quinta-feira, novembro 16, 2006

Contos de aniversário - parte 1


Sobre como Lucrecia encontrou a Fada.



Era uma vez, uma esquila – ou seria esquilo-fêmea? - chamada Lucrecia (credo! Isso é nome de heroína de conto de fadas? Ué, mas quem disse que isso é um conto de fadas?). Lucrecia morava numa casinha no meio da floresta. Tinha como vizinhas Joaquina e Salustiana, também esquilas.


Joaquina era a mais bela e a mais divertida. Tinha uma plumagem castanho-acobreada que ela realçava sempre no salão Pelo Baixo. Tinha muitos e muitos amigos, ia sempre a todas as festas e era amiga de todos os animais da floresta. Saía sempre na coluna social do Wood's News, o jornalzinho da região. Era sua vizinha da direita.


Salustiana, por sua vez, era a mais inteligente e sábia. Era convocada para tomar decisões sobre disputas de território e outros conflitos. Tinha vários inventos utilizados na floresta. Patenteou um sistema de reflorestamento que estava sendo cobiçado pelas maiores madeireiras e sofreu até mesmo ameaça de alguns grileiros. Sua candidatura para sub-prefeita da floresta já havia sido pleiteada diversas vezes, mas ela preferia não se envolver em política diretamente. Era sua vizinha da esquerda.


E tinha Lucrecia. Que não tinha nenhum atrativo ou talento especial a não ser a amizade das duas vizinhas importantes. Mas tudo bem. Ela estava bem assim. Apesar dos apelos constantes das vizinhas pra que ela comparecesse às reuniões e festas de Joaquina, ou que participasse dos atos cívicos de Salustiana, ela preferia ficar em casa, fazendo crochê. As amigas estavam sempre muito preocupadas com ela e tentando ajudar. Ela só não entendia porque, se ela era feliz assim. Chamavam-na de acomodada etc.


Um belo dia (sim, todo conto de fadas que se preze tem que ter um belo dia!), uma fada aparece para Lucrecia. Envolta numa luz amarela e flutuando no ar, ela diz:


- Fada: Oláááá (sim, fadas tem vozes suaaaves e com efeeeito de eeeco) eu sooou sua faaaada madrinhaaa.

- Lucrecia: Aaaaaah éeeeee?

- Fada (sem paciência, apagando as luzes e efeitos que estavam ao seu redor): Pode zoar, mas isso tá no regulamento das fadas, a gente tem que fazer essa voz e ficar flutuando, mas beleza, não tá gostando, eu páro. E então?

- Lucrecia: E então o quê?

- Fada: Qual vai ser?

- Lucrecia: Qual vai ser o quê?

- Fada: O pedido.

- Lucrecia: Que pedido?

- Fada: Ué, toda vez que uma fada madrinha aparece você tem direito a um pedido (procurando uma cadeira pra se sentar e uma tomada pra recarregar sua bateria nas asas)

- Lucrecia: Um só?

- Fada: E ainda reclama?

- Lucrecia: Não, mas...sei lá...não dava pra ser três, não?

- Fada: Eu sou fada, não sou o gênio da lâmpada.

- Lucrecia: Ah tá...

- Fada: E então.

- Lucrecia: E então o quê?

- Fada: Alowww? A galera é lenta aqui, hein? O pedido?

- Lucrecia: Ah é...deixa eu ver...ah, não quero nada.

- Fada: Como assim, nada?

- Lucrecia: Ué, tô bem como estou, não quero nada.

- Fada: Ai, meus São Jesus das Fadas! Criatura, veja bem: eu sou sua fada madrinha. Você pode pedir qualquer coisa. QUALQUER COISA MESMO. O Rodrigo Santoro, uma BMW, qualquer coisa.

- Lucrecia: Humm...

- Fada: Você não quer dar uma repaginada no visual? Fazer umas mechas no pelo? Ficar como a sua vizinha, a Joaquina e ser convidada para todos os eventos? Se transformar na Jéssica Rabbit?

- Lucrecia: Não. Além disso, eu sou esquila, não sou coelha!

- Fada: (Suspira, sem graça). É verdade... Então quem sabe ser dotada de uma inteligência privilegiada? Como a Salustiana?

- Lucrecia: Não. Dá muito trabalho.

- Fada (sentando de saco cheio e pegando uma lixa de unha): ô povinho sem ambição!

- Lucrecia: Ah! Tem uma coisa.

- Fada: Finalmente!

- Lucrecia: Eu faço crochê e é sempre muito difícil encontrar linhas e agulhas de boa qualidade. Queria um estoque de linhas e agulhas que desse pra todo o inverno.

- Fada: Perfeitamente! Deixa só eu achar a minha varinha mágica (abre a bolsa e começa a tirar celular, objetos, chave do carro, folheto da Avon, Natura, De Millus)

- Lucrecia: Olha!! você vende Avon?

- Fada: Claro! Quer dar uma olhada?

A esquila fica olhando enquanto a fada pega seu kit magia.

- Fada: Pronto. Acho que tá tudo aqui. Vamos lá: pir lim pim pim...

- Lucrecia: Nossa, ainda usam o pirlimpimpim?

- Fada: Pois é, menina! Faz parte do regulamento. Sabe como é...querem manter a magia...

- Lucrecia: Sei.

A fada dá umas três sacudidas na varinha e logo aparecem três lindos cestos de vime, com as mais belas cores de linhas. Todas as tonalidades possíveis e imaginadas.

- Fada: Funciona assim: cada vez que você pegar uma linha aqui, a cesta automaticamente repõe com uma linha da mesma cor e igual.

- Lucrecia: Parece mágica!

- Fada: Parece, não, minha filha! É. E não é só isso (imitando voz de locutor de propaganda 0-800), você também vai adquirir, totalmente grátis, a nossa fabulosa – tcharan! – agulha mágica!

- Lucrecia: menos, fada. Menos.

- Fada: Desculpe, me empolguei. Mas deixa eu te explicar. Essa é uma agulha mágica. Ela é capaz de fazer você realizar os mais lindos trabalhos.

- Lucrecia: ah, que ótimo! Minhas agulhas sempre entortam muito rápido.

- Fada: Ótimo não, minha filha. Maravilhoso. Mágica.



(Continua em breve...)


4 comentários:

Ila Fox disse...

Tcharam-tcham-tcham-tchaaaaam, o que será que vai acontecer com a coelha, ops, esquila Lucrecia??

Anônimo disse...

Isso está parecendo a estória (história?) do coelho da VanOr...

VanOr disse...

UHUAHUAH! Shrek 2 na veia! :)

Joana disse...

ah!! agora entendi (quer dizer, fez mais sentido) a outra parte da historia bem melhor!! eh que eu li essa depois... gente, a lucrecia eh otima.