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sábado, novembro 08, 2008

Cinco curiosidades sobre a publicidade estadunidense:


1) Comerciais sobre remédios. Há comerciais de todo tipo de remédio, para todo tipo de doença. Depressão, impotência, reumatismo, osteoporose, cólica...e por aí vai. Engraçado que o comercial está super agradável, o Tio Suquita correndo pela praia com a Dona Suquitona, o locutor dizendo que agora ele tem uma opção para ficar “pronto” a qualquer momento (um tipo de Viagra que parece que você pode tomar antes e não apenas no dia da ação) e de repente, com a mesma voz plácida que o cara tá anunciando os benefícios ele diz: “se a sua ereção durar mais de 9 horas, consulte um médico. Scrbleclues pode dar alguns efeitos colaterais, como visão turva, enjôo, mau hálito, pedra nos rins, pressão alta, ataque cardíaco e óbito. Alguns pacientes relataram pensamentos suicidas. Consulte o seu médico para saber se você pode tomar Scrbleclues”.



2) Propaganda de advogados. Nunca vi isso no Brasil.

3) Aqui as propagandas podem falar mal explicitamente do concorrente. No Brasil o código de propaganda não deixa. Você pode, no máximo, insinuar, mas não pode falar a marca ou deixar muito claro de qual produto você está falando. Aqui é direto: “Donkie and Donnuts foi escolhido por 9 entre 10 consumidores, quando comparado a Starbucks” e por aí vai. Livre mercado é isso aqui!

4) A quantidade de propaganda de sprays, aromatizantes, desinfetantes... claro. Se eles conhecessem o poder da água sanitária não ficariam com essas merdas de sprayzinho e cheirinho.

5) Aquelas propagandas maravilhosas de produtos milagrosos que se você ligar agora ganha inteiramente grátis mais 4 coisas. Tô quase comprando o Kimaro New Body Shaper. Sem sacanagem, galera, o negócio é uma camisetinha cor da pele que segura as banhas e o pneuzinhos e, se você ligar agora, ainda ganha uma bermuda, também cor da pele, mais um outro body preto e outra bermudinha preta. Por apenas 39,95! Cara, 80 reais por dois bodies e duas bermudas seguradoras de banha! Vinte reau cada! Eu tenho experiência com esses produtos no Brasil e posso assegurar que sairia bem mais caro. O único problema é que pro calor do ridijanêro só da pra usar em algumas épocas (mais um motivo pelo qual eu O-D-E-I-O o calor com todas as forças do meu corpinho-delícia roliço. Sou contra o calor. Ninguém pode gostar do calor). Além disso, eles parecem mais fininhos e fresquinhos dos que os que eu tenho. E tem mais! Ainda por cima eles trespassam nas costas, melhorando a sua postura e levantam o peito! Eu preciso de Kimaro New Body Shaper! É sério! Vou tentar comprar pelo site! Como eu vivi até hoje sem um Kimaro New Body Shaper?! Chega de bodies calorentos da Leader ou Renner! (aí aparece aquela mulher puta da vida, tentando fechar o vestido, suando, e depois ela com o Kimaro New Body Shaper, sorridente, confiante e feliz!).

O único problema é que quando você entra no site, descobre que na verdade tudo isso sairá por 69,80. Ah, não. Aí me enganaram!

segunda-feira, novembro 03, 2008

Trick, Treats e a ética protestante



O Halloween foi uma das mais profundas experiências pelas quais eu passei no EUA. Fundamental para entender um pouco mais sobre esse estranho e apaixonante país. Haloween aqui não é coisa só de criança. Ao contrário, os adultos se divertem e muito. Mas o mais bizarro foi ver pessoas em pleno meio dia, em Manhattam, indo trabalhar vestidas de super homens, mulher maravilha, Drácula...parece que algumas empresas até incentivam esse tipo de prática. Então pega até mal se você não vai fantasiado. Você não está “vestindo a camisa da equipe” (ah, o mundo corporativo!). Então a pessoa bota burocraticamente sua fantasia e tudo pela empresa. Aí o sujeito entra e mata 15 com uma metralhadora e a culpa é da mídia. Da Dona Nídia.

Aliás, a melhor definição quem me deu foi a Karen, minha colega de conversação: “nós precisamos de um objetivo para nos divertimos. A gente precisa ter uma meta. Hoje a meta é Halloween”.

Não é o máximo? Isso são os Estados Unidos!! A ética protestante e o espírito do capitalismo, como bem mostrou-nos Weber. Nada de divertir-se pagãnamente no carnaval, bêbados, nada de louvar os mortos como os católicos latinos melancólicos devedores da Ibéria, mas um ritual Celta – e, a princípio pagão - com uma roupagem extremamente pragmática. Claro. Louvando as raízes de diversidade religiosa que foram, aliás, a causa da construção desse país.

Outra grande descoberta foi ver que as fantasias não são só de coisas ligadas ao universo das bruxas. São fantasias de qualquer coisa. É o Carnaval deles. As lojas ficam lotadas de produtos de Halloween, as vitrines, os restaurantes são decorados com motivos de Halloween...e há filas nas lojas para se comprar doces e fantasias.

As crianças pedem doces em Manhattam nos estabelecimentos comerciais. A Karen me disse isso e eu não acreditei. Estava tomando minha sopinha calmamente num lugar que eu como perto da faculdade e vi isso acontecer. Crianças de uns 4 ou 5 anos entraram com as mães, gritaram Trick or Treats!, ganharam doces e saíram pulando de alegria. Um dos garotinhos, um latininho de uns 5 anos, pulavam na calçada com seu saco de doces. Dentro do restaurante, um grupo de franceses comia. Entre nós e cena apenas um vidro. Subitamente todos nos olhamos e simplesmente sorrimos com aquela cena insólita para uma metrópole supostamente “fria” e “impessoal” como NY.


