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sexta-feira, dezembro 05, 2008

Os dias estão simplesmente lotados!



Sorry, folks. Sei que sumi, mas em ritmo de volta, já. Assim como a ida foi uma loucura, a volta está quase sendo também. Claro que não tem o estresse de ir pra um lugar novo (ao contrário, tem até um certo alivio, pelo menos em relação a minha casa), mas mil providências a tomar. E, além disso, hoje chegaram Formigas Mãe e Irmã. Tudo bem, passeiozinho de carruagem pelo Central Park, Rockfeller Center e St Patricks Cathedral. Apenas um ligeiro estresse com um motorista aqui do Queens que era quase uma réplica do estado mental do De Niro, em Táxi Driver, com o físico do Schwazneger-negão e bêbado. Sim, nós descemos ao perceber o equívoco, mas até lá... Prometo contar assim que tiver forças (o que não deve acontecer nos próximos dias, mas tenham paciência).

Em tempo: elas estão ficando em casa de Mab que viajou e nos alugou por um precinho mais que camarada. Elas foram hoje comigo na casa da grega. Falei o que de pior eu podia sobre a casa pra prepararem-nas para o choque. Eu pensei que elas fossem dizer “ah, Carrie, que exagero”. Tolinha. Só pra vocês terem uma idéia minha mãe chorou de ver o apartamento. Sim. Chorou. Ok, ela estava cansada e tal, mas ela chorou em pensar que eu fiquei 4 meses ali. Utilizou palavras como opressivo e deprimente numa mesma frase pra descrever o apartamento – e quem conhece minha mãe sabe que ela é o tipo de pessoa otimista que vê sempre o lado bom das coisas e tal e cousa. Realmente, acho que as fotos e os meus relatos não fazem jus a atmosfera greguense – infinitamente mais medonha quando se sentem odores e texturas. Diz a minha irmã que parece uma casa em mudança. Foi até engraçado. Elas entraram na cozinha e ficaram chocadas. Eu disse: “ficaram chocadas? Então se preparem pra ver a sala/quarto”. É que a gente se acostuma, né? Minha mãe disse que eu devia ter saído no primeiro dia, que se danasse o dinheiro e que se elas tivessem vindo em setembro teria me feito sair dali. Ficaram visivelmente perturbadas e saímos o mais rápido que eu pude, antes que a minha mãe passasse mal.

E o choque foi maior por ter saído da casa de Mab, minuciosamente limpa pelo mesmo, cuja sobriedade e aspecto clean (ainda que ele reclame que está entulhado. Há! Tolinho!) fazem parecer um prédio do Niemeyer perto da casa da grega - que é um misto de Igreja barroca em reforma, com casa do Norman Bates e tumba de Tutankámon. Enfim, o bom é que não vou mais lá a não ser pra pegar minha mala que já está arrumada. Detalhe: minha mãe em geral acha que eu exagero as coisas e volta e meia acha que eu não deveria escrever certas coisas aqui. Esse foi a única vez em que ela disse: “você falou até pouco no blog perto do que é”.

E ainda por cima pilantra. Achei um papel nas coisas dela (eu poderia dizer que eu não tenho o hábito de mexer nas coisas dela, mas de nada justifica minha péssima atitude. Xereto nas coisas dela, sim, pra descobrir pistas sobre o meu risco ali dentro - depois de ter sido perseguida pelo landlord) dizendo que ela vai receber uma estudante japonesa nos últimos dez dias de dezembro num sistema de intercâmbio. Quem é a professora, Carrie? Ela, caro leitor. O curso é sediado em Mônaco e a japinha vai pagar por 610 por dez dias com 3 refeições (onde? ? ? Em cima da toalha azul imunda?) e cursos de inglês. E diz na ficha dela que ela quer fazer ioga. Não duvido nada da grega colocar um tapetinho de ioga lá e dizer que ela é professora.

Sem mais palavras, despeço-me caríssimos. Volto em breve.

quinta-feira, novembro 20, 2008

E lá vamos nós...

Tô em tempo de porrar a Zorba. Dois dias sem TV. Acabei de passar um e-mail pra ela, dizendo que não tem condição. Terceira vez que isso acontece. Sabem o que ela respondeu? Oh, Carrie, me desculpe, mas é que a fila pra pagar estava muito grande. Daí ela não pagou, foi pagar muito depois – provavelmente ontem – e só vão religar daqui a três dias. E que ela me reembolsa. Respondi dizendo que eu realmente gostaria de ser reembolsada. Da primeira vez fiquei quieta. Da segunda também. Agora chega. Quero receber o dinheiro dos meus dias sem internet. Que seja merreca, mas eu quero. Porra, tomanocu grega fedorenta filhadaputa! Pagando os tubos por essa pocilga e nem os serviços pelos quais eu paguei estão ok?

Além disso, fui entrar no banheiro quando cheguei da rua e caiu um quadro na minha cabeça. Sim. Um quadro. O que faz um quadro no banheiro? – a pergunta que não quer calar. Eu sei, ela não tem culpa disso. A menos que eu entre numa onda paranóica e ache que ela está tentando me boicotar. Não acho que seja o caso.

Mas imagine você, caro leitor, entrando calmamente depois de um dia de trabalho no seu banheiro e cai um troço em cima de você. Minha primeira impressão é que tinha alguém pulando em cima de mim. Nem machucou, mas foi um susto! Acho que foi pressão. Por eu ter tirado fotos do apartamento inteiro de Zorba. O quadro se rebelou e quis me bater.


* * *

Quando eu estudava Comunicação, naquela cidade do outro lado da poça (da baía de Guanabara), dentre os muitos malucos – e bota malucos nisso – que chefiaram o departamento, um dos meus favoritos era um cara de Cinema (porque minha faculdade tinha Cinema, então a concentração de malucos era maior do que geralmente já são as faculdades de Comunicação em geral, e ainda por cima o pior tipo de maluco: o maluco cabeça. Aquele que acha que é artista e todo artista é um pouco louco essas merdas todas). Pois bem, essa figura era o maluco clássico. Aquele com olho vidrado, que fica te olhando sem dizer nada. Pra piorar as coisas ele era idêntico, igualzinho a Maria Betânia, um pouco mais grisalho do que ela, mas com os mesmos longos cabelos anelados, e com as habituais batas brancas e sandálias de couro.

Um belo dia, em uma ardorosa discussão pela lista de professores do Departamento de Comunicação, não sei porque motivo (professores universitários têm o hábito de brigar entre si e é raro o departamento que não é rachado, com grupinhos que não se falam) ele simplesmente mandou a seguinte resposta: “VÃO TODOS VOCÊS TOMAR NO CU!!!!!”

(Pausa para reflexão)

Não, não quero falar sobre o absurdo da situação: um chefe de departamento de uma universidade pública mandar os colegas, no meio de uma discussão profissional, tomarem no cu. Isso é óbvio. A situação é tão, tão, tão surreal que não tem nem o que comentar. Assim como o Alexandre Frota (aliás, eu queria aproveitar o ensejo e...vocês sabem).

Depois as pessoas não sabem porque eu tenho trauma da faculdade de Comunicação.


* * *


Recebo toneladas de e-mails com concursos para universidades públicas. Para locais tão acolhedores quanto Sergipe e Tocantins. Aliás, esse ano de 2009 será de muitos concursos para universidades. Bom né, Carrie? Bom leitor. Mas e a preguiça? Tocantins? Sergipe? Ai, ai...como diria meu Cosnis.

Temo ser acometida pela síndrome Odete Roitman ao voltar para o Brasil sil sil. Ainda que eu esteja com saudades da MINHA casinha, dos MEUS amigos, da MINHA família...e só.

