terça-feira, março 03, 2009

Belo começo do Júlio - parte VIII

Contribuição do meu Cósnis...o talento é de família. (A modéstia, é só minha messs!)



"Turvo, crescente de julho...

Tal qual um forasteiro, chegava ao lugar de onde nunca deveria ter saído – assim pensava. Demoradamente pousou os olhos no recém inaugurado relógio mecânico colocado na torre da igreja – como havia ficado bonita a igreja matriz com uma torre central. Vinte e três horas. Pensou em procurar padre Carlos, mas já pelo adiantado da hora, desistiu; também aquele não era o momento e nem mesmo o padre Carlos mereceria comungar das aflições que o traziam de volta, sete longos anos depois da tragédia...

Muito frio, silêncio aterrador. Onde passar aquela primeira noite que já pronunciava ser longa? Depois de tanto tempo longe, aquele primeiro contato com sua terra natal era ao mesmo tempo, acalentador e turbulento, familiar e tão estranho. Como estavam diferentes as ruas, mais largas e iluminadas pela luz elétrica, que maravilha! Surpreendeu-se com o grande progresso para tão pequena cidade e emocionou-se ao lembrar da infância, quando tudo era escuridão e somente um parco serviço de luminação a querosene funcionava e, quando muito, até às vinte e uma horas.

Tempos idos, escura poesia infantil! Primeira noite: passou-a quase toda caminhando pelas ruas – amareladas, empoeiradas e, agora, iluminadas! Quanta saudade deste lugar havia sentido desde que partira, um dia, sozinho, pensando em não mais voltar. Se ao menos soubesse que quem ama sempre volta, quem verdadeiramente ama...O amor e a saudade são como elásticos que prendem-nos ao torrão natal, quanto mais longe vamos, maior a força com que nos puxam de volta".

(Turvo. Júlio César Meireles de Andrade. Romance inédito que será lançado por volta de 2014)


Ah! E a "Turvo" em questão é a minha doce e querida Andrelândia (que é o nome mesmo da cidade, gente, né apelidinnho, não.). Andrelcity, Pasargada, Terra do Nunca...

Intromissão: acho que ele deveria chegar na Quaresma (por isso a maioria dos grandes escritores não mostra as coisas antes de ficarem prontas, que é pra modi os mala num dá palpite).


Ai, agora tem que terminar, Cósnis. Quero saber!!

8 comentários:

Luís Miscow disse...

Muito bonito mesmo!

Carrie, como faço pra te mandar um email?

Carrie, a Estranha disse...

Luís, segue meu e-mail (acho q clicando no meu perfil dá pra ver):

carriewhiteaestranha@yahoo.com.br

Luís Miscow disse...

Mandei ;)

Júlio César Meireles de Andrade disse...

Já que a moça aí em baixo citou o melhor dos começos, "Nonada. Tiros...", eu tive que desencavar das minhas gavetas este começo de uns manuscritos que tenho há alguns anos.

Júlio César Meireles de Andrade disse...

É uma longa e bela história. Mas o Rio Turvo ainda tem muito de suas águas turvas para passar debaixo da ponte.

Stella disse...

Carrie, onde eu encontro esse livro? Eu quero!!!
Essa parte final "O amor e a saudade são como elásticos que prendem-nos ao torrão natal, quanto mais longe vamos, maior a força com que nos puxam de volta" me deixou com mais vontade ainda de ler. :D

Ótimo!

Carrie, a Estranha disse...

Stella,

Vc não leuo q ele disse? Só lá pra 2014 vai ser publicado. Pelas palvras do autor.


Bjs

Pablo disse...

Sério que faz doutorado lá?! Quando você entrou?! Ah, mas você deve ter entrado depois de eu sair (fiz em 2003-2004)... De qualquer forma, na UFF pelo menos fomos contemporâneos.rs

Que... Estranho?!rs

Ah, me perdôe pelas cretinices do Sonrisal. Há sempre alguma cretinice nova. Hoje mesmo!
hahahahaha

Bju