domingo, março 08, 2009

Desespero de doutorando é: calcular o fuso horário de Moscou pra ver se compensa ficar um pouco mais acordada pra mandar o capítulo ou mandar no dia seguinte mesmo.


* * *



Não, não vou falar do calor. Não insistam. Vocês sabem o quanto eu odeio calor com todas as forças do meu corpinho-delícia. Eu praticamente não saio do meu quarto. Eu ligo o ar condicionado e o ventilador ao mesmo tempo e mentalizo que moro no Upper East Side, de frente para o Central Park e que estou de camiseta porque o aquecimento está muito alto. Infelizmente a idéia do pinico e do frigobar ainda não se viabilizou. Fala mal do calor me alivia.

Tipo...13,5 numa escala de radiação solar que vai até 14? 39,9º? E as pessoas ainda vão à praia? Não é possível ser um país séééério a esta temperatura. Que meus amiguinhos da História não me escutem, mas nesses dias eu chego a pensar que condições sócio-econômicas que nada, somos essa republiqueta de bananas por causa do maldito calor. Só é possível (corrigi) filosofar em alemão, já dizia Caetano. Escrever tese idem.

Me lembro do meu amiguinho Will que era louco com o Rio, já tinha morado aqui e quer voltar. "Por que você quer voltar, Will?". "Ah, as pessoas em NY só trabalham! No Rio tudo é festa, só praia..."

Mas hoje o calor melhorou. Minimamente.


* * *



Tive que ir ao Rio e àquela estranha cidade do outro lado da poça. Lá chegando peguei um táxi.

- Moço, tem ar, não?

- Tem, minha filha, mas ar condicionado é um veneeeeno!

Senhor, daí-me paciência, porque se me deres força eu cubro o velhinho de porrada.

E os ares condicionados não dão vazão. Não dão. Eu gosto de ar condicionado temperatura pneumonia dupla. Tipo Banco do Brasil, sabe? A única coisa que tá sempre funcionando bem no BB é o ar condicionado. Só um caixa sacando e ar na temperatura glacial 2.

Enfim. Se isso aqui fosse um país séééério (Síndrome de Odete Roitman) toda casa teria que ter um ar condicionado. Que nem em NY é lei ter aquecimento em todo apartamento.

Tô, tô reclamona.


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Volta pra lá, então, Carrie! Não posso leitor. Meu visto de estudante me obriga a ficar dois anos aqui, no mínimo. E, além do mais, tem a tese, né?


* * *


Aniversário do Rio essa semana e vem materiazinhas do jornal com estrangeiros dizendo “eu conheço a Itália, a Alemanha e a França todas e digo que não há lugar mais bonito que o Rio”. Bom, eu conheço a Itália, a Alemanha e a França, ainda que bem menos que o senhorzinho da matéria. Pra mim não há paisagem mais linda do que os lagos de água cristalina com os picos de neve eterna ao fundo que vi na fronteira entre Áustria e Alemanha.

Mas, tem gosto pra tudo nesse mundo e, como diz Roberta Carvalho, o mundo é estranho.

A minha meta de vida continua sendo a Islândia, vocês sabem, né?


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Aí ontem eu fui ver “O leitor”, que, milagrosamente está passando aqui na Província. Num cinema de shopping, claro. Cheio de provincianos ávidos por um pouco de diversão sábado à tarde – numa cidade que não tem nada pra se fazer – inclusive esta que vos fala.

Entro na sala e tá meu professor de geografia do segundo grau. Um dos professores que eu mais amava. Que vontade falar pra ele que eu faço Doutorado em História! Ah, mas pra ele dizer “azar o seu”, então resolvo ficar quieta.

Mas o filme é triste, gente. Muito triste. Mas é bom. Gostei.

Vi “Dúvida” essa semana, na Capitar. Tava muito cansada e dormi parte do filme – não sei se dormi porque o filme é chato ou se porque tava cansada. O fato é: o filme é o Philip Seymour Hoffman e a Meryl Streep (que tá idêntica a uma professora de teoria marxista que eu tive no doutorado). Aí você fica vendo aqueles lindos atores duelando entre si e dá uma certa preguiça.

A idéia é boa: como em um mundo politicamente correto não se pode ter certeza de nada e qualquer um pode acusar o outro de qualquer coisa (apesar do filme ser uma peça de teatro escrita há décadas e passada nos anos 60).


* * *


Vou ali, então. Ver se eu trabalho. Comportem-se crianças.

5 comentários:

Amana disse...

Na primeira neve que deu aqui, eu estava na biblioteca pensando: ah, ta! por isso que existe filosofia!

Mas eu gosto do calor. Gosto sim - reclamo como pobre, porque o ar-condicionado la de casa so pode ligar na hora de dormir, senao ninguem tem como pagar a conta. Mas de dia eu peregrino por lugares fresquinhos. E, reconheco, adoro um samba suado numa laje no verao. Adooooooro! Comendo feijoada, entao? Um suadoooooouro dos deuses. Tudo pra voce ficar MAIS FELIZ AINDA em tomar uma cerveja muito gelada.

Desculpa, sei que voce odeia tudo isso - tirando a cerveja gelada. Mas nao resisti.

Fui jantar com Jeremy e familia num mexicano agora. Antes de sair de casa, enquanto ele fazia xixi no penico, falou: "I like Amana a lot". Falou serio, porque estava folheando um livro. Eu tambem, Jeremy, eu tambem!

beijossss!

Carrie, a Estranha disse...

Ahhhh q fooooofo! Mas por que será q ele falou justamente no momento-penico?

Bjs

Paula Clarice disse...

Carrie, essa história do professor me lembrou uma situação parecida que aconteceu comigo.

Primeira semana do primeiro semestre de aula da faculdade de Letras, eu entro na padaria e encontro o cara que tinha sido meu professor de Literatura no ano anterior (3o ano do ensino médio):
- Oooooooi, professor!!! (eu digo, empolgadaça, louca pra ele perguntar o que eu tou fazendo)
- Oi.
- Tudo beeeeeem?? (levantando sobrancelhinha)
- Tudo, e você?
- EU TOU FAZENDO LEEEEEETRAS...
- Legal. Oi, moça, me dá X paezinhos? - e virando pra mim - Tchau, querida! (querida = nao lembro seu nome)

***

Meu deus, eu já fui mto mais idiota nessa vida né? Cruzes.

Carrie, a Estranha disse...

Hahahahahaha...

pois é, fiquei com medo de algo do tipo, paula!

Ana Paula disse...

Oi, Carrie, eu não sabia que vc estava de volta ao Rio. Olha, subscrevo tudo o que vc disse aí, viu? Menos a parte do filme Dúvida, que eu amei imensamente e achei um dos melhores que eu vi nessa temporada até agora. Junto com O leitor, igualmente excelente. E ambos muito melhores que o Slumdog millionaire, que eu não achei essa brastemp toda. De resto, assino embaixo.
Beijos