sexta-feira, setembro 26, 2008

Olha só, eu pré-julgando a grega e parece que foi um problema com a operadora de TV a Cabo mesmo. E hoje descobri que o telefone dela é “atachado” ao pacote digital. So, é do interesse dela ter o telefone em dia, já que ela não tem celular e precisa do telefone pros “criente” contatarem ela (ela não gosta/ não precisa de celular. Odeio gente que não usa celular. “Ah, eu não preciso”. É amigo. Você também não precisa de geladeira, nem de fogão, nem banho quente. Pode salgar suas carnes, acender uma fogueira no meio da sua sala para assar o animal que você acabou de abater e tomar banho gelado. Precisar a gente não precisa, mas é conforto). Resultado: emprestei meu celular pra ela ligar e ver o que está acontecendo. Ela ia na rua ligar. Fiquei com medo dela ser abduzida pela nave-mãe dela no caminho e achei melhor emprestar meu cel. Ela ficou toda agradecida, falou que “apreciava” muito e perguntando se eu tava “sure” e eu falei “go ahead, Zorba. Feel free”. Afinal o interesse também é meu.


Só não entendi porque ela deu uma explicação de que as Nações Unidas estão em uma semana de eventos e por isso tinha dado esse problema (????). Zorba trabalha pras Nações Unidas. Daí perguntei se o serviço digital estava ligado as NU (quem sabe é uma boquinha das NU, né?) e ela disse que não, mas que essa semana todos os serviços digitais da cidade estavam loucos por causa das NU.

Eu, hein...

Mas voltou na mesma hora, ainda bem.

Eu quero acreditar que ela toma banho. Sabe o slogan do X-file? I want to believe. Eu quero. Porque ela não tem cara de quem não toma banho. Ela deve ter algum jeito de tomar banho que eu não sei.

E hoje eu elogiei o cabelo dela – ela pintou e tá realmente bonito, mais vermelho que o normal – e ela disse que não gostou, que comprou a tinta errada, mas que tudo bem, pois ia saindo no banho. Quase que eu disse: “ih, então lá pro ano de 2012 acaba de sair tudo, né?”.

Eu acho que ela toma uns 3 banhos por semana. É. Deve ser isso. Eu tô de olho no sabonete e na pasta de dente dela. Marcação cerrada. Vou fotografar pra estabelecer uma escala comparativa. Ver quanto tempo vai durar. Fazer gráficos.

Mas todo dia, assim tooooodo dia... não. Não é possível! Que horas? Como? Por que eu não vejo? Domingo ela não tomou. Só se tomou na meia hora que ela foi a rua, só com a roupa (dormida) do corpo. Só se for.

Isso realmente me choca e perturba porque eu nunca conheci alguém que não tomasse banho. Que tivesse isso como prática regular. Conheço gente que não é muito chegada, pode até faltar de vez em quando, mas não tomar?


Outra coisa que eu acho que Zorba não toma banho é porque ela é adpeta desses iogues que ficam 40 anos na mesma posição e depois levantam, falam “gato”, tocam na testa de um paraplégico, cego, doente terminal e o cara sai pulando, corre uma maratona e ganha o Nobel de Química. Mas precisa avisar a ela que esse iogues não trabalham. Não suam. Ficam no alto da montanha, tomando chuva – o que ajuda a lavar.

Ela faz 10 dias de jejum todo início de ano. Pra purificar. Falei com ela “nossa, vc deve emagrecer, muito”. E ela: “não! Eu nunca emagreço, não importa o quanto de comida eu coma”. Como todo(a) gordo(a) safado(a) ela não sabe porque engorda. O gordo nunca sabe porque é engorda! Culpa o metabolismo, a sociedade, a Nídia, a mudança de clima, o país...ô, raça safada! Pelo menos eu sei porque eu estou gorda – aliás, tô emagrecendo. Não posso com esses gordos que vem com esse papo de metabolismo lento. Isho non exciste, como diria Padre Quevedo. Até existe metabolismo um pouco mais lento e outros um pouco mais acelerados. Mas isso ser responsável por você pesar 130 quilos? Safaaaaado. Gordo é tudo safaaaado, sem vergonha que tem preguiça de fazer ginástica e controlar a comida e não sabe porque é gordo.

E hoje ela chegou reclamando do frio e eu felicíssima. Daí ela disse que até minha cara tava melhor e eu disse “claaaaaro! É o frio! Você vai ver quando nevar! Eu vou sair que nem o Gene Kelly. Só que vai ser Cantando na Neve. “I’m singing in the sonowing, just singing in the snowing…”.


