domingo, agosto 07, 2011

Encontrar pra quê mesmo?


Um dos fenômenos interessantes com a popularização do Facebook é a ideia de se fazer reencontros. Você reencontra a turma do colégio, do inglês, do futebol, da ginástica olímpica e logo vem uma galera propondo um encontro real.

Ok, em tese é legal. Vamos reviver momentos da nossa juventude...mas só até a página 10. Se você examinar de perto, a coisa não parece ser uma ideia tão boa. Afinal, se você perdeu o contato, algum motivo deve ter. Sua vida foi em outra direção. Tudo bem, uma ou outra pessoa é legal reencontrar. Mas, sei lá. Você passa a adolescência tentando fugir de certas coisas, certas pessoas e de repente elas ressurgem na sua vida, como num velho filme de terror e ainda acham que são suas amigas? E lá vai você pra um churrasco com o bonitão da oitava série com a sua pança enorme, sua calvice e o casal de gêmeos de nomes quase idênticos e sua mulher oxigenada? Passo. 

Tá, foi só um exemplo, eu nem tenho grandes traumas assim da época do colégio.

As pessoas que realmente valem à pena você manteve contato. Ou não. Algumas pessoas realmente legais e importantes são bem-vindas. Mas o problema é que, às vezes, pra cada pessoa legal vem 10 malas.
Talvez esteja sendo muito radical. Já reencontrei pessoas legais pelas redes sociais. Mas é que eu tenho um senso muito forte de quem é muito importante pra mim e essas pessoas eu nunca deixei se afastarem por muito tempo.

Acho que estou falando isso especialmente em função de um reencontro virtual do qual eu participei outro dia, que desembocou numa tentativa de encontro real. O que à primeira vista me pareceu uma ótima ideia. Depois pensei melhor e vi que não. As pessoas que eu gostaria de manter contato daquela galera eu já mantenho. O resto, passo.

Sem contar que sempre saio meio deprimida desses encontros. Se a pessoa tá melhor que eu, tenho inveja. Se tá pior, tenho pena. O que também me faz me sentir mal. Então, não anda sendo uma boa ideia, no meu atual estágio de vida, ter esse tipo de encontro.

Mas me dei conta de que isso tem a ver com o meu momento atual de vida - que é passageiro, como tudo na vida, mas é o que eu tenho no momento. E o que eu tenho no momento? Muitas coisas, sem dúvida. Mas a maioria delas eu não quis, eu não escolhi, veio vindo e ficou. E o pior é saber que a gente sempre escolhe. De um jeito ou de outro a gente escolhe.

Sou um clichê de comédias americanas. Sabe aquele filme onde a mocinha ou o mocinho, depois de ficar em dúvida resolve ir a uma reunião da turma do colégio e chegando lá eles se colocam o tempo todo em comparação com o resto das pessoas "bem sucedidas" (que no final se revelam não tão bem sucedidadas assim), tentando esconder o fato de que ainda mora com a mãe, não tem nenhum relacionamento sério, não tem filhos, engordou, não está no emprego dos sonhos? Pois é. That's me. Sem tirar nem por. Atualmente tem um seriado sobre isso, o "$#*! My dad said". Que foi cancelada, por sinal, mesmo tendo ganhadao prêmios. A história é baseada em um twitter real de um escritor e blogueiro que perdeu o emprego e volta a morar com o pai. Pois é. Vivo a espera de que alguém transforme minha vida em um sitcom. Tanto blog bosta virou, né?

Tento me consolar dizendo que isso é o que eu sou no momento e que é passageiro. Fiz um monte de coisas legais nesse meio tempo. Fiz tudo que eu queria e mais um pouco. Dei uma puta sorte em uma série de coisas. Batalhei outro tanto por outras e consegui.  É. Consegui. Mas, sem querer desmerecer nada do que eu fiz, o que vale é o presente. E esse não anda muito animador.

O jeito é se agarrar firme no fato de que nada fica estável muito tempo e as coisas mudam - aí vem um diabinho falando: "pode mudar pra pior", mas a gente afasta esse pensamento como quem afasta uma mosca insistente.

Ao mesmo tempo vem a culpa de não querer falar mal de uma situação que, a rigor, ainda é muito melhor do que a da maioria das pessoas a sua volta. Como se diz naquele ditado: quem olha pra baixo não cai. Mas o problema é que eu tenho o péssimo hábito de só olhar pra cima.

5 comentários:

... disse...

Oi Carrie! saudades....

Hum...estou passando por dilema (rs) semelhante: o pessoal da faculdade 1 quer se reencontrar pra comemorar os 10 anos de formatura. E eu sinto que será deprimente...rs. Ainda pensando e quase certa de não ir.

Bj!

ila fox disse...

Carrie,
Desde o Orkut tenho revivido algumas destas sensações bizarras de reencontrar virtualmente algumas pessoas... claro que a maioria só posta foto feliz, o que faz a gente achar que a vida deles é um mar de rosas... como diz minha mãe "Todo mundo fala das pingas que toma, e não dos tombos que leva"

Lembrei deste outro post onde o cara fala sobre a sensação de reencontrar velhas turmas - http://casadozander.com/reencontro-sete-anos-depois/

Amana disse...

heheheh
A comunidade da escola em que estudei a vida toda está "bombando" no FB (Formiga Irmã paticipa, pergunta pra ela). Muitas fotos antigas, alunos e professores se encontrando, e um encontro de fim de ano já marcado pra "reunir a galera".
Medo de tudo isso aí...
Mas devo contar tbm que via essa comunidade reencontrei alguns amigos que eu queria muito saber como andam. Marcamos um chope há dois meses aqui no Rio, nos encontramos, foi divertido. Se marcamos outro? Ainda não. Nem sei se vai haver. Mas foi legal...

[hoje eu estava comendo amendoim numa mesa de bar e me veio um flash da gente atacando o tupware de amendoim daquele senhorzinho no bar na Lapa, lembra??? Melhor foi ele dizendo: "que bom! comam mesmo! eu não quero voltar com isso pra casa pq minha mulher vai reclamar!..." hihihi]

Gazzy1978 disse...

Eu acho legal reencontrar amigos que perdi contato. Tem duas em especial que me deixam muito feliz quando eu encontro com elas.

A 1a turma da faculdade eu quero encontrar (pq não me formei com eles), mas da 2a. turma... eu meio que fujo, parece que vai rolar toda aquela tensão de novo.

Quando eu encontro um pessoalzinho do colégio, ou da 1a turma da faculdade, ou seja lá do que foi, é como se o tempo feliz que eu tive na época (e que pode até não ter nada a ver com eles) voltasse todinho pra mim.

E aí, só por isso, já vale a pena ver alguns malas.

Anônimo disse...

E tem essa "cobrança" de que a mulher só é feliz e realizada se for casada e com filhos. Quando você passa dos 30, só vê a cara de decepção das pessoas quando você não é casada e não tem filhos. As pessoas não percebem que a felicidade pode estar em outras coisas.
Eu sei porque passo por isso, tenho 31. só não moro com os meus pais, moro sozinha.