quinta-feira, dezembro 14, 2006

E por falar em século XIX...


Estou lendo “A mulher de trinta anos” do Balzac e, tipo assim, tô me identificando horrores a-nível-de-ser-humano-enquanto-pessoa-gente com a protagonista. Ela é uma mulher que tem tudo, mas nada a deixa feliz. Não que nada me deixe feliz, mas eu sei o que é o tédio, o vazio e você nem mesmo conseguir explicar e justificar isso.


Aliás, bastante parecido com a temática de Madame Bovary, do Flaubert. Sim, porque a Ema Bovary corneia o marido não por amor por outro, mas pelo desejo de sentir algo além daquela vida burguesa tediosa. Que aliás, Eça plagiou des-ca-ra-da-men-te em “O primo Basílio”. Uma coisa é influência. Outra é ter partes inteiras quase iguais. Ainda que um seja absolutamente francês e outro totalmente lusitano. Nenhum deles estão entre meus escritores prediletos, mas gosto dessa temática. Não gosto muito de realismo – o que quer que isso signifique, pois não acredito muito nessas divisões, pois pra mim Kafka e Garcia Márquez são realistas; nada mais normal do que você se sentir como um inseto em determinados dias.


Bom, eu acho que em algum momento eu preciso dormir, né? Afinal, amanhã tem relatório, relatório. Tic tac tic tac.

6 comentários:

Jussara disse...

O que vc está achando do "a mulher de trita anos"? eu comecei a ler, só umas duas páginas, acho, achei mto parado, mas tb tava caindo de sono; como estou lendo outros no momento, tenho que retomar e pegar firme.

Carrie, a Estranha disse...

É um romance do século XIX e como quase todos da sua espécie, peca pelo excesso de realismo, descrições minuciosas...eu gosto.

Mas aquele começo - dela indo ver a passagem do Napoleão junto com o pai - é meio chato mesmo. Mas insista. Passando aquilo melhora. Mas, volto a dizer: é um romance do seçulo XIX.

Jussara disse...

Tá, vou tentar de novo.

Sergy disse...

Kafka é realista!?
Ora aí está sem dúvida um excelente tema de discussão.
Kafka é existencialista acima de tudo e exprime questões desse foro recorrendo a metáforas, bastante fáceis de interpretar (digo isso sem retirar nem um pouco do brilho que faz de Kafka um dos meus autores favoritos). O insecto é a depressão, bem como O Castelo é a sensação de isolamento.São sentimentos reais, mas nao sei se é correcto literaticamente denominá-lo realista.

Carrie, a Estranha disse...

Sergy,

Mas foi exatamente essa a piada q eu quis fazer! Eu sei q ele não é "classificado" no gênero realista, mas dizer q as reflexões, ainda q metafóricas dele, não refletem uma profunda descrição da realidade é cair num reducionismo absurdo. Quis apenas brincar com isso, sacou?

E acho q dizer "barata = depressão" e "castelo = isolamento" tb não é a saída. Kafka é um autor da modernidade, acima de tudo e suas questões abrangem amplamente toda a esfera da racionalidade burocrática que circunda a vida moderna - tema presente tb em O processo. Pelo menos essa é a minha visão sobre Kafka

bjs

Sergy disse...

Claro que entendi a brincadeira. Os temas e reflexões existencialistas (e além de escritor, Kafka é também considerado filósofo), com ou sem metáfora tratam de questões humanamente quotidianas, daí que o conteúdo tem sempre um forte teor realista, não obstante o estilo literário. Daí eu ter dito que isso é um excelente tema de discussão.As considerações que eu teci sobre O Castelo e a Metamorfose, podem ter um carácter simplista, mas concordo contigo,os temas dele são actuais e reflectem o esmagamento do Eu pelo calculismo frio do Grupo.
bj