segunda-feira, outubro 25, 2010

Prova pra CIA

Concursinho básico ontem. Cinco horas de prova e quatro de viagem - duas pra ir, duas pra voltar. Fiz prova no Centro do Rio, em uma faculdade particular. Nada aberto, a não ser uma lanchonete em frente. Comi um sanduíche Super Light (era realmente esse o nome do sanduíche), um chocolate, um café, comprei água e bora pra prova.

A primeira sensação foi que tinham colocado todos os paulistas pra fazer prova naquele lugar. Você só ouvia gente falando que fez mestrado em São Carrrrlos, e mas você vai e volta de Campinas? e um povo branco de uma tal brancura que só os paulistas conseguem.

O Concurso era pra uma instituição de pesquisa federal na área de saúde, mas que mantém pesquisas nas mais variadas áreas - Comunicação, História, Matemática...Não possuem universidade, mas têm programas - muito conceituados - de mestrado e doutorado. Então era pra isso o concurso: pesquisa, só com orientação e aula em pós. Salário milionário (para os meus modestos padrões). Mil facilidades. Emprego dos sonhos.

Chego na sala e os fiscais pedem documentos e tal. Pego o caderno de respostas e vou sentar. Uns 20 minutos antes de começar a prova Formiga Irmã liga pra me desejar boa sorte. Atendo o celular baixinho, que estava discretamente vibrando no meu bolso. Nisso cai o mundo. Desce uma equipe da SWAT do teto gritando "freeze! FBI!". Era pra ter posto o celular em um saco plástico daqueles que lacra. Alguém me avisou? Não. O fiscal pede desculpas, afinal o erro foi dele, e pede que eu coloque o celular no saco.

- O seu celular desperta desligado? Caso desperte, é melhor a senhora tirar a bateria dele, pois se ele tocar no meio da prova é caso de desclassificação.

Bom, meu celular não ia despertar naquele horário, mas...né? Vai que sei lá. Depois do escândalo por eu ter atendido ao celular ANTES do início da prova, melhor tirar a bateria. Aliás, tava quase jogando-o pela janela e depois comprando outro pra evitar problemas.

- A senhora tem pen drive, relógio digital?

- Não.

Sentei na carteira e lembrei que tinha um pen drive no estojo. Que, evidentemente, ninguém ia ver. Mas, sei lá, vai que rola uma revista no final da prova, mandam a gente ficar nu e agachar, então, melhor ser honesta.

- Oi! Olha só...eu tenho um pen drive, mas acho que não tem prob...

- Vamos lacrar.

- Mas o que eu vou fazer com um pen drive? Botar a prova nele? - por que eu perco meu tempo tentando ser racional nessas horas?

- Senhora, são as regras.

Arrebentam o saco onde estava meu celular + baterias e jogam o pen drive dentro e lacram tudo de novo.

- Por favor, senhora, coloque debaixo da carteira. Não coloque dentro da bolsa.

Voltei pra carteira pensando que eu tinha um relógio digital, manemfudendo eu ia ficar sem meu relógio pra controlar horário de prova. Afinal, ninguém ia ver meu relógio digital eu estando de mangas compridas, certo?

Errado.

Já no ínicio da prova vem o fiscal mala: senhora, vou ter que pedir pra senhora tirar o relógio e colocar neste saco lacrado.

- Meu relógio?! Nããão! Como eu vou controlar o tempo? Olha só, ele não desperta, não faz nada, é de camelô, só marca as horas.

- Senhora, são as regras. Só pode relógio de ponteiro.

- Então eu vou ficar te perguntando as horas toda hora, tá? - tentando descontrair.

- Não - sério.

Depois ele até disse que avisaria quando faltasse uma hora pra terminar, mas é que eu já tinha bolado todo um esquema de 30 min pra ler/entender as 3 questões, depois 45 minutos pro rascunho e 45 pra passar a limpo cada questão. Caso algo desse errado na primeira eu tinha tempo de reverter. O cara quebrou meu esquema. Mas beleza, em geral eu sou boa em dividir o tempo em provas.