Os “sexual offenders” (molestadores de criancinhas) são obrigados a colar um aviso nas portas para que as crianças não se aproximem. Aliás, perguntem pra Karen isso. Como um país que tem verdadeira paranóia com sexual harassment e pedofilia pode alimentar um ritual que é um prato cheio para esse tipo de coisa. Ela me disse que há uma série de lendas urbanas sobre casos de crianças que somem na noite do Halloween. Também ouvi relatos de gente que bota droga nos doces ou lâminas. O que só serve de marketing pro evento, claro. Por via das dúvidas, os muito pequenos vão com os pais. Os maiorezinhos vão em grupos – e tivemos até grupos de adolescentes.

Na cidadezinha da Raquel o Halloween é um evento. Nem vou descrever nada, pois as fotos abaixo falam por si. A maioria dessas casas super enfeitadas fica numa rua em que as pessoas vem de longe pra pedir doces. É uma festa. Tem até polícia pra tomar conta. As pessoas decoram as casas com perfeição, se fantasiam e ficam esperando as crianças na porta. Outras preferem botar músicas assustadoras e tinha até gelo seco!

Nossa produção não era tão grande. Raquel e Marido compraram alguns chocolates e doces. Não havia uma música assustadora, então colocamos o “Trilher” de Michael Jackson no repeat. Ao que Marido alertou-nos onde estávamos com a cabeça. Afinal, colocar a música de um pedófilo pra tocar em pleno ritual infantil...enfim. Mas era apenas má vontade dele para com Michael – depois da trigésima vez que a música repetiu, diga-se de passagem.

Recebemos quatro grupos de crianças – o que, dizem, era pouco. Eu achei o máximo. A cada toque de campainha colocava meus óculos de Groucho Marx (fotos abaixo) e ia, animadamente, abrir a porta junto com a Raquel, que estava com a máscara do Jason. As crianças de assustavam mais com os latidos de Tinho e Rodolfo do que com a gente, mas tudo bem.

O Halloween festejava o fim do verão e o início de outro ano e a terceira e última colheita do ano e o armanezamento de provisões para o inverno.

O Haloween também era chamado de Samhain (fim de verão), Samhein, La Samon, ou ainda, Festa do Sol. Mas o que ficou mesmo foi o nome escocês Hallowe'en. Dizem que a palavra Halloween vem da palavra hallowinas - nome dado às guardiãs femininas do saber oculto das terras do norte (Escandinávia).

Uma lenda celta dizia que os espíritos voltavam à terra no dia de Halloween buscando corpos para viverem neles. Por isso as pessoas apagavam as luzes e se vestiam de seres aterrorizantes, fazendo muito barulho, que é pra desanimar o espírito de vir pegar o corpo.

Depois a Igreja deu uma roupagem católica a esse ritual pagão, criando o dia dos mortos. Pode-se dizer que essas três datas têm origens comuns: Halloween, do dia de Todos os Santos (ontem) e do dia dos mortos (hoje). As datas falam sobre morte e ciclos da vida. Sobre fim de ciclos e começo de outros.

Acho importante lembrarmos dos nossos mortos – e, porque não dizer, de todas as nossas mortes diárias; de sentimentos e crenças e também de nós mesmos que estamos, a cada segundo que passa, mais pertos do nosso fim. Isso sempre me ajuda a pensar na vida.

Seja você pagão ou cristão, agnóstico ou bruxo, um Feliz Halloween pra todos. Que lembremos sempre que tudo na vida é cíclico. Que saibamos botar nossos disfarces para afastar o mal – e, como eu dizia no outro post, de tanto disfarçar, quem sabe a gente até comece a acreditar.


(Informções do Halloween tiradas
daqui )


Reparem como eu fico bem de bigode!!!!




sexta-feira, outubro 31, 2008

Boo

Dessa vez no Flickr. Nas minhas duas identidades, como Carrie e como Clark Kent. Divirtam-se com as minhas fotos, afinal é dia das bruxas!
E aqui Haloween é um troço seríssimo. As lojas se transformam, há fantasias em todas as vitrines, as pessoas te perguntam o que você vai fazer no Haloween...
Meu amiguinho Will me chamou pra ir na parada de Haloween do Village. Ele vai vestido de anjinho. Tive que passar. Afinal, ver viado dando pinta e depois ir parar em outras 3 festas só de viados eu passo. Deixo pra Banda de Ipanema em fevereiro, no Rio. Nada contra viados. Mas digamos que é meio contraproducente. Passei da idade.
Vou para casa de Raquel, onde há um típico Haloween, ver as criancinhas baterem na porta pedindo Gostosuras ou Travessuras e fazer "boo" pra elas - se bem que como nego é paranóico aqui vão me acusar de pedofilia ou atentado ao pudor, então todo cuidado é pouco.

Off-post: achei 10 dólares na rua aqui de casa ontem! Não é ótimo? Até pensei que podia ser um daqueles programas de humor que quando eu me abaixasse eles puxariam uma cordinha, mas não. Depois pensei que a nota devia ser falsa ou algo do tipo, mas acho que não. Que bom! Afinal eu já perdi um cartão de metrô, minha canetinha do British Museum...tá na hora das compensações.
Agora só falta o Santoro e a nossa conta fica zerada, Toninho!