sexta-feira, abril 18, 2008


É completamente inacreditável o grau de histeria que o depoimento do casal acusado de matar a filha está gerando. Banheiros químicos instalados para abrigar o espetáculo, trânsito desviado, gente viajando 400 kilômetros só pra ver o casal chegar e sair da delegacia. Choro, gritos, palavras de ordem. De gente que nunca viu nenhum dos envolvidos. Desespero. Pessoas que deixaram a própria vida para acompanhar o caso. Comerciantes da região tendo prejuízo. Pessoas agredindo a família dos acusados, os pais dos acusados - pessoas que a rigor não tem nada a ver com a história. Pichações em frente à casa de familiares. Isso é absolutamente estarrecedor. Pessoas se despencam pra região da delegacia apenas pra tentar ver os acusados durante alguns segundos - isso numa cidade como São Paulo, onde os engarrafamentos são maiores do que a distância Rio-Volta Redonda.

É claro que o crime é horrível – alguém duvida ou discute isso? Mas parece que se estabeleceu uma espécie de competição pra ver quem sente mais. O que vai mudar na vida das pessoas se eles forem ou não condenados? Se fosse algum tipo de pressão popular para mudar alguma lei, ainda vá lá. Mas tornou-se apenas um espetáculo. Um desrespeito à morte da menina. Não venham me convencer que são pessoas comovidas. Isso é a massa no seu estágio mais primitivo, insuflada pelo sensacionalismo da mídia querendo pão e circo – e depois vêm perguntar porque esse caso desperta tanta comoção. Surto coletivo.

Excelente trabalho de conclusão de curso para alunos de Comunicação/ jornalismo. A mídia como tribunal. Tenho colegas que fizeram trabalhos nessa linha sobre o programa Linha Direta e sobre o caso Daniela Peres (aliás, uma amiga que era também advogada). Quiçá dissertação de mestrado.



12 comentários:

lispila disse...

É inacreditável como as pessoas fizeram desse caso um passatempo (tanto na televisão como nos jornais). Claro que todos anseiam por justiça, mas, poxa vida, ninguém mais trabalha? Aquele povo que fica na frente da delegacia não tem mesmo o que fazer?
Brincadeira, não é?!

Lolló disse...

Gente sem vida própria. Estão mais mortos que a pobre da Isabella. E nem perceberam.

Ana Manga disse...

Pior que a massa é uma entidade internacional. Aqui teve um caso que me irritou incrivelmente, o caso da menina Madeleine. Desde que eu cheguei aqui na Inglaterra, em abril do ano passado, a gente é obrigado a ficar vendo a cara dessa menina em todos os ônibus, e o jornal até hoje tem coragem de requentar essa história. Como pode ser relevante o sequestro/assassinato de uma menina dentro de milhares na mesma situação? E o casal é aqui de Leicester. Até hoje a porta da casa deles vive cheia de gente, eles andam com segurança, as pessoas mandam cartas ameaçando.
Cara, é o típico "get a life", né não?

Julie disse...

num seu outro post vc diz exatamente o que eu penso: em que mundo vivemos? que sociedade é essa? oh, a mesma de sempre, reproduzimos os arquétipos todos q vc mencionou, somos apenas seres humanos, capazes das maiores vilezas e das coisas mais sublimes. ninguém aguenta é essa cobertura escandalosa e de última.
o que é a ana maria braga? vou declarar q assisto, todos os dias, geralmente dá p pegar a comida e uma rabiola de entrevista. mas não tou mais podendo, hj tinham dois "juristas", dizendo como vai ser o julgamento e patati patatá.
fodam-se. foda-se ela e o cabelo dela (como acho q alguém tb já disse: o que aconteceu com os stylists da globo, meu deus? cooomo colocam aquele cabelo de piaçava nela? e o cabelo de náilon, de boneca, da suzana vieira? morram.)depois de recado fofo, deixo um bem revoltado, viu? quem mandou escrever bem, olha o monstro q tu despertas nas pessoas ;-)
beijaralhos e bom feriado.
(ps: li tb q vc tá correndo, eu comecei no início do ano, era mó pangaré e já estou me achando. muito bom, né? qué trocar figurinhas?)

Dona Sardas disse...

É horrível, mesmo. Eu vi aquela senhorinha que despencou-se 40 kilômetros e fiquei besta. Essa gente não tem mais o que fazer, hein? É bem como tu disse, se ainda fosse uma mobilização para mudar lei ou outra coisa assim, teria alguma finalidade. Mas assim é pura morbidez e coisa de gente que não tem vida!
Beijos pra ti.
Pati Linden

Carrie, a Estranha disse...

Lispila,

Não trabalham mesmo!

Lolló,

Eu tb penso isso.

Ana,

Aqui o caso da Madeleine tb foi bem famoso. Não tanto qto aí, claro.

Julie,

Eu tb assisto! Hahahaha...quer dizer, é meio q na hora q eu tô tomando café.

Bjs a todas

Carrie, a Estranha disse...

Ops! Esqueci de dar um alô pra Pat. Oi, Pati!

Paula Clarice disse...

Eu tenho pesquisas nesse tema, Carrie! Quer trocar figurinhas?

jackyo disse...

Como as pessoas se mobilizam para linchar os 'culpados' e olham para todo resto que está errado e todos os outros 'culpados' com tanta indiferença é o que me surpreende.

B. disse...

Nessas horas que fico chateado por não termos um Foucault por aí pra fazer um estudo anatômico da mídia, quiném ele fez com a questão da disciplina. Temos tipos como o Arnaldo Jabor, mas até eles são sobrepujados por essa histeria coletiva :/

lispila disse...

Oi Carrie, vi seus comentários lá no nosso blogue! Pode deixar que logo mais vc vai perceber quem é que o escreve o que... Por enquanto, a maioria dos posts são meus. É só ver pelo formato da letra!

Um beijo,

Lívia

Carrie, a Estranha disse...

Paula,

Sim, podemos. Apesar de não ser isso q eu trabalho hoje em dia, acho bacana e fiz mestrado em Comunicação, ênfase em Mídia e Discurso. Me escreva: carriewhiteaestranha@yahoo.com.br

Jackyo,

Pode crer.

B.,

Ah, mas tem outros!

Lívia,

Ok. Vou linkar ainda.

Bjs