E então que eu quebrei minha promessa de não comer chocolates. No Halloween, claro. Muita tentação e eu sou fraca. Muito fraca. Quer dizer, até que eu resisti bem. Daí pensei: agora que Toninho não me dá o Santoro e nem me arruma ninguém que preste nunca mais na vida.
(...)
Peraí. Qual a novidade, então?
Tá, ele também pode me fazer perder o celular da Raquel de novo – afinal a promessa foi pra isso - ou perder coisas mais importantes... Mas consultei instâncias superiores – o Papa? – e elas me mandaram substituir por uma pena alternativa. Tipo marido espancador que dá 6 cestas básicas e tudo bem.
Como diria Formiga Mãe: “é isso que dá, fazer promessa com coisa impossível”.
Não tenho credibilidade nem para com minha própria mãe.
(...)
Peraí. Qual a novidade, então?
Tá, ele também pode me fazer perder o celular da Raquel de novo – afinal a promessa foi pra isso - ou perder coisas mais importantes... Mas consultei instâncias superiores – o Papa? – e elas me mandaram substituir por uma pena alternativa. Tipo marido espancador que dá 6 cestas básicas e tudo bem.
Como diria Formiga Mãe: “é isso que dá, fazer promessa com coisa impossível”.
Não tenho credibilidade nem para com minha própria mãe.
* * *
Muito frio. Abaixo de zero, com sensação térmica de muito menos. Saindo de casa com 3 camadas (no pé, nas pernas e na parte de cima), mais bota, casacão, gorro, cachecol e luvas. Já tenho um modo de quase não deixar minhas orelhas de fora. Deixo o cabelo dentro da roupa pra ajudar a esquentar e boto o cachecol por cima de tudo, meio que amarrando, cobrindo a boca. Ah! E quando saio de blusa com capuz eu boto o capuz por cima do gorro e amarro o cachecol depois – nunca pensei que um capuz fosse tão útil. No Brasil, em geral, eu tento não comprar blusas com capuz, já que é meramente um assessório decorativo. Aqui é artigo de primeira necessidade.
E vocês pensam que eu acho ruim? Amo cada minuto de frio!
Ontem resolvi sair à noite para ir a cidade. Nada demais: tentar ir a um cinema, dar uma volta pela Barnes & Nobles, ver “as moda”. Péssima idéia. O metrô resolve fazer todos os seus reparos no fim de semana. Resultado: a linha que eu pego não está rodando entre determinadas estações e, além disso, está pulando a minha estação. Então tive que ir até uma estação adiante, pegar o N (que é o meu trem), voltar, ir até Queensboro Plaza (última estação antes de Manhattam), pegar o 7, parar na Grand Central, pegar o 6.
Detalhe: os trens não funcionam entre a 57 Av e a Grand Central (ou algo do tipo), mas se você pega o trem antes dessas estações ele vai até lá, o moço fala no microfone que é o ponto final e você desce. Fico pensando: pra onde vai o metrô? Pra casinha dos metrôs? Pro quartinho dele, dormir com os outros irmãozinhos metrôs, no beliche? Digo isso porque ele volta a aparecer mais adiante. Não é possível! Como ele encontra um caminho ali por debaixo da terra? Eu entendo ele não estar correndo at all. De jeito nenhum, pra direção nenhuma. Mas eu não entendo que ele vá até uma estação, pare, você faça meia dúzia de baldeações e depois ele apareça todo pimposo do outro lado da ilha – claro que não deve ser o mesmo, mas outro trem. Mas pra onde ele foi, isso me intriga. De onde ele veio? Mistérios.
Lembram há um tempão atrás que eu disse que tinha completado minhas compras de outono-inverno? Pois é. Menti. Ontem comprei mais um casaco roxo por 24 dólares.
