quinta-feira, maio 10, 2007

Boas lembranças


Tem certas pessoas que me fazem ter orgulho de ter dado aula pra elas. Como essa moça aqui. Se bem que eu não tenho nada a ver com o fato dela escrever bem. Eu a (des)orientei na monografia final.

Aliás, ela fazia parte da turma de Petrópolis. Houve um tempo na minha vida – curto, é verdade – em que eu ia toda terça à noite – sim, eu disse à noite – pra Petrópolis. Ia de carro, com colegas e a gente rachava a gasolina pra poder compensar, pois a Privada, quero dizer, a Instituição Privada na qual eu trabalhava não dava nem ajuda de custo. Eu voltava 11 da noite de Petrópolis. Chegava meia noite e meia, uma hora no Rio. Podre de cansaço. Só ia dormir duas ou três.

Essa instituição tem um esquema cruel de orientação de monografias. Em primeiro lugar o aluno não escolhe o orientador. É o professor da disciplina quem vai orientar. O máximo que eles fazem é dividir a turma entre dois professores. Daí você fica com 15 alunos pra orientar em menos de duas horas por semana. Você tem duas opções: ou deixa seus alunos pirados ou trabalha além do tempo. Eu seguia a segunda opção. Chegava mais cedo e ia embora um pouco mais tarde pra poder atender nem que fossem 15 minutos cada aluno. E tinha que ser rigorosamente no horário, não passar nem um minuto. Dava meus telefones de casa, e-mail, msn, tudo. Já teve aluna que despencou de Petrópolis e veio até a minha casa em pleno sábado pra ter orientação.

Mas sabem de uma coisa? Eu ia com muito mais boa vontade pra lá do que pra Barra, no outro campus que eu dava aula e era muito mais perto. Num diazinho frio como hoje eu subia a Serra, parava naquela casa do Alemão, comia um croquete e um chocolate quente, ia pra faculdade e encontrava pessoas incríveis, como essa moça. Dava aula em uma outra turma também, mas de pré-projeto. Adorava os alunos, também. O clima era bom. O aluno não tinha aquela marra da Barra de que o professor é seu inimigo e ele vai te sacanear porque você quer sacaneá-lo. As pessoas eram mais educadas – será influência da Família Real, que por tanto tempo habitou Petrópolis?

Eu tentei fazer o que eu acho que os bons orientadores devem fazer: não atrapalhar. Ser um ponto de apoio nesse momento em que as pessoas estão super estressadas, terminando uma faculdade e com uma série de dúvidas. E tentava explicar como é difícil o trabalho acadêmico, que as pessoas ralam até no doutorado e que tudo que eles estão passando é perfeitamente normal. Nem sempre consegui.

Dessa turma tenho contato ainda com essa moça e mais duas. Gosto muito delas, torço, gosto de ter notícias e ajudar no que eu posso. Já se tornaram amigas.

Dar aula tem isso: quando é bom, é bom demais. O problema é que é difícil ser bom.

2 comentários:

Monica disse...

Eu não sei o que dizer... Talvez que ganhei um presente de aniversário! Sim! Ser citada nesse blog tão inteligente, sagaz e verdadeirtamente original ! Ser citada por você de forma tão carinhosa. Ter contado com a sua paciência e seu apoio naqueles tempos difíceis de provar pra mim, e prá torcida contra do Flamengo, que terminar aquela monografia era muito melhor do que sofrer por "ter ido a gráfica um dia" ... Foi heavy, mas passou... Ahh, ainda tinha que provar para a Privada que eu tava pronta e provar que o novo cinema brasileiro novo não é novo , é só o cinema... Os textos ainda estão aqui e gostaria de retomá-los já que falam sobre a "retomada" .... Será que volto aos sonhos algum dia?

Carrie, a Estranha disse...

Claro q sim! Os sonhos não envelhecem!

bjs