terça-feira, maio 18, 2010

Pequenas pequenezas

 Há algum tempo atrás eu entrei em um blog e fiz um comentário. Uma pessoa que não tinha nada a ver com a história veio e me deu uma patada através de outro comentário. Ok, não foi "A Patada do Século", mas foi uma patadinha. Só que em seguida ela deletou o comentário. Só que eu já tinha visto o comentário. E guardei o nome da pessoa e o layout do blog dela. Na época, pensei que não fosse ninguém conhecido e que ela simplesmente tivesse se tocado da grosseria, se arrependido e resolvido deletar o comentário.

Hoje, por uma dessas coincidências que você vai clicando de blog em blog é que eu cheguei ao blog da pessoa e me dei conta: caramba! A pessoa daquele comentário é Fulana, que sempre conversa comigo por diferentes redes sociais na net. Eu sei o nome real de Fulana, mas por ela usar sempre um nick, eu meio que esqueci o seu nome verdadeiro. Daí quando li o comentário ofensivo, com o nome verdadeiro, nem me liguei que era a mesma pessoa. Aliás, nem sabia que ela tinha um blog. Foi só hoje, ao chegar sem querer ao blog dela é que liguei as histórias todas.

Niqui comecei a pensar em outras coisas: vai ver ela deletou o próprio comentário ofensivo não porque tenha refletido melhor e se dado conta de que "puxa, acho que me excedi e fui grosseira" como eu pensara. Talvez ela tenha deletado simplesmente porque se deu conta de que o nome e o blog foram sem querer. Quando você tem um blog, você fica logado o tempo todo nele desde o primeiro minuto que se conecte a ele, seja pra responder comentários ou postar. Daí não tem como postar anonimamente a menos que saia da sua conta. Não sei se deu pra entender.

Bom, e daí, é só isso? deve estar pénsando o meu dileto leitor, com pouco tempo a perder. Sim, é só isso. E daí que eu me entristeço com as pequenas coisas do dia a dia. Como descobrir que alguém que você julgava gente boa, ainda que apenas virtualmente, de repente faz uma grosseria dessas. A Fal, em um destes posts com a páginas de Endrigo e Eva colocou uma coisa parecida com isso. De que são as pequenas grosserias do dia a dia que incomodam. As grandes a gente acostuma. Ou sabe que são grandes e daí sabe lidar com elas de outra forma. Mas as pequeninhas, as muito miudinhas, um bom dia atravessado, um olhar enviesado, uma resposta mal dada, essas me entalam na garganta por anos a fio. E eu sou capaz de lembrar, anos depois, de uma coisa que nem a própria pessoa lembra.

11 comentários:

Borboletas nos Olhos disse...

Faz tempo que eu sei: o ser humano não é bom (aliás, eu mesma não sou esta garapa toda), mas são as pequenas grosserias,as indelicadezas cotidianas que transformam a "fama de mau" em pura mesquinharia. Mas ela tem um mérito: fez surgir este post que faz refletir sobre o cotidiano (eca, fiquei filosófica...)

trinity disse...

Nossa, como dói uma patada pequenina, eu achava que eu que era sensível demais.

Carrie, a Estranha disse...

Borboletinha,

Aí vc fica pensando: pra quê, né?

Trinity,

Bem-vinda ao clube.

ila fox disse...

Uma patada de um desconhecido é um coisa. Agora uma patada de alguém que temos um contato ou até mesmo uma amizade é pior. Antes ela tivesse dito na cara né?

Ah, eu tbm sou dessas que guarda um "rancorzinho" por muitos anos.

Estes dias até coloquei no Twitter:

"Tenho ótima memória, e nunca me esqueço de quem me tratou bem e me tratou mal. Portanto, pense duas vezes antes de agir comigo.
Resumindo: não perca seu tempo tentando ser legal comigo se nunca foi. Você não tem uma segunda chance de causar uma primeira boa impressão."

bel seslaf disse...

Não vale pensar também "vai ver, foi tudo um enorme mal-entendido?".

Porque das duas uma: ou a pessoa é legal mesmo, e não teve má intenção nenhuma, só um mau momento, e você corta ela da sua vida à toa; ou ela é do tipo que distribui patadas mesmo e seu remoer isso por anos a fio não vai afetá-la em nada, só vai envenenar você.

Não sou de dar conselhos, mas é que esse assunto específico me toca. Tenho uma mãe assim, da linha "nunca esqueço, nunca perdôo (e bato no peito com orgulho)". Dentro de si mesma, ela matou o afeto por dezenas de pessoas da vida dela, talvez a maioria, pelas mais mínimas ofensas sentidas, sem nunca sequer se permitir cogitar que ela pode ter entendido mal, ou não ter tido todas as informações sobre o ocorrido, ou que a coisa tenha sido um momentinho de nada que nada significou. Ver tamanha fragilidade me entristece.

