mas ela não respira; 25% não serve nem fudendo (de uma maneira ampla, geral e irrestrista).

Dos 50% que lhe servem, 50% ela usa e 50% não, por diversos motivos: 25% porque está feio e/ou velho; 25% porque ela não gosta mais; 25% porque ela não sabe porque comprou; 25% porque ela estava bêbada quando comprou ou sob efeito de drogas pesadas.

Dos 50% que Carrie usa, 50% ela usa porque realmente gosta (não entrarei nos méritos do porquê) e 50% ela usa apenas porque: 25% não está tão velho e/ou tão feio; 25% ela ainda gosta minimamente; 25% ela sabe vagamente porque comprou e 25% ela devia estar apenas parcialmente bêbada quando comprou ou sob o efeito de drogas leves.


Pergunta: O que Carrie deve fazer?


a) Dar tudo que ela não usa (o que pode se tornar um tanto quanto complicado, mas quem sabe seja também a solução – if you know what I mean) seja por qual razão for.


b) Emagrecer e usar o que lhe serve – mas aí os outros 50% não vão mais servir, sendo que o problema apenas mudaria de ângulo.


c) Estabilizar o peso – e o guarda roupa.


d) Converter-se ao islamismo e passar a andar de burka para ter um guarda roupa uniforme.


e) Converter-se ao judaísmo ortodoxo e andar com aquelas roupinhas. Aquelas.


f) Abrir mão dos bens terrenos e usar uma calça jeans, uma camiseta e um conga rosa.


g) Comprar tudo novo e grande, mega grande, ultra grande.


h) Nada. Se ela sobreviveu até hoje, não vai morrer por causa disso.


Eu tenho calças de quatro números diferentes. Quatro. Eu vi três dezenas diferentes de peso em cerca de 5 anos. Plim, mudou a dezena! Plim, mudou a dezena! Plim, mudou a dezena!

Eu separei sete calças que não me servem. SETE. Fora saias, blusas, bermudas, etc...Enchi duas malas enormes de roupas que não me servem. E o mais impressionante: o guarda roupa parece que nem mexeu.

Decidi que não vou guarda-las como troféus empoeirados de um prêmio que nunca chega. Glórias de priscas eras. Carcaças apodrecendo dentro do armário. Um retrato de Dorian Gray ao contrário – êpa, mas aí seria o que já é: podridão física enquanto algo no fundo do armário se conserva. Cheennnnnga.


Bosta.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Bichos escrotos não saiam dos esgotos!


Tudo bem, eu não sou mulezinha dada a achaques e frescuras. Não. Não mesmo. Eu mato baratas sem problemas. Mas hoje eu perdi totalmente a paciência. Estava eu, no recôndito do meu quarto, me preparando pra dormir, quando resolvo tirar uns livros de uma sacola plástica. Nisso abro a gaveta da minha mesa. Sento na cadeira pra colocar nominhos nos livros – sim, eu sempre coloco nominhos nos livros, tenho até carimbinho. Eis que de repente sinto algo andando pela minha perna. Olho: um troço preto. Tomara que seja um besouro, tomara que seja um besouro. Não era. Era uma barata. Eu bati tanto nela, tanto, que o vizinho de baixo deve ter acordado. Nem o Jason no final do último Sexta Feira 13 recebeu tantos golpes. Após o inseto peçonhento morrer esmagado, soltando líquidos putrefatos e eu retirar o cadáver, comecei a pensar: no meu quarto! Imagina se eu estou dormindo! Meu pesadelo de semana passada, dela ficar na cabeceira da minha cama, quase se realizou!

Ácool, rápido. Álcool pra desinfetar a minha perna. Muito álcool.

Onde estavam as baratas? Dentro da gaveta, debaixo da mesa ou dentro da sacola dos livros, lendo Nietzsche? Eeeeeca.

Um dilema logo se instalou: dormir no meu quarto ou encher de inseticida e ir dormir na sala ou no outro quarto? E se eu colocar inseticida no meu quarto e espantar as baratas pra sala? Sim, porque semana passada coloquei inseticida no banheiro. E agora elas aparecem no meu quarto. Logo se eu fechar o cerco e elas vierem pra cima de mim?

