Conversas sobre o Nada e o Absurdo. Teorias nonsênsicas sobre a Vida. Resmungos. Bestices. Egocentrismo. Nenhum assunto em particular. Vida acadêmica, cultura pop e literatura. Depois não diga que eu não avisei.
terça-feira, março 18, 2008
Da série: coisas que eu estava pra fazer há muito tempo e nunca fazia.
quinta-feira, janeiro 24, 2008
sexta-feira, janeiro 18, 2008
Parece cocaína, mas é só tristeza
quarta-feira, outubro 24, 2007
Cante com a gente!
Gente! Descobri - é sou meio desinformada - essa banda argentina vendo um clip que não pára de passar no Sony (canal). Amei. Fui buscar na internet. Acessem aqui para ver o clip: http://www.batanga.com/Miranda_Perfecta_Video/D9674A72-5A24-43D7-AAFA-D9D21366ABF5.htm
Aliás, não consigo mais postar vídeos do you tube nesse blog. Alguém aí sabe por quê? Será que o you tube brigou com o blogspot? Mas não é tudo da google?
Bom, vamos lá! Cante comigo!
Mais informações sobre a banda no site oficial dos caras. E também aqui.E lá. E acolá.
Miranda !
(Perfecta)
Tan pronto yo te vi
no pude descubrir.
El amor a primera vista no funcionó en mi
después de amarte comprendí.
Que no estaría tan mal
probar tu otra mitad.
No me importó si arruinaríamos nuestra amistad
no me importó y ya que mas da.
Eramos tan buenos amigos hasta hoy
que yo probé tu desempeño en el amor
me aproveché de que habíamos tomado tanto
te fuiste dejando y te agarré.
A pesar de saber que estaba todo mal
lo continuamos hasta juntos terminar.
Cuando caímos en lo que estaba pasando
te seguí besando y fue.
Solo tu
no necesito mas.
Te adoraría lo que dure la eternidad
debes ser perfecta para
perfecto para
perfecta para mí, mi amor
como fue que de papel cambié?
eras mi amiga y ahora eres mi mujer
debes ser perfectamente, exactamente
lo que yo siempre soñé.
El tiempo que pasó
resultó aún mejor.
Nos conocíamos de antes y sabíamos
lo que queríamos los 2.
Entonces el amor
nos tiene de rehén
Seré tu eterna enamorada y te aseguro que
todas las noches te amaré.
Eramos tan buenos amigos hasta hoy
que yo probé tu desempeño en el amor
me aproveché de que habíamos tomado tanto
te fuiste dejando y te agarré.
A pesar de saber que estaba todo mal
lo continuamos hasta juntos terminar.
cuando caímos en lo que estaba pasando
te seguí besando y fue.
Solo tu
no necesito mas.
te adoraría lo que dure la eternidad
debes ser perfecta para
perfecto para
perfecta para mí, mi amor
como fue que de papel cambié?
eras mi amiga y ahora eres mi mujer
debes ser perfectamente, exactamente
lo que yo siempre soñé.
sexta-feira, setembro 28, 2007
Perfeito o Consultório Sentimental de Carpinejar de hoje. Assino embaixo de tudo. Sem tirar nem por.
sábado, setembro 22, 2007
Carpinejar: verbo intransitivo
O que são os perdedores senão os mais sensíveis à pressão?
Eu tento trabalhar, mas o que dizer diante dessa frase de Fabrício Carpinejar?
E dessa:
“Eu posso perder tudo, menos a família. A família é meu despertencimento, a adoração dos telhados, o avental no gancho da cozinha”
Ou essa ainda, que era exatamente o que eu queria dizer naquele post sobre o tempo (mas tive que gastar muito mais palavras sem nem um milésimo da competência do autor):
“Não há mais adultos no mundo. Ninguém mais pede para ser adulto. O tempo parou afetivamente e raros são os corajosos que desejam envelhecer.(...) Os filhos recebem de nós uma visão triste e doentia da responsabilidade. Ser adulto virou sinônimo de trabalhar dois turnos, sem direito a trégua, incomodação, enxaqueca, ausência de dinheiro, separação. Não vejo nenhum amigo argumentando ao seu filho que amadurecer é ser amigo da alegria. Ou no mínimo seu vizinho”.
