segunda-feira, julho 13, 2009

Terror em Versailles


A criadagem de Versailles se aposentou. Já fizemos criteriosa seleção de pessoal e uma nova leva de criados foi contratada, mas só começa em agosto. Enquanto isso, vamos nos virando com a incrível Senhora G – que nos acompanha desde antes da queda da Bastilha – que vem duas vezes por semana polir a prataria, sacudir os tapetes persas e bater papo com meu mordomo inglês Williams e minha governanta alemã Bertha – que, como são todos imaginários, não ajudam muito no serviço doméstico.

Eis que a Senhora G entra no meu quarto e, quando Alcides, o computador de mesa, está ligado, ela esbarra nele e desliga. Já falei milhares de vezes que eu prefiro que o quarto não fique muito limpo a ter meu computador desligado abruptamente ou meus papéis mexidos, mas é difícil convencê-la disso. Mesmo porque, entre a limpeza dela e nada eu fico com este último.

Hoje ela entrou no quarto de Formiga Irmã e fez a mesma coisa com o computador dela. Formiga Irmã entrou, viu e tornou a ligar (sem falar nada). Ela entrou e percebeu que havia desligado o computador sem querer:


- Ah, eu desliguei, né?

- É, mas não tem problema, não - retrucou FI.

- É, você é boazinha. A Carrie é que é brava. Quer dizer, ela também é boazinha. Mas é brava.


Isso. Gosto de manter a minha fama de má.

Minha sobrinha sonha com o Sítio do Pica Pau Amarelo e Formiga Irmã é a Narizinho enquanto eu sou a Cuca. Mas nem por isso ela gosta menos de mim. Na hora de defendê-la do sapo horrííííííível, espécie de divindade metafísica que povoa seu imaginário infantil, quem ela chama? A titia aqui. Na hora de conversar no Skype, quem ela chama? A titia. As brincadeiras mais legais, quem é que faz? A titia aqui. Quem faz as melhores caretas, que ela mais gosta? Acertaram, a titia aqui. Quem é que faz todas as vontades dela? Minha mãe, claro.

O tio que eu mais gostava quando era criança era meu tio Guido que me botava medo dizendo que minha mãe tinha ido embora e contava histórias de assombração e ia pro meio da horta da casa das tias, de noite, com uma meia fina na cara pra assustar as crianças.


Eu não sou ruim. É que criados e crianças precisam de limites.

(Lembrei de uma comunidade que eu vi no orkut: "A polícia não bate, educa". HAHAHAHAHAHA...que coisa horrorosa, meu Deus...)

2 comentários:

ila fox disse...

Me lembro de duas tias da infância, uma eu apelidei carinhosamente de "titia cabelo de miojo" e a outra de "titia ruinzinha".

Stella disse...

Hahahaha... é, tem que ser um pouco má mesmo. ahuhaua...
Me lembrou a Karen do seriado Will & Grace, essa frase "Eu não sou ruim. É que criados e crianças precisam de limites."

Mas eu também fico louca quando a empregada mexe nas minhas coisas... sério. Surto mesmo. rs

Beijos!