segunda-feira, novembro 27, 2006

Somos todos boas pessoas



A respeito da discussão abaixo, por coincidência estava eu, ontem, lendo um artigo do Gilberto Velho, professor de antropologia do Museu Nacional da UFRJ, onde ele analisa casos de violência no Rio de Janeiro no final dos anos 60 e 90, e que veio bem a calhar *.

Ainda que a comparação pareça inicialmente esdrúxula para alguns, peço que tenham paciência e leiam até o final. Gilberto Velho inicia seu artigo citando uma conferência proferida pelo sociólogo americano Everett C. Hughes, na McGill University, em Montreal, em 1948. Nesta conferência, que mais tarde transformou-se no artigo célebre “Good People and Dirty Work”, o sociólogo analisa a conivência dos alemães com o nazismo. Nas palavras de Velho (todos os negritos são meus):


“Existia uma cumplicidade entre essas boas pessoas e aquelas que faziam o trabalho sujo de prender, torturar e matar judeus, comunistas, ciganos, inimigos políticos do regime em geral, homossexuais e qualquer tipo de pessoa que pudesse ser considerada perigosa ou inadequada. Os SS eram basicamente o corpo de especialistas do regime encarregados de despoluir a sociedade (...) Hughes não diz que as good people desejassem o extermínio dos judeus ou de qualquer outro grupo. Sabiam algo sobre os campos de concentração, mas de forma fragmentada e incompleta (...) Em geral judeus, ciganos, comunistas etc eram encarados como estranhos, distantes e eventualmente perigosos. Como diz um dos entrevistados de Hughes, algo precisava ser feito” (p. 108).


Pulemos para a violência urbana carioca da década de 90. Gilberto Velho analisa algumas falas de parentes e amigos de vítimas da violência. A conclusão à que ele chega seria chocante se não estivéssemos no estado (e no Estado) em que estamos:


“As nossas pessoas boas, de um modo geral só são sacudidas quando ocorre uma tragédia dentro do seu limitado in-group. É fascinante em termos sociológicos e chocante em termos éticos ver pessoas se deslocando dentro de uma sociedade injusta e violenta, anestesiadas diante da miséria, sofrimento e violência que afligem permanentemente os out-groups, no caso a maioria esmagadora da população (...) Assim, nos aproximamos da Alemanha nazista com seus good peoples e dirty work, analisados por Hughes. As ações dos SS, do DOI-CODI, dos esquadrões da morte, dos corpos de segurança privados desempenham essa função de sanear a sociedade dos excessos dos subversivos, das minorias e dos pobres. A consciência das boas pessoas fica protegida porque não se envolvem diretamente com a poluição social. A maioria só se abala quando um parente ou uma pessoa muito próxima vai para o campo de concentração ou é seqüestrada, presa, torturada e/ou assassinada” (p. 110).


Continuando, na mesma página:


Vários [pessoas atingidas indiretamente pela tragédia] falam nos assaltantes e criminosos como inimigos que devem ser eliminados, custe o que custar. A maioria é favorável à pena de morte e regimes mais rigorosos no sistema penitenciário. Uma minoria estabelece a relação entre violência e os problemas de pobreza e distribuição de renda”


(Só um adendo: Gilberto Velho não é comunista, nem socialista e dá aulas em um dos programas de pós-graduação mais elitizados do Brasil)

Isso não significa assumirmos uma posição de vitimizar o miserável e o criminoso e desculpar tudo. Ou, como crê o Lula, que onde tem escola não tem violência. Isso é simplista demais. Mas que há uma relação, isso há.

