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quarta-feira, outubro 29, 2008

Yeeeeessss!

Nevou em New Jersey, aqui do lado - te prepara, Amana! A reporter tá ao vivo de NJ e tem palmos de neve ao lado dela!!!
Completamente atípico! Desde 1972 que não neva em outubro!!! Estão programando o pior inverno dos últimos tempos!!! Obrigada Senhor! Minhas preces foram atendidas! Halleluya! And the church says eeeeeimen!
Eu quero ver neve, eu quero ver neve, eu quero ver neve!!!!
Agora só falta o Santoro. Tá bom, eu tô em NY, pode ser um genérico do Santoro.

quarta-feira, outubro 22, 2008


O pior não é o frio – que, segundo a maioria dos americanos, ainda nem começou; inclusive você vê gente (pouca) de perna de fora ainda, sem nem uma meia fina. Mesmo assim é o maior frio que eu já peguei na minha vida. O frio é tranqüilo, ainda mais se você gosta de frio, como eu. Você bota roupa e tudo bem. O pior é a logística do frio. Você precisa pensar em toda sua roupa antes de sair. E pensar que, assim que entrar nos lugares vai estar quente pra caralho e você vai ter que tirar e, dependendo do lugar, ficar segurando o seu casaco, cachecol e seja lá o que for mais.

E eu preciso encontrar uma logística pra lavagem de roupas. Porque tenho que lavar minhas meias finas no banheiro, porque se colocar na máquina elas vão detonar. Daí preciso ir lavando aos poucos. E botando outras meias por baixo e por cima, de forma que eu não precise lavar as meias finas toda vez que eu usar. Entenderam?

Sem contar o nariz. Meu nariz não parou de escorrer desde que começou a esfriar. Não é que ele esteja entupido (só de manhã), mas ele libera uma secreção constante. Nunca gastei tanto lenço de papel. Tenho uma caixa grande, que fica em casa, e outros tantos de bolso. Como diz o meu Rimão do Meio, cujos problemas de garganta se manifestam qualquer mudança de temperatura, é o homus amigdalóide atacando. No meu caso, é o homus alergenicus.

Se fosse só escorrer só tava bom. O problema é que meu nariz sangra, pois o clima é muito seco pra gente. Então já me acostumei a ver sangue todo dia no meu lenço de papel. Normal.

Por isso eu nunca consigo chegar no horário dos meus compromissos aqui. Eu, pessoa notadamente pontual. Porque eu sempre levo o dobro do tempo pra me aprontar e sempre me perco ao redor de onde eu preciso ir. Sem contar que toda hora acho que perdi meus cartões do metrô, chaves, etc. E preciso tirar sapatos antes de entrar de casa e ao sair de casa...muita logística.

Pra vocês terem uma idéia do meu grau de desorientamento esses dias eu saí de casa de manhã sem escovar os dentes. Tomei banho, tomei café, mas, não sei porque, esqueci de escovar os dentes.

Eca. Será que é a convivência com Zorba? Será que daqui a pouco eu vou estar sem tomar banho? Porque o pior do banho não é o frio. Mas é você ter que tirar toda a roupa e colocar tudo de novo. Se bem que em casa dá pra ficar com pouca roupa por causa de aquecimento. Essa noite eu acordei até suando.

E o aquecedor do meu quarto faz um barulho bizarro. Tudo bem que é pouca coisa o tempo em que ele fica ligado. Acho que as paredes absorvem o calor e daí eles desligam. Mas acho que tá com defeito. Como eu sou um pedreiro pra dormir (dificilmente alguma coisa me incomoda), nem vou me dar ao trabalho de reclamar.


***

Povo andrelandense: nasceu a menininha da Gisele (outra Gisele, não Menina Gi). Chama-se Gabriela. Vou lá visitar. Tava previsto pro dia 31, mas nasceu essa madrugada, as 3:30. Mãe e bebê passam bem.