Me enchi de coragem, muni-me de um inseticida, despejei o conteúdo de duas gavetas em cima da minha cama e taquei inseticida em frestas, gavetas e umbral da janela (existe umbral da janela ou é só de porta?). Nuvens de inseticida. Se as baratas não morrerem morro eu. Fechei tudo. Saí do quarto. Aproveitei e dei mais uma espreadinha no banheiro – a embalagem dizia que uma aplicação durava seis semanas, mas eu apliquei semana passada e não acredito em rótulos. Fui pra sala e liguei o ventilador – sim, porque estou com medo de abrir a janela e entrarem baratas, mas também estou com medo de ser intoxicada por esse inseticida. Pior, resolvi economizar e ao invés de comprar Baygon comprei Uffa. Suspeito, hein? Uffa?

Já entrei em sites de deDetização – e eu que achava que era deTetização? – e descobri diversos métodos, com gel, que você nem precisa sair de casa. Dois quartos cento e oitenta reais.

Funciona? Alguém aí tem experiência no assunto? Sabe o melhor método? Insetisan ou insetfone? (Cresci ouvindo a propaganda do Insetisan: dois-meia-nove-meia-nove-meia-nove inesquecível. Entra uma voz: “é um pouco mais caro!”. Corinho: “ah, mas é muito melhor!”. Hoje em dia o telefone é 2569-6969). Qual a melhor empresa? O que pode estar causando essa invasão de baratas à minha casa? (li que uma das medias paliativas é fazer a “higienização do piso diariamente após o expediente”. Relou! Eu não tenho tempo de limpar a casa todo santo dia! Ainda mais porque meu expediente é variável). Alguns sites dizem que se não dedetizar o prédio as baratas vão continuar vindo, mas não vão colocar ovos e constituir família em minha residência - acho que vão utilizá-la apenas como local de veraneio ou casa de campo. Será que movo uma cruzada em meu prédio contra os insetos? Convoco uma reunião de condomínio? Chamo o BOPE? Boto na conta do Papa?

Só me faltava essa. A pessoa com um capítulo pra terminar (ou melhor, começar a escrever) em quinze dias, mais um monte de outras coisas pra fazer, ler, escrever, providenciar, estudar e o quarto da pessoa está com móveis fora de lugar, o conteúdo de duas gavetas com altos cacarecos em cima da cama e com zero garantia de que uma barata vá me atacar no outro quarto – sim, porque elas tem que ir pra algum lugar sem inseticida, né?

Tô eu aqui, feito “que isso” sem lugar dentro de minha própria casa. Qualquer ajuda é bem-vinda. Informações, alimentos não-perecíveis, dicas, simpatias...

segunda-feira, outubro 08, 2007

Por que, Senhor? Por quê?!!


Ouvir um selumano dizer: “vamos se organizar” em plena lista de discussão de pessoas que estão, no mínimo, na graduação é de lascar (e, no máximo, com doutorado e a grande maioria com mestrado). E a vontade de responder: “antes disso, vamos aprender português?”.

E ainda demitiram o pobre do gerúndio...

sexta-feira, julho 13, 2007

Rapidinhas do Pan!


Eu descobri que a Dona Marisa, primeira dama, é a cara da minha ex-sogra. Observando melhor eu descobri: a Dona Marisa tem cara de sogra!

***

Fazer um Pan! Na sua cidade: transtorno.

Ouvir jornalistas histéricos gritando frases de estímulo para o evento: um porre.

Ver o seu presidente ser vaiado pelo maior estádio do mundo, lotado, a ponto de ter que ser mudado o cerimonial pro vexame não ser ainda maior quando ele anunciasse o início do Pan!: não tem preço.

Tem coisas que o dinheiro não compra. Ver uma cena dessas me valeu o Pan!

***

Eu só me pergunto uma coisa: quem elegeu esse cara? Um estádio inteiro vaiando e o cara ganhou as eleições a menos de um ano? Ah, já sei. É aquela velha história: o povo é ótimo, os governantes terríveis. Como se não fosse esse mesmo povo que elegesse os caras. O congresso é mal, mas o povo é bonzinho e honesto. Ah-han.


***

E a roupa da miss?! Jesus, Mary and José!