Depois fui na Barnes & Nobles e comprei a New Yorker (na próxima encarnação quero escrever pra New Yorker. Não, não dá nem pra dizer “quando eu crescer” porque ainda que eu cresça muito não consigo) e o segundo livro da série Gossip Girl, You know you love me. Descobri que é a melhor forma de eu melhorar meu inglês. Ler bobagens. Fico tentando ler Jane Austen, Georg Eliot, Poe e...puxa. Ainda sou pequena para essas leituras e a coisa não rende. Gossip eu leio rapidinho e melhoro meu vocabulário. É bem escrito. Muito mais “sujo” do que o seriado da TV. Já falei sobre isso aqui.
Mas o livro não tem o Chuck Bass da TV. Quer dizer, tem o Chuck Bass, mas não interpretado de maneira magistral pelo Ed Westwick. O Chuck é o personagem mais terrível-adorável desde Visconde Sébastien de Valmont, interpretado por John Malchovich em Ligações Perigosas. Ele é uma espécie de Marquês de Sade adolescente. Se veste como um dândi do século XIX. Impecável. Só anda de limousine e motorista. Mora em um hotel. É quase gay de tão afetado – mas não é, muito pelo contrário. Teatral. Tem um ar blasé de enfado duplo: por ser adolescente e por ser bilionário. Ao mesmo tempo é profundo, matizado, contraditório: tem uma relação complicada e mal resolvida com o pai (que se casa com a mãe da Serena), que o negligencia porque a mãe morre no parto dele (que coisa antiga morrer no parto, né? Ainda mais sendo milionário em NY, com acesso aos melhores médicos e hospitais).
Engraçado que no livro o Dan mora no Upper West Side e a Serena e Cia no Upper East Side. Como a Raquel me explicou, o East Side é “old money”. Quem mora no West Side não é tão rico e tão aristocrático quanto quem mora no East Side. O East Side é gente que construiu a cidade, que o dinheiro está na família há gerações. São sobrenomes (irlandeses? holandeses?) como Van der Woodsen, Vanderbuilt e nomes de hotel (Waldorf). São apartamentos de frente pro Central Park, na Quinta Avenida, ou em townhouses que ainda existem por ali. As moças vão todos os dias comprar alguma coisinha nas lojas da Quinta Avenida. A idéia é mostrar dois mundos diferentes: o da Serena, dos milionários aristocratas e do Dan e da Jenny, das pessoas comuns. Só que...puxa. Upper West Side, ainda assim, é muito chique. É onde tem o Edifício Dakota que o Lennon morava. Tem que ter muito dinheiro.
Na TV, pra enfatizar o contraste, botaram o Dan morando no Brooklyn. Que também é caro pra cacete (dependendo da região e tudo leva a crer que o Dan more numa região cara). Acho que pra ser realmente realista na próxima versão – ou no filme, quem sabe - eles precisam colocar o Dan morando em Astoria, no Queens – onde eu moro. De preferência com um roommate grego e porcalhão.
No Brasil passa na Warner, acho que na segunda.
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Aliás, o melhor de vir pra NY é que agora eu consigo entender muito mais Sex and the City, Will and Grace, Seinfield, Gossip Girl e todos os livros em que falam da cidade. Antes as piadas passavam batidas.
Já falei isso, né? Só umas 309.589 vezes, Carrie.
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Tá passando maratona Rocky em um dos canais aqui. Agora tá passando o Rocky III. Eu gosto tanto do Rocky! Me identifico tanto! Tudo que ele queria era viver em paz com a mulher, o filho, e lutar as lutinhas dele. Acho o Rocky tão humilde. Tão anti-americano (talvez porque ele fosse italiano). Por que decidem matar a mulher dele, gente?! Que coisa mais triste! Alguém lembra em qual Rocky ela morre? Pena que a maratona não vá até o Rocky VI, um dos melhores pra mim.
É sério, eu realmente gosto de Rocky. Não é um gostar que nem eu gosto do Alexandre Frota (aliás...). Eu gosto mesmo. Gosto muito. Adoro o Stallone. Acho que eu pareço com ele. Fisicamente. O que tem a ver já que ele parece com o meu irmão Chuícho e eu pareço com o meu irmão.
