quarta-feira, julho 28, 2010

Ontem eu fui ao jardim zoológico aqui de Gotham. Um priminho de 11 anos está aqui com o amiguinho - e eu sou mongol e falo no diminutivo quando lido com crianças. Devia ter p quê? Uns...15 anos que não ia ao Zoo. Me lembrei de quando ia com o pai deste meu priminho - o Juninho - e o irmão dele, o Júlio (pai do João e Cia), que são os meus primos de primeiro grau. Para eles era "o programa" vir à Gotham e ir ao Horto, como chamávamos o zoo - ainda mais em uma época pré-shopping center onde não tinha mais nada para se fazer. Eu gostava de ir ao zoo também, mas sempre tinha pena dos bichos ali presos  expostos ao público. Principalmente estes grandes, tipo o leão. Podia estar lá nas savanas africanas, curtindo a vida e tinha vindo parar em Gotham City, uma cidade poluída à beça e ficava ali tendo que aguentar crianças barulhentas.

Tinham também os brinquedos, dentre eles o labirinto. Morria de medo do labirinto. Hoje, olhando, é até engraçado. O troço é minúsculo, mas na minha infância parecia o próprio labirinto de Creta. Eu era bem medrosa quando era pequena.

O zoológico passou uma fase meio caído. Descuidado. Até os leões estavam passando fome. Foi bom voltar ontem e ver que está bem cuidado, com lago com pedalinhos e diversos animais que não costumavam ter no meu tempo de criança. E o que é melhor: tudo de graça. Achei que ia estar vazio por ser dia de semana, mas esqueci que as crianças estão de férias, sendo assim havia hordas de pequenos indo com os pais ou em colônias de férias, todos de mãozinha dadas com as tias.

Fiquei ali, viajando, enquanto os meninos entravam no labirinto. Vi algumas moças um pouco mais jovens do que eu com filhos/sobrinhos/whatever falando o que eu estava pensando: nossa, quando eu era pequena esse labirinto era enorme! Fiquei pensando em várias coisas.

Quanta criança no mundo, meu Deus. Realmente acho que as pessoas não pensam antes de ter filhos - se pensassem não os teriam. Filho é das coisas mais anti-ecológicas que existe, se você for parar pra pensar. Mais gente pra usar carro, pra poluir, pra gastar água, pra produzir lixo, no final das contas. Quantos ali seriam criminosos, serial killers, psicopatas, traficantes, políticos corruptos, pedófilos, terroristas, pagodeiros ou fãs de axé quando crescessem? Calma, Carrie. Sejamos mais otimistas. Quantos ali não seriam cientistas, esportistas, artistas, encontrariam a cura de doenças, lutariam pela paz mundial, diminuiriam desigualdades, comporiam músicas que seriam lembradas durantes séculos, construiriam prédios monumentais?

Aí me dei conta de uma realidade mais plausível. A maioria será apenas mais um na multidão. Crescerão, farão coisas de adolescentes; na hora de arrumar um emprego, arrumariam; na hora de casar, se casariam; na hora de engravidar, engravidariam (não necessariamente nessa ordem) e daqui a vinte anos estariam ali levando seus rebentos para o labirinto e dizendo: nossa, quando eu era pequena esse labirinto era enorme!

Sei lá. É que voltar a morar no mesmo lugar que eu morei até os 18 anos, no mesmo quarto, tendo como chefe minha professora primária me faz ter uma noção maior de circularidade.

Mas foi bom rever o velho Horto.

6 comentários:

ila fox disse...

Por isso que não quero ter filhos, nem carros.

Além de caros são pouco ecológicos. X-D

Filho? se eu passar vontade, nada que minhas priminhas e possíveis sobrinhos para matar a vontade de brincar, ensinar...
Carro? tem tanto taxi, metrô, ônibus...

Marcele disse...

Tb vivi um momento de reflexão qd visitei o zoo, pra gente "o horto". Uma certa nostalgia, misturada com um desconforto de ter percebido que o tempo passou, mas ainda estamos ali. Estranho...
Mas que o local tá bem bacana, isso tá!
bjo

Amana disse...

Há! Não vou lá há séculos. Aliás, tive uma lembrança curiosa lendo seu post. Teve uma época curta de minha pré-adolescência que minha tia (a de quem falamos na semana passada) pegava a mim e as minhas irmãs para brincar com minhas primas (idem) no parquinho do Horto durante a semana. Só que ela esbravejava muito com as filhas, com a gente também, e me lembro de eu falar pra minha mãe que eu não queria mais ir, não.

Eu adorava o labirinto, a-do-ra-va! Infelizmente, nessa época em que o zoo andou caidinho, me perdi uma vez por entre as "várias" passagens e cheguei a um beco sem saída, com um COCOZÃO enorme e fedido. Traumatizei e nunca mais achei graça no labirinto...

Dorei te ver de novo! :D

Carrie, a Estranha disse...

Ila,

E Zoo, vc gosta?

Marcele,

É, né? Por que todo mundo chamava de Horto? Horto não se refere à jardim botânico, lugar q tem plantas?

Amana,

Socorro, hein? Que tenso (pra sua tia e pro cocozão).

Tb dorei. S2 - tanãnãnãnãããã (musiquinha de Love Story).

Felicia Luisa disse...

Eu morei no Voltão (aliás, pq Gotham??) até aos meus 25 anos. Toda a minha familia ainda mora aí, e me lembro que quando fui levar minha sobrinha ao Horto, pensei: "Puxa, quando eu era criança, esse labirinto era enorme". O que prova que no funfo, no fundo... sei lá, entende?(!)

ila fox disse...

Carrie,
Gosto. Apesar de sentir aquela afliçãozinha de ver os bichos presos lá... :-/