**

Conheci um esloveno – pessoa da Eslovênia. Tava no albergue das meninas, na copa, esperando-as arrumarem as malas pra gente sair pra comer, segunda feira, últimas horas delas em NY, quando chega aquele ser louro-branco e começa a me perguntar sobre barcos para se fazer passeios em NY. Quando perguntei de onde ele era ele disse que eu não ia saber onde é o país dele. Ora, como não! Falar isso pra uma historiadora! É verdade que quando ele disse Eslovênia (primeiro tive que entender o sotaque dele) eu achei que era um dos países da antiga URSS, mas aí ele me explicou que era uma parte da Iugoslávia que tinha virado país depois da guerra de 1992 – assim como a Croácia, a Bósnia, a Macedônia (que não se chama exatamente Macedônia, mas eu esqueci como é). Ah, passei perto! A gente ficou conversando e quando as meninas chegaram, eu chamei-o pra ir comer com a gente.

Ele não queria acreditar que nós, especialmente as meninas, éramos brasileiras. Porque uma delas é filha de japonês. A outra, menina Gi, é mais branca que eu e tem olhos e cabelos claros. Então lá fomos nós, brasileiras falsificadas, filha de japoneses e esloveno para um restaurante tailandês que tocava um tecno ensurdecedor em plena segunda feira gelada.

O moleque era uma figura – ou um cromo, como diria Helena. Super engraçado. Ele é estudante de doutorado em Biologia e estava nos EUA para participar de algumas conferências e depois iria ao Canadá. Mas em NY ele estava só a passeio por 4 dias. Diz ele que estava se sentindo que nem o Borat. Ele se chama Vit e tem 27 anos. Não é feio, não, como diria Formiga Mãe.

Comemos, depois fomos procurar um waffle e depois fui com eles até o albergue, de onde pegaria o metrô pra casa. Aí vai eu, na minha versão estadunidense mega sociável: “Vit, I’ll write my cell phone, in case you want...” no que ele me interrompeu/completando: “Marry you? Oh, I think you are going too fast, girl!”.

Humm…gringo engraçadalho do carilho. Por isso é que brasileira leva a fama de puta e não sabe porquê. Eu, tentando ser simpática...dá nisso. Por isso é que eu sou antipática a maior parte do tempo. Mas, sem querer ele apontou meu principal problema em relacionamentos. Falta de timing. Too fast or too slow. Yes, Vit. That’s me.

Fiquei azul de vergonha, mas tive que rir também. Eu, que nunca faria isso em condições normais de temperatura e pressão – dar meu telefone pra um cara que nem pediu e que eu acabei de conhecer – resolvo fazer justo com um esloveno. Isso, Carrie! Você só perde pro Woody Allen na falta de jeito! Ou pro amigo de um amigo meu que chega nas mulheres perguntando “você gosta de molho pesto?”. E esse Vit é o tipo de pessoa que simplesmente não freia o que lhe vem a cabeça. Sai falando. Meio que nem o Borat, mesmo.

No final falei que ele podia me ligar nesses dias em que ficasse por aqui, caso precisasse de alguma coisa e eu prometia não casar com ele. No que ele fez um muxoxo do tipo “oh...que pena”.

Rá rá. Mas que foi engraçado, foi. Vê-lo levantando as sobrancelhas quando eu disse que ia dar meu telefone. Realmente o gap cultural entre a Eslovênia e o Brasil é um tanto quanto grande e deve ter soado muito bizarro pra ele. Apesar disso, ele já tinha visto Cidade de Deus e Central do Brasil – em festivais de cinema independentes e porque o namorado de uma amiga dele era brasileiro. Segundo ele, o cara terminou com a menina porque achou-a muito independente. Sim, comportamento tipicamente latino.

Quando fomos contar a história de “O ano em que meus pais saíram de férias” ele perguntou porque todo filme brasileiro tem que ter um garotinho abandonado. A meditar.


