quarta-feira, janeiro 27, 2010

Segundo e último dia em Bue


A linha do horizonte rosa indica o por do sol em breve. Deixamos Buenos Aires há umas duas horas e navegamos ainda nas águas marrons do Rio Plata. Como diria Rimão do Meio deixando Andrelândia chorando quando era pequeno: “um dia eu venho pra nunca mais voltar”. Ainda mais que de avião é pertinho. Posso ir pro Brasil todo feriado.

Ontem o jantar foi ótimo, mas fomos dormir três da manhã. Resultado: hoje acordamos quase dez horas. Pegamos um táxi pra Rocoleta. Taxista hilário, velhinho, dando várias dicas, lá pelas tantas: “...um pello...posso tirar ou te molesta?”. Não, molesta, não. Tava o cara tirando cabelo do meu rosto, na maior intimidade.

Paramos lá, demos uma rolezinho, compramos mais umas coisas numa farmácia, bati papo com um mendigo que puxou assunto comigo depois de eu ter negado uma esmola, (o cara é chileno, ficou falando que não tem muito conhecimento pelo Brasil, mas que viu uma exposição plástica sobre Mitos e lendas e índios que fazem experiências xamânicas e o resto eu não entendi muito bem) e mesmo assim ainda tínhamos pesos pra gastar. Isso já era tipo uma da tarde e a gente tinha que embarcar às quatro.

Pegamos um táxi e “saimo rasgano” (como dizem meus amigos de Andrelândia) Buenos Aires ao meio. Aliás, a melhor dica pra quem vai pra Buenos Aires é andar de táxi. Os caras são honestos, em geral, e a bandeirada é uma das mais baratas da América Latina, segundo a moça do traslado para o tango de ontem. Mandamos ele tocar pra San Telmo. Apesar de hoje não ser dia da tradicional feirinha (domingos), queríamos ver o local e a rua de antiquários. Como não ia dar tempo de descer e olhar as lojas, só passamos batido mesmo.

Nessas alturas já éramos amigas de infância do motorista – que era a cara do Dr House, apenas com os dentes mais podres, mas tão maluco quanto. O cara perguntou de tudo, até quantos anos a gente tinha e porque não éramos casadas. Foi mostrando os pontos turísticos, comentando sobre a presidenta (“quer levar ela pro Brasil? Leva!”).

Perguntei a ele sobre o metrô: “quando anda é ótimo”. Falei: “ah, mas isso é bom pros taxistas, né?” e ele “si, e ainda aproveito as moças”. Como não gostar de um povo assim? No final ele disse que ia ficar torcendo para arrumarmos “muchachos”.

Acho que virei uma vez ao ano em Bue retocar meu estoque de maquilage e cremes. Compensa muito.

Ai, ai. Tão herbertística esta frase! (Herberto = papai. Não que papai usasse maquiagem, mas ele era dado a arroubos como este e queria morar nos lugares, mas no dia seguinte esquecia).

Vou me arrumar pro jantar daqui a pouco. Depois continuo...

3 comentários:

Carmen disse...

Querida, é incrível, mas estou com saudades de vc, rsrs.É q vc consegue expressar tão bem que quase dá pra te imaginar falando,e dá vontade da gente sentar pra ouvir vc contar td isso ao vivo, rs. Aliás, q tal um choppinho básico conosco, leitores e súditos fiéis na volta????

Beijos e desejos de mt mais diversão por vir!

Bracho disse...

Querida carrie, vc não existe..ou melhor existe e é impagável!

Caraca! Se vc tivesse escrito o 1000 lugares pra conhecer antes de morrer...seria 1 milhão de vezes melhor....kkkkkkkkkkkkkkkk

Meu reino (ou meu rim, como diz uma amiga...rs) pelos seus relatos de viagem...

Bj!

Carrie, a Estranha disse...

Carmen,

Puxa, muito obrigada pelas palvras tão doces! Não mereço. Sim, claro q podemos marcar um chopp.

Bracho,

Puxa, muito obrigada pelas palvras tão doces! Não mereço [2].

Tenho, sim, os leitores mais fofinhos e docinhos.