O Rocky III é aquele em que ele além de perder a luta perde também o treinador, que morre. Mas aí o Apolo – aquele negão de quem ele ganha no Rocky II – vai ser o treinador.
E quinta feira, no feriado de Thanksgiving, vai passar maratona Poderoso Chefão. Mas eu vou perder.
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A pessoa vai à farmácia, inocentemente, comprar produtos de higiene básica, e lá chegando esbarra numa prateleira de chocolates suíços a 2, 3 dólares. Não pode, gente. Vender Lindt em farmácia. Devia ser contra lei. Que nem vender bebida e cigarro. Os EUA não estão vivendo uma epidemia de obesidade? Então. Não pode.
Jesus, conto com a sua força neste momento de provação.
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Fiz limpeza no quarto/sala da grega. Tufos de poeira, quase entidades corpóreas com personalidade própria saíram de debaixo do sofá - dizendo “quem és tu, pobre mortal que acordou de meu sono milenar?” - assim como uns batons dos anos 80, cartões, moedas...(se fosse no Brasil eu diria que eram Cruzeiros, mas como aqui o dinheiro não muda eu diria que deviam ser moedas cunhadas pelo próprio George Washington, em pessoa e perucas, tamanha a antiguidade.
Há coisas que eu não sei se é superstição, estética, religioso ou apenas esquecimento. Por exemplo: umas rodelas tipo uns botões de casaco (só que maiores) que ficam constantemente debaixo da cadeira da sala. Na mesma posição. Eu tenho medo de mexer. Vai que é macumba. Mas acabo mexendo no que vou varrer.
Ontem eu cheguei em casa e ela tinha acabado de chegar. Estava de roupa de sair, ainda, falando com um amigo no computador – fez eu dar tchauzinho e tal e cousa. Depois saiu. Em algum momento entre as 11:30 pm e 1 am.
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Eu tô pra conhecer bicho mais bobo e retardado do que mulher. Por isso que eu digo: na próxima encarnação eu quero vir homem e muçulmano. Que é pra mulher vir há uns três metros atrás de mim. Ô raça. As mulheres adoram falar mal de homem, mas...relou! Com as mulheres que existem por aí...E ainda tem que venha com esse papo “se as mulheres soubessem o poder que têm...” e, a que eu mais odeio, “toda mulher é meio bruxa” (uou!). Paulo Coelho feminista! Desconjuro! Discursozinho machista de quinta. Sim, machista, amiga-irmã-leitora-caminhoneira. Porque finge que dá poder a mulher. Que na verdade continua a mesma retardada de sempre, fazendo a vida girar em função de homem.
Tsc, tsc, tsc...(batendo o pezinho no chão e de braços cruzados).
Como diria a Fal, sou viúva honesta, recatada e retirada das tentações da carne – ou algo do tipo. Tirando o “viúva” idem ibidem. Que que eu posso entender de homens e mulheres, não é verdade? Sou esse ser casto e puro.
* * *
E ainda vem a mala da Formiga Irmã dizer que eu sou muito exigente. Realmente. 1) Casados (até com namorada ainda vai); 2) Homens “CONFUSOS” e 3) Aqueles que não completaram o Mobral, realmente eu passo. Não faço nenhuma – nenhuma mesmo – exigência física, de dinheiro, profissão, nada. Tem que ter faculdade. Desculpa, mas tem. Pode ser até na Esculacho, mas tem. Não, não precisa ter doutorado, leitor mala. Pode ser gordo, magro, a altura não combinar, ser branco, preto, amarelo. Mesmo. Ah é. Já ia esquecendo da exigência número 4) Não pode ter odores putrefatos emanando do corpo, tais como: cecê, chulé e mau hálito. Não precisa ser perfume francês, mas um Rexona é baratinho. Axe.
