sábado, março 05, 2011

Livros de auto ajuda*


Algumas pessoas creem em deuses, anjos e santos. Outras, na Ciência. Há os que vêem duendes e/ou pessoas mortas. Eu acredito em livros. Livros e filmes. Acredito no poder curativo que eles têm e nas suas propriedades medicinais - não digo que não acredito em outras coisas, mas talvez acredite de outro modo. Crenças não são o assunto deste post. Acredito que eles são amigos, companhias preciosas. Tenho a minha lista de livros de auto-ajuda. Não, claro que auto ajuda aqui tem outro sentido, não o que habitualmente as pessoas consideram auto ajuda - nada contra, só não estou falando deste gênero. Os livros de auto ajuda a que me refiro são livros que me ajudam em momentos difíceis. Já devo ter falado alguma coisa a respeito aqui. Talvez já tenha publicado este mesmíssimo post em priscas eras, mas que seja. Se nem eu me lembro, que dirá o dileto leitor.

(Parênteses: é, eu sei, eu deveria fazer algum dos itens da minha lista aqui embaixo, mas faz parte das listas burlá-las. O dia está assaz convidativo para este tipo de reflexão).

Saliento que, embora tratem-se de livros que eu gosto muito, não necessariamente são os meus livros prediletos do ponto vista literário. São livros que me salvam em horas difíceis. Por isso livros de auto ajuda. São livros salva vidas. Livros que eu leio e releio num looping ad infinitum. Fazem parte de uma estranha e peculiar pilha cuja classificação só eu entendo. Livros quando a coisa aperta.

1) E o primeiro livro da minha lista é Walden ou A vida nos bosques, de Henry David Thoreau. Gosto muitíssimo deste livro, apesar de nunca tê-lo lido completamente. Sempre pulo algumas partes e sempre me detenho em outras. Mas essas em que me detenho já o fiz repetidas vezes. A ideia de largar tudo e ir para os bosques simplesmente viver me fascina sobremaneira. Viver as coisas em sua plenitude. É muito difícil para a maioria das pessoas entender isso, pois parece que o cara cansou da correria da cidade grande (século XIX!) e quis dar um tempo no bosque. Mas é muito mais do que isso. É sobre ser feliz com o mínimo possível. É dar um mergulho na essência da vida da forma mais trivial (e difícil) possível: vivendo. Eu o considero quase um livro budista.

Esses dias conversava com minha prima Carla sobre livros com os quais morreríamos abraçadas. Sem dúvida minha escolha seria Walden. Se eu só pudesse levar um livro para uma ilha deserta, se eu fosse para o BBB, se eu fosse presa, se me fosse dado a escolha de morrer abraçada a um livro, seria este. E meus dizeres na minha lápide seriam:

Me entrego à terra pra crescer da relva que amo
Se me quiser de novo me procure sob a sola de suas botas.

Vai ser difícil você saber quem sou ou o que estou querendo dizer,
Mas mesmo assim vou dar saúde,
Vou filtrar e dar fibra a seu sangue.

Não me cruzando na primeira não desista,
Não me vendo num lugar, procure outro,
Em algum lugar eu paro e espero você

(Folhas de relva, de Walt Whitman)

O que me leva a meu segundo livro. Mas, aguardem. Daqui a pouco continuo esta lista em outro post.

* (sem hífen?)

5 comentários:

ila fox disse...

Lindo estes dizeres.

Lembrei que São Francisco de Assis tbm largou tudo para viver com o mínimo possível.

Fiquei curiosa para ler este livro, numa oportunidade vou ver se compro.

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

Depois de Ferando Pessoa, Walt Whitman é meu poeta preferido.


Desconheço esse livro, mas vou me informar. É como voce disse, na hora do aperto todos precisam de uma tábua.
:)

Miss Jones disse...

Carrie,
Nem nos conhecemos, mas seus textos são, muitas vezes, meus salva-vidas. Muito obrigada! :)

Carrie, a Estranha disse...

Miss Jones,

Q lindo. Q coisa boa ouvir isso. Ainda bem que servem pra alguém.

Ana,

É mto bonito. Esse livro é tido como uma das influências do movimento hippie e tb o movimento pacifista de Gandhi - junto a várias outras coisas, claro.

Ila,

É, eu tb penso isso. Mas neste caso eu tô encucada c/ esta Carrie, este Universo.

Luciana disse...

Oi Carrie, que coincidência, hoje mesmo peguei meu Walden pra ler (já tentei antes e me cansei um pouco do estilo proselitista, mas vou tentar de novo)e vem você me lembrar do porque devo insistir com ele...