Mas beleza. Vou assumir o papel de advogada do diabo. Vamos partir do pressuposto que estamos em guerra civil e temos mais é que matar mesmo (afinal “Eles” também não “Nos” matam?), lei de Talião, piriri pororó. Eu me pergunto: adianta? Adiantou nos Estados norte-americanos onde existe a pena de morte? Diga aí, Joana! Os países com menor índice de criminalidade do mundo - a maioria países nórdicos, ou europeus - têm pena de morte? Têm? Me digam! Diga aí Alix! Não é isso o que a gente vem fazendo há décadas? Matar bandido? Esquadrão da morte é dos anos 70. Melhorou um pouquinho, um mínimo que seja? Lembro-me da frase do garoto do documentário "Falcão": se mata um de nois, nasce mais dois. E se matar dois nascem quatro. Numa progressão geométrica de ódio e sangue. Mas, por hora, sacia nosso desejo pessoal de vingança, né? E afinal, somos pessoas boas. Alguém tem que fazer o trabalho sujo.

Ah e se matassem, seqüestrassem, estuprassem, esquartejassem etc etc um filho(a) seu(sua)? - questão sempre levantada pelos defensores da pena de morte e do "bandido bom é bandido morto". Provavelmente eu quase morreria de dor, ia querer matar, esfolar, torturar. Talvez contratasse um matador profissional. Talvez me matasse. Não dá pra saber a menos que você passe por isso (tanta coisa na vida eu já disse que não faria e fiz...). Cada um terá uma atitude. O que eu não posso é dar ao Estado o direito de matar. Porque amanhã pode ser eu, que avancei um sinal de trânsito sem querer (ou porque tá de madrugada e eu não quero ser assaltada), não escutei o apito do guarda e levei um tiro, supostamente porque resisti à prisão. Amanhã pode ser você a tomar uma dura no ônibus e, por ser o único negro, vai ser o único a tomar porrada - afinal, se quase todos os negros são pobres, se quase todos os ladrões são negros (estatisticamente é), e se ladrão tem que apanhar, logo você que é negro deve ser ladrão e merece porrada! Amanhã pode ser o seu filho que – num ato ilícito, é verdade – é pego fumando maconha e entra na porrada. E depois que a violência se institucionaliza, aí meu amigo...são décadas até mudar isso. Haja vista que ainda estamos pagando nossas dívidas de vinte anos de governo militar com uma polícia ineficaz, corrupta e violenta. Eu morro de medo de policial, mesmo não tendo feito nada contra a lei. Gelo ao passar por blitz. E olha que eu sou mulher, tenho cabelo liso, sou branca e bonitinha, então supostamente eles teriam mais benevolência comigo. Mas sempre acho que eles vão começar a atirar num bandido e um tiro pode pegar em mim.

Por isso não podemos dar medalha pra senhora que reagiu ao assalto – uma senhora que faz uso de uma infinidade de medicamentos; que tinha porte ilegal de arma; num episódio extremamente nebuloso, em que em nenhum momento o bandido foi ouvido. Nem armado o sujeito tava! Diz a senhora que ele estava com um porrete. O cara dorme na rua! Alou! Eu não sei quanto a vocês, mas se eu dormisse na rua eu também teria um porrete ao meu lado!! Pode ser realmente que ele tenha tentado assaltá-la. Mas tentativa de assalto ainda é menos grave que tentativa de homicídio com arma ilegal, ou eu tô louca? (sim, porque sempre trabalho com essa possibilidade, vai ver eu enlouqueci e tô entendendo tudo errado). Tudo bem, aí entra o argumento da legítima defesa, entram os advogados... Pra isso existe a Justiça. Não tô dizendo que ela deveria ser condenada. No máximo, processada e absolvida – nos meus parcos conhecimentos jurídicos. Mas medalha, não, gente! Medalha, não. Querem apostar quanto que essa mulher sai candidata a vereadora nas próximas eleições - com algum slogan surreal tipo “vovó do ferro” - e ainda será eleita?