***

Nessas ocasiões eu sempre penso: a cegonha errou feio em me trazer pra cá. Na Irlanda deve ter alguma mulher de 30 anos que samba maravilhosamente e vem passar o carnaval aqui todo ano. Eu não pertenço a esse país. No way.

segunda-feira, junho 18, 2007

A novela


Adivinhem quem voltou a dar problemas? Siiiim! Quem respondeu “o seu I-pod” acaba de ganhar um pênis Montreal (e quem respondeu “o seu cérebro” leva uma porrada)!

E lá vou eu para a Twilight Zone da loja da Apple – sim, porque aquele lugar é um universo paralelo como já comentei aqui. Gente, hoje tinham exatas cinco pessoas (contando comigo), tentando consertar seus I-pods. Um cara estava pela segunda vez, assim como eu. O outro me indicou uma marca chamada San, eu acho. Disse que tem há oito meses e não dá problema nenhum.

E os caras são tão filhas da puta, mas tão, tão, tão que o sistema deles é o seguinte: você deixa seu I-pod lá. Se for problema no hardware, a Apple cobre. Se for no software eles consertam e fica em 147 reais (coisa que eu já paguei). Detalhe: você não pode NÃO querer o serviço de software. Uma vez que você deixa o I-pod lá você concorda com o fato de que se for um problema de software eles vão arrumar e você vai ter que pagar. Eu não entendo nada de leis do consumidor, mas algo me diz que isso é ilegal.

Resultado: tinha um cara lá com um modelo shuffle que, quando a mulher disse isso pra ele, falou que preferia comprar outro novo, por 200.

Agora alguém me explica: quem disse que o tal do I-pod é o máximo? Gente, a parada é horrível! Dá problema a vera, é cheia de frescurinha, do tipo ter que atualizar toda hora...ah é! A última dica que eu recebi da garota da loja é que eu não posso deixar a bateria descarregar totalmente, pois o computador não tem força suficiente pra carregar I-pods – a não ser que você tenha uma entrada USB2.

Uma amiga me disse que se eu não clicar em “remover hardware” e esperar o aviso de “pode ser retirado com segurança” dá problema. Agora mesmo eu vou ter que medir a temperatura, fazer uma reverência voltada para o Vale do Silício com uma maçã na boca e louvar o santo nome de Steve Jobs três vezes! Faça-me o favor...

Se você, amigo leitor, está pensando em comprar um aparelho de MP3 compre o mais barato. 1) As chances de você ser assaltado(a) – onde quer que você more no Brasil – são grandes. 2) As chances dele dar problema são de 99,9999% - e os 0,000001% são surdos. Como é possível uma marca ter tanta fama e ser tão ruim. Não compre Apple. Não compre I-pod. Eu odeio a Apple. Eu odeio I-pod. I hate apple. I hate I-pod (tentando fazer com que os caras da apple entrem aqui e me dêem um brinde pra eu parar de falar mal deles).

terça-feira, junho 05, 2007

Almost famous anonimamente

Resolvi tirar o nome da jornalista do post, uma vez que a editora assumiu a responsabilidade, como vocês podem ver nos comentários.

Estou eu, linda, loura, japonesa e ruiva, pintando as madeixas no salão. Resolvo pegar uma revista. “Oba! A Craúdia de abril! Com a Flávia Alessandra na capa. Que saiu a matéria da
Ticcia e da Fal, blogueiras que eu amo”. Abro a revista; chego na matéria. Estou lendo tranqüilamente, me divertindo com as histórias (algumas eu conhecia, outras não), quando de repente, não mais que de repente, começo a ler trechos de blogs: o primeiro, da Ticcia; o segundo da Fal e o terceiro...

Começo a ler uma frase e penso: “puxa, que frase interessante”. Segunda frase, penso: “Nossa que pessoa legal”. Na terceira frase começo a achar estranho: “Gente eu poderia ter escrito essa frase. Peraí, eu escrevi essa frase!”. Mas qual não é a minha surpresa ao ver que nos créditos estão “
Duas Fridas” – outro blog famoso e muito bacana.

Se lembram da minha campanha “De volta ao século XIX – de onde nunca deveríamos ter saído?”. Pois é. É justamente isso (confira
aqui o meu post e aqui a matéria da Cráudia com o devido erro - está no item "Pérolas do blogs").

