quarta-feira, novembro 28, 2007

Reclames do Sublime




“Abomino fim-de-ano. Não porque o ano chegou ao fim, pois não vejo o decurso do tempo como anos que começam, transcorrem e acabam: o tempo é uma coisa só e foram as pessoas que julgaram conveniente criar uma divisão ficta para o indivisível. Essa divisão foi feita principalmente para que as pessoas possam acreditar em um 'amanhã', que é algo que não existe. O tempo é como um tricô que se faz à medida que o vivemos - e que se desmancha à medida que passamos por ele. Não há como chegar ao 'amanhã', porque 'amanhã' não é um lugar de onde você entra-e-sai, como a casa da mãe joana. O 'amanhã' é uma idéia, uma expectativa, que pode perfeitamente não se realizar. Assim como o 'ontem' é algo que já deixou de ser (às vezes, há muito tempo), e nós é que ficamos pensando nele e falando dele na tentativa de trazer para o 'agora' (esse sim, existe) coisas que não existem mais. Mas tergiverso. Voltemos. As pessoas ficam malucas porque o que se convencionou chamar ano está chegando ao que se convencionou chamar o seu fim, e aí querem fazer em um único período de tempo tudo o que não fizeram em outros onze períodos idênticos. Que é para entrar no novo ano sem pendências e poder fazer novas resoluções de ano-novo. Que igualmente não serão cumpridas e levarão o auto-compromissado à loucura quando chegar o último período do so-called 'ano'. (Veja, não estou me revoltando contra a contagem de tempo. É necessário contar o tempo porque se convencionou que seria feito assim. Penso, porém, que a contagem do tempo pode perfeitamente ser uma coisa técnica, que não interfira de modo tão pouco coerente na nossa subjetividade. Há uma diferença entre assumir que hoje é o dia 27 de novembro de 2007 e ficar completamente transtornada porque o 'ano' chegou ao 'fim' e não fiz tudo o que queria.)
Clique aqui pra ler na íntegra.



Dela. Digo, da Criada. Vulgo Belly.

5 comentários:

Raposinha Ila disse...

Eu gosto de fim de ano...

E acho que justamente esta sensação de final é o que fazem as pessoas ficarem mais relax. Pode ver! até aquele chefe rabugento as vezes parece ficar mais animadinho com a chegada do final de ano.

Mas tenho que assumir que os finais de ano hoje não são tão legais como quando eu era criança... nesta mesma época do ano a 15 anos atrás eu estaria me despedindo dos cadernos esgarçados e das canetas pelas metade para dar espaço para tardes infidáveis na piscina e video-game.

Hoje eu dependo da boa vontade da empresa para deixar eu emendar um diazinho... e pior é que sempre deixam para avisar isso em cima da hora, e nunca dá para programar nada legal, foda... enfim...

Ô saudade daquele tempo viu.

raquel disse...

Na mosca! Ninguém entende porque eu não comemoro o tal do "ano novo" (me recuso a dizer reveillon) há pelo menos uns 8 anos, e porque eu fico chocada quando alguém diz que vai dar 300 contos pra ir numa festa na data. Muda o que? O calendário? Começa a agenda nova, é isso? Só porque uma data foi convencionada para mudar o número do ano (que diga-se de passagem não foi o 1 de janeiro sempre) não quer dizer que vá mudar alguma coisa.
Eu me recuso. Comemoro o dia da geladeira, o dia do arremesso, qq coisa, mas não ano novo.
ótimo blog, o da criada, vou virar freguesa também.

Carrie, a Estranha disse...

Raposa,

Ah, eu tenho saudades por outros motivos.

Raquel,

Eu tb aboli essa história de Ano Novo. E carnaval, tb. Detesto datas q me obrigam a ficar alegres.

O blog é da Ticcia. A Criada de Madame escreve às vezes e se chama Belly.

Bjs

Sarah disse...

Eu até gosto do Reveillon, mas faz uns 7 anos que passo meus carnavais entre Pacatolândia e Guarapari - sem o agito que rola por lá. Na verdade, Pacatolândia no Carnaval é ótimo. As praia ficam vazias, os cinemas idem, e a gente vai para os poucos barzinhos que abrem com um seleto grupo de amigos que ficam, e se diverte horrores!!!


PS.: Sou a mesma Sarah, ou Sarita, que já comentou aqui antes... é que hj tem vc lá no meu blog... (vergonha!)

Bárbara disse...

tb detesto essas datas nas quais somos obrigadas a mostrar alegria e carinha de feliz. se a felicidade é autêntica vale, mas por obrigação não dá. e a noite será como todas as outras e o dia seguinte será só o dia seguinte... te mandei mail. bjs