* * *

Hoje tinha casacos Adidas na lujinha da academia a 5 dólares. Catei, não quis nem saber se ia servir ou não. Era XL. E aqui XL é realmente grande. Ficou um balão (pra vocês terem uma idéia eu tinha comprado uma calça de moletom L e tive que trocar pela M, pois ela tinha ficado realmente grande. Aproveitei pra trocar por uma vermelha e ganhei 20% de desconto. Que não poderia ser devolvido em dinheiro, só em mercadoria, mas como eu ia levar mais coisas mesmo, foi um negoção). Sorte de alguém que vai ganhar presente. Depois vi uns outros lá, não Adidas, mas igualmente bonitos pela mesma bagatela. Mas não comprei, ainda. Trouxe moletons (calça e blusa). Tudo a 5. Tudo bem que não é “oh, que lindo”, mas é um moletom. Cinza. E a promoção do vermelho, branco e azul continua. Achei que era pra acabar com os estoques, mas hoje tinha mais produtos. O problema é que cada vez que eu vou lá eu PRECISO comprar alguma coisa. Por esse preço, gente?!

Esses dias comprei uma dessas blusas de por por baixo da roupa, quentinhas, e também fui logo na XL. Ficou meio grande. Ainda mais porque esse tipo de roupa tem que ser usada certinha no corpo, se não faz volume. Resultado: só dá pra dormir com a blusa (mas também foi 2,99). O conjunto completo (calça e blusa), de melhor qualidade, quentinho, sai a 7,99. No Brasil sil sil você acha, com muito esforço, naquelas lojas de Ipanema para esportes de inverno, por 60, 70 reais. Ok, num país tropical esse tipo de roupa tem que ser mais caro, mesmo. Mas eu fico chocada como itens de inverno são baratos aqui. Na lojinha aqui perto, a Bargain (tipo uma 0,99), um super casaco de inverno meio de nylon, desses fofinhos tá 19,99!! Aliás, minha maior perdição aqui são essas lojinhas. Que mané Macys! A Macys é muito cara e nem dá pra comprar muito. Mas essas lujinhas...ui ui ui! Salim fica saidinho: “vai, menina Carrie, gombra!”.

É foda ter complexo de gordo. Você sempre acha que as roupas não vão te caber, que você precisa de um número maior, que não vai servir...isso se você for um gordo consciente, pois tem também o gordo sem loção e esse, só dando surra de toalha molhada. Mas todos os dois tipos são safados. Aliás, esses dias tava fazendo as contas dos 10 quilos que eu emagreci esse ano e fiquei pensando: “não é possível que eu tenha emagrecido isso tudo!”. Tive até que consultar meus arquivos para ter certeza. E, segundo a balança da Raquel, eu ainda teria emagrecido mais 2 quilos além dos 10. Mas ela mesma disse que a balança dela não esta muito precisa. Mas se eu pensar que eu emagreci 10, engordei 3, depois vim pra cá e, fatalmente emagreci nos primeiros dias (muita tensão, andando muito, muita coisa pra resolver, sem saber se o dinheiro vai dar, sem muita intimidade com os produtos no supermercado...), depois devo ter parado e engordado um quilo...é...devo estar com os mesmos 10 quilos perdidos.

* * *

Chaaaato esse post...

* * *

Previsão de ligeira neve pra amanhã. Aquecedor que esquenta tanto que eu tenho que abrir a janela pra gelar.

* * *

Minha família toda em Gotham City para formatura de meu priminho Túlio, em Medicina, e eu aqui, sem nem televisão. Mas, como diz meu primo Matheus, com quem falei pelo skype, de 10 anos: “ah, aí também é bom”. É. Mas que tem horas que podia existir o teletransporte, isso podia.

Bomba! Bomba! Acidente ecológico em Gotham City!!! Uma empresa jogou detritos no rio Paraíba e toda a região está sem água!! Teria sido o Curinga, me pressionando para que eu vá na formatura? Versailles lotada e sem água para os festejos reais! Ah, mas em Versailles ninguém toma banho, disse o leitor engraçadinho ali. É, mas em dia de festa se toma.

terça-feira, novembro 18, 2008

Nave mãe chamando...

Oi todo mundo! Respondi a todos os comentários, um por um, no post debaixo, mas aí deu erro. Depois de já ter respondido 56 recados no orkut e e-mails, não vou escreer tudo de novo. De modo que queria dizer, coletivamente, pra todo mundo, MUITO OBRIGADA por todas as mensagens de carinho, comentários, scraps, MSNs, e-mails, Skypes, etc etc. Me senti aquecida por todos os bons votos de vocês.
Meu aniversário foi óoootimo! Contrariando minhas expectativas desde os 5 anos de idade (que eu sempre acho que ninguém vai a minha festa) todo mundo que eu chamei foi, menos o meu amiguinho Will - que nem se lembrou de me dar os parabéns e só falou hoje comigo depois que eu disse "e aí, Will, parabéns!". Ainda por cima mandou aquela desculpa "ah, eu estava um pouco gripado". No Brasil pelo menos a gente capricha nas desculpas. Fala que tava muito gripado.
Ganhei muitos presentinhos, flores e abracinhos! Amanhã boto fotenhas de tudo - quer dizer, amanhã pra mim, mas pra vocês é logo mais. Não sei porque o blogger data as minhas postagens com a hora do Brasil - e atualmente estamos com 3 horas de diferença.
Foi bom que várias pessoas se conheceram. O elenco todo de apoio deste blog: Leitora Física Caçadora de Tempestades, Mab, Raquel, Karen...Eu mandei Raquel e Lei. Fis. Ca. Temp. ficarem amigas. Vamos ver se elas me obedecem e brincam juntas na hora do recreio de mãozinha dadas. Elas são da mesma cidade do Brasil, são casadas com americanos, têm quase a mesma idade, moram em NY e a altura combina. Tem que ser amiguinhas! Emprestar giz de cera uma pra outra! Ai, ai, ai! Onde já se viu!
E domingo comi feijão e arroz e carne moída! Mab fez pra mim. Me receberam ele e Senhora Mab para o evento em seu palacete de inverno. Eles não queriam que eu revelasse o segredo, mas eu vou revelar. Na verdade eles compram o feijão em lata, tiram a água, temperam "à brasileira" e cozinham. Fica perfeito! Até linguiça tinha no feijão! Muito bom! Comi três pratos e eles ainda me deram uma quentinha pra trazer pra casa. Hahahaha...(Shrek! Bruuuup! Sorry!) Delícia! E o arroz? E a carne moída? Com um tiquinho de canela, receita dos turcos amigos deles (ou libaneses...sei lá...), só pra aromatizar. Show de bola. Mais uma salada e um strudel de maçã, levado por mim, de sobremesa. Saí de lá rolando, com minha quentinha de feijão, um casaco emprestado (já que gelou subitamente) e um DVD do Hulk com o Edward Norton morando na Rocinha e recebendo treinamento de um dos Gracie pra controlar o raiva (tem também a Liv Tyler).
Greguense não pagou (ou atrasou) de novo o pagamento da TV a cabo de modos que estamos sem TV. Ô caraio. Eu também preciso receber treinamento de um Gracie pra controlar minha raiva.
E, segundo minha Leitora Física Caçadora de Tempestades essa semana chegaremos a menos 10 graus! Yeeeeeess! Amo muito tudo isso! Já vou treinando pra minha nova meta de vida que é a Islândia. Hoje já fez um frio filhadaputa, mas disseram que seria o dia mais quente da semana. E sábado, dia do meu níver, q teve alerta de tornado pra NY? Diz o Mab que eu sou o tornado! Só pra vocês terem uma idéia de como a temperatura pode despencar em poucas horas, sábado tava fazendo 17 graus aqui. De dezessete pra menos dez em uma semana é bizarro.
Voltei pra cadimia hoje - claro depois de tanto feijão...e tava em liquidação, todos itens vermelhos, azuis e brancos com 25% de desconto (talvez porque a cor oficial da faculdade seja o roxo...vai entender...). Blusas a 5, moletons a 15, shortinho q eu tinha pagado 35 a 5 (ódia!!), quer dizer, outra cor. Tive que comprar. E acho que ainda vou comprar mais.
Tô que nem o ex-futuro-sogro da minha tia Deceles, pessoa simples do interior de Minas, que quase nunca viajava, quando foi a Cabo Frio queria comprar uma camiseta com o nome da cidade "se não ninguém vai acreditar que eu fui no Cabo Frio". Eu também tenho que comprar várias coisas escritas NYU. Se não ninguém vai acreditar que eu estudei no NYU. Sem contar que são coisas da Nike. Vou tirar muita onda! Nike e NYU. Ter a Nike emprestando seu logo pra uma universidade é muita onda.
E ainda tenho que comprar minha camiseta de luta-livre. Pra quando me perguntarem "você luta?" eu possa responder - dando uma espriguiçada estretégica, de modo que o meu trapézio fique evidente - "lutava em NY. Atualmente eu tô meio parada" - no que eu dou um estalo de pescoço - ante ao olhar incrédulo e aterrorizado do meu interlocutor.
Tá acabando...menos de um mês.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Quase despejada

Putaça com Zorba. Hoje eu tive a prova de que ela subloca esse apartamento e por um preço muito maior do que ela realmente paga – não apenas dividindo o aluguel, como seria o justo, a meu ver.