Me desculpem, sei que muitos vão discordar, mas meus impostos são pra aumentar - e muito!! - o salário e a formação dos policiais, melhorar a justiça e as condições sociais da população. Acho que isso garante mais segurança do que tiro ao alvo no meio de Downtown. Quero que a polícia me proteja e isso NÃO significa fazer bang bang no meio da rua. Aí vira terra de Malboro. Então só me avisem – e pro resto da população - que a gente saiu do estado de direito e voltou ao estado natural, porque aí, maluco, ah..., aí eu compro até AR15 e aprendo técnicas ninja de defesa pessoal. Ou me mudo de vez pra Andrelândia. Só não podem mudar a regra do jogo com este em curso e avisar só pra uns poucos. Tem que combinar com o adversário, como diria Garrincha. Senão é barbárie. É holocausto. E aí o que vamos responder quando nossos netos perguntarem: “Vovó, onde a senhora estava quando jogaram uma bomba no Complexo do Alemão? Eu tenho um amiguinho que é neto de um morador de lá e ele diz que o avô dele era motorista de ônibus, honesto e não tinha nada a ver com a guerra”?



* “O grupo e seus limites”. In: VELHO, Gilberto. Projeto e metamorfose. Antropologia das sociedades complexas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999.

25 comentários:

Carrie, a Estranha disse...

E tem mais:

(Bizarro! A pessoa escreve um texto gigante e é a primeira a comentar o seu próprio texto!)

Quem vcs acham q morreria na pena de morte? Quem? O Seu Zé, q é preto, pobre e favelado e matou o traficante q estuprou a filha dele. O traficante, este sairia ileso de qualquer acusação, pois teria um contado q o livraria rapidinho. Ou alguém tem algum rasgo de dúvida? (rasgo de dúvida foi bom, hein? Vou anotar)

Carrie, a Estranha disse...

"Contato", quis dizer.

Celso disse...

Carrie,

Belíssimo discurso acadêmico. E não é deboche, um discurso iluminado, que nos leva a pensar a realidade com os seus olhos de pesquisadora.

Mas continuo discordando do que você escreveu. E não abro mão de minhas posições, pois, como homem do povo, não sou como vocês acadêmicos que são distanciados da realidade. Uma coisa eu te garanto: se houver um dia um plebiscito sobre a pena de morte, pode ter certeza de que passa.

Claro que não resolve a questão da violência, e neste ponto eu concordo contigo, mas é ao menos uma satisfação à família da vítima ou a própria vítima (desde que sobrevivente) destes algozes. A criminalidade provém da má índole, e não das questões sociais, pois, do contrário, todos os pobres seriam criminosos e nõa haveria estes na classe média.

Quanto ao fato de que somente os criminosos pobres iriam ser condenados, e os de classe média e ricos seriam soltos, concordo: este é um problema crônico deste país, lamentavelmente. Mas, se ao menos começássemos a promover um ENDURECIMENTO das leis penais (e isso é um clamor popular) eu já ficaria feliz, e mesmo que dentro deste endurecimento já venha alguma pena de morte para estes homicidas, eu ficaria mais feliz ainda, e, se pelo menos no início só bandidinhos fossem condenados à perda do direito à vida, eu persistiria feliz, pois isto seria um início.

Celso disse...

Eu, novamente, pra ser franco, de muitos textos bons de sua autoria, neste eu acho até que você brilhou. Merecia uma publicação em artigo de jornal, por que não envia? :)

Anônimo disse...

For, concordo com o Celso, em relação a beleza do texto.
E concordo com as suas idéias, vc sabe disso...
Beijos,
B

Carrie, a Estranha disse...

Celso,

Tudo bem, essa é sua opinião. Só queria q vc pensasse em algumas coisas.

O q é ser um homem do povo? É trabalhar? Eu trabalho. Vc pode considerar um trabalho acadêmico algo menor, mas eu trablalho, inclusive sábado, domingo e feriado. Por acaso, no momento, não estou dando aulas, pq o doutorado me impede de ter laços empregatícios. Mas assim q terminar espero fazer um bom cuncurso pra uma universidade pública e poder retribuir à sociedade os anos de bolsa q eu recebi.

