sexta-feira, maio 04, 2007

Ai, ai...


Hoje é dia de Maria, minha faxineira-carrasco. Hoje ela realmente me arrebentou. Maria é famosa pelos seus comentários sobre o meu peso e sobre o fato de eu não fazer porra nenhuma da vida – na visão dela – sendo que, quase sempre, os dois vêm juntos na mesma frase. (Confira aqui, caro leitor, as minhas humilhações pregressas: essa e essa).


Enfim. O fato é que hoje eu sou acordada às oito da madrugada com a porra do telefone tocando. Gente, eu não acordo cedo! Eu sei que pra maioria das pessoas isso pode ser considerado sinônimo de vagabundagem, mas eu tenho um ritmo de trabalho flexível. Acordo cedo no dia que tenho aula ou outro compromisso, mas isso não é a regra. No geral acordo no mínimo às dez. Por que as pessoas não podem entender isso, meu caralho? É inveja? Tinha tido dormir às três! Lendo. Estudando. O problema é que quem liga são as filhas da minha faxineira. Quando eu atendo elas desligam e ligam de novo pra que a mãe atenda - e ela nunca atende. Eu não gosto de desligar o telefone do meu quarto nesse dia porque a Maria pode precisar falar comigo, avisar alguma coisa. Puta da vida, me levanto às nove.

Todo esse preâmbulo é pra contextualizar meu estado de espírito emputecido nesta manhã.

Papo vai, papo vem, conversávamos sobre alimentação de lactentes. Minha sobrinha come muito pouco. Eu falava que minha mãe dava leite com farinhas (Neston ou Láctea). Aí ela manda: pois é, e vocês tão tudo aí...gordona, forte...

Fiquei na dúvida se dava um soco na cara dela ou me afogava no pote de iogurte. Respirei fundo. Oquei, vamos lá. Vamos tentar. O dia vai ser bom. Com cafeína tudo fica melhor. Mas estava tão desorientada e tão sonada que fiz café duas vezes. Tenho por hábito jogar fora o café do dia anterior – claro. Fiz o café, fui arrumar minhas coisas e quando voltei joguei o café que eu tinha acabado de fazer fora. Maria olhou completamente incrédula pra minha cara. Vamos lá. O dia vai ser bom. Faço café pela segunda vez.

Aí Maria começa a reclamar que não tem água sanitária – produto que ela apelidou de “líquido sagrado” ou “líquido precioso”. Falei que eu até tinha comprado, mas usei. Aí ela manda: ah, é. Bem que eu vi que os panos de chão tão todos branquinhos.

Uau! Eu recebendo um elogio de Maria? Mas, é claro, tinha que vir uma paulada logo em seguida: também...você não faz nada, mesmo, né? Tem tempo...


***

Quer dizer...a pessoa se mata, rala, ganha uma miséria pra ser tratada como lixo até pela sua faxineira. Pra falar das “meninas de Ipanema” – outra casa que ela faz faxina – ela enche a boca pra dizer ah, ela é Doutora. Agora, a pessoa aqui, que de fato faz doutorado, não é nada. A pessoa que em dois anos receberá um título de PHilosophical Doctor não é nada. (Me lembrei do Ross, personagem do Friends, que é doutor em Paleontologia e é sacaneado constantemente. Um dia ele tá num hospital e diz: eu sou o Dr Ross Geller e... aí a Rachel interrompe: Ross, aqui é sério! Não brinque com isso! Isso lá nos EUA!!).

É, eu sei, eu não deveria ficar tão triste. Minha faxineira não sabe nem ler e é natural que ela não entenda o que eu faço. Mas não deixa de doer. E ela vai perder o emprego por causa disso. Porque eu não vou sentar com ela e explicar o que eu faço. Já tentei. Além do fato dela me chamar de gorda constantemente. Mas aí a gente lembra daquela história do preço e tal. Fui eu que escolhi pagar esse preço. E o preço da minha faxina tá caro demais, literalmente falando - 70 reais. Sem contar que ela só vem uma vez por mês. Quer dizer: eu que acabo fazendo tudo, mesmo. Ela vem só pra limpar janela, ventilador de teto...(que hoje tá cheio de poeira).

Eu também fiquei menstruada. Pode ter a ver. (esse é o tipo de informação irrelevante para se colocar em um blog, típica representação da cultura do espetáculo na qual estamos inseridos, onde a vigilância panóptica controla a tudo e a todos, mas achei que precisava compartilhar com vocês).

Intelectual brasileiro (cospe pro lado). Cuidado ocê aí que tá se rindo d’eu! Minha vingança sará marigrina!! Eu posso terminar meu doutorado e...fazer como certos intelectuais...ser presidente do Brasil!! Há há há há...

4 comentários:

Rê disse...

vigilância panóptica? sua intelectual! citando foucault!
hahahahahahahaha

esse fucô é mesmo o cara. a faculdade de comunicação que o diga.

Gisa disse...

haha,que vida boa heim :P
atualizei meu blog,troquei de template :D
beijos

Greice disse...

Li este e os outros posts sobre a sua faxineira... acho que vc deveria ser monge com toda essa sua paciência! Eu já tinha dado um chá de simancol nela faz tempo!
bjs!

Monica disse...

Prá mim dotô é PHd... Termina logo esse doutorado porque conheço poucos deste tipo. Já do outro...