Antes que o leitorzinho ético, cidadão de bem e cristão se manifeste dizendo “ei, você é conivente com isso! Não devia ter aceitado não assinar contrato”, deixa eu colocar as coisas claramente. Isso é Nova York. Aloooou! A segunda ou terceira cidade mais cara do mundo. Onde a especulação imobiliária bate recorde. Onde, nem sempre, ter dinheiro basta para alugar ou comprar um apartamento. Dependendo da região você tem que ser aprovado pelo conselho do prédio (ou ninguém nunca viu o episódio em que a Miranda tenta convencer o conselho do prédio dela a aceitar aquele negão lindo que ela pega depois?). E mais um milhão de outras coisas que existem aqui e vocês nem sonham. Existe um tipo de aluguel aqui que é passado de pai pra filho. Como herança. De tão brabo que é alugar aqui. A pessoa se dá por satisfeita quando têm um contrato desses. Eu desafio qualquer um de vocês a conseguir um apartamento ou quarto por 4 meses e meio assinando contrato. De todas as ofertas que eu fui atrás, nenhuma falou em me colocar no contrato. Quero ver alguém aceitar te colocar no contrato. Vão lá na Craigslist e tentem. Aqui nego só faz contrato por um ano, no mínimo – isso quando não pedem pra pessoa pagar um ano adiantado (isso mesmo, um ano adiantado), no caso dela não ter o Social Security Number. Formiga Sênior que está em Montreal, Canadá, muito mais barato que aqui e com muito menos especulação imobiliária, pelejou pra conseguir um contrato de seis meses, pois a maioria só queria alugar por um ano. O que eu ia fazer? Desistir de vir? Fala pro meu orientador isso! Ele comia meu fígado com azeite e usava meu cabelo de fio dental. Pagar quatro meses de hotel? Como, se a agência de fome(nto) que me financiou me deu uma bolsa tão ridícula que a própria NYU me pediu pra provar que eu tenho quase o dobro pra vir pra cá?! Tamos entendidos? Ninguém vai vir com esse papinho cretino de “ó, você não agiu certo”? Entendido que “em Roma, aja como os romanos”? Além disso, ninguém me disse que era estritamente proibida sublocação – não, ninguém me disse, não nesses termos, não que fosse essa gravidade toda; no Brasil se você coloca outra pessoa pra morar com você e cobra mais dela o problema é seu, desde que o aluguel esteja pago no final do mês. Logo, não, eu não sabia. Ok? Então tá.

Continuando, o cara veio atrás de mim e perguntou quanto eu pago e que ela não está autorizada a sublocar o apartamento. Eu não disse nada, ele perguntou se eu falava inglês e eu disse que não, mas mesmo assim ele ficou falando/perguntando coisas. Só falei pra ele falar com ela. Ele disse que ia tomar medidas legais contra ela.

Entrei e relatei o ocorrido a ela que veio com aquele papinho furado de que ele a “assedia sexualmente”. Isso na minha terra tem outro nome. Artigo 171, enganar ou ludibriar outrem com o intuito de obter vantagem de qualquer natureza. Fiz uma cara de “hã-han, vou fingir que acredito” e ela fez outra de “finjo que acredito que você acredita” e depois pediu desculpas.

A dúvida é: não sei como funcionam essas coisas aqui, mas vamos dizer que ele entre com uma ação de despejo amanhã. Eu não sei quanto tempo ela tem pra desocupar, mas...eu estou com medo de que eu vá parar na rua e ainda por cima com um mês e meio de aluguel com ela (que eu não posso nem reclamar, pois ela pode dizer que nunca me sublocou nada).

Pilantrona. E ainda por cima vai me cobrar 431 dólares por 15 dias de aluguel, baseada numa conta que não faz o menor sentido – ela conta a partir do dia 28 e estaria me dando 13 dias de desconto e não cobrando 15. Segundo a minha conta seriam 380 dólares, o que é metade de um mês, mas pra evitar discutir com ela por conta de 50 dólares, pago essa merda, porque odeio gente miserável e sou pobre orgulhosa. Se eu fosse mau caráter, eu chegaria pra ela e diria: “Zorba, a parada é o seguinte: me alivia esses 431 que eu falo com o landlord que eu sou sua prima do Brasil. Do contrário eu conto não só que você subloca quanto quis sub-sublocar pra minha família”. Mas não. Não vou fazer nada disso. Só não quero ter que aturar cara feia de landlord e ser interrogada por ele. E ainda por cima ouvir que eu estou errada. Eu sou tão vítima quanto o landlord. Tenha santa paciência.

sexta-feira, outubro 17, 2008

Up date!!!!

Zorba corrigiu o erro! Quer dizer...quase. Hoje ela acordou super cedo, tomou banho (iuppie!) e deixou um bilhete. Só que ao invés da conta ter dado 421,00 deu 521,00. Quer dizer, além de não tomar banho ela não sabe fazer conta (isso dito por uma pessoa cuja fama de não saber fazer contas é pública e notória).
Puxei uma setinha e refiz a conta certa.
Ai, ai. Acabaram-se meus dilemas éticos!

Parte 3 (ou Roommate? Melhor não tê-los. Mas se não tê-los, como sabê-los?


(continuando a nossa saga...se você está começando por aqui leia os dois posts anteriores de baixo pra cima
)


Ela me manda um e-mail dizendo que eu tinha um crédito de 13 dias (do dia 15/12 até 28/12), o que totalizariam 329,00 (25,30 per day x 13), o que poderia ser descontado na estada de mãe e irmã - ignorando que eu havia dito que elas não viriam – ou descontar do aluguel de outubro-novembro.

Ôpa. Descontado, como assim, se eu já paguei tudo, menos os 15 dias de dezembro? Se ela acha isso, então ela acha que eu ainda não paguei o mês de outubro-novembro.

Peguei então meu envelope-recibo, que serve para deixar o dinheiro do aluguel na Tábua da Comunicação e onde ela bota “paid” no verso referente aos meses e vi que o mês de outubro-novembro estava em branco. Mas como, seu eu confirmei com ela assim que cheguei o que seria? Mas, pensando bem, realmente constavam 5 parcelas no envelope-recibo e não 4 e meio, como o combinado.

Ligo pra Raquel, alugo a coitada por mais uma hora no trabalho dela, que resolve passar outro e-mail, longo e gentil, dizendo que eu não estava entendendo ao certo o que acontecia e dizendo, mais uma vez, que minha mãe e irmã não ficariam aqui.

Daí ela responde dizendo que estávamos falando da mesma coisa, mas de modos diferentes. Na verdade, ao invés dela me cobrar os 15 dias de dezembro, ela preferiu dar o desconto dos 13 dias no mês de out-nov. Isso dariam 331,00 (já que 760 – 329 = 331). Certo? Errado, leitor burro! Isso mesmo, leitor esperto! 760 – 329 = 431. O que darfia mais de meio mês (= 380). Mas na hora em que ela disse eu, lerda como sou para contas, nem me dei conta. Só meu dei conta agora, ao escrever esse post. E ainda escrevi de volta pra ela dizendo: “então eu só te pago 331,00” e ela respondeu: “sim”.

Quer dizer: será que eu falo com ela que daria 431 ou finjo de morta e pago os 331 que ela disse?

