sexta-feira, julho 03, 2009

Quanto vale o seu não-voto

Eu estava em Nova Iorque nas eleições municipais de 2008. Descobri que eleições municipais você não pode justificar em outro país, muito menos votar no consulado. Deveria justificar minha ausência em até 30 dias após o desembarque em terras tupiniquins, mediante a apresentação do passaporte - o que no meu caso era 15 de janeiro. Perdi o prazo, óbvio. Me apavoraram com multas de mais de cem reais. Enrolei, enrolei até que vou fazer um concurso que me obriga a estar quite com a justiça eleitoral (nos outros dois que eu fiz esse ano não me era feita essa exigência). Sabe de quanto é a multa, caro leitor? Se você, assim como eu, não justificou, não votou e perdeu o prazo de tolerância de 30 dias você paga a incrível quantia de R$ 3,51.

Agora, acompanhem meu raciocínio. O voto é obrigatório, certo? Caso você não possa votar tem N chances de se redimir com a justiça eleitoral. Mesmo assim, caso você perca todas essas chances, você pode livrar sua cara por módicos 3,51. Esse é o preço da sua cidadania.

Bom – dirá o leitor marxista ali da esquerda (sem trocadilho) – 3,51 pode ser pouco pra você, Carrie, mas não o é para um trabalhador que ganha um salário ou menos. Concordo, caro leitor. A própria mocinha do eleitoral me relatou que tem gente que reclama. Mesmo porque é 3,51 por pleito. Mas...não deveria ser uma multa mais gorda, já que estamos cometendo um ato de desobediência civil? Pra uma coisa errada e feia que você fez? De modo que desanime o eleitor reincidir na infração? Então, não deveria ser um preço mais caro?

Mas o preço, caro leitor, prezada leitora, é muito maior. O preço que se paga, devo fazer essa ressalva, para aqueles que acreditam na democracia, coisa que não é o meu caso (não que eu acredite na ditadura, mas minhas posições anarco-individualistas esquisitonas me impedem de acreditar em qualquer forma de governo de uma minoria sobre uma maioria ou de uma minoria que diz representar uma maioria) – é ver o Sarney ser defendido pelo PT, deputados que constroem castelos e se lixam pra opinião pública serem reeleitos. É ver o Collor de novo. E esse, não é 3,51 nenhum que vai resolver.

De onde eu concluo que: vale essa cidadania imposta? Não seria mais válido que o voto fosse facultativo? Para que as pessoas pudessem escolher se querem ou não participar da festa da democracia? Isso me soa como querer despertar no povo uma consciência política a fórceps. Algo como as paradas militares de 7 de setembro no tempo da ditadura ou as aulas de Moral e Cívica e OSPB. Aquela coisa que você não entende muito bem porque faz, ouve falar que deveria se orgulhar, mas só consegue sentir uma raiva e uma vergonha contidas.

Sim, eu sou brasileira e já desisti há uns 20 anos.


5 comentários:

ila fox disse...

Pra começar já acho estranho o voto ser obrigatório num país democrático como o Brasil. :-/

Stella disse...

É foda.. pior que eu tive que trabalhar nas duas últimas eleições e vi como muita gente decide na hora. Vê um número na parede e vai. Fora o pessoal que vota errado e tals.
Mas eu super não sabia que era esse valor aí!! Bem achei que era mais caro.

Nossa...

Beijos

Jussara disse...

Sério que é só isso? Eu não votei na última eleição; tinha chovido, fiquei com preguiça, me revoltei por ser obrigada a ir votar e não fui, pq se tivesse ido eu iria anular mesmo. Até hj não fui pagar a multa, não sabia que era só isso. Tô passada. Agora entendo os números de abstenções.
Carrie, logo no início qdo vc diz "Eu não estava em Nova Iorque...", vc quis dizer "eu estava em NY", não?

Carrie, a Estranha disse...

Isso, Jussara! Escrevi errado! Pois é, vai lá na sua zona q vc sai com o atestado na hora.

Stella,

Cara, eu acho q eu vou presa, mas não trabalho nas eleições.


Ila,

Com certeza.

Bjs

Camila disse...

Ah, menina Carrie, quando eu ainda morava em Terra Brasilis, anulava meus votos. 00 - confirma e pronto!
Tb achava um horror ser obrigada a votar, escolher o menos pior dos candidatos. Como eu nunca sabia quem era o menos pior - sinceramente, pra mim é tudo farinha do mesmo saco - anulava mesmo. Fosse o voto facultativo, eu nao votaria...