Teria um milhão de outras frases e trechos para selecionar, mas não dá. Leia mais – leia tudo, se puder – no site: http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br
terça-feira, setembro 18, 2007
FREUD, Sigmund. Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico. Volume XII. Obras completas. Edição eletrônica de Freud.
A primeira doença do Dr. Schreber começou no outono de 1884; em fins de 1885 achava-se completamente restabelecido. Durante este período, passou seis meses na clínica de Flechsig, que, em relatório formal redigido posteriormente, descreveu o distúrbio como sendo uma crise de grave hipocondria [379]. O Dr. Schreber assegura-nos que a moléstia seguiu seu curso ‘sem a ocorrência de quaisquer incidentes que tocassem as raias do sobrenatural.’ (35.)
Nem a própria descrição do paciente, nem os relatórios médicos impressos no final de seu livro dizem-nos o suficiente sobre sua história anterior ou seus pormenores pessoais.
(...)
Em junho em 1893, ele foi informado de sua provável indicação para Senatspräsident, e assumiu o cargo a 1º de outubro do mesmo ano.
(...)
A segunda enfermidade manifestou-se em fins de outubro de 1893, com um torturante acesso de insônia, forçando-o a retornar à clínica Flechsig, onde, porém, sua condição piorou rapidamente. O curso ulterior da moléstia é descrito em Relatório redigido subseqüentemente [em 1899] pelo diretor do Asilo Sonnenstein: ‘No início de seu internamento ali, expressava mais idéias hipocondríacas, queixava-se de ter um amolecimento do cérebro, de que morreria cedo etc. Mas idéias de perseguição já surgiam no quadro clínico, baseadas em ilusões sensórias que, contudo, só pareciam aparecer esporadicamente, no início, enquanto, ao mesmo tempo, um alto grau de hiperestesia era observável — grande sensibilidade à luz e ao barulho. Mais tarde, as ilusões visuais e auditivas tornaram-se muito mais freqüentes e, junto com distúrbios cenestésicos, dominavam a totalidade de seu sentimento e pensamento. Acreditava estar morto e em decomposição, que sofria de peste; asseverava que seu corpo estava sendo manejado da maneira mais revoltante, e, como ele próprio declara até hoje, passou pelos piores horrores que alguém possa imaginar, e tudo em nome de um intuito sagrado.
(...)
O Dr. Weber, em seu Relatório de 1899, faz as seguintes observações: ‘Assim, parece que, no momento, independentemente de certos sintomas psicomotores óbvios, que não podem deixar de impressionar como patológicos mesmo o observador superficial, Herr Senatspräsident Dr. Schreber não apresenta sinais de confusão ou de inibição psíquica, nem sua inteligência se acha notadamente prejudicada. Sua mente é calma, a memória excelente, tem à disposição estoque considerável de conhecimentos (não somente sobre questões jurídicas, mas em muitos outros campos) e é capaz de reproduzi-los numa seqüência vinculada de pensamento. Interessa-se em acompanhar os acontecimentos do mundo da política, da ciência, da arte etc. e ocupa-se constantemente com tais assuntos… e um observador desinformado sobre sua condição geral dificilmente notaria algo de peculiar nesses procedimentos. Apesar disso tudo, entretanto, o paciente acha-se repleto de idéias de origem patológica, que se constituíram num sistema completo; são mais ou menos fixas e parecem inacessíveis à correção por meio de qualquer apreciação e juízo objetivos dos fatos externos.’ (385-6.)
quarta-feira, agosto 29, 2007
Ainda sobre o efêmero da vida...
