sexta-feira, julho 20, 2007

Longa jornada inferno adentro (ou: Eu quero ver Bubu!)


“Ó, maravilha!/ Que adoráveis criaturas aqui estão!/ Como é belo o gênero humano!/ Ó Admirável Mundo Novo/ Que possui gente assim!”

(William Shakespeare, A Tempestade, Ato V)



“Um estado totalitário verdadeiramente eficiente será aquele em que o todo-poderoso comitê executivo dos chefes políticos e o seu exército de diretores terá o controle de uma população de escravos que será inútil constranger, pois todos eles terão amor à sua servidão.”


(Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo)




Sinal número 1: Eu deveria ter acreditado que aquela terça feira não seria muito tranqüila quando eu fui atropelada por uma bicicleta ao fazer minha caminhada matinal no Aterro do Flamengo, no Rio, perto de onde eu moro. Mas eu não acredito em Sinais, nem em n’O Segredo – talvez devesse começar a crer, pois nesse país qualquer racionalidade perdeu sua razão de ser. Mas voltando ao meu atropelamento: um psicopata de um adolescente de 15 ou 16 anos simplesmente enfiou a bicicleta em mim. Eu, quietinha, andando na minha mão e o maluco mete o guidão no meu braço, causando uma dor absurda no meu cotovelo e adjacências. O mongol se vira pra mim: “machucou?” – as pessoas têm uma necessidade de perguntar o óbvio, acho que só pra terem o que falar – “machuquei!”, respondi, o que não adiantou nada porque o cara não fez nada. Ele ainda se estabacou no chão. Bem feito. Prestenção da próxima.

Fiquei um pouco roxa e dolorida no braço, mas cheguei em casa e pus gelo. Pensei: “nossa, só que me faltava eu ser atropelada e não poder viajar”.



***


Sinal número 2: chegando ao aeroporto do Galeão - agora Tom Jobim - descubro que o Santos Dumont, o outro aeroporto do Rio que faz a maioria dos vôos nacionais, pegou fogo. Todos os vôos estavam sendo transferidos pro Galeão, o que podia ser aferido pela gigante fila no balcão da Gol. Beleza, eu ia de BRA.


***


Sinal número 3: Chego ao balcão da BRA e ele está vazio e fechado. Descubro que o embarque seria pelo balcão da Ocean Air. Como assim, Ocean Air? (para os não iniciados: essa é a empresa que faz o vôo das pessoas que ficam perdidas na ilha no seriado Lost). Tentei argumentar isso com as pessoas que iam comigo, mas elas apenas riram; são historiadoras, não assistem televisão, muito menos seriados.

Eu deveria ter parado por aí, afinal três é um número cabalístico. Mas eu não acredito em Cabala.


***


Fizemos o check in com um aeromoça de sorriso trincado que disse: “o vôo de vocês era o 1012, mas agora ele se chama 1002, mas é o mesmo vôo [??]. Peço que vocês entrem para a sala de embarque às 20:14 e prestem atenção ao alto-falante. Não confiem na televisão com os horários. Também não confiem em quaisquer outras informações”. Meu Deus, eu estava diante de um Beta! Achei que ela ia completar com um: “inclusive não confiem em mim” enquanto a cabeça dela explodiria, deixando à mostra todos os fios.


***


Sinal número 4: Fomos fazer um lanche antes do vôo. Tô vendo o Prantão da Grobo passando, mas tô pensando: “deve ser a história do Santos Dumont”. Também ouvi alguém dizer algo sobre explosão na mesa ao lado, mas também ignorei. Ou quis ignorar. Então alguém manda uma mensagem de celular pra uma das meninas que estava comigo contando sobe o acidente da TAM. Apavorei. Liguei pra casa e peguei as informações completas com Formiga Mãe e Formiga Irmã. Tudo bem, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, certo? Hahaha...mas estamos no Brasil sil sil onde dois acidentes de proporções gigantescas acontecem em menos de um ano, matando ao todo quase 400 pessoas e tudo bem. A gente continua. A gente acostuma com tudo nessa vida. A se contentar com pouco, com explicações esfarrapadas e justificativas injustificáveis.

Meu vôo estava marcado para as 20:35 e eu finalmente consegui embarcar às 23:20. Agora ia. Ia?