Eu sei pelo meu amigo brasileiro que era amigo da menina que morava aqui na minha vaga que ela pagava 750 e a garota anterior 700. Quer dizer, cada pessoa que entra ela aproveita pra dar uma aumentadinha e ganhar o dela. Até no envelope-recibo dá pra ver que ela passou a caneta por cima do “5” do “750” pra ele virar 760.

Vocês acham que:

1) Essa mulher já lucrou demais de você, Carrie. Ladrão que rouba de ladrão tem cem anos de perdão; se ela disser que está errado você diz “puxa, nem percebi” (diabinho pulando feliz do meu lado esquerdo);

2) Fale a verdade, Carrie. Se você ficar quieta estará se igualando a ela (diz o anjinho do lado direito);

Afinal, vocês acham que ela teria dito que eu tinha esse “desconto” caso eu não tivesse puxado a conversa dos 15 dias? É bem provável da coisa toda entornaria quando ela viesse me cobrar o mês integral de out-nov alegando que o meu último mês era nov-dez, mesmo eu saindo dia 15.

Como ser ética com uma pessoa nem um pouco ética? A ética é relativa?

Quero ouvir a opinião dos meus amados leitores.

quarta-feira, outubro 15, 2008

Parte 2 (ou: roommate bom é roommate morto)

Continuando a nossa saga (se você não leu a primeira parte da história vá até o post debaixo e depois leia esse), depois do que a Zorba me disse – por e-mail – eu cheguei pra ela, ao vivo e a cores, para confirmar as informações – afinal o meu choque e o de Raquel, minha fiel escudeira e assessora para assuntos jurídico-greguísticos, havia sido tão grande que chegamos a pensar que poderia ter alguma coisa errada. Perguntei se ela cobraria mesmo os dias em que não estaríamos lá. Ela fez aquela cara de “olha como eu sou bondosa” e disse “humm...é porque eu vou sair de casa durante os dez dias...mas tudo bem, eu posso fazer por oito dias”.

Tudo confirmado.

Eu agradeci, mas disse que não podia aceitar porque estava além do que tínhamos pensado. Acho que ela não esperava essa minha reação. Ela me perguntou quanto eu tinha pensado - nada? Duas havaianas e uma hospedagem no Brasil, pra onde ela tem vontade de ir? – e eu disse pra ela não se preocupar que nós daríamos um jeito. E ela insistindo, sempre nessa linha “quero muito ajudar vocês” e “as coisas estão muito caras”. Quando ela viu que eu não ia falar ela disse “cinqüenta pra cada é o máximo que eu posso fazer por vocês”.

Então a coisa tinha caído pra 800. Cem por dia vezes oito. Um preço bem razoável se estivéssemos falando de hotel. Já sabia que a resposta ainda seria “não, nem fudendo”, mas disse que ia pensar e voltar a falar com minha mãe e irmã.

Volto a dizer: não só pelo preço em si, mas principalmente pelo fato de que nem com toda a crise americana e inflação e custo de vida elevado de NY aquele apê vale isso. Cinqüenta dólares pra dormir num chão imundo (e eu não deixaria elas irem pro chão, então sobraria pra mim, assim como eu teria que limpar tudo), num apartamento escuro, entulhado, com infiltração no teto, fugindo do proprietário, com um banheiro nojento... Achei uma porrada de hotel por 120 dólares, tanto aqui no Queens quanto em Manhattam. Mas também pela forma como a coisa toda foi urdida: primeiro dizer que ia pensar, depois pra eu não me preocupar, pois faria o possível pra me ajudar, depois falar um preço estratosférico, pra dar outro ainda alto e sempre dizendo que só tá fazendo porque quer me ajudar e pedindo adiantado? Me poupe. Ah, e ainda por cima pediu pra eu dar a resposta rápido pois ela teria que se organizar. Isso era quinta feira à noite e ela ia sair no dia seguinte as sete da manhã e só voltaria segunda.

Ah, maluco...quando eu emburro, eu emburro. Essa mulher despertou minha ira e pensei comigo: elas não ficam aqui nem por 1 dólar agora.

Raquel me ajudou a escrever um e-mail pra ela bonitinho, sem erros, dizendo que eu agradecia mais uma vez a oferta, mas não estávamos em posição de aceitar e lembrando o que seria feito dos 15 dias restantes de dezembro.

Parênteses para explicação: desde o início eu combinei que ficaria 4 meses e meio: de 1 de agosto a 15 de dezembro. Por problemas pessoais meus a nível de selumano enquanto pessoa gente e de mais ninguém eu cheguei no dia 12 (atraso na documentação etc). Não esperava que ela fosse me dar um desconto dos 12 dias em que eu não estava aqui. A Raquel havia pagado dois meses adiantados (760 + 760), mais 200 de taxa caução, retornáveis na minha saída. Sendo que esses dois meses equivaliam ao primeiro e último. Tudo isso parece que é de praxe aqui. Então eu pensei: estou pagando agosto e novembro. Logo, tenho que pagar setembro, outubro e quinze dias de dezembro. Ainda assim, a Raquel fez questão de perguntar como seria o mês de dezembro. Ela disse “pra gente não se preocupar” (sim!) e que “depois a gente via isso”. Ou seja: não esclareceu. O medo da Raquel era que ela resolvesse cobrar dezembro inteiro, o que também é de praxe aqui. Naquela época, a gente achou que depois-a-gente-via-isso-não-se-preocupe fosse uma coisa boa. Depois dessa história de cobrar 87 por pessoa por dia (ou 60 ou 50) pensamos: vamos esclarecer essa parada logo!


(Continua daqui a pouco...)

terça-feira, outubro 14, 2008



Nem é pra fazer suspense...é porque eu fico sempre na dúvida se divido coisas que acontecem com os outros. Não é a minha vida. Quando é a minha, tudo bem. Eu decido. Mas quando envolve outras pessoas...sei lá. Até que me dei conta de que algumas histórias pertecem ao meu público (clap,clap,clap...obrigada, obrigada). Um escritor não é exatamente alguém legal. Ele às vezes compra inimizades. Eu perco o amigo, mas não perco a história.
A gente vem pra NY e acha que vai encontrar um roommate que nem o Chandler, a Rachel ou a Mônica (nossa, seria óóótimo morar com a Mônica! A gente ia se dar super bem! Iríamos trocar métodos organizacionais, competiríamos pra ver quem é a mais limpa, conversaríamos sobre dieta, poderíamos correr no Central Park juntas...os pratos que ela faria eu eu comeria...nos dariamos muito bem). Até com o Joey seria legal morar – fora o entra e sai de mulher a gente veria Baywatch ou qualquer outro seriado podre amarradões na poltrona, enquanto tomaríamos uma cervejas e comeríamos pizza. Com o Ross tambem seria ótimo – mas o Ross nunca teve rommates. A gente conversaria sobre a vida acadêmica, sobre o Museu de Historia Natural, sobre ciencia e cultura. Com o Chandler nem se fala. A gente faria piadas non sense e joselíticas e os dois ririam. Com a Rachel, conversaria sobre moda. Com a Phoebes eu trocaria massagens por letras de música.

Mas não.

A vida real não é Friends. Seu roommate nao vai “…be there for you...". O melhor roommate é o que menos aparece. Não sendo a roommate da Bridget Fonda em "Mulher, solteira, procura" já tá valendo. E era isso que eu achei que eu tinha conseguido.
Se lembram que eu tinha dito sobre minha mãe e irmã ficarem aqui e o quanto ela cobraria? Pois é. Sabem qual foi a resposta ao "não se preocupe com isso"? Um e-mailzinho dela dizendo que o "preço" dela era 87 dólares por pessoa por dia (o que daria 174 por dia), mas, como era pra mim, como ela queria me ajudar (sim, com essas palavras), ela faria por 120 as duas pelos dez dias (Sendo que 3 dias estaríamos no Canadá). Mil e duzentos. Olha que gentil! Ah é: e ainda pedia pra eu pagar adiantado e deixar a casa como estava (quase que eu disse: então é pra sujar?).
Hein? Eu já paguei quase tudo e ela ainda acha que eu posso dar o cano nela? Eu já desconfio que pago o aluguel dela quase todo e ela ainda precisa lucrar quase o dobro com a estada da minha mãe e irmã? E o budismo, onde fica nisso tudo?
Tudo bem, hotel em NY tá caro, mas...essa pocilga não é um hotel. Não vai ter camareira limpando todo dia. Não vai ter café da manhã, exceto o que eu comprar no supermercado. E eu não sei quanto a vocès, mas, na minha terra quando alguém diz, em termos de preço, "não se preocupe com isso" é sinal de que não vai cobrar ou vai cobrar tão pouco que eu não preciso preocupar. Então ela foi me enrolando, enrolando, dizendo pra eu não me preocupar pra no final dar essa facada. Já que o "preço" dela é esse, porque ela não disse logo de cara? Detalhe: para a Raquel ela tinha dito 80, pra mim já foi 87. Eu vi um hotel em Chelsea, Manhattam, por esse preço.
Já que quer cobrar, porque não dividiu o mês por 31, o que daria 24,50 e multiplicou pelos dias? E que história é essa de cobrar dias em que não estaremos aqui? Vai cobrar a mala delas que vai ficar aqui, enquanto formos ao Canadá?
(continua logo mais, porque estou morrendo de sono e cansaço...juro que não é suspense)

Que feng shui que nada!