João Francisco e as folhas secas
"(...) Domingo de manhã, estávamos na frente da nossa casa onde tem uma grande árvore. João Francisco é encantado pelas folhas secas caídas no chão e, se deixar, fica horas brincando com as mesmas, balbuciando seus “us” e “bas”. Fiquei olhando-o sentadinho debaixo da árvore e observando suas reações (passatempo preferido de pai). De repente deu um vento forte e caíram mais algumas folhas secas no chão já cheio delas. João Francisco olhou bem para o alto da árvore, olhou para as folhas no chão, olhou novamente para o alto da árvore e, vendo que as folhas vinham lá de cima, não hesitou em usar a palavra mágica: "Dá, dá, dá..."Ele queria ganhar mais folhas secas e sabia que a árvore é quem as daria, mediante seu pedido..."
Daqui. De onde mais poderia ser? Não se esqueçam: o lançamento do livro de poesias dele na Bienal é dia 16/09, um domingo. Ensinamentos de amor. Marquem em suas agendas. Nos vemos lá.
quarta-feira, agosto 08, 2007
Gente feliz que dá inveja
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
Pode um menino mais fofo que esse? Só um: João Fanquico, seu filho.
quinta-feira, agosto 02, 2007
E por falar em escolhas...
Estava lá passeando no meu amigo JH quando me deparei com esse trecho do filme Trainspotting, de Danny Boyle, que veio bem a calhar com tudo o que a gente tem dito – eu e vocês nos comentários:
E na linha, “filmes que inspiram”, termino com a frase de um dos melhores filmes de todos os tempos, o alemão Edukators (Die Fetten Jahre Sind Vorbei), de Hans Weingartner: “Certas pessoas nunca mudam”.
Thank’s god.
;)
Boa noite.
quinta-feira, julho 26, 2007
Shine happy people
Uma pessoa muito querida me disse essa primeira frase hoje. Procurei na net e coloquei o texto na íntegra.
“Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados.
Nosso medo mais profundo é que somos poderosos além de qualquer medida.
É a nossa Luz, não nossas trevas,
o que mais nos apavora.
Você é filho do Universo.
Você se fazer de pequeno não ajuda o mundo.
Não há iluminação em se encolher
para que os outros não se sintam inseguros quando estão perto de você.
Nascemos para manifestar a glória do Universo que está dentro de nós.
Não está apenas em um de nós: está em todos nós.
E conforme deixamos nossa própria Luz brilhar, damos às outras pessoas permissão para
fazer o mesmo.
E quando nos libertamos de nosso medo, nossa presença, automaticamente,
Nelson Mandela
segunda-feira, julho 02, 2007
No "Prosa & Verso"...
“O ar onde você esteve/ três dias depois ainda estava morno”.
E o cara - o mocinho da esquerda, que, aliás, achei parecido com Primo Poeta, nas referências e nas coisas que escreve. Assim como Primo, e assim como eu, ele também é do interiorrrrr. Do interior de si mesmo. (UP DATE: putz! o site do globo não tá colaborando; enfim, vejam aqui que coisa linda Fabrício Corsaletti) - vai estar na FLIP. Junto com outros "jovens escritores", em uma mesa intitulada "Futuro do presente".
(suspiro)
E eu sou o futuro do passado. Aquela que sempre quase vai, mas acaba não sendo.
(suspiro)
E mais um ano eu não vou à FLIP.
(Outro suspiro)
Mais ano que vem eu vou. Me cobrem. Eu sei que eu disse isso ano passado, mas ano que vem eu juro que eu vou. Porque tem uma hora em que as coisas andam. Ah, andam. Já andaram, por que não haveriam de andar ainda mais? Podem demorar 1.000 anos mais uma hora o negócio anda. Uma hora a ficha cai e você consegue completar a ligação.
E digo mais! (claro, a megalomania é minha amiga e nunca me deixa): vou participar do concurso de contos – que esse ano eu perdi o prazo – cujo prêmio é ir como convidado para a FLIP, com tudo pago e com direito a acompanhante. E vou levar o meu Baru como acompanhante. Eu e meu Baru, meu Baru e eu e mais ninguém (não, meu Baru não é meu namorado, meu Baru não é meu amigo, não é homem, meu Baru é da categoria dos Barus, da família baruelesca, estirpe baruesal).
