quarta-feira, setembro 05, 2007

Minha filha...


Formiga Mãe esteve na mansão White por alguns poucos dias. Ao ver a nova decoração da sala, mais especificamente um pôster em preto e branco do Pulp Fiction com John Travolta e Samuel L. Jackson apontando armas (depois que eles recitam os salmos, antes de matar as pessoas), soltou um desolado “minha filha...”.

Puxa. Meu maior xodó. Meu pôster que eu comprei em Londres a 12 libras (ou oito, não lembro). Um clássico da cultura de massas. Muito difícil agradar aos nossos pais.

À noite, assistindo as minhas seriezinhas na TV, mais comentários. Primeiro, a minha série lésbica que eu adoro, The L Word*. Depois, Nightmare and Dreamscapes** de um dos meus pais intelectuais, "O" Mestre, Stephen King. Formiga Mãe, insone (ai, já tô até vendo ela dizer: não fica falando que eu sou insone no seu blog! Tudo bem, ela estava, por acaso, insone), adentra o recinto.


Formiga Mãe: O que é isso?

Carrie: Seriezinha de terror, mãe. O cara foi picado por uma cobra, dado como morto e está indo pra sala de autópsia, mas sente tudo e não consegue avisar aos médicos.

Formiga Mãe: Minha filha...



Depois, quando fui deitar, passa ela novamente:


Formiga Mãe: E aí, o que aconteceu com o cara?

Carrie:
Acharam a cobra no saco de tacos de golfe dele e conseguiram avisar a tempo. Ele foi salvo.

Formiga Mãe: Eu imaginei...

Mas esses seriados a que você assiste...minha filha...


No dia seguinte comprei Tropa de Elite no camelô. Ela chega em casa e estou eu completamente hipnotizada pelo Wagner Moura de chefe do Bope, dando tiro pra tudo que é lado, com o volume no máximo e sem poder parar porque o controle do DVD ainda não foi arrumado. O que ela disse? Minha filha...

Mamãe queria que eu colocasse quadros de casais beijando na parede. E fizesse balé. E andasse de rosinha. Mas ela devia ter desconfiado que algo sairia diferente dos seus planos quando eu quase engoli um lacinho de fita que ela me pôs, ainda bebê (imagino eu, bebê, mais impaciente do que já sou: êpa, o que é isso pinicando minha carequinha? Humm...acho que é de comer...nham...bom!). Enquanto isso, Formiga Irmã ia ao carrossel e punha a mãozinha na cabeça o tempo todo, afim de checar se seu lacinho estava no lugar. Assim são os filhos. Como dedos da mesma mão.

Eu queria querer usar lacinhos de fita. Eu até uso lacinhos de fita. Eu tenho meus momentos de lacinho de fita. Só que o lacinho é meu, uso quando eu quero. E eu gosto de dar o laço eu mesma. E desfiá-lo um pouquinho na ponta.


(*Segunda, às 23h, no Warner Channel. Reprise aos domingos, no mesmo horário.

** Recomendo fortemente para os fãs de Além da Imaginação (Twilight Zone). É o mesmo espírito, o mesmo clima. Ontem, inclusive, um personagem citou o Além da Imaginação pois o episódio se passava em uma cidade onde todos os habitantes eram astros do rock dos anos 50 e 60 mortos. Como se o tempo tivesse parado. Se lembra desse episódio de Twilight Zone, amigo leitor-nerd dos anos 80? Terça, às 23h, no Warner Channel. Reprise aos domingos, meia noite).

3 comentários:

Cris disse...

hehehe. a formiga-mãe deve ser uma fofa, isso sim. e - oh! - eu também tenho meus momentos-lacinho. aliás, adorei a definição.

bjs!

Márcia Motta disse...

Carrie,tudo bem?
Estou vendo L. Word por indicação sua!! É muito bom!! Como as mulheres são complexas...(gosto muito de Shane). Vc está vendo que temporada? pode me atualizar,please? Ainda estou na segunda.

Carrie, a Estranha disse...

Oi, Márcia!

Não é legal? A Shane é uma das minhas preferidas, tb. Mas a q eu mais amo é a Jenny - a escritora, de olho azul.

Eu tb estou na segunda temporada - acompanho pela Warner. O q vc quer saber?

bjs