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A biblioteca ta impossível hoje. Mega lotada. São as mid-terms. As provas de meio de semestre. Aqui nego leva a sério prova. Não quero nem ver quando for a prova final. Tô tendo que revezar buraco de tomada com uma menina. Revezar buraco é depression. Buraco é coisa muito pessoal.


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Tô tensa para com minha tese. Eu fico tensa por qualquer motivo. Bons ou ruins. Empaco por qualquer coisa. Empaco porque acho que não vai dar tempo, empaco porque acho que tá muito ruim e porque não sei como continuar e empaco porque acho que tá muito bom e tenho medo de não conseguir fazer o que acho que poderia fazer. Empaco quando encontro coisas muito boas ou quando não encontro nada. Empaco.

Quer dizer: fico nervosa em pensar que pode dar muito errado ou que pode dar muito certo. Ainda mais porque andei recebendo uns e-mails de pessoas no Brasil, contatos profissionais que me fizeram crer que eu estou indo na direção certa. Sabe quando as pessoas acreditam mais em você do que você mesma? Putz. Que medo. E, se eu conseguir fazer o que eu quero...nossa. Minha tese será bombástica. Porque eu estou falando de uma coisa que pouca gente falou. E essas pessoas contam comigo pra falar isso. É muita responsabilidade. E eu não quero falar nem A nem Z, que seria o mais óbvio. Ou pior: pode acontecer de eu conseguir fazer o que quero e mesmo assim minha tese não ser bombástica...porque tem muitas outras questões – e pessoas – envolvidas. Aí eu vou ficar muito puta. Quer dizer, não tem como eu não me frustrar de alguma forma. Porque as minhas expectativas são sempre muito altas. Pink e Cérebro.

Timing. Tudo na minha vida se resume a uma questão de timing. Ou falta de.

Difícil ser eu.

Não é pra entender esse pedaço.

terça-feira, setembro 30, 2008

Descobertas

Finalmente eu comprendo o conceito de meia-estação, bem como a existência de coisas outrora impenetráveis para o meu embotado intelecto, tais como, por exemplo, a manga três quartos, sete oitavos e o sobretudo de outono. Todas essas idéias eram, para mim, tão abstratas e incorpóreas quanto o Imperativo Categórico kantiano e a Idéia Absoluta hegeliana.
Mas infelizmente deu uma esquentada de semana passada pra essa. Uns 10 graus acima. Estamos com 70 e poucos. Saco.
Mas ainda assim consigo usar minhas botas e não transpirar até derreter e isso é ótimo.