Não é que eu não goste de onde estou. Mas eu sempre quero estar onde não estou. E basta chegar para que eu queira voltar para onde estava. Não é nada demais. Apenas o deslocamento é a minha condição natural. Não é bom nem ruim. Sou eu.
E vou de pônei, claro. O melhor meio de transporte que existe. Sem pôneis não chegamos a lugar nenhum.
terça-feira, junho 26, 2007
Para os meia bomba (sim, meia porque estão pela metade)
Jogue os dados
(Charles Bukowski)
se você for tentar, vá até o
fim.
senão, nem comece.
se você for tentar, vá até o
fim. isso pode ser perder namoradas,
esposas, parentes, empregos e
talvez sua cabeça.
Vá até o fim.
isso pode ser não comer por 3 ou
4 dias.
pode ser congelar em um
banco de praça.
pode ser cadeia,
pode ser o ridículo,
chacota,
isolamento.
isolamento é a benção.
todo o resto é um teste na sua
resistência, de
quanto você realmente quer
fazer aquilo
e você vai fazer
independente da rejeição
e das piores dificuldades
e será melhor do que
qualquer outra coisa
que você possa imaginar.
se você for tentar,
vá até o fim.
não existe outra coisa que vá te fazer sentir
isso.
você estará sozinho com os
deuses
e as noites se inflamarão em
chamas.
faça. faça. faça,
faça.
até o fim.
até o fim.
você guiará sua vida direto para
o riso perfeito,
é a única boa briga
que existe.
sexta-feira, maio 25, 2007
Separadas na maternidade
"20 de Março de 2007
Todos os dias, eu acordo, abro os olhos, penso "ê, bosta", levanto, faço café, pego o jornal atrás da porta e começo a me preocupar com as preocupações do dia. À hora em que o café fica pronto, eu já comecei a roer as unhas. Aí eu me vejo no sofá, com o jornal aberto no colo, o café numa mão e cinco unhas na outra. Café ou unha? Café ou unha? Café ou unha? (Tomar um gole de café e roer a unha em seguida é ruim. Ela fica toda preta e quente e mole.)
Meus começos de dia são assim, entre o café e as unhas. Geralmente, as unhas ganham".
Desse blog aqui.
(Acho que vou criar a categoria “embromation”. E-mails em que eu não falo nada e me aproveito do talento alheio)
quarta-feira, maio 23, 2007
Minha musa teen do momento é Clarah Averbuck. Tá ela não é teen – tem 27 anos, quase 28 Mas age como se fosse. Então tome lá. Porque na série escritora-tatuada-que-fala-o-que-pensa-maldita (hein? Quisera eu ser maldita assim, né? Vendendo direitos autorais pro cinema...) sou muito mais ela do que Fernanda Young. Ah é. Os erros de português são dela, pois fazer supletivo deixa seqüelas.
(Sim esse é um post tipo embromation, só pra preencher espaço pois não tô podeiiiindo escrever).
INFERNO ASTRAL
ninguém mais consegue chegar aqui. preciso que alguém consiga chegar e rasgar essa névoa de solidão que se criou à minha volta. preciso, preciso agora que alguém consiga desmontar todos os tijolos que eu montei e acimentei (sic), um a um, sem notar. preciso agora que alguém me mate, que alguém me arregace o peito, arrombe essa porra dessa porta, eu quero que alguém ateie fogo a esta casa, a este corpo, preciso que alguem incendeie este corpo com alguma coisa, que alguém me pegue e não me pergunte e me cale a boca agora.alguém que veja a face de deus nas coisas quebradas e na sujeira. alguém que tire a ferrugem das minhas juntas sem quebrar nada. e que consiga tirar o pó da minha pelecomo de um livro raro da estante. eu preciso me acostumar que todo ano tem isso e é sempre assim. depois passa. mas eu sempre vou até o fim mesmo que não haja nada lá.
quarta-feira, março 28, 2007
Receita da moça dos bolos (e das filosofias) para moçoilas casadoiras
Daqui. Da moça que faz bolos pornográficos de tão deliciosos (mesmo nunca tendo provado-os, mas a descrição já me faz ter pensamentos pecaminosos) e estuda Wittigenstein com a mesma naturalidade de quem usa Nutella de cobertura (WITTIGENSTEIN, plebe! Eu mal consigo falar e escrever Wittigenstein. Xá pra lá...vou ali me jogar do meio fio e já volto). Eu não li a entrevista que ela cita, mas dá pra se ter uma boa idéia lendo a síntese.