Eu:

Não tenho carro.
Ando de ônibus.
Não tenho casa própria.

Ganho mais de uma salário mínimo? Ganho. Mas acredito q vc tb - e isso não desmerece ninguém.

Já fui assaltada várias vezes. Já tive amigos assaltados. Já tive conhecidos mortos - graças a Deus, e por pura sorte, nunca tive um amigo próximo assassinado ou morto.

Tenho q mudar meus hábitos em função da violência, pois não tenho nem segurança particular, nem carro blindado.

Q eu saiba a gente mora no mesmo bairro.

Posso pagar um plano de saúde, beleza. Acredito q vc tb. Então eu gostaria de saber, sinceramente, o q o qualifica a ser um "homem do povo" e eu não. Porque um acadêmico - q é servidor público, q ganha mal - não pode ser um homem do povo? Me diga Celso, o que vc classifica como "ser um homem do povo". Se não for acordar cedo, pegar ônibus e "comer o pão com o suor do seus rosto" - que é o q todos os acadêmicos fazem, então eu não sei o que é.

Agora, claro q, como em qualquer profissão, existem os profiossionais ruins. Mas o fato de ser "acadêmico" não nos transforma em vagabundos.

Me desculpe se interpretei de forma errada, mas só posso acreditar que ele seja fruto de um pré-julgamento de alguém q não conhece o q é ser acadêmco e muito menos POVO.

Dê disse...

Ótimo texto!
Concordo em gênero e em tudo mais.

osvjor disse...

puxa vida, comparar os nazis com o pessoal do DOI-Codi e os seguranças particulares é um disparate paquidérmico... que bom que eu não sou mais obrigado a ler Gilberto Velho... e a sociedade brasileira, infelizmente talvez, não é vítima de ditadura nenhuma, mas, em boa parte, justamente do pessoal que estava do outro lado e que tem nos governado desde a redemocratização, usando esse mesmo discurso do Gilberto Velho, que só tem um efeito prático: penalizar a vítima e ser complacente com o crime... a gente está tão cercado desse tipo de ideologia que acaba achando que ou se pensa assim ou então somos todos nazistas, carniceiros, o cara do Silêncio dos Inocentes e quejandos... o Velho não chega a nenhuma conclusão brilhante, apenas repete clichês que eu ouço e leio, e nos quais já acreditei, há mais de 20 anos...

Celso disse...

Carrie, vamos lá sobre a polêmica "acadêmicos versus homem do povo". Em primeiro lugar, claro qeu eu respeito os acadêmicos enquanto trabalhadores intelectuais e sei muito bem o que é ficar em casa enfiado estudando, estudando, pesquisando, ralando cotovelos e joelhos para um trabalho intelectual, que é tão trabalhoso quanto qualquer trabalho braçal, além de muito estresse com prazos para cumprir. Neste ponto, eu não quis mesmo desmerecê-la.
No entanto, e aí vai o cerne da questão: os acadêmicos possuem o vicio de academia, que é justamente o distanciamente da realidade que o que eu chamei de "homem do povo", que não está na academia e por isso vivencia a vida real, a parte os conceitos filosóficos de existência que são a premissa do pensamento acadêmico, que, por isso mesmo, não está no pensamento do dia-a-dia, do homem comum (que eu chamei do povo). Se você sair questionando por aí, nas ruas, o que as pessoas pensam sobre a violência urbana e colocar no seu questionário "ibope" o quesito pena de morte, quanto você quer apostar comigo de que passa? Um exemplo disso pode ser encontrado recentemente com o Referendo do Desarmamento do ano passado, lembra?
Um grupo de intelectuais e pesquisadores se reuniu no ISER, Viva-Rio e outros órgãos e elaboraram um puta documento, lindo, brilhante, com os aspectos técnicos, sociológicos e psicológicos da violência, e, como a solução disso tudo (todo trabalho intelectual tem que ter uma solução real, se não vira falácia) foi que as pessoas deveriam ser desarmadas. Excelente! Só esqueceram de subir os morros para convencer a bandidagem a abrir mão de seus fuzis, como também ir aos quartéis da Polícia e Delegacias para convencer aos policiais (alguns, é claro) a não vender armas para os bandidos.
E qual foi o resultado disso tudo? Em eleições democráticas, nas urnas, o povo disse NÃO ao Desarmamento, a despeito dos belos argumentos UTÓPICOS utilizados pelos defensores da campanha do SIM. Esta é a questão.
Com todo o respeito ao seu trabalho e as suas belas intenções de devolver à sociedade o que em você foi investido (eu também sou assim, só penso em devolver o que em mim foi investido), você é uma intelectual acadêmica, e por isso te sinto distanciada da realidade, muito embora autora de belíssimos textos.
Como homem do povo, eu prefiro soluções práticas, objetivas, sem firulas conceituais e citações autorísticas. Prefiro a objetividade das leis sendo cumpridas, e isso é o que falta neste país, o cumprimento severo das leis, e nisso incluo a nossa classe política, de todos os partidos, muito embora eu saiba que os políticos vêm da sociedade brasileira, e não de marte.
Será que te esclareci o que penso sobre ser um homem do povo e um homem ou mulher acadêmicos?
Abs.