Como eu fiz jornalismo, na mesma hora eu me toquei: pobre jornalista, devia estar correndo com a matéria, não checou a fonte e deu informação errada. Nem por um segundo pensei que alguém poderia ter me citado sem dar a fonte – mesmo porque o Duas Fridas é um grande blog e não ia fazer isso. Mesmo assim eu, que sou formada em jornalismo mas não exerço para o bem da humanidade, fui checar a minha fonte, afinal, eu não ia sair dizendo que as pessoas escreveram coisas que elas não escreveram. Eu estava certa. Refazendo a trajetória a coisa toda aconteceu assim: eu publiquei um comentário no livro de visitas da Fal, que publicou no blog dela – dando os créditos, claro (Confiram
aqui. É o último post da página). O Duas Fridas pegou o meu comentário e o da Fal e publicou tudo direitinho, com os devidos créditos (Confiram aqui. Também é o último texto da página). Ou seja? Quem fez bobagem? A jornalista * da revista Cráudia, que leu o meu post no blog da Duas Fridas e publicou como se fosse delas (mesmo elas tendo dado o crédito).

Eu sei que jornais erram. Todo mundo erra. Mas é bem chato. Ainda mais quando é um texto seu. Ainda mais quando é uma coisa que, se ela tivesse realmente lido o blog das Duas Fridas, teria checado facilmente. Ainda mais quando eles poderiam ter divulgado o meu endereço do blog e eu poderia ter mais leitores que clicariam nos meus anúncios e eu ganharia, quem sabe, uns míseros trocados (pois até agora nada). (Acho que isso dá processo por danos materiais, não?). Mas não. Eles erraram. Claro que eu vou mandar um e-mail pra lá, pedindo que eles façam uma errata. Se é que não fizeram – e se fizeram, me desculpem, eu é que estou errada, mas na versão virtual da revista do mês seguinte não há nada parecido com uma sessão “erramos”. Além disso, em jornalismo, como a minha cálega * deve saber, a errata nunca tem o mesmo peso do erro. Vide caso Escola Base. (E pra quem não se lembra leia
aqui
sobre o caso; ou aqui ou ainda aqui). Além disso, foi uma indelicadeza também com o Duas Fridas, que perdeu um espaço que poderia ter sido usado para publicar um texto delas – que são ótimos.

Eu sei que é apenas uma simples matéria de blogs numa revista de mulézinha. E nem é dos meus melhores textos. Mas é meu. É pobre, mas é limpinho. É meu, porra. E se eles fazem isso com um, fazem com vários. Não estou me comparando ao caso Escola Base. Mas se eles fazem isso com uma pessoa, imaginem o quanto de coisa errada existe não só na Cráudia, mas em toda a imprensa. Às vezes não por interesses obscuros de megacorporações midiáticas, mas por pura burrice ou desatenção. O que eu sei de caso de pessoa que inventa matéria...sabe essas do tipo: “Fulano de Tal, tantos anos, professor” e uma declaraçãozinha? Quando vêm sem foto e com um nome comum do tipo Paulo Silva, desconfie. Foi colocado ali pra completar espaço. Todo jornalista já fez isso na vida. Todos meus professores da faculdade contavam histórias parecidas.

Provavelmente se eles se dignarem a ler esse post – e se tiverem tempo, pois a edição tá fechando e jornalista tá sempre correndo! – ficarão meio putos com esse post e não colocarão errata nenhuma. Well, no dia em que eu escrever alguma coisa só para agradar outra pessoa eu terei me tornado...jornalista.


***

Gostaria de pedir um favor aos meus parcos, mas fiéis leitores. Que escrevam pra lá reclamando do erro. Pra não dar trabalho eu já escrevi o e-mail pra vocês. É só copiar e colar:

Por favor, na edição da revista Claúdia de abril, na matéria “Boas de blog", vocês cometeram alguns erros na hora de citar os trechos. A citação que é atribuída ao blog das Duas Fridas na verdade é do SublimeSucubuS (http://sublimesucubus.blogspot.com), um blog que nem estava citado na matéria. O blog das Duas Fridas deu os devidos créditos, portanto o erro foi de vocês. Gostaria de pedir, como leitor(a) deste blog, uma retratação na próxima edição, dando os devidos créditos. Obrigado(a).

