sábado, setembro 15, 2007



Matéria do Idéias, do JB de hoje fala sobre clássicos da literatura. A reporti começa a matéria falando: “É como duelar com moinhos de vento. Desembarcar numa ilha repleta de cíclopes. Ou desafiar o tempo, internando-se em um sanatório no alto de uma montanha”. Pensei comigo: ela está falando de Dom Quixote, de Cervantes; A Odisséia, de Homero e A Montanha Mágica, de Thomas Mann, respectivamente. Depois percebo que o Ulisses
que ela queria falar era o do James Joyce Que até tem relação com o de Homero. A reporti confundiu a Odisséia (de Ulisses ou o Odisseu, daí Odisséia. Hãn? Hãn?), de Homero, o grego, trocentos séculos a. C. com o Ulisses de James Joyce, o irlandês, que escreveu em 1922. Por que eu notei isso? Porque em momento algum ela fala de Homero no texto. E não há desembarque em ilha de cíclopes em Joyce (ainda que os capítulos façam referência aos personagens mitológicos gregos). Claro, ela nunca leu nenhum deles.

Tudo bem eu também não. Parei de ler Ulisses na página 82, A Montanha Mágica na 181 e Dom Quixote eu nunca tentei. Mas eu não saio escrevendo bobagens em jornal. E eu pelo menos sei do que se tratam.

Como se não bastasse eles vão entrevistar a anta-mor da Fernanda Young – que sentiu falta de identificação com os personagens de Ulisses – e o quadrúpede do Deonísio da Silva que diz que Ulisses é “pesado e dispensável” – onde está meu frontal...eu não me sinto bem...eu estou enxergando pontos coloridos no horizonte. Estou vendo seres de luz e um caminho dourado me chamando.

Por que eu parei de ler Ulisses? Por que é difícil pra caralho (dizem que Finnegans Wake, também do Joyce, é simplesmente impraticável. Imagino). Sei que os clássicos obedecem a critérios de canonização historicamente determinados, onde perpassam relações de legitimidade e inserção dos críticos no próprio campo literário e não necessariamente parâmetros de qualidade exclusivamente. O que faz de uma obra um clássico e outra do mesmo período não o seja é um conjunto de fatores dentre os quais a qualidade é um deles. Às vezes, inclusive, o reconhecimento é póstumo – haja visto o já batido exemplo de Shakespeare, que era considerado muito pop em sua época e de outros incontáveis "gênios malditos". Não acredito em obras eternas e universais que retratem uma essência humana, do Pólo Norte do século XX ao Japão feudal. Mas daí dizer que Ulisses é “dispensável”. Sinceramente...

E eu fico pensando...e essas pessoas estão aí, né? Dando entrevista em jornal, falando merda na televisão...participando de mesas na Bienal...cagalhos. Por mil cagalhos literários, Batman.

Uma historinha sobre a Fernanda Young. Não sei se vocês sabem, mas ela é de Niterói. Beleza. Daí que conheço uma pessoa que conhece ela. São contemporâneas, estudaram no mesmo colégio e coisa e tal. Essa pessoa trabalhava numa livraria onde a FY ia todo dia encher o saco. Falar merda. Falar que Machado de Assis é uma merda (já a ouvi falando isso em outros lugares). E essa pessoa era uma leitora voraz de Hemingway. E FY diz ser uma fã do referido escritor. Só que ela falava altas merdas sobre o Hemingway. Coisas de quem nunca tinha lido.

Enfim, pra que eu digo tudo isso...Me sinto um homem do subsolo...

9 comentários:

Rê disse...

To brigando com ulisses aqui em casa. Tá foda.
Esse outro impraticável do Joyce é o sonho do meu namorado. Ele leu uma resenha dele e, enquanto eu falei "quê?", ele achou fascinante. A resenha por si só já é difícil de entender!

Esses jornalistas só falam merda. Por que eles não colocam um recém-formado em Letras pra escrever sobre literatura? Vai sair bem melhor escrito e ainda com conteúdo. Agora, o cara achar que vai sair da faculdade de jornal habilitado para dar pitaco em tudo quanto é coisa é muita arrogância.

Anônimo disse...

O ideal do jornalismo é que rolasse uma mínimo de pesquisa antes...

FY é tosca mesmo. Ela esculachou Niterói num programa que ela tem aí, chamou de roça pra baixo e que nunca mais voltava. Ainda bem.

Bella disse...

putz, tinha escrito um mega comentário q se perdeu...
agora to com preguiça...
mas pô, só pra dizer q eu não agüento FY. mtooo chata, notionless totally!
bjs

Cris disse...

ouso fazer um comentário sem nunca, jamais ter lido fernanda young: pra mim ela é um engodo. fabricada pela mídia. pronto, falei.

=]

bjs, moça dos cabelo-de-asa-de-graúna...

Anônimo disse...

Pior: ganham para falar tais absurdos.

Ila Fox disse...

Estes tempos atrás vi uma certa modelo-apresentadora-com-1.20-de-perna se vestindo para fazer uma participação de Julieta num programa humorístico... num dado momento (enquanto o cabeleireiro faz um penteado à caráter) a moça comenta: Agora posso jogar minhas tranças para o Romeu.
O.o
Ai Jesus... confundir Julieta com Rapunzel é de doer...

Anônimo disse...

Ila, foi a Ana Hickmann? rs

Hoje estava eu no consultório do acupunturista e pego uma Veja
São Paulo que elegeu as 30 mais bonitas de São Paulo. Para cada eleita uma página e umas perguntinhas bem fúteis.
Ha. Me deparo com a página dedicada para LuciAnta Gimenes. Uma das perguntas foi: "O que você faria se não fosse bonita?". A resposta: seria divertida ... blá blá blá ou INTELIGENTE. Put a keep are you!

Anônimo disse...

conheço o tal Dionísio, é aqui da minha cidade.....o pior são os casos absurdos que todo mundo sabe dele aqui...abuso contra alunas....professor da federal. e pior, a mulher dele tb dá aulas lá. agora, ela está aqui e eel ai no rio. uma besta. pior ainda: todo os colunistas (me incluo) escrevem para o jornal da região sem receber um centavo e ele pra escrever uma coluninha de merda ganha mil reais.e deve pra meio mundo aqui. imbecil. mas tem registro até na polícia. pra vcs verem. carrie, beijos pra ti. saudades (k.f)

julie disse...

descobri que se eu não consigo ler um livro, é porque simplesmente eu ainda não estou preparada p ele. em algum outro momento da minha vida eu vou voltar e vou conseguir.
talvez vc ainda volte ao ulisses.
bj