quinta-feira, julho 29, 2010

Outra coisa que fiquei pensando ontem no Horto foi: por que não se fazem brinquedos para adultos? Ok, a ideia do parque de diversões é esta, mas não é disso que estou falando. Estou falando de escorrega, gangorra e balanço. Por que não fazer essas coisas em tamanhos e proporções para adultos? Visualizem a cena: bancários, secretárias, executivos, médicos saindo pra almoçar. Acabou o horário, eles voltam pros seus empregos. Antes, param na pracinha, tiram o sapatinho, escorrregam - com a roupa de silvisso, mesmo - e  voltam pro trabalho. Chefes poderiam marcar reuniões em gangorras, aproveitando a instabilidade do brinquedo como uma metáfora da relação empregador-empregado (agora não é mais empregado, é colaborador, na linguagem de RH). Hãn-hãn? Pegaram? Sério, gente. Não tô brincancando, não. Uma ida ao escorrega na hora do almoço vale por mil ginásticas laborais.

É impossível não sorrir num escorregador. Vou mandar fazer camisetas com esse dizeres.

Daqui a pouco tenho certeza que um novaiorquinho - sim, porque NY é a cidade das profissões bizarras - vai ter essa ideia e fazer isso, a fim (afim?) de inserir o lúdico no cotidiano dos adultos, como forma de expressarem seu verdadeiro eu. Deixa a Grega ter essa ideia (minha ex-roommate que, dentre as profissões estranhas ostentava o título de Creative Consulting. Ela ia pra casa do sujeito e via o que não tava dando certo em vários setores e dava um jeito. Formiga Irmã faz isso comigo. Chamo de "organizar a vidinha". Ela senta e começa: "não, isso você não vai fazer, porque não vai ser bom. Faz isso, assim assado a tal horas". Aliás, tô lendo Mães em guerra, um livrinho que dei pra minha mãe sobre mães do Upper East Side, bem levezinho e divertido, e toda hora uma manda a outra ir a uma consultora de chupetas ou qualquer coisa do tipo. Muito bom).

Após essa longa digressão, eu acho que as pessoas deviam inserir o lúdico nos seus cotidianos com mais frequência. Não só consumir como fazer a sua própria vivência lúdica (adoro vivência lúdica, em qualquer workshop picareta aparece essa expressão) da forma que melhor lhe aprouver. Ouvir música, aprender um instrumento, escrever (num caderno, num blog), pintar, ver quadros (nem que seja pela internet), colar imagens que lhes dê prazer, ver filmes, cantar no chuveiro...

Se as pessoas se lembrassem de que a arte não é privilégio de artistas, que não é restrita a meia dúzia de abençoados com o dom divino, nem muito menos é uma coisa supérflua, e brincadeira não é coisa só de criança, seriam muito mais felizes.

Pelo menos é o que eu e Peposa achamos.

6 comentários:

trinity disse...

Sabe o que eu tinha muita vontade de ir?
Em uma cama pula-pula ou em uma piscina de bolinha (coisa que nunca fui qdo criança).
Sei que existe para adultos tais brinquedos, mas aqui no interior, nunca que vai chegar.

Você descrevendo brinquedos para adultos me fez lembrar de um antigo episódio do CSI (Las Vegas) em que existem móveis e brinquedos de bebês para adultos. O_o

Roberta disse...

Quero mais vivência lúdica na minha vida!

Paola Bracho disse...

Oi Carrie! Concordo plenamente com vc e Peposa!
eu amo zoo, parque de diversões...aliás, por falar nisso, lembrei de um epis de CSI Las Vegas (mas foi diferente da pessoa aí em cima..rs): Gil Grissom falou pra uma das cientistas exatamente isso...que é preciso fazer alguma coisa diferente do trabalho, das coisas ligadas à resposabilidade, algo que d~e prazer sem culpa, que seja leve....no gosto de cada um; ele exemplificou a si mesmo como um frequentador de montanhas russas..achei fantástico!

Ler seu blog faz parte da minha vivência lúdica! :)

P.S: "É impossível não sorrir num escorregador. Vou mandar fazer camisetas com esse dizeres"...kkkkkk eu tenho uma coleção de frases pra fazer camisetas..a mais nova é: "preserve o humor alheio, use fones de ouvido!" - essa é endereçada às pessoas que aderiram à nova moda de ouvir música alta em lugares públicos....

Bj!

Carrie, a Estranha disse...

Trinity,

isso! Piscina de bolinha tb é muito bom!

Roberta,

Vivência lúdica djá! Para entrar em contato com a sua criança interior.

Paola Bracho,

Galera ligadona em CSI Las Vegas! Rsrsrsrs...

Owm, bigada pelo "Ler seu blog faz parte da minha vivência lúdica!". Escrevê-lo tb faz.

Bj

ila fox disse...

Sou a favor de parquinhos para adultos!

Aliás, estes dias mesmo estava pensando... quando eu era criança haviam tantos parquinhos! as crianças ainda vão? a impressão que dá é que estes lugares foram tomados por maloqueiros e ficaram abandonados. :-(

Natália disse...

Vc tem razão, o adulto só tem contato com o lúdico em Oficinas de Criatividade, são super legais, elas realmente expressam seu "verdadeiro eu", pena que esse trabalho de psicologia quase sempre só acontece em instituições como hospital psiquiatrico, asilos, abrigos, etccc. Mas sua proposta é muito melhor.