O endereço é:
suaopiniao@abril.com.br. Tem também esse aqui: claudia.abril@atleitor.com.br. Na dúvida, mande para os dois.


Claro que se vocês quiserem escrever o de vocês, tudo bem. Ou se quiserem completar com outras coisas. O importante é que mandem. Conto com vocês. Agora é sério.

sexta-feira, maio 04, 2007

Ai, ai...


Hoje é dia de Maria, minha faxineira-carrasco. Hoje ela realmente me arrebentou. Maria é famosa pelos seus comentários sobre o meu peso e sobre o fato de eu não fazer porra nenhuma da vida – na visão dela – sendo que, quase sempre, os dois vêm juntos na mesma frase. (Confira aqui, caro leitor, as minhas humilhações pregressas: essa e essa).


Enfim. O fato é que hoje eu sou acordada às oito da madrugada com a porra do telefone tocando. Gente, eu não acordo cedo! Eu sei que pra maioria das pessoas isso pode ser considerado sinônimo de vagabundagem, mas eu tenho um ritmo de trabalho flexível. Acordo cedo no dia que tenho aula ou outro compromisso, mas isso não é a regra. No geral acordo no mínimo às dez. Por que as pessoas não podem entender isso, meu caralho? É inveja? Tinha tido dormir às três! Lendo. Estudando. O problema é que quem liga são as filhas da minha faxineira. Quando eu atendo elas desligam e ligam de novo pra que a mãe atenda - e ela nunca atende. Eu não gosto de desligar o telefone do meu quarto nesse dia porque a Maria pode precisar falar comigo, avisar alguma coisa. Puta da vida, me levanto às nove.

Todo esse preâmbulo é pra contextualizar meu estado de espírito emputecido nesta manhã.

Papo vai, papo vem, conversávamos sobre alimentação de lactentes. Minha sobrinha come muito pouco. Eu falava que minha mãe dava leite com farinhas (Neston ou Láctea). Aí ela manda: pois é, e vocês tão tudo aí...gordona, forte...

Fiquei na dúvida se dava um soco na cara dela ou me afogava no pote de iogurte. Respirei fundo. Oquei, vamos lá. Vamos tentar. O dia vai ser bom. Com cafeína tudo fica melhor. Mas estava tão desorientada e tão sonada que fiz café duas vezes. Tenho por hábito jogar fora o café do dia anterior – claro. Fiz o café, fui arrumar minhas coisas e quando voltei joguei o café que eu tinha acabado de fazer fora. Maria olhou completamente incrédula pra minha cara. Vamos lá. O dia vai ser bom. Faço café pela segunda vez.

Aí Maria começa a reclamar que não tem água sanitária – produto que ela apelidou de “líquido sagrado” ou “líquido precioso”. Falei que eu até tinha comprado, mas usei. Aí ela manda: ah, é. Bem que eu vi que os panos de chão tão todos branquinhos.

Uau! Eu recebendo um elogio de Maria? Mas, é claro, tinha que vir uma paulada logo em seguida: também...você não faz nada, mesmo, né? Tem tempo...


***

Quer dizer...a pessoa se mata, rala, ganha uma miséria pra ser tratada como lixo até pela sua faxineira. Pra falar das “meninas de Ipanema” – outra casa que ela faz faxina – ela enche a boca pra dizer ah, ela é Doutora. Agora, a pessoa aqui, que de fato faz doutorado, não é nada. A pessoa que em dois anos receberá um título de PHilosophical Doctor não é nada. (Me lembrei do Ross, personagem do Friends, que é doutor em Paleontologia e é sacaneado constantemente. Um dia ele tá num hospital e diz: eu sou o Dr Ross Geller e... aí a Rachel interrompe: Ross, aqui é sério! Não brinque com isso! Isso lá nos EUA!!).

É, eu sei, eu não deveria ficar tão triste. Minha faxineira não sabe nem ler e é natural que ela não entenda o que eu faço. Mas não deixa de doer. E ela vai perder o emprego por causa disso. Porque eu não vou sentar com ela e explicar o que eu faço. Já tentei. Além do fato dela me chamar de gorda constantemente. Mas aí a gente lembra daquela história do preço e tal. Fui eu que escolhi pagar esse preço. E o preço da minha faxina tá caro demais, literalmente falando - 70 reais. Sem contar que ela só vem uma vez por mês. Quer dizer: eu que acabo fazendo tudo, mesmo. Ela vem só pra limpar janela, ventilador de teto...(que hoje tá cheio de poeira).