Celso disse...

Osvjor, eu também acreditei um dia (longínguo, diga-se de passagem) nos clichês que a Carrie defende.
Abs.

Cris disse...

olá, carrie. vim parar aqui nem sei como. (isso é relevante?) fui lendo, lendo, li quase tudo, fui até ao blog antigo. caraleo. concordo com tudo isso que você escreveu sem tirar nem uma vírgula. isso devia ser impresso e distribuído aos montes por aí. porque esse mundo anda estranho demais. ou então sou eu que ando bebendo de menos. sei lá. é só uma questão de ponto de vista. se tiver vaga nmo seu puxadinho eu volto amanhã. ler isso aqui é um tempo muitíssimo bem empregado. bjs

Carrie, a Estranha disse...

Cris,

Sempre há vagas para pessoas estranhas ou pouco bêbadas - ou muito bêbadas. Volte sempre. Nossa, fiquei pensando nos meus textos impressos e vagando por aí...eu e meu amigo Pink adoraríamos! hahahahaha...

Bjs

Celso disse...

Esqueci uma coisa: eu não poderia mesmo desmerecer o trabalho dos intelectuais, pois sei o quanto estes são importantes para a organização da cultura. ;)

Cris disse...

niterói = UFF? jizuis!!!!! esse mundo é um ovo mesmo...

Cris disse...

já pensou, alunos do ensino médio, texto básico: carrie I e carrie II. meu filho é aluno do marcelo freixo (conhece, da justiça global?). ele ia adorar ler isso que você escreveu. acho que vou ser a primeira pessoa a imprimir...

Carrie, a Estranha disse...

Hahaha...

Não sei quem é Marcelo Freixo. Desculpe a "ingnorança"! Rsrsrs

Bjs

Ila Fox disse...

Acho que cada caso é um caso...

Meu pai é agente penitenciário e vê de criminoso de tudo quanto é tipo.

Tem aqueles que cometem crimes no calor da emoção, tem os que fazem tudo premeditado, tem os que são induzidos, tem os que matam e diz que se pudessem matavam mais mil.

E acho que são estes (que assumem e não tão nem aí pra pipoca) que não tem mais salvação, são nitidamente pessoas doentes, psicologicamente lesadas e sem chances de levar uma vida normal é que deveriam morrer, pois vão colocar em risco a integridade das pessoas ao redor (até de outros presos).

Por exemplo, você já viu algum Serial Killer se tornar palestrante? pois é... é deste tipo de gente que eu falo.

Com certeza só Deus pode tirar a vida de alguém, mas se justamente este alguém já tirou a vida de tantas outras inocentes acho que Deus até apoiaria a idéia, :-P.