Descobri porque Zorba tem espelho em cima do fogão: ela seca o cabelo ali. Hoje cheguei e ela tava de banho tomado - aaaaaleluia, aaaaaleluia - e tinha um secador em cima do fogão. Eu, que ia fazer um macarrão, acabei optando por um iogurte e uma maçã (depois vou escrever meu livro "como emagrecer morando com uma greco-australiana-canadense porcalhona").
Às vezes a ignorância é uma benção.
Já quase não cozinho aqui, acho que vou cozinhar menos ainda. Pensando seriamente em tomar uma sopinha que tem perto da faculdade toda noite. Saber que a cozinha onde você come, que já não é limpa, que já tem entulhos nos cantos que junta um pó impossível de limpar, ainda por cima serve de penteadeira pra uma cabelo que é lavado uma vez por semana? Ah não, maluco. Sinceramente...há limites. Olha que os meus são bem elásticos. Mas há limites.
porra aqui com essa Zorba. Vocês nem fazem idéia das últimas (só no suspense! Pena que ninguém tá nem aí pro meu suspense).

terça-feira, setembro 30, 2008

Fui deitar as 10 da noite, hoje (acho lindo quem deita as 10 da noite!). Meia noite e pouca, uma hora eu começo a rolar na cama (também despertada pelo cheiro da gororoba que Zorba está comendo). Pronto. Agora tô aqui, feito “que isso” como diria vovô João da Cruz – que morreu em 1964 e mal chegou a ver televisão.

Não adianta lutar contra certas coisas da sua natureza. Não adianta eu querer dormir muito cedo. A não ser que eu tenha ficado sem dormir na noite anterior fatalmente eu vou acordar.

Baseado nessa lógica pode parecer que eu preciso de poucas horas de sono, né? Ledo engano. Se eu durmo às 3 da madrugada, lá pelas oito quero matar quem quiser me acordar.

* * *

E hoje foi aniversário de Zorbitcha, nossa amiga El Greca. Comprei uma caixinha de Godiva, um cartão com aquele papo de vinhos que melhoram com o tempo e mulheres mais velhas (essas conversas fiadas que a gente fala por aí, assim como “homem não gosta de mulher magra” e “homem não vê celulite” e outras falácias paliativas contra a dura realidade da decrepitude feminina e mortalidade humana). Deixei na nossa Tábua da Comunicação. Ela chegou seis da manhã de domingo – ela realmente anda trabalhando demais, ela chegou às quatro da madrugada na sexta e saiu às oito no sábado, ficou vários dias fora essa semana e fim de semana foi esse mesmo ritmo. Sim, era realmente trabalho – seja lá o que exatamente isso seja.

Depois só fui encontrar com ela à noite. Ela veio me agradecer, disse que chegou tão cansada e viu aquele chocolatinho ali e o cartão (ah, também estava o aluguel do mês) e “oh, it was so cute”.

É, essa sou eu. Cute. Fofa. Nem todo mundo consegue ver. Afinal, meu cute (ôpa, sem trocadilhos, por favor) é pra poucos.

E ela deixou o Godiva na Tábua da Comunicação – que é também a tábua do compartilhamento: tudo que ela deixa ali eu sei que é pra mim e vice versa – e veio dizer pra eu comer também. Expliquei pra ela que eu tenho problemas com chocolate e quando eu como um eu como 1.000.000 e que eu estava passando por uma fase de rehab. Ela riu e disse que eu podia comer todo o resto, mas eu disse que não. Afinal o presente é dela, são poucos os chocolates e muito caros e muito gostosos (os melhores do mundo).

Mas isso é só pra vocês terem uma noção da generosidade de Zorba. Não toma banho, é verdade. Dividir um Godiva, para um chocólatra, é algo como os judeus e palestinos se sentarem e resolverem dividir Jerusalém ao meio. Se alguém me dá uma caixa de Godiva eu não divido nem o farelo.

Espero que ela seja generosa assim na hora de cobrar a estada de Formigas Mãe e Sister. A princípio ela tinha dito pra Raquel que cobra 85 dólares por dia por pessoa, mas acho que isso é pra dar uma assustada e não deixar a pessoa muito folgada – é sempre bom frear as pessoas folgadas; se há uma coisa que eu detesto, odeio, é incomodar os outros. E a segunda coisa que eu mais detesto é gente folgada. Depois quando falei com ela (expliquei que elas viriam e eu gostaria muito que elas ficassem comigo, mesmo porque minha mãe não fala inglês e minha irmã fala pouco), perguntando se ela não sabia de ninguém que quisesse alugar um quarto por aqui, ela disse que achava que poderia acomoda-las aqui, mas pediu um tempo pra pensar. Depois veio me dizer que pode, sim, recebe-las e que, inclusive, pode sair do apartamento para nos deixar mais à vontade. Quando perguntei sobre o preço ela disse que ainda não havia pensando e depois a gente via isso.

Os 15 dias restantes do meu aluguel ela também disse que “depois a gente vê”. Vou embora dia 15 de dezembro, mas tratei com ela desde o dia 1 de agosto. Porém, só cheguei dia 12 de agosto – azar o meu, né? Eu não esperava que ela não fosse cobrar esses 12 dias de agosto. Ao que tudo indica – eu posso até me enganar – ela não vai cobrar esse dias de dezembro baseado no fato de que eu cheguei dia 12. O envelope que eu deixo o pagamento já ta marcado que a partir de novembro ta tudo pago (eu paguei o primeiro e o último mês adiantados) e quando eu toco no assunto com ela, ela diz que “depois a gente vê, não se preocupe com isso...”.

Pode ser tudo um problema de semântica e eu estou entendendo tudo errado e ela vai me dar uma facada ao final.

Assim como meu amiguinho de conversação que me ligou sexta meia noite dizendo que estava pensando em mim e resolveu ligar, me chamando pra comer bagel as sete da manhã e dizendo que eu poderia ir ver um filme e jantar na casa dele qualquer dia desses. Apesar de eu ter certeza de que essa Coca era Fanta, essas informações me deixaram um pouco confusas, pois na minha terra isso tem outro nome. Mas atribuí ‘as diferencãs lingüísticas (apesar de que ele fala português). Mas, no dia seguinte, eu tive a confirmação da primeira impressão: realmente tratou-se de um equívoco lingüístico, um erro de interpretação da minha parte. O mancebo e eu gostamos da mesma coisa.

E fui jantar com outro amiguinho dele de orientação sexual similar a dele e uma menina, ao que tudo indica, hétero. Me senti em um episódio de Will and Grace.

E eu desconfio que eu seja a Karen. Ou o Jack.

* * *

O povo aqui tem mania de salada de espinafre crua. No Brasil, pelo menos no Rio e em Minas, é mais comum a gente fazer refogado – até uma clara de ovo misturada. Gostei muito. Até no supermercado, na sessão de verduras, onde você encontra tudo lavado e pronto pra comer, tem sacos e mais sacos de espinafre. E são mais baratos do que a alaface.