Eu também fiquei menstruada. Pode ter a ver. (esse é o tipo de informação irrelevante para se colocar em um blog, típica representação da cultura do espetáculo na qual estamos inseridos, onde a vigilância panóptica controla a tudo e a todos, mas achei que precisava compartilhar com vocês).

Intelectual brasileiro (cospe pro lado). Cuidado ocê aí que tá se rindo d’eu! Minha vingança sará marigrina!! Eu posso terminar meu doutorado e...fazer como certos intelectuais...ser presidente do Brasil!! Há há há há...

sábado, abril 21, 2007


PQP (agora eu devo evitar o uso de palavrões em excesso porque google não só é meu pastor como me ajudará a faturar algum, então é bom não abusar de Vossa Magnânima Boa Vontade para com a plebe ignara). O que vem a ser esse troço de avião que vai ter aqui na Praia de Botafogo amanhã de manhã? Tô a semana inteira imaginando que vai rolar um september eleven a qualquer momento, de tantos rasantes que os caras estão dando e descubro que isso é um campeonato e os caras estavam treinando pra amanhã?? “Os melhores pilotos do mundo são escolhidos”? Uou! Como assim, Bial? Os caras vão dar rasantes a menos de 20 metros na praia? O que essas pessoas tem na cabeça?!!!

Eu não sei quanto a vocês, mas eu e Dona Henriquetta não achamos isso uma boa idéia. Vai dar pobrema. Vai entrar avião no shopping e eu não quero nem estar perto. Por que esse pessoal não vai fazer um crochê, gente? Jogar um buraco, rezar um terço, escolher feijão? Eu, hein...o mundo realmente tá ficando cada vez mais estranho.

sexta-feira, abril 20, 2007

Tsc, tsc, tsc...


Tava demorando culparem algum filme por causa do massacre da Virgínia Tech. Disseram que o moleque se inspirou em um filme sul coreano. Culparam o Matrix na época de Columbine. Aqui no Brasil culparam o Clube da Luta quando aquele estudante de medicina entrou num cinema que passava o filme atirando. Mais fácil, né? Ufa! Encontramos um culpado! Agora mesmo vão começar as agressões aos sul coreanos assim como aconteceu – e ainda acontece - com os árabes.

quarta-feira, abril 18, 2007


Formiga Irmã me liga, dentre outras coisas, para me informar que o personagem de Paulo Vilhena na novela das oito (eu sou do tempo que a novela das nove era às oito) disse a seguinte pérola para a namorada dele na mesma trama: eu gosto do Rio porque você mora aqui! Se você morasse em Volta Redonda eu gostaria de Volta Redonda.


(Silêncio. Ela fica quieta. Acende um cigarro. Olha para o infinito enquanto faz bolas de fumaça e se lembra das chaminés de Voltaço)


Cara, eu vou começar a protestar contra essa discriminação. Tá foda. Não entendo essa marra do carioca. Morra mal, mora longe, pega três vans, 4 ônibus, um trem e uma Kombi pra chegar no silviço, atravessa a linha “de Gaza” vermelha e tuuudo bem, porque "sou carioca"? Relou!!!! Prestenção!

Nada mais provinciano do que querer morar na capitarrrr. Porra acaso eu moro no Rio por uma série de fatores. Mas minha vida em Voltaço é infinitamente mais cheia de mordomias, meu bairro é lindo, minha casa também, muito mais do que a maioria da classe média carioca. E eu sou classe média em Voltaço. E VR está a uma hora e meia de carro do Rio. Muito menos do que o cálega leva pra ir pro silviço.

Ora, faça-me o favor, né seu Paulo Vilhena! Seu Gilberto Braga! Por que vocês não falam de Barra Mansa?

domingo, abril 01, 2007


Não morri. É verdade que passei um mal do caraio e fui dormir às cinco da manhã. Mas a culpa não é da ratazana do Manuel e Juaquim. É da quantidade de porcaria que eu ando comendo. Uma hora meu estômago faz que nem os controladores de vôo: motim e aquartelamento em busca de melhores condições de trabalho.