segunda-feira, abril 07, 2008

Asteriscos

Ai, eu não preciso nem dizer o quanto eu gosto desse tempo, preciso? (não, isso NÃO foi uma ironia).
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Eu detesto quando não respondem meus e-mails. Eu sei, as pessoas tem muitas coisas pra fazer...mas, puxa. Eu detesto. O que eu posso fazer se eu detesto?
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Eu fui ver "Na natureza selvagem" de novo, sábado. Tá, eu sou meio obsessiva. Mas dessa vez saí com uma outra percepção do filme mais forte. SE VOCÊ NÃO QUER SABER O FINAL DO FILME, PULE ESSE TÓPICO. ATENÇÃO EU VOU REVELAR O FINAL DO FILME. PULE PARA O PRÓXIMO ASTERISCO. Saí pensando em como tudo o que o cara faz é uma resposta à família dele. Ele queria ser livre, mas passou parte da vida atrelado aos fantasmas do passado. Em última análise, ele se matou por não conseguir lidar com a família que tinha. Não conseguiu sustentar os laços e lidar com as dificuldades de todas relações. A morte foi a única forma dele perdoar a própria família. Tudo bem, ele não se matou deliberadamente, mas há diversas formas de suicídio. A única frase é emblemática: "se eu tivesse corrido para os seus braços, teria visto o que eu vi?". A única forma dele viver foi...morrer. Às vezes essa é a única forma que alguns de nós tem pra viver. E aí saí meio deprê do filme. Mas continuo adorando e pensando que alguns exemplos como esse continuam valendo ao menos para relativizar as certezas.
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Parece arrogância, mas é só estranhice. Eu fico distante de todo mundo não porque seja "superior", mas apenas porque estou em outra. Nem melhor nem pior. Outra.
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Sonhei com meu pai. Mais um daqueles sonhos em que ele "deixava de estar morto". Ele ia casar com a minha mãe. E estava lavando louças na cozinha da minha casa de VR. E eu dizia: "pai, mas se você vai casar com a mãe, e você já foi casado com ela antes de morrer, as pessoas vão notar que você morreu e desmorreu, porque se você apenas não tivesse morrido, não precisaria casar de novo". Bom, no meu sonho isso tinha uma lógica. E ele me explicava alguma coisa que eu não me lembro.
Eu às vezes faço uns exercícios de meditação que eu baixei da internet. Tem um específico, do De Rose (aquele véinho da Yoga), onde ele pede pra você entrar no seu coração, ver uma luz brilhante e segui-la. Lá você encontra seu Mestre do Coração, que pode ser alguém que viveu há tempos. Trata-se de uma imagem arquetípica de sabedoria, que em geral é representada por um velho de barbas compridas. Sempre que eu faço essa meditação me vem a imagem do meu pai. E ontem, na hora de dormir, eu fiquei fazendo esse exercício.
Formiga Irmã me contou que, esses dias, ela estava cochilando depois do almoço, na cama de nossos pais em VR. Eu estava aqui no Rio e minha mãe estava em Minas. Daí ela estava naquele estágio entre o sono e a vigília e sentiu um beijo do meu pai. Sentiu a pele dele e uma imagem muito nítida. Daí ela deu aquele pulo, acordou e não viu nada.
Droga. E ela me conta assim, depois de um tempão, na maior naturalidade.
Bom, foi só um sonho mais realista. Mas que é legal, é.
É muito bizarro a ligação que eu tenho com o meu pai. Eu sempre fui muito próxima dele, mas com a morte, ele ficou ainda mais perto - o que, de certa forma, foi ainda melhor, já que eu sentia muito mais saudade quando ele estava vivo e ficávamos muito tempo sem nos ver do que agora. Eu nunca sofri realmente pela morte do meu pai. No máximo uma saudade em determinados momentos. Eu sofri quando ele ficou doente. Durante o processo. Vendo ele se enfraquecer, passar pela quimio, ser internado. Mas quando ele morreu eu fiquei muito próxima dele. Ainda mais próxima. E, não, não me considero uma pessoa "espiritualizada" (o que quer que isso signifique), nem religiosa. É quase palpável isso que eu falo. Ele realmente está comigo o tempo todo.
Enfim. Tenho certeza de que algum dia vou encontrá-lo de uma forma mais palpável ainda. Não necessariamente numa vida após a morte. Mas de alguma outra forma.

domingo, novembro 11, 2007

Na boa: se não chover hoje eu peço pra sair.

Sou só eu que estou sentindo um calor senegalês? Mormaço dos infernos? Ante-sala do capeta? Bafo do Coisa Ruim no cangote? Tô mastigando gelo pra ver se passa.

Praia? Que mané “aia”. Trabalho. Meu nome é tabaio.

quinta-feira, maio 24, 2007


Carrie White finalmente sente frio e pára de suar, senhoras e senhores! Isso é raro!

Saí novamente com minhas botas de Heildelberg hoje. Uau. Do jeito que as coisas andam vou conseguir usá-las umas 4 vezes neste outono/inverno!

É engraçado esse lance de frio/calor. Aqui no Rio basta um ventinho e uma chuvinha pras pessoas saírem com TODAS as suas roupas de inverno ao mesmo tempo. Deve ser pelo mesmo motivo que as pessoas saem de shortinho no verão alemão e austríaco – um dos maiores frios que eu já passei foi um verão na Áustria (reparem na pessoa: “um verão”. Com coisa que eu já passei vários! Hahaha).