***


No avião as comissárias estavam bem agitadas. Duas amigas que iam comigo – éramos quatro no total - não conseguiam fechar seus cintos de segurança que eram diferentes dos restantes. Chamamos a aeromoça que disse: “nossa, que estranho!” - ao que o cara do meu lado respondeu: "puxa, só espero que o motor não esteja aí!". A aeromoça achando estranho te deixa super tranqüilo. Ela chama outra mocinha que vêm com outros cintos. Ao chegar ela percebe que elas estavam com as pontas trocadas. Arruma tudo e faz um comentário do tipo: “ah e vocês ainda me fizeram mexer nesses cintos lá em cima, hein?”, um tanto quanto jocoso.

Outro cara fez uma observação de que, por estarmos nas poltronas localizadas na saída de emergência, não poderíamos estar com casacos e bolsas no colo e sim guardados no compartimento de cima. Disse que ia reclamar quando chegasse em terra. Mal sabia ele que, diante de todo o transtorno que passaríamos, isso seria o de menos.

Aviões são ambientes que propiciam comportamentos estranhos das pessoas. O mínimo que se pode esperar de uma tripulação é que ela seja calma e gentil. Ainda mais diante dos problemas aéreos que viemos enfrentando. O mínimo. Mas no Brasil já perdemos a noção de mínimo há muito tempo. E cobrar isso do elo mais fraco da cadeia seria injustiça. Só estou mostrando a situação de despreparo e descontrole do povo da aviação. Nego já ligou o foda-se há muito tempo. Não quero dizer que eles não tenham razão. Não estou julgando, apenas constatando.

Quando estávamos quase chegando à Porto Alegre, uma da manhã, uma das pessoas que estava comigo ouviu o comandante dizer alguma-coisa-voltar-para-São Paulo. Hein? Como assim? Claro que não! Mas outros passageiros também ouviram. Passa uma aeromoça e resolvemos perguntar. Ela responde: “não sei eu também não ouvi, vou pedir pra ele repetir”. Ô, ou. Cindacta, we have a problem.

Uma outra comissária repete o aviso do comandante: “nós não obtivemos autorização de pousar em Porto Alegre, o aeroporto está fechado e estamos retornando para o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Lá vamos saber o que acontecerá com vocês e conosco”.


Apertem os cintos. O piloto sumiu.



***


As pessoas ficaram totalmente agitadas e perguntando por que diabos não dava pra pousar num lugar mais perto de Porto Alegre, tipo Curitiba. “Não obtivemos autorização” era tudo que o comissário dizia. “A torre mandou voltar pra SP. Não podemos correr o risco de chegar em Curitiba, o aeroporto estar fechado e não ter mais combustível”. “E se não tiver mais combustível?” – pergunta um passageiro incauto. “Aí a o avião cai”, responde calmamente o comissário.

Novamente eu digo: eu acho que o papel da tripulação é, entre tantos outros, acalmar os passageiros. Ainda que o avião esteja caindo.

Raciocinem comigo: um mega acidente tinha acabado de acontecer exatamente na rota onde estávamos, POA e SP. De repente você recebe uma informação dessas de que você vai ter que voltar. O que você pensa? Tudo. Você se lembra que existem pontos cegos na aviação brasileira. Que aviões se chocam no ar ou não conseguem frear em solo. Que aeroportos fecham no meio da noite. Que você tem um presidente Lulalelé (com diz a Fal), que ameaça com “prazo e hora” pra crise acabar como se palavras de efeito solucionassem as coisas por si só. Enfim, você se lembra de que está no Brasil sil sil. Onde tudo pode acontecer e ninguém vai ser punido. Quem garantia que chegando à Guarulhos eles não iam dizer que também estava fechado e nós íamos ficar vagando de um lado pro outro até o combustível acabar? “E se a gente não puder pousar em Guarulhos?”, perguntei. O comissário: “lá sempre pode”. O porquê eu não entendi.

Tudo bem, mau tempo acontece. Agora, o que me espanta é que no resto do mundo existam condições tão adversas e até muito piores do que as daqui e os acidentes são menos freqüentes. E, até hoje, o mau tempo não dava tantos problemas. Porque de um ano pra cá isso começa a ser usado como desculpa eu não sei. Quer dizer eu sei e todos nós sabemos. Mas vamos fingindo que não sabemos e deixando pra lá.

