sábado, agosto 16, 2008

More about NY...


É sábado, 11:30 da manhã. Minha roommate ainda dorme – de luz acesa, na sala, e, ao que tudo indica, sem roupa de cama. Acordei, tomei um bom café da manhã com um sucrilhos maravilhoso (K, da Kellogs) e um iogurte da Danone que não existe no Brasil, super mega ultra cremoso e gostoso. O dia está bonito – ontem tava bem fechado e feio.

Ontem fui ao MoMa com a Vanor, que está aqui de férias, e o namorado dela. Foi bem legal. Vi todos os grandes vanguardistas. Muito legal ver a roda de bicicleta do Duchamp depois de ter lido tanto e dado aula sobre ela. É apenas uma roda de bicicleta, mas que emoção!

Me deram várias sugestões de passeios, mas estou tão cansada de passear, de ir aos lugares, que pegar metrô, de me perder, de olhar em mapas...acho que vou para o Central Park – que já me é bastante familiar – estender minha canga, ler um pouco (não consigo ler nessa porra de casa escura), escrever, ouvir música e matar o tempo. À noite combinei de jantar com a Gisele, minha amiga brasileira que mora aqui perto.

Segunda eu vou a universidade fazer minha carteirinha. Ainda não consegui porque a mulher responsável pelos documentos está de férias e só volta segunda. Aliás, quase tudo na NYU está de férias.

A NYU é uma faculdade incrível. Ao contrário da maioria das universidades estadunidenses, ela não possui um campus fechado. Os prédios da universidade se misturam com os da cidade – é bem verdade que a NYU é dona de quase tudo nessa região e o que não for algum departamento será alojamento de estudantes ou apartamento dos professores. Pra vocês terem uma idéia, minha orientadora estava me contando que a Starbucks, a famosa loja de café (que aqui tem muuuuuito mais do que McDonald’s) quis abrir uma loja grande bem na Washington Square, onde se concentra a maioria dos prédios. A NYU concordou, contanto que não houvesse nenhum letreiro com o nome da Starbucks do lado de fora, pois isso descaracterizaria a região. A Starbucks aceitou e há uma loja enorme, mas sem nenhuma placa. Você entra e têm estudantes com seus laptops nas mesas, lendo...esses dias tinha um japonezinho chapado em uma mesa, completamente desacordado em cima do seu laptop. Aliás, você pode ficar horas ali que ninguém te enche o saco.

Minha orientadora mora em um desses apartamentos da universidade. Do lado. Ai, ai...

A biblioteca da NYU é um dos troços mais impressionantes que eu já vi na minha vida. Minha orientadora conseguiu um passe pra eu entrar e ver como é – já que ainda não tenho a carteirinha. São dez andares de livros. Há mais livros em PORTUGUÊS do que em TODA A BIBLIOTECA DA UNICAMP, uma das maiores e melhores do Brasil. Isso só em português, galera, essa língua morta que ninguém conhece. Há computadores pra tudo quanto é lado. Você também pode levar o seu laptop e se plugar. Ou pedir um laptop emprestado pra eles. Há máquinas de café, salgadinhos, chocolates, água...há o maior arquivo sobre as esquerdas do país, todo doado por organizações anarquistas e comunistas. Há salas a prova de som, que você pode reservar pela internet. Entre os andares você pode ver o hall de entrada lá embaixo. Só que o número de suicídios ali era tão grande que botaram um protetor de vidro. Porque todo semestre tinha pelo menos um aluno que se atirava dali, daí tinham que evacuar o prédio, fechar a biblioteca, chamar a polícia...muito trabalho.

Durante o período de provas a biblioteca funciona 24 horas por dia. Vocês têm noção o que é uma biblioteca funcionar 24 horas por dia? É porque existem pessoas que viram a noite estudando. Também vi uns sofazões super confortáveis. Já to até vendo que daqui e pouco seremos eu e o japinha desacordados em cima de uma mesa ou num desses sofás. Melhor do que voltar pro meu ap nojinho.

Além disso, a área em volta é cheia de Delis com preços bem acessíveis. Você pode comer uma boa salada – ou uma comida mais quentinha, pois eles costumam ter tipo um self service nessas delis – por U$ 5,00. E estudantes da NYU têm desconto de 10%, só apresentando a carteirinha (que eu ainda não tirei).

E a Book Store da NYU? Meu Deus...todos aqueles moletons, camisetas, macostes, cadernos, chaveiros e livros, livros, livros... Aliás, achei os moletons super caros: U$ 40,00. Tudo bem que é de óoootima qualidade, mas mesmo assim meio salgado pra eu sair por aí fazendo propaganda da NYU.

E se você desce há um setor, nessa loja, com pilhas de livros, separados por curso e professor, indicando quem pediu o que, em que semestre, pra qual matéria. Há livros usados (quase novos) mais baratos. E alunos ainda têm descontos, pelo menos nos livros.

Conversando com a minha orientadora, e outras pessoas, eles disseram: o que realmente diferencia a universidade brasileira da estadunidense é a infra-estrutura. Temos (no Brasil) estudantes tão bons quantos os daqui, professores tão bons quanto os daqui, mas nossas instalações são um lixo.

