quinta-feira, agosto 28, 2008

Comentários tupiniquins acerca da Convenção Democrata

É muita onda ter uma música do U2 como tema da sua campanha, não é não? (não, a interrogação não voltou, eu apenas fui em “inserir símbolo” e tô usando como um paliativo. Aí quando eu me acostumar, vou solucionar o problema). É muito prestígio.

Acabei de ver o discurso do Bill Clinton. Chorei. Sério. Chorei.

(É, eu sei. Isso não é um bom sinal. Acho que não tô legal. Mas nem posso por a culpa na TPM).

Eu sei que é tudo um grande circo, mas a convenção democrata parece uma festa. Você não consegue pensar em nada parecido no Brasil – a convenção dos partidos, talvez? Bom, mas é bem menos gente. Nêgo ficou aplaudindo uns cinco minutos antes do discurso dele.

Me lembra um pouco quando o Lula foi eleito. Aquela sensação de mudança, de que alguma coisa boa e nova viria (bom, o resultado a gente sabe), aquele papo de que “a efffperanfffa venffeu o medo, companhero”. Parece que as pessoas estão esperançosas aqui. Eu, bom, eu sou anarco-individualista-(groucho)-marxista-niilista-sem-saco, mas sujeita a recaídas de crença e a chorar no discurso do Bill Clinton – e confessar isso em público, o que é pior. Mas acho que qualquer coisa que não seja mais quatro anos (aqui o mandato é 4 ou 5? Nem sei) com os Republicanos é melhor. E o Obama não é o Lula. Bom, e eles que são Brancos (Anglo Saxões Protestantes) que se entendam. Eu sou apenas uma moça latino americana sem dinheiro no banco, sem parentes importantes...


Ahahahahaha...quando entraram os ex-combatentes do Afeganistão tocou Eye of Tyger, a musiquinha do Rock! Hahahahaha...muito bom! Tã... tã, tã, tã.... tã, tã, tã... tã tã tããããã...vai lá, Rock. Porque eu te amo.

Agora tocou aquela do Eric Clapton...baby if I could chaaaaangeeee the world...bem a propósito.


***

Meu orientador é o mais fofo dos orientadores. Depois de mim e da minha mãe ele foi a pessoa que mais ficou feliz de eu ter vindo pra cá. Minto. Ele ficou mais feliz do que eu e minha mãe juntas. Ele me incentivou. (Claro, ele adora NY, tem filha e netos aqui). O tempo todo ele mandava mensagenzinhas dizendo “A Big Apple se curvará aos seus pés” e outras pandeguices tipicamente suas – ele é um gozador, acima de tudo. Quando eu passei o primeiro e-mail daqui ele disse “aproveite, estude bastante, mas, acima de tudo, viva a vida. Ela merece e você também”. Nos momentos em que eu achei que não ia conseguir (por diversos motivos) era voz dele que eu ouvia citando parte do discurso do Mandela “Our deepest fear is not that we are inadequate. Our deepest fear is that we are powerful beyond measure. It is our light, not our darkness that most frightens us. We ask ourselves, ‘Who am I to be brilliant, gorgeous, talented, fabulous?’ Actually, who are you not to be?” (Nosso medo mais profundo não é sermos inadequados. Nosso medo mais profundo é que sejamos poderosos além das medidas. É a nossa luz e não nossas trevas o que mais nos assusta. Nós nos perguntamos ‘quem eu sou para ser brilhante, maravilhoso, talentoso, fabuloso?’ Na verdade, quem nós somos para não ser?”). Me desculpem as amigas tradutoras...

Aliás, é o próprio exemplo de vida dele que me inspira. Eu viria nem que fosse só por ele. Nem que fosse a última coisa que eu fizesse na minha vida. Nem que fosse tudo uma merda eu ficaria aqui até o fim. Ele acredita mais em mim do que eu mesma. E aí eu mando as fotos pra ele e ele ainda responde: “a Big Apple está te fazendo mais bonita”.

Sim, eu faço parte da comunidade “Eu amo meu orientador”. Ele é realmente o que um orientador precisa ser: generoso, prestativo, amigo (não amiguinho, mas amigo) e me deixa livre pra pensar e fazer o que eu quiser – tá meio atrasado da leitura da minha tese, mas tudo bem. Eu também tô. Ele é que nem o treinador do Rocky. Quando eu quero desistir ele limpa meu suor, estanca o sangue, joga água no meu rosto e fala: “eye of tyger! Eye of tyger!” e eu volto pro ringue. Ele é meu Coach (ou talvez apenas por ter convivido menos tempo com ele eu veja mais suas qualidades do que seus defeitos. Eu tenho a tendência a idealizar as pessoas – pro bem e pro mal).

Pena que eu tenha precisado passar pelo que passei no doutorado – mudar de orientação, quase perder a bolsa, brigar com um monte de gente – para encontrá-lo. Isso é apenas uma mostra de como a vida muda. Nem sempre pra melhor, nem sempre pra pior. Simplesmente muda. É a única certeza que podemos ter. Tudo passa. Esse momento – que eu vejo como um dos melhores da minha vida – vai passar. Mas aí, como diz Formiga Irmã, fica o registro de como é quando a gente se sente bem. E podemos acessar esse “banco de dados” quando a coisa ficar preta – porque ela fica, mais cedo ou mais tarde ela sempre fica, porque nada dura pra sempre – e lembrar de que a felicidade também existe e pode voltar. E, com o tempo, a gente aprende a relativizar as coisas – espero, porque eu ainda sou muito jovem e não tenho essa vivência. Não que isso faça doer menos. A dor continua a mesma. Mas talvez o que mude seja o tempo que se leva pra enxergar a luz no fim do túnel ou o fundo do poço – ou a luz no fundo do poço.

E aos poucos eu tento estender essa “sabedoria” (cof, cof...) para outros setores da minha vida. De que tudo se ajeita com o tempo. De que coisas ruins podem ser ruins num primeiro momento, mas sempre podem ser revertidas em coisas boas.

Peguei pesado, né plebe? Peguei. Tô tão Bono Vox, hoje!! Ui!

3 comentários:

Anônimo disse...

Ah garouta, é isso, é isso...torço demais por quem batalha seus sonhos, reconhece tropeços e segue. Faz tempo que não te digo nada mas venho aqui religiosamente e tenho orgulho de ti.Bjs. Sandra Lee

Carrie, a Estranha disse...

Oi Sandra!

Muito obrigada por tão doces palavras! Nem mereço.

Um beijão

Milema disse...

É isso aí garota!Vai passar. E no final, a gente ainda ri de tudo. Bjinhos