quarta-feira, setembro 19, 2007

Tempo, tempo, tempo...





Estava vendo aquele filme – quer dizer, partes dele – De repente 30, com a Jennifer Garner. Trata-se basicamente da velha fórmula reaproveitada por Hollywood diversas vezes da criança/adolescente que se vê de repente adulta – como em Quero ser grande, Tal pai, tal filho e Sexta feira muito louca. Afinal, que criança nunca quis crescer rápido?

O filme em questão fala de uma menina de 13 anos que, no seu aniversário, cansada de ser impopular no colégio e de andar com os nerds, deseja fortemente estar com 30 anos. Seu desejo, num passe de mágica transforma-se em realidade e ela percebe, ao longo do filme, a série de bobagens que cometeu ao longo de sua vida. Impossível não lembrar de outros clássicos dos anos 80 como Peggy Sue, seu passado a espera, Em algum lugar do passado
e De volta para o futuro, onde, por motivos diferentes, se torna possível viajar no tempo – e vou ficar só nos anos 80.

(Parênteses: confesso-lhes que, dentre os superpoderes nada me fascina tanto quanto o poder de voltar no tempo. Que teletransporte que nada! Invisibilidade, força sobre-humana, poder voar por aí... Nada me parece mais tentador do que viajar no tempo. Poder reencontrar pessoas queridas que já morreram e consertar erros do passado me parece irresistível. E quando escuto as pessoas dizerem que se pudessem voltar ao tempo fariam tudo igual eu só posso pensar que ou as pessoas são muito estúpidas ou minha vida deve ser mais errada do que a dos outros. Bom, mas não é exatamente sobre volta ao tempo que eu quero falar – isso fica pra outro post).

Quero falar sobre esse sentimento de se ver de repente com 30 anos. Ou quarenta ou cinqüenta. Porque, de alguma forma, nós também acordamos de repente com 30. Claro que só posso falar dos 30, pois é a idade que eu tenho. Não por termos nos submetido a algum feitiço do tempo
– aliás, excelente filme também. Mas simplesmente porque às vezes os anos somem e não sabemos onde eles foram parar.

Principalmente as gerações pós-anos 60. Com a invenção da juventude como modo de vida, pode-se ser jovem com qualquer idade. E você se vê, de repente, com 30 anos e vivendo como se tivesse 18. E isso não necessariamente é uma coisa boa. Principalmente se você não se casou e não teve filhos, os 30 anos podem diferir em pouca coisa dos 20. Talvez você saiba algumas coisas, tenha um pouco mais de dinheiro – na melhor das hipóteses. Só que, no final, você tem 30 anos. E você fica naquela de onde foram parar meus anos. Por mais que você tenha vivido, aproveitado e bla bla bla. Porque o sentimento de perda sempre existe. Você descobre que é um personagem dos filmes do Kevin Smith ou dos livros do Nick Hornby. Esperando eternamente quando a sua banda vai ser descoberta, seus quadrinhos serão publicados e seu filme sairá. Mas, no fundo, continua atrás de um balcão. Esperando o momento em que sua vida vai acontecer.

Há dois extremos nesse caminho do não-envelhecer. Um é virar uma patética caricatura de si mesmo, como aquelas pessoas que pintam o cabelo de cores inacreditáveis jurando que estão disfarçando a idade, tampam a careca com penteados esdrúxulos, fazem plástica até virarem o clone da Elza Soares e andam apenas com pessoas mais jovens – como se a juventude pudesse ser contraída por osmose. Outro extremo é aquela pessoa que “acredita” na idade, nos marcos. Tenho trinta, quarenta, oitenta anos, logo chegou a hora de fazer isso e não fazer aquilo mais. Acreditam no tempo, na idade.

Eu? Eu acho tudo muito estranho. E não sei como terminar esse texto. Então vai assim.


Um comentário:

Bárbara disse...

entre virar uma patética criatura de si mesmo e acreditar na idade há um abismo, né? uma grande confusão. não necessariamente esperamos o momento em que a vida vai acontecer. às vezes acho que simplesmente a vida de algumas pessoas acontece muito diferente da vida da maioria. mas acontece.