O problema é que "vaso ruim não quebra" e um cara desses é difícil ter uma morte natural...

Ila Fox disse...

Qué isso celso, para ser "gente do povo" teria que ser necessariamente pobre é?

O problema do Brasil é que parece só existir: Pobres e Ricos. Esquecem que existe classe média, que por sinal eu acho que é uma das classes mais injustiçadas, pois além de não termos os benefícios das "bolsas" que os pobres tem, pagamos os impostos como se fossemos ricos e feitos da vida.

Esse país me revolta.

Carrie, a Estranha disse...

Ila,

Foi bom vc ter falado no seu pai, pq as pessoas lembram dos policiais, dos bandidos, mas ninguém fala do pobre do agente penitenciário, q é o primeiro a se fuder numa rebelião. Eles tb deveriam ser valorizados e se deveria investir em termos de salário e qualificação.

Sobre os tais bandidos irrecuperáveis, só tenho medo de uma coisa: quem pode dizer quem é irrecuperável e quem não é? E quem é serial killer será q não deveria estar num manicômio? Sei lá, me parece q serial killers são a exceção entre a massa de criminosos brasileira.

Claro q a pobreza não está ligada diretamente à criminalidade. Se fosse assim a Índia ou alguns países da África seriam os países mais violentos do mundo e não é o q acontece. Mas q há uma relação entre criminalidade e DESIGUALDADE SOCIAL (q inclui várias coisas, dentre elas a pobreza) isso é inegável. É só pegar os índices de criminalidade em regiões extremamente desiguais e comparar a outras regiões. O problema do crime é extremamente complexo e exige uma série de esforços em várias áreas. Por isso eu acho q com o sistema judiciário q a gente tem, com a polícia, com o sistema penal, e principalmente com os políticos q a gente tem, seria difícil. Acho q ao invés de criarmos novas leis deveríamos nos contentar em fazer as q existem funcionar. Sou totalmente à favor da punição máxima pra bandidos. Não acho q bandido é coitadinho, vítima, etc. Mas se matar adiantasse, seríamos a Suiça.

Bjs e um abraço para o seu pai, q faz um trabalho tão importante pra sociedade e tão desvalorizado - como muitos, aliás, inclusive o meu.

Cris disse...

então, marcelo freixo é historiador, pesquisador de uma organização internacional chamda "justiça global" que trabalha com questões de direitos humanos. pra quem se interessa pelo assunto eles têm site: http://www.global.org.br/

bj

Celso disse...

Ila, onde foi que eu escrevi que para ser do povo tem que ser pobre? Onde foi que eu escrevi que intelectual é rico? Voltei ao que eu escrevi e não entendi isso. Acho que você interpretou mal.
Abs.

Carrie, a Estranha disse...

Cris,

Legal. Vou dar uma olhada qdo tiver tempo.

Bjs

aliki disse...

Carrie, infelizmente a Suiça só esta geograficamente inserida no contexto europeu, e acredito que se aqui não chegaram ao extremo de exterminações sociais, étnicas e outras, é pq ainda praticam aquela mesma "neutralidade" que deixava passar trens carregadinhos de judeus, ciganos, comunistas e outros "tarados" da França ou da Italia para a Alemanha nazista, contanto que fossem totalmente fechados,que o conteudo fosse ocultado! Eles nao precisam de pena de morte, nao é por opção e consciencia politica, e sim pq pôe pra fora da pequena fronteira qq e td individuo/grupo indesejado. Não existe a noção de "diferença". "L'enfer c'est les autres" , xiiiiii , Carrie, o comentario vai assim incompleto, mas ADOREI o seu post!

Carrie, a Estranha disse...

Aliki,

Sim, não era isso q eu dizia, mas vc acabou por completar meu raciocínio!
Valeu!

Bjs

Celso disse...

Carrie,

Relendo o seu belo texto, devo dizer: adorei o "Vovó do Ferro". risos