quinta-feira, julho 26, 2007

Dia de Charlie Brown (o Minduim)


Hoje eu vi a criança mais linda e adorável da face da terra. Era uma menina de uns 7 ou 8 anos. Ruiva. Os cabelos eram crespos, bem crespos, mas de cachos molhinhos, fartos e iam até o meio das costas. Cor de ferrugem. Muito intenso. Os olhos eram verde escuro. A pele mais alva que um papel. Sem sardas. Ela estava em um restaurante com uma moça – imagino que a mãe, apesar de nada se parecerem – e o que eu imagino ser o avô. Ela não comia – já era tarde, umas quatro horas e crianças almoçam cedo. Ela fazia desenhos e ria e brincava e se dirigia a mãe que respondia a tudo com paciência – o que me fez duvidar sobre o fato dela ser realmente a mãe. Ela estava de costas pra mim e eu fiquei o almoço inteiro absolutamente hipnotizada pelo tom do cabelo da garotinha.

A garotinha ruiva vestia uma roupinha de lã e um cachecol. Parecia um personagem saído dos romances de Dickens ou Jane Austen. Alguém de outro tempo.

Pensei em me aproximar e dizer: “Ó, mas que bela garotinha é você!”, mas é bem provável que a mãe a pegasse pela mão e saísse correndo achando que eu era uma Lésbica Louca Pedófila Psicopata que queria aprisionar a pobre criança e depois escalpelá-la na intenção de reter seu fluido vital, assim como no livro O perfume de Patrick Süssekind, cujo personagem só matava ruivas por crer que elas continham o melhor aroma do mundo.

E fico eu, aqui, com meus falsos cabelos ruivos desbotados que nem de longe chegam aos pés do ferrugem da garotinha. (O ruivo genuíno é a cor mais impossível de ser reproduzida em salões. Isso porque cada ruivo é único. Há os quase louros, os acobreados, os ferrugens-louros, os ferrugens-cobres...e o ruivo muda muito com o tempo). Sonhando com o meu filho ruivo chamado Artur ou Calvin ou a minha filha Catarina ou Maria Antonieta, que seria igual a garotinha ruiva que eu vi hoje. E eu colocaria vestidões nela que iriam até o pé, faria tranças – ela seria considerada um tanto quanto estranha na escola, não só pelas roupas, mas também aos poucos amigos e ao fato de que passaria o recreio lendo, mas isso a faria mais forte – e leria histórias de fantasmas ao pé da lareira (sim, no meu sonho eu moro num lugar muito frio numa casa que tem lareira).

Ai, ai. Sou uma aristocrata inglesa do século XIX perdida nesse país tropical em pleno século XXI. Pobre de mim.

E o pior é que nada garante que procriando com um homem ruivo eu vá gerar uma filha ruiva, pois a genética prega peças. Seria preciso todo um estudo azão/azinho dos gens da família do dito cujo – visto que do meu lado é impossível sair alguém ruivo; no máximo meio lourinho.

Acho que vou exigir mapeamento do código genético do meu próximo namorado. Mas, do jeito que é a vida, minha filha vai ser mulata e sair na escola de samba como destaque e vai morrer de vergonha da mãe. Ou então ser cantora de funk ou axé.

Sim eu sou maluca, mas nem ligo.

4 comentários:

Alline disse...

Mandei email pra vc. Vamos nos encontrar amanhã...a Lila e as outras meninas do LV.
Eu não sou ruiva, mas a Lila é, ahahaha.
Beijos. Vê se vai!

J@de disse...

Se não tem ruivo na sua família acho que no AZÃO/azinho vc perde... por causa de alguns olhos claros na família do meu ex-marido consegui trazer os olhinhos verdes-sarará prá ele... hehehehe!!
Beijos!!

J@de disse...

Esqueci de falar, adorei sua narrativa, parecia que eu estava num filme de época!!
Beijos!!

Nelly disse...

Ei, será que vc não está lendo pensamentos alheios?Isso é ilegal...Ao menos sei que eu não sou vc, pois meus cabelos são ruivos desde 1980, quando nasci...