quinta-feira, janeiro 07, 2010

Dalva e Herivelto

Atendendo a pedidos, falarei sobre Dalva e Herivelto. Na verdade não posso falar muita coisa, porque quase não estou vendo. O pouco que eu vi, gostei. Do ponto de vista técnico, é claro. Bem feito, com boas atuações. Achei meio bizarra a dublagem da Adriana Esteves, mas...fazer o quê. Quando eu vejo a novela do Manoel Carlos eu relevo tudo. O Fábio Assunção está muito bem. Parece que está cantando. Não sei sobre a reconstituição, porque não conheço muito este contexto – Maria Alice, nossa estrela da Rádio Nacional, pode falar mais sobre este aspecto porque ela viveu tudo isso (Maria Alice, você recebeu meu e-mail falando do cancelamento da viagem?).

Mas eu não consigo ver por um motivo simples: me deprime demais. Sério. Acho a história de duas pessoas completamente doentes. Isso pra mim não é amor. E me assusta pensar que isso ainda é aceito como uma história de amor intensa. Ainda trabalhamos com este referencial de amor, não é só naquela época. Realmente é um troço que me choca muito. Guento não.

6 comentários:

Lua disse...

Eu tenho assistido com a minha mãe essa série e só tem servido pra me deixar muito revoltada com eles dois...Cara, ele era um cafa total e ela uma louca varrida!
Mas o mais interessante é que apesar dele aprontar poucas e boas com ela, sem respeitá-la e tudo mais, ele que guardou um odio enorme dela até o tumulo( pelo menos é o que a série passa)...juro, queria entender essas coisas de homem, quando ele trai é normal, quando ela trai é inaceitavel! engraçado, né?!

Se o "se" não tivesse ficado só no "se" disse...

Ebaaaa, adoro suas analises de programas televisivos, brigadinha garota.

ila fox disse...

Acho que o referencial de amor mais interessante que já vi foi no Caminho da Indias, com aquele papo de "construir o amor", onde a mocinha vê o amor nascendo por um homem que a principio ela não amava.

Todas as novelas pregam muito aquele amor apaixonado, doentio... ai quando a paixão passa, as pessoas acham que o amor também acabou e entram em crise, buscando um outro relacionamento onde a paixão dure a vida inteira. E se frustram, óbvio.

Anônimo disse...

Querida... só ontem vi o seu recado. Estava envolvida com negócios (bons) familiares e com a castração da Lola. Fiquei muito chateada mas aguardo o mês de julho. Logo mais te mando um email falando sobre Dalva e Herivelto, tá?
Beijos
Maria Alice

Miss Jones disse...

Conheci seu blog há alguns dias e já me tornei leitora assídua; parabéns pelos ótimos textos!
Sou fã de Dalva de Oliveira há muitos anos e assisto cada minuto da série, da qual estou gostando muito – embora ache que está curta demais, tanto no número de capítulos quanto na duração deles, o que faz com que informações valiosas e personagens importantes passem “batidos”. Dalva e Herivelto tinham também uma vida pública, que foi determinante no traçado dos seus destinos – mas isso pouco se vê, já que a ênfase é nos desacertos pessoais.
Mas enfim. Tecnicamente, tudo pra mim soa perfeito. Adoro a reprodução dos jornais e objetos de época. Concordo que Adriana Esteves dublando Dalva parece estranho; acredito que esse problema não existiria se uma atriz menos conhecida fosse escalada para o papel, como foi o caso de Larissa Maciel em “Maysa” (que, ainda por cima, tem uma semelhança extraordinária com a cantora). Mas acho que isso não chega a prejudicar o andamento da série; tanto Adriana quanto Fabio estão ótimos em seus papéis (Claudia Netto também está maravilhosa como Linda Batista; até consigo ver certa semelhança).
Pelo que leio e vejo, entendo que Dalva se iludiu com o mundo que Herivelto lhe proporcionou, a vida boêmia, a sensibilidade de um ótimo compositor e –principalmente – com o fato de ele ter, supostamente, se apaixonado por alguém como ela, menina simples, que talvez nunca houvesse pensado em chegar a ser a “estrela do Brasil”. Se por parte dele foi amor ou interesse, é impossível afirmar. Mas, contextualizando a história (ou seja, pensando em termos de uma época na qual as mulheres eram criadas como “mulher de um homem só” e ainda acreditavam no “amor eterno” e o perseguiam), consigo entender o desequilíbrio emocional de Dalva, ao descobrir que o marido não era como ela sonhava, que sua vida pessoal (e profissional, já que a separação conjugal significava o fim do Trio de Ouro) havia desmoronado e ao ver-se sob a desconfiança cruel de que ele estivesse apenas interessado em garantir a voz principal do Trio com o casamento. E a guerra pública que se estabeleceu na sequência também não contribuiu para o bem estar emocional de ninguém (incluindo aí, imagino, a própria Lurdes, que se viu no meio do fogo cruzado).
Acho que foi uma história de amor muito complexa, que passou por todas as fases e transfigurou-se várias vezes, sob influência do meio/época em que eles viviam. A cultura informa a maneira de viver os sentimentos; por mais que eu me revolte, pensando em como ela deveria ter reagido à situação de traição e desrespeito, não consigo deixar de pensar que vários fatores, incluindo a própria ideia de negação da poligamia, machismo/feminismo e respeito, são questões culturais nossas, cuja relevância é acentuada ou minimizada com o tempo; vive-se a questão amorosa de acordo com os limites e possibilidades da época e, claro, com o objetivo de vida. Dalva queria um casamento estável, o modelo de felicidade da época (pra alguns, até hoje). E sofreu, como sofre quem não consegue atingir um objetivo na vida.
De todo modo, essas séries me deixam feliz. Também tenho a minha porção “estranha” e, segundo amigos, a parte mais marcante é a minha adoração por filmes que pouca gente vê, músicas que atualmente pouca gente ouve e ídolos dos quais pouca gente se lembra. É uma sensação boa deixar temporariamente a solidão dos meus livros e músicas e perceber que finalmente estou ouvindo “minhas” músicas, vendo “meus” artistas, acessando “meu” mundo imaginário na companhia invisível de todo um país (loucura, eu sei). Fora a minha satisfação diante da preservação e divulgação do trabalho de uma das cantoras mais extraordinárias que já tive o prazer de ouvir.

Docinho de abacaxi disse...

Eu tô gostando de conhecer o pessoal de quem minha avó falava tanto. Tá maneiro.