quinta-feira, agosto 21, 2008

Miscelânea


Pregada. Completamente pregada. Não fiz quase nada hoje – quer dizer: tirei minha carteirinha, finalmente! Yu-hu! Mas só fiz turismo na biblioteca. Fiquei brincando, olhando...Eles têm até microondas. Pros estudantes esquentarem suas comidas. Tem refeitório. E ninguém revista sua bolsa, te impede de entrar com lápis, caneta. Vi uns folhetos reclamando que as pessoas andam marcando os livros, mas em geral parece que eles partem do princípio de que você é uma pessoa confiável. Com toda a paranóia americana anti-terrorista, me parece que, em geral, eles são bem mais ingênuos que a gente. Eles confiam nas pessoas. No Brasil a gente parte do princípio de que vão te sacanear. De que as pessoas são desonestas até que provem o contrário.

Não contei da minha ida ontem a Macy’s.
http://www.macys.com. Meu Deus...aquilo é a Sodoma e Gomorra dos tempos pós-modernos. Templo do consumo. Belzebu em pessoa comanda aquilo ali. O que é aquilo? Já tinham me avisado, mas ainda assim fiquei chocada.

Dez andares de loja. Nunca vi nada tão grande em termos de consumo. O primeiro andar é só maquiagem, cosméticos, perfumes (toooodas as grandes marcas: Lancôme, Clinique, Ives Saint Laurant, Esthér Lauder, MAC, Shiseido e mais várias que eu nunca tinha ouvido falar, confesso que esse é o setor que mais me balança), bolsas (que eu odiei; detesto essas bolsas-perua Dolce & Gabanna/Luis Vitton/Guess/ Channel com coisas douradas e penduricalhos. Uma ou outra se salvava), acessórios (óculos maravilhosos por bons preços – a saber: Ray Ban por U$ 129,00, Marc Jacobs, Calvin Klein por U$ 80,00...), gravatas, meias, cintos...

No segundo andar começam as roupas. Eles colocam as grifes mais caras no começo. DKNY, Guess, Dolce & Gabanna, Calvin Klein (até achei umas coisas mais baratas, tipo jeans a U$ 49,00, bermuda por U$ 19,90), Ralph Lauren, Tommy Hilfiger...

E você vai subindo, vai subindo. Cada andar é gigante.

Se você sobrevive, lá pelo sexto começam a vir as coisas realmente baratas – camisetinhas por U$ 7,99, blusas por U$ 20,00, jeans por U$ 30,00, de marcas mais desconhecidas – pra mim pelo menos. Concomitantemente, a música vai aumentando muito, pra realmente testar a sua resistência.

No meio de tudo, quando você acha que está quase desmaiando, surge uma Starbucks pra te salvar. Tentei tomar um café gelado, mas quase vomitei. Aquilo é o mijo do capeta. Vou me manter nos quentes.

Hordas de mulheres em fúria, determinadas a irem até o fim – de seus cartões de crédito. De vez em quando um ou outro marido te olha desesperado, como um prisioneiro que já perdeu as esperanças de sair um dia do seu cativeiro. A Macys é o pesadelo de qualquer marido. Digo, “O Marido” enquanto entidade marital. Aquele que leva “A Patroa” às compras.

Lá pro oitavo tem um andar de crianças. Depois de Cama, Mesa e Banho. Lençóis de 200 fios. Camas de hotel. Vontade de me atirar numa delas e só sair com os seguranças.

No décimo andar só os muito fortes sobrevivem. Por isso é quase deserto. Quase todo mundo morreu no meio do caminho. São móveis. Móveis que eu tive até medo de ver o preço, com medo de tal visão satânica me cegasse.

Fiquei cerca de duas horas. Experimentei algumas coisas. Não comprei absolutamente nada. Ainda fico muito assustada com as compras aqui. O apelo para o consumo é tanto que, mesmo sendo barato, se você se empolga, se acaba. E eu não sou uma turista, sou uma estudante. Não sei ainda se o CNPq vai me pagar mês que vem, ou se será tudo ao final – porque eles só pagam de 3 em 3 meses e eu não sei se vai dar tempo de eu entrar na folha de pagamento desse mês...


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Às vezes eu acho que 4 meses é muito tempo. Mas todo mundo diz que não é nada e que eu ainda vou querer ficar mais. Acho que é porque ainda estou num ritmo de turismo. Quando começarem as aulas acho que isso muda.

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Ontem falava sobre meus cabelos e peles nesse clima seco. A única coisa que fica ruim aqui é a minha boca. Digo, meus lábios. Ficam ardendo e meio queimados. Tenho que passar cacau e batom o tempo todo. Não sei se é o clima seco ou o sol.


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Mas hoje eu fiquei realmente cansada. Fui à universidade resolver essas coisas, dei uma volta na biblioteca, almocei, tomei um café na Starbucks e fui acometida por um sono avassalador. Acho que agora eu estou começando a me sentir mais à vontade e o sono e a fome estão voltando. Nos primeiros dias eu estava tão exciting que não tava tintindo nada. Agora acho que estou voltando ao normal. Comendo mais – ai, ai, ai – e ficando mais cansada.

Aliás, na Starbucks têm uns cookies de 33 cents. Um cookie de chocolate com pedaços de chocolate, do tamanho de um biscoito recheado (ou maior) por apenas 33 cents. Ai, ai...realmente comida é muito barata aqui. Come-se muito e de tudo por muito pouco.


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Abortei a missão Zôo Bronx de hoje. Eles também têm um dia Pay as You Wish e não é hoje. Se eu não tô pagando nem pra ver arte não será pra ver bichinho, né? O ingresso simples custa U$ 17,00 e o pacote todo – com atrações como o jardim de borboletas, passeio em camelo e gorila – é U$ 27,00. Salim conhece bichinho. Salim veio da selva.