Assim não dá. Assim não pode. Cria tenência, Carrie...

quarta-feira, março 28, 2007

Eu, o calor e minha amiga Bridget, que sabe das coisas...



Eu odeio calor. Eu sei que eu já falei isso, mas eu preciso falar de novo. Eu odeio muito o calor. Eu não me conformo com o calor. E eu vou morrer sem me conformar com o calor. Certas coisas a gente não se acostuma nunca na vida. Calor, grosseria e bermuda com saltinho nunca vão entrar na minha cabeça como sendo coisas legais. Eu não consigo ver nem uma vantagem sequer no calor. Nem uminha. Eu acho que alguém deveria ser responsabilizado por esse calor. Providências precisam ser tomadas. Eu acho que deveríamos instalar uma CPI do calor. Eu tô que nem o presidente Lula: eu quero dia e hora pra esse calor acabar. Eu quero um relatório completo sobre as atividades do setor calorístico nos últimos meses. Assim não pode. Assim não dá.

E a mocinha sorridente do Bom Dia Brasil se rejubila em dizer que as altas temperaturas não devem dar trégua e no Rio de Janeiro a temperatura passa dos 30. Passa dos 30? Se passasse dos 30 eu tava feliz. Tá passando dos 40 fácil (e vocês sabem, né? Da teoria de que os termômetros não podem marcar mais de 45 graus? Não sabem? Os termômetros não podem marcar mais de 45 graus porque isso é considerado estado de calamidade pública. E em estado de calamidade pública as pessoas não precisam ir trabalhar, os serviços de emergência têm que estar de prontidão e é o caos. É praticamente guerra civil. Só eu sei disso. Então não contem pra ninguém. Só nós e os caras de cabeção e olho na testa que moram lá fora sabem. A Nasa também sabe, mas como sempre nega. Psiu!)

É, eu tô mal humorada (sério? Você? Esse doce de pessoa, Carrie? Que novidade!). Não eu não vou me acostumar com esse calor. Nunca. Minha mãe conta que quando eu era criança e mamava no peito dela meu nariz enchia de bolinhas de suor. Até hoje meu nariz enche de bolinha de suor. Eu tenho vergonha de suar tanto. De derreter. De ter que lavar o cabelo todos os dias, às vezes mais de uma vez, porque ele já está completamente molhado de suor. De transpirar por todos – quando eu digo todos, eu quero dizer T-O-D-O-S – os poros do meu corpo. É como se cada poro chorasse de dor de tanto calor. Sim, o suor são as lágrimas do meu corpo implorando por temperaturas mais amenas (gostei da metáfora).

Eu sei, eu deveria me mudar de um lugar tão quente. Estamos trabalhando nisso. Porque nada no Rio me assusta mais que o calor. Nem a violência, nem o caos do trânsito, nem a bala perdida que atinge idosos internados em clínicas da zona sul, nem o fato da gente lutar contra as estatísticas toda vez que chega em casa sãos e salvos. Nada disso. O calor seria o único motivo de fato que me faria mudar dessa cidade.

Praia? Vocês estão loooucos? Como se vai à praia com um sol desses? No way! No fucking way. É insolação e câncer de pele tudo ao mesmo tempo agora.

Eu sei que eu deveria ter um ar condicionado. Mas eu não tenho dinheiro. Tem o ar em si, tem a instalação – que o moço falou que custa 250 reais – e tem a conta de luz que vai subir mais ainda (eu já pago por volta de 100 reais de luz por mês. Um apartamento de dois quartos).

Eu vou ali entrar na geladeira um pouquinho, meu povo. Acho que vou pegar meus textos e ir lá pro Banco do Brasil estudar. Ou algum lugar igualmente gelado.



***


Ontem tava vendo a reprise de O diário de Bridget Jones na TV. Eu gosto desse filme. É um bom filme. Eu li o livro antes e gostei bem mais. É mais sarcástico. Mais inglês.