E ainda tenho que ouvir uma senhora dizendo “Chuva, o Rio não combina com chuva!”. Gente, eu não sei qual o problema que as pessoas têm com chuva. Eu amo chuva. Inclusive quando eu estou na rua. Bota um sapato que não molhe – como por exemplo MINHAS BOTAS DE HEILDELBERG – um agasalho decente e uma sombrinha. Pronto. Muito melhor que aquele sol. Coisa cafona, sol. Argh. Suor. Câncer de pele. Credo.

Eu estou até usando meias! Ai, como fico feliz quando uso meias! E eu estou ouvindo o vento dando uivos lá fora. Estou praticamente dentro de um romance da Emile Bontë.

Eu já disse que eu não sou geneticamente adaptada para o calor, né? E que no fundo eu sou um urso polar – ou melhor, uma ursa -: gorda, branca e que precisa de gelo.

quinta-feira, maio 10, 2007

O tempo, hoje, no Rio


Gente, tá frio. Muito frio. E chovendo. Que coisa boa! Obrigada, Senhor! Aleluia, irmãos!

sábado, março 31, 2007

Tô lá

Eu vou participar. E vou ganhar.

A-há u-hu, o Círculo Polar Ártico é nosso!


Descobri que sou um urso polar vivendo em cativeiro.

Que pelo menos me joguem cubos de gelo!

quarta-feira, março 28, 2007

Eu, o calor e minha amiga Bridget, que sabe das coisas...



Eu odeio calor. Eu sei que eu já falei isso, mas eu preciso falar de novo. Eu odeio muito o calor. Eu não me conformo com o calor. E eu vou morrer sem me conformar com o calor. Certas coisas a gente não se acostuma nunca na vida. Calor, grosseria e bermuda com saltinho nunca vão entrar na minha cabeça como sendo coisas legais. Eu não consigo ver nem uma vantagem sequer no calor. Nem uminha. Eu acho que alguém deveria ser responsabilizado por esse calor. Providências precisam ser tomadas. Eu acho que deveríamos instalar uma CPI do calor. Eu tô que nem o presidente Lula: eu quero dia e hora pra esse calor acabar. Eu quero um relatório completo sobre as atividades do setor calorístico nos últimos meses. Assim não pode. Assim não dá.

E a mocinha sorridente do Bom Dia Brasil se rejubila em dizer que as altas temperaturas não devem dar trégua e no Rio de Janeiro a temperatura passa dos 30. Passa dos 30? Se passasse dos 30 eu tava feliz. Tá passando dos 40 fácil (e vocês sabem, né? Da teoria de que os termômetros não podem marcar mais de 45 graus? Não sabem? Os termômetros não podem marcar mais de 45 graus porque isso é considerado estado de calamidade pública. E em estado de calamidade pública as pessoas não precisam ir trabalhar, os serviços de emergência têm que estar de prontidão e é o caos. É praticamente guerra civil. Só eu sei disso. Então não contem pra ninguém. Só nós e os caras de cabeção e olho na testa que moram lá fora sabem. A Nasa também sabe, mas como sempre nega. Psiu!)

É, eu tô mal humorada (sério? Você? Esse doce de pessoa, Carrie? Que novidade!). Não eu não vou me acostumar com esse calor. Nunca. Minha mãe conta que quando eu era criança e mamava no peito dela meu nariz enchia de bolinhas de suor. Até hoje meu nariz enche de bolinha de suor. Eu tenho vergonha de suar tanto. De derreter. De ter que lavar o cabelo todos os dias, às vezes mais de uma vez, porque ele já está completamente molhado de suor. De transpirar por todos – quando eu digo todos, eu quero dizer T-O-D-O-S – os poros do meu corpo. É como se cada poro chorasse de dor de tanto calor. Sim, o suor são as lágrimas do meu corpo implorando por temperaturas mais amenas (gostei da metáfora).