Chegando em Guarulhos um vapor quente começa a elevar sensivelmente a temperatura do avião. Pronto. Era agora. O piloto diz que não havia lugar pra estacionar e esperaríamos na pista, mas que as pessoas podiam ligar seus celulares para dar notícia para os familiares. Eu já tava quase abrindo a saída de emergência – que era do meu lado – ou solicitando aqueles escorregadores, ou me jogando na pista de qualquer jeito; qualquer hipótese era melhor do que ficar cozinhando (literalmente) dentro daquele avião. Resolvo ir ao banheiro. Lá fico escutando as aeromoças conversando: quer chegar no horário? Vai de ônibus! Aviação é assim. Não tá vendo jornal, não? Devia era deixar sair todo mundo no meio da pista! Povo afobado!”. Ela estava reclamando de um passageiro que ficou nervoso e queria descer. Saí e aproveitei pra pedir um pouco d’água. Ela começa a puxar assunto comigo. Eu disse que entendia o ponto de vista delas, mas que elas também tinham que entender que os passageiros estavam nervosos. Aí ela começa a dizer que elas estavam uma pilha, que muitos amigos tinham morrido naquele acidente da TAM e que Congonhas era um absurdo, devia ter sido fechada há muito tempo...em resumo: as aeromoças aproveitaram pra desabafar comigo – e eu vi que elas estavam realmente precisando. Por fim ela disse: “sabe o que precisava acontecer? Parar todo mundo da aviação. Piloto, comissário, controlador...”. Aí eu fui obrigada a concordar veementemente. A outra aeromoça, com os olhos meio úmidos, só repetia: “mas o povo é mole...”.

Conseguimos uma vaga, descemos, fomos levados de ônibus – EM PÉ - para um hotel no centro de SP, Holliday Inn (muito bom, por sinal, queria ter ficado só mais umas quatro horas lá). Deitamos às quatro da madrugada e às seis nos chamaram. Pra ir pro aeroporto. Pra sair sabe lá Deus que horas. Para chegar sabe lá Deus que horas. Pra torcer pra chegar. Minha apresentação no congresso era às duas da tarde. Acho que até conseguiria trocar com alguém, mas...não tinha mais condições. Cheguei no meu limite. Joguei a toalha. Me rendo.

Consegui ir pro terminal rodoviário do Tietê depois de tentar ligar pra lá por cerca de meia hora e só dar ocupado - tudo em SP é gigante, existem três ou quatro rodoviárias, tudo tem milhares de ramais, nada é simples, nada é perto, nada é vazio. Eita cidade estranha, sô! Por sorte eu estava a 15 minutos desse terminal e tinha um transporte gratuito do hotel pra lá. E de lá saíam ônibus pra maioria dos locais. Enfim, livre.


***


Depois, em casa, desfazendo minha mala eu olhei o artigo que eu NÃO apresentei, a roupa que eu tinha comprado e NÃO usei...e agradeci. Porque as pessoas do vôo JJ-3054 da TAM nunca mais vão usar roupa nenhuma. A moça que estava indo à SP experimentar o vestido de noiva não vai mais casar. O rapaz que estava com o estômago ruim e pediu pra mãe fazer uma sopa e saiu mais cedo do serviço nunca mais vai tomar sopa, nem nunca mais vai ficar com o estômago ruim na vida dele. A moça que ficou uma hora a mais na TAM express pra terminar o serviço atrasado nunca mais vai atrasar nada. As criancinhas que falaram com a mãe pelo telefone e disseram que queriam ver Harry Potter quando chegassem em casa nunca mais irão ao cinema. Alanis, garotinha de 2 anos que viajava com seus pais e seu cachorrinho de pelúcia chamado Bubu nunca mais vai abraçar Bubu. Nunca mais. Com o corvo agourento de Poe dentro da minha cabeça eu só consigo ouvir esse tique taque: nevermore. Gruuuuu! E eu sei que eles não serão os últimos.

E aí eu penso na situação de desamparo a que a gente chegou. Ah, mas o povo agora come arroz e feijão. Sim, agora o povo apenas posterga sua morte; ao invés de fome, morre de bala perdida; na fila do hospital; dizimado nas cadeias (onde só existe pobre e preto); confundido com marginal; vítima da violência... Mas eu sei que há os que dirão que eu não sei o que é passar fome e que isso é uma típica reclamação pequeno-burguesa. E que a gente melhorou muito comparado a...ditadura? Governo Sarney? Fala sério. E que quem anda de avião é classe média, como disse uma de nossas otoridade. 1) Aviões baratearam bastante, não sei se é só classe média que viaja e 2) Classe média pode morrer, né? Classe média não é povo?