El Greca vai fazer um rafting no rio Delamare (ou algo do tipo), domingo com a rapeize das Nações Unidas e me chamou. U$ 45,00. Salim não faz rafting. Tem rafting em Brasil. Rio bonito. Salim só faz coisa que não tem em Brasil.

Ela nunca fez rafting e não sabe nadar muito bem. Quero só ver a lenha, como diz o povo de Minas.

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Minha TV tem 1914 canais. Desses, uns 1000 são pay per view (filmes, programas eróticos, esportes...). De uns 900 que sobram, alguns são repetidos – não sei porque. Ainda não consegui dar um zap por todos. Outros são versões em espanhol. Tem uns que são só sobre o trânsito de NY, tipo câmera da prefeitura. Mesmo assim é muito canal. Até pra mim.

O NY1 é um tipo RJTV 24 horas por dia. Dá informações de trânsito, acidente, tempo...aí sempre rola umas notícias de uns malucos que atacam pessoas. Agora estão à caça de um no Brooklyn que ataca senhoras idosas. Filmaram o cara atacando uma mulher no elevador. As velhinhas estão todas assustadas. Não entendi se esse é o mesmo que estava atacando crianças há uns dois dias atrás, mas acho que não. Mas são ambos no Brooklyn. Ai que meda. Muito maluco nessa terra.

Aliás, esse é o único tipo de violência daqui. É impressionante ver as pessoas andando com seus I-pods, celulares, computadores no meio da rua e tudo bem. Sentada na grama, na calçada...Você não precisa ficar escondendo o seu I-pod. Porque o cara simples que sentou do seu lado, com a barra da calça suja de tinta, tira um dez vezes maior do que o seu, de zilhões de gigas. Sim, aqui a Apple é senhora absoluta.

Hoje fui almoçar na Washigton Square. Sentei numa daquelas mesinhas. Outras 3 pessoas sentaram. Um cara, na minha frente, abriu o seu Mac (daqueles fininhos), plugou um I-pod gigante nele e ficou vendo enquanto comia sua salada de frutas.

Aliás, é realmente impressionante ver as pessoas nas praças. Elas procuram o sol. No Brasil, no verão, você procura uma sombra pra se abrigar. Aqui as pessoas procuram o sol. E me disseram que agosto é o pior mês de calor. Bom, se isso aqui é o pior calor, eu quero esse calor pra mim. É um sol muito forte, mas se você vai pra sombra, passa. Tipo Andrelândia no verão.

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Já domino o metrô completamente. Faço manobras ousadas. Mudo de linha. Subo. Desço.
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Já vi quase todas as séries que passam no Brasil aqui. E setembro as temporadas começam. Descobri um canal que reprisa a primeira temporada de Barrados no Baile. Estou no céu. Também achei um BBB. Aliás, achei bem mais interessante, pois tem pessoas de todas as idades e tipos – claro, uns modelos, como sempre, mas bem mais diversificado.

That’s all folks. Deixo vocês com algumas fotos da Bobst, a biblioteca da NYU. Fiquei que nem uma jeca-tatu tirando fotos. Não consegui desvirar as que eu tirei em pé. Mas dá pra ter uma idéia de onde os estudantes se jogavam.
Ah é: pra quem ficou bobo de ver, aqui em NY temos a segunda maior biblioteca do país que é a Biblioteca Pública de NY. Só perde para a do Congresso americano - a verdadeira Alexandria. E é aberta ao público, ao contrário da NYU que é só pra alunos e funcionários.







7 comentários:

Tati Tatuada disse...

Se um dia eu for a NY não vou passar nem na porta da macys.
Estou adorando seus passeios e suas aventuras na terra do tio Sam.
(Zorba me diverte muito)
Beijos.

Ana Luísa disse...

Oi Carrie!

Também estou adorando sua odisséia! Agora, como doutoranda também, fico com uma inveja mega blaster desta biblioteca... Me diz uma coisa: como a gente aqui no nosso Brasil amado e querido vai para frente em pesquisa se por aqui biblioteca é algo quase inexistente? Ô tristeza... Enfim, mande mais fotos, comentários, tudo! E aproveite muito seus 4 meses! Vou torcer pro CNPq te pagar direitinho. Um beijo grande, Ana Luísa

fulô disse...

carrie,
to pra te dizer isso ha' uns dois posts e esqueco sempre - iced coffee toma assim: muito leite e muito acucar (ou adocante, no meu caso).
caso contrario e' ruim pra de-deu!
mas assim e' bem gostosinho.
ah, e nao deixa de tomar um dos frapuccinos da starbucks. eu sou fazoca de um de caramelo, versao light. o frappuccino e' uma especie de milk shake de cafe. bommmmmm!

Anônimo disse...

Aff, fiquei doidinha na Macy´s. Consumismo total!! também querooooo!! Quanto à Zorba, torça para que ela não morra afogada. Já pensou pagar o aluguel sozinha? rsrsr Bjs, Karine

Carrie, a Estranha disse...

Tati,

Ai, cara...nem me fale!

Ana Luisa,

Eh foda! Temos q importar todos os livros.

FulO,

Ah, acho q eu passo...rsrsrs...prefiro ficar sem do q ter q usar todos esses artificios!

KArine,

Aquilo eh obra do coisa ruim!

Bjao

Anônimo disse...

O rio do rafting da Grega deve ser o Delaware!!!
Marcelo

Milema disse...

Eu simplesmente ia amaaaaar esta Macy´s. Acho que ia precisar de uns 3 dias só neste paraíso (e, claro, de um supre mega power cartao de crédito).