Eu sei, eu deveria me mudar de um lugar tão quente. Estamos trabalhando nisso. Porque nada no Rio me assusta mais que o calor. Nem a violência, nem o caos do trânsito, nem a bala perdida que atinge idosos internados em clínicas da zona sul, nem o fato da gente lutar contra as estatísticas toda vez que chega em casa sãos e salvos. Nada disso. O calor seria o único motivo de fato que me faria mudar dessa cidade.

Praia? Vocês estão loooucos? Como se vai à praia com um sol desses? No way! No fucking way. É insolação e câncer de pele tudo ao mesmo tempo agora.

Eu sei que eu deveria ter um ar condicionado. Mas eu não tenho dinheiro. Tem o ar em si, tem a instalação – que o moço falou que custa 250 reais – e tem a conta de luz que vai subir mais ainda (eu já pago por volta de 100 reais de luz por mês. Um apartamento de dois quartos).

Eu vou ali entrar na geladeira um pouquinho, meu povo. Acho que vou pegar meus textos e ir lá pro Banco do Brasil estudar. Ou algum lugar igualmente gelado.



***


Ontem tava vendo a reprise de O diário de Bridget Jones na TV. Eu gosto desse filme. É um bom filme. Eu li o livro antes e gostei bem mais. É mais sarcástico. Mais inglês.

Mas eu me lembro sempre de um namorado que eu tinha na época e que foi ver o filme comigo. E achou bonitinho e engraçadinho. Dias depois a gente teve uma briga e ele mandou a seguinte pérola: “personagens fracassados são muito engraçados na ficção, mas vida real é um pouco difícil de aturar”. Eu e meus ex-namorados...E eu continuei com ele! Palmas para mim! Por causa disso – e APENAS disso – eu merecia ser chamada de fracassada. Não são os homens que são todos uns palhaços. Até são. Mas mulher é tudo otária. E alimenta esses – para usar a terminologia bridgetiana – uns babacas emocionais. Analfabetos emocionais. Acéfalos, atrofiados e neandertais.

E antes que venha Senhora Dona Bem Comida (senhorA? Are you sure?) dizer que meu problema é falta de homem (sério??? Que comentário perspicaz e original! Putz! Que engraçado. Há há. Sabe que nunca me ocorreu isso antes? Nunca ninguém falou pra uma mulher que o problema dela é falta de homi, seja qual fosse o problema dela) eu já vou logo avisando: é por causa de certos trastes que eu tive na minha vida, como esse aí de cima. Se é que você me entende, meu caro – ops! Quero dizer: minha cara.

sábado, março 24, 2007

Outono?

Car Alhos. Onde estão as águas de março fechando o verão? Todo dia ameaça um chuvão, daqueles, mas no final caem uns míseros pinguinhos e no dia seguinte, calor de novo.

Esse verão já deu. Há uns três meses, aliás.

Li na Ticcia que em Porto Alegre já dá pra sentir o cheiro de outono.

(Suspiro)

Ai, ai, viu. Mil vezes ai, ai.

Quando der um toró daqueles, lembrem-se dessa sua amiga. Pensem: “a Carrie deve estar feliz agora”. E quando tiver chovido uma semana inteira, as ruas estiverem engarrafadas, as meias úmidas, o coração apertado e vocês pensarem “será que a Carrie continua feliz?” saibam que sim, meus caros, eu continuarei feliz. Porque qualquer tempo é melhor que esse calor. Qualquer.

Muito prazer, Mortiça Adams.

sábado, março 17, 2007

Miragem


Eu pensei ter visto minha rua levemente molhada ontem, da janela. Acho que delirei. Deve ser uma alucinação devido a quase 40 dias de seca.

Hoje o tempo tá bizarro.