quarta-feira, março 28, 2007

Eu, o calor e minha amiga Bridget, que sabe das coisas...



Eu odeio calor. Eu sei que eu já falei isso, mas eu preciso falar de novo. Eu odeio muito o calor. Eu não me conformo com o calor. E eu vou morrer sem me conformar com o calor. Certas coisas a gente não se acostuma nunca na vida. Calor, grosseria e bermuda com saltinho nunca vão entrar na minha cabeça como sendo coisas legais. Eu não consigo ver nem uma vantagem sequer no calor. Nem uminha. Eu acho que alguém deveria ser responsabilizado por esse calor. Providências precisam ser tomadas. Eu acho que deveríamos instalar uma CPI do calor. Eu tô que nem o presidente Lula: eu quero dia e hora pra esse calor acabar. Eu quero um relatório completo sobre as atividades do setor calorístico nos últimos meses. Assim não pode. Assim não dá.

E a mocinha sorridente do Bom Dia Brasil se rejubila em dizer que as altas temperaturas não devem dar trégua e no Rio de Janeiro a temperatura passa dos 30. Passa dos 30? Se passasse dos 30 eu tava feliz. Tá passando dos 40 fácil (e vocês sabem, né? Da teoria de que os termômetros não podem marcar mais de 45 graus? Não sabem? Os termômetros não podem marcar mais de 45 graus porque isso é considerado estado de calamidade pública. E em estado de calamidade pública as pessoas não precisam ir trabalhar, os serviços de emergência têm que estar de prontidão e é o caos. É praticamente guerra civil. Só eu sei disso. Então não contem pra ninguém. Só nós e os caras de cabeção e olho na testa que moram lá fora sabem. A Nasa também sabe, mas como sempre nega. Psiu!)

É, eu tô mal humorada (sério? Você? Esse doce de pessoa, Carrie? Que novidade!). Não eu não vou me acostumar com esse calor. Nunca. Minha mãe conta que quando eu era criança e mamava no peito dela meu nariz enchia de bolinhas de suor. Até hoje meu nariz enche de bolinha de suor. Eu tenho vergonha de suar tanto. De derreter. De ter que lavar o cabelo todos os dias, às vezes mais de uma vez, porque ele já está completamente molhado de suor. De transpirar por todos – quando eu digo todos, eu quero dizer T-O-D-O-S – os poros do meu corpo. É como se cada poro chorasse de dor de tanto calor. Sim, o suor são as lágrimas do meu corpo implorando por temperaturas mais amenas (gostei da metáfora).

Eu sei, eu deveria me mudar de um lugar tão quente. Estamos trabalhando nisso. Porque nada no Rio me assusta mais que o calor. Nem a violência, nem o caos do trânsito, nem a bala perdida que atinge idosos internados em clínicas da zona sul, nem o fato da gente lutar contra as estatísticas toda vez que chega em casa sãos e salvos. Nada disso. O calor seria o único motivo de fato que me faria mudar dessa cidade.

Praia? Vocês estão loooucos? Como se vai à praia com um sol desses? No way! No fucking way. É insolação e câncer de pele tudo ao mesmo tempo agora.

Eu sei que eu deveria ter um ar condicionado. Mas eu não tenho dinheiro. Tem o ar em si, tem a instalação – que o moço falou que custa 250 reais – e tem a conta de luz que vai subir mais ainda (eu já pago por volta de 100 reais de luz por mês. Um apartamento de dois quartos).

Eu vou ali entrar na geladeira um pouquinho, meu povo. Acho que vou pegar meus textos e ir lá pro Banco do Brasil estudar. Ou algum lugar igualmente gelado.



***


Ontem tava vendo a reprise de O diário de Bridget Jones na TV. Eu gosto desse filme. É um bom filme. Eu li o livro antes e gostei bem mais. É mais sarcástico. Mais inglês.

Mas eu me lembro sempre de um namorado que eu tinha na época e que foi ver o filme comigo. E achou bonitinho e engraçadinho. Dias depois a gente teve uma briga e ele mandou a seguinte pérola: “personagens fracassados são muito engraçados na ficção, mas vida real é um pouco difícil de aturar”. Eu e meus ex-namorados...E eu continuei com ele! Palmas para mim! Por causa disso – e APENAS disso – eu merecia ser chamada de fracassada. Não são os homens que são todos uns palhaços. Até são. Mas mulher é tudo otária. E alimenta esses – para usar a terminologia bridgetiana – uns babacas emocionais. Analfabetos emocionais. Acéfalos, atrofiados e neandertais.

E antes que venha Senhora Dona Bem Comida (senhorA? Are you sure?) dizer que meu problema é falta de homem (sério??? Que comentário perspicaz e original! Putz! Que engraçado. Há há. Sabe que nunca me ocorreu isso antes? Nunca ninguém falou pra uma mulher que o problema dela é falta de homi, seja qual fosse o problema dela) eu já vou logo avisando: é por causa de certos trastes que eu tive na minha vida, como esse aí de cima. Se é que você me entende, meu caro – ops! Quero dizer: minha cara.

5 comentários:

milema Medeiros disse...

Realmente o calor já passou dos limites e alguém tem que tomar alguma providência.
Qto aos seus poros chorarem de dor, me fez lembrar de uma professora de iniciação sexual(sim, eu tive isso na 5 série) disse a menstruaçao era o útero chorando lágrimas de sangue. rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs
Ps.: o que vc tem contra bermuda e salto?

Carrie, a Estranha disse...

Oi, Mi!

Rsrsrs...boa,boa...

Ah, eu acho estraaaanho! Mas pior é short e salto.

bj

Karina disse...

Tivemos uns dias de outono aqui em SP, chuvinha gostosa e tudo. Mas há dias q o calor voltou com força total e concordo com vc, não dá pra aguentar.
Meu marido encontrou uma comunidade no orkut onde perguntam: quem teve a infeliz idéia de dizer q calor é tempo bom???
Bj, na torcida por dias mais frescos.

Anônimo disse...

bem eu não ando sendo comida tb, mas eu acho os homis uns merdas antes disso. E sim nós somos idiotas.
Aqui na minha terra às 8h está um calor e um sol de rachar e às 8:05 um dilúvio... então não reclama!
Bjs com brisa glacial pra vc.
Sandra Lee

Carrie, a Estranha disse...

Karina,

Pois é, cara! De quem foi a idéia de jerico (ou gerico?) de dizer "ah, o tempo tá ótimo" e qdo o tempo fecha: "ih o tempo tá horrível". Pra quem, Cara Pálida? Sempre penso nisso...

Sandra,

Dilúvio já é alguma coisa! Aqui nem isso.

bjs