A prova.

Jesus. Maria e José. Que prova era aquela. Ok, caiu exatamente o (pouco) que eu tinha estudado - só tive tempo de ver a matéria no sábado. Sem contar que uma das questões era de um autor que é meu amiguinho desde a graduação, dou aulas dele, então eu conhecia melhor. Mas até eu entender o que cada questão pedia...putaqueopariu. Eram três questões. A menor ocupava meia página. A primeira questão, geral, se desdobrava em duas. As duas segundas, específicas, também não eram mole. E você tinha exatamente 60 linhas pra responder cada uma das questões. A folha de respostas vinha pautada e numerada em 60 linhas e já com os números das questões. Minha letra é média pra grande, e quando eu escrevo apressadamente tenho a tendência de aumentá-la ainda mais. Fiz um esforço pra reduzi-la a metade pra conseguir falar muito em pouco espaço.

Na minha sala tinha gente fazendo concurso pra umas 4 áreas diferentes. E a mulher ia lendo os códigos da prova. Que não eram os mesmos que você tinha impresso no cartão de confirmação, óbvio - só soube quando o cara que tava do meu lado me avisou. Você só poderia entregar a prova duas horas depois do início. Mas, pra mim pouca diferença fazia, já que eu sou demorada em prova.

Beleza. Tô eu fazendo a prova. Lá pela metade, rola aquela vontade de ir ao banheiro - sem contar que é até bom pra esticar as pernas e movimentar um pouco. Vou com a fiscal. Chegando na porta do banheiro outra fiscal com um detector de metal em punho. Cara! Detector de metal pelo corpo inteiro, na frente e nas costas! Como assim? Nessa hora, se eu não tivesse lacrado o cel, ele ia apitar.

Pensei que ao entrar no banheiro ia ter outra fiscal mandando eu tirar a roupa e agachar, afinal poderia ter cola em orifícios do meu corpo, mas pude entrar sozinha no banheiro. Mas, se bobear tinham câmeras filmando caso você resolvesse abrir uma cola.

No meio da prova, toca o celular de uma garota na minha sala. Ela, desesperada, tentando rasgar o saco enquanto pedia desculpas, jurando que tinha desligado e o fiscal dizendo que acreditava nela, mas que teria que "comunicar ao supervisor".

Momentos de tensão.

Chega o supervisor. Olha, olha...pergunta se tava lacrado o celular. Ela diz que sim. Ele diz: "tudo bem".

Terminei a prova uma hora antes do prazo final, mas como só poderia levar o caderno de respostas nos últimos 30 min, resolvi esperar.

Saindo, peguei um elevador lotado de gente que tinha feito as mais variadas provas. Um sujeito:

- Alguém aí fez prova pra bionãoseidasquantas?

Ninguém.

- Nossa, a primeira questão tava surreal!

Nisso, uma moça:

- Acho que todas as primeiras questões tavam surreais.

Enfim. Pelo visto todo mundo achou difícil. Mas eu gosto de prova difícil. A pior coisa que tem é prova fácil. Quando é fácil, é fácil pra todo mundo e a concorrência é muito maior e se decide por milésimos.

Agora é esperar e ver se eu vou pra segunda fase: análise de currículo. Mas, vou te contar, viu? Nunca fiz uma prova tão tensa e com tantas regras e normas. Acho que o povo tá ficando muito paranóico com essa coisa de mandato. Daí tão apertando cada vez mais.

16 comentários:

ila fox disse...

Cara, só digo uma coisa: tenho medo de concurso. O_o

Docinho de abacaxi disse...

Andei feito um camelo pra encontrar um relógio de ponteiro que não tivesse nenhuma parte de metal que entrasse em contato com a pele (pq tenho alergia) só pra fazer prova de concurso.

Adiantou? Nãããããão! Na prova que eu fiz na parte da manhã me fizeram tirar o relógio pra lacrar com o celular (sem a bateria).
Não podia usar nem lápis! Tô falando de lapiseira não (q eles acham q a gente pode esconder cola no corpo), não podia usar lápis preto nº2!