Eu sei que em momentos de crise é comum a gente perder a noção e sair acusando qualquer pessoa, querendo achar culpados para as fatalidades que às vezes não se explicam. Mas não é esse o nosso caso. Nesse caso há culpados. Há responsáveis. Ainda que seja falha da TAM (todos os especialistas entrevistados pelo Globo dizem que essa falha por si só não teria causado o acidente. Ah, mas eles foram entrevistados pela Globo, né? Que faz parte da Grande Conspiração para derrubar o Único Presidente na História Desse País a Fazer Alguma Coisa de Verdade e que ameaça as elites*), quem é que regula as normas de aviação? Não são os órgãos federais? Se a falha for na pista de Congonhas, porque liberaram a pista antes dos tais grooving ou ranhuras terem sido feitos? Como disseram vários especialistas, um acidente dessas proporções não tem um único culpado. É um conjunto de fatores. Mas que, quase todos são de responsabilidade do governo.

Há quem diga que existem países em condições piores que o nosso. Claro que existem. Guiné-Bissau, Gana, Serra Leoa e mais meia dúzia de países africanos estão bem piores, além de um ou outro hermano sul-americano. Tem lugar me que as pessoas negociam água potável. Mas a questão é: eu achava que a gente era bem melhor que esse povo. Até quando vamos nos contentar com migalhas? Com melhoras que podem não ser as que esperávamos, mas ainda assim são melhoras?

Houve um tempo em que se podia dizer que a saída para o Brasil era o aeroporto. Hoje nem isso. Houve um tempo em que se dizia “o último a sair apague a luz”. Já estamos no escuro. Nada, ninguém ou coisa alguma pode nos salvar. Como disse a aeromoça do meu vôo: "vai morrer muita gente ainda até que se faça alguma coisa". Ela ainda é uma otimista. Eu não trabalho com a hipótese de solução. Eu não acho que alguma coisa vá ser feita. Ou possa ser feita.

Só nos resta darmos as mãos. Isso ainda alivia. Saber que só podemos chorar nossos mortos. Ainda que eles retornem em sacolinhas plásticas.

Vendo as reações de dor dos parentes dos passageiros eu me lembro de uma frase de Nelson Rodrigues: o verdadeiro grito soa falso. É quase animalesco, quase como se fosse uma encenação grotesca de um ator canastrão. Mas não é, não. É a dor em estado tão bruto que não a reconhecemos quando a vemos. É um grito que deforma.


* Ironia, caso não tenha dado pra notar.

4 comentários:

Anônimo disse...

Brasil é um país patético. As pessoas votam em artistas para o cargo de deputados como se fosse engraçado, afinal já que ninguém faz nada pelo menos vamos nos divertir, certo? Não. Eu trabalhei nas eleições de 2006. O que eu vi? Pessoas chegavam sem saber em que candidato votar. Escolhiam qualquer número porque era o mais bonitinho. Não são pessoas humildes ou algo do tipo, é classe média/alta. E não foram poucas. Agora vocês choram? Me poupe. Cada povo merece o governante que tem. Se você não sabe em quem votou, como pode cobrar alguma coisa?

Quanto a esse acidente, é mais um caso de negligência e incapacidade de nossos governantes, de nós mesmos. Achei o povo muito calmo, afinal somos cordeiros. Deviam é ter invadido Congonhas e quebrado tudo, ter feito muito barulho. Somos barulhentos com o futebol, com carnaval e com outras coisas inúteis. Por que não somos barulhentos com nossos direitos? Acham que o Cristo vai sair do alto do Corcovado, caminhar até Brasília e livrá-la do mal? Estamos em um ponto crítico, tudo anda mal nesse país. É segurança, educação, saúde. Nada presta.

E ainda tem gente criticando as vais do Maracanã...

Nana disse...

Oi, Carrie, que bom que você está bem, isso é o que importa!

Bom, eu nunca fui a favor do Lula, sempre tive a impressão de que ia ser um desastre mesmo. Mas eu acho que o povo votou em qualquer um porque não havia opção mesmo. Até hoje não há.Chegamos num ponto em que é tudo a mesma m*. Então não acho justo ouvir que agora temos que agüentar!

Mas concordo que o povo, por inúmeras razões, culturais, geográficas, preguiça mesmo, não luta por seus direitos, vai se deixando levar como um rebanho a caminho do abatedouro. Está f* isso. Eu sozinho não consigo fazer nada, então tento garantir o meu lado - esse é o pensamento corrente.