É, talvez eu ande meio exigente mesmo. Porque, do jeito que a coisa anda, tá difícil encontrar alguém até nessas condições supracitadas. É que nem aquele meu amigo com quem eu tentei manter um relacionamento – que é muuuuito feio (tudo bem), inteligente, mas pegou segunda época (como dizem os antigos) no quesito “odores putrefatos saindo do corpo” – “ah, Carrie, você tem que entender que você não está com essa bola toda, não” (depois disso eu nunca mais falei com ele e ele me bloqueou no msn).
Quer dizer: você ainda tem que ouvir coisas desse tipo. E a gente vai só baixando o nível. Baixando o nível, baixando o nível...pensando: “é, talvez eu deva estar muito exigente, mesmo”; “talvez eu não esteja com essa bola toda”. Até que você começa a tomar fora dos que nem entrariam na sua lista número 1 (nem na 2 e nem na 3, quiçá seriam lista de espera na 4 ou 5). É que nem um episódio de Sex and the City em que a Miranda começa a namorar um cara que só saía antes com modelos, até os amigos dizerem que ele deveria pegar alguém com conteúdo – com conteúdo leia-se: feio. E o cara é beeeem mais ou menos. Daí a Miranda manda: “Se caras como ele estão saindo com modelos, o que vai sobrar pra gente, as mulheres normais?”.
É o que eu me pergunto às vezes.
O lesbianismo? Ah, não. Mas aí eu vou ser exigente. Aí só se for da Gisele Bundchen pra cima. Scarlet Johansen. Natalie Portman. Daí para cima. A Madonna, quem sabe? Agora que ela se separou no Guy. Tudo bem que já tá bem velhinha, mas ainda bate um bolão. Mas ela ia tentar me converter pra Kabalah...não ia prestar.
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Esse post ficou bom.
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Tô lendo Memorial de Aires, do Machado de Assis, último livro da vida dele. Como o nome indica, trata-se de um livro de Memórias do Conselheiro Aires, aposentado de volta a cidade do Rio de Janeiro. “A gente Aguiar”, isto é: o casal Carmo e Aguiar conteria dados biográficos do casal Carolina e Machado de Assis – até as próprias iniciais C e A. Foi um dos poucos livros que eu trouxe do Brasil, pois eu sabia que ia chegar esse momento de abstinência de literatura brazuca, uma espécie de banzo literário – assim como eu tive meu momento feijão. Separo alguns trechos cuja perfeição entre forma e conteúdo, entre ironia e melancolia me tocam profundamente:
Eu tenho a mulher embaixo do chão de Viena e nenhum dos meus filhos saiu do berço do Nada [Eu, Carrie, tentando explicar essa frase pra Karen e ela: “mas isso é uma dupla negativa. Não é lógico” Sim, minha cara. O Brasil não é lógico, muito menos os portugueses que nos legaram nossa língua]. Estou só, totalmente só. Os rumores de fora, carros, bestas, gentes, campainhas e assobios, nada disto vive em mim. Quando muito o meu relógio de parede, batendo as horas, parece falar alguma coisa, - mas fala tardo, pouco e fúnebre. Eu mesmo, relendo essas últimas linhas, pareço-me um coveiro.
E esse:
Não faltam cães atrás da gente, uns feios, outros bonitos, e todos impertinentes. Perto da rua do Catete, o latido ia diminuindo, e então pareceu-me que me mandava este recado: "meu amigo, não lhe importe saber o motivo que me inspira este discurso; late-se como se morre, tudo é ofício de cães, e o cão do casal Aguiar latia também outrora; agora esquece que é ofício de defunto".
Nada mais pode ser dito após essas frases, escritas, como Machado diria alhures, “com a pena da galhofa e a tinta da melancolia” (ou ao contrário).
Cá, nessas longínquas terras geladas d’além mar, eu também me despeço, não com o mesmo talento, mas com a mesma galhofa e melacancolia. A hora já se adianta e eu sequer tenho cachorros e relógios falantes a me fazerem companhia.