O que me faz pensar que nós somos muito melhores do que eles, já que, se em condições adversas, nós somos tão bons quanto eles, em condições ideais nós seríamos imbatíveis.

Ou talvez não façamos nada para mudar pelo medo de constatarmos que continuaríamos apenas iguais a eles.

Mas o que me impressiona em NY é que tudo que era uma merda passou a ser bom em pouco tempo. Até os anos 80 a cidade era como os filmes do Charles Bronson. Depois houve a limpa do Giuliani e sua política de “Tolerância zero”. A coisa deu tão certo que houve um verdadeiro boom imobiliário, multiplicando o preço dos aluguéis. Hoje em dia é possível você ver turistas carregando máquinas ultra modernas em plena Times Square ou qualquer outra região turística (o que nos leva a pensar que o Rio só não melhora porque não quer. Ok, ok, são realidades completamente diferentes e não dá pra comparar, eu sei).

Aliás, adorei a Times Square. Todo mundo me falava que era feia, suja e cheia de turistas...bom, e é, mas é exatamente por isso que é legal. É o ápice da cultura estadunidense. Cafonalha ao extremo. É kitsch. Pena que fui de dia. Quero vê-la à noite. Deve dar mó onda aquela quantidade de letreiros iluminados.

Por enquanto é só. Logo mais volto com outras impressões.

9 comentários:

Jussara disse...

Estou adorando os seus relatos e babei lendo a descrição da universidade.

Marcele disse...

Lendo, parece até q estou vendo....
Marcele

trinity disse...

Carrie eu te amo!!! Suas descrições são fantásticas! Obrigada! E TDB pra vc ai!

sonia a.m. disse...

Você descreve tudo tão bem que é como se eu estivesse vendo, como também disse a Marcele.

Meu marido morou em NY 8 meses e fez pós em administração na NYU. Isso há tempos.

Fico esperando para ler mais!
Bjs.

Carrie, a Estranha disse...

Sonia,

Obrigada!
Trinity,

Eu tb amo vc! Amo todos meus leitores.

marcele,

legal q estou ajudando a "visitar" a cidade.

Jussara,

É de babar mesmo.

Bjs

Carla disse...

Ha! Eu nao suporto a Times Square, pelas mesmas razoes que voce adorou...hahaha.

Anônimo disse...

"Há mais livros em PORTUGUÊS do que em TODA A BIBLIOTECA DA UNICAMP, uma das maiores e melhores do Brasil. Isso só em português, galera, essa língua morta que ninguém conhece."

Impressionante como a falta de conhecimento faz uma pessoa delirar. Primeiramente vejamos o significado de "lingua morta":

--Língua morta é uma língua natural (idioma) que não possui mais falantes nativos, mas que possui a gramática e vocabulário conhecidos e está registrado em documentos escritos, podendo assim ser estudado e usado na atualidade. Difere do conceito de língua extinta, pois, esta última ocorre quando uma língua não é mais utilizada e não pode mais ser aprendida por meio de documentos, sendo reconhecida apenas pela influência que possam ter efetuado sobre outras línguas. São exemplos de línguas mortas são o copta, o latim, o sânscrito, o grego antigo.

Agora vamos verificar a veracidade da informacao de que PORTUGUES e "essa língua morta que ninguém conhece"

--Here's a listing of the ten most popular languages spoken worldwide, along with the approximate number of primary or first language speakers for that language.
1. Mandarin Chinese - 882 million
2. Spanish - 325 million
3. English - 312-380 million
4. Arabic - 206-422 million
5. Hindi - 181 million
6. Portuguese - 178 million
7. Bengali - 173 million
8. Russian - 146 million
9. Japanese - 128 million
10. German - 96 million

Various sources were used to compile this listing of the most popular languages of the world but the primary source was the CIA World Factbook.

O seu comentario foi muito infeliz. A oportunidade de estudar na NYU nao lhe da o direito de denegrir desta maneira a nossa lingua, o nosso povo, o nosso Pais.

De uma brasileira que vive, trabalha e estuda em NY ha mais de 8 anos!

Sandra

Carrie, a Estranha disse...

Sandra,

Vc é burra, sem falta de humor, apenas grossa ou todas as alternativas, Chuchu?

Carrie, a Estranha disse...

Em geral eu não respondo comentários desse tipo, mas esse eu vou me dar ao trabalho:

1) O blog é meu eu denigro quem eu quiser. E não estou denegrindo. Estou relatando um fato. E se quiser posso falar coisas muuuuito piores

2) O que tem a ver o cu com as calças? Só porque eu estou aqui não me dá o direito de falar mal do meu país? What’s the point? O país é meu eu falo mal o quanto eu quiser. Tenho muito mais direito do que uma imbecil que mora há oito anos aqui.


3) O comentário sobre português ser uma língua morta...falta de humor é um “pobrema” sério (deixa eu avisar que eu escrevi “pobrema” errado de brincadeira).

4) E as louça na pia, minha senhora? E as rôpa no tanque, como é que vai? Ah, esqueci! NY não tem tanque! E todo mundo tem máquina de lavar louça! Deve ser a falta do que fazer que faz com que a pessoa entre no blog alheio pra falar merda. Ou, na minha terra, a gente diria que é falta de outra coisa, mas como não tô na minha terra vou ficar quieta.