Mas eu me lembro sempre de um namorado que eu tinha na época e que foi ver o filme comigo. E achou bonitinho e engraçadinho. Dias depois a gente teve uma briga e ele mandou a seguinte pérola: “personagens fracassados são muito engraçados na ficção, mas vida real é um pouco difícil de aturar”. Eu e meus ex-namorados...E eu continuei com ele! Palmas para mim! Por causa disso – e APENAS disso – eu merecia ser chamada de fracassada. Não são os homens que são todos uns palhaços. Até são. Mas mulher é tudo otária. E alimenta esses – para usar a terminologia bridgetiana – uns babacas emocionais. Analfabetos emocionais. Acéfalos, atrofiados e neandertais.

E antes que venha Senhora Dona Bem Comida (senhorA? Are you sure?) dizer que meu problema é falta de homem (sério??? Que comentário perspicaz e original! Putz! Que engraçado. Há há. Sabe que nunca me ocorreu isso antes? Nunca ninguém falou pra uma mulher que o problema dela é falta de homi, seja qual fosse o problema dela) eu já vou logo avisando: é por causa de certos trastes que eu tive na minha vida, como esse aí de cima. Se é que você me entende, meu caro – ops! Quero dizer: minha cara.

terça-feira, março 27, 2007

Vida doméstica I

O técnico veio aqui em casa olhar meu computador. A placa de vídeo estava levemente oxidada e um pouco fora do lugar. Ele limpou, mas ainda deu pra segurar sem precisar trocar. Ah, é porque aqui é perto do mar. Há há. Meus equipamentos informáticos sempre estragam mais rápido porque eu moro perto do mar. Um mar que só serve pra isso: oxidar meus equipamentos. Resultado: oitenta pila na mão do maluco – ou melhor, nem foi na mão, porque eu pedi pra ele segurar o cheque até o dia 10, coitado.

Cara da Net finalmente teve aqui. Trocou a porra do controle. 53 pila. 20 da visita e 33 do controle (ou o contrário).

Esse mês: ventiladores de teto (que eu ainda nem paguei) + instalação. Banheiro com vazamento. 30 pila na mão do porteiro. Continua vazando. Porteiro voltou, apertou mais. Hoje o banheiro tá alagado.

Ou seja: todo mês têm despesas extras, que você não estava contando, e que te quebram o orçamento - que já não é dos maiores - fora o transtorno. Sem contar que o Rio de Janeiro é uma das cidades mais caras do mundo. Sem contar que, por estar na zona sul e “perto da praia” – ainda que a praia em questão seja imprópria para o banho e só sirva pra oxidar seus equipamentos – as pessoas se sentem no direito de te explorar.

Sinceramente, people. Tá foda. Deixa eu ir, como diz a minha mãe, cuidar da vida, porque a morte é certa. Aliás, é a única coisa realmente certa nessa vida.

Eu quero um mordomo inglês e uma governanta alemã pra cuidarem de todas essas pendências. James e Frau Bertha, onde estão vocês com minha infusão de tília e meus charutos?

sábado, março 17, 2007

Murphy é meu amigo


Adivinhem quem acordou às quinze pra sete de um sábado? Eeeeeeeu! Perguntem se os caras na Net vieram? Vocês vieram aqui em casa? Não? Pois é. Nem eles. Já é meio dia e quinze e eles ainda não chegaram.

Enquanto isso arrumei duas gavetas, joguei toneladas de papéis inúteis fora, achei um talão de cheques perdido da Era Pré-Cambriana – sendo que a pessoa já tirou outro – achei o paninho do meu laptop; muitas descobertas numa manhã de sábado! Pelo menos fiz algo de útil. Tá tudo arrumadinho, no meu mini-micro-projeto-de-escritório.

E eu ainda acredito nas pessoas, né? Esse meu otimismo desenfreado e sem limites ainda acaba comigo.

terça-feira, março 13, 2007

Notícias do Saara


São Pedro,


Trinta dias sem uma gota de chuva. Eu não sei o que o senhor anda fazendo por aí. Na certa fazendo tempestade em outros pontos. Esqueceu do ridijanero. Aí depois despeja aquela aguaceira, derruba barraco, alaga rua e todo aquele filminho que a gente já viu.

Na boa, Pedroca. Tá sinistra a parada.

Sua batata, assim como a de Toninho, tá assando. Aliás, já queimou com esse calor dos infernos (sorry, santidade, mas é a real). Se liga, cumpadi. Se liga na responsa!

Fui.