Outro trecho (do blog, não da entrevista):
Em primeiro lugar, ela [a muié da entrevista. Comentário meu] destaca dois aspectos funestos que podem comprometer (e efetivamente comprometem) a instituição casamento: um, a crença de que o casamento pode ser um remédio para todos os males existenciais. Outro, a obrigação de ser feliz, praga que assola a maioria da população [perfeito, perfeito!]. Ela cita o mega-investimento que se faz no amor e na desilusão que isso pode acarretar. Quando se divorciam, ela diz, as pessoas no fundo acreditam "que existe uma pessoa com quem podem ter tudo, simplesmente não escolheram a pessoa certa." E toca a procurar a tal "alma-gêmea".
É o que eu sempre digo: menAs, galera. MenAs! Alma gêmea de cu é rola.
sábado, março 24, 2007
Porque me ufano de meus primos
Dele. Claro. Meu primo de 80 anos. O único que foi avô antes de ser pai e é criança em corpo de adulto. Essa coisa de idade é pra mortais.
segunda-feira, março 12, 2007
Desejos III
Por quase um segundo
(Herbert Vianna)
Eu queria ver no escuro do mundo
onde está tudo o que você quer
Pra me transformar no que te agrada
no que me faça ver
Quais são as cores e as coisas pra te prender?
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
por isso eu te liguei
Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?
Às vezes te odeio por quase um segundo.
depois te amo mais
teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo
que não me deixa em paz
Quais são as cores e as coisas pra te prender?
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
por isso eu te liguei
Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?
domingo, março 11, 2007
Na onda século XIX...
Para encher um vazio
Ponha de volta Aquilo que o causou.
Baldado cobri-lo
Com outra coisa – sua boca vai mais se
escancarar –
Não se pode soldar o abismo
Com ar.
(Emily Dickinson. Trad: Aíla de Oliveira Gomes)
Esses dias entrei em contato com a obra de uma poetisa que me deixou profundamente impressionada: Emily Dickinson. Conhecia-a apenas de nome, nada sabendo de sua vida e de seus poemas. Confesso que o que me chamou a atenção, a princípio, foi a sua história de vida. Porque eu adoro fofoca e especulações. E porque eu gosto de trajetórias estranhas.
A Bela de Amherst, como ficou conhecida em função de ter nascido na cidade de mesmo nome, no estado de Massachussets, EUA, teve uma vida reclusa e de poucas, porém intensas relações. Nunca publicou nada em vida – apenas 7 poemas, à sua revelia, anonimamente – mas após a sua morte, quando a irmã vai limpar o seu quarto, descobre cerca de 1800 poemas guardados. A poetisa é considerada, hoje, um dos maiores nomes da poesia moderna norte americana, tendo preconizado, inclusive, vários traços do modernismo.
Vamos às fofocas e detalhes sórdidos, então.
II
Emily nasceu em 10 de dezembro do 1830 (século XIX, né gente? Ouuutra coisa). Filha de uma família abastada e extremamente conservadora, estudou nos melhores colégios. Após concluir os estudos, volta para sua casa para cuidar dos pais. Assim como sua irmã, Lavínia – Vinnie – nunca se casou.
Passado um pouco dos trinta anos se refugiou em sua casa, no seu quarto especificamente, e nunca mais saiu de lá. Sua melhor amiga, Susan Gilbert, casa-se com seu irmão Austin Dickinson. Além da estreita amizade e do parentesco agora consolidado passam a ser também vizinhas. As duas casas – a de Emily, chamada de The Homestead e a de Susan, The Evergreens - abrigam o que se transformou no museu da poetisa hoje em dia. A Evergreens conservou-se exatamente igual, incluindo o interior. Casinhas fofas no melhor estilo norte-americano do século XIX.