Mudar os outros é tarefa inglória. Mais fácil tentar mudar a si mesmo, pra não sofrer com bobagem.

Bracho disse...

Ah, eu sempre me ressinto tb com as pequenas coisas; para as grandes grosserias vc está mais ou menos preparada e consegue dar uma resposta...a situação praticamente exige...vcacredita que em shows, eu fico magoada até se uma pessoa passa de modo grosseiro, esbarrando em mim, sem a menor consideração? Acredite....e eu em achava um et até descobrir que uma amiga sente a mesma coisa... dia.

"E eu sou capaz de lembrar, anos depois, de uma coisa que nem a própria pessoa lembra"

E ainda fico remoendo o troço eternamente...ai ai...eu tenho mesmo uma úlcera imaginária...rs.

Carrie, a Estranha disse...

Bracho,

Espero q a minha frase ali do post debaixo não tenha entrado na sua lista.

:)

Bel,

É realmente muito complicado esse limite tênue. Eu entendo isso q vc está falando e é uma coisa q eu realmente preciso tomar cuidado. Mas comigo aconteceu o seguinte: acho q durante muito tempo eu fui assim. Depois percebi q precisava mudar. Aí eu fui pro outro extremo e comecei a tentar entender o lado de todo mundo - eu até escrevi um post q vai entrar no ar (hahah..."entra no ar") amanhã q fala exatamente isso. E comecei a notar q eu estava me cercando de pessoas nada a ver. Fazendo um esforço danado só pra pessoa não ficar triste comigo. Qdo no final das contas a única pessoa q tava realmente ficando triste era eu mesma em tentar resolver uma história q era importante só pra mim.

No caso dessa situação espefícica dessa pessoa foi mais bobo ainda, pq a pessoa em questão não é ninguém. Ou melhor: era só alguém com quem eu simpatizava de longe e pensava: pode ser legal. Só usei como ilustração.

Mas vc tem razão ao dizer - no outro post ali de cima - q é uma tendência a se achar muito importante a ponto de entender aquele ato como uma ofensa diretamente a vc. Isso realmente eu tenho q tomar conta em mim.

Volto a dizer: é um equilíbrio q só eu posso encontrar pras minhas relações.

Ila,

Eu tento relevar qdo é de pessoas queridas. O q não era o caso.

Roberta disse...

Ai, sou como vc e também lembro destas pequenas pequenezas por anos. E o pior, acabo me achando pequena tb por não conseguir esquecer.

Sabe que há uma criatura que é amiga de amigas minhas e sempre me faz comentários pouco educados? Veja bem, só vi a criatura em festas, nunca fui apresentada, nunca conversei, que eu saiba, nunca peguei namorado dela. Mesmo assim, ela se dá ao trabalho de expor sua pequeneza me gongando no facebook alheio. Não chega a me ofender, mas me intriga.

Roberta disse...

Ui, com moderação!

Alê disse...

Carrie

Vou escrever do meu ponto de vista: eu lhe entendo, porque com certeza você não faria isso com quem escreveu o comentário no seu blog, pois com certeza escreveria como se sente em relação ao assunto (isso se você lesse um comentário que não achasse legal ou que discordasse).

Eu acredito que as pessoas que saem distribuindo patadas gratuitas ou se escondendo atrás de indiretas, talvez se achem os donos da razão.

O problema é que ninguém é dono de nada, muito menos da razão.

Estamos todos aprendendo ininterruptamente.

O problema maior é não assumir o que se escreve ou diz, porque aí a pessoa está se escondendo atrás de um blog, twitter, facebook, ou seja lá o que for e não está sendo sincero nem consigo mesmo, nem com os outros.

Ter consciência desse lado darth vader é fogo e temos que ter coragem de assumir o que escrevemos.

Eu te entendo perfeitamente porque isso faz com que percamos a crença nas pequenas coisas do cotidiano.

Pequenos gestos de sinceridade, dignidade, honestidade e respeito para consigo e o próximo.

É como você ter um dia de Sol e poder colocar o seu edredon na janela (ai cena linda) para ficar com aquele cheiro de dia ensolarado e aí você vai e coloca na secadora para tirar o cheiro de guardado.

E depois você fala para todo mundo que deixou a roupa no Sol só para fazer bonito e ainda diz que cenas assim são raras hoje em dia.

Que puxa (salve Minduim).

Beijos

Alê

Ana Paula disse...

Ah, eu guardo as pequenas e as grandes grosserias. Sou 100% rancor!