Pândega, eu.


E como se não bastasse meu humor ficar melhor no frio, meu cabelo fica melhor (comprei aquele John Frieda que é baratéééésimo aqui e ainda por cima eu ganhei 50% de desconto na compra do segundo!), minha pele fica melhor (meus poros contraem)...tudo é melhor no inverno. As pessoas já começam a tirar as roupas do armário, vc começa a ver uns sobretudos estilosos, umas echarpes...não vejo a hora de usar o meu super sobretudo mega power potente!Meu, não! De formiga Mãe. Comprado na Argentina. Mãe, não quero alarmar, não, mas acho que aquilo é sobretudo de outono. E comprar botas! Quero essas galochas de prááástico que tá usando. Vejo as minina usando na faculdade e penso “tb quero!”. Quero ser muderninha! Eu tinha uma vermelha quando era criança. Fazia parte da mina fantasia de Mulher Maravilha. Quero uma bem colorida. Já vi na Steinway por 30 dola. Alguém sabe se essas botas são boas para neve? Esquentam? Mas vou comprar de qualquer jeito.

Hoje tomei uma sopinha, com um pãozinho delicioso por 5 dola. Perto da NYU. Já sei que vou tomar muitas sopas ali.

Ah, o inverno. Vocês não imaginam como eu estou feliz. Aliás, acho que foi bom eu ter vindo no verão e paulatinamente (hahaha...acho essa palavra tão engraçada!) me acostumar ao frio. Pena não pegar a neve de janeiro e fevereiro. Pena.


E eu vi um livro no Strands (sebo/livraria) com as obras completas do Shakespeare (tudo, todas as peças, sonetos, bla bla bla) numa edição linda, capa dura, grande, com ilustrações, por 9 dola. Prende. Prende que não tem condição de um livro daqueles custar tão pouco. Tão lavando dinheiro no velho bardo inglês! No Brasil esse livro não sairia por menos de 150 reais. Sério. Achei também uma Virgínia Woolf, váááários romances num só volume (mas não era completo), por uma coisa do tipo 10 dola. Cara, isso dá cadeia. Lavagem de dinheiro dá cadeia.

Não, eu vou para de falar o quanto as coisas são baratas aqui, especialmente livros e cremes e roupas e comidas e...

Aliás, to escrevendo demais nesse blog. Preciso estudar. Não posso perder mais de uma hora toda noite escrevendo aqui. É, eu sei, vocês gostam. Eu também gosto. Eu não consigo não dividir certas coisas. Mas eu preciso me conter.

8 comentários:

Anônimo disse...

Na "nossa" época as botas eram chamadas de sete léguas,não?
Estou gostando DEMAIS das suas histórias aí de NY. Me divertem,emocionam e me fazem perceber o quanto vc é sensível...
Aproveite muito esse inverno!
Eu,morando em Salvador,tenho também a sensação de que não pertenço a essa cidade...
um grande beijo

Anônimo disse...

O anônimo aí de cima ,sou eu!

trinity disse...

Carrie,

sei que você tem que planejar melhor seu tempo, mas eu tenho um momento muito feliz todos os meus dias, ler o seu blog atualizado. Espero que mesmo você tendo que se ajustar mais por aí, tenha sempre muitas postagens!

trinity disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Helena disse...

Não deixes de escrever, please.

Também tive umas botas dessas encarnadas, lol, quando era criança. ão óptimas para chapinhar nas poças de água :)

Também por cá já fazia falta um Outono a sério. O ano passado tivemos Verão até quase Dezembro. Não há pachorra!

Pati Linden disse...

Guria, adoro o jeito que tu escreves, mas esse post está especialmente delicioso. O problema foi dar uma mega risada no silvicio...
:)
Beijos, enjoy NY!

Carrie, a Estranha disse...

Anônimo,

Quem és tu q postou duas vezes disse "sou eu" e não assinou?

Trinity,

Ai, q fofo!
Que bom fazer parte de um momento feliz de alguém todos os dias.

Helena,

Assim não há pachorra! Hahahah...Botas encarnadas??? Fala mais, fala mais, adooooooro portugues de Portugal.

Pat,

Hahahaha...ah, normal rir no silvíssio.

Bjs

nervocalm disse...

Eu não tenho de celulaaa-aaar, tralalá lalála. E mais! Acho celular uma das invenções mais cretinas da humanidade. Ju-ro. :)