Parece uma roleta russa. Vivemos pela sorte, por Deus, pelas probabilidades. Até quando?

No Brasil, e não só nas aeronaves, o piloto sumiu faz tempo...

Abraços!

drika disse...

achei vc bastante calma. eu teria entrado em pânico!

eu queria poder enfiar na cabeça das pessoas que é necessário lutar, mas ñ uma luta armada, e sim uma luta de idéias. compreender o que acontece a sua volta, votar consciente.
é triste ver tantas pessoas se mobilizando pra comprar ingressos pras competiçoes no pan (embora eu adore esportes e ache que é um caminho pra melhoria) mas não se mobilizam pra brigar por soluções.
o país pára por causa de futebol, e é incapaz de parar pra conseguir algo em seu benefício.
campanhas milionárias pra votar no cristo pra maravilha do mundo e a campanha pra controlar a dengue, coisa básica, passou discretíssima.
eu tenho orgulho de ser brasileira, uma terra linda, pessoas calorosas, mas infelizmente não consigo ter orgulho do brasil.

Milema Medeiros disse...

O Brasil cada dia mais está caminhando para o fim. Já não sei mais se vale a pena construir uma vida aqui. Concordo com a pessoa acima sobre o fato de gastar bilhoes para trazer o Pan para o Brasil. É verdade que gera renda para o País e que é uma honra poder sediar campeonatos esportivos desse porte, mas o Brasil tem coisas muito mais urgentes e que precisam muito dessa grana. Se o Brasil fosse um país com governantes honestos, em que o dinheiro pago pelo povo fosse realmente destinado ao bem do povo, eu seria a primeira a apoiar um gasto desses. Mas, apesar de não aparecer na TV, ainda tem mta gente passando fome e vivendo na miséria, tem muita criança se prostituindo, o SUS é um caos, a educação é de fachada. Paga o pai para mandar o filho para escola. O Pai nao trabalha e a renda dele é a escola do filho. Os professores além de receberm muito mal, agora são agredidos fisicamente pelos alunos e nada podem fazer( na minha época, professores puxavam a orelha e colocavam a gente de castigo. Hj nao se pode mais alterar a voz com um aluno que os pais reclamam, a Vara da Infância e Juventude pune).Os boyzinhos de classe média alta, acham que podem tudo e saem espacando pessoas nas madrugadas, sejam elas prostititas,índios ou pobres que precisam passar a noite na fila para conseguir consutar pelo SUS. Os políticos roubam descaradamente e podem se reeleger com 10 processos nas costas. Um ministro fala que nao há caos aéreo, que é o país que está crescendo. A ministra, manda a população que necessita do avião para trabalho "relaxar e gozar" frente ao caos aéreo. Outro ministro alega que o salário dele é só R$6000,00 então ele nao tem obrigação de trabalhar direito? E o Presidente, que nao ve nada, nao ouve nada, nao sabe de nada e só fala merda.
Pq ainda o povo está tao inerte? Cadê os universitários que pintavam as caras e iam paras as ruas, cadê os diretórios acadêmicos que sempre lutaram por um país melhor, onde estão as centrais sindicais? Todas ao lado do presidente que arrumou um "cargo" para eles ficarem quietos? Nao consigo entender pq a popularidade do presidente é tão alta se ele é vaiado 2 vezes por um maracanã lotado?
Qtos aviões precisam cair? Qtas pessoas precisam morrer em acidentes de trânsito, devido às más condições das estradas? Até qdo os acessores do presidente vão comemorar o fato de 200 pessoas terem morrido e a culpa não ser do governo e continuarem com seus empregos? Quantos coitados ainda vão morrer nas filas dos hospitais por falta de médico, de vagas, de material? Qtas crianças vão nascer nas escadas das maternidades porque os elevadores nao funcionam e nao tem médicos para atender? Qtas pessoas vão morrer de cancer porque nao conseguiram fazer a prevenção e nao tiveram condições de tratar a tempo? Qtos inocentes serão metralhados no meio das guerras entre policiais e bandidos?
Acho que já passou da hora de tomarmos providências. Nós os colocamos, nós temos que tirá-los. Nao sei como, pq nunca levantei bandeiras, mas já estou cansada de só ver tragédia nos jornais. Este país me envergonha!