* * *

E o governo aqui tá tentando aprovar um orçamento de 700 milhões de dólares pra ajudar na crise financeira - como vocês devem ter visto melhor do que eu, que só assisto aos seriados. Hoje a TV do refeitório da faculdade tava ligada na votação (coberta pela CNN) e todo mundo que passava soltava um palavrão ou resmungo qualquer – sem contar os sem loção, essa tribo nômade que está no mundo todo, que paravam na frente da TV até alguém pedir pra eles saírem da frente.

Ajudar na crise financeira é sempre ajudar os ricos. O que é triste, mas se você pensar que caso eles não sejam ajudados quem toma no cu é sempre a classe média...fica-se num mato sem cachorro.

* * *

É muito dinheiro.

* * *

Aliás, esse dias tavam me dizendo que o orçamento de Harvard (acho que é Harvard ou uma dessas) é o mesmo da Argentina. Muito dinheiro que rola nesse país.

* * *

Apesar disso, em tudo quanto é lugar tem plaquinhas de “precisa-se de ajudantes” e hoje na Union Square um cara interpelava algumas pessoas na rua perguntando se tinha emprego e gostaria de trabalhar (inclusive a mim). Não perguntei que atividade era, mas desconfio que não fosse nada ilegal se não o cara não estaria gritando a plenos pulmões. Mas, sem dúvida, devem ser todos empregos sem direitos trabalhistas e pagando uma miséria. Mas, como eu disse, pra muita gente isso é muito. Pra muita gente simplesmente não há empregos em seus países de origem. Nem pagando muito pouco.

Fica a dúvida: o que é melhor, um país rico em crise ou um pobre estável? Mesmo porque, como diria nosso amigo Karl, o Barbudo, o capitalismo precisa das crises pra se reinventar. A crise é inerente ao capitalismo. E ao comunismo. E ao ser humano.

Aliás, acho que o país com mais comunistas são os EUA. Afinal, pergunta se alguém quer ser comunista em Cuba? Na Rússia? Esses dias, vi uma banquinha do partido comunista, recolhendo assinaturas e divulgando o manifesto comunista, dizendo que uma revolução socialista é tudo que os EUA precisam. “Liberal” aqui tem outra conotação.

E ainda vem gente, no Brasil, que nunca esteve nos EUA, dizer que aqui não é um país democrático. É, tem Guantánamo, tem milhares de atos arbitrários deste presidente insano, mas pergunta se em Cuba tem banquinha divulgando as idéias liberais? Não, né? Então tá.

De novo a frase do velho Churchill de que a democracia estava longe de ser ideal, mas ainda assim era o melhor que a gente tem. É, tem homeless pedindo esmolas, ao contrário de Cuba. Mas a miséria aqui é de outro tipo. Aliás, não é miséria. É pobreza, o que é bem diferente. Aliás, aqui tem tanta gente estranha que às vezes você não sabe se a pessoa é mendiga ou ta só descansando sentada na calçada. A única coisa que indica são as plaquinhas “I’m a homeless” – olha que tem cada mendigo com cada casaco que dá vontade de pegar e sair correndo. Sem contar que tem muito homeless que é homeless porque é viciado em droga, porque é maluco, porque ta doente e não tem seguro médico...

Esses dias eu vi uma plaquinha escrita: “preciso de dinheiro para tomar uma cerveja. Pra que mentir?”.

Enfim. Percepções superficiais de uma quase-turista.

* * *
Deu soninho.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Olha só, eu pré-julgando a grega e parece que foi um problema com a operadora de TV a Cabo mesmo. E hoje descobri que o telefone dela é “atachado” ao pacote digital. So, é do interesse dela ter o telefone em dia, já que ela não tem celular e precisa do telefone pros “criente” contatarem ela (ela não gosta/ não precisa de celular. Odeio gente que não usa celular. “Ah, eu não preciso”. É amigo. Você também não precisa de geladeira, nem de fogão, nem banho quente. Pode salgar suas carnes, acender uma fogueira no meio da sua sala para assar o animal que você acabou de abater e tomar banho gelado. Precisar a gente não precisa, mas é conforto). Resultado: emprestei meu celular pra ela ligar e ver o que está acontecendo. Ela ia na rua ligar. Fiquei com medo dela ser abduzida pela nave-mãe dela no caminho e achei melhor emprestar meu cel. Ela ficou toda agradecida, falou que “apreciava” muito e perguntando se eu tava “sure” e eu falei “go ahead, Zorba. Feel free”. Afinal o interesse também é meu.


Só não entendi porque ela deu uma explicação de que as Nações Unidas estão em uma semana de eventos e por isso tinha dado esse problema (????). Zorba trabalha pras Nações Unidas. Daí perguntei se o serviço digital estava ligado as NU (quem sabe é uma boquinha das NU, né?) e ela disse que não, mas que essa semana todos os serviços digitais da cidade estavam loucos por causa das NU.

Eu, hein...

Mas voltou na mesma hora, ainda bem.

Eu quero acreditar que ela toma banho. Sabe o slogan do X-file? I want to believe. Eu quero. Porque ela não tem cara de quem não toma banho. Ela deve ter algum jeito de tomar banho que eu não sei.

E hoje eu elogiei o cabelo dela – ela pintou e tá realmente bonito, mais vermelho que o normal – e ela disse que não gostou, que comprou a tinta errada, mas que tudo bem, pois ia saindo no banho. Quase que eu disse: “ih, então lá pro ano de 2012 acaba de sair tudo, né?”.

Eu acho que ela toma uns 3 banhos por semana. É. Deve ser isso. Eu tô de olho no sabonete e na pasta de dente dela. Marcação cerrada. Vou fotografar pra estabelecer uma escala comparativa. Ver quanto tempo vai durar. Fazer gráficos.

Mas todo dia, assim tooooodo dia... não. Não é possível! Que horas? Como? Por que eu não vejo? Domingo ela não tomou. Só se tomou na meia hora que ela foi a rua, só com a roupa (dormida) do corpo. Só se for.

Isso realmente me choca e perturba porque eu nunca conheci alguém que não tomasse banho. Que tivesse isso como prática regular. Conheço gente que não é muito chegada, pode até faltar de vez em quando, mas não tomar?


Outra coisa que eu acho que Zorba não toma banho é porque ela é adpeta desses iogues que ficam 40 anos na mesma posição e depois levantam, falam “gato”, tocam na testa de um paraplégico, cego, doente terminal e o cara sai pulando, corre uma maratona e ganha o Nobel de Química. Mas precisa avisar a ela que esse iogues não trabalham. Não suam. Ficam no alto da montanha, tomando chuva – o que ajuda a lavar.

Ela faz 10 dias de jejum todo início de ano. Pra purificar. Falei com ela “nossa, vc deve emagrecer, muito”. E ela: “não! Eu nunca emagreço, não importa o quanto de comida eu coma”. Como todo(a) gordo(a) safado(a) ela não sabe porque engorda. O gordo nunca sabe porque é engorda! Culpa o metabolismo, a sociedade, a Nídia, a mudança de clima, o país...ô, raça safada! Pelo menos eu sei porque eu estou gorda – aliás, tô emagrecendo. Não posso com esses gordos que vem com esse papo de metabolismo lento. Isho non exciste, como diria Padre Quevedo. Até existe metabolismo um pouco mais lento e outros um pouco mais acelerados. Mas isso ser responsável por você pesar 130 quilos? Safaaaaado. Gordo é tudo safaaaado, sem vergonha que tem preguiça de fazer ginástica e controlar a comida e não sabe porque é gordo.

E hoje ela chegou reclamando do frio e eu felicíssima. Daí ela disse que até minha cara tava melhor e eu disse “claaaaaro! É o frio! Você vai ver quando nevar! Eu vou sair que nem o Gene Kelly. Só que vai ser Cantando na Neve. “I’m singing in the sonowing, just singing in the snowing…”.


Pândega, eu.


