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segunda-feira, dezembro 17, 2007

Drogas: tô fora






Diga não à moda balonê. Corte essa idéia. Isso é um caminho sem volta.

quinta-feira, julho 12, 2007

Já é!

Lançada a campanha. Daqui.

domingo, março 11, 2007

Na onda século XIX...




Para encher um vazio
Ponha de volta Aquilo que o causou.
Baldado cobri-lo
Com outra coisa – sua boca vai mais se
escancarar –
Não se pode soldar o abismo
Com ar.

(Emily Dickinson. Trad: Aíla de Oliveira Gomes)



Esses dias entrei em contato com a obra de uma poetisa que me deixou profundamente impressionada: Emily Dickinson. Conhecia-a apenas de nome, nada sabendo de sua vida e de seus poemas. Confesso que o que me chamou a atenção, a princípio, foi a sua história de vida. Porque eu adoro fofoca e especulações. E porque eu gosto de trajetórias estranhas.

A Bela de Amherst, como ficou conhecida em função de ter nascido na cidade de mesmo nome, no estado de Massachussets, EUA, teve uma vida reclusa e de poucas, porém intensas relações. Nunca publicou nada em vida – apenas 7 poemas, à sua revelia, anonimamente – mas após a sua morte, quando a irmã vai limpar o seu quarto, descobre cerca de 1800 poemas guardados. A poetisa é considerada, hoje, um dos maiores nomes da poesia moderna norte americana, tendo preconizado, inclusive, vários traços do modernismo.

Vamos às fofocas e detalhes sórdidos, então.

II

Emily nasceu em 10 de dezembro do 1830 (século XIX, né gente? Ouuutra coisa). Filha de uma família abastada e extremamente conservadora, estudou nos melhores colégios. Após concluir os estudos, volta para sua casa para cuidar dos pais. Assim como sua irmã, Lavínia – Vinnie – nunca se casou.

Passado um pouco dos trinta anos se refugiou em sua casa, no seu quarto especificamente, e nunca mais saiu de lá. Sua melhor amiga, Susan Gilbert, casa-se com seu irmão Austin Dickinson. Além da estreita amizade e do parentesco agora consolidado passam a ser também vizinhas. As duas casas – a de Emily, chamada de The Homestead e a de Susan, The Evergreens - abrigam o que se transformou no museu da poetisa hoje em dia. A Evergreens conservou-se exatamente igual, incluindo o interior. Casinhas fofas no melhor estilo norte-americano do século XIX.

Com Susan manteve intensa e apaixonada correspondência e reza a lenda que teria escrito algumas poesias mais calientes pra ela. O irmão teria apagado o nome de Susan de alguns poemas antes de publicá-los. Pois é. Dizem que a moça era lésbica ou bissexual, havendo poucas chances dela ter concretizado algo de fato – século XIX, moçada, uma das regiões mais puritanas dos EUA.

Adjetivos como Grande Reclusa, excêntrica, estranha e até mesmo um diagnóstico de agorafobia são encontrados na trajetória de Emily – mas convenhamos que se você é um solteirona do século XIX de uma cidade do interior lhe sobram poucas opções, concorda leitor? A exceção se faz a pequenas viagens à Filadélfia, Boston e Washington, para cuidar de problemas de saúde. Dizem que numa dessas viagens teria conhecido o clérigo Charles Wadsworth, que teria sido o alvo de alguns poemas. Samuel Bowles, um editor de jornal e Otis Lord, um amigo de seu pai também são outras especulações sobre os possíveis affairs da moçoila. Assim como no caso de Susan, nada fica realmente provado.

Seu estilo é classificado como complexo, metafísico, lírico e inovador na forma. Extremamente melódica e ritmada, sua poesia foi musicada algumas vezes e representa enorme desafio para todos aqueles que se aventurem na sua tradução. Entre os que já se aventuraram no árduo trabalho está Manuel Bandeira. Já foi comparada a William Blake e devedora do século XVII. Sua poesia não era exatamente o que esperavam de poesias de moças do século XIX.

O medíocre crítico literário Thomas Higginson - que tentará burilar o estilo de Emily quando esta o procura ainda em vida para publicar seus poemas - e Mabel Todd - uma editora obscura que freqüentava a casa das irmãs Dickinson - serão procurados por Lavínia após a morte da irmã e tornar-se-ão os responsáveis pela obra da moça.

Falece em 15 de maio de 1886, na mesma cidade na qual viveu a vida toda. À parte todas as ilusões biográficas que fazem parte da vida de todos, uma história de vida fascinante. Se pegou a cunhada ou não, se comeu o clérigo ou não, isso não diz nada sobre o trabalho dela. O mais interessante é a trajetória de alguém ambígua, excêntrica, densa e prolífica. De uma estranha, como qualquer um de nós.

quinta-feira, março 01, 2007

Movimento neo-dandaísta


Foi lançada por mim, em grande estilo (leia-se: no blog da Fal) a campanha: “De volta ao século XIX – de onde nunca deveríamos ter saído”.

Amigo leitor, você está cansado de viver na pós modernidade? Não agüenta mais a contemporaneidade? Se estressa com a total incapacidade de comunicação por mais que tenhamos todos os artefatos tecnológicos? Com o atual estágio do capitalismo? Não compreende o Homem Contemporâneo e está pouco se lixando com as suas reais necessidades enquanto macho? Se sente perdido(a)? Acha que o espartilho era um LU-XO? Queria ter freqüentado aquelas casas de ópio, onde todo mundo ficava doidão? Acha que este mundo não lhe pertence? Cansada(o) de tentar encontrar soluções para os nossos problemas? Cansada de ouvir essa balela de que homens e mulheres são iguais? Seus problemas acabaram!! Junte-se a nós!

Na campanha deste ano a idéia é ignorarmos o momento atual e vivermos no século XIX. Nas coisas boas do século XIX – nada de escravidão. Já estamos providenciando botons, canecas e camisetas. Na frente, a frase da campanha. Atrás temos as opções de frases: 1) Humanos: vocês ainda me pagam!; 2) O mundo é estranho? Você ainda não viu nada e 3) O cavalo já foi um erro. Reserve já a sua.

Serviremos chá, ópio e cocaína (sim, no século XIX a cocaína era liberada). Damas à esquerda, cavalheiros à direita. Distribuição de monóculos, cartola e bengala para os cavalheiros; luvas, chapéu e sombrinha para as damas.

Mezzo-dadas, mezzo-dândis. Mas sem viadagem.