Nego surta com tanta regra!

Carrie, a Estranha disse...

Docinho,

Mas mesmo relógio de ponteiro eles implicaram? Sério? No meu eles disseram q podia. Se eu soubesse teria ido com um de ponteiro q eu tenho.

É, fiquei com medo pq uma das minhas canetas não era transparente e, caso eu tivesse q usar, vai q eles implicam, né? No edital dizia q era caneta transparente só.

Ila,

Acho q nunca fiz concurso tão tenso qto esse.

Lívia Novaes disse...

Boa sorte, Carrie! ;)

Paola Bracho disse...

Carrie,
eu amo seu blog exatamente pq ele provoca em mim uma montanha russa de emoções (ok, ficou brega, mas a melhor descrição é essa..rs)....eu fiquei emocioanda com os relatos sobre o seu pai (e amei a ideia de que tudo dá certo no fim. Minha mãe sempre fala isso...que há um plano pra gente, e que ele é bom!) e chorei de rir com o lance do concurso! Tb lacraram meu cel e tive que tirar a bateria...fui ao banheiro e o detector tocou por causa das tachinhas da minha calça! kkkkkkkkk Cara, eu vizualizei a cena do FBI: freeze! kkkkkkkkkk


Bj!

Anônimo disse...

Fiocruz??

Márcia

Carrie, a Estranha disse...

Obrigada, Lívia.

Paola,

Rsrsrs...obirgada. É, mães dizem isso. Faz parte da escola de mães.

Amana disse...

minina...
que loucura!

mas vou te dizer uma coisa - no names, of course - antes isso. Estou injuriada com umas coisas que tenho visto em concursos para federais. Te conto em nosso chope anual. Tipo... a presidente da banca assinou 28 produções do lattes da recém-doutora que passou em 1o lugar. Saca?
Acho que prefiro o estresse do saquinho plástico...

algum plano para comemorar o Dia da República? ;)

Carrie, a Estranha disse...

Oi Amana!

Vou te mandar um e-mail.

Bj

Docinho de abacaxi disse...

Pois é! Implicaram com rel´gio de ponteiro!
"Eu li o edital, moça! Só fala de relógio digital!" Nem adiantou.
sim,pq agora eu to mais louca ainda e leio edital inteirinho, inteirinho mais uma vez na véspera da prova.
Desde a vez q não podia fazer prova de caneta azul (mesmo de corpo transparente) e eu tive q descer correndo pra comprar uma caneta preta.
Antes podia usar relógio digital, desde q não tivesse claculadora (troço brega!).
Agora ou pode de ponteiro ou não pode nenhum (e os fiscais tem marcadores de 30min em 30min no quadro).
Nesse concurso da manhã não podia comer nada na sala. NADA!
Tive q pedir pra sair pra comer um chocolate (nem tinha tomado café pq saí mto cedo de casa)e pôr todo o meu estoque de chiclete na boca (tem gente q qdo fica nervosa fuma cigarro... eu masco chiclete).
Tõ ficando tão de saco cheio de fazer prova... :(

luciana disse...

Quase fiz esse concurso de que você tá falando. Fui ver a prova depois, tava super mal redigida. Essa banca foi muito ruim. O Cespe é uma droga mas pelo menos voc~e tem certeza sobre o que a questão quer saber...

Carrie, a Estranha disse...

Luciana,

Não, a minha prova em questõa estava mto bem feita. Mto bem redigida. Só tava difícil pr caraio.

Docinho,

Fala sério. Meda.

trinity disse...

Vc viu o como está o edtal do ENEM? Nao pode relogio, nao pode lapis, nao pode caneta azul...

Anônimo disse...

Hahahhaah

Muito bom o post!

A prova era da CESPE, né?

Abraços

Julie

Luciana disse...

Carrie, vieram me falar que a prova foi UMA ZONA. Gente fotografando com celular!! Nunca vi disso?!?!

Carrie, a Estranha disse...

Luciana,

Acho q não estamos falando da mesma prova. A minha foi mto bem origanizada.