Com Susan manteve intensa e apaixonada correspondência e reza a lenda que teria escrito algumas poesias mais calientes pra ela. O irmão teria apagado o nome de Susan de alguns poemas antes de publicá-los. Pois é. Dizem que a moça era lésbica ou bissexual, havendo poucas chances dela ter concretizado algo de fato – século XIX, moçada, uma das regiões mais puritanas dos EUA.
Adjetivos como Grande Reclusa, excêntrica, estranha e até mesmo um diagnóstico de agorafobia são encontrados na trajetória de Emily – mas convenhamos que se você é um solteirona do século XIX de uma cidade do interior lhe sobram poucas opções, concorda leitor? A exceção se faz a pequenas viagens à Filadélfia, Boston e Washington, para cuidar de problemas de saúde. Dizem que numa dessas viagens teria conhecido o clérigo Charles Wadsworth, que teria sido o alvo de alguns poemas. Samuel Bowles, um editor de jornal e Otis Lord, um amigo de seu pai também são outras especulações sobre os possíveis affairs da moçoila. Assim como no caso de Susan, nada fica realmente provado.
Seu estilo é classificado como complexo, metafísico, lírico e inovador na forma. Extremamente melódica e ritmada, sua poesia foi musicada algumas vezes e representa enorme desafio para todos aqueles que se aventurem na sua tradução. Entre os que já se aventuraram no árduo trabalho está Manuel Bandeira. Já foi comparada a William Blake e devedora do século XVII. Sua poesia não era exatamente o que esperavam de poesias de moças do século XIX.
O medíocre crítico literário Thomas Higginson - que tentará burilar o estilo de Emily quando esta o procura ainda em vida para publicar seus poemas - e Mabel Todd - uma editora obscura que freqüentava a casa das irmãs Dickinson - serão procurados por Lavínia após a morte da irmã e tornar-se-ão os responsáveis pela obra da moça.
Falece em 15 de maio de 1886, na mesma cidade na qual viveu a vida toda. À parte todas as ilusões biográficas que fazem parte da vida de todos, uma história de vida fascinante. Se pegou a cunhada ou não, se comeu o clérigo ou não, isso não diz nada sobre o trabalho dela. O mais interessante é a trajetória de alguém ambígua, excêntrica, densa e prolífica. De uma estranha, como qualquer um de nós.
quarta-feira, março 07, 2007
Nem só de Bigue Bródi vive o homem
(T.S. Eliot)
I
Porque não mais espero retornar
Porque não espero
Porque não espero retornar
A este invejando-lhe o dom e àquele o seu projeto
Não mais me empenho no .empenho de tais coisas
(Por que abriria a velha águia suas asas?)
Por que lamentaria eu, afinal,
O esvaído poder do reino trivial?
Porque não mais espero conhecer
A vacilante glória da hora positiva
Porque não penso mais
Porque sei que nada saberei
Do único poder fugaz e verdadeiro
Porque não posso beber
Lá, onde as árvores florescem e as fontes rumorejam,
Pois lá nada retorna à sua forma
Porque sei que o tempo é sempre o tempo
E que o espaço é sempre o espaço apenas
E que o real somente o é dentro de um tempo
E apenas para o espaço que o contém
Alegro-me de serem as coisas o que são
E renuncio à face abençoada
E renuncio à voz
Porque esperar não posso mais
E assim me alegro, por ter de alguma coisa edificar
De que me possa depois rejubilar
E rogo a Deus que de nós se compadeça
E rogo a Deus porque esquecer desejo
Estas coisas que comigo por demais discuto
Por demais explico
Porque não mais espero retornar
Que estas palavras afinal respondam
Por tudo o que foi feito e que refeito não será
E que a sentença por demais não pese sobre nós
Porque estas asas de voar já se esqueceram
E no ar apenas são andrajos que se arqueiam
No ar agora cabalmente exíguo e seco
Mais exíguo e mais seco que o desejo
Ensinai-nos o desvelo e o menosprezo
Ensinai-nos a estar postos em sossego.
Rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte
Rogai por nós agora e na hora de nossa morte.