E como se não bastasse meu humor ficar melhor no frio, meu cabelo fica melhor (comprei aquele John Frieda que é baratéééésimo aqui e ainda por cima eu ganhei 50% de desconto na compra do segundo!), minha pele fica melhor (meus poros contraem)...tudo é melhor no inverno. As pessoas já começam a tirar as roupas do armário, vc começa a ver uns sobretudos estilosos, umas echarpes...não vejo a hora de usar o meu super sobretudo mega power potente!Meu, não! De formiga Mãe. Comprado na Argentina. Mãe, não quero alarmar, não, mas acho que aquilo é sobretudo de outono. E comprar botas! Quero essas galochas de prááástico que tá usando. Vejo as minina usando na faculdade e penso “tb quero!”. Quero ser muderninha! Eu tinha uma vermelha quando era criança. Fazia parte da mina fantasia de Mulher Maravilha. Quero uma bem colorida. Já vi na Steinway por 30 dola. Alguém sabe se essas botas são boas para neve? Esquentam? Mas vou comprar de qualquer jeito.

Hoje tomei uma sopinha, com um pãozinho delicioso por 5 dola. Perto da NYU. Já sei que vou tomar muitas sopas ali.

Ah, o inverno. Vocês não imaginam como eu estou feliz. Aliás, acho que foi bom eu ter vindo no verão e paulatinamente (hahaha...acho essa palavra tão engraçada!) me acostumar ao frio. Pena não pegar a neve de janeiro e fevereiro. Pena.


E eu vi um livro no Strands (sebo/livraria) com as obras completas do Shakespeare (tudo, todas as peças, sonetos, bla bla bla) numa edição linda, capa dura, grande, com ilustrações, por 9 dola. Prende. Prende que não tem condição de um livro daqueles custar tão pouco. Tão lavando dinheiro no velho bardo inglês! No Brasil esse livro não sairia por menos de 150 reais. Sério. Achei também uma Virgínia Woolf, váááários romances num só volume (mas não era completo), por uma coisa do tipo 10 dola. Cara, isso dá cadeia. Lavagem de dinheiro dá cadeia.

Não, eu vou para de falar o quanto as coisas são baratas aqui, especialmente livros e cremes e roupas e comidas e...

Aliás, to escrevendo demais nesse blog. Preciso estudar. Não posso perder mais de uma hora toda noite escrevendo aqui. É, eu sei, vocês gostam. Eu também gosto. Eu não consigo não dividir certas coisas. Mas eu preciso me conter.

terça-feira, setembro 23, 2008

Habemos televisium

A TV só voltou agora à noite. Graças a Santa Clara padroeira das comunicações, a tempo de eu ver 90210 (a refilmagem de Barrados). Aliás, vi uma revista de fofoca no supermercado dizendo que as protagonistas foram obrigadas pela direção do programa a comer. Estão magras demais. Disse que elas nunca são vistas comendo. Nunca. Que nem El Greca: nunca é vista tomando banho nem escovando os dentes. Never. Nem pistas.

Contei pra vocês que o Nat também está e ainda existe o Peach Pit? Contei? Reformado, é claro. E o Novo Brendon – que nessa versão é Afro-descendente, adotado eu acho, pois a “Brenda” é caucasiana – também vai trabalhar lá. O Nat deve estar com uns 196 anos – mas com corpinho de 60. E a Brenda já tá fazendo lenha (no seriado apenas, por enquanto). Já tá se metendo no relacionamento da Kelly com um professor, provando que eles vão insistir nesse tema delas dividirem os namorados (além dos cirurgiões plásticos).

Ah é. A Kelly teve um filho do Dylan que já tem 10 anos. Daí a Brenda fala pro professor gatinho que a Kelly ainda nutre sentimentos pelo Dylan. E O Dylan saiu pelo mundo fazendo trabalhos humanitários. Aposto que o Dylan vai aparecer daqui a pouco. Coitado. Ele saiu de Barrados, vocês se lembram, pra tentar a vida em Hollywood e não deu em nada. Depois de Barrados, alguém sabe alguma coisa que ele tenha feito?

E por falar em Barrados, o livro da Tory Spelling (a Donna), está em terceiro lugar na lista do New York Times. Se chama sTORY Telling. Hãn-hãn? Pegaram? É claaaaaaro que eu vou comprar. Tá com 30% de desconto na Barnes and Nobles. Esse e a obra completa de Edgar Allan Poe por 12 dólares. Um livrão de capa dura. Quase que eu chamei um funcionário e disse: tá errado. Não pode um livro desse custar tão pouco. E é uma série que tem vários autores – Hemingway, Daniel Defoe, Fitzgerald – por este preço. Não dá, gente. Manda prender esse povo.

Hoje eu comprei meus primeiros livros em livraria aqui. Tinha comprado em sebo, mesmo assim só 3, baratinhos. Hoje comprei dois livrinhos. Viram como eu estou controlada???? Fui a um feira de livros e não comprei nada. Também tive que pagar meu seguro saúde da NYU hoje. Uuuhhhh, que facada dolorosa...isso foi a única coisa que eu não consegui isenção e tive que pagar. E se fosse um seguro compatível teria que atender a tantas cláusulas – a única que eu me lembro é a de problemas mentais, o que eu jurei que era pessoal. Anyway. O fato é que eu preferi comprar logo o deles ao invés de ficar tentando achar um compatível, cuja diferença de dinheiro foi pouca bla bla bla.

O engraçado é que eu fui fazer meu primeiro cheque aqui nos EUA. Daí a mulher me viu meio atolada, errando número, perguntando onde eu escrevia e resolveu preencher o cheque pra mim. E...errou também! Hahahaha...ficamos as duas rindo e eu tive que preencher outro cheque. Pelo menos eu tenho a desculpa que estava escrevendo em outra língua.

Mas voltando a falar na grega. Hoje pela manhã, quando vi que a porra do caralho do sinal não tinha voltado me emputeci. Ah, maluco... Me emputeci legal, cumpadi. Porque, é como diz aquela comunidade do orkut, quando eu me emputeço, viro rapper. Resolvi deixar um bilhete, na educação, ainda. Gastei uma meia hora e quatro bilhetes até escrever um razoável. Mas me controlei. O primeiro achei que tava meio rude, o segundo cheio de ironias (o americano não entende ironia). O terceiro ficou meio confuso, daí optei pelo seguinte:

"Dear Zorba,

As you can see, the digital cable service doesn’t work yet. Could you see what is happening?

Thank you very much.

Carrie".


Acho que deveria ter dito “is still out-of-order”, “is still broken” ou “wassup bitch, why don’t you move your fucking, fat and smelly ass and do something about it, dammed! For God sakes, woman!”.

Enfim. Voltei e meu bilhete não estava no nosso Portal da Comunicação – o que isso quer dizer, pelas regras da casa, que a informação foi processada pela equipe. Mas não havia nenhuma indicação de que a tarefa seria cumprida, ou se eu teria que me auto-eliminar da casa. O fato é que agora à noite voltou. Graaaaças.
Agora já posso voltar a assistir ao NY1, ver as notícias de NY, se eu preciso levar sombrinha...

segunda-feira, setembro 22, 2008

Últimas

Não houve banho até o presente momento - 1:13 pm, horário local - e eu ouço barulho de secador e ela está se arrumando pra sair. Eu juro.
Não, eu não consigo não dividir isso com vocês. É além da minha compreensão. Mesmo sabendo que ela morou no Canadá a vida toda, com 9 meses de inverno, mesmo ela tendo me dito que olhava paisagens de países tropicais e pensava "é de verdade?" (eu olhava paisagem de neve quando era criança e pensava: "é de verdade?") mesmo ela dizendo que a infância dela foi cinza e branca, mesmo ela dizendo que um dos maiores temores infantis dela era cair num negócio de neve (não entendi o que exatamente) e ficar congelada e os pais dela só acharem o corpo dela na primavera, mesmo ela dizendo que as pessoas no Candá sofrem de depressão sazonal, ocasionada pela falta de sol, eu não entendo porque ela não toma banho, já que ainda estamos no verão. Eu compreendo que ela seja traumatizada com frio. Me solidarizo com dramas infantis. Mas não justifica a ausência de banho no verão. Não justifica.
Eu tinha que desabafar. Agora prometo ficar quietinha.
E a TV até agora nada. Até sonhei com a TV essa noite. Vanor, a oferta do Ken continua de pé?

Pra quem gosta das aventuras de Zorba...

Hoje eu posso dizer com certeza, pois ambas ficamos em casa o dia todo (eu saí de manhã, mas ela ainda dormia): não houve banho. Não houve banho, isso é fato. Certeza absoluta. De onde concluí uma coisa: ela só toma banho quando precisa sair pra trabalhar - ela não trabalha todo dia, às vezes fica uns dois dias em casa, depois some três. E com certeza ela não deve tomar banho na casa dos "clientes" (calma amigo leitor novo, ela não está no ramo da prostituição). Nem sei se ela dorme de fato na casa dos clientes ou fica vigiando a energia que flui. Hoje ela saiu, mas aqui perto (saiu com a roupa que ela dormiu. Juro!!! Uma calça preta e blusa de oncinha. Tudo bem, nem tinha cara de pijama - de fato acho que nem é - mas é a roupa que ela dorme todos os dias. Só botou uma jaqueta por cima).
Dente ela também não escova. Nunca ouvi (o banheiro é do meu lado, era pra euouvir alguma coisa). As coisas dela de escovar os dentes (pasta, escova) ficam dentro de um armário. Aliás, escovar dente não é uma coisa muito comum aqui, eu acho. Nunca vejo ninguém escovando no banheiro da faculdade, na academia, nada.
Engraçado é que as vezes eu ouço o barulho do secador sem ter ouvido o do banho. Quer dizer: acho que ela molha a franja (sim, ela usa franja) e seca. Só pode.
Muito estranho.
Fora isso, tudo bem.
Ah é: quando tava calor pra carááááleo, ela dormia sem ventilador. Agora, que caiu uns 10 graus, ela liga o ventilador direto e bota um cobertor. Juro pra vocês! E uma outra coisa que eu supunha ser um ventilador é um "neutralizador de íons", o que porra isso signifique.
Meda.
Hoje ela disse pra eu usar os cafés dela, por favor, porque ela não toma mais café e ela pertenceu, outrora, a um Clube de Café. Até me ensinou a mexer numa engenhoca de fazer café que ela jura que é muito mais rápida e prática do que o meu café. Ela tem cafés de todos os lugares do mundo - e eu comprei um café horroroso.
Sem sacanagem: não aumentei nenhuma das informações, apenas relato o que eu vejo.
Um cromo!, como diria nossa amiga purrrtuguesa, Helena.
E por falar em purrrtuguês, prometo ficar quietinho, como disse seu Manoel, proprietário do apartamento em cima do meu no Rio, em momento antológico de nossas discussões.
Mas eu não podia privar meus leitores de tão bizarra narrativa.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Eu não ia mais falar de Zorba. Porque estou tentando ser um ser humano melhor e porque ela tem amiga brasileira que pode achar esse blog...sabe como é. Eu posso ser ruim, mas não chego a tanto (outro bom título de comunidade pro Orkut). Tanto que até tirei os posts falando dela. A gente tenta ser legal. Mas a humanidade não colabora.

Vocês acreditam que estou sem TV e internet – a sorte é que eu pego uma rede wireless – até segunda feira? Por quê? Sei lá, mas desconfio que ela não tenha pagado e, ao pagar, eles vão religar até segunda. O recado na tela dizia que “your digital cable service has been disconnected” e mandava ligar pra um número. Quando um sinal é desconectado? Quando você não paga. Quando é defeito da operadora dá outro tipo de problema. A japonesa que morava aqui antes comentou uma vez com o meu amigo brasileiro que me “apresentou” a grega por e-mail que estava sem internet porque a “roommate” dela (a grega) tinha esquecido de pagar. Quer dizer, ela deve fazer isso sempre. De lerda que é.

Aí ela me manda um e-mail pedindo desculpas e dizendo que vai me ressarcir do prejuízo.

Cara...me tira a água, me tira o gás, me tira a luz, me tira comida, me tira até a internet. Mas não me tira a TV, não amiga. Eu sou uma pessoa simples. Só preciso de uma TV. Eu preciso assistir a TV todos os dias. Qualquer coisa. Por pior que seja. Com canais abertos, que seja. Mas não me deixa sem TV que isso me estressa profundamente. Eu preciso de um barulhinho.

Descobri a idade dela! Tava procurando uma tomada e achei um currículo dela. Ela faz 49 dia 29 de setembro.

Mas parece menos. Só um pouquinho menos.

E o título que ela se dá é “Consultora criativa”. Trabalha com cromoterapia, arteterapia, picareterapia...

Ô, gente besta, esses americanu. Gente bobada. Engole qualquer conversa fiada.

Agora me digam: como a pessoa ajuda os outros a atingirem seus potenciais criativos e a realizarem suas metas se ela não consegue se organizar nem pra pagar uma porra de uma conta em dia? E cara, na boa, quando você mora sozinho, foda-se se você esquece de pagar uma conta e cortam o serviço. Mas se você mora com outra pessoa, você não pode esquecer. Não pode. Ainda mais quando é um esquecimento recorrente, como parece ser.

E que merda de serviço é esse que a pessoa chega 2 da manhã em casa e tem dias em que tem que sai de casa às 7:45 e depois dorme até uma da tarde? Como ela organiza a casa das pessoas quando a vida dela é uma zona?

Leiam rápido. Esse post vai se desintegrar em cinco segundos...cinco, quatro...

sexta-feira, setembro 12, 2008

30 dias nos EUA

Hoje não fui a universidade. Tava muito cansada e resolvi trabalhar em casa, já que estou com muitos livros aqui. Mas, comecei a sentir uma onda faxinística vindo, tomando conta do meu ser..Neidinha, a manicure cujo sonho é trabalhar nas J. Sisters, já começou a se empolgar e botar o lenço na cabeça. Deixei ela se apossar de mim, catei o aspirador de pó da grega e comecei a limpar. Nunca na hiffftória defffe apartamento fffe viu uma limpeza desse tipo.
Limpei a sala, cozinha, banheiro. De novo: na medida do possível, porque é tanta coisa, mas tanta, tanta que não tem condição de limpar tudo com perfeição. O chão da cozinha é coberto por um piso - tipo um paviflex, acho, só que mais frágil - que tá saindo e por baixo é possível ver um azulejo horrível. Hoje também tinha um cadáver de barata no chão, de pernas pra cima, na cozinha.
Fiz uma boa limpeza, utilizando o melhor da tecnologia estadunidense e o Brazilian way of cleanning.
Acho que outra dessas eu não faço. Vou fechar as janelas - aproveitar que o inverno parece que tá finalmente chegando - e, como diria mamãe, deixar a abóbora lastrar.
Agora que estou familirizada com a lavanderia - descobri que, com esse negócio de cadimia tenho que ir toda semana, não dá pra deixar de 15 em 15 como eu tinha pensado - quero lavar o endredon (na verdade só a capa, já que ele sai).
Amanhã faz um mês que eu cheguei a NY. Parece que faz tanto tempo. Já parece que eu conheço Nova Yok há anos. Ando joaofanquicamente pelas ruas. Já entendo melhor as pessoas falando, já consigo falar melhor e leio com muito mais facilidade. Diz a Karen que meus e-mails são perfeitos. Claro. Escrever você pode parar, olhar no dicionário, pensar. Falar é que ainda é o problema. Eu preciso pensar ainda, antes. Ainda tenho mais 3 meses. Oba.
***
E o Evo Morales, hein? Que coisa. Amanhã vou encontrar minha amiga boliviana na biblioteca, a Carmen, e teremos muito assunto.
Mas ela gosta dele. Bom, de todos esses presidentes de esquerda maluquinhos da América Latina ele é o meu preferido. Menos maluco que o Hugo e com mais cojones que o Lula.
É, eu tenho tendências radicais que se manifestam bissextamente.
***
Perdi a Jam Session dos meninos da Escola de Jazz hoje na Starbucks. Merda. Semana que vem tem mais. Vou gravar e botar aqui pra vocês verem.
***
Vou perder a formatura do meu primo Cássio em Bê Agá esse findi. Merda merda. E vou perder a formatura do meu priminho querido fofo Tùlio, no final do ano. Merda, merda, merda.
Mas eu tô em NY, né? Há que se fazer escolhas.