sábado, setembro 20, 2008

Depois do post revortoso a pessoa vai dormir e acorda com o casal do andar de cima mandando ver. Não, eles nem estavam fazendo barulho, nem gritando, nem nada disso. Mas é que as paredes desse prédio são extremamente finas. Eu ouço a pessoa acima de mim levantar, abrir gavetas, ir ao banheiro...ouço até mesmo o celular vibrando. E ontem, sabem como é, né? Sexta feira, dia de trocar o óleo da patroa (ou do patrão, vai saber), fazer a manutenção do veículo, levar pra passear...se não ele (ela) pode procurar serviços em outra filial autorizada. Ou quem sabe ele (ela) deu sorte num desses barzinhos do Astoria e arrastou um desses gregos espetaculares que eu vejo no metrô, com perfis apolíneos, bocas curvilíneas e vermelhas, nariz afilado, pele branca e cabelo preto ondulado pra casa (menos, Carrie. menos). O fato é que acordei com um sincopado ranger de molas e bater da cabeceira da cama na parede. Foda. Ou melhor: no andar de cima.

A cama deve ser exatamente em cima da minha. Situação constrangedora. E o pior é que você não consegue dormir até a ação terminar. Você fica pensando como será o desfecho e há quanto tempo eles estão ali – já que quando acordei o barulho já estava, não sei se acordei por causa do barulho ou se, quando acordei é que comecei a ouvir. E nem TV eu tinha pra ligar. Podia colocar o I-pod, é verdade, mas fiquei curiosa em ver como a história ia terminar. Terminou sem grandes lances espetaculares. Só notei que terminou porque o ranger de molas acabou e eu escutei passos. Talvez o fim não tenha sido o melhor possível, vai saber.

Aí perdi o sono. Comecei a ler umas coisas, levantei – a grega sumida, pra variar – duas e tanta, três...lá pelas cinco eu fui dormir. Fiquei lendo o livrinho do Stephen King que a Raquel me emprestou, "Sobre escrita" (On writing). Muito bom. Ele falou algumas coisas sobre as quais eu falava no post revortoso. Sobre o fato dele sempre dizer que trabalha todos os dias, menos aniversários, Natal e 4 de julho. Na verdade, quando ele está trabalhando ele trabalha aniversários, Natal e 4 de julho. E quando ele não está trabalhando ele não trabalha at all. Nada. Mais ou menos o que eu dizia sobre meus amigos que acham que eu não faço nada ou que eu estudo demais terem razão.

Ele também dá as dicas de sempre: que para ser um escritor você precisa ler e escrever mais do que tudo. Contando a rotina de trabalho dele: de manhã, ele escreve. À tarde, soneca e cartas. À noite: leituras, Red Sox, família, alguma revisão urgente e TV. Achei perfeito. Sempre disse que a tarde é o pior horário pra se trabalhar – principalmente se você trabalha com algo eminentemente intelectual que te obriga a ficar parado, lendo, escrevendo e pensando. Te dá um sono que nem todo o café do mundo faz efeito. Infelizmente eu ainda não sou o Stephen King. Não posso me dar ao luxo de escolher períodos pra trabalhar. Ainda.

E por falar em café, deixa eu ir lá tomar o meu e depois ir a laundry. Sábado é dia de laundry e de tomar café no tiozinho bem humorado que diz “obrigado” em português e faz piadinhas. E dia de ver as mulheres lavando pilhas de roupas dos maridos e filhos – ou os maridos lavando – e estabelecer esse estranho tipo de sociabilidade que se instaura nas laundries, me lmbrando dos riachos onde as mulheres lavavam suas roupas e participavam da vida umas das outras – mas isso é assunto para outro post, são tantos posts que eu não dou conta.

5 comentários:

Joel disse...

Mais uma conseqüência de não ter televisão? Virou voyer..
Essa grega fdp. Olha no que ela está te transformando.
Ha, ha, ha...

Carrie, a Estranha disse...

hahaha

F. Reis disse...

as pessoas socializam nas lavanderias mesmo? não é só coisa de filme? =)

se bem que tudo que eu fiz nos EUA por 3 meses foi constatar q NADA era só coisa de filme... TODOS os clichês eram reais.

F. Reis disse...

muito bom fugir da minha realidade acompanhando a sua, by the way...

"I want to be a part of it!..."

Helena disse...

"Sexta feira, dia de trocar o óleo da patroa (ou do patrão, vai saber), fazer a manutenção do veículo, levar pra passear...se não ele (ela